17 Ago, 2017

FP Scouting – João Schmidt

Victor AbussafiNovembro 30, 20165min0

FP Scouting – João Schmidt

Victor AbussafiNovembro 30, 20165min0

Uma das coisas mais bonitas do futebol é ver meias clássicos, que jogam com a cabeça levantada enquanto controlam o ritmo da partida. Num futebol cada vez mais físico, jogadores com esse estilo são raros e, se bem utilizados, podem elevar a qualidade do jogo praticado por uma equipa. João Schmidt viveu um 2016 de afirmação e pede espaço na nova época para ser o novo “dono” do meio campo tricolor.

O Centro de Formação de Atletas de Cotia, sede da formação do São Paulo, é muito elogiado por sua estrutura e muito questionado por não revelar, nos últimos anos, tantos talentos quanto deveria. Em 2016, com algumas mudanças na gestão, fala-se de uma das gerações mais talentosas de sempre a nascer na base do clube paulista. Mas é da afirmação de um talento da geração anterior que pode vir o maior reforço do São Paulo para 2017.

João Schmidt fazia parte do plantel campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2010, que revelou Lucas Moura, do PSG, e Casemiro, titular do Real Madrid. Um ano mais novo do que seus companheiros que brilham no futebol europeu, João Schmidt foi promovido ao time profissional apenas em 2012 e demorou a despontar como um talento entre os adultos.

No ano em que teve mais oportunidades, 2013, o desempenho do clube não ajudou e o São Paulo foi mal na Libertadores e no Brasileiro. A pressão da luta na parte de baixo da tabela inibiu o crescimento dos jovens do plantel e os outros “pratas-da-casa” Auro e Ademílson também não se firmaram. Para ganhar experiência, Schmidt foi emprestado ao Vitória FC em 2014 e teve bom desempenho, marcando 8 golos em 34 partidas, inclusive o golo que salvou o Vitória do rebaixamento.

Foi com o seu retorno em 2015, sob o comando de Juan Osorio, que o médio se destacou e passou a ser mais utilizado. Em 2016, ganhou a vaga de titular durante a Libertadores, numa atuação brilhante contra o Trujillanos e não saiu mais. Sofreu com uma lesão mas já ganhou seu espaço novamente e briga para solidificar a titularidade.

Fonte: zero zero

Médio de grande capacidade técnica, João Schmidt é dono de um passe precioso. Com a perna esquerda dá ritmo ao jogo e qualifica a transição ofensiva da equipa. Ajuda a criar a partir da defesa e foi muito importante para a boa campanha do São Paulo na Libertadores. Aprendeu, com a experiência, a utilizar seu tamanho a seu favor, afinal é um médio com mais de 1,80 e leva vantagem na disputa de bola contra adversários mais “leves”. Seu amadurecimento também lhe deu mais poder de competição, fazendo sua capacidade técnica florescer.

Sofreu com a pouca intensidade defensiva da equipa no segundo semestre, pois não é um jogador que se destaque pela velocidade e poder de marcação. Fecha bem os espaços, tem bom posicionamento e desarme, mas precisa de uma equipa equilibrada para jogar seu melhor futebol. Precisa melhorar nos remates de longa distância para se tornar mais completo.

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Em um futebol mais compacto taticamente, como o europeu, João Schmidt encontraria o ambiente ideal para se destacar, pois é um armador recuado com grande visão de jogo e capacidade de passe. Se desenvolver a intensidade na marcação e a chegada para rematar à frente, pode se tornar um box-to-box de porte e chegar à Seleção Brasileira. Não é do tipo de jogadores que “explode” aos 18 anos e sim do perfil daqueles que evoluem com a idade, como foi o caso de Hernanes no mesmo São Paulo. Menos habilidoso do que o médio da Juventus, Schmidt partilha da capacidade de dominar o jogo desde o meio campo.

Tem contrato por vencer em Junho de 2017 e a negociação para renovar não está fácil. Pede mais garantias de que será titular na próxima época e um aumento salarial considerável. O São Paulo, por outro lado, sabe que deveria ter renovado o vínculo com mais antecedência, mas reluta em aumentar tanto o salário de um jovem que, apesar de promissor, apenas ganhou espaço esta época. É sondado por clubes italianos, segundo especulações na imprensa brasileira.

BOA OPÇÃO PARA…

FC Porto e SC Braga – Não chegaria como titular absoluto do meio campo azul e branco, mas daria alegrias ao torcedor que cansou de ver Herrera errar passes de 5 metros. Com alguma paciência poderia ser o jogador necessário para equilibrar a equipa portista. No SC Braga, acostumado a ser a porta de entrada de talentos brasileiros, João teria espaço para fazer um par de boas épocas e dar vôos maiores.

Sevilla FC e Villarreal CF – No futebol espanhol, mais cadenciado do que o inglês e com mais espaço do que no italiano, João teria a oportunidade de aprimorar a parte tática enquanto desfilava seus passes em clubes com estilo de jogo distintos. No Sevilla, participaria da construção das jogadas no esquema de Sampaoli, já no Submarino Amarelo, faria boa associação na linha de 4 do meio campo para melhora a qualidade dos lançamentos para Pato no ataque.

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