19 Fev, 2018

Onde é que anda o Flop: Lucas Mareque, o lateral da perdição argentina

Francisco IsaacJaneiro 2, 20186min0

Onde é que anda o Flop: Lucas Mareque, o lateral da perdição argentina

Francisco IsaacJaneiro 2, 20186min0
Da Argentina o FC Porto importou várias estrelas, mas nenhuma desapareceu tão rápida como Lucas Mareque. Mais uma "investigação" do Fair Play

Em 2007, na “febre” argentina que assolou (largamente de forma positiva) o Dragão chegou um novo reforço para a equipa de Jesualdo Ferreira, vindo, mais uma vez, do River Plate… quem? Lucas Mareque. Um lateral potente, agressivo, que primava muito pelo músculo e intensidade, chegava da Argentina para dar outra consistência ao FC Porto nesse sector onde só existiam o (mítico) Marek Cech e Ezequias.

Mas quem era este Lucas Mareque? Nascido em pleno Buenos Aires, capital da Argentina, o jogador era filho do falecido Armando Luis Mareque, uma “lenda” do futebol argentino com passagens pelo Colón ou Vélez, para além de ter treinado vários clubes nos países de língua espanhola. Criado dentro do espírito dos Milionários, Mareque passou por todos os níveis de formação do clube argentino chegando à categoria de sénior em 2004.

Entre 2004 e 2007, Mareque notabilizou-se no lado esquerdo da defesa do River, somando mais de 60 e poucos jogos com dois golos e algumas assistências. O argentino dava profundidade ao seu lado de actuação, com velocidade, ritmo, intensidade e “raça” (muita raça) algo que facilmente conquistava os adeptos das Pampas.

Todavia, o River não conquistou qualquer competição durante essas épocas de Mareque no clube e a contestação ia subindo de tom dia após dia… com Janeiro de 2007 a chegar, Mareque apostou numa saída para a Europa. Com 24 anos era a altura certa para o lateral apostar numa saída, que não seria toda arriscada!

SER CAMPEÃO PELO PORTO…E SUPLENTE DE CECH!

A concorrência que teve no FC Porto era média-fraca, com o lugar no banco garantido… os adeptos esperavam grandes coisas de Lucas Mareque, já que Marek Cech era um jogador para aguentar, mas não encantava de forma alguma a bancada do Dragão.

Contudo, o lateral só jogou uns poucos minutos divididos em quatro jogos, apresentando um futebol fútil, estranho e estéril, terminando atrás de Cech por mais incrível que pareça. O argentino corria muito, mas era extremamente limitado na hora de decidir, de centrar, de dar um apoio extra ao seu companheiro de corredor ou, e mais grave de tudo, de dar presença defensiva nas bolas paradas.

A estadia do lateral acabou por ser curta, saindo da Invicta em Junho desse ano, transferindo-se para o Independiente da principal divisão argentina, com aquilo que é quase um atestado certificado de fracasso no FC Porto: empréstimo atrás de empréstimo.

Nunca mais voltou a vestir a camisola dos campeões nacionais de então, transformando-se num dos melhores jogadores do clube que mora na cidade de Avellaneda, conquistando um lugar especial na cabeça dos adeptos. Em 4 épocas nos Diabos Rojos, Mareque somou 140 jogos, voltando ao ambiente que gostava, um futebol que o aceitava melhor, onde não era necessário ter uma capacidade mental táctica elevada para garantir a titularidade.

Foi em 2010 que teve o seu momento mais alto ao conquistar a Taça Sudamericana pelo Independiente, assumindo a titularidade em 10 jogos com um golo em toda a campanha do clube argentino numa das provas mais importantes para a América do Sul. O golo que marcou foi fundamental para o que viria ser o desfecho da competição, já que os argentinos estavam a perder 3-1 na 1ª mão das meias-finais contra os equatorianos da LDU Quito.

Mareque em França (Foto: Getty Images)

INDEPEDIENTE, LORIENT E…. REFORMA AOS 30

O golo de Mareque é fenomenal, puxando o pé direito para desferir um potente remate em arco de fora-da-área… isto para Messi, Ronaldo, Dybala ou Marcelo parece fácil, mas para Mareque é uma viagem à Lua com ida e volta. A sua agressividade e garra na defesa levou a que os adeptos se apaixonassem ainda mais por um jogador que pertenceu ao rival do River, mas que agora era um Rojo de “pele e osso”.

Porém, tudo o que é bom termina e em 2011 voltou a tentar a experiência europeia. “Luquitas” (alcunha do lateral) embarcou para França, jogando pelo Loriente durante duas épocas. Da sua história no futebol francês conta-se as meias-finais na Taça de França em 2011/2012 e pouco mais, já que foram duas épocas de intenso sufoco para a equipa que foi liderada por Christian Gourcuff (ficaria até 2014).

Com 30 anos nas pernas, Mareque regressou à sua pátria e fez uma pausa total na carreira. Uma decisão inesperada, já que o lateral ainda tinha uma idade boa para continuar a jogar a um nível médio-alto, mas devido a uma operação, à falta de paciência e falta de convites, Mareque pôs assim um stop na sua carreira.

Porém, a fome pela “redonda” foi maior e em 2015 aceitou o convite de um clube que militava na Primera B Metropolitana (equivalente a uma 3ª divisão):  o Barracas Central (sempre entre a 2ª e 3ª divisão) foi a sua nova casa.

Em 2016 transferiu-se para o Club Deportivo Español que estava com as “garras” crivadas na mesma divisão. Mareque somou em 2016/2017 cerca de 11 jogos e pouco mais.

GANHAR MEDALHAS SEM DEIXAR MARCA?

Mareque subiu às estrelas de forma muito rápida, atingindo o cume do futebol português (chegou a ser campeão pelo FC Porto de Jesualdo Ferreira), deliciou os adeptos do Independiente, mas nunca foi um jogador que deixasse uma marca bem vincada no futebol mundial.

Conta com 34 anos, fará 35 já nos primeiros dias de Janeiro e o pequeno lateral argentino (1,68, algo que nunca tinha encaixado no FC Porto de José Mourinho por exemplo, a verso a laterais pequenos) fez o que mais gostou: divertiu-se no Desporto Rei.

Fica na retina o tal golo pelo Independiente, algo que nunca mais será esquecido, uma vez que foi o penúltimo título internacional dos Diablos Rojos (viriam a ganhar a mesma competição em 2017!) e que deu razões para o público de Avellenada festejar.

Pelo FC Porto fica a medalha de campeão, o facto de ter perdido a corrida para o eslovaco Marek Cech (não sendo mau, não era propriamente bom) e de apresentar sempre muita garra e raça, mas pouco ou nenhuma eficácia, primor com a bola nos pés ou capacidade para ajudar os seus colegas como era necessário. Fica a lembrança do nome e do cabelo comprido, uma imagem de marca dos primeiros anos como sénior de Lucas Mareque.


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