20 Out, 2017

O Diário do Atleta: Diogo Cabral e Manuel Nunes ep. II

Francisco IsaacJaneiro 25, 20179min0

O Diário do Atleta: Diogo Cabral e Manuel Nunes ep. II

Francisco IsaacJaneiro 25, 20179min0

Voltamos a abrir o “livro” de Diogo Cabral e Manuel Nunes, atletas do CF “Os Belenenses” e RC Montemor, respectivamente: o estágio de Natal, a paragem no campeonato, o relançamento e o chegar cada vez mais próximo do Europeu de sub-18. Este é o Diário do Atleta do Fair Play

O Natal Fim de Ano representam “intervalos” e “descanso” para a maioria, uma vez que é uma época de festejos, festa e “brincadeira”. Todavia, em Lisboa e Montemor, os atletas da Selecção Nacional de sub-18, Diogo Cabral e Manuel Nunes meteram o “pé no acelerador” de forma a não se precipitarem para uma quebra de forma.

Como Diogo Cabral diz, “A última vez que falámos foi uns dias antes do Natal… devo dizer que o início deste novo ano, foi bastante cansativo. Todos sabemos que no contexto desportivo, esta época festiva não é muito favorável, porque acaba por nos fazer recuar um bocado na nossa condição física.

Assim, o regresso ao ginásio e os treinos de resistência, que fiz juntamente com o David Costa (Cheesy) e o com o Francisco Rosa o meu grupo de treino físico, revelaram-se difíceis numa fase inicial. Contudo, já começamos a sentir a diferença e uma condição melhor, isto derivado do trabalho que temos feito.

Além do rugby, houve o regresso à escola, que naturalmente é de extrema importância e que incluiu um teste na segunda semana de aulas, que por acaso até correu bem.”.

Esta forma de estar é corroborada por Manuel Nunes, que não soube parar na quadra natalícia, “Durante a época natalícia, a par dos momentos de convívio com a família e amigos, importantes para nos restabelecermos emocionalmente, pude também intensificar os treinos físicos, além do trabalho dentro do próprio clube. Com a passagem para 2017 vieram também as rotinas e com elas a típica motivação de início de ano para mais um esforço no estudo e nos nossos objetivos, como agora perspetivando a nossa preparação para futuros confrontos internacionais.

Iniciámos os treinos semanais, essenciais para a nossa preparação, para nos conhecermos melhor e interagirmos de forma mais fluente e eficaz. A maior frequência destes momentos em que estamos juntos torna-nos mais coesos e por isso podemos tirar maior partido daquilo que cada um constrói dentro de campo.”.

Manuel Nunes (Foto: Pai Conde Fotografia)

Esta forma de estar destes dois jovens atletas demonstra a ambição, raça e vontade desta(s) nova(s) geração/gerações do rugby Nacional. Sabem que para chegar ao topo têm de trabalhar o dobro, senão o triplo, onde o grande objectivo é, para já, chegar ao Campeonato da Europa sub-18.

É ao falar com os dois atletas que se percebe o quão importante é o rugby nas suas vidas, tendo moldado a sua forma de pensar, a sua capacidade de ir mais além e de que quando assumimos um compromisso temos de o levar até ao fim.

Um grupo muito sui generis, ao jeito do gosto de Rui Carvoeira, Fancisco Branco e João Mirra, que procuram, incansavelmente, em “espremer” o melhor dos seus atletas ajudando-os a potenciar as suas técnicas, leituras estratégicas e formas de trabalhar.

Mas recuemos uns dias antes da Celebração do dia de Natal, ou seja, até ao estágio das selecções de sub-18 e sub-20. Na quarta-feira, dia 21 de Dezembro, quatro gerações mescladas em duas selecções nacionais jogaram entre si, num jogo bem disputado, ardiloso e com algum perfume (sobretudo de Jorge Abecassis nos sub-20) técnico ou a procura incessante pela placagem (Manuel Nunes não parou de armar e “atacar” com placagens os seus adversários) que premiaram o público que se deslocou ao Jamor nessa manhã de Inverno.

Manuel Nunes recorda-nos como foi o estágio, “Na continuidade do trabalho em grupo para a equipa nacional sub-18 reencontramos-nos no estágio que teve lugar nos dias 20 e 21 de dezembro de 2016. Mais uma vez havia muita curiosidade e expectativa neste estágio. Era importante saber como estava o grupo física e moralmente.

Penso que nos encontrávamos todos com a consciência de que teríamos que dar o nosso melhor para uma avaliação profunda da situação da equipa, e foi o que aconteceu.  Nada melhor que um jogo frente à seleção nacional sub-20 para nos pormos à prova, pois muitas dificuldades que encontrámos nestes jogos irão ser semelhantes a possíveis  dificuldades nos jogos internacionais do nosso escalão.

Com a certeza que seria um desafio difícil, toda a equipa se empenhou conseguindo construir e realizar momentos muito bons no jogo.  Entre estes momentos positivos é de destacar, em minha opinião,  uma boa organização defensiva assim como uma boa construção ofensiva da equipa, que nos permitiu avançar muitas vezes no terreno de jogo. Sabendo que com trabalho estes momentos serão mais prolongados acredito que nos facilitará o jogo e nos tornará uma equipa ainda melhor.

Terminei o estágio com a convicção de que a expectativa sobre nós está cada vez mais alta e exigente e que da nossa parte teremos que responder à altura e sinto que todos queremos trabalhar a esse nível, o que é bastante positivo para conseguir resultados. Uma equipa motivada dá sempre o seu melhor e pode colher os frutos desse esforço.”.

A fugir para o ensaio (Foto: Vieira Dias Fotografia)

Para quem esteve de fora, o jogo foi intenso e físico, com os sub-20 a perceberem a necessidade de elevarem o seu jogo para alguns pontos máximos uma vez que os sub-18 não iam virar a “cara à luta”. O olhar atento dos seleccionadores nacionais (Martim Aguiar do XV e António Aguilar dos 7’s marcaram forte presença) era agraciado com trocas de placagem, movimentações de alto risco (Vasco Morais tentou “assustar” os seus adversários com uma série de “trocas de pés”) e uma prestação de alta raça.

Posto o fim do Estágio (no qual já falámos na primeira página do Diário de ambos, que podem consultar em: goo.gl/LFDQwK), as férias e o relançamento dos treinos e jogos, Diogo Cabral falou-nos de como foi o reinício da “aventura”, ” Partindo agora para o primeiro treino nacional que o grupo dos sub18 realizou na quarta-feira, dia 11 de janeiro, quero realçar a grande vontade que todos demonstrámos em fazer um bom trabalho e o foco que impusemos nos diversos momentos.

Além disso, tivemos a integração de “novos” jogadores, os quais tiveram uma grande atitude, todos eles contribuíram com as diferentes qualidades que têm, elevando o nível do treino.”,

No meio da conversa com Diogo, o centro do Belenenses, ainda analisou a transformação do grupo desde Outubro até agora, “Acho que estamos a formar um grupo coeso, com uma vontade especial de fazer um bom trabalho e de ter uma boa prestação no Campeonato da Europa! Além da continuidade que temos de dar ao desenvolvimento técnico/tático e físico, os valores que foram discutidos no estágio anterior e que nos devem caracterizar enquanto equipa, devem estar bem interiorizados e presentes naquilo que são as nossas ações individuais e coletivas.”.

Raça de Diogo Cabral (Foto: Pai Conde Fotografia)

Entre os estágios da selecção de sub-18 (neste dia 25 está a decorrer mais um treino da Selecção) e treinos de equipa, o campeonato de sub-18 seguiu para a Final Five, que já teve alguns “solavancos” administrativos, que estão a ser apurados pela Federação Portuguesa de Rugby.”.

Na primeira página do Diário, tivemos a oportunidade de perguntar a Manuel Nunes sobre a sua época a nível de clube, desta vez abrimos a “porta” a Diogo para falar dos seus azuis, “Quanto ao meu clube… o início desta segunda fase não foi propriamente o melhor, uma derrota no primeiro jogo, e na bola de jogo,  não é o melhor arranque.  Mas apesar dessa situação menos favorável para o nosso percurso no campeonato nacional, os treinos têm corrido muito bem! Estamos todos empenhados e com o nosso objetivo bem definido, agora só nos resta levantar a cabeça, avaliar o que fizemos de menos bom e continuar um bom trabalho, até porque de uma derrota muitas vezes aprende-se imenso. Confiamos todos uns nos outros e no potencial e capacidades que temos . É como nos foi dito, o caráter  de cada um e mesmo enquanto equipa, vai ser fundamental para elevar o nosso nível e posição.

Ainda no contexto do clube, e com o objetivo de querer fazer sobressair o nosso trabalho e a confiança/amizade que existe, quero fazer referência a uma conversa que tive com o meu treinador João Nabais. Discutimos o nosso desenvolvimento e a preocupação que têm relativamente ao esforço físico, que normalmente resulta em cansaço, que realizamos para alcançar os nossos objetivos enquanto jogadores. Com isto pretendo mostrar um agradecimento especial aos treinadores que tenho e a boa relação que toda a equipa tem.”.

Diogo Cabral e Manuel Nunes são dois jovens com uma vontade de irem mais além, onde as férias são substituídas com mais treinos e trabalho, onde o descanso não significa desresponsabilização e o futuro significa presente. Como eles, são todos os seus colegas de selecção, atletas que querem representar Portugal da melhor forma, ao melhor ritmo e com o maior dos prazeres.

Diogo Cabral (Foto: José Vergueiro Fotografia)


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