25 Set, 2017

Pedro Ribeiro. “Um título a nível europeu é sempre marcante para um miúdo de 16 anos”

António Pereira RibeiroFevereiro 15, 20179min0

Pedro Ribeiro. “Um título a nível europeu é sempre marcante para um miúdo de 16 anos”

António Pereira RibeiroFevereiro 15, 20179min0

O actual capitão do FC Penafiel aceitou o convite do FairPlay, e falou-nos sobre o seu percurso enquanto futebolista. Formado no FC Porto, emblema onde se sagraria inclusive campeão em 2003/04, Pedro Ribeiro é detentor de um currículo invejável nas selecções jovens de Portugal. Mas não se ficou por aí. Descobre como tem sido a caminhada vitoriosa deste experiente central, através da seguinte entrevista exclusiva.

fpQuais são as mais-valias que a formação do FC Porto oferece?

PR. Tirei sempre boas ilações daquele que é um dos grandes clubes de Portugal, a forma de trabalhar que é sempre diferente dos outros clubes. É claro que quando se fala do FC Porto, fala-se de uma das maiores escolas a nível nacional.

fpEntre 1995 e 2002, aprendeste a admirar os grandes centrais do clube?

PR. Nós quando somos mais novos tentamos sempre aprender com os mais velhos, são as nossas referências, até porque a nossa ideia é de estar um dia no lugar deles.

fp. Que recordações guardas do Campeonato Europeu conquistado por Portugal em 2000, pela selecção sub-16?

PR. Um título a nível europeu é sempre marcante para um miúdo de 16 anos como eu era na altura. Não só para mim mas também para os meus colegas. A nossa convivência era muito boa. Aquilo que fica na memória é a vitória no torneio. Um feito que ficará marcado para sempre na nossa carreira.

fpSagraste-te campeão nacional pelo FC Porto em 2003/04, devido a uma presença na equipa principal frente ao Rio Ave. Ainda te lembras desse jogo?

PR. Sim. Uma pessoa quando sabe que vai jogar fica sempre com aquele nervosismo, mas isso é só até ao apito, como em qualquer outro jogo. Foi bom estrear-me lá, não na minha posição habitual de central, foi como lateral-direito, mas fica para sempre marcado na nossa memória. Pessoalmente correu bem, em termos de resultado, perdemos. O mais importante foi a estreia na equipa principal, na altura com grande qualidade, que venceu títulos não só nacionais como internacionais. Estar no meio desse conjunto de jogadores de alto nível…não dá para explicar.

fpNa época seguinte, foste emprestado ao FC Marco, mas as coisas não correram bem…

PR. Tive pouca utilização devido a um problema no pulmão. Detectaram-me o problema no jogo para a Taça de Portugal contra o FC Porto. Entretanto em Dezembro voltei à equipa B do FC Porto para fazer a minha recuperação, e acabar lá a época.

fpAssim que se deu essa recuperação, decidiste deixar o FC Porto em definitivo, para assinar pelo Gil Vicente. Sentiste que estava na hora de arriscar? Sentiste alguma tristeza pela saída?

PR. Tristeza não, não vejo as coisas por aí. Quando somos jovens, chega a uma certa altura em que temos de tomar decisões. Achei melhor sair, e não estou arrependido por ter tomado essa opção. O Gil Vicente estava na Primeira Liga, antes de descer devido ao ‘Caso Mateus’.

fpAchas que a tua passagem pelo Gil Vicente simbolizou a tua afirmação como futebolista?

PR. Não diria afirmar porque na equipa B do FC Porto, embora estivesse numa divisão inferior (Segunda Divisão B), tinha vindo a jogar com regularidade. Foi apenas uma realidade diferente, fora de um clube dos ‘grandes’.

fpA que se deveu a tua mudança para o Trofense, em 2009/10?

PR. Fizeram-me uma proposta melhor. Temos que olhar para a nossa vida, e tomar decisões. Tive a oportunidade de ir para o Trofense, onde fiz dois anos bons, na minha perspectiva.

fpContudo, na Trofa falhaste a subida de divisão por muito pouco, curiosamente a favor do Gil Vicente. Ficaste arrependido com a troca de clube?

PR. Não me costumo arrepender das decisões que tomo. Se as tomei, é porque me pareceram boas na altura. Não costumo pensar muito nisso.

fpPouco depois, rumaste a Sul…

PR. Estive no C.F. “Os Belenenses”, com o José Mota a treinador. Desconhecia a dimensão do clube, não tinha noção da sua grandeza, e fiquei surpreendido.

fpE depois ainda mais a Sul…até Angola, onde representaste o Recreativo Libolo.

PR. Sim, eu tinha terminado o contrato com o C.F. “Os Belenenses”, e as pessoas do clube falaram comigo para renovar. Entretanto, durante essas férias, surgiu o convite de Angola, e ponderei com a minha família. O lado económico pesou um bocadinho, e então fui experimentar uma aventura fora do país.

fpFala-nos um pouco sobre a tua experiência em Angola.

PR. Uma realidade completamente diferente da nossa. Coisas que nós por cá não damos tanto valor como a água potável, lá aprendemos a dar. A forma de trabalhar é diferente, embora no clube onde estava notavam-se menos diferenças, porque havia muitos portugueses. Treinador adjunto, director desportivo… Comparando com outros clubes angolanos, o Recreativo de Libolo trabalhava muito melhor nesse aspecto.

fpPorque é que decidiste voltar a Portugal? E logo para o Penafiel, onde subiste de divisão na primeira época.

PR. Tinha mais tempo de contrato em Angola, mas abdiquei de estar lá, porque tinha o meu filho com 4 anos. A distância pesou muito na decisão de voltar a jogar em Portugal, mas só voltaria a jogar se fosse perto de casa. Sou da zona de Penafiel, e o clube já tinha mostrado interesse, ainda antes de rumar a Angola. Voltámos a conversar e surgiu a oportunidade. Curiosamente, no meu primeiro ano em Penafiel, formámos um bom grupo, e com a ajuda do Miguel Leal, o principal responsável pela nossa subida, as coisas acabaram por acontecer, apesar de não termos esse objectivo no início.

fpE como explicas a descida na época imediatamente a seguir?

PR. Não posso apontar apenas uma causa. Foi pelo acumular de algumas situações que as coisas acabaram por correr mal. É sempre um bocado ingrato descer na época logo a seguir à subida de divisão, mas temos de olhar para a frente.

fpQual foi o parceiro do eixo defensivo com quem gostaste mais de jogar?

PR. Gostei de jogar com todos os parceiros que joguei até hoje. Geralmente, aquilo que os treinadores tentam é arranjar uma dupla de centrais com características complementares. No meu caso, nunca senti grandes problemas.

fpEsta tem sido uma temporada tranquila para o Penafiel, quase sempre no primeiro terço da tabela classificativa. Qual é o segredo?

PR. Acima de tudo, é o bom funcionamento do grupo. Em termos pontuais estamos um bocado distantes dos lugares da subida, mas o primeiro objectivo é a manutenção e continuamos a trabalhar para isso.

fpPensas em terminar a carreira no Penafiel?

PR. Não perspectivo nada, sou um bocado supersticioso. Quanto mais planeamos a nossa vida, mais as coisas acontecem ao contrário. Neste momento estou em Penafiel, quando acabar a época logo se vê. Em termos físicos, no momento em que achar que não me sentir em condições para jogar futebol, serei o primeiro a dizer ‘Basta!’.

Seguem imagens da final do Torneio de Toulon de 2003, conquistada pela selecção nacional da qual Pedro Ribeiro fazia parte.


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