Tempo de Mudanças em Rotherham – Francisco “Mini” Vieira ep. VI

Fair PlayFevereiro 8, 201810min0

Tempo de Mudanças em Rotherham – Francisco “Mini” Vieira ep. VI

Fair PlayFevereiro 8, 201810min0
Francisco "Mini" Vieira escreveu mais uma página no seu Diário de Atleta e falou do tempo de mudanças em Rotherham, algo que pode salvar os Titans

Os últimos dias de Dezembro, trouxeram a notícia do despedimento do treinador principal. Foi tornado oficial depois do derby natalício contra os Doncaster Knights onde, apesar de estarmos a vencer ao intervalo, o resultado acabou por favorecer os rivais de Doncaster.

O Andy é uma excelente pessoa a quem tenho de agradecer a oportunidade que me deu ao assinar o meu primeiro contrato profissional em Inglaterra, mas, infelizmente, no desporto profissional, uma equipa vive de resultados e independentemente das boas ou más prestações, da sorte ou do azar, os nossos resultados não foram os melhores.

Depois de 2 dias em Portugal para passar a Véspera e o dia de Natal em família, dia 26 voltava a Rotherham para 2 dias de treino antes do jogo de dia 30 contra o recém-promovido Hartpury College. O Treinador de Avançados assumiu o comando e apesar do “novo” treinador, e com uma curta semana de preparação, de apenas 2 treinos, muito pouco havia a fazer ou a mudar.

O resultado final voltou a não ser favorável, embora tenhamos conseguido tirar bastantes pontos positivos da jornada, especialmente pela forma como conseguimos acabar o jogo no pé da frente. Finalizada a jornada e o complicado mês de Dezembro, o “novo” treinador “ofereceu-nos” uma semana de folga, a primeira desde julho e que aproveitei para, mais uma vez, viajar para Portugal e desta vez, aproveitar um bocadinho mais.

Contudo, uma semana de férias a meio do campeonato, não implica necessariamente descanso, pelo menos para mim. Deram-nos instruções para nos mantermos ativos durante a semana e a ideia era fazer 2 treinos de ginásio e umas corridas, nada de muito exagerado, contudo, surgiu a oportunidade de treinar com o novo preparador físico do CDUP, Francisco Rocha, na Quinta de Monserrate, e nada melhor que um antigo profissional de rugby com um conhecimento vasto e actualizado na área da ciência do desporto, mas principalmente com um conhecimento pormenorizado de condicionamento no Rugby.

Apesar de parecer uma excelente ideia, durante os treinos, certamente “excelente ideia” foi um pensamento que, como devem imaginar, nem me passou pela cabeça!

De volta aos Titans, nada me podia preparar para o primeiro treino de regresso. Provavelmente um dos treinos mais duros em que já estive envolvido, um treino ao nível dos Sevens e em grande parte devido a um único exercício intitulado de “Shark Tank”.

O “Shark Tank” é um exercício que tem por base a luta Greco-Romana, nada que já não tenha feito num treino de rugby, contudo nunca deste género. Grupos de 6 onde 1 dos elementos do grupos é “atacado” durante 5 minutos pelos restantes cinco, 1 de cada vez durante 1 minuto cada e sem qualquer tipo de descanso durante os 5 minutos. Terminados os 5 minutos, entra outro candidato do mesmo grupo para o “tank” e assim sucessivamente até todos terem passado pelo menos 5 minutos no “inferno”.

Começando de joelhos frente a frente, o objectivo é aguentar o adversário o máximo de tempo possível com os ombros colados ao chão, e para facilitar os piores 5 minutos da minha vida, todos no meu grupo ultrapassavam os 100kg. Mas isso não era desculpa.. nunca foi! E não ia começar agora. Fui o último do meu grupo a fazer os 5 minutos (já com 5 minutos divididos em shots de 1 minuto feitos) o que, de certa forma, implicou menos tempo de descanso até ao próximo exercício.

Lembro-me de acabar, e enquanto me levantava do chão, ofegante, sentir o meu campo de visão completamente fechado, apenas focando o que estava a minha frente, que neste caso era uma abençoada garrafa de água. Ainda sob efeito da visão túnel iniciei um jogging para o próximo exercício. Touch, em que, devido a uma pequena lesão do Rhodri, eu era o único formação no treino e por isso, atacava para as duas equipas.

Depois de 5 minutos de esforço máximo, dos quais ainda nem tinha recuperado totalmente, estava agora a tentar sprintar de “ruck” em “ruck” enquanto mantinha a precisão e velocidade no passe do chão em equipas que queriam atacar com um ritmo elevado e na largura total do campo. Um dia nada fácil, mas satisfatório!

Não há nada melhor que terminar um treino exausto, saber que esgotei toda a minha energia e que mesmo a jogar no cansaço, consegui manter um nível técnico aceitável.

A saída do Andy, trouxe o Ed Robinson. Um jovem treinador para os 3/4s onde a juventude não parece ser um problema de todo (apenas 26 anos). Adaptou-se lindamente e trouxe novas ideias, entusiasmo e acima de tudo muito conhecimento sobre o rugby moderno e métodes de treino.

Com algumas pequenas mudanças, como a organização da semana de treinos, treinos mais curtos, mas mais intensos e uns pormenores, que por mais pequenos e insignificantes que possam parecer, fazem a diferença.

Inspirados nas histórias do Leicester City F.C. que em 2 anos passou de quase despromovido a campeão da Premier League, dos New England Patriots e a forma como recuperaram de um 28-9 ao intervalo para a vitória no Superbowl, ou até mesmo a vitória da Europa aos EUA na Ryder Cup 2012, a equipa técnica lançou-nos o desafio “The Great Escape 2.0”, 8 jogos para garantir a manutenção do clube no Championship.

Com 3 vitórias em 3 jogos, começamos 2018 com o pé direito, e assim queremos continuar.

Foto: Getty Images

VERSÃO INGLESA | ENGLISH VERSION

The last few days of December, came with the news that our Head Coach was sacked. It was made official after the Xmas Derby against Doncaster Knights, and in spite the fact that we where winning at halftime, the final result favored our rivals from Doncaster. Andy was a great person to whom I have to thank for giving me the opportunity to sign my first professional contract in England, unfortunately, in professional sport, a team lives on results, and apart from good or bad performances, good or bad luck, our results were not the best.

After 2 days in Portugal for Christmas Eve and Christmas Day, I was back to Rotherham on the 26th for 2 days training before our game against Hartpury College on the 30th of December. Nic Rouse took charge of the team but with a very short week of training there wasn’t much to do or change. The result once again was not the best for our team, however there where some positives we took in, especially by the way we finished.

After the game and a after a tricky month of December, our “new” Boss “offered” us a week off, our first after Pre-season in July. Once again I flew back to Portugal to enjoy a bit more this time.

Howsoever, a week off when we are halfway through the Championship, doesn´t really mean rest, at least not for me. We were instructed to stay active during the week and the plan was a couple of gym sessions followed by some running workouts yet, the opportunity to train with Francisco Rocha, the new S&C coach of my former team in Portugal, was presented to me by my brother and I didn’t even think twice before embracing it.

Instead of training alone I could be trained by a professional with not only all the knowledge in the Sports Science area but also a former rugby professional himself. Although it seemed like an excellent idea, these 2 words together never even crossed my mind during the workouts he prepared for me.

Back once again at the Titans, there was nothing I could’ve done to prepare me for our first day back in training. Presumably one of the hardest sessions I’ve ever been involved in, right up there with some of the Sevens sessions I’ve used to do with the Portugal Sevens team. The reason for all this intensity was due to one exercise entitled “Shark Tank”.

“Shark Tank” is drill entirely based around wrestling, which is highly transferable to rugby, so lots of teams do it and it was not the first time I’ve been wrestling in a rugby session, however, never like this. Groups of 6 were formed where 1 of the 6 would be “attacked” for 5 minutes by the others in the group, one at a time for 1 minute without any rest inbetween.

After the 5 minutes another candidate of the same group steps into the “tank” and it all starts again untill every single one has gone through the 5 minutes of “hell”.

Starting face to face and on your knees, the main purpose is to hold your opponents shoulders on the ground for as long as you can, and to make it easier on myself, every single one on my group was well over 100 kg. But that wasn’t an excuse…it never was! And it wouldn’t be one now.

I was the last one on my group to go through the 5 minutes (having done already five 1 minute wrestles) which in a way gave me less time to recover for the next exercise. I remember finishing the wrestling and, while I was getting up of the floor, gasping, with tunnel vision and only being able to focus on what is directly in front of my eyes, which, thankfully was a much needed bottle of water.

Still “suffering” from a little bit of tunnel vision, I jogged to the next exercise. A game of touch where I was the only scrumhalf involved. That meant I would be attacking for both teams, on a constant sprint (or at least an attempt of sprint) from “breakdown” to “breakdown”while fighting to maintain precision and speed of my pass, without even having the time to recover properly from the wrestling. An harsh but very satisfying day!

There is nothing better than finishing a session completely exhausted, depleted of energy and knowing that even playing under a lot of fatigue, I was able to maintain an acceptable level of technique.

With the departure of Andy, came Ed Robinson. A young coach to help with backs and the skills department. His youth as a coach didn’t affect him at all, and he was quick to make his mark on the team with fresh new ideas, lots of enthusiam and above all a great knowledge on modern rugby and training methods.

Inspired in great sporting comeback stories like the Leicester City F.C. Premier League conquest and how close they were to relegation the season before, or the New England Patriots great comeback on the Superbowl or even Europe making a great comeback and win against the USA on the Ryder cup 2012, the Coaching staff presented us with “The Great Escape 2.0”, 8 games to achieve safety and maintain the club in Championship.

With a few subtle changes, like the week schedule, shorter but more intense sessions and some small details that had a good impact on the team, we are 3 for 3 in 2018. A great start of the year for all of us as a team. And we plan to keep it that way.

Foto: Getty Images

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