17 Ago, 2017

Seis Nações 2017: França e Itália – Antevisão

Francisco IsaacJaneiro 27, 20178min0

Seis Nações 2017: França e Itália – Antevisão

Francisco IsaacJaneiro 27, 20178min0

Última tranche de análise às selecções participantes nas Seis Nações, desta feita com a França e a Itália. Entre a novidade, relançamento, questões e dúvidas, as selecções vizinhas têm uma palavra a dizer? As Seis Nações no Fair Play

Em caso de não terem lido a primeira e segunda parte que foca a Irlanda-Escócia, Inglaterra-Gales, aconselhamos que o faça: Irlanda-Escócia e País de Gales-Inglaterra

FRANÇA

Estrela: Wesley Fofana (Centro);
Jovem promessa: Baptiste Serin (Formação);
Jogador a seguir: Rémi Lamerat (Centro/Ponta);
Capitão: Guilhem Guirado (Talonador);
Posição final em 2016: 5º Lugar (1 vitória, 1 empate e 1 derrota);
Momento de 2016: Vitória ante a Argentina em Buenos Aires;
Provável posição final em 2017: 5º lugar;
Ponto positivo a destacar: formação ordenada e trabalho rápido após perfuração;
Ponto negativo a destacar: solidez defensiva, equílibrio mental e reacção;

Uma nova França ao estilo e gosto de Guy Novés prepara-se para ser uma das equipas “promessa” destas Seis Nações. O antigo treinador lendário do Toulouse (conquistou 15 títulos enquanto treinador da equipa do Stade Toulousain) tem conseguido moldar os Les Bleus ao seu gosto, onde há um regressar ao rugby champagne e ao show que antes os franceses pulsavam a cada jogo. Agora há velocidadeoffloads, capacidade de choque, jogo no risco e, mais importante de tudo, há formação ordenada capaz e resistente!

A formação ordenada da França tem sido sempre um dos grandes problemas dos últimos quatro anos, altamente “dominada” pelos seus adversários e que peca nos momentos capitais dos jogos. Se recuarmos até 2016, frente à Inglaterra, os franceses cometeram 11 penalidades, em que 7 delas foram na formação ordenada (Owen Farrell aproveitou para obter 12 pontos ao pontapé).

De lá para cá houve uma autêntica revolução no sector dos avançados, onde a eficácia e assertividade deixaram de ser palavras vãs para serem conceitos “duramente” assumidos pelos 8. Nos jogos de Inverno, a França foi uma dor de cabeça para a Nova Zelândia por exemplo.

Guy Novés (Foto: RBS 6 Nations)

Nesse encontro, a França só cometeu uma penalidade na Formação ordenada e chegou mesmo a forçar um erro no seu adversário. O eixo Guirado, Chiocci e Atonio (extraordinária temporada do pilar do La Rochelle) garante umimpacto “agressivo”, para depois receber um reforço de Devedec (boa descoberta de Novés) e Vahaamahina.

Par além desse 5 da frente, há uma 3ª linha altamente móvel, veloz e ágil que tem garantido não só metros, mas como ensaios, quebras de linha e uma leitura de jogo de ponta, onde Goujon, Gourdon e o “monstro” de Northampton, Louis Picamoles. O 8 tem conquistado uma excelente reputação por Inglaterra, o que acabou por ser fundamental para dar um novo estímulo à sua carreira na selecção. Uma “rocha” no contacto, uma “fortaleza” na defesa e um líder sem necessitar da braçadeira de capitão.

Depois há todo um mundo de escolhas nas linhas atrasadas onde destacamos nomes como Nakaitaci, Camille Lopez, Scott Spedding, Rémi Lamerat (a nossa aposta para uma das grandes “caras” da França nestas 6 Nações), Virimi Vakatawa, Baptiste Serin e Wesley Fofana. Vamos “agarrar” nestes dois últimos porque merecem o nosso destaque individual.

Serin é um nº9 que está a conquistar o público do Top14, onde a sua velocidade, raça e qualidade de jogo rápido conquistaram a atenção de Novés. Serin está convocado, tendo atirado Morgan Parra para fora da selecção de XV, o que demonstra a atenção que devemos ter no jovem do Bordeaux-Bégles. No jogo frente à Nova Zelândia, o formação tem um passe soberbo para Picamoles, que vale a pena ver e rever.

Wesley Fofana é, neste momento, o melhor jogador a “desfilar” em França. O centro tem sido um dos elementos que explicam a excelente época do Clermont, com a sua capacidade de explorar a linha de de defesa e correr em direcção à área de validação. Seja os ensaios (já vai com 7 esta temporada), as assistências (5) ou outros elementos, Fofana traz muito ao jogo da França.

Novés tem tudo para fazer uma boa campanha nas Seis Nações, apesar de partir atrás da Irlanda, Escócia, Inglaterra, batendo-se de igual para igual com um País de Gales em “convalescença”. A França vai “atacar” pelas fases estáticas com os seus avançados, apostando depois na velocidade e artimanha de Fofana, o equilíbrio táctico e risco de Lopez e “drible” de Vakatawa.

Wesley Fofana (Foto: L’Equipe)

ITÁLIA

Estrela: Sergio Parisse (Nº8);
Jovem promessa: Carlo Canna (Abertura);
Jogador a seguir: Michele Campagnaro (Centro);
Capitão: Sergio Parisse (Nº8);
Posição final em 2016: 6º Lugar (5 derrotas);
Momento de 2016: Vitória frente à África do Sul;
Provável posição final em 2017: 6º lugar;
Ponto positivo a destacar: Capacidade de choque e reacção rápida ao contra-ataque;
Ponto negativo a destacar: falta de estabilidade nos avançados e fraco apoio nas linhas de 3/4’s;

Bella Italia que tem novo “comandante”, chamado de Conor O’Shea. O irlandês, que foi um dos grandes jogadores dos London Irish e da Irlanda, assumiu desde Junho de 2016 o lugar de seleccionador italiano após a saída de Jacques Brunel. O’Shea vai ter uma missão delicada pela frente, que passa por agarrar as novas gerações italianas e formatá-las não para fazer os mínimos, mas para se superarem e atingirem outro patamar.

A Itália está há anos a prometer que vai conseguir fazer uma oposição séria contra as suas congéneres europeias e, agora, tem de ser o momento ideal para “calar as vozes” que pedem uma substituição da Itália pela Geórgia. Na verdade, O’Shea tem de capitalizar a vitória contra os Springboks em Novembro passado, usando-a como catalisador e motivação para atingirem outro lugar na classificação.

“Mão de obra” não lhe falta, pelo contrário, há agora que aproveitar os grandes jogadores que tem ao seu dispor: o experiente e brilhante Sergio Parisse, o “legionário” Michele Campagnaro, o entusiasta e maestro Carlo Canna, o mestre da placagem Simone Favaro ou a “formiga” atómica Edoardo Gori. Para nós, Campagnaro rouba as atenções muito pela qualidade que possui.

Conor O’Shea (Foto: RBS 6 Nations)

O centro, que alinha pelos Exeter Chiefs, tem algumas qualidades que vale a pena observar com atenção como: capacidade de choque e tomada de decisão (Campagnaro procura entrar no contacto, procurar um espaço e conseguir devolver a bola a um colega que entre a “abrir”), agilidade e sentido de oportunidade (sempre que joga pelos Chiefs, Campagnaro tem um faro para o ensaio) e placagem (é um dos melhores placadores a jogar na Premiership).

Com Campagnaro a centro, a Itália ganha uma “arma” de alto impacto que pode ajudar nos jogos mais complicados, desde que a equipa esteja toda na mesma sintonia. Será fundamental que Sergio Parisse consiga manter a sua qualidade de jogo (é um autêntico maestro a jogar rugby), influenciando positivamente a sua equipa de forma a que nos momentos críticos não se deixem ir no “calor das emoções” (a Itália deixa-se ir em discussões com os árbitros, algo que os penaliza severamente).

A Itália precisa de começar a apostar no risco, de conseguir fazer algo que os adversários não estejam à espera e, ao mesmo tempo, serem responsáveis a defender ou apoiar o portador da bola no momento do contacto. A Itália vai ter que ganhar a “guerra” nas fases estáticas, porque só assim conseguem evitar que o adversário explore as fraquezas em termos de resistência física e organização defensiva.

Conor O’Shea terá que demonstrar algo que Brunel nunca conseguiu… estabilidade, organização e concentração. São vários elementos para a Itália “encaixar” em poucos meses, mas não terão outra solução, pois mais uma campanha negativa pode e vai levar um coro de debate sobre a admissão da Geórgia.

Michelle Campagnaro (Foto: The Guardian)


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