20 Out, 2017

Miguel Valente. “Aquilo que diferencia o CRÉ dos outros clubes é a amizade entre as pessoas”

Francisco IsaacMaio 24, 201711min0

Miguel Valente. “Aquilo que diferencia o CRÉ dos outros clubes é a amizade entre as pessoas”

Francisco IsaacMaio 24, 201711min0

O Clube de Rugby de Évora tem proporcionado grandes atletas aos clubes da Divisão de Honra e à Selecção Nacional como José Lima, José da Costa, Diogo Fialho, entre outros e agora, em 2017, conseguiu a subida para a Divisão de Honra. O capitão dos eborenses, Miguel Valente, explicou os processos, objectivos, desenvolvimento da modalidade em Évora e do que se trata o espírito de não desistir do CR Évora.

fpE ao fim de vários anos o Évora está de regresso à Divisão de Honra… qual é a sensação? E como o conseguiram?

MV. É uma sensação bastante especial, eu sou sénior já a 15 anos e ainda não tinha tido esse privilégio de jogar no escalão principal. Conseguimos com muito trabalho ao longo dos anos, já tínhamos ido a 5 finais e perdemos sempre, com a Académica em 2007, contra o CRAV em 2010, contra o Montemor em 2014 (nesta altura no campeonato não havia final, mas entrámos na ultima jornada apenas a 3 pontos do Montemor e se ganhássemos éramos campeões), contra a Lousã em 2015, e o ano passado contra o Montemor outra vez. Esta será a 3ª final seguida, e vem de muito esforço, trabalho e dedicação dos nossos atletas, e da nossa direcção para nos dar todas as condições para poder estar entre os melhores.

fpHá quantos anos jogas rugby e como começaste? Sempre eborense ou já jogaste em outras equipas? E qual é a tua posição em jogo?

MV. Jogo rugby há 24 anos, comecei aos 8 anos aqui no CRÉ, eu jogava à bola num clube aqui da cidade com mais uns amigos, mas raramente tínhamos jogos e cansei-me um pouco. Um dia dois amigos meus disseram-me para ir com eles ao rugby, fui e adorei, a partir dai até ao dia de hoje nunca mais larguei o rugby nem o CRÉ. Já tive algumas posições em campo, como 2º centro, ponta e arrier, normalmente jogo a 15, mas onde mais gosto de jogar é a ponta.

fpConsegues explicar o porquê do CR Évora ser um clube diferente com uma forma de estar muito característica?

MV. Aquilo que diferencia o CRÉ dos outros clubes é a amizade entre as pessoas, a maneira de estar perante o rugby e a vida. Somos todos uma família, sabemos receber toda a gente como não há igual. 

fpAlgum jogador como modelo e exemplo? Nacional e Internacional.

MV. Desde miúdo sempre admirei um jogador aqui de Évora, o Pedro Barradas, mais conhecido por “Gralha”, é uma referência para quase todos os jogadores do CRÉ pelo que ele nos transmitiu e pelo que ele deu ao clube, foi meu treinador nas camadas jovens, cheguei a ser colega de equipa dele nos seniores e também fui treinado por ele nos seniores. A nível internacional sempre gostei do Lomu, O´Driscoll mais recentemente do Dagg, George North, Sonny Bill… por ai´.

Foto: Abaçaí Imagens

fpO que é que gostavas de ter conseguido fazer dentro de campo que até hoje não foi possível acontecer?

MV. A única coisa que me falta conseguir fazer dentro do campo é ser campeão pelos Seniores e levantar esse troféu, esperemos que seja já sábado em Setúbal. De resto, posso dizer que me sinto um jogador realizado, só falta mesmo esse sonho. 

fpMelhor jogador do CR Évora e de Portugal em 2017?

MV. Melhor jogador do CRÉ é difícil escolher, este ano toda a equipa se superou, apesar de termos tido algumas lesões, todos corresponderam positivamente quando entraram na equipa. Em Portugal talvez o José Rodrigues da Agronomia, acho que fez um óptimo campeonato mas não podia deixar de falar também num grande amigo meu, o grande Zé Lima, que este ano finalmente alcançou o sonho de ser campeão e chegar ao top14 paro o ano que vem, realizou uma excelente época no Oyonnax.

fpFaz falta ter um dérbi alentejano na Divisão de Honra? Achas que é uma boa forma de atrair possíveis sponsors e promover o rugby não só localmente mas também a nível Nacional?

MV. Os dérbis alentejanos acho que atraem sempre imensa gente, há vários anos que nos defrontamos e tem sempre bastante público, basta ver a final da 1ª divisão o ano passado em que o Estádio Universitário estava cheio com adeptos do CRÉ, do RCM e não só, mesmo havendo a final do campeonato da Honra depois, acho que a nossa final em termos de publico não ficou nada atrás em relação a da Honra. Em relação aos sponsors este ano com a subida ao principal escalão esperamos atrair mais ajudas claramente, mas isso é um assunto da Direcção. 

fpEstão prontos para “aguentar” com equipas como o campeão CDUL, AIS Agronomia ou GD Direito? Ou ainda não pensaram nesse factor?

MV. Nós estamos sempre prontos para tudo, logicamente que o trabalho físico e técnico vai ter que aumentar, mas se trabalhamos há alguns anos para subir de divisão, esse vai ser um factor de maior motivação, vamos jogar contra os melhores e com os melhores aprendes sempre mais.

Foto: Abaçaí Imagens

fpComo está a vossa formação? Vai dar garantias de um futuro auspicioso? O que falta para o CR Évora conseguir passar de Campeão da 1ª Divisão para habitué da Divisão de Honra?

MV. Desde que inauguramos o nosso campo em Évora, apareceram muitos miúdos nos escalões de formação, e penso que o futuro será bastante risonho, basta ver os vários torneios a nível nacional que os nossos sub-8, sub-10, sub-12 entram, conseguem sempre ter mais vitorias do que derrotas. Se estas gerações se aguentarem como jogadores de rugby e não forem jogar para clubes de Lisboa, penso que o CRÉ tem tudo para se tornar um “habitué” na Honra, vamos torcer para que isso aconteça

fpOs seniores do Évora ajudam nas camadas jovens? Achas que têm um impacto importante neste aspecto?

MV. Sim, eu próprio nos últimos anos ajudei nos escalões mais novos e o ano passado treinei os sub-18, este ano é que não foi possível. Mas existe sempre ajuda da parte dos jogadores seniores em quase todos os escalões de formação. Os miúdos adoram ver os nossos jogos, e se tiverem a presença de alguns seniores para ajudar no seu desenvolvimento penso que os miúdos se entregam de outra maneira, e claro que adoram.

fpHá um grande apoio da Cidade ao Clube? E achas importante que haja uma comunhão entre as duas partes? Em que é que pode melhorar?

MV. Em relação a isso não me quero alongar muito, mas acho que a Câmara Municipal podia dar mais ao clube, porque estamos a representar a cidade no país inteiro. A única contribuição que tenho conhecimento da Câmara é o autocarro para alguns jogos fora, de resto não sei se contribui com mais alguma coisa.

fpO rugby nas escolas e secundárias em Évora é uma realidade ou ainda é um “Oásis”?

MV. Sei que a cerca de 2/3 anos houve essa realidade, fui com mais uns jogadores e treinadores a algumas escolas promover o rugby, e até “angariamos” alguns miúdos que hoje em dia ainda praticam a modalidade, mas penso que esse assunto devia ser mais desenvolvido cá em Évora. Hoje em dia penso que estagnou um pouco e deveria ser melhor aproveitamento

fpA 1ª Divisão correu-vos bastante bem, com um grande domínio durante toda a época. Achas que é uma divisão de rugby com qualidade? Como recomendarias às pessoas para seguirem-na?

MV. É uma divisão com um fosso grande entre 3 ou 4 equipas que lutam para subir e as que lutam para não descer, este ano fomos superiores mas mesmo assim perdemos dois jogos e tivemos algumas dificuldades em outros. Existem jogadores de varias equipas desta divisão que conseguiam entrar em qualquer equipa da divisão de Honra e mesmo até serem convocados para selecções de XV e 7´s, pena não terem a visibilidade como as equipas de Lisboa.

Foto: Arquivo do Atleta

fpMomento da época para o CR Évora? E para ti?

MV. O momento da época do CRÉ penso foi a vitória contra o Benfica em Lisboa, ganhamos por 3-51 ao segundo classificado, a equipa depois desse jogo moralizou e só já parámos na final. Mas para mim foram dois momentos, foi esse jogo contra o Benfica obviamente e o estágio que tivemos uma semana antes da meia-final, senti que no final do estágio estávamos mais unidos do que nunca e cheios de vontade de fazer história pelo nosso clube. 

fpDiz-nos quem é o placador nato da equipa? E quem gosta de ficar só com um braço no ruck invés de pôr o ombro? Existe o jogador “refilão” do Évora?

MV. A nossa equipa até gosta e sabe defender bem, mas destaco dois, o nosso 2º Centro Duarte Leal da Costa e o António Fonseca, o nosso 7, em relação à segunda pergunta existem vários (risos) não os vou enumerar para não se chatearem comigo. O mais refilão pode se dizer que sou eu, sou dos mais velhos e refilo bastante…

fpUma mensagem para as pessoas do rugby nacional e para a população de Évora.

MV. A única coisa que posso dizer é que apostem mais no rugby, transmitam rugby na TV, façam chegar o rugby a toda a gente porque o rugby é o melhor desporto do mundo. Às pessoas de Évora apenas quero pedir para que compareçam este Sábado as 14h em Setúbal e puxem por nós do inicio ao fim do jogo para juntos conseguirmos trazer o campeonato para a nossa cidade e depois fazer uma 3ª parte como mandam as regras e como só nós sabemos fazer.

Foto: Arquivo do Atleta


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