24 Nov, 2017

Gabriel Lopes. “A presença nuns JO é cada vez menos um sonho e cada vez mais uma realidade”

João BastosJunho 6, 201712min0

Gabriel Lopes. “A presença nuns JO é cada vez menos um sonho e cada vez mais uma realidade”

João BastosJunho 6, 201712min0

O Fair Play esteve à conversa com Gabriel Lopes. O nadador da Associação Lousanense de Natação, treinado por Vítor Ferreira, falou-nos sobre a trajectória ascendente da sua carreira e os planos para o futuro próximo

fpGabriel, de um nadador que lutava por pódios nacionais no escalão de juvenil a recordista nacional absoluto no escalão de seniores. Foi um longo percurso num curto espaço de tempo. Como descreves a tua carreira até agora?

GL: Até este momento, a minha carreira tem sido uma progressão contínua, tenho conseguido ter sempre uma evolução constante entre escalões, quer em treino, quer em competição.

Tenho conseguido estar em pódios nacionais. Em termos de evolução, penso que tenho conseguido progredir bem à medida que fui crescendo.

fpO último ano foi o ano da tua afirmação na natação portuguesa a nível absoluto, com destaque para a presença nos Europeus de Londres e nos Mundiais de curta de Windsor. Em todas elas tens correspondido com recordes pessoais. Como avalias estas tuas experiências internacionais?

GL: Nestes últimos anos tenho conseguido ir aos campeonatos mais importantes a nível absoluto. Tem sido muito gratificante.

Nestas primeiras vezes que tenho ido a essas competições, tem sido sempre uma experiência nova. Em 2015 fui aos Europeus de Piscina Curta, em 2016 aos Europeus Absolutos de Piscina Longa e Mundiais de Curta e agora serão os Mundiais de Longa.

Apesar de ter estado presente nessas competições, até agora tem sido sempre tudo muito novo porque é a primeira vez que participo em cada uma delas. E todas são diferentes.

Tenho aproveitado para ganhar experiência para os próximos anos.

fpE até tens essa particularidade de “experimentares” primeiro a competição em piscina curta e depois em piscina longa.

GL: Exacto. É bom porque dá uma antevisão da competição mais importante, que acaba sempre por ser em piscina longa.

fpE ainda antes disso, sentes que os Jogos Europeus de Baku foi a competição que serviu de rampa de lançamento da tua carreira internacional?

GL: Sem dúvida. No ano anterior tinha ido ao Europeu de Juniores, na Holanda, e foi a minha grande experiência internacional com nadadores da minha idade, mas em Baku foi diferente. Era uma competição muito maior, já competi em finais, estive perto de ir ao pódio…

Foi uma experiência muito boa que foi um ponto de passagem na minha carreira.

Foto: COP

fpO teu treinador contou-nos que te “picou” com um artigo nosso onde dizíamos que o record nacional da estafeta 4×200 livres em Windsor estava dependente do teu percurso. Queres aproveitar a oportunidade para nos dizer para ficarmos calados para a próxima? 🙂

GL: (risos) Claro que não. O Vítor [Ferreira] tinha-me mostrado o vosso artigo e ele estava bem escrito.

O que ele fez foi picar-me com o artigo porque também faz parte. Ele sabia que ao lê-lo eu ia ficar ainda com mais vontade de me mandar para a frente e fazer um grande tempo.

Mas não se “calem” porque vocês estavam a fazer o vosso trabalho e eu fiz o meu. (risos)

fpMas estavas à espera de tirar 5 segundos nos 200 livres, ainda para mais quando o teu record pessoal na prova tinha sido estabelecido 2 semanas antes dos mundiais?

GL: Esse tempo tinha sido estabelecido nos regionais. Ainda não estava em forma, estava a começar a sentir-me mais solto, mas ainda não estava bem.

Estava a contar fazer um tempo em linha com o que fiz, mas foi um pouco melhor do que esperava, por isso fiquei muito satisfeito.

fpO trabalho mental é muito importante para ti?

GL: Sim, o trabalho mental é fundamental na preparação de um atleta. Nós podemos trabalhar muito bem e estar muito bem preparados fisicamente para uma prova, mas se não tivermos a força mental para as encarar como elas devem ser encaradas, quando chega a hora não conseguimos transpor para a prova esse trabalho físico.

Eu considero que tenho uma preparação mental muito forte. Quando chego a uma competição importante, a qual há uma preparação específica para ela, eu consigo render e acho que isso se deve muito ao trabalho mental.

fpComo materializas esse trabalho? Chegas a uma prova e já a idealizaste e tentas fazer com que tudo saia consoante o plano?

GL: Tenho sempre uma ideia daquilo que quero fazer em determinadas provas. Sei, em determinado momento, aquilo que consigo fazer e o que não consigo fazer, por isso tento sempre recriar mentalmente a situação que irá acontecer nessa prova.

Claro que nunca sai exactamente como o plano inicial porque nunca sabemos o que vamos encontrar no local da prova em termos de variáveis que não conseguimos controlar, mas tento seguir da forma mais fiel com o aquilo que tinha previamente delineado para a prova.

Foto: Luís Filipe Nunes

fpOs teus resultados nos mundiais de Windsor foram extraordinários. Esperavas estar àquele nível?

GL: Sim. O trabalho que tínhamos feito para os mundiais de curta teve uma boa correspondência com os resultados que obtive. Foram, mais ou menos, os tempos na casa do que estava à espera.

fpEm Dezembro do ano passado dissemos que não iria demorar muito tempo até estabeleceres o teu primeiro record nacional absoluto. Só tivemos de esperar 5 meses. Como é que te sentes quando pensas que nunca nenhum português nadou 100 costas mais rápido que tu?

GL: Sinto-me muito bem, como é óbvio. Estabelecer o meu primeiro record nacional absoluto deixou-me muito feliz. Eu estava perto do record e sabia que era acessível para mim.

Bati-o nos nacionais por uma diferença de cerca de 40 centésimos. As indicações que tinha dos treinos deixaram-me confiante que ia conseguir chegar a esse máximo, mas fiquei muito feliz na mesma.

Já tinha batido recordes nacionais, mas de categoria. Mas claro que ser um record nacional absoluto é diferente, tem outra carga.

Foto: Luís Filipe Nunes

fpE essa nova realidade faz aumentar a tua responsabilidade ou é um só mais um estímulo para continuares a tua progressão?

GL: Penso que não é outra realidade porque podia não ter batido o record que continuaria a trabalhar da mesma forma, mas é um estímulo porque me indica que o trabalho está a ser bem feito.

Diz-me que devo continuar a fazer as coisas da forma que tenho feito até aqui para no futuro os resultados saírem como saíram até agora.

fpÉs recordista nacional nos 100 costas, mas é nos 200 estilos que tens o mínimo para o mundial. Em qual das duas provas está o teu principal foco de preparação?

GL: Neste momento o foco de preparação para o mundial é nas provas de costas. Eu vou nadar os 100 e 200 metros costas, uma vez que estou “tapado” nos 200 estilos pelo Alexis [Santos] e pelo Diogo [Carvalho]. Para o mundial vou trabalhar mais para as provas de costas, mas depois seguirei para a taça do mundo onde nadarei provas de estilos e por isso não posso deixar completamente de parte a preparação de estilos.

fpEste ano ganhaste um colega de treino de alto nível. Como é treinar com um nadador como o Diogo Carvalho?

GL: É diferente do que estava habituado porque eu treinava sozinho antes de treinar com ele.

Neste momento, o Diogo é mais forte do que eu nos treinos e para mim é novo treinar com alguém à minha frente. Treino com alguém que eu consigo ter constantemente como um objectivo. O Diogo representa o objectivo de tudo aquilo que ainda posso melhorar para conseguir estar a um nível superior do que estou agora.

fpNós chamámos à final dos 200 estilos dos nacionais de Coimbra “a maior promoção feita à natação portuguesa” e muito por tua culpa porque, se antes já era um privilégio assistir a um despique entre dois grandes nadadores, agora é entre três. O que significa para ti fazer parte de uma disputa que até há bem pouco tempo também assistias à distância?

GL: Adoro estar no meio desta disputa. Significa que está a haver evolução na natação e que numa prova onde havia dois crónicos candidatos a ganhá-la, agora são três e acho que isso é muito importante para a competitividade da natação portuguesa.

Eu preferia até que fôssemos mais, porque era sinónimo que teríamos de nos superar ainda mais para sermos nós a ganhar.

Sinto-me muito feliz por poder participar desses despiques com eles e, daqui em diante, vai ser algo mais comum.

Nos nacionais foram eles que ficaram à minha frente, mas em próximas ocasiões vou tentar ser eu a ganhar, como é óbvio.

Foto: Luís Filipe Nunes

fpEstamos a menos de dois meses do mundial, quais são os teus objectivos?

GL: Os objectivos passarão mais por estabelecer novos recordes pessoais, o que nos 100 costas significa bater o record nacional, mas como não vou nadar a minha prova principal, não tenho grandes objectivos em termos de classificação.

Vou desfrutar de tudo o que representa estar nuns campeonatos do mundo e vou continuar a dar o meu melhor para fazer as melhores marcas e as melhores classificações possíveis.

fpO facto de não nadares a tua prova retira-te pressão?

GL: Não creio que assim seja, porque encaro a competição da mesma prova. Estou numa prova ao mais alto nível e quero estar no meu melhor. O resto não tem influência.

fpE em relação aos Jogos de 2020, é um sonho cada vez mais real?

GL: Já para o Rio tinha ficado perto do mínimo e à medida que o tempo vai passando, estou cada vez mais perto, por isso, a presença nuns Jogos Olímpicos é cada vez menos um sonho e cada vez mais uma realidade.

fpSe neste momento esse objectivo está próximo, quando for atingido qual passa a ser o sonho por realizar?

GL: Não consigo responder agora a essa pergunta. Depois de viver essa experiência, talvez consiga. Mas é uma questão que só posso responder depois de concretizar este objectivo.

fpPara terminar, a nossa pergunta da praxe: Achas que há Fair Play na natação?

GL: Sem dúvida. Sobretudo na natação portuguesa. Não há mau ambiente entre os atletas, mesmo os que são rivais, por isso sem dúvida que há fair play na natação!

Muito obrigado em nome do Fair Play e votos de muito sucesso!

Siga o Gabriel Lopes na sua página de facebook


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter