17 Out, 2017

O Diário do Atleta – Maria Heitor Episódio II

Francisco IsaacOutubro 18, 20166min0

O Diário do Atleta – Maria Heitor Episódio II

Francisco IsaacOutubro 18, 20166min0

Um mês passou desde do Episódio I e muito se passou na vida de Maria Heitor, a loba em terras gaulesas; O reencontro com os maiores rivais da competição, a ida à Selecção de 7’s e o reingresso na vida Académica. Acompanhe o Episódio II

Após o primeiro grande impacto competitivo, passámos os três treinos da semana a afinar os pormenores menos positivos do jogo que fizemos contra o Clermont, para recebermos o Stade de Toulousain em casa. Combate e defesa foram os pontos mais trabalhados. Ao mesmo tempo, lancei-me numa nova aventura. Faculdade! Em francês! O clube fez-me uma proposta para integrar a Universidade de Lille. O curso… Educação e Motricidade, o equivalente a Educação Física no ensino português, para ter mais uma ferramenta na minha mão no fim desta aventura.

Além da faculdade e dos treinos diários, completo o meu dia com o trabalho. Gerir tudo não é pêra doce mas acaba por ser um desafio super interessante e permite-me de aprender o bom francês, escrito e falado. Nos primeiros dias de faculdade, parecia uma barata tonta… entre andar perdida pelos corredores, estar atenta às aulas (em francês!!!), tirar os apontamentos, orientar os primeiros trabalhos, voltar a fazer actividades desportivas como o atletismo, a ginástica e corrida de orientação… a idade já não é a mesma e o corpo já se queixa!!!

Regresso à Faculdade para novos “sonhos”

Após a primeira semana de aulas e depois de uma corrida de orientação matinal, recebemos o Toulouse. Um jogo muito duro! A equipa do Stade Toulousain pode não ser o campeão em título (recordar que somos nós, o Lille) mas é uma das formação mais antigas e lendárias do rugby francês. Sei que o exemplo pode ser algo “infeliz”, mas a equipa feminina do Toulouse tem cerca de 5 mil likes no Facebook enquanto nós só temos 3 mil. Por isso a História contra a Actualidade… O Toulouse vinha com um objectivo, bater as campeãs em título na sua própria casa.

Conseguiram impor o seu jogo nos primeiros 30 minutos, até que acordámos e finalmente impusemos o nosso e conseguimos esclarecer o jogo. Foi complicado entrarmos no nível de combate que o Toulouse exigia. Já vinham com uma boa bagagem de jogos de preparação (tiveram a oportunidade de fazer 5 jogos amigáveis antes de começarem o campeonato). Ao longo do jogo o Toulouse impôs a sua supremacia, especialmente a nível dos avançados, dominando a maioria das formações ordenadas, pondo-nos a correr atrás do prejuízo.

O resultado podia ter sido melhor mas saímos com o objectivo cumprido, a vitória! Individualmente senti que podia ter feito mais, joguei só a 2ª parte e acabei por não estar tão bem como tenho a certeza que devo estar. Errei em algumas situações, perdi a concentração noutras, tenho de gerir melhor a minha intensidade quando saiu do banco de suplentes ou quando começo a titular. Mas como disse, o que interessa é a vitória!

Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)
Ao serviço de Portugal (Foto: Neil Kennedy)

Não estivemos ao nosso nível no Europeu…

Em 3 semanas 3 jogos afilada. Seguia-se o Montpellier. Não pude estar presente neste jogo porque foi no mesmo fim-de-semana que a 2ª etapa do campeonato europeu de 7s. O Europeu não correu como gostaríamos em termos de resultados desportivos, por outro lado, percebeu-se que há futuro na selecção feminina. Várias sub-18 integraram a selecção sénior de mostraram que têm muito para dar ao rugby feminino.

A equipa chegou na véspera do torneio. A meio da tarde eu parti directamente de Lille e encontrei-me com o grupo nessa tarde. Fizemos um treino ligeiro de movimentação colectiva e descansámos com a cabeça no torneio.

Primeiro jogo, tínhamos um adversário duro, a Grã-Bretanha. Esperava-nos Um jogo físico e agressivo, já que elas fazem parte do Circuito Mundial de 7’s (divididas por Inglaterra, Irlanda e País de Gales). A nossa selecção tem sempre um pequeno problema a nível de acordar para o primeiro jogo… curiosamente, não foi o caso já que não entrámos nada mal e até tivemos uma boa postura. Perdemos 19 a 0 e senti que era um jogo ao nosso alcance, fomos infelizes em certos momentos não conseguindo colocar em “marcha” o nosso sistema de jogo. Segundo jogo Rússia. Depois de ter sido afastada dos Jogos Olímpicos na final de Dublin, as jogadoras russas parece que passaram o Verão todo a treinar e a preparar para este torneio com um objectivo, o título de campeãs europeias. Cilindradas por 59 a zero… não conseguimos aproximar-nos do ritmo de jogo que elas nos impuseram.

No terceiro jogo frente à Ucrânia tivemos pontos positivos: o levantar a cabeça após uma derrota como a da Rússia, uma derrota infeliz contra a Grã-Bretanha e após um primeiro minuto de jogo em que sofremos um ensaio após uma intercepção… mas depois da tempestade lá veio a bonança e ganhámos esse jogo. Segundo dia começámos com um adversário falsamente fácil… Finlândia! Que nos custa uma nova derrota, com uma falha de Placagem… acabou por ditar o nosso destino. A Finlândia aproveitou e impôs-se. Jogámos o último jogo frente à Ucrânia e voltámos a ganhar.

Se por um lado os resultados desportivos não foram os mais agradáveis, foi interessante ver como uma equipa tão heterógena e com falta de rotinas conseguiu levantar a cabeça depois de duas derrotas, especialmente a pesada derrota contra a poderosa Rússia, e ir ganhar o jogo contra a Ucrânia no final do primeiro dia. Infelizmente, no segundo dia não aproveitámos a lufada de vento e caímos frente a uma surpreendente Finlândia. Retiro daqui mais um ponto positivo, a vermos a nossa vida a andar para trás, levantámos de novo a cabeça e terminámos o dia com uma vitória.

Talvez uma característica do povo português, quando tudo parece perdido lá vem uma alegria que nos mostra que somos capazes de mais e melhor.

Há grande futuro nas Lobas 

Quanto ao jogo contra o Monteplier, as vice campeãs, que tinham um nó na garganta desde Maio e que desejavam uma vingança pela final perdida, infelizmente, para elas, não conseguiram levar a melhor. E mesmo com a equipa Villeneuvoise desfalcada (sem todas as suas internacionais septistes e mais duas lesões graves), o Montpellier não conseguiu impor o seu jogo em casa e acabou por perder.

Terminámos assim o primeiro mês. 3 jogos, 3 vitórias. Um segundo lugar no campeonato porque o St Oraes leva dois pontos bónus de vantagem. Em Outubro temos dois fins-de-semana de repouso e depois atacamos três jogos decisivos para o apuramento para a fase final!

Victoire (Foto: Eric Morelle)
Victoire (Foto: Eric Morelle)


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