21 Nov, 2017

Vasco Ribeiro, “Temos tudo para projectar Portugal para o topo”

Francisco IsaacDezembro 15, 201611min0

Vasco Ribeiro, “Temos tudo para projectar Portugal para o topo”

Francisco IsaacDezembro 15, 201611min0

No “reino” da Tapada, mora uma nova geração de jogadores de qualidade. Vasco Ribeiro, centro da Selecção Nacional, chegou aos Sevens World Series com apenas 17/18 anos. Como, quais foram os sacrifícios e qual é a sua vontade diária de trabalhar? Uma entrevista do Fair Play

fpVasco Ribeiro, um dos atletas mais jovens de sempre a marcar presença nos World Series… o que é sentiste na altura quando foste chamado aos treinos pela primeira vez?

VR: Antes de mais muito obrigado. A primeira vez que fui chamado para os treinos de sevens foi no fim de época de 2014/15, depois do Junior World Trophy. Foi uma grande alegria, pois iria ter hipótese de treinar com todos aqueles jogadores que, desde pequeno, admiro e vejo jogar na televisão contra os melhores do mundo.

fpComo foi o teu processo de crescimento até este ponto? Houve alguém importante na  tua aprendizagem?

VR: Comecei a jogar na Agronomia, nos sub-8, onde aprendi o que era o rugby e ganhei o gosto ao desporto. Com o passar do tempo, fui sendo integrado nas selecções regionais e depois nacionais.

Fui tendo hipótese de ser testado contra os melhores, a nível nacional e internacional, e não há dúvida que é contra os melhores que se aprende e a jogar num nível superior que se evolui.

Grande parte do meu desenvolvimento deve-se a todos os treinadores que tive na Agronomia e na Selecção, (felizmente foram muitos), cada um à sua maneira, tiveram um papel muito importante. Acho que todas as pessoas que conheci no rugby me ajudaram, de certo modo, e todas as amizades que criei foram importantíssimas.

Não posso deixar de referir que, muito devo aos meus pais que estão sempre a apoiar-me e não deixam que me falte nada. 

A irmandade Lusa (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

fpFazes parte de uma geração que está a tentar “revolucionar” a AIS Agronomia. Como tem sido a nova temporada?

VR: Tem sido muito boa! Começámos bem a ganhar logo uma taça ao campeão Direito. Temos uma equipa jovem mas, ao mesmo tempo, liderada por uma geração mais velha que dá muita maturidade à equipa. Estamos motivados, com bom espírito e todos queremos que, este, seja um ano especial!

fpO que é que te fez ir para o rugby?

VR: Quem me fez ir para o rugby foi o meu tio Caetano, que era treinador na Agronomia, e fez com que os meus pais me inscrevessem, para experimentar. Até porque o meu primo também já treinava lá. Depois nunca mais saí.

fpA Agronomia é a tua “segunda família”, correcto? Há algo de especial nos “ares” da Tapada?

VR: Sim, a Agronomia é o meu clube do coração. Desde os 7 anos que jogo lá e é onde me sinto bem! A tapada é, de facto, um espaço especial de que muito nos orgulhamos! É como uma segunda casa, onde criei grandes amizades e tenho pessoas de que gosto muito!

fpEstiveste envolvido em vários torneios da Associação Rugby do Sul, correcto? Achas importante o trabalho da ARS para o rugby português?

VR: Certo. Acho que é muito importante e falo por experiência própria. É o primeiro contacto com as selecções regionais, com jogadores de outros clubes e onde se começa a criar um compromisso com o rugby. É importante para desenvolver as bases desde novos.

fpDos torneios de sub-12/14 passaste para as selecções regionais e depois nacionais. Nas tuas diversas representações por Portugal, qual é a tua memória mais antiga?

VR: É o meu primeiro jogo oficial por Portugal, nos sub-18. Foi no campeonato de europa elite contra Inglaterra. Foi uma boa experiência, o meu primeiro contacto numa competição destas, com grandes Selecções. Deu para ver que eles estão noutra realidade, já altamente profissionais desde cedo e muitos deles agora a jogar nos principais clubes da Premiership.

fpEstiveste no Campeonato do Mundo “B” de sub-20 e marcaste presença em outros torneios. Sentiste uma grande diferença entre equipas como as Fiji ou Geórgia para Portugal?

VR: Não senti uma grande diferença. A maior diferença era a parte física. Acho que estávamos bem preparados e fizemos bons jogos. Penso que respeitámos demais essas selecções mas acabámos por perder esses jogos em pequenos erros, que se pagam caro a este nível. Não tenho dúvida que nos podemos bater com qualquer equipa do Campeonato do Mundo “B” sub-20.

fpNa tua estreia pela Selecção de XV conseguiste logo um ensaio… qual foi a tua reacção quando te apercebeste desse feito?

VR: É um grande orgulho! Desde sempre que sonho jogar por Portugal e se já é especial a estreia pela Selecção de XV, com um ensaio ainda mais fica.

fpTens o objectivo de sair para fora de Portugal? Para que país ou Hemisfério é que gostavas de tentar ir?

VR: Gostava muito. Neste momento, como já “perdi” um ano, a nível académico, ao estar no circuito mundial, agora estou concentrado em acabar o curso e ainda não pensei muito nesse assunto, para ser sincero. Mas, sem dúvida, gostava de experimentar ir para fora, Nova Zelândia seria o melhor.

O 1º título por Agronomia (Foto: Facebook do Próprio)

fpCostumas acompanhar rugby internacional? Há algum clube/jogador que capte a tua atenção?

VR: Gosto de ver rugby, gosto especialmente de ver os All Blacks jogar. Neste momento, o jogador que mais me capta a atenção é o Beauden Barrett (All Black).

fpComo centro és mais virado para a placagem e recuperação de bola ou és mais vocacionado para o ataque?

VR: Gosto de pensar em mim como um meio-termo, gosto tanto de atacar como de defender. Mas talvez seja mais virado para a placagem.

fpLembras-te de alguma placagem que tenhas feito? E sofrido?

VR: Uma pessoa nunca se esquece duma boa placagem que tenha feito. Lembro-me, no Paris Sevens, de ter feito uma boa placagem contra a Rússia. Já conhecia o jogador e consegui antever o que ia fazer.

fpO rugby português tem “pernas para andar” ou sentes alguma estagnação?

VR: Claro que tem! Temos muita qualidade a nível técnico e bons treinadores com grande capacidade de “pensar” o jogo. Temos tido bons resultados nas camadas jovens falta dar o salto para os seniores.

fpO que é que a comunidade do rugby português pode fazer mais e melhor em prol da modalidade?

VR: Pode continuar a investir na divulgação da modalidade, mostrar aos mais novos os valores do rugby para atrair cada vez mais jogadores.

fpEm termos de parcerias, achas que há uma ausência de ligação entre o Mundo Universitário, e dos estudos, com o rugby de alto rendimento?

VR: Acho que sim. Não é fácil conciliar o rugby com os estudos, é preciso fazer  muitos sacrifícios. Acho que podia haver um maior apoio em arranjar facilidades aos jogadores.

Uma boa placagem (Foto: João Peleteiro Fotografia)

fpFoi complicado conciliares o World Series, o Campeonato, treinos, Alto Rendimento e Estudos?

VR: Foi, sem dúvida. Para além de termos treinos bi-diários ao longo da semana, estávamos muito tempo fora. Basicamente estávamos três semanas cá, duas fora e assim sucessivamente. Não indo às aulas torna difícil ter de estudar tudo sozinho.

fpAchas que Portugal vai voltar a estar num Mundial?

VR: Se não achasse não valia a pena estarmos todos a treinar. É difícil, sem dúvida, mas com umas boas bases temos tudo para projectar Portugal para o topo.

fpQuais é que são as nossas melhores qualidades e aonde podemos ganhar aos nossos adversários directos?

VR: Somos diferentes, conseguimos atingir níveis iguais com menos recursos mas com uma vontade e confiança enormes.

fpQuais são os teus objectivos para 2017?

VR: A nível de clube ganhar, ganhar mais um título por Agronomia. A nível de Selecção XV e 7´s agarrar todas as oportunidades que tiver e a subida de divisão e apuramento para o mundial, respectivamente.

fpDeixa uma mensagem para os apoiantes, colegas e amigos da Agronomia e do rugby português.

VR: Para os meus amigos de Agronomia apenas que é um orgulho e prazer enorme jogar com eles. Para comunidade do rugby em geral espero que continuem a apoiar e dar o vosso contributo, pois é muito importante.

Vasco Ribeiro é, aos 19 anos, titular na AIS Agronomia e na Selecção Nacional. Um centro com qualidade, o seu foco e força de vontade para trabalhar todos os dias demonstram que a sua geração é o tónico que Portugal precisa para dar o salto. 

Vasco Ribeiro “quebra” os Tupís (Foto: Luís Cabelo Fotografia)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter