21 Ago, 2017

FP Scouting – Sam Larsson

Filipe CoelhoJaneiro 30, 20175min0

FP Scouting – Sam Larsson

Filipe CoelhoJaneiro 30, 20175min0

No clube com um dos equipamentos mais icónicos da Holanda actua um jovem loiro e sardento. Bastava esta mescla de imagens para suscitar interesse. Mas Sam Larsson, do Heerenveen, tem bem mais para mostrar – como tem mostrado. Aos 23 anos, é um dos jovens valores da Suécia e tem encantado na Eredivisie 2016/2017. Nada como conhecê-lo no Fair Play através do software da Talent Spy.

Portugal pode não conhecer Sam Larsson. Mas Sam Larsson certamente sorrirá de cada vez que ouve o nome do nosso país. O extremo sueco foi, afinal, um dos carrascos da selecção das quinas no último Europeu sub-21, em 2015. Ainda que não tenha sido utilizado na grande final, Larsson fez parte do lote que os suecos levaram até à República Checa, conquistando o troféu naquela categoria. É, aliás, esse, até ver, o grande momento da carreira de Sam Larsson.

Mas, com efeito, outros importantes momentos poderão estar à porta. O jovem loiro, alto e sardento tem apresentado demasiado rendimento para se poder continuar a encarar o Abe Lenstra Stadion (reduto do Heerenveen) como sua casa-mãe por muito mais tempo. É, no entanto, no clube dos trevos vermelhos que Sam tem vindo a destacar-se. Foi lá que, em 2014, aterrou proveniente do IFK Gotemburgo – clube da sua terra natal e onde fez parte da sua formação, a que se junta ainda uma passagem pelo modesto IK Zenith.

No Heerenveen, só as lesões atrapalharam o seu arranque; depois de ultrapassadas, Sam Larsson rapidamente se afirmou na equipa, tornando-se uma das figuras mais relevantes da mesma. Depois de épocas positivas em 2014/2015 e 2015/2016, tem sido nesta nova temporada que o jovem sueco tem confirmado, inquestionavelmente, todo o potencial que lhe era reconhecido.

Partindo o Heerenveen de uma estrutura a roçar o 433 (ou mais próximo do 4231 quando Schaars está ausente), Sam Larsson ocupa primordialmente o corredor esquerdo do ataque. No entanto, está muito longe de ser um extremo com um raio limitado de acção. Pelo contrário, a forma como surge, com grande frequência, em espaços interiores confere grande dose de imprevisibilidade ao seu jogo. Sobretudo, porque não se prende nos movimentos com bola do exterior para o interior – da esquerda para a direita, potenciando o seu carácter destro –, mas surgindo também no inicio das jogadas no corredor central, armando jogo e afirmando-se como municiador do ataque da equipa de Jurgen Streppel. No fundo, emergindo como o falso elemento do 433, com capacidade para desestabilizar as organizações defensivas contrárias, através do passe ou mesmo do remate.

Mas Sam também detém características típicas de um extremo. Destaca-se pela qualidade no drible, pela capacidade de acelerar (mesmo não sendo propriamente rápido) e pela habilidade na hora de cruzar. Tem vindo, ainda, a assumir preponderância na marcação das bolas paradas, designadamente na cobrança de livres directos.

A belíssima campanha do Heerenveen nesta temporada tem muito a ver com a performance de Sam Larsson individualmente, mas também pela forma como o sueco se conecta com os companheiros da frente de ataque Arber Zeneli e Reza Ghoochannejhad, dando génese a uma tríade de respeito. Aos 23 anos, o extremo também já envergou a camisola da equipa principal da Suécia, tendo marcado no seu jogo de estreia (2-0 diante da Hungria, em Novembro último).

De recorte técnico requintado, e com grande serenidade no seu jogo, Larsson peca apenas pela forma como transforma essas características numa certa dormência na sua acção, quase se alheando do jogo em certos momentos. Num contexto competitivo mais exigente, isso poder-lhe-á ser fatal. Se limar tais arestas, e pela forma inteligente e assertiva como joga e faz jogar, o jovem sueco poderá, a breve trecho, voltar a escrever um novo capítulo na sua prometedora carreira.

BOA OPÇÃO PARA…

Ajax – Com El-Ghazi na porta de saída, a equipa de Peter Bosz conta apenas com Younes e Traoré como verdadeiras e imediatas soluções para as faixas laterais. Pelo seu estilo de jogo, de toque e passe, com ligações constantes, e promovendo os movimentos interiores dos extremos no clássico 433, Sam Larsson não teria problema algum em encaixar na equipa, mantendo-se, ainda, numa realidade competitiva que conhece perfeitamente.

Sporting – Se, no actual 4132 do Sporting, há Gelson do lado direito, do lado esquerdo poderia haver Sam Larsson, replicando o perfil de actuação e movimentação de Bryan Ruiz, o costa-riquenho que tem rubricado uma época abaixo do seu nível habitual. Sendo diferente do standard de extremo, o sueco teria possibilidade de oferecer mais algum cérebro e qualidade na decisão à turma de Alvalade.

 


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