19 Fev, 2018

João Vasco C. Real. “Grande orgulho conseguir marcar pelo meu país. E espero que não seja o último

Francisco IsaacDezembro 10, 20177min0

João Vasco C. Real. “Grande orgulho conseguir marcar pelo meu país. E espero que não seja o último

Francisco IsaacDezembro 10, 20177min0
O 1ª linha é mais um bom "produto" da escola do CDUP e tem se afirmado pela Selecção Nacional. Fica a conhecê-lo melhor nesta Entrevista em exclusivo
João-Vasco… entrar na 2ª parte e marcar o último ensaio contra a  República Checa… qual é o sentimento de marcar por Portugal?

Estando como suplente o importante é conseguir entrar em campo e acrescentar algo positivo ao jogo e assim ajudar a equipa. Acho que foi o que os suplentes fizeram e o ensaio foi um bónus mas foi um grande orgulho conseguir marcar pelo meu país. E espero que não seja o último.

A ligação com o rugby é familiar ou houve algum amigo que te disse para ires treinar?

Entrei para o rugby, há 12 anos atrás, graças ao meu primo. Após ter sido operado ao apêndice queria fazer um desporto exigente e o meu primo já tinha começado a jogar e disse-me para ir a um treino e nunca mais deixei de ir.

O CDUP é uma escola única em Portugal? Têm algum lema ou princípio?

É sim, acho que sim, é a principal escola no Norte do país. Todas as pessoas que jogam no CDUP sentem algo de diferente, não é algo que se consegue por em palavras, sente-se.

“O verde é o nosso sangue, o verde é a nossa raça. Nós somos do CDUP e por nos ninguém passa.”

Sempre achei que o grito dos escalões jovens define um bocado o que é o CDUP, temos um grande orgulho de vestir a camisola do CDUP. Temos um grande sentimento de família e temos pessoas apaixonadas pelo clube e sempre fomos um clube que se orgulha pela sua defesa muito agressiva.

Apesar de não terem conseguido se apurar para a fase final do Campeonato Nacional, achas que num futuro próximo irão estar numa final?

Acredito que sim. Temos uma grande vontade de querer jogar esses jogos, temos também muitos jogadores talentosos, agora só isso não chega. Temos que treinar mais, melhor e ser mais consistentes nos nossos treinos e jogos.

Sempre jogaste a primeira-linha? Que conselhos podes dar a jogadores jovens que sonham em chegar à Selecção Nacional na posição de pilar?

Sempre na primeira-linha, nunca sai de lá e gosto bastante. Tem de acreditar neles próprios, realizar vários exercícios específicos para a posição, ouvir o treinador e um dos mais importantes nunca desistir dos seus sonhos.

Ainda te recordas do primeiro jogo por Portugal? Foi mais “arrepiante” ouvir o hino ou meter a primeira placagem?

Sim recordo, foi em 2016 na Alemanha. Foi um orgulho enorme cantar o hino pela primeira vez. É mais arrepiante cantar o hino, quando nos apercebemos do que tivemos de trabalhar e sofrer para ali estar, foi um misto de emoções fortes enorme. Depois de entrar em campo é confiar no que treinamos e as coisas saem naturalmente.

Fazes algum trabalho específico para estar no topo das tuas capacidades? É difícil conjugar trabalho e jogar rugby?

Como primeira-linha tento sempre trabalhar os skills que estão associados à posição, como a postura corporal nas melles, reforçar músculos do pescoço, realizar exercícios para o core entre vários outros.

Com vários treinos por semana e também com muitas deslocações para Lisboa quer para treinos da selecção quer também para jogar, é muito difícil mas não impossível. O mais importante é conseguir definir prioridades e organizar a nossa vida consoante essas prioridades.

Um CDUP de “gema” João Vasco C. Real (Foto: Filipe Monte Fotografia)

Gostavas de ir para fora de Portugal ou não está nos teus planos?

Já tive uma experiência no estrangeiro, na Nova Zelândia, e adorei e espero lá voltar um dia mas agora tenho como prioridade os meus estudos.

O rugby na região do Porto é bem trabalhado ou ainda pode ser mais dinamizado?´

Hoje em dia o rugby no Porto já está mais dinamizado que há uns anos atrás. Neste momento, o Porto só tem uma “grande” equipa, acredito que o Porto tem potencial para ter mais equipas com grande qualidade (e já começam a aparecer) para isso é necessário muito trabalho pela frente, sendo que o CDUP terá que ter um papel importante nesta dinamização.

Na temporada passada acabaste por dar uma “ajuda” ao CDUL na fase final do campeonato. Isso para ti representa o verdadeiro espírito da modalidade?

Acho que sim, foi um convite que não estava a espera e esta oportunidade também foi muito importante para mim, cresci como jogador por jogar jogos, que infelizmente ainda não tive a oportunidade de jogar pelo CDUP, das fases finais que são mais intensos e com maior pressão. O rugby é um desporto que depende muito do trabalho, compromisso e entre ajuda e acho que foi o que aconteceu neste caso.

Achas que a nossa primeira-linha é inferior a selecções como a Alemanha, Bélgica ou Espanha?

Não é inferior, acredito que a nossa primeira-linha tem muita qualidade, é necessário mais treino na formação ordenada, mas em jogo aberto não creio que sejam inferiores de todo.

Sempre foste primeira-linha ou ainda tentaste jogar noutra posição?

Sempre fui primeira-linha, gostava de ter experimentado outras posições, (por curiosidade) mas nunca me deixaram sair da 1ªlinha e acho que fizeram bem em não deixar.

Consegues contar um episódio “especial” com o CDUP ou na Selecção?

Ao longo dos anos há vários momentos que ficam connosco. Talvez quando ganhamos o primeiro campeonato sub-21, em Coimbra. Foi uma vitória muito sofrida e um ano de muito trabalho. Significou muito para mim essa conquista.

Fizeste parte das gerações do CDUP que “varreram” vários campeonatos nacionais de sub-20/23. Como se explica essas gerações vitoriosas… e ainda existe esse “talento” nos universitários do Porto?

Não sei explicar ao certo, mas acho que foi a conjugação de dois factores, o primeiro de conseguirmos ao longos dos anos manter a maioria dos jogadores e acabamos por nos conhecer bastante bem o que ajuda dentro de campo e também pelo grande número de jogadores com muita qualidade, havia uma competição interna para cada posição o que fazia que cada jogador treinasse melhor para assim conseguir jogar.

Melhor primeira-linha português de sempre? E internacional?

Joaquim Ferreira. Owen Franks.

Gostavas de enfrentar o Joe Moody na formação ordenada ou preferias parar um Mako Vunipola com uma placagem?

Indeciso mas acho que preferia formar contra o Joe Moody..

Colega de equipa que leva tudo demasiado a sério? E aquele que gosta de “animar” a equipa?

Os irmãos Macedo, o treinador diz que é touch, saem 2 ou 3 lesionados. No CDUP temos algumas pessoas com muita piada mas para escolher seria os 147 Kg de piada do Nuno Matos. (Muito engraçado vê-lo nos treinos).

Queres deixar umas palavras para o grupo do CDUP e a comunidade do rugby português?

Ao CDUP um obrigado pela minha formação como pessoa, obrigado por me ensinar o significado do rugby e muito obrigado por tudo. Sem o CDUP seria outra pessoa.

À comunidade do rugby português, temos de trabalhar em conjunto para levar o rugby português aonde queremos. Em vez de apontar defeitos e problemas, que é o mais fácil de fazer, queiram ser parte da solução e não parte do problema.

João Vasco C. Real ao serviço de Portugal (Foto: Luís Cabelo Fotografia)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter