21 Fev, 2018

Aprender a Reconhecer as Emoções

Fernando SantosJulho 31, 20175min0

Aprender a Reconhecer as Emoções

Fernando SantosJulho 31, 20175min0
Será razoável olhar para as emoções sem perguntar como e de que forma nos poderão ser mais úteis?  Como podemos optimizá-las nos nossos actos? E sendo elas um factor fundamental do nosso comportamento, como ter um controlo mais efectivo sobre elas?

Este artigo faz parte da série “treino mental”, da responsabilidade do especialista Fernando Santos, do site “Muda o Teu Jogo“. A componente mental merece cada vez maior atenção por parte dos agentes envolvidos no desporto de alto rendimento, por isso muda o teu jogo com fair play

Até há bem pouco tempo julgava-se que o processo decisório se consubstanciava apenas com base num único elemento: a razão. O líder era visto como pessoa frontal, directa, que decide a frio, com rigor, sem dúvidas, sem emoções, distanciado, fora do mundo das incertezas e da ambiguidade, no mais alto patamar da organização. Ser emocional ou mostrar sentimentos era sinónimo de fraqueza, o que então não era permitido, tal como ainda hoje tende a acontecer. Mas a realidade está a mudar…

António Damásio define emoção do seguinte modo: “reacção automática a uma série de ameaças ou oportunidades que se põem a um organismo vivo”. As emoções são então consequência (sobretudo) de estímulos exteriores e predispõem-nos para a acção e a reacção. Se as emoções nos fazem reagir de forma automática, presume-se que essa reacção não depende de nós enquanto opção única da razão, logo, será legítimo afirmar que estamos condenados a trabalhar com elas em todos os processos activos das nossas vidas. Tal como não conseguimos não pensar, também não conseguimos pensar sem emoções. O velho “penso, logo existo” deu hoje lugar ao “sinto, logo existo”.

Podemos controlar as nossas emoções?

Todos sabemos que o excesso de emoções nos traz alterações comportamentais. O que não sabíamos é que, sem emoções, não somos capazes de decidir e, pura e simplesmente não decidimos. Daí que seja pertinente levantar a questão: sendo as emoções parte integrante da nossa vida, se a sua ausência ou excesso nos provocam alterações comportamentais, se estamos condenados a viver com elas, será racional da nossa parte deixá-las actuar sem qualquer tipo de controlo ou de influência sobre elas? Será razoável olhar para as emoções sem perguntar como e de que forma nos poderão ser mais úteis?  Como podemos optimizá-las nos nossos actos? E sendo elas um factor fundamental do nosso comportamento, como ter um controlo mais efectivo sobre elas?

Tomemos como exemplo o sistema circulatório do ser humano. O que está a acontecer no meu sistema não afecta o do meu vizinho. Não é isto, de forma alguma, o que acontece no domínio das emoções, porque estas interagem entre os diversos indivíduos. Neste caso falamos em sistema aberto, uma vez que a minha alegria ou a minha tristeza provocam (ou podem provocar) alterações do estado emocional àqueles que comigo lidam. Daí que possamos, no domínio das emoções, falar de “contágio”.

Fonte: arquivo pessoal

Teoria dos Semáforos

Podemos aqui abordar, a propósito do “contágio” emocional, a “Teoria dos Semáforos” proposta por Ken Ravizza no livro “Heads Up Basketball”. O primeiro passo para gerirmos o que quer que seja é termos a percepção clara do “objecto” a gerir. Neste caso o objecto são as nossas emoções e os comportamentos associados, ou seja, a gestão da nossa compostura.  Quando estamos compostos, confiantes e controlados podemos dizer que estamos num semáforo verde. O semáforo amarelo aparece quando nos sentimos distraídos, frustrados e confusos. Finalmente, nas situações em que perdemos o controlo e só queremos explodir ou desistir, atingimos o semáforo vermelho. Esta analogia entre o desempenho emocional e os semáforos ajuda a ter uma percepção mais clara dos diferentes estados de espírito em que nos encontramos e possibilitará, como irão ter oportunidade de constatar futuramente, gerir melhor emoções e, consequentemente, comportamentos:

Verde – composto, optimista, confiante, focado, determinado, comunicativo, encorajador, postura corporal correcta, agressividade competitiva;

Amarelo – frustrado, inseguro, negativo, queixoso, distante, distraído, confuso, revoltado;

Vermelho – zangado, fora de controlo, apático, resignado, postura corporal incorrecta, assustado, emotivo.

Qualquer atleta já experienciou, por vezes até quase em simultâneo, estes três diferentes estados de compostura. É frequente passar por dois destes estados no decurso de qualquer treino ou competição. É fácil estar no verde quando estamos a jogar bem. Podemos cair no amarelo quando o treino/jogo não corre tão bem ou quando os árbitros apitam de forma diferente da que achamos justa. No vermelho entramos quando começamos a lutar contra nós próprios e a perder o controlo emocional. Num dos próximos textos serão explicadas as formas de detectar sinais amarelos/vermelhos e o que fazer para voltar rapidamente ao semáforo verde do alto rendimento.

Fonte: arquivo pessoal

Para terminar, deixo-vos as sensações que foram descritas por vários desportistas de alta competição quando questionados sobre o que sentiram nos momentos de melhor rendimento das suas carreiras: “relaxamento mental”, “tempo a passar mais devagar”; “foco no presente”; “percepção elevada do próprio corpo e dos corpos dos atletas à sua volta”; “capacidade máxima de antecipação e resposta”.Em oposição, temos a descrição da sensação mais frequentemente associada ao sinal vermelho: tudo acontece muito depressa


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