20 Fev, 2018

Bruno Rocha. “Quero ajudar a Selecção a chegar ao patamar onde merece estar!”

Francisco IsaacNovembro 21, 20177min0

Bruno Rocha. “Quero ajudar a Selecção a chegar ao patamar onde merece estar!”

Francisco IsaacNovembro 21, 20177min0
O pilar do Técnico falou da recuperação da lesão, de regressar à selecção e do quão importante é o rugby na sua vida nesta entrevista em exclusivo
Bruno, qual é o teu e do técnico objectivo para esta nova temporada? Estás completamente recuperado da lesão e com vontade de voltar à Selecção Nacional?

Em primeiro lugar, o meu objectivo passa por recuperar a 100% de modo a conseguir ajudar o Técnico a cumprir os nossos objectivos principais que são, alcançar as fases finais da Divisão de Honra e Taça de Portugal. É grande, a vontade de voltar sim, não só à selecção, mas aos relvados no geral.

A tua lesão acabou por estragar a tua “saída” para Espanha…mas ainda retiraste algumas ilações da tua estada em Madrid? E gostavas de voltar a sair de Portugal para jogar rugby?

Não há muito a dizer, fui muito bem recebido, fiz grandes amizades e tive a oportunidade de conhecer outra realidade. A nível de rugby, pareceu-me muito mais profissional que Portugal no que diz respeito à estrutura dos  clubes e campeonato, mas a nível de jogo não havia muita diferença entre o nosso top 6 e o deles. Resumindo, era uma boa oportunidade e não correu bem, já ultrapassei essa fase. Enquanto lá estive pensei no que realmente queria para mim e voltei com novas prioridades, não excluo a hipótese de sair, mas neste momento não é uma delas.

Como começaste a jogar rugby? Há alguma história de “Origem” que merece ser contada? E qual foi a tua primeira impressão da modalidade?

Em 2006, após ver um torneio de 7’s na TV, e tendo em conta que era ligeiramente obeso, pensei que seria boa ideia experimentar a modalidade. A minha primeira interação com a mesma, aconteceu no Belenenses, clube que frequentei durante 3 semanas, eventualmente saí por dificuldade na intrusão com a restante equipa.

Mais tarde em 2007, a modalidade decidiu dar-me uma 2º oportunidade, desta vez no Técnico, até aos dias de hoje.

Como explicas esta ligação com o Técnico? O que faz dos “engenheiros” um clube especial?

A ligação com o Técnico é algo difícil de explicar, lembro-me de algo dito há uns anos pelo Artur Conceição, e passo a citar: “Não sei se gosto de rugby, sei que gosto mesmo é do Técnico”. Acho que é uma frase que resume bastante bem o meu percurso no técnico, clube que me deu ferramentas e amigos para a vida, uma segunda casa, uma família.

Sempre quiseste ser 1ª linha? Ou há outra posição que gostavas de ter podido jogar?

Sinceramente não, sempre adorei a minha posição e o trabalho a ela afeto, é duro, mas extremamente recompensador.

Explica aos jovens pilares que trabalho de “casa” é que têm de fazer para atingirem o patamar mais alto cá em Portugal?

Acho que o mais importante é desfrutar do jogo com os nossos amigos, enquanto jogarmos por prazer, tudo o resto fluirá e virá por acréscimo.

Sempre conseguiste conciliar estudos com o rugby? Que sacrifícios já tiveste de fazer para estar ao mais alto nível?

Foram alguns os sacrifícios feitos ao longo destes anos, com 6 a 7 treinos por semana, aulas todos os dias, trabalho e jogos. Poucas foram as horas dormidas.

As digressões internacionais pesaram muito em algumas semanas, resultando em ausências tanto no trabalho como nas aulas, estas ausências traduziram-se depois em reposições de horas no trabalho e noites sem dormir em prol do estudo, tornando-se assim muito difícil conciliar as 3 actividades.

Nesta altura foi preponderante a organização e a força de vontade, de modo a conseguir representar tanto o país como o clube, e tal como muitos atletas em Portugal, este “mindset” ajudou-me a estabelecer e a alcançar algumas metas. Este ano será mais complicado, uma vez que integrei um mestrado estando a trabalhar, será novamente um desafio conciliá-los com o Rugby mas só me dará mais gozo.

Achas importante a inclusão de estrangeiros nas equipas portuguesas? Quais são as vantagens que trazem?

Acho extremamente importante, a inclusão de estrangeiros no rugby Português por dois motivos.

Primeiro estes vêm transmitir às equipas muitos conceitos para nós desconhecidos, contribuindo assim para a evolução do clube num todo bem como dos seus jogadores.

Segundo, estes vêm preencher algumas lacunas criadas nos clubes pela falta (nalguns casos) de praticantes/iniciantes da modalidade. Neste caso, é impreterível a vinda de estrangeiros, o que acaba por ser benéfico para o campeonato, tornando-o mais desenvolvido e competitivo.

E Selecção Nacional… tens saudades de cantar o hino? Vais conseguir voltar a vestir a camisola das Quinas?

Tenho bastantes saudades de cantar o hino. Espero poder voltar a vestir a camisola. O meu objectivo é chegar pelo menos às 50 internacionalizações e ajudar a selecção a chegar ao patamar onde merece estar!

Como foi a tua estreia? Tens recordações de alguma placagem ou de algum episódio no teu 1º jogo oficial?

Uma estreia pela selecção do nosso país por si só já é um marco importante, principalmente contra as Ilhas Fiji. É uma sensação inexplicável e uma grande responsabilidade podermos estar ao lado de lendas do rugby mundial.

O único episódio de que me lembro foi da 3ª parte em que os jogadores cantaram “Noqu Masu”, uma experiência para mais tarde recordar.

Teu melhor jogo por Portugal? E recordações de estágios ou digressões fora de Portugal?

Todos foram algo especiais, mas o que gostei mesmo de jogar foi contra a Namíbia em 2014, onde conseguimos uma impressionante vitória de 29-20, um jogo duro mas de enorme gozo.

Com quem mais gostaste de jogar na primeira-linha? E com que treinador aprendeste mais sobre rugby?

João Lobo, Ricardo Marques  e Carlos Lopes, há mais de 6 anos que jogo com estes três na primeira-linha, são pessoas e jogadores com que me identifico bastante, e verdadeiros irmãos.

É difícil escolher, neste caso escolheria dois, Kane Hancy e Taione Vea. Para além de excelentes jogadores, foram também óptimos  treinadores e amigos. Consigo trouxeram conhecimento, que foi uma grande mais-valia para o técnico, fazendo com que passássemos de uma equipa que disputava os últimos lugares, para uma que, há 4 anos consecutivos, disputa as fases finais do campeonato.

Tens alguma forma de pensar especial para o rugby? Como é que interpretas a pressão de entrar em campo e garantir uma boa exibição?

É difícil lidar com a pressão, mas concentro-me só em fazer o meu trabalho da melhor maneira possível em prol da minha equipa.

Umas perguntas mais rápidas: jogar à ponta 80 minutos ou formar a segunda-linha durante dois jogos?

Formar a segunda-linha.

Segunda-linha que pior formou em ti? E o melhor?

A meu ver, segunda-linha é uma posição que requer uma grande preparação física e mental, agressividade e espirito de sacrifício, portanto, nessa perspetiva, não há “piores”.

A melhor, Francisco “chiki” Dias e Gonçalo Faustino. O meu amigo Fernando ”Fanã” Almeida encaixava aqui na perfeição também.

Super Rugby ou English Premiership?

English Premiership.

Owen Franks, Dan Cole ou Sekope Kepu?

Dan Cole.

Primeira-linha com quem gostavas de formar contra: All Blacks, Springboks ou Argentina?

Argentina.

A maior “personagem” do Técnico? E o que se dedica mais?

A maior “personagem” é sem dúvida o Filipe “Pipo” Bruto da Costa e Gonçalo Faustino o mais dedicado,

Queres deixar umas palavras para o rugby português e aos “mabecos” do Técnico?

Demonstrem o vosso apoio mesmo nos maus momentos.

Foto: Luís Cabelo Fotografia


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