21 Out, 2017

Carlos Miguel. “No futebol actual há uma coisa que o dinheiro não compra: a cultura”

Ricardo LestreMarço 20, 201737min1

Carlos Miguel. “No futebol actual há uma coisa que o dinheiro não compra: a cultura”

Ricardo LestreMarço 20, 201737min1

Carlos Miguel Silva, jovem técnico português natural da Figueira da Foz, conta, no seu currículo, com uma experiência destacável no mundo do futebol. Assim que deu por terminada a carreira enquanto jogador profissional, Carlos, inspirado pelo FC Porto 2002/2004 de José Mourinho, seguiu pela via de treinador e não parou de acumular novas aventuras. Depois de conhecer a realidade da formação de topo em Portugal, partiu para as duas potências emergentes da actualidade (China e EUA) e partilhou, em entrevista exclusiva ao Fair Play, toda a sua visão sobre o desporto-rei.

Perfil


Nome: Carlos Miguel Simões de Carvalho e Monteiro da Silva
Idade: 31 anos
Nacionalidade: Portuguesa
Naturalidade: Figueira da Foz
Histórico profissional como jogador: GD Buarcos (1993-1996), Naval 1º de Maio (1996-2000 e 2014-2015), Sporting CP (2001-2002), Académica de Coimbra (2002-2004), FC Pampilhosa (2004-2005 e 2010-2011), UD Tocha (2005-2006 e 2012-2013), EC Bahia sub-20 (2006-2007), CD Tondela (2007-2008), Atlético de Valdevez (2008-2009), Boavista FC (2009-2010) e AD Limianos (2013-2014)
Histórico profissional como treinador: Sporting CP sub-11 (2011-2012), Dragon Force-Porto – DCAPI (2013-2014), WL Figo Football Academy sub-9 e sub-11 (2015-2016) e Global Premier Soccer sub-10 e sub-12 (2016-2017)


fpCarlos, antes de mais, gostaria de lhe agradecer em nome de toda a equipa do Fair Play pela disponibilidade demonstrada na realização desta entrevista. O seu trajecto como atleta profissional de futebol foi, de facto, notável. Como descreve a passagem, no seu processo de formação, pela Academia do Sporting Clube Portugal visto que interagiu com vários futebolistas de elite como Cristiano  Ronaldo,  João Moutinho, Miguel Veloso, Rui Patrício e Silvestre Varela? Quais as ilações retiradas na Academia que agora fazem parte do seu progresso enquanto treinador?

CM. Caro Ricardo, eu é que agradeço e é com todo o gosto que acedo ao vosso pedido.

Agradeço o elogio relativo à minha carreira de futebolista, embora creia que algo exagerado… Joguei a um nível “razoável”, que atingi com trabalho, e tenho consciência que, devido a alguns factores, alguns dos quais relacionados mais comigo outros relacionados mais com aspectos externos, poderia ter atingido mais. De qualquer forma, foi um caminho do qual me orgulho, nomeadamente pelo facto de o futebol me ter proporcionado tanta coisa, de me ter ensinado valores e princípios essenciais e transversais a tudo na vida, de ter sido sempre honesto com o futebol e por me ter proporcionado experiências que muito me influenciaram agora na visão que tenho como treinador. A passagem por uma academia de formação do Sporting foi uma dessas vivências.

Sempre fui muito observador e acho que tenho uma boa memória… Apesar de na altura não reflectir sobre isso, hoje, quando recordo, reforço cada vez mais as ideias que tenho sobre os contextos que podem ou não propiciar maior ou menor probabilidade de se atingir a elite ou não e que fazem sentido se recordar o que observei na Academia do Sporting.

Há estudos interessantes que abordam qual o trajecto dos jogadores de elite que parecem estar em concordância com as biografias dos grandes craques.

O contexto Academia Sporting não é mais que uma continuidade de um processo, processo esse que naquela geração, quer queiramos quer não, veio da rua e não de uma geração espontânea. O talento do Ronaldo (e do Messi?) é inato? Ou é algo adquirido nos contextos que vivenciou? Joguei a primeira vez contra ele num torneio sub-12 inter-associações, tinha ele acabado de chegar ao SCP e já parecia um extraterrestre. Mas de onde vinha isso? Repara, um rapaz que vivia num contexto pobre, irmão mais novo, o que fazia ele? Enquanto criança brincava e jogava na rua, horas e horas, à parte dos clubes onde esteve ainda na Madeira, onde começou a modelar o domínio do corpo, do corpo com a bola, e a aculturar o jogo em si… Sem adultos, sem treinadores!

A continuidade do processo, numa Academia, depois vai tendo contextos mais específicos que vão ser decisivos. A tendência passa a ser integrar cada vez mais tempo em contexto de treino e de competição, com níveis de exigência cada vez maiores até ao futebol sénior mas continuando a haver contextos de rua! Porque o Ronaldo e outros, serviam como ídolos aos mais novos, inspirando-os a imitarem os dribles, os freestyles, e tudo o que os ídolos faziam, basicamente. Às vezes os miúdos até “faziam fila”! Estas referências funcionavam como factor de competição e superação, proporcionando coisas novas também, muito tempo de prática com procura de se transcenderem. Era como que uma droga…

Depois existem outros fatores como o scouting. Lembro-me que o Sporting tinha uma rede de scouting maior e melhor distribuída no país, por isso iam buscar os melhores jogadores.

O contexto logístico e funcional da Academia do Sporting é outro factor. Creio que foi decisivo, visto que os residentes apenas faziam duas coisas: escola e academia, onde os tempos livres passados na Academia eram dedicados a jogar, inventar fintas e treinar por iniciativa própria. Outro factor ainda importante apesar de tudo, era o ambiente algo aberto e até “descontraído” do treino, com muito jogo e uma intervenção algo liberal por parte dos treinadores (fosse essa intervenção feita de forma deliberada ou não), o que proporcionava que os jogadores jogassem sem medo de errar.

Reforçou-me a ideia de que não são craques que nascem com um dom, mas que se desenvolvem em contextos que são decisivos e que têm timings, “doses” e particularidades distintas ao longo da carreira, desde a rua ao contexto de treino-competição.

fpNo decorrer da sua carreira profissional, o Carlos envergou as cores de vários clubes no panorama português. Quais os momentos mais marcantes vividos enquanto jogador que recorda com extrema satisfação nos dias de hoje? E as lições que leva consigo para o futuro?

CM.Vou abranger o momento mais marcante à época em que representei o Atlético de Valdevez em 2008/2009. Apesar de no campeonato também termos feito um grande trajecto, saliento o trajecto na Taça, onde fomos a grande surpresa nessa época, ao sermos a única equipa das competições secundárias a atingir os quartos-de-final. Eliminámos com distinção quatro equipas da II Liga, nomeadamente os 3 primeiros classificados (Olhanense do Jorge Costa, Santa Clara do Vítor Pereira e Gil Vicente) e praticando futebol de muita qualidade, até sermos eliminados pelo Nacional da Madeira em penáltis nos quartos, num jogo muito equilibrado e onde fizemos mais uma grande exibição.

Mas mais importante que isso, e é a ideia que quero salientar, é que tenho a certeza que isso não foi um acaso, foi muito fruto da forma como treinávamos e jogávamos, praticando um futebol ligado, combinativo e de ataque. Tudo isto foi mais uma experiência que me marcou e influenciou na forma como vejo o treino e o jogo.

Foi onde eu, jogando nas minhas sete quintas, em 1-4-3-3 como pivô (uma concepção na qual me inspirava para jogar na posição 6), mais cresci e aprendi. O treinador era o Micael Sequeira, tinha ideias e princípios semelhantes ao Barcelona, punha a equipa a jogar e com crença e não é por acaso que está hoje em 1º lugar na fase de subida, Série Norte do Campeonato Nacional de Seniores. Jogar nesse contexto foi decisivo para literalmente adquirir sensações que ficam marcadas em nós, e são decisivas depois na intervenção porque há detalhes que só vivenciando é que depois não passam despercebidos.

Depois houve outros aspectos marcantes, como a Academia Sporting e jogar com aqueles craques, o qual já referi, e também a superação dos momentos difíceis, de salários em atraso e lesões, como por exemplo uma pubalgia que me atormentou durante épocas e uma fractura num osso do pé direito aos 29 anos que demorou a ser diagnosticada e quase me fez desesperar, levando-me a parar uma época e equacionar deixar de jogar. Mas depois de a diagnosticar e decidir voltar a jogar, fui à luta. Não podia terminar carreira lesionado. Tinha de acabar por cima. Apesar da dificuldade de um jogador de 29 anos, um ano parado, em arranjar clube, a Naval (clube da minha terra e o qual estimo) acabou por me abrir as portas e voltei a jogar. Fiz 31 jogos e atingimos a manutenção. Pude aí dizer para mim próprio: “Agora podes pensar em ser treinador. O trabalho está feito”.

As lições são muitas, mas creio que estes momentos foram os que proporcionaram as mais importantes: a importância de constantemente cruzar experiências adquiridas em diferentes contextos e não aceitar que as dificuldades nos deitem abaixo e aprender com os erros.

Foto: Arquivo pessoal

fp. Paralelamente à actividade como atleta, terminou, com elevada distinção, as suas obrigações a nível académico. Em que medida é que todo o percurso desenvolvido quer na Licenciatura em Educação Física quer nos demais Mestrados (Fundación F.C Barcelona e FADEUP) transformou a sua perspectiva em relação ao futebol praticado nos dias de hoje?

CM. Uma pequena provocação: como “atleta” e não como “jogador” … Influenciou e muito. Desistir de Engenharia Electrotécnica e entrar em Educação Física foi uma decisão muito inspirada pelo momento marcante e arrasador do Mourinho naquele F.C. Porto fantástico de 2002-2004 e pela leitura da sua biografia.

Foi quando tive a certeza que queria e iria ser treinador. A partir daí, começo a chegar à leitura de outros livros mais técnicos, com referências às ideias do Mourinho e do Rui Faria e é aí que chego à Periodização Táctica do Prof.Vítor Frade (metodologia que norteia em grande parte o trabalho da equipa técnica do Mourinho), de quem o meu pai, coincidentemente, era amigo (foram colegas no antigo INEF). Para além de toda a leitura de livros com ideias de Cruyff, Rinus Michels, Sacchi, Mourinho, passei a ler muito sobre a Periodização Táctica até que decidi que tinha de a conhecer in loco e fazer a tese sobre esse mesmo tema. O Prof. Vítor Frade e o Mister Luís Castro – na altura a coordenar o Projecto de Formação do Futebol Clube do Porto (Projecto Visão 611) – acederam a esse meu primeiro estágio em 2006/2007 e, depois, a partir do Mestrado (2008), surgiu o de Barcelona, que coincidiu com o primeiro ano do Guardiola no Barça.

Entre 2007 e 2015, no âmbito académico ou por iniciativa própria, estudei e observei Luís Castro no Porto B, José Tavares, campeão nacional de sub-15 e adjunto do Mister Luís Castro, Pepijn Lijnders, actual adjunto de Jürgen Klopp, no treino de desenvolvimento técnico, João Brandão e Pedro Emanuel, campeões de sub-17, Marisa Gomes, Mara Vieira, José Guilherme Oliveira, Miguel Lopes e Mário Silva. Juntamente com o contexto de Barcelona foram influências decisivas.

Simultaneamente, tive, em Barcelona, como professor e influenciador, o Prof. Paco Seirul.lo (treinador durante muitos anos da equipa A do Barça), Mentor da Filosofia do Máster, e Manuel Lillo, adjunto de Sampaoli no Sevilha e um dos grandes influenciadores de Pep Guardiola. Em Barcelona tive ainda um professor, Mark Smith, e, através dele, conheci o Paul Ford, ambos investigadores na John Moores University em Liverpool. Estavam na altura a fazer investigações sobre o trajecto dos jogadores de elite e aquisição de perícia no futebol. Pediram-me para colaborar com eles nas investigações e fiquei responsável pela recolha de dados com os jogadores de elite cá em Portugal. Depois de publicado o estudo no Journal of Sports Science, os dados vieram confirmar mais uma vez as convicções referi na primeira questão.

Portanto, neste trajecto académico, considero que houve três pilares que fundamentaram as minhas crenças: o contexto Periodização Táctica no FC Porto durante o PV611, o contexto Máster Barcelona e a colaboração com a John Moores University de Liverpool. Eles foram decisivos na perspectiva de como vejo o futebol.

A sistematização mais formal destas ideias foi muito importante pois deu-me, à partida, uma grande clareza de ideias para depois intervir no terreno.

fpEm 2011/2012 deu início à sua primeira experiência como técnico no Sporting Clube de Portugal e depois na Dragon Force-Porto – equipas de competição e Departamento de Capacidades Individuais (DCAPI). Sente que a aplicação dos seus princípios desenvolvidos no âmbito teórico-académico surgiu o efeito desejado na prática?

CM. Vou-me cingir mais à experiência no Sporting porque foi onde tive maior grau de autonomia em termos de operacionalização e de condução de equipa em competição.

Ter tido a oportunidade logo na primeira experiência como treinador, de estar nas equipas de competição do Sporting com uma geração de jogadores que eram a elite em termos nacionais (absolutamente fantásticos) foi algo realmente espectacular e para o qual estava absolutamente focado e motivado. Também pelo facto de ter alguma autonomia operacional e poder construir algo que, à partida, já acreditava muito.

É natural quando iniciamos qualquer actividade nova, ao início estejamos ainda algo “verdes” em determinadas coisas que com a prática vamos progressivamente refinando. Contudo, o que senti nessa experiência, foi, principalmente, e que tem que ver com uma Ideia de como jogar, o seu ajustar face aos jogadores que temos e o seu processo de construção. Este aspecto estava, para mim, já relativamente bem claro e adequado.

Sugiro aos leitores darem uma vista de olhos na playlist que está disponível no meu site (www.cmvision.pt) na página case-studies para perceberem melhor o que foi o processo de desenvolvimento da nossa ideia de jogo nessa experiência no Sporting.

Tenho a certeza que o que desenvolvi no contexto mais formal das Universidades foi decisivo, também ajudado e muito pela experiência de jogador.

Foto: Arquivo pessoal

fpComparando as duas instituições, como classifica a actualidade dos escalões de formação em Portugal?

CM. Em relação ao “classificar” a actualidade dos escalões de formação em Portugal, pergunto: qual é o referencial de comparação? Bom, acho que isso é algo que importante para se poder classificar. Ok, se nos quisermos basear como referencial os resultados que as selecções têm tido ultimamente, comparando-as com as selecções de outros países, ou os rankings FIFA,  podemos chegar a determinadas conclusões e se nos basearmos noutros factores podemos chegar a outras.

Se fizermos uma análise muito rápida, podemos pensar: nós realmente estamos a ganhar nas selecções jovens, estamo-nos a apurar constantemente para as principais competições, a passar as fases de grupos e a chegar a meias-finais e finais nas principais competições. Então, se somos melhores do que os outros actualmente é porque temos efectuado um bom trabalho…

Parece-me, no entanto, que a análise deve ser um pouco mais profunda para termos em conta aspectos históricos e abrangermos uma escala temporal bem maior para percebermos o que está a acontecer ao futebol mundial e mais concretamente em Portugal. Quando me lembro da quantidade de equipas e jogadores do passado, lembro-me de um outro futebol mais atractivo, mais técnico, criativo e espectacular. Mas digo isto em termos gerais, porque havia maior quantidade de equipas a jogar melhor futebol. Agora, parece-me que são cada vez mais raras.

O facto de as selecções nacionais estarem a ganhar é resultado de que ganhamos porque temos evoluído? Porque os outros têm regredido? Pelos dois? Vamos analisar assim? Ou será que a questão principal deverá ser a seguinte: Como saber se estamos a exponenciar ao máximo aquilo que pode ser a evolução da nossa formação?

Sou da opinião que a qualidade e a “quantidade da qualidade” do futebol em todo o mundo (salvo raras excepções) tem vindo a decair ultimamente, o que é resultado de uma “evolução” do fenómeno para o negócio, dos contextos culturais, da sociais, demográficos…

Sem querer ser especulativo, deixo em aberto a minha disponibilidade para debater melhor esta questão, isto era uma discussão que dava para uma vida…

fpSetembro de 2015 foi um marco muito importante na sua jovem carreira como treinador. O que o levou a ingressar na Academia Luís Figo sediada em Guangzhou, República Popular da China? Como se originou e desenrolou todo esse processo?

CM. Esta oportunidade surgiu primeiramente através do Prof. Dr. Gomes Pereira, que foi meu orientador de Mestrado, e que me deu a conhecer o Prof. Rolão Preto que era o Director Técnico deste projecto na China. Manifestei o meu interesse e, com a ajuda e recomendação do Dr. Gomes Pereira, acabei por ter a oportunidade de ser convidado a integrar o projecto. Por estar já a ponderar terminar carreira como jogador, entendi ser uma oportunidade interessante para começar.

fpO que diferencia, propriamente, o futebolista chinês do europeu em termos técnicos e psicológicos?

CM. Apesar de ter acompanhado todo o futebol chinês e ter estado em três cidades (Pequim, Guangzhou e Zangjiakou), estive numa realidade de futebol de formação, concretamente numa academia de futebol.

Tinha uma ideia muito geral, por ter tido colegas chineses, como sendo jogadores tecnicamente evoluídos, ágeis (até pelas suas características morfológicas), humildes, concentrados com capacidade de trabalho e fácil integração (geralmente eram sociáveis e todos os outros jogadores gostavam deles).

No que se refere ao futebol de formação, a minha ideia era vaga, embora antevisse a China como uma potência de formação de futuros jogadores, pela demografia e pelo forte investimento político no futebol. Pensei que houvesse uma certa cultura de dedicação ao treino, características morfológicas e recrutamento de treinadores europeus.

Quando me deparei com a prática, repito, num contexto de uma Academia de Futebol (com miúdos entre 7 e 13 anos), no que se refere ao nível (fraco) que encontrei, não foi surpresa nenhuma. Era natural que miúdos destas idades não tenham tido experiências de jogar sem ser no contexto das academias.

No que se refere ao domínio do corpo sinceramente esperava um pouco mais, mas rapidamente percebi que as grandes cidades chinesas, apesar da relutância da China em se abrir a determinadas tendências da cultura ocidental, têm características sócio-demográficas comuns às do Ocidente, onde há cada vez menos possibilidades de os miúdos poderem desenvolver autonomamente aquilo que dantes era natural e espontâneo em termos corporais e de movimento.

Depois observei algum egoísmo, algum desrespeito por valores essenciais a uma equipa, pouca atenção. Foi de certa forma, não digo um choque, mas um grande contraste com aquilo que esperava e que estava habituado.

Ao longo do tempo, fui percebendo melhor determinados contextos mais Macro daquilo que é a cultura chinesa, o seu sistema sócio-político e educativo e de que forma isso poderia influenciar todo as suas dimensões.

fp. Teve/tem a política grande influência na forma como o futebol se desenvolveu ao longo do tempo? O que tem a dizer do forte investimento efectuado sob a recente liderança de Xi Jinping?

CM. Absolutamente. O Presidente é completamente apaixonado por futebol e toda a gente o quer seguir. Existe um bocado isso. Fala-se no sonho chinês. Quando há um sonho e se investe nesse sonho, acho que é de valorizar a atitude. Não é fácil, mas sem sonhos a vida perde sentido.

Depois repara nos jogadores que estão a ir para a China e os valores envolvidos nas transferências. Neste momento, penso que isto é um bocado de loucos. O Jackson Martínez tinha o filho inscrito na nossa academia em Guangzhou. Um dia esteve lá com o miúdo e em conversa manifestou estar um pouco triste. E imagina o dinheiro que ele não ganha. Certamente o prazer que lhe dava a jogar no Porto do Vítor Pereira não era o mesmo que lhe dava lá. Há um desequilíbrio total na economia mundial, que se reflete no futebol, e existem mercados que simplesmente esmagam outros e não permitem que os outros ousem ter melhores jogadores nas suas ligas. Muitos dos grandes jogadores acabam por ter um apelo pelo dinheiro e não pelo prazer de estar inserido num contexto que os valorize em termos de jogo.

Foto: Arquivo pessoal

fp. Agora numa vertente pessoal, como foi viver num país com língua, cultura e costumes completamente distintos do nosso país? Alguma peripécia que queira partilhar connosco?

CM. A China foi uma experiência fantástica, tanto sob o ponto de vista profissional como pessoal. Fui com mente aberta e tive de me adaptar em muitos momentos mas sabendo que manter-me fiel às minhas ideias e valores era fundamental para a missão que tinha pela frente.

É um mundo completamente diferente, mas por já ter vivido e trabalhado em muitas cidades, quer em Portugal quer no estrangeiro, não estranhei tanto. É claro que depois existiam sempre peripécias que nós chamávamos de “chinesices”.

Logo nos primeiros dias vou a caminhar no passeio e, de repente, um chinês que ia à minha frente, pára, agacha-se, acende um cigarro e fica de cócaras no passeio a fumar. É um hábito que eles têm, ficar de cócaras seja onde for. Até é uma forma de dar descanso ao corpo. Depois, têm o hábito de a seguir ao almoço simplesmente cruzarem os braços em cima da mesa onde comeram e dormir uma sesta aí mesmo.

Houve situações engraçadas, como quando perdi a carteira que me havia caído do bolso quando ia de bicicleta. Estava a ir para o Starbucks, ia trabalhar lá durante a tarde e, chegando lá, perguntei ao empregado se podia ligar para a polícia local só para participar. Vi o empregado a ligar e fiquei descansado. Entretanto começo a trabalhar, tinha um relatório para apresentar com alguma urgência e nisto entra a polícia no Starbucks, vêm ter comigo (nisto estava toda a gente a olhar para mim), começam a falar chinês, eu sem perceber nada e eles o mesmo. Eles lá falam muito mal inglês e perceberam que eu queria chamar a polícia. Eu tentava despachar os polícias a dizer que tinha de acabar um trabalho e depois passava na esquadra, mas eles continuavam a fazer-me perguntas. Felizmente o Google Translator serve para alguma coisa. Lá perceberam que tinha só queria participar a ocorrência. Mas toda a gente olhava para mim a pensava que tinha cometido algum crime…

Tenho outros episódios engraçados para partilhar. Os pais dos miúdos correrem à volta do campo, com as suas roupas normais, enquanto os miúdos treinam é algo normalíssimo. Tive de os fazer perceber que devem ficar fora do espaço de treino, mas tive de me adaptar e dar-lhes uma bola para jogarem no outro campo.

Outro episódio: fui convidado para jogar por uma equipa de futsal. Um dia tivemos jogo, vejo os jogadores concentradíssimos e prepara-se uma palestra do capitão de equipa. Reunião no banco de suplentes, jogadores equipados e tudo a fumar, capitão incluído (fumava e falava ao mesmo tempo).

Muitas foram as peripécias hilariantes devido às falhas de comunicação.

fp. Qual foi a principal intenção que levou à criação do seu site cmvision.pt?

CM. Numa perspectiva mais global, dar a conhecer melhor, “à distância de um clique”, a minha visão sobre o futebol, mais concretamente uma cultura de estar e agir perante o jogo. É o conceito básico do site, reflecte a minha visão, daí o nome CM Vision. A restante organização do site surge em função desse primeiro pressuposto. As ideias da visão surgem em função de necessidades reais do futebol actual e que tendencialmente, parece-me, continuarão a existir.

Desenvolver jogadores cada vez mais dotados tecnicamente, cada vez mais antecipativos, criativos e conhecedores do jogo é um desafio. Desenvolver um determinado tipo de jogo é outro. Estes são dos desafios do futebol actual a que me refiro e para os quais apresento através de “case-studies”, vídeo-exemplos com equipas que treinei de como me proponho a fazê-lo, porque mais que levantar problemas, é tão ou mais importante apresentar propostas para intervir.

E isso acaba por estar ligado com uma outra intenção do site, no fundo apresentar um portefólio do trabalho que tenho vindo a realizar e dar a conhecer de forma mais detalhada qual o meu trajecto, ambições, filosofia, etc.

Com o Prof. Dr. Gomes Pereira. (Foto: Arquivo pessoal)

fp. Depois da experiência na China, o Carlos decidiu juntar-se à Global Soccer Premier, clube parceiro oficial e exclusivo do gigante clube alemão Bayern Munique nos Estados Unidos e América do Norte. Será demasiado cedo para definirmos o Carlos como sendo um Globetrotter? Tenciona, no futuro, continuar a exercer as suas funções noutros países espalhados pelo mundo?

CM. Penso que não é cedo porque trabalhei como treinador em Portugal, China, Brasil (aqui também como jogador), Estados Unidos, Canadá e estive ainda durante 2 anos em Espanha no Mestrado de Barcelona. Com 31 anos, ter já estado na Europa, América do Sul, América do Norte e Ásia, é alguma coisa. Só me falta África e Oceania…

Acaba por ser uma consequência da globalização a que assistimos hoje e que está a abranger sobremaneira o futebol. Este fenómeno, ainda por cima tendo vivido nesses contextos, tem-me feito reflectir sobre aquilo que o futebol se está a tornar.

Já na minha segunda vez no Brasil tinha tido essa sensação (e estas duas últimas experiências no estrangeiro reforçaram-me essa crença): não acredito muito que a Europa Central não continue a ser o centro do futebol de topo durante os próximos 20 anos porque há uma coisa muito forte e que o dinheiro não compra: a cultura.

É este sentimento de cultura e paixão que vivemos cá que senti muita falta, daí decidir regressar a Portugal. Tenho agora outras ambições que passam por atingir o futebol profissional. Estou à procura do meu espaço. Posso começar por integrar uma equipa técnica de um clube profissional começando como adjunto ou preparador físico por exemplo, ou iniciar um projecto próprio como treinador principal numa liga amadora, pois estou habilitado para ser treinador principal no Campeonato Nacional de Seniores.

Não fecho as portas ao estrangeiro neste momento, mas terá de ser um desafio ambicioso e que valha a pena e não algo que, caso regresse, as pessoas não saibam o que fiz ou onde estive. Neste momento estou mais focado em apanhar esse comboio.

fp. Como classifica o futebol em Boston? Fale-nos sobre a sua experiência nos Estados Unidos e Canadá.

CM. O futebol nos EUA, tal como nos outros desportos, já está estruturalmente e organizado de acordo com a coerência e objectivo do sistema há algum tempo. E esse objectivo é regido por um lema “se dá dólar é bom”. Não tenho dados para comparar, mas em Massachussets e em New Hampshire (dois Estados de New England que pude conhecer mais de perto), já há, no futebol de formação, um considerável número de clubes e praticantes, ligas escalonadas em diferentes níveis e não há subidas nem descidas de divisão. As equipas de formação, em função da avaliação feita do seu nível, vão para a divisão onde há em melhor enquadramento competitivo, podem ser reajustadas e ir para outras divisões a meio da época caso se verifique uma discrepância competitiva. O número de níveis competitivos também é maior à medida que se sobe de escalão, sendo que entrar nas equipas do College Soccer é a grande e principal ambição dos jovens jogadores norte-americanos, pois terão os estudos pagos. Pareceu-me que não é propriamente a principal ambição atingir a MLS, até porque os salários e perspectiva de carreira não são grande coisa.

A nível profissional, há um clube a disputar a principal liga, o New England Revolution na MLS.

O futebol, apesar de estar a crescer e a ficar mais popular é ainda uma modalidade secundária, depois do Basebol, Futebol Americano e Basquetebol. Há ainda falta de treinadores qualificados para abranger a quantidade de clubes que já existem. A crescente popularidade do futebol e as necessidades existentes ao nível do desenvolvimento deste estão, parece-me, a ser aproveitadas com um intuito prioritário de fazer dinheiro à custa do futebol e não centrar a acção no desenvolvimento de futebolistas norte-americanos, pelo que me parece estar a ser subaproveitado.

Relativamente à minha experiência, foi mais uma oportunidade para evoluir como treinador. Passar por outro tipo de desafios, não só a nível do futebol mas também culturais. Foi um período intenso, de muito trabalho, onde desempenhei para além das funções de treinador, funções de Coordenação no Departamento de Sports Performance do clube que exigiram de mim estudo, pesquisa, aplicação prática noutro campo importante e extremamente específico como é o campo da metodologia do treino e recuperação funcional pós-lesão.

Por outro lado, como treinador, a GPS incentivava muito aos treinadores com funções administrativas, como por exemplo participarem na inscrição de jogadores junto nas ligas, comunicação próxima com os pais (apresentar relatórios de jogo e orientações logísticas para os jogos a disputar), planear itinerários para deslocações fora… Passava horas a conduzir numa mega cidade como Boston. Às vezes passava 4 horas por dia a conduzir. Incrível! Mas claro, com GPS…

Outro dos desafios foi ter de observar jogos de outras equipas para recrutar jogadores. Não havia um departamento de scouting e os treinadores eram responsabilizados por esse tipo de tarefas. Foi desafiante.

No que toca à cultura e sociedade, fiquei de facto espantado com a quantidade de capital daquela gente. Só grandes carros, casas boas… Enfim. E nós cá andamos a “penar”.

Mas numa esfera maior, a minha experiência nos EUA e Canadá engrandeceu-me por perceber a sociedade do país mais influente no mundo e a sua influência em tanta coisa que nos toca. Alertou-me, sobretudo, para perceber qual o meu rumo no futebol. Senti muita falta da nossa cultura de futebol, principalmente. Era difícil ver jogos por causa da diferença horária e da carga de trabalho, por isso agora que regressei tenho-me desforrado e aproveitado para ver muitos jogos de ligas variadas e estudar algumas equipas.

Foto: Arquivo pessoal

fp. Muitos referem-se à falta do ‘futebol de rua’ nos EUA como justificação para o não aparecimento de grandes futebolistas norte-americanos. Concorda com esta leitura?

CM. Repara, o não existir o futebol de rua é uma realidade que não é só nos Estados Unidos. É hoje uma realidade também cá na Europa. Neste momento só em África e talvez alguns contextos na América do Sul, ainda existe futebol de rua próximo do que ele era antes. Mesmo no próprio Brasil, apesar do fenómeno futebol de rua ainda estar bem presente nas favelas e nos contextos mais pobres de algumas regiões, cada vez mais a tendência nesse país é haver uma aproximação da realidade da europeia e americana. A prática desportiva e a formação de futebolistas passar pelos clubes e pelas escolas de futebol, num regime pago, em que há interesses de negócio e de imagem (agradar aos pais por exemplo), torna os miúdos sobreagendados e, resumindo, acaba por não haver tempo. E era o tempo que dantes havia em todo o contexto do futebol de rua.

Acho que se o desaparecimento do futebol de rua é uma realidade dos dias de hoje e do futuro. Há desafios para os clubes. Conseguir transportar as características contextuais da rua para o treino é decisivo e isso, quer queiramos quer não, terá sempre como ponto de partida uma coisa que é o jogo! Não são os cones e as “pistas de aeroportos” e as abordagens sectorizadas das etapas e das fases que se faz na grande maioria das escolas de futebol. Nos Estados Unidos, pelo que meu deu a perceber, também acontece em muitos dos clubes. Este para mim é o principal desafio.

No entanto, não esqueçamos que para emergir algo espontâneo da paixão pelo jogo é preciso uma cultura que leva gerações a construir, onde são precisas referências, como nós temos cá o Ronaldo e outros… Depois vejo algumas coisas em que fico um bocado apreensivo, nomeadamente o modelo de negócio montado à volta dos principais desportos e o qual o soccer se está a adaptar.

fp. Apesar do crescimento exponencial do número de atletas norte-americanos a praticar o ‘soccer’, parece que a qualidade dos atletas não tem acompanhado essa tendência, pelo menos ao mesmo ritmo. Os resultados das selecções jovens norte-americanas são reflexo disso mesmo. Que trabalho é que não está a ser feito na formação dos jovens?

CM. Não sei como está o nível das gerações jovens actualmente, nem estou por dentro do projecto de desenvolvimento do futebol nos EUA a longo prazo, mas acho que a prioridade deveria ser primeiro criar a paixão nestas gerações e rever seriamente o caminho a seguir nos clubes dentro da ideia que expus anteriormente.

Não posso nem devo generalizar, porque não conheço de perto a realidade de todos os clubes, mas parece-me que em muitos casos há um olhar sectorizado na abordagem do treino e uma exacerbação do lado atlético em detrimento do lado técnico e táctico. Sinceramente não acredito que isso também não se passe cá, mas nós temos uma coisa que inevitavelmente leva a resultados diferentes: temos a cultura e as referências, o que leva a que os miúdos aos 3 anos já estejam com uma bola de futebol, enquanto que lá é uma de basquetebol ou futebol americano. Na ponderação, isto depois acaba por pesar muito mais.

fp. Quem considera ser o melhor treinador da actualidade? Quais os motivos?

CM. É difícil responder a isso. Depende que critérios definimos para eleger o melhor treinador. Resultados? Como põe a equipa a jogar? Consistência de resultados em diferentes clubes/ligas? Parece-me que é importante contextualizar.

Para mim o grande treinador é aquele que conseguir potenciar ao máximo a sua equipa e os seus jogadores. E se há um treinador que, por alguma razão, ainda não teve a oportunidade de estar num grande clube, mas consegue fazer isso no contexto em que está, deixa de ser um grande treinador e comparável aos treinadores que ganham a top? Não quero entrar em utopias, mas acho que por um lado se deve fazer essa contextualização.

Segundo, e de volta aos critérios, para mim um treinador será tanto melhor quantos mais desses critérios conseguir conjugar de forma consistente.

Falando dos mais conhecidos e, circunscrevendo-me não só à actualidade, mas também a outros que marcaram o jogo e contribuíram decisivamente para a sua evolução, aqueles que mais me inspiraram foram Cruyff, Mourinho e Guardiola, três extra-terrestres, três lendas, porque foram três treinadores que marcaram um impacto enorme no jogo nos respectivos tempos. E refiro primeiro o Cruyff, não só por ser justo homenagear esse visionário (assim como o Rinus Michels), mas também porque os referidos “romper” do Mourinho e Guardiola, são muito influenciados. Tenho a certeza pelas ideias do Cruyff pois foi alguém que marcou uma diferença no jogo como jogador e treinador. Sim, o próprio Mourinho, apesar do padrão das suas equipas ultimamente ser diferente, marcou a sua diferença no jogar do FC Porto em ideias de jogo muito baseadas no Cruyff. Isso está documentado em entrevistas suas e foi bem visível na forma como o FC Porto jogava. Por coincidência ou não (e isso é uma provocação que deixo), aliado à originalidade e upgrade como reeditaram esse jogo, ganharam os títulos que sabemos.

Na história recente, Mourinho e Guardiola são dois treinadores com uma Liderança com “L grande”, um carisma enorme, cada um com o seu estilo, mas ganharam de forma consistente já em diferentes equipas e campeonatos. O Mourinho em mais ligas (quatro), o Guardiola em duas.

No que toca ao jogo, não vi, até hoje, nenhum futebol igual aos “futebóis” que o Barça foi apresentando nos 3 anos do Guardiola lá. Não vi um outro treinador com uma ideia tão forte pelo que, com base no que foram os anos no Barça e Bayern (vamos ver no City), considero esse futebol, a essência do futebol/futebol do futuro e, no que confere ao jogo, não o vejo de outra forma. Se conseguir o desafio de não só conseguir vencer, mas conseguir voltar a vencer com esse futebol de forma consistente, temos que lhe tirar (ainda mais) o chapéu.

Esses são os motivos. Tem que ver com o facto de ganharem a seguir um caminho que valoriza o jogo em que acredito: de ataque, de domínio, um jogo ligado, combinativo, jogando em bloco e de forma equilibrada. São todos padrões essenciais para se jogar bem e ganhar.

Depois há outros treinadores que também por exibirem muitos desses padrões me têm levado a estudá-los e segui-los. Neste momento mais o Conte, Sampaoli e o Thomas Tuchel.

Treinadores portugueses dos que acompanhei melhor, por terem estado mais tempo em Portugal e/ou por terem deixado uma grande marca mesmo que tenham estado pouco tempo, para mim foram o Jorge Jesus, André Villas-Boas, Paulo Fonseca e Marco Silva pelo acrescento de qualidade táctica que trouxeram ao jogo.

Num panorama mais verticalizado, há dinâmicas ofensivas muito interessantes no jogo de Jardim e estou a procurar seguir um pouco mais de perto o Paulo Sousa. Do que vi gostei imenso.

fp. Por fim, que diria o Carlos aos demais colegas que ambicionam uma nova etapa longe de Portugal?

CM. Se for algo que realmente possa ser interessante, e uma forma de atingirem os vossos sonhos, se não assumirem o risco de tentar nunca saberão se seriam ou não capazes. Ficar algo apreensivo nestas situações é algo que se sucede normalmente, mas percebemos depois de passar pelas experiências que não faz sentido nenhum. É uma descoberta, uma experiência e o resultado dela depende de como a interpretamos. Senti que depois de cada experiência fora, as seguintes eram mais naturais que a anterior, pelo que no meu ponto de vista não se deve ter medo de ir. Às vezes agarramo-nos a crenças limitadoras que não são mais do que isso: crenças. Que se podem reverter.

Mas senti também que há uma coisa que não podemos renegar nunca: a nossa cultura, o nosso país e o nosso futebol.

Foto: Arquivo pessoal

A equipa do Fair Play vem, por este meio, agradecer ao Carlos Miguel pela disponibilidade e gentileza demonstradas no decorrer da entrevista. Aproveitamos, do mesmo modo, para lhe desejar as maiores felicidades na sua vida pessoal e profissional.


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