17 Ago, 2017

Seis Nações 2017: País de Gales e Inglaterra – Antevisão

Francisco IsaacJaneiro 21, 20179min0

Seis Nações 2017: País de Gales e Inglaterra – Antevisão

Francisco IsaacJaneiro 21, 20179min0

“Segunda parte” agora com a campeã em título, Inglaterra e o País de Gales: os pontos fortes, os objectivos, as dúvidas e as opções. As Seis Nações no Fair Play

Em caso de não terem lido a primeira parte que foca a Irlanda e Escócia aconselhamos que o faça: goo.gl/1IZ6wd

PAÍS DE GALES

Estrela: George North (Ponta);
Jovem promessa: Ross Moriarty (Asa);
Jogador a seguir: Liam Williams (Defesa/Ponta);
Capitão: Sam Warburton (Asa);
Posição final em 2016: 2º Lugar (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota);
Momento de 2016: Vitória frente à África do Sul;
Provável posição final em 2017: 4º lugar;
Ponto positivo a destacar: Jogo ao pé e recuperação de bola;
Ponto negativo a destacar: quebra anímica em momentos-chave;

I fell of a tree with my bear hands / I ran through a forest  / I sifted its branches for gold
No border guard could hold me / Soon my country you will be rich / Your rivers run through my veins / Your tides and mountains swell in my chest / Your birds of prey are my arms and legs in flight / I have fifteen hearts  / Inside this steel train the wheels of your valley / Turn again and spin to catch the sun / I am still in flight / Unstoppable… A dragon with fifteen hearts /  Soon, my country, nothing can stop me now

É com este poema sobre o País de Gales (de Paul Henry, The Brittle Sea) que começamos a compor a nossa perspectiva sobre a selecção dos Dragões, numa prova que não se espera nada fácil para os comandados de Warren Gatland.

O neozelandês vai para a sua 11ª temporada com os Dragões, tendo conquistado três Seis Nações (duas edições em Grand Slam), lançado várias gerações de excelentes jogadores e chegado por uma vez a uma meia-final do Mundial (2011).

Em 2017 chega uma das maiores provas para o seleccionador kiwi: conseguirá (re)colocar o País de Gales no caminho das vitórias? Para nós, Fair Play, será uma missão extremamente complicada e delicada por vários factores: Inglaterra, Escócia e Irlanda estão em grande crescimento, com afirmações de força quer na selecção ou na European Champions Cup; falta de coesão e “novidade” dentro da equipa; queda abrupta da primeira-linha nas formações ordenadas e falta de qualidade na execução do jogo no chão.

Todavia, há também pontos positivos e que podem trazer alguma esperança para os fãs dos galeses: os Ospreys dominam a PRO12 e o seu grupo na Challenge Cup, o que traz logo uma boa base de “trabalho”; Liam Williams, Alun Wyn Jones, Justin Tipuric, Sam Davies, Tom James (18 quebras de linha e 5 ensaios) estão em grande forma e vão dar outra solidez ao jogo dos galeses; e Gatland continua a ser uma “raposa matreira” que descobre caminhos e formas de garantir vitórias nos jogos, ou pelo menos de subir no terreno.

Rob Howley pela 2ª vez nas Seis Nações (Foto: Wales Online)

Neste momento, Gatland e Rob Howley (será o galês a comandar os Red Dragons uma vez que Warren Gatland está com a pasta dos British&Irish Lions até Junho deste ano) tem alguns jogadores (como já mencionámos) que podem ser “o motor de explosão” dos Dragões, em particular existe um que pode/deve ser uma das âncoras para 2017: Liam Williams.

O centro/ponta/defesa galês de 25 anos teve um 2016 em “cheio” destacando-se, principalmente, nos jogos frente aos All Blacks em Junho. Num artigo da Rugby World Magazine podem perceber qual foi o impacto de Williams nos jogos frente aos bi-campeões do Mundo.

O jogador dos Scarlets (entretanto já assinou com os Saracens de Londres) é um velocista de categoria, um virtuoso nato e um galês com um verdadeiro coração de Dragão, nunca desistindo de lutar, de insistir e persistir perante os seus adversários.

Onde se nota maior “peso” de Williams é em três capítulos: exploração do canal exterior de jogo (tem uma finta de passe difícil de ser “lida”), jogo ao pé com recuperação no ar e penetração no canal interior com sequência de jogo.

Liam Williams é um jogador que faz mexer as linhas de ataque, onde o seu dinamismo consegue dar outro timbre e capacidade de ataque à formação liderada por Warren Gatland.

Para além de Williams, há uma terceira linha de “sonho”, com Moriarty, Tipuric, Lydiate e o fenomenal capitão Sam Warburton (desconhece-se o estado físico do asa, que tem tido uma época de “solavancos”), um número 10 de altíssima categoria (falamos de Dan Biggar) e um defesa que tem um dos melhores “pés” a nível Mundial (Leigh Halfpenny).

Este País de Gales tem um XV de altíssima qualidade e um banco que consegue ser satisfatório-agradável quando é necessário resolver algum tipo de problema. Contudo, vamos ver até que ponto a falta de “ideias frescas”, a alguma falta de profundidade no ataque ou o equilíbrio defensivo vai perturbar o vôo dos Dragões.

Provável XV titular: Gethin Jenkins, Ken Owens e Rob Evans; Alun Wyn Jones e Luke Charteris; Dan Lydiate, Sam Warburton (poderá ser Justin Tipuric a titular) e Ross Moriarty; Gareth Davies e Dan Biggar; George North; Jamie Roberts e Jonathan Davies; Liam Williams e Leigh Halfpenny.

Williams and the great escape (Foto: NewsLocker)

INGLATERRA

Estrela: Owen Farrell (Centro/Abertura);
Jovem promessa: Ellis Genge (Pilar);
Jogador a seguir: Maro Itoje (2ª linha/Asa);
Capitão: Dylan Hartley (Talonador);
Posição final em 2016: 1º Lugar (5 vitórias);
Momento de 2016: Grand Slam em Paris e 14 vitórias num ano;
Provável posição final em 2017: 1º lugar;
Ponto positivo a destacar: Equilíbrio entre linhas e capacidade de aguentar os 80 minutos;
Ponto negativo a destacar: Faltas no chão e erros junto ao ruck;

God Save the Queen… desta onda de lesões que se faz sentir pela selecção inglesa. 2016 foi um ano de “sonho” para os ingleses, com 14 vitórias em 14 jogos, naquela que foi a estreia de Eddie Jones como seleccionador Nacional inglês.

O australiano (nascido na Tasmânia) revolucionou a forma de jogar e, principalmente, pensar da selecção de Sua Majestade criando uma mescla de “sabores”: o rugby “duro” e de impacto curto do Hemisfério Norte com o perfume e “agressividade” ofensiva o Hemisfério Sul.

Esta mistura produziu um dos melhores anos de sempre para o rugby inglês que abateu todos os seus grandes adversários, faltando só um para completar a “carta”: Nova Zelândia.

Não obstante, as quatro vitórias ante a Austrália, o “esmagar” contra a Argentina (mesmo com um jogador expulso ainda na primeira parte), a afirmação de poder perante as suas congéneres das Ilhas foram suficientes para tomar o Mundo da Oval, conquistando o respeito e “paixão” de todos.

Eddie Jones, com a sua equipa técnica de excelência, deram uma segunda vida ao rugby inglês que estava em modo KO após um desastroso mundial de rugby em 2015 (3º lugar na fase-de-grupos), para os catapultar para um ano só com títulos, recordes, vitórias e… sonhos! Chegamos a 2017, a Inglaterra tem um Grand Slam para defender, mas não será nada fácil esta empresa. Porquê? Lesões, lesões e mais algumas lesões.

Desde o estupendo Mako Vunipola, ao melhor 8 do Mundo, Billy Vunipola, passando pelo rigoroso e exigente asa Chris Robshaw, passando pelo “louco” Joe Marler, a avançada inglesa sofreu graves baixas na preparação para as Seis Nações. Porém, Ellis Genge, Tom Wood e Nathan Hughes deverão ocupar os lugares de M.Vunipola/Marler, Robshaw e B. Vunipola, o que dará uma hipótese aos três de demonstrar que são soluções reais para esta Inglaterra.

The Master of England: Eddie Jones (Foto: Mirror)

Jones tem construído uma base de 38 jogadores seleccionáveis para jogarem ao mais alto nível na competição, exactamente para precaver situações como esta… mas os jogadores conseguirão corresponder?

Passando estes “males” e preocupações, também a Inglaterra foi agraciada com boas notícias… Jack Nowell, George Kruis, Dylan Hartley (estará livre para jogar os 6 jogos), Anthony Watson, James Haskell (regresso após lesão) e Maro Itoje estarão de regresso para os jogos que se avizinham.

Itoje é uma das peças fulcrais do “xadrez” inglês, um super-atleta que mistura tudo o que há de melhor num asa mas que joga a 2ª linha. É um jogador possante no contacto, elegante na forma como carrega e corre com a oval, agressivamente eficaz na placagem e um “génio” na leitura do breakdown.

Maro Itoje foi em 2016 a Revelação do Ano para a World Rugby… será 2017 o ano da consagração como um dos melhores a nível mundial? Nesta selecção inglesa não falta qualidade com Jack Nowell, Marlon Yarde, Anthony Watson, Jonny May, Ben Te’o… isto só para as pontas.

Há o “gigante” Owen Farrell (novamente a fazer uma época irrepreensível), o “mago” George Ford, o audaz e “irritante” Mike Brown. A qualidade nos 3/4’s é inegável, surpreendente e que pode ser parte da “chave” para desbloquear as defesas adversárias nas Seis Nações.

Provável XV titular: Dan Cole, Dylan Hartley e Ellis Genge; Maro Itoje e George Kruis; Tom Wood, James Haskell e Nathan Hughes; Ben Youngs e George Ford; Jack Nowell; Owen Farrell e Jonathan Joseph; Anthony Watson e Mike Brown

Os campeões em título (Foto: RBS 6 Nations)


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