20 Ago, 2017

European Champions Cup – Parte II

Francisco IsaacOutubro 14, 201624min0

European Champions Cup – Parte II

Francisco IsaacOutubro 14, 201624min0

Fechamos esta antevisão com a Pool 4 e 5 e uma pequena previsão do Fair Play para a competição da European Champions Cup. Terá o Leinster força para ser “diferente”? Haverá nova surpresa em Exeter? E o Montpellier é a nova força na Europa?

POOL 4 – BETWEEN SAINTS AND SINNERS

Num grupo onde as cores do azul e branco constam em três das equipas que participam, os Saints de Northampton terão uma vida difícil. Os novos “gigantes” desafiadores europeus, Montpellier, vão demonstrar que estão cá para surpreender, enquanto que o Castres Olympique será uma incógnita e o Leinster, uma equipa que gostava de conquistar títulos, procura um novo rumo.

LEINSTER RUGBY

Localização: Dublin, Irlanda
Estádio: AVIVA Stadium (52,000)
Palmarés: 3 títulos europeus; 4x campeão da Pro12
2015/2016: 4º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Jonathan Sexton (Irlandês)
Contratação a seguir: Robbie Henshaw (Irlandês)
Treinador: Leo Cullen (Irlandês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo

No meio de um “pântano” de ideias, os irlandeses do Leinster têm de regressar às grandes vitórias, de modo a voltar a dar uma alegria às terras do Trevo. Leo Cullen tem uma missão difícil, de tentar chegar à fase a eliminar da European Champions Cup, num plantel recheado de estrelas e lendas do rugby irlandês: Jamie Heaslip, o powerhouse de nº8 da Irlanda, é um autêntico tanque a conquistar metros e um comandante excepcional na avançada; Devin Toner, o 2ª linha que tem algumas parecenças com  Paul O’Connell (algumas…) e que sabe trabalhar bem no alinhamento e na formação ordenada; Dave Kearney, o 3/4 multi-facetado que traz explosão, ritmo e energia ao jogo; a grande contratação da temporada, Robbie Henshaw que é um “monstro” das alturas, um excelente lutador no contacto e um quebra-linhas de ponta; e, claro, o maior astro do rugby da Irlanda (do momento), Jonathan Sexton. O médio de abertura possui um pé fenomenal (da mesma categoria que Dan Carter por exemplo), uma visão de jogo soberba, um impulso para criar espaços e combinações, não ficando de parte na hora de placar e lutar pela oval no ruck. Sexton pode ser a resposta aos problemas, contudo também pode ser ele “o” problema da equipa do Leinster… a dependência que têm do nº10 é demasiado arriscada para quem quer ganhar títulos. Tudo passa por Sexton… se ele não chuta aos postes, outro terá de arriscar, sem grande eficácia… se Sexton não está a ter um dia bom em campo, o jogo ofensivo dos homens de Dublin desvanece-se com velocidade. Por isso, para que o rugby de raça, de algum “perfume” e capacidade técnica ganhe outra “forma” é preciso Sexton estar em forma e com a cabeça que pode transformar o jogo. Uma equipa que gosta de montar investidas a partir das formações ordenadas, que vê nos alinhamentos uma forma de sair rápido para o ataque e que procura criar roturas no meio-campo, pode fazer a diferença nesta Pool da European Champions Cup. Leo Cullen tem uma missão delicada à sua frente, mesmo com um início de época em grande (5 jogos, 4 vitórias e 2º lugar na tabela), o Leinster terá que fazer muito para convencer a Europa que o tempo dos Boys in Blue está de volta e não é só uma ilusão.

The Blue Boys (Foto: Billy Stickland)
The Blue Boys (Foto: Billy Stickland)

CASTRES OLYMPIQUE

Localização: Castres, França
Estádio: Stade Pierre-Antoine (12,500)
Palmarés: 0 títulos europeus; 4x campeão do Top14
2015/2016: Não Participou
Jogador a seguir: Rory Kockott (Francês)
Contratação a seguir: Daniel Kotze (Francês)
Treinador: Christophe Urios (Francês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo

O Castres Olympique é um caso interessante do rugby francês, já que pouco ou nada tem ganho em títulos (conquistou o seu 4º Top14 em 2012/2013), mas apresenta sempre um rugby corajoso, intenso e emotivo. Um 6º lugar na competição francesa, possibilitou este regressar à Champions Cup após ter falhado na última temporada. Christophe Urios tem vindo a somar alguns sucessos na sua carreira, depois de ter guiado do US Oyonnax da PROD2 para o TOP14 e de ter os metido na European Champions Cup no ano a seguir. Depois veio o convite do Castres que tinha ficado em penúltimo e só a um lugar da descida de divisão… foi chegar, ver e vencer. De um triste 12º para um valoroso 6º, a equipa do sul de França, daquela região onde o Toulouse domina, está de volta à competição máxima da Europa e com uma palavra a dizer. E quais são os aperitivos para este Castres? Bem desde Rory Kockott o formação internacional pela França, que traz todo um reportório de jogo vivo, agressividade e qualidade de passe, algo que mexe com o jogo; Daniel Kotze foi uma das transferências que Urios pediu à administração do Castres e assim foi… o pilarão francês é letal na formação ordenada, gosta de trabalhar no ruck e tem uma qualidade acima da média como portador da oval; Horacio Agulla chegou para “revolucionar” a situação nas alas, com uma velocidade imparável, com uma troca de pés quase ao nível de Imhoff e um querer em ajudar a equipa total. Para além destas contratações, há outros nomes fortes do Castres como: Benjamín Urdapilleta, Jody Jenneker, Alex Tulou, Robert Ebersohn, entre outros. O plantel está recheado de talento, raça, garra e fome de “assustar” os supostos gigantes do rugby francês…e não só. Um rugby que está assente no espírito da união, do trabalho dos avançados que têm um skill interessante, com uns 3/4’s que gostam de surpreender com movimentações de recorte e classe europeia. Dificilmente vão conseguir sair do 4º/3º lugar, mas esta é das equipas que temos mais dúvidas – e desejos – em relação ao que realmente vão fazer na prova.

Castres ao ataque (Foto: Getty Images)
Castres ao ataque (Foto: Getty Images)

NORTHAMPTON SAINTS

Localização: Northampton, Inglaterra
Estádio: Franklin’s Gardens (15,500)
Palmarés: 1 título europeus 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Quartos-de-final
Jogador a seguir: George North (Inglês)
Contratação a seguir: Louis Picamoles (Francês)
Treinador: Jim Mallinder (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo

Os Saints entraram “frouxos” no Aviva Premiership mas rapidamente podem passar do 8 para o 80… basta que a motivação esteja lá. 5º lugar na temporada passada, eliminados nos playoff da Aviva e depois, também, nos quartos-de-final da European Champions Cup onde quase derrotaram o seu rival, os Saracens. Para a nova temporada, Jim Mallinder foi brindado com a vinda do brutamontes Louis Picamoles, um nº8 clássico com uma versatilidade interessante, assim como Nic Groom um formação de qualidade que jogava nos Stormers da África do Sul e mais 3 ou 4 contratações interessantes. Dentro do plantel já tinham alguns nomes fortes, principalmente na avançada onde mora o capitão da Selecção inglesa, Dylan Hartley, um dos grandes nomes do rugby de Northampton. Para além dele, também constam Courtney Lawes (cuidado gauleses, o 2ª linha tem uma predileção em dar autênticos safanões em jogadores dos Bleus), Tom Wood e Teimana Harrison (o substituto de James Haskell para os jogos de Novembro), uma das novas coqueluches do rugby inglês. Os Saints não conseguiram um arranque bom no campeonato, como prova o 7º lugar com 11 pontos a 12 do 1º, algo preocupante, mas que facilmente poderá ser corrigido. Um rugby de muito trabalho, lento e que gosta de fechar o jogo impossibilitando o adversário de explorar o jogo aberto… foi este tipo de jogo que ia “entalando” os Saracens na temporada passada, porém quando chegaram os últimos 20 minutos os Saints não aguentaram a pressão e foram cedendo espaços e “buracos” em toda a linha. O problema dos Saints é que querem fazer da defesa a sua grande “arma” e acabam por descurar tanto o jogo para o ensaio, o que numa competição europeia vai fazer a diferença. Como é que Mallinder vai resolver este problema? Bem, que tal acreditar nas capacidades do espectacular ponta galês George North? Ou acreditar nas combinações de Luther Burrell com Tuivake?

Can a couple of Saints save England? (Foto: The Guardian)
Can a couple of Saints save England? (Foto: The Guardian)

MONTPELLIER HÉRAULT 

Localização: Montpellier, França
Estádio: Stade Altrad (15,000)
Palmarés: 1 título europeu (Challenge Cup); 0x campeão do Top14
2015/2016: Não Participou
Jogador a seguir: François Steyn (Sul-africano)
Contratação a seguir: Nemani Nadolo (Fijiano)
Treinador: Jake White (Sul-africano)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo

A equipa que entrou na nova era dos “milionários”, o Montpellier Hérault! Desde 2011 que tem vindo a avisar que a sua era poderia estar a chegar e após conquistar a Challenge Cup na temporada passada (frente aos Harlequins), a equipa comandada pelo sul-africano Jake White (está de saída no final de temporada) pode querer ir longe na European Champions Cup. Com um plantel carregado de estrelas e lendas do rugby moderno, White não se pode queixar… recebeu o portento e gigante ponta, Nemani Nadolo, que saiu de uma vida confortável na Nova Zelândia (era dos Crusaders) para tentar a sua sorte em França; Nico Janse van Rensburg, um 2ª linha dos Bulls que tem um futuro enorme pela sua frente, abandonou a SARU (poderia estar na calha, para no futuro fazer parte dos Boks) e investiu numa carreira no Montpellier; e Joe Tomane, o centro/ponta Wallabie foi outra das caras novas da equipa francesa. Para além disto, o plantel tem mais outros “astros”: os irmãos pilares Du Plessis, Pierre Spies, Nic White, Alexandre Dumoulin, Jesse Mogg e, melhor de todos, o temperamental François Steyn. O centro/defesa/abertura faz a diferença quando quer, tem muito rugby na guelra, é um placador exímio e gosta de jogar rugby rápido… agora, depende do feitio e se está com vontade para deixar a sua marca no jogo. Em termos de rugby, o Montpellier gosta de fazer uso da oval q.b., procurando alimentar as suas pontas com boas oportunidades (Nadolo e Tomane juntos vão semear o “terror”) e, sempre que possível, “cavar” uma penalidade para atirar um bom pontapé aos postes. O Montpellier chega a ser cínico na sua forma de jogar, procura o jogo mais eficaz possível e recorre ao pontapé para resolver os jogos mais complicados… no Top14 tem corrido bem e na presente temporada ocupam o 4º lugar a 4 pontos do 1º, com 4 vitórias e 3 derrotas. Apostamos num 2º lugar da equipa dos Les Cistes, uma vez que estão fadados para a glória europeia.Nadolo for the try (Foto: L'Equipe)

POOL 5 – C’EST LA REVOLUTION

O super Ulster de Piutau, vai encontrar uns índios de raça de Inglaterra, uns Jaunards que estão no caminho certo e ainda discutir com as gentes de Bordéus. O último grupo da European Champions Cup ficou com 4 equipas com um rugby muito característico e que dificilmente se encontra pela Europa, já que tanto os Exeter Chiefs (um caso de sucesso), os Bordeaux-Bégles (tomaram o gosto pela competição) e os eternos 2º lugar, o Clermont

UNION BORDEAUX-BÉGLES

Localização: Bordéus, França
Estádio: Stade Chaban-Delmas (35,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 0x campeão do TOP14
2015/2016: 2º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Adam Ashley-Cooper (Australiano)
Contratação a seguir: Ian Madigan (Irlandês)
Treinador: Raphaël Ibañez (Francês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo

Les Girondins contra a ordem instaurada… o ano passado foram o carrasco do Clermont, ao conseguirem uma surpreendente vitória no último jogo da fase-de-grupos que retirou os Jaunards do caminho da fase a eliminar da European Champions Cup. Uma formação com nenhum título relevante, têm conseguido aguentar-se no Top14 com um 7º lugar pelo segundo ano consecutivo. O apuramento para a maior prova de clubes tem sido uma forma de atrair jogadores de gabarito internacional, caso de Adam Ashley-Cooper, o formidável ponta da Austrália que facilmente consegue descobrir espaços para desatar a fugir e dar pontos aos Girondins. O rugby do Bordéus não é fascinante nem, ao mesmo tempo, mau… um rugby de colectivo, em que a ideia de rugby clássico está bem vincada e que o trabalho de ambas as “secções” tem de ser irrepreensível. No bloco avançado há alguns nomes de relevo como Loann Goujon (internacional pela França), um nº8 com qualidade e capacidade de liderança; Jefferson Poirot, uma das grandes promessas da 1ª linha francesa, domina a 1ª linha tendo impressionado o Mundo durante as Seis Nações de 2015; as duas novas “caras” como Luke Jones(abandonou a Austrália atitude criticada por Michael Cheika) e Tom Palmer; Luke Braid e Peter Saili trazem a agressividade e qualidade técnica do jogo neozelandês para a 3ª linha. Nas linhas atrasadas destacar a contratação de Ian Madigan, o abertura/centro irlandês que precisa de um revival para voltar aos seus melhores tempos, tendo Julien Rey como um dos jogadores lendários do Bordeaux-Bégles já que alinha na equipa desde 2010. O treinador é um dos melhores pilares da França dos últimos 50 anos, Raphaël Ibanez, um senhor do rugby que quer tornar a equipa de Bordéus uma autêntica dor de cabeça para quem ousa desafiá-los. Num grupo altamente disputado, dificilmente irão passar à fase seguinte… todavia, em 2015 surpreenderam tudo e todos quando terminaram em 2º lugar da fase de grupos com os mesmos pontos que o 1º.

Que união em Bordéus? (Foto: Getty Images)
Que união em Bordéus? (Foto: Getty Images)

ULSTER RUGBY

Localização: Belfast, Irlanda do Norte
Estádio: Kingspan Stadium (18,400)
Palmarés: 1 título europeu; 1x campeão da PRO12
2015/2016: 2º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Paddy Jackson (Irlandês)
Contratação a seguir: Charles Piutau (Neozelandês)
Treinador: Les Kiss (Australiano)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo

The Ulstermen are ready to conquer again! Sem um título europeu desde 1999, a equipa da Irlanda do Norte está motivada para fazer algo diferente nesta nova temporada. Com um plantel rico em criatividade, assim como em força e qualidade de domínio de jogo das fases estáticas, a equipa de Les Kiss só tem de mostrar o seu melhor rugby para ir longe na competição. E quem destacamos desde logo? Charles Piutau, o defesa neozelandês que optou por uma carreira fora de “casa”. O ano passado alinhou pelos Wasps onde a sua classe, força e capacidade de explosão deram vitórias em jogos importantes à equipa de Coventry (lembramos aqueles quartos-de-final da European Champions Cup, em que Piutau levou a equipa até à vitória com um ensaio soberbo em cima dos 80′). Desde que chegou ao Ulster já teve a oportunidade de espalhar o “terror” e tem vindo a assumir o papel de principal protagonista… contudo, não é o único. Paddy Jackson, o médio de abertura que deslumbrou os adeptos do Trevo em Junho quando fez grandes exibições contra a África do Sul, é um dos grandes obreiros da “revolta” Ulsterina onde a sua qualidade excelente como chutador e criador de jogo fazem da equipa norte-irlandesa um autêntico perigo no ataque. Depois há Luke Marshall, Stuart Olding (23 anos e já é olhado como o futuro da camisola 12/13 da Irlanda), Jared Payne (um verdadeiro “obreiro” na hora de trabalhar em prol da equipa, sacrificando o seu “corpo” para dar metros ao Ulster) e Andrew Trimble, para além de terem Ruan Pienaar como formação e um dos capitães da squad de Belfast. Les Kiss não se pode queixar do potencial e “arsenal” que possui, pois ainda tem o capitão da selecção da Irlanda, Rory Best, mais Ian Henderson (24 anos e já com quase 30 jogos como 2ª linha da selecção do Trevo), Rob Herring, Sean Reidy e uns quanto mais. Com um rugby veloz, eléctrico, intenso e dominador, o Ulster não consentiu qualquer derrota, ainda, neste arranque de época, o que demonstra todo a sua eficiência a atacar (101 pontos) e um esplendor defensivo de enorme qualidade (melhor defesa da PRO12 com 53 pontos sofridos). A luta pelo 1º lugar vai ser “quente” com o Clermont, a equipa que apresenta mais argumentos para contrariar a equipa de Jackson, Piutau e Best.

Are you ready Ulster? (Foto: BBC)
Are you ready Ulster? (Foto: BBC)

EXETER CHIEFS

Localização: Exeter, Inglaterra
Estádio: Sandy Park (12,600)
Palmarés: 0 título europeu; 0x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Jack Nowell (Inglês)
Contratação a seguir: Lachlan Turner (Australiano)
Treinador: Rob Baxter (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Os Chiefs de Exeter, a grande revelação e surpresa da temporada transacta, poderão voltar a fazer uma gracinha? Há algumas questões e problemas a resolver antes que possam repetir o feito do ano passado. A temporada não começou nada bem para a equipa de Baxter, que parece estar menos “alegre” e dinâmica em relação aos dois últimos anos, com três derrotas em cinco jogos para o campeonato inglês. Mas o mais preocupante é a falta de eficiência, o rugby pouco espontâneo e mais “duro”, sem a velocidade de outrora. Não se percebe bem o que Baxter pretende, uma vez que o estilo dos Índios de Inglaterra era único e que deixava as bancadas em “fogo”. Se as novas estratégias entrarem na “cabeça” dos seus jogadores pode ser que tudo se altere e o rugby dos Chiefs volte a tentar ir ao título inglês. Para já, a equipa está assente em alguns jogadores: Gareth Steenson, o quase-veterano nº10 irlandês, continua a bater recordes de pontos, sendo um jogador importante no que toca aos pontapés e ao controlo de jogo; Henry Slade e Ian Whitten fazem uma das duplas mais curiosas do rugby inglês, em que a velocidade, técnica de mãos (handling) e a placagem rápida são algumas das suas qualidades no seu BI; Jack Nowell, o impressionante ponta inglês que tem uma dinâmica diferente e que facilmente conquistou Eddie Jones… para além do sprint e explosão, tem “faro” para o ensaio e sabe defender com perícia; Luke Cowan-Dickie, um dos talonadores da nova geração inglesa, já foi responsável por um hattrick nesta temporada, beneficiando da nova estratégia de jogo de Baxter. O treinador inglês é um dos favoritos a vir a assumir o lugar de Eddie Jones em 2019, mas para já tem de fazer algo acontecer com uma das equipas em ascensão do rugby inglês e que está a “travar” algo esse processo. Neste grupo da European Champions Cup, os Chiefs não gozarão da mesma sorte que no ano passado, já que o Clermont está em alto nível e o Ulster não está para brincadeiras… contudo, com Baxter, Nowell, Lachlan Turner (contratação sonante para os lados de Dover, para além de Ollie Devoto), Cowan-Dickie, Thomas Waldrom (o “monstro” da avançada dos Chiefs, o melhor marcador do campeonato inglês nas duas últimas temporadas) entre outros, os Chiefs podem “acordar” e voltar a fazer o que melhor sabem… ganhar!

A Chiefs Game! (Foto: Exeter Chiefs Community)
A Chiefs Game! (Foto: Exeter Chiefs Community)

ASM CLERMONT AUVERGNE

Localização: Clermont-Ferrand, França
Estádio: Parc des Sports Marcel Michelin (18,000)
Palmarés: 0 título europeu; 1x campeão do TOP14
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos;
Jogador a seguir: Morgan Parra (Francês)
Contratação a seguir: Isaia Toeava (Neozelandês)
Treinador: Franck Azéma (Francês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Les Jaunards parecem estar de volta ao bom rugby que entusiasmaram milhares de adeptos a acompanhá-los em intensas viagens. É um clube dedicado aos seus adeptos, com uma forma de viver à rugby… e, ao fim de uma época desanimadora (quase que atingiram a final do Top14 não fosse aquele último pontapé de Daniel Carter nas meias-finais, já em tempo extra), a equipa do Clermont está com vontade de voltar aos tempos áureos. Têm um Top14 (2010) e já perderam a European Champions Cup por duas vezes, em 2013 e 2015 frente aos seus rivais do Toulon. Em 2015/2016 acabariam por ficar fora da fase final, quando perderam frente aos Bordeaux-Bégles, possibilitando aos Chiefs passar à fase seguinte da competição… ou seja, voltaram os três a comparecer no mesmo grupo, o que vai ser excelente numa óptica de “vingança”. Por isso, para 2016/2017 teremos uma remontada do Clermont para irem em direcção ao título? Um plantel “rico” em “astros” desde Wesley Fofana, Noa Nakaitaci, Camille Lopez, Scott Spedding, Benjamin Kayser, Thomas Domingo, Sitaleki Timani, Flip van der Merwe, Morgan Parra (o luso-descendente é a Lenda viva do Clermont, com um toque de “oval” fora do normal, um incansável formação e um jogador de classe a atacar ou defender) e o “nosso” Julien Bardy, um asa de classe mundial seja pela sua placagem de “raça” e que põe os adversários KO ou pela forma de como se entrega ao jogo em prol do Clermont. A grande contratação cai na pessoa de Isaia Toeava, um All Black que dá outro músculo ao par de centros ou pontas, dependendo de como Franck Azéma opte por o usar. Para já a temporada tem corrido de uma forma excelente, com o 1º lugar no difícil Top14 e um rugby bem lúcido, “limpo” e de categoria. O ano passado foi de “caos” e muita confusão no estilo de jogo, com várias lesões e problemas no plantel (o próprio Bardy passou uma fase conturbada), mas agora tudo, aparentemente, está bem e estão prontos para voltar a ganhar! Num grupo de “velhos” conhecidos, será interessante ver a forma do Clermont fora de “portas”.

Les Jaunards pour la conquête? (Foto: L'Equipe)
Les Jaunards pour la conquête? (Foto: L’Equipe)

AS PREVISÕES DO FAIRPLAY

Posto a observação a cada uma das equipas das 5 Pools/Grupos vamos avançar com as nossas previsões, que poderão ter uma boa margem de erro… até porque nesta competição da European Champions Cup, a fase de grupos é altamente imprevisível. Uma equipa pode ser a campeã mas perante um adversário que não tem nada a perder, é quase sempre tropeção… veja-se o ano passado o Clermont que só precisava de uma vitória em casa frente ao Bordeaux-Bégles e acabou por perder possibilitando aos Exeter Chiefs passar à fase seguinte.

No rugby é mais difícil de prever, a nível de clubes, quem vai ser campeão, quem chega às meias-finais ou até quem vai ficar de fora. Se os italianos do Zebre Rugby estão, à partida, fora logo da luta, podem estragar a “festa” a algum dos do seu grupo… por isso todo o cuidado é pouco.

Campeão: Saracens FC
Vice-campeão: ASM Clermont
Melhor marcador: Morgan Parra (ASM Clermont) / Owen Farrell (Saracens FC)
Melhor Marcador de Ensaios: Charles Piutau (Ulster) / Chris Wade (Wasps RFC) / Juan Imhoff (Racing 92′)
Equipa Surpresa: Ulster Rugby
Equipa Desilusão: Exeter Chiefs

É um gamble autêntico o que estamos aqui a lançar… dizer que os Saracens FC vão ao título pela 2ª vez de forma consecutiva, pode parecer um risco… calculado. Em Inglaterra estão a dominar a competição (uma derrota apenas) ao fim de 6 jornadas, com a liderança isolada com 25 pontos, seguidos pelos Wasps com 23. Pode parecer uma magra vantagem, mas no último fim-de-semana a equipa das vespas foi “varrida” pelos campeões em título, como prova o resultado final: 30-14. Tem todos os argumentos para fazer desta época um ano recheado de sucessos e títulos, muito pela harmonia e equilíbrio do plantel (vem aí Eben Etzebeth, o 2ª linha Springbok), para além que a selecção inglesa faz uso dos vários atletas dos londrinos como Farrell, os irmãos Vunipola, Itoje, Kruis, Goode, entre outros, numa era em que o domínio do Hemisfério Norte pertence à Selecção de Sua Majestade – para já. Estes factos todos, juntos, farão a diferença no final da competição… dificilmente vemos um RC Toulon ou o Racing Metró 92′ a conseguir ir até à final… já o ASM Clermont é outra história. Os Jaunards tiveram dificuldades em ser uma equipa desafiadora na temporada transacta, com vários problemas e questões no plantel… porém, as derrotas e desilusões (ficaram fora da final do Top14 por exemplo) foram observadas, analisadas e esmiuçadas para que os erros do passado não sejam também os do presente. A equipa de Morgan Parra, Julien Bardy, Noa Nakaitaci, Camille Lopez, Benjamin Kayser ou Scott Spedding está numa forma incrível no Top14 (1º lugar com uma derrota em 8 jornadas) e pode fazer “mossa” na European Champions Cup.

Em relação aos marcadores apostamos claramente em dois: Morgan Parra e Owen Farrell. Ambos são pontapeadores de excelência e estão a jogar em equipas que garantem penalidades e/ou ensaios para que eles armem o tal chuto aos postes. Ensaios? Há três nomes a ter em foco. Charles Piutau do Ulster, Chris Wade dos Wasps e Juan Imhoff do Racing 92′. O 1º prima pela força de explosão, capacidade de se libertar no contacto, velocidade e técnica de passe… pode ser que não marque muitos ensaios, mas dará vários a marcar. Wade é uma bomba à ponta, a velocidade e sprint são duas das suas “armas”, para além da agilidade e capacidade em ler a situação de ataque… infelizmente, não é um jogador vocacionado para defender. E Juan Imhoff… tem sido um “deleite” ao ver o Puma (deixou de ser seleccionável para a selecção de Hourcade… parece-nos que perderam um activo fundamental) a deslumbrar os campos em França. Com um toque de génio, tem ensaios que nascem “em cabines de telefone”, com uma troca de pés de sonho… pode ser que o Racing chegue às eliminatórias pelas “mãos” e “pés” de Imhoff.

A desilusão da competição andará pelas equipas galesas e pelos Chiefs de Exeter que em nada nos têm surpreendido na presente temporada. Mas podem calhar aqui surpresas, o ano passado foi claramente o Leinster Rugby, Ospreys ou Clermont.

A competição segue dentro de “momentos”, não percam o “Super Rugby” europeu!


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