21 Ago, 2017

Procuram-se avançados de elite

Pedro NunesDezembro 16, 20166min2

Procuram-se avançados de elite

Pedro NunesDezembro 16, 20166min2

A cerca de duas semanas da abertura do mercado de transferências, há lacunas nos plantéis transversais a vários clubes europeus. Nápoles, Arsenal, Liverpool, PSG e Valência procuram um homem-golo para a sua frente de ataque, cada um pelas suas razões. O cumprimento dos objectivos definidos para 2017 por parte destas formações depende muito desta variável.

Valência

No Mestalla, a dança de treinadores levou Prandelli ao cargo, ele que tem como objectivo reerguer o clube das cinzas. Vive-se uma situação bastante delicada em que quase todos os sectores carecem de reforço por isso adivinha-se um janeiro movimentado.

Posto isto, olhando com mais atenção para o plantel che e para os jogos que têm feito, é notório a falta de um ‘9’ puro, que tenha golo. Rodrigo, Nani e Santi Mina são jogadores de qualidade, que melhoram as jogadas ofensivas da equipa, mas não conseguem garantir golos todos as semanas e a equipa ressente-se desse facto. Munir também consegue cumprir naquela posição mas ainda peca pela tenra idade que leva a uma falta de consistência bastante natural.

À beira da linha de água neste momento, os che choram de saudade de avançados como Soldado, Paco Álcacer ou mesmo Negredo e devem mergulhar de cabeça no próximo mercado na tentativa de encontrar alguém que venha salvar a pátria.

Foto: Sportyou

PSG

À sombra da Torre Eiffel, Blanc foi despedido após ter falhado na Liga dos Campeões e, para o seu lugar, foi chamado Unai Emery. No banco a situação mudou mas, dentro de campo, na linha avançada, é que poderá estar a ser notada a maior perda. A saída de Ibrahimovic deixou um fosso enorme numa equipa que tem como objectivo ir longe na Champions.

As dores de crescimento têm sido duras e vive-se o pior momento a nível desportivo dos últimos anos. O PSG corre mesmo o risco de ver-lhe fugir o cetro gaulês para as equipas da moda em França – Nice e Mónaco. Apesar do bom número de golos esta temporada, Cavani não dá as garantias que um clube desta dimensão necessita para lutar por uma campanha longa na Liga dos Campeões. O uruguaio tem demonstrado falhas preocupantes no seu jogo com finalizações por vezes anedóticas na hora H.

Para complicar ainda mais, calhou-lhes a fava no sorteio e a equipa terá de defrontar o todo-poderoso Barcelona. Estamos avisados para a forma que as equipas do técnico basco costumam apresentar a partir de fevereiro, ainda por cima sabendo que os parisienses vão estar estes próximos três meses a pensar quase exclusivamente nestes dois encontros. A ver vamos o que acontece.

Foto: Jean Catuffe/Getty Images

Nápoles

Em pouco tempo, muita coisa aconteceu em Nápoles e as novidades parecem não acabar por aqui. O adorado Higuain passou a némesis aquando da sua passagem para a rival Juventus e a equipa teve de ir ao mercado.

Com os 90M que chegaram dessa transferência, os partnopei trouxeram Milik do Ajax, por um terço desse valor. Colmatar o que o argentino vinha fazendo era tarefa complicada mas o polaco lá encontrou maneira de o fazer esquecer enquanto jogou – depois lesionou-se gravemente para uns três meses de baixa. As notícias que agora correm dão-no como apto para a altura de defrontar o Real Madrid na Champions, mas é preciso ver se Sarri quererá continuar a adaptar jogadores como Gabbiadini ou Mertens enquanto isso.

A avaliar pelo número de golos marcados a diferença não tem sido muita, visto que o Nápoles tem mais do que na temporada passada por esta altura. No entanto, percebemos que têm sido feitos remendos temporários e Sarri não deverá querer viver assim. 

Foto: Voetball International

Arsenal

Não é novidade para ninguém. Desde a saída de Van Persie que os gunners viveram sem um grande nome de elite para a sua frente de ataque, embora as investidas para os contratar aconteçam praticamente todas as janelas de transferências.

No momento, Alexis Sanchez tem estado intratável e é possível colocá-lo no lote de avançados de elite, juntamente com Suaréz, Lewandowski, Diego Costa ou Higuain, mas não sabemos quanto tempo durará esta veia goleadora do chileno. Também há Lucas Perez que tem lutado para encontrar o seu espaço com alguns golos mas poderá acabar emprestado. E ainda temos Giroud, que tem aquela pontinha de goleador, que dá tudo em campo, mas não tem argumentos para ser, digamos – o melhor marcador da liga.

Embora seja pouco provável que entre alguém em janeiro para esta posição, até porque as opções são realmente poucas, aguardamos para saber se Alexis na ala e um ponta-de-lança de renome não seria a fórmula mais indicada para Wenger voltar aos títulos.

Foto: Mirror

Liverpool

Está longe de ser a prioridade das prioridades, mas é uma necessidade identificada caso a equipa queira realmente lutar pelo título da Premier League. Klopp nega que seja esse o objectivo, embora todos saibamos que os reds não vão dizer que não caso surja a oportunidade de fechar este vazio de 26 anos sem vencer o tão desejado troféu.

Deste modo, e olhando para as opções do técnico alemão para a posição em questão, vemos Firmino, Origi e Sturridge. Não há um bomber declarado que faça o Liverpool estar mais perto dos golos todos os fins-de-semana. Sem Coutinho já se notaram algumas deficiências na fase ofensiva da equipa e este é um tema que pode vir a ser ainda mais vincado no decorrer da temporada, com a possível inexistência de alternativas.

Na era pós-Suaréz, o Liverpool ainda não encontrou um substituto realmente digno. Será muito difícil fazê-lo comparativamente ao uruguaio mas é sabido que na Premier, para ganhar a liga, é necessário alguém que garanta uns 20 golos por temporada. E os reds não têm esse jogador.

Foto: Sapo


2 comments

  • franciscomanuelreis

    Janeiro 5, 2017 at 5:05 am

    Mais um excelente artigo, Pedro. Tenho lido com atenção e prazer. Concordo na generalidade, quero apenas deixar uma nota sobre a falta de poder de fofo do PSG.

    Estamos conversados quanto à premissa essencial. Um jogador da categoria – e do estatuto! – de Ibrahimovic seria sempre muito difícil de substituir.

    Mas Cavani sabe que tem esta época uma oportunidade de ouro para agarrar um lugar na História do PSG. O uruguaio vai para a quarta temporada no clube, tem feito campanhas interessantes, mas perdeu a aura de estrela que trazia de Nápoles.

    Aos 29 anos, é um dos melhores substitutos possíveis de Zlatan. Porque é simplesmente um extraordinário ponta-de-lança. [Escrevo este comentário quase um mês depois da publicação do artigo (dois jogos e dois golos depois)], mas Cavani leva, neste momento 24 golos em 23 jogos. No campeonato é claramente o melhor goleador – 18 golos em 17 jogos. É muita fruta!

    O problema não está no Cavani.

    Está no Ben Harfa, que trocou uma das tais “equipas da moda” (Nice) pelo Parque dos Príncipes, e para já leva… zero golos em quase 700 minutos.
    Está na ausência de Pastore, desequilibrador que só ele sabe ser.
    Está no fracasso da contratação de Jesé, cuja transferência parece estar inclusivamente a ser equacionada.
    Está na incapacidade de Di María para finalizar (tem 1 golo no campeonato).

    Mesmo atendendo às diferenças de contexto, importa destacar que os avançados que elencas como os melhores do mundo levam, nos respectivos campeonatos, menos golos do que Cavani. Higuaín (10), Diego Costa (14), Suárez e Lewandowski (15).

    Cavani é o menor dos problemas do PSG.

    [P.S.: Draxler, que entretanto chegou, pode vir a resolver alguns problemas].

    Um abraço!

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    • Pedro Nunes

      Janeiro 6, 2017 at 3:00 pm

      Caro Francisco,

      Antes de mais, e em nome de toda a equipa, agradecer as palavras elogiosas dirigidas. É mais um motivo para continuarmos a escrever sobre o que gostamos.

      Este tema pode ser visto por vários prismas, de facto, e o que nos deixa é mais um válido e que até completa o que deixei no artigo inicialmente.

      Penso que todos concordamos que o objectivo do PSG para esta temporada era ir mais longe na Champions. Se não fosse isso, não faria qualquer sentido trocar Blanc por Emery. O francês meteu a pata na poça no ano passado contra o City e, para o seu lugar, veio um dos especialistas em jogos a eliminar.

      No entanto, nem o mais confiante adepto de Nice ou Mónaco achavam que esta época ia correr assim e todos os adeptos do PSG achavam que ia ser mais um passeio por França a jogar futebol.

      Tudo isto para dizer que não acho que Cavani seja de topo mundial e nem acho que seja o jogador que o PSG precisava para cumprir o tal objectivo de ir longe na Champions, mas é suficiente para a liga francesa e esta época tem sido a prova disso com estes números fantásticos – há que admitir.

      Eu não arrisco a tentar encontrar soluções para os clubes pois nem sequer acho que elas realmente existam para os casos do PSG, Arsenal ou Liverpool. São equipas que, muito provavelmente, terão de se contentar com as opções que têm no momento para a frente da ataque, para chegar ao que se propuseram. No caso os franceses, não deixar sair Ibra era o ideal, sem dúvida nenhuma. E é exatamente esse ponto que queria deixar vincado neste artigo.

      Mais uma vez agradeço a excelente contribuição que nos deixou.

      Um abraço.

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