18 Nov, 2017

12 Profissões abraçadas por desportistas depois de terminarem a carreira

João BastosFevereiro 18, 201711min0

12 Profissões abraçadas por desportistas depois de terminarem a carreira

João BastosFevereiro 18, 201711min0

O período de reforma de um atleta de alta competição é sempre uma altura de difícil adaptação para quem dedicou grande parte da sua vida ao treino e competição na sua modalidade. O Fair Play traz-lhe 12 carreiras alternativas – umas mais convencionais que outras – que vários ex-atletas decidiram abraçar.

1 – Treinador

Começamos pelo óbvio. Um atleta que tenha dedicado grande parte da sua vida a uma determinada modalidade tem, naturalmente, muitos ensinamentos a transmitir a outros atletas. Por vezes o ensino não dá origem à aprendizagem, mas o que é certo é que em qualquer modalidade o contributo enquanto treinador de um ex-atleta de elite, solidifica o ADN cultural da própria modalidade.

Em praticamente todos os desportos há vários exemplos que podemos dar, mas escolhemos uma das mais bem-sucedidas carreiras tanto enquanto atleta como enquanto treinador: Phil Jackson, o treinador que mais anéis da NBA venceu (11), somando aos 2 que tinha vencido enquanto basquetebolista dos NY Knicks.

O Zen Master foi responsável pela ascenção de nomes como Michael Jordan, Scottie Pippen, Shaquille O’Neill ou Kobe Bryant.

Foto: Pinterest

2 – Dirigente

Mais uma carreira óbvia. Quem vive o desporto na perspectiva do usufrutuário das estratégias de quem o dirige, tem sempre uma posição privilegiada no sentido de perceber como a sua modalidade pode evoluir.

É verdade que grandes atletas podem dar dirigentes desastrosos (sim, sim Platini, estamos mesmo a pensar em ti!), mas também há exemplos em que a experiência acumulada ao longo de anos de vitórias é potencializada no sentido de fazer evoluir a sua modalidade.

Sergei Bubka, o melhor saltador com vara de todos os tempos, campeão olímpico de Seul 88 (não participou em Los Angeles 84, que a URSS boicotou, mas já era o campeão do mundo na altura), 10 vezes campeão do mundo e 35 (!) vezes recordista mundial é agora Vice-Presidente da IAAF.

Bubka é um ucraniano que viveu (e agora volta a viver) um período politicamente conturbado no seu país com a desintegração do bloco soviético. Por ser um dos principais ícones da Ucrânia, Bubka sempre foi convidado a fazer intervenção política pelo seu país e, talvez por isso, tenha o perfil indicado para intervir também pela sua modalidade.

3 – Comentador

Para fechar o triângulo das carreiras mais óbvias de ex-atletas, só nos falta falar dos actuais comentadores desportivos.

Sobretudo dedicados ao futebol, há vários desportistas aposentados que passaram para o lado de lá do espectáculo mas que continuam a alimentá-lo (por vezes, até mais do que alimentavam quando eram praticantes).

Muitos deles são referência no comentário ou até mesmo no jornalismo, como é o caso de Gary Lineker, o antigo goleador do Leicester, do Everton, do Barcelona, do Tottenham e da Selecção Inglesa e que hoje é jornalista desportivo na BBC.

Foto: BBC Sports

4 – Político

Entramos no campo das carreiras menos convencionais para ex-atletas. Mas os exemplos consubstanciam esta lista. O famoso “artilheiro” brasileiro Romário aventurou-se na carreira política em 2011 e tem tido sucesso.

Um dos maiores goleadores de sempre do futebol mundial, Romário de Souza Faria marcou 768 golos oficiais durante os seus 25 anos de carreira de jogador de futebol profissional.

Em 2011 é eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, candidatando-se pelo Partido Socialista Brasileiro e quatro anos mais tarde chega ao Senado brasileiro, onde desenvolve a sua actividade actualmente.

Desde 2013 que é o Presidente do PSB no Rio de Janeiro.

Em 2015 concedeu uma entrevista que deu que falar depois de proferir a frase: “Achava que política era lugar de ladrão e sacanagem. E eu acertei”. A polémica foi tamanha que Romário teve de se retratar, o que prova que afinal a política é, antes, o lugar onde só se pede desculpa nas raras vezes em que se diz a verdade…

Foto: Freeword

5 – Actor

O desporto é uma actividade que exige um grande controlo emocional. É frequente ouvir atletas justificarem uma derrota com os nervos que sentiram durante a prova/jogo e por isso, qualquer grande campeão tem de ser dotado da arte cénica de introduzir na sua receita ingredientes difíceis de combinar como concentração, adrenalina, sofrimento, alegria, euforia, etc…

A lista de ex-atletas actores é surpreendentemente longa, que justificará um outro artigo. Desde atletas manifestamente melhores no desporto que no cinema, a actores que pouco sucesso tiveram no desporto, a actores que foram muito bem-sucedidos no desporto mas cuja carreira cinematográfica ultrapassou largamente esse sucesso (caso do Mr. Olympia, Arnold Schwarzenegger – que também podia ser referido na profissão anterior), a atletas que fazem de si próprios em participações fugazes em filmes.

Os exemplos são muitos, mas aquele que escolhemos é bastante singular: um atleta por muitos considerados o melhor de sempre, considerando todos os desportos; foi actor especificamente para um único filme e foi logo protagonista; fez de si próprio nesse filme; contracenou com desenhos animados.

É ele…Michael “Air” Jordan, o grande ídolo da NBA e co-protagonista com Bugs Bunny de Space Jam, o filme de 1996.

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6 – DJ

Nem só à sétima arte se dedicam os ex-desportistas. Também abraçam carreiras na primeira arte: a música.

É o caso do DJ Mendieta.

Esse mesmo, um dos melhores marcadores de penaltys de sempre. O médio que se notabilizou no Valência de Pablo Aimar: Gaizka Mendieta.

Depois de se retirar dos relvados em 2007, Gaizka voltou de Inglaterra para Espanha e apostou numa carreira de remisturas sonoras.

Bem ao estilo das novas sonoridades electrónicas/dub-step/2-step identificáveis em artistas como Skrillex ou Martin Garrix, DJ Mendieta já é um nome reconhecido em terras de nuestros hermanos (supomos que particularmente em Ibiza).

7 – Protagonista de Reality Show

O sucesso em desportos mediáticos traz a fama, que nos tempos que correm significa que o grande público quer ver os “seus” famosos a fazer coisas. E assim se popularizaram programas como o “Dancing With The Stars”, “Celebrity Apprentice” ou o “Big Brother” na sua versão de famosos.

Depois há os que já fazem coisas e por isso não é preciso criar um formato específico para mostrar aquilo que fazem. Basta filmá-los numa espécie de “Vida Selvagem” onde podemos ver a expressão do comportamento humano dos famosos no seu habitat natural, actuando numa fina fronteira entre a realidade ficcionada e a ficção realizada.

E o caso mais mediático é o da família Kardashian, onde participa Caitlyn Jenner, a socialite transexual norte-americana que enquanto homem e de nome Bruce Jenner foi campeão olímpico do decatlo em Montreal’76.

Foto: The Take

8 – Princesa

Ok, talvez esta seja uma “profissão” um pouco específica de mais para ser pensada em carreira após a reforma, mas a nadadora olímpica pela África do Sul, Charlene Wittstock, sentou-se no trono depois de pendurar a touca.

Convertida em Charlene do Mónaco após o casamento com o príncipe Alberto II, Charlene nasceu no Botswana e gerou alguma polémica no principado por ser uma estrangeira a suceder a Grace Kelly como herdeira da casa Grimaldi (convenhamos que num território de 2 km quadrados não era fácil para o príncipe “escolher” uma monegasca).

Sua Alteza Sereníssima participou nos Jogos Olímpicos de Sydney’2000 chegando à final da prova de 4×100 estilos, como integrante da estafeta sul-africana. Nadou o percurso de costas e a equipa classificou-se no 5º lugar final.

Foto: Getty Images

9 – Padre

A história de Eric Liddell ficou imortalizada no filme de 1981, vencedor de um Oscar, “Momentos de Glória”.

Liddell era escocês, nascido na China e praticava atletismo. Era um cristão devoto e era simultaneamente o melhor velocista do seu tempo.

Nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, Liddell era o grande favorito a ganhar os 100 metros, mas recusou-se a correr a prova porque as eliminatórias se disputavam ao Domingo, dia de descanso e da família para os católicos.

Em substituição, decidiu correr os 400 metros, prova que não era a sua especialidade mas que acabou por vencer.

Depois dos JO, voltou para a China e trabalhou como missionário, sendo mais tarde ordenado padre. Durante a segunda guerra mundial, Liddell ajudou milhares de pessoas em zonas mais pobres da China.

Foi capturado pelos japoneses e posteriormente enviado para um campo de concentração japonês onde morreu em 1945.

Foto: RightNow Media

10 – Modelo

Há uma relação óbvia e linear entre o desporto e o bom aspecto físico e a interacção entre desporto e moda é frequente, patenteadas em publicações como a Sports Illustrated.

Para além do tónus muscular e do “palmo de cara” também a fama alcançada enquanto atleta favorece a cotação dos atletas no mundo da moda.

São famosas as produções de Beckham e CR7 para a Armani ou de Ljungberg para a Calvin Klein.

Mas essas são produções esporádicas de atletas no activo. Mas há vários atletas que se dedicam à carreira de modelo a tempo inteiro depois de abandonarem a carreira desportiva.

É o caso de Anni Friesinger, a skater do gelo que venceu 5 medalhas olímpicas (3 de ouro) e estabeleceu o record do mundo dos 1500 metros por 4 vezes e que após terminar a sua carreira, em 2010, fez trabalhos para várias publicações internacionais, como a FHM.

Foto: Fansshare.com

11 – Suinicultor

Há outras categorias neste artigo onde caberia Johan Cruyff como treinador e comentador. Para além de ser um dos melhores futebolistas de sempre, foi também um treinador marcante na história do futebol mundial com a sua formação diamante.

E isso é do domínio público. O que talvez não conheça é que Cruyff depois de deixar os relvados dedicou-se a…produzir porcos.

É isso mesmo. Johan Cruyff chegou a ser tratado por “o suinicultor mais conhecido do mundo”. Depois perdeu o título, mas já lá vamos.

Em 1978, quando Cruyff encerrou a carreira, foi convencido por um franco-russo, de nome Michel Basilevitch, a investir todo o seu dinheiro numa suinicultura. Se faltava saber o que Cruyff fazia mal, deixou de faltar.

É que não demorou muito até que o holandês e a sua sócia – Danny Coster, sua esposa – fossem à falência.

Foto: So Foot

12 – Actor-Cantor-Comentador-Suinicultor

Quando dissemos que Cruyff deixou de ser o suinicultor mais conhecido do mundo, foi porque perdeu o título para outra grande referência do futebol mundial, o Rei Pelé!

Isso mesmo, se já achava bizarro haver um ex-futebolista dedicado à produção suinícola, saiba que há pelo menos dois que enveredaram por essa carreira. Pelé inclusivamente dá a cara por várias campanhas de promoção do consumo da carne de porco e de outros programas de fomento da agricultura brasileira.

Foto: Beef Point

Pelé é verdadeiramente o homem dos sete ofícios, mas em nenhum deles é tão bom executante como era quando jogava futebol.

Enquanto comentador já se sabe que “não dá uma para a caixa”. São famosos os prognósticos falhados do Rei.

Enquanto actor, já leva uma longa carreira. Segundo o IMDb, foram 11 os filmes em que Pelé entrou. O mais conhecido sobre si próprio – Pelé: O Nascimento de uma Lenda.

Já enquanto cantor…bom, deixamos que faça as suas próprias considerações.


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