20 Out, 2017

Francisco Bessa, “Usar a “Preta” sempre foi o meu sonho”

Francisco IsaacDezembro 13, 201612min0

Francisco Bessa, “Usar a “Preta” sempre foi o meu sonho”

Francisco IsaacDezembro 13, 201612min0

Francisco Forbes Bessa, um dos jovens mais promissores do rugby português conversou com o Fair Play sobre as suas origens, objectivos e episódios no Mundo da Oval. O capitão da Académica com só 21 anos, demonstra a vontade de ser campeão com Preta ao “peito”. Fiquem a saber tudo aqui

fp: Francisco… capitão da Associação Académica de Coimbra aos 21/22 anos. Qual é a sensação de fazer parte da História?

FB: Ser jogador sénior da Académica, para mim já é um sonho, ser capitão é um orgulho, um prazer, algo que nunca pensei que viesse a acontecer tão cedo. Embora a oportunidade não tenha surgido pelos melhores motivos, fez me crescer muito como pessoa, como colega e como líder. A História da Académica tem um grande valor para a secção e para a cidade, ter a oportunidade de fazer parte dela de um modo tão forte deixa me emocionado e motivado para que o nome seja recordado pelos melhores motivos.

fp: Diz-nos o que significa usar a camisola dos “estudantes”. Sentes um forte legado?

FB: Usar a “Preta” sempre foi o meu sonho, desde que comecei a jogar ainda com 6 anos. Usar a camisola que grandes símbolos do Rugby da Académica já envergaram, como Paulo Picão, Joao Luís Pinto, Sérgio Franco ou Zeca Pires, da me muita força de vontade para não falhar com ela vestida. Tenho muito respeito pela “Preta”.

fp: Estas três últimas épocas foram de reinício, reconstrução e relançamento da Académica como potência do rugby português?

FB: Estas três últimas épocas foram importantes especialmente para construir um bom espírito de equipa e familiarizar novos jogadores. Temos de ter em conta que a maioria dos jogadores tem 25 anos ou menos. Estes últimos anos não atingimos os objectivos traçados no início de cada época. Este ano sim, considero como uma época importantíssima para ganhar ritmos de alta competição e evoluir tecnicamente para, em primeiro lugar, lutar por uma presença no top6 português, e depois fazer realmente a diferença na próxima época e lutar pelo campeonato.

Os Estudantes ao ataque (Foto: AAC)
Os Estudantes ao ataque (Foto: AAC)

fp: Manuel Picão, Manuel Queirós, tu e quem mais fazem parte deste “sangue novo” da Académica. O que é que podemos esperar de vocês?

FB: A nossa equipa é muito jovem e cheia de qualidade. Não só estes jogadores que referiste, como também o João Diogo Silva, que já nos habituou a estar sempre entre os melhores jogadores nacionais, entre outros. se pudesse falava um por um, porque há imenso futuro! O importante aqui é frisar que, com os métodos que nos estão a ser passados pela nova equipa técnica, podem esperar grande evolução no nosso jogo.

fp: Gostávamos de “placar” o teu passado: como começaste a jogar? Houve alguém ou algo que te fez apaixonar por este “Mundo”?

FB: Comecei a jogar com 6 anos, o meu irmão já praticava na altura.. No meu colégio, havia um pai de dois miúdos de lá que era treinador. Ele conseguiu trazer para o Rugby imensos miúdos que hoje em dia, fazem ou já fizeram parte do plantel da Académica. Falo de João Cortesão. Para além disso, o meu pai sempre teve o objectivo de me pôr no Rugby, principalmente por conhecer os valores que são passados nesta modalidade, que têm imensa influência na pessoa que sou hoje em dia. Houve dois treinadores que me marcaram muito grande na minha infância/juventude, que me passaram os valores do sacrifício e do gosto pelo Rugby. Falo do Paulo Bandeira e do João Berardo! Sempre tiveram e o Paulo ainda tem, muita influência nos miúdos das escolinhas, no que toca a passar os valores do Rugby e a gostar realmente de jogar Rugby.

fp: Sempre achaste que chegarias ao escalão sénior?

FB: Sempre achei que sim, embora esse sonho se tenha perdido um bocado quando fui estudar para Lisboa com 18 anos. Ainda assim, nunca desisti de cumprir esse objectivo e como quando acabei o curso surgiu uma oportunidade para trabalhar em Coimbra, entrei logo em êxtase por poder voltar a jogar pelos pretos!

fp: Lembras-te de algum episódio do passado, dos primeiros anos, algo que te tenha marcado?

FB: Lembro-me que estava sempre a fazer birra por não querer fazer isto ou aquilo! Estava sempre de castigo com o Manel Queirós, que também começou a jogar cedo como eu, e não havia uma semana que não fizéssemos birra!(risos) É muito bom pensar nessas alturas e perceber que continuo a ter o prazer de jogar com alguns dos meus colegas “de sempre” ao meu lado.

fp: Associação Rugby do Centro, assim como a do Norte e a do Sul, foram importantes para o teu desenvolvimento?

FB: Na minha altura, o contacto com a Associação Rugby do Centro só teve influência directa na preparação do torneio entre regiões para a captação de jogadores para as selecções! Não teve grande importância directa na minha vida, mas lembro-me que fui muito feliz com a camisola da ARC vestida, concretizando um grande torneio de captação.

Sacrifício pela "Preta" (Foto: AAC)
Sacrifício pela “Preta” (Foto: AAC)

fp: Achas importante que haja um apoio dos seniores a estas associações de forma a atrair mais atletas e familiares para a comunidade da Oval?

FB: Claro que sim, estas associações são o expoente mais alto na hierarquia, logo depois da FPR! Os seniores, de qualquer que seja o clube, têm sempre a obrigação de elevar o nome do Rugby e espalhá-lo, de modo a assegurar o futuro da modalidade, num país onde ainda não há muita cultura de Rugby. Neste caso, é importante apoiarem as associações para levarem o Rugby a partes do país onde este Ainda não tenha chegado.

fp: Fizeste parte das selecções jovens?

FB: Fui “Lobo em formação” dos sub16 aos sub18. O auge desses anos foi uma participação num torneio Europeu de Elite, onde tive a oportunidade de jogar contra selecções como Irlanda, França ou Escócia. Ainda assim, tenho o objectivo de ser Lobo. Tenho de trabalhar muito e voltar a ter o rendimento que tive quando tinha 18 anos.

fp: E jogos internacionais, já te deslocaste de propósito para ver um?

FB: Já sim, fui uma vez a Roma ver um Itália-País de Gales num jogo das 6 nações! Foi uma grande experiência que pretendo voltar a concretizar no futuro.

fp: Acompanhas alguma selecção ou equipa, lá de fora, com normalidade?

FB: Sou grande fã do País de Gales, pela força e perseverança dos seus jogadores. Sou adepto também da inevitável Nova Zelândia, é sempre delicioso ver a qualidade que, ano após ano, os craques neozelandeses imprimem em jogo e vão liderando confortavelmente o ranking mundial.

fp: Que tipo de rugby mais gostas?

FB: Gosto mais de Rugby de XV, mas tenho a noção que faço mais diferença no Rugby de VII.

fp: Já viveste em Itália, durante uns meses, correcto? Chegaste a jogar rugby lá? Gostaste? Ficaste “perdido” por causa da língua ou a linguagem do rugby é universal?

FB: Não cheguei a jogar em Itália, só treinei. Tudo porque havia uma lei que só podia haver um jogador estrangeiro na equipa, o talonador dessa equipa era argentino e era contratado! Fiquei triste, mas não deixei de treinar durante grande parte do tempo de Erasmus. Tirando este ano que está a decorrer, nunca consegui passar mais que dois meses sem treinar/jogar. O Rugby corre me no sangue!

fp: Tu alinhas a centro pela Académica, podendo jogar a defesa ou ponta… mas gostavas de ter conseguido vingar em outra posição?

FB: Antes de ter o sonho de vingar noutra posição, tenho de me focar em ser o melhor na posição que faço! Ainda assim, gosto de pensar ao contrário e dizer quais as posições nas quais nunca gostaria de ter jogado, que são na primeira e na segunda linha. (risos)

fp: Há algum jogador que tomes como exemplo?

FB: Sempre admirei as características de Ma’a Nonu. Se pudesse ter um bocado das características e das suas qualidades, já era um jogador realizado! (Risos)

Uma família, uma forma de viver (Foto: AAC)
Uma família, uma forma de viver (Foto: AAC)

fp:Como capitão de uma das equipas mais emblemáticas em Portugal, podes dar um conselho aos jogadores mais jovens dos sub-12/14/16? E aos pais, tens alguma “dica” a dar?

FB: Para os miúdos, que joguem sempre para se divertirem e que acima de tudo, respeitem sempre o símbolo da Académica! Para mim tem muito significado, espero que para vocês um dia também venha a ter. Para os pais, que apoiem sempre os filhos e que os ajudem sempre a estar presentes nos treinos e nas actividades da equipa. Esta modalidade vai dar-lhes muito, e se os apoiarem, os vossos filhos serão Homens com H grande em princípio. Tenho de aproveitar esta alínea para agradecer aos meus pais, que sempre me apoiaram e continuam a apoiar incondicionalmente a concretizar os meus sonhos e a jogar Rugby. O Rugby faz parte de mim, mexe com o meu coração e com a minha vida, e se devo isso a alguém, grande parte é a eles.

fp:Maior sonho? E objectivo para 2017?

FB: Maior sonho, sem duvida ser campeão nacional pela Académica. Parece um sonho um pouco fraco, mas eu sei que o vou concretizar num futuro próximo. Não tenho dúvidas nenhumas! Objectivos para 2017, ver os meus colegas levantar uma taça (de Portugal ou campeonato). A nível pessoal fazer uma grande recuperação, para no próximo ano elevar ao máximo o meu potencial e ser campeão.

fp:Deixa uma mensagem para os apoiantes, colegas e amigos da Académica e do rugby português.

FB: Para todos os amantes do Rugby em Portugal, apoiem o vosso clube, levem os vossos filhos a experimentar a bola oval, trabalhem para aumentar a vossa qualidade como jogadores, porque no fundo o que interessa é elevar o nome do Rugby, seja de que clube for! Para os apoiantes e amigos da Académica, peço que compareçam todos ao estádio para ajudar a nossa equipa a atingir os seus objectivos, que nos apoiem incondicionalmente e que acreditem no nosso trabalho. Vamos ter uma Segunda volta muito caseira, sem vocês os jogos são mais difíceis! Queremos bancadas cheias!!

O que pode fazer um advogado contra um Estudante? (Foto: AAC)
O que pode fazer um advogado contra um Estudante? (Foto: AAC)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter