18 Ago, 2017

PJ Van Zyl. “A combinação de todos os valores é que fazem do rugby o que é”

Francisco IsaacMarço 23, 201719min0

PJ Van Zyl. “A combinação de todos os valores é que fazem do rugby o que é”

Francisco IsaacMarço 23, 201719min0

Portugal sempre foi um país acolhedor para jogadores estrangeiros que procuram não só um futuro, mas também estabilidade competitiva e emocional. Nesse sentido, PJ Van Zyl, 3ª linha da AIS Agronomia escolheu a capital portuguesa como a sua nova “casa”. Fique a conhecer o sul-africano que já ganhou a Currie Cup e esteve em França. Uma entrevista exclusiva do Fair Play

fp. PJ, porquê Portugal? O que te fez vir para aqui?

PJ. Para ser honesto nunca pensei que jogaria em Portugal. Mudei-me com a minha família para França em 2015 para construir uma carreira no rugby. Depois de duas temporadas tive a oportunidade de vir jogar na AEIS Agronomia. Fui visitar o clube e a cidade e gostei. Para mim, Lisboa parece-se com Cape Town. Reflectimos no assunto e achámos que era a coisa certa a fazer.

Também gosto de treinar e desenvolver jovens e isto é algo em que me posso envolver em Portugal.

fp. Gostaste do tempo que passaste em França? A competição é difícil na FED1 e na FED2?

PJ. França é um país especial e como jogador pensas sempre que será a melhor época possível, mas é difícil. É uma nova língua e tudo é diferente, mas foi uma boa experiência e aprendi muito sobre mim e sobre o rugby. É tudo muito físico em França, os Invernos são chuvosos e fazem com que os jogos se tornem mais lentos do que na África do Sul, por exemplo.

fp. Que conselho tens para jovens jogadores que estão a tentar começar uma carreira profissional no rugby?  

PJ. Foquem-se nos básicos para a vossa idade, treinem as vossas técnicas e arranjem um mentor, ou o vosso pai ou alguém mais velho que esteja envolvido no desporto e que vos possa ajudar. Foquem -se nos vossos valores e nunca se esqueçam de onde vieram.

fp. Tiveste algumas dificuldades na adaptação à liga francesa ou foi fácil?

PJ. Nada de mais, se consegues levar a bola até à linha eles gostam de ti e é bastante fácil. (risos)

fp. Consegues dizer-nos um momento especial do tempo que passou em França? E na África do Sul?

PJ. Não é fácil, existem alguns… Quando ganhámos a Currie Cup em 2011 pelos Boland Cavaliers e a supertaça com a AEIS Agronomia.

Foto: Filipe Monte Fotografia

fp. Por falar em África do Sul, sentes saudades? Onde começou tudo?

PJ. Sinto mais falta das pessoas do que do país, mas a minha casa será sempre na África do Sul. O rugby para mim começou na universidade, quando jogava por prazer e depois fui seleccionado para os Lions sub-19.

fp. Porquê o rugby? Estás feliz com a vida que escolheste?

PJ. De certa maneira sempre gostei de desporto e da ideia de pertencer a uma equipa, por isso depois do meu tempo nos Juniores dos Lions 2007 voltei a casa para trabalhar e jogar por prazer no meu clube local, o Impala. Propuseram -me um contracto com os Leopards Rugby Union, por isso pode dizer-se que o rugby foi uma oportunidade que Deus me deu e que transformou-se numa grande viagem. 

fp. Jogaste na academia dos Lions em 2007. Como foi? Quão difícil é ir da Currie Cup para o Super XV/Rugby?

PJ. Joguei nos juniores e era um óptimo ambiente que partilhávamos com os seniores que admirávamos, ajudava ver a maneira como eles treinavam e isso motivava-nos. Claro que foi há uns anos e as coisas mudam, mas penso que para melhor.

O rugby na África do Sul é um trabalho, é dia atrás de dia a treinar e a ver vídeos de maneira a nos mantermos concentrados, a melhorar constantemente.

Pessoalmente ainda não joguei no Super Rugby, mas quem sabe se um dia não terei essa oportunidade. Talvez dentro em pouco, mas à parte do aspecto físico, acho que a velocidade de jogo é muito maior e a capacidade dos jogadores é tremenda.

fp. Como foi o tempo que passaste nos Boland Cavaliers? Chegaste perto das eliminatórias da  Currie Cup?

PJ. Foi uma óptima experiência, dentro e for a do campo. Em 2011 ganhámos a Currie Cup e partilhei o campo com tipos fenomenais, incluindo o Willie Le Roux, Cornell Hendricks e Rynard Landman. Para além disso trabalhar com um treinador como o Eugene Eloff, que treinou no Super Rugby e os juniores Springboks, ajudou-me a aprender mais e a desenvolver-me como jogador.

Foi nessa altura que me casei com a minha melhor amiga e mulher e isso foi a melhor decisão da minha vida, por isso o tempo que passei no Boland foi espectacular.

Em França (Foto: Arquivo Pessoal)

fp. Enquanto jogavas e tentavas construir uma carreira no rugby estudaste? Quão difícil é conciliar os dois?

PJ. Quando era mais novo não ligava muito, mas conforme fui crescendo comecei a me aperceber que é importante ter uma carreira depois do rugby, no fim do dia o rugby é apenas temporário. Estou neste momento a estudar para me tornar num treinador de condição física, de maneira a ficar envolvido no desporto.

O rugby tem tudo a ver com disciplina, por isso se consegues um bom equilíbrio entre família, estudos e treino, vai tudo correr bem na vida. É a minha opinião.

fp. Planeias ficar por cá por muito tempo?

PJ. Gostava de poder jogar por Portugal e acabar a carreira aqui. Tive a sorte de não ter muitas lesões, por isso acho que ainda consigo jogar mais uns anos.

Depois disso vou tentar contribuir para o desporto da maneira que me for possível.  

fp. Qual a tua opinião acerca da liga portuguesa? De quem gosta mais e quais são os problemas?

PJ. Eu gosto da liga portuguesa, tem uma boa competição, parecida com outras onde joguei, mas obviamente que existem boas equipas e outras que ainda se estão a desenvolver.

fp. Achas que Portugal tem a capacidade para chegar ao campeonato do mundo? E os Springboks, podem ganhá-lo outra vez ?

PJ. Se Portugal quer jogar no campeonato do mundo tem de começar a investir no rugby português, a angariar patrocinadores para ajudar os jogadores, treinadores e o desporto em geral. O rugby é como um negócio que tem de ser bem gerido e também tem de ser algo que os outros queiram fazer parte. Se Portugal conseguir esse equilíbrio acho que tem potencial para lá chegar.

fp. Falemos da África do Sul, quais as razões para as más exibições vde 2016? É um problema de liderança ou vai além disso?

PJ. Digamos que 2016 é um ano para esquecer para a África do Sul. Liderança só te consegue levar até um certo ponto, por isso não acho que isso seja o problema, acho que houve erros a nível dos treinadores, mas isso foi corrigido e 2017 será muito melhor. Apoio sempre os boks.

Foto: Miguel Rodrigues Fotografia

fp. Warren Whitley ou Duane Vermeulen? E porquê?

PJ. Joguei contra o Duane mas não o Warren, por isso não posso falar de experiência no campo, mas julgando pela habilidade geral e atleticíssimo diria o Warren, mas ouvi dizer que são os dois óptimos seres humanos. Pessoalmente gostava de ver o Warren a 8 e o Duane a 7 um dia… só por diversão!

fp. Melhor jogador que já viu jogar? E treinador?

PJ. Sempre fui fã do Kieran Read, da maneira como joga… o melhor treinador é o Eddie Jones.

fp. Só jogaste a 8 ou jogaste a outras posições?

PJ. Prefiro 8, mas posso jogar a 4 ou 7.

fp. És fã dos Bulls, Stormers ou Lions? Qual das franquias pode ir até às finais no Super Rugby?

PJ. Diria que os Lions são favoritos.

fp. De que gostas mais no rugby: placagens, companheirismo, ensaios ou uma cerveja no fim de um jogo difícil?

PJ. Acho que a combinação de todos aspectos é o que faz o rugby o que é. Fazer amigos para a vida é das coisas que valorizo mais, as lições que se aprendem ao jogar e ao se magoar também, o aprender a lidar com contrariedades e com vitórias. É um desporto maravilhoso e deu-me tanto.

fp. Depois de 20 anos achas que valeu a pena? Que mensagem deixas para os jogadores, pais, fãs?

PJ. É simples, que tenham objectivos e que tentem alcançá-lo, que aproveitem os treinos ao máximo e que tenham noção que não será sempre maravilhoso, que haverá desilusões, mas que a forma como lidam com elas fará com que fiquem mais fortes, que honrem Deus através das suas acções e que não deixem os valores de lado. O rugby enquanto carreira é temporário por isso aproveitem o tempo nas 4 linhas e as oportunidades que aparecem.

Como o treinador Eugen Eloff sempre disse nunca se esqueçam dos 5 L´S

Labour (trabalho)

Learn (aprendizagem)

Love (amor)

Laugh (riso)

Leave (sair)

Foto: Miguel Rodrigues Fotografia

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

PJ why Portugal? What did attract you to come here?

To be honest I never thought I would play in Portugal. Me and my family moved to France in 2016 to pursue a career in rugby over there, and after 2 seasons I got the opportunity from AEIS Agronomia to come and play here.

I had the opportunity to visit the club and Lisbon and really liked it from the start. For me Lisbon feels like Cape Town, we prayed about it and after that we knew it was the right thing to do.

I also enjoy coaching and the development of youngsters so it’s something I really knew I could get involved with in Portugal.

Did you like your time in France? It’s a tough competition in the FED1 and FED2?

France is a special country, as a player you think it will be the best time of your life, but to be honest it’s not easy, it’s a new language and everything is different but it was a great experience and I learned a lot about myself and rugby.

It’s very physical in France, its rainy wet winters which makes the game slower than for example in South Africa.

For young players who are trying to start a professional career in rugby, what advise can you pass on?

Focus on doing the basics right from a young age, train your skills and get yourself a good mentor, either your father or an older guy that’s been involved in pro sports to help you. Focus on your values and never forget where you came from.

There were any difficulties or problems in adapting to the French championship’s or was easy?

Well not really, if you can carry the ball and get over the advantage line, they like you and then it’s pretty easy (laughs).

Can you tell us a moment that you cherish from your time in France? And in South Africa, do you remember a special game or rugby moment?

Wow that’s not easy, there has been a few… When we won the Currie cup first division in 2011 at Boland Cavaliers and winning the super cup with AEIS Agronomia.

Talking about South Africa, do you miss it? Where it all began for you?

I actually miss the people more than the country, but home will always be South Africa. Rugby for me started at university when I played for the joy of it and then got drafted into the Lions 19 squad.

Why rugby? And are you happy with the life you chose?

In a way, I have always enjoyed playing sports and the idea of being in a team, so after my stint at the lions juniors in 2007 I returned home to work and play for fun at my local club Impala, and got offered a pro contract from the leopards rugby union, so I guess you could say rugby was a opportunity God gave me and once again it turned out to be a great journey.

You’ve played in the Lions academy back in 2007. What was it like? How hard it is to jump from the Currie Cup to the Super XV/Rugby?

I played junior rugby at the lions and it was a great environment when you share the same gym as the senior guys who you look up to, it helps to see the way they train and it motivates you, obviously, it’s been a few years ago, so things have changed, but I think for the better.

Rugby in South Africa is a job so its day after day training and video sessions to stay sharp, improve yourself and be the best you can be, and if you are at a top union it’s a perfect start to your career.

Personally, I have not yet played super rugby, who knows. Maybe soon, but apart from the physical aspect I think the speed of the game in general is a lot faster and the player’s skills are awesome.

How was your time in the Boland Cavaliers? Did you get close to the Currie Cup finals?

My time at the cavaliers was great on and off the pitch, in 2011 we won the Currie Cup first division and I shared the field with some great guys including Willie Le Roux, Cornell Hendricks and Rynard Landman just to name a few. Also, working with coach Eugene Eloff who coached super rugby and junior springboks helped me learn a lot and develop as a player.

I also got married to my best friend and special wife and that has been the best decision of my life, so Boland in general was awesome.

While playing and trying to have a professional rugby career, did you study? How hard is to combine studies and rugby?

When I was, younger I didn’t really focus on studies but as I got older I started to realize how important it is to have a career after rugby and at the end of the day rugby is just temporary.

So, I am currently studying to become a conditioning trainer so I could stay involved in sports. Rugby is all about discipline so if you can manage a good balance between studies family and training you will be ok in life. Or at least that’s my opinion.

So now in Portugal, with 28 years old, what are your main objectives for the future? Do you plan to stay here for a long time?

I would like to qualify to play for Portugal and finish my career over here, I have been blessed with no injuries so I think I can play a couple more years. After that I will give back to the game in which ever manner I can.

What’s your opinion on the Portuguese Premiership? What do you like the most and where are our problems?

I personally enjoy the Portuguese premiership, I think it’s a good competition very similar to others I have played in, obviously, there are very good teams and others who are developing.

Do you think Portugal has the ability to reach to the World Cup? And what about the Springboks, can they win it again?

If Portugal are to play in the world cup they will have to start investing in Portuguese rugby ,to get some sponsors to help the players and coaches and rugby in general.

Rugby in my opinion is like a business it has to be managed well and also be something others want to be part of, so if Portugal can get that balance I think there is enough potential and talent to get them to the next world cup.

Talking about South Africa, what are the reasons for the bad exhibitions in 2016? It’s a problem of leadership or goes beyond?

Rugby South Africa in 2016, let’s just say it’s a year we want to forget, I think leadership can only take you that far and that is why I think that is not the problem, I think SA rugby made a few errors in the coaching staff but now they have been fixed and I believe 2017 will be better. I will always support the boks.

Warren Whitley or Duane Vermeulen? And Why?

I have played against Duane but not Warren so can’t tell you about the on-field experience but by judging the players I would say Warren offers more in overall ability and athleticism, but I hear both of them are awesome human beings. Personally, I would like to see Warren on 8 and Duane on 7 one day… just for fun!

Best player you ever watched playing? And Coach?

Being a loose forward I have always been a fan of Kieran Read the way he plays and leads is something I admire… Best coach I think is Eddie Jones.

You only played as a nº8/flanker or you jumped positions?

I prefer 8 but can play 7 and 4.

Are you a Bulls, Stormers or Lions fan? Which South-African franchise can mount a serious case in 2017 in the Super Rugby competition?

Well I don’t support a specific team, I just love watching SA sides play, but coming off a good 2016 I would say the lions are favorites.

What do you like most in rugby: tackles, comradeship, tries or a good beer after a hard game (or all of it)?

I think the combination of all of these aspects makes rugby what it is, making friends for life would probably be one of the things I value most, the lessons you learn through playing and getting injured, dealing with the setbacks, losing games and winning championships. Its a wonderful game that has given me so much.

After almost playing 20 years, you think it was all worth it? What message can you send to young players, parents and fans a special message of motivation?

Well its simple, have goals and try your best to reach them, make the most of each training session and know that it won’t always be great, setbacks will come but how you deal with them will make you stronger going forward, honor God through your actions and never lose sight of your values.

Rugby as a career is temporary, so treasure the time between the 4 lines and make the most of your opportunities.

As one coach Eugen Eloff always said, never forget the 5 L´S

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