22 Out, 2017

Arquivo de Triatlo - Fair Play

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João BastosJunho 19, 20175min0

O cenário idílico de Kitzbuhel foi o palco dos Campeonatos da Europa de Triatlo, entre os dias 16 e 18 de Junho. As atracções para os adeptos lusos da modalidade eram muitas…e as expectativas não saíram defraudadas

À partida para a prova que coroaria os novos campeões da Europa, havia uma certeza e uma dúvida. A certeza que os portugueses João Pereira e João Silva partiriam no lote dos favoritos à vitória final, mas que o grande candidato seria o líder do mundial, Fernando Alarza. A dúvida seria o estado de forma de Vanessa Fernandes nesta sua primeira abordagem a uma competição internacional.

Começando pelas senhoras, Vanessa não teve o regresso que certamente desejava. O lançamento da prova na natação foi extremamente rápido, com a britânica Jessica Learmonth a fazer o que já tinha ensaiado na última etapa do mundial, ou seja, a sair disparada na natação, mas desta vez a conseguir sair destacada na frente.

Este ritmo na natação provocou cortes, deixando a penta-campeã da prova sozinha no ciclismo. Como é seu timbre, e mesmo não se apresentando nas melhores condições, Vanessa assumiu que faria a perseguição a solo no segmento de ciclismo, mas momentos antes de iniciar os 10 km de corrida finais, cedeu e abandonou a prova.

Quem já não cedeu foi Learmonth, ao contrário do que tinha sucedido em Leeds, quando pagou caro o ritmo imposto na natação. Desta vez formou um trio no ciclismo com a sua compatriota Sophie Coldwell e com a italiana Alice Betto (que tem estado em boa forma) e deixaram a decisão dos lugares do pódio para a corrida. Learmonth viu recompensada a sua estratégia e sagrou-se campeã da Europa de elites. Coldwell completou a dobradinha para a Grã-Bretanha e Betto repetiu o 3º lugar da etapa de Leeds.

Foto: European Triathlon Union

Ainda nas senhoras, mas na categoria de juniores, destaque para as duas portuguesas que cumpriram a prova na distância de sprint. Gabriela Ribeiro conseguiu um bom 15º lugar, tendo em conta que competia com triatletas dois anos mais velhas e Mariana Vargem foi 41ª classificada, numa prova ganha por outra britânica: Kate Waugh.

Se no sector feminino as britânicas dominaram, no sector masculino foi outra potência do triatlo a ter a primazia. E provavelmente há poucas outras modalidades onde este país é uma potência. Falamos de Portugal!

O nosso país, particularmente no sector masculino, tem tido uma afirmação na modalidade estrondosa. Muito por culpa dos Joões (Pereira e Silva) e de Miguel Arraiolos que completa o triunvirato. Os três formam um verdadeira geração de ouro, que nesta prova ficou mostrado que terá continuidade.

O dia 17 de Junho de 2017 ficará guardado na História da modalidade como um dos dias mais felizes para as cores lusas. 

Por ordem inversa dos acontecimentos, começamos com a prova de elite. Os três triatletas portugueses já citados, acompanhados de Pedro Gaspar, partiram para a prova de Kitzbühel, sabendo de antemão que Silva e Pereira partiriam no lote dos candidatos à vitória (como partem em todas as provas), e que a mais forte oposição deveria vir dos espanhóis: Fernando Alarza e Vicente Hernandez seriam os nomes com maior cartel para contrariar as pretensões portuguesas.

Como tantas outras provas, Richard Varga saiu na frente da água, seguido pelos irmãos Polyanskiy. Pereira e Silva partiram logo a controlar Hernandez (o melhor nadador entre os dois espanhóis) e à saída da natação levavam uma vantagem interessante de 30 segundos para Alarza, vantagem essa que se dilataria no ciclismo.

Com cerca de um minuto de avanço no início da corrida, Alarza já não representaria perigo para os portugueses, apesar de ser um corredor fortíssimo (mas Silva e Pereira também são). No segmento de corrida só o francês Raphael Montoya teve pernas para os portugueses, sendo o único que ameaçava a dobradinha lusa.

O final foi disputado ao sprint com João Pereira a superiorizar-se aos adversários, sagrando-se Campeão Europeu de Triatlo pela primeira vez na carreira, e Montoya a intrometer-se entre os portugueses no pódio.

Veja o fantástico sprint que valeu ouro a João Pereira a.k.a. Puras:

O sucesso português em terras tirolesas não se ficou por aqui e Vasco Vilaça fez o pleno para os homens portugueses, sagrando-se Campeão Europeu de Juniores. O triatleta do Benfica fez um segmento de corrida extraordinário para bater ao sprint o espanhol Javier Lluch e o húngaro Csongor Lehmann.

Menção ainda aos restantes portugueses em prova: Na prova de elites, Pedro Gaspar foi 40º e Miguel Arraiolos desistiu. Na prova de juniores, Tiago Fonseca foi 14º, Duarte Brás foi 19º, Ricardo Batista foi 24º e Tiago Pinto foi 39º classificado.

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João BastosJunho 12, 20177min0

O mundial de Triatlo chegou à Europa. Leeds foi o palco da 4ª etapa do circuito e viu estrear o campeão olímpico Alistair Brownlee no circuito, que liderou uma equipa britânica que, a jogar em casa, deu boa conta de si

O mundial está ao rubro! Quer no sector feminino, quer no masculino, as dúvidas quanto à liderança são mais do que as certezas.

Certeza mesmo é que já todos os candidatos se mostraram…e mostraram-se em boa forma. Em Leeds a armada espanhola não se fez representar na sua máxima força, deixando em terra o líder do circuito, Mario Mola, e o vencedor da primeira etapa, Javier Gomez.

Também na prova feminina se registou uma ausência de peso, a vencedora das duas primeiras etapas, a neozelandesa Andrea Hewitt.

Quanto a presenças, a grande nota de destaque vai para o regresso do campeão olímpico, Alistair Brownlee, que este ano se tem dedicado ao triatlo de longa distância.

Portugal vinha com os seus triatletas mais cotados fazer o teste final para os Europeus do próximo fim-de-semana: João Pereira, João Silva, Miguel Arraiolos, David Luís e Melanie Santos apresentaram-se em prova na cidade britânica.

Foto: Janos Schmidt

A dobradinha do costume

A jogar em casa, os britânicos surgiram com os seus melhores argumentos, entre os quais os irmãos Brownlee, que não fizeram por menos e deram à etapa de Leeds o desfecho que já se viu outras tantas vezes.

Como também se vê praticamente em todas as vezes que os irmãos estão em competição, o eslavaco e companheiro de treinos dos Brownlee, Richard Varga, veio para a frente na natação, na tentativa de deixar para trás triatletas que pudessem incomodar mais à frente.

Os manos não viram grande problema no facto de não se terem produzido grandes clivagens na natação porque assim que subiram às suas bicicletas trataram de o fazer.

Os dois fizeram um autêntico contra-relógio sentenciando esta etapa muito cedo. Quando começaram o segmento de corrida já tinham mais de um minuto de avanço para toda a gente, o que para o nível de corrida dos britânicos era sinónimo de que iriam disputar a etapa entre si, depois de um passeio a pé por Leeds.

Atrás vinha um grupo de perseguição que contava com o número 2 do ranking à entrada para esta prova, o espanhol Fernando Alarza, acompanhado por mais dois britânicos: Thomas Bishop (que já fez 2º lugar na 1ª etapa do mundial) e Adam Bowden.

Alistair não quis esperar pelo sprint e largou Jonathan a cerca de 1 km da meta, caminhando confortavelmente para a vitória na primeira etapa do mundial que faz.

Fernando Alarza fez o melhor segmento de corrida entre todos os presentes e ocupou o lugar mais baixo do pódio, mas, mais importante que isso, passou a liderar o mundial, trocando de lugar com o compatriota Mario Mola, sendo o terceiro espanhol a liderar o ranking, este ano.

Quanto aos portugueses, excelente prestação de João Silva que terminou no 7º lugar, batendo ao sprint o francês Pierre Le Corre. Este desempenho permitiu a Silva subir 26 posições na hierarquia mundial, estacionando agora no 17º lugar geral.

Foto: Janos Schmidt

Miguel Arraiolos voltou a pontuar pela segunda etapa consecutiva, produzindo o seu melhor desempenho do ano. Foi 25º em Leeds, amealhando 123 pontos, subindo 6 posições até ao 57º lugar.

David Luís também teve um bom desempenho. Teve um excelente segmento de natação, como é seu hábito, e terminou a prova no 36º lugar final-

João Pereira não foi tão feliz, sendo obrigado a desistir no segmento de ciclismo.

Nas contas do mundial, os espanhóis continuam em grande. Mantém os três primeiros postos e viram Vicente Hernandez entrar no top-10.

Fonte: World Triathlon Series

Bis para Flora Duffy

À quarta etapa, o mundial feminino de triatlo está bipolarizado em termos de vitórias em etapas e está super renhido em termos de classificação.

Se nas primeiras duas etapas (Abu Dhabi e Gold Coast) a neozelandesa Andrea Hewitt não deu hipótese à concorrência, agora é Flora Duffy que está imparável e desde que voltou à competição ainda não perdeu.

Depois de em Yokohama ter superado a concorrência, esperando 2 minutos para que chegasse a segunda, em Leeds terminou a prova com 1:30 de avanço, mostrando-se muitos furos à frente das rivais e mostrando que já não é só em cima da bicicleta que faz as diferenças. No segmento de corrida foi a mais rápida, apesar da vantagem que já levava.

A prova começou a correr de feição a Duffy logo no tiro de partida. A britânica Jessica Learmonth impôs um ritmo forte na natação que Duffy conseguiu seguir mas que deixou em apuros muitas das candidatas como Non Stanford, India Lee (o que evidencia que as britânicas não foram jogar em equipa, ao contrário dos homens) e Ashleigh Gentle.

A partir daí, Flora estava como queria. Não esperou por ninguém no ciclismo e apenas três triatletas conseguiram seguir na roda: Taylor Spivey (EUA), Maya Kingma (Holanda) e Alice Betto (Itália). Nenhuma das três deveria ser grande ameaça para a triatleta das Bermudas e, de facto, assim que Duffy meteu os pés no chão, ficou sozinha e correu triunfante para a sua segunda vitória consecutiva no circuito mundial.

Taylor Spivey (2ª) e Alice Betto (3ª) bem podem agradecer a Duffy o trabalho feito no ciclismo que as possibilitou ficar no pódio, apesar de terem perdido muito tempo na corrida para a 4ª (Kirsten Kasper) e sobretudo para a 5ª (Ai Ueda).

Foto: Janos Schmidt

Melanie Santos, regressada de lesão, teve um desempenho que a própria assumiu ter ficado longe do que esperava. Foi última entre as triatletas que terminaram, mas há que ter em conta que apenas 21 terminaram e 11 desistiram ou foram dobradas.

Nas contas do mundial tudo está em aberto. Kirsten Kasper (EUA) assumiu a liderança, subindo duas posições e relegando a sua compatriota Katie Zaferes (que não fez esta etapa) para a segunda posição. As vencedoras das etapas estão em 4º (Andrea Hewitt) e 6º (Flora Duffy). Spivey e Betto lograram entrar no top-10 depois desta etapa.

Fonte: World Triathlon Series

O circuito segue em Julho na Alemanha, na cidade de Hamburgo, mas já para a semana temos o Campeonato Europeu que decorre na cidade austríaca de Kitzbühel e que tem grandes atractivos para os adeptos portugueses como o regresso de Vanessa Fernandes à alta competição.

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João BastosMaio 14, 20176min0

A terceira etapa do Mundial de Triatlo disputou-se no Japão, na cidade de Yokohama e viu o espanhol Mario Mola ascender ao comando do campeonato, liderando um pódio 100% espanhol

Yokohama foi a cidade sede da terceira etapa do Mundial de Triatlo. Depois das etapas de Abu Dhabi e de Gold Coast, Andrea Hewitt chegava ao Japão com uma liderança confortável, motivada pelas duas vitórias nas duas etapas anteriores. Javier Gomez partia como líder masculino, mas menos folgado que Hewitt.

A etapa nipónica viu estrear-se no circuito deste ano dois fortes candidatos à vitória final: a actual campeã do mundo Flora Duffy e o actual vice-campeão do mundo Jonathan Brownlee. A triatleta das Bermudas e o britânico tiveram sortes diferentes.

As cores portuguesas foram defendidas por João Silva e Miguel Arraiolos.

Foto: Delly Carr

Duffy demolidora

Regressada de lesão, Flora Duffy não podia ter um melhor regresso no início da defesa do seu título. Numa prova decorrida à chuva, a sua maior capacidade no segmento de ciclismo foi decisiva.

Um duo de britânicas (Jessica Learmonth e Lucy Hall) abriu as hostilidades desde o início, liderando todo o segmento de natação, imprimindo um ritmo forte, como prova o facto da habitual líder deste segmento, a espanhola Carolina Routier, apenas ter saído no 13º lugar da água.

Flora Duffy posicionou-se muito bem, ao contrário de Hewitt que perdeu logo 1 minuto só na natação. Katie Zaferes (EUA) não perdeu tanto tempo como Hewitt, mas os 40 segundos de desvantagem para as da frente poderiam ser preponderantes, tendo em conta o que previsivelmente iria acontecer no ciclismo.

E assim aconteceu. Flora Duffy não perdeu tempo e partiu o pequeno pelotão que se tinha formado no início do segundo segmento. Apenas uma terceira britânica, Sophie Coldwell, conseguiu seguir com a campeã.

Atrás seguia um grupo de 10 triatletas, onde estava Zaferes, Hall e Learmonth, mas não estava Hewitt.

Quando Duffy e Coldwell começaram a correr, já tinham 1:21 minuto sobre Zaferes, mas nem por isso a bermuda facilitou. Coldwell – que no passado dia 1 de Abril venceu a Taça da Europa, em Quarteira – cumpria a sua primeira prova no mundial no escalão de elite e na distância olímpica e pagou pela inexperiência, deixando logo Flora Duffy isolada na dianteira da prova.

Duffy impressionou também na corrida e acabou a prova com uma vantagem de quase dois minutos sobre a segunda classificada, que acabou por ser mesmo Katie Zaferes. A fechar o pódio ficou outra americana, Kirsten Kasper, que mesmo sofrendo uma queda na entrada da área de transição para a corrida, conseguiu chegar ao pódio.

Foto: Facebook Flora Duffy

Sophie Coldwell acabou por ficar com o amargo 4º lugar, mas foi a rookie, de apenas 22 anos, que fez a melhor classificação da equipa britânica que trazia nomes consagrados como Vicky Holland (5ª), Non Stanford (7ª) e Lucy Hall (11ª).

Hewitt foi apenas 23ª classificada, o que fez com que perdesse a liderança do mundial. Zaferes passou para o primeiro lugar do circuito, resultado da sua consistência ao longo das etapas – 7ª em Abu Dhabi, 4ª em Gold Coast e 2ª em Yokohama.

Kasper, para além do pódio na etapa, também ascendeu ao pódio na classificação geral do circuito.

Fonte: Triathlon.org

2ª seguida para Mario Mola

Depois de um mau arranque em Abu Dhabi, onde foi apenas 8º classificado, o espanhol Mario Mola está definitivamente de volta à forma que evidenciou no ano passado, nesta fase do circuito, e que se revelou decisiva para o seu título.

A etapa de Yokohama trazia para o circuito mais um forte candidato ao título mundial, o britânico vice-campeão mundial e olímpico, Jonathan Brownlee, que se tinha lesionado pouco tempo antes da primeira etapa do mundial.

O mais novo dos irmãos Brownlee não tem sido bafejado pela sorte e nesta sua primeira etapa da época ficou arredado da luta devido a uma queda de um triatleta que seguia à sua frente no ciclismo e que também levou Brownlee ao chão.

Jonathan até pareceu vir com vontade de afrontar a invencível (este ano) armada espanhola e saiu da natação no primeiro lugar. Não cravou grandes diferenças mas permitiu-lhe fazer uma transição menos atribulada para o ciclismo, já antevendo os problemas que a chuva iria causar no início do segmento.

O grupo seguiu compacto, com cerca de 30 triatletas onde seguiam todos os favoritos – Mola, Gomez, Alarza, Brownlee e Schoeman – e não houve grande história até à queda de Jonny, mesmo antes da 2ª transição. O britânico não desistiu e correu com a bicicleta até ao parque de transição, mas já estava completamente fora da discussão da prova.

No segmento de corrida, foi o sul-africano Henri Schoeman que assumiu as despesas do ataque aos espanhóis, liderando o pelotão. Conseguiu vitimar Javier Gomez, mas Mola não estava pelos ajustes e foi embora, cortando a meta no primeiro lugar com 8 segundos de vantagem para o segundo lugar, discutido entre Alarza, Blummenfelt e Schoeman. A ordem na chegada foi precisamente essa, penalizando o sul africano que ficou fora do pódio, depois de ter sido o que mais fez por deixar para trás os espanhóis.

No ranking mundial, Mario Mola tirou o compatriota Javier Gomez do primeiro lugar, baixando este para terceiro e subindo Fernando Alarza para o segundo posto, num top-3 exclusivamente espanhol.

Fonte: Triathlon.org

Relativamente aos portugueses, Miguel Arraiolos fez os primeiros pontos para o ranking mundial, terminando no 36º lugar, conseguido depois de um segmento de corrida de bom nível. João Silva não se qualificou por ter sido dobrado no ciclismo.

A próxima etapa disputar-se-á em Leeds, a 10 e 11 de Junho e está a gerar muitas expectativas aos adeptos portugueses por poder ser a prova de regresso de Vanessa Fernandes, que simbolicamente pode regressar aos palcos internacionais no dia de Portugal.

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João BastosAbril 9, 20177min0

A segunda etapa do Mundial de Triatlo foi disputada na Gold Coast australiana, na distância de sprint (750 metros a nadar, 20 km a pedalar e 5 km a correr). Apesar desta ter sido apenas a 2ª de 9 provas, no sector feminino já se regista uma tendência

A Austrália foi o segundo dos 9 palcos por onde passará o Mundial de Triatlo 2017. Depois da etapa de Abu Dhabi ter consagrado Javier Gomez e Andrea Hewitt como grandes vencedores, a etapa de Gold Coast tinha a particularidade de ser disputada na vertente de sprint, o que favorece tritaletas como Richard Murray e desfavorece outros, como o próprio Gomez.

Portugal apenas se fez representar com um triatleta: João Silva.

Foto: Triathlon.org

2 em 2 para Hewitt

A neozelandeza está a fazer um início de época fantástico e, este ano, o circuito mundial ainda não conheceu outra vencedora que não Andrea Hewitt.

Até este ano, Hewitt apenas tinha vencido uma etapa do Mundial na sua carreira e tinha sido em 2011, em Auckland. Com estas duas vitórias consecutivas, está provado que estamos perante uma nova e renovada Andrea Hewitt.

À semelhança de Abu Dhabi, esta etapa voltou a não contar com muitos nomes capazes de disputar a vitória, como a campeã olímpica Gwen Jorgensen e a campeã mundial Flora Duffy, que continua a não defender o seu título.

Também a vencedora do ano passado, a britânica Helen Jenkins, não esteve presente e assim, das quatro primeiras classificadas do ano passado (Jenkins, Jorgensen, Hewitt e Duffy), apenas a neozelandeza estava presente, tornando-a na principal favorita.

No entanto, no ano passado esta etapa disputou-se em distância olímpica, o que poderia aumentar as hipóteses de outras triatletas para este ano que se competia na distância de sprint.

Andrea Hewitt na conferência de antevisão da etapa de Gold Coast | Foto: Triathlon.org

Sendo 1,5 km ou 750 metros a nadar, a história do segmento da natação nas provas internacionais é sempre a mesma. A espanhola Carolina Routier vai sempre sair em primeiro lugar da água e as americanas vêm logo a seguir.

E assim foi, Sarah True e Summer Cook saíram logo depois de Routier, sendo as indicadas para fazer o jogo de equipa no segmento de ciclismo. É que as americanas traziam aqui nada mais, nada menos do que 7 triatletas, sendo que Katie Zaferes era a mais cotada, pelo que seria espectável que as restantes fizessem jogo de equipa para ela.

No entanto (e como é normal nas provas de sprint), praticamente todas as atletas conseguiram seguir no pelotão principal do ciclismo (Sarah True acabou por descolar).

No segmento decisivo, foi a triatleta da casa, Ashleigh Gentle que mais perto esteve de contrariar o favoritismo de Hewitt, mas a neozelandeza levou a melhor, conseguindo até vencer de forma mais confortável do que em Abu Dhabi.

Foto: Tommy Zaferes

Na classificação do mundial, Andrea Hewitt lidera confortavelmente com 1600 pontos. São mais 462 pontos que a segunda classificada, Katie Zaferes, que nesta etapa foi quarta classificada. A japonesa Ai Ueda fecha o top-3.

Mola volta a vencer na Gold Coast

Mário Mola é campeão do mundo em título e no circuito do ano passado cimentou a sua vitória final no sucesso das primeiras etapas. O ano passado (como Hewitt este ano) venceu as duas primeiras etapas, mas este ano não foi tão feliz em Abu Dhabi, tendo-se classificado em 8º.

Em Gold Coast “emendou a mão” e voltou a subir ao lugar mais alto do pódio.

Para a Austrália, a armada espanhola trouxe a sua máxima força com Mola, Gomez e Alarza que podiam muito bem fazer o pleno no pódio, mas antes tinham de eliminar uma verdadeira pedra no sapato: Richard Murray.

O sul-africano é um adversário temível em qualquer distância, mas na vertente de sprint torna-se ainda mais perigoso.

Tendo isso em conta, o companheiro de selecção de Murray, e bronze olímpico, Henri Schoeman imprimiu desde logo o ritmo no segmento de natação. O problema é que se a natação é de longe o pior segmento dos espanhóis (exceptuando Javier Gomez que não tem segmentos maus…nem transições más), também é o pior de Richard Murray.

Schoeman foi assim o primeiro a sair da água, com Gomez a sair 7 segundos depois, com Murray a 22 segundos de distância e com Mola e Alarza a saírem 6 segundos depois de Murray.

Foto: Delly Carr

Apesar do esforço de Schoeman, tal como nas senhoras, o pelotão seguiu compacto e sem cortar os favoritos para um segundo grupo. Infelizmente cortou João Silva, o nosso único representante, que integrou um grupo de quatro e hipotecou aí as suas aspirações a uma boa classificação.

Com a decisão da prova a encaminhar-se para o sector de corrida, os quatro favoritos começavam a medir-se. Em teoria, Fernando Alarza seria o menos favorito, Murray tem sido aquele que se tem exibido em melhor nível na corrida, Gomez o que mais vezes se superiorizou aos demais na corrida e sobre Mola recaíam as maiores dúvidas, dado que ainda não se tinha mostrado ao seu melhor nível esta época.

A dúvida consubstanciou-se em certeza e de uma forma que para muitos, certamente, configurou surpresa. Mário Mola impôs-se na corrida como poucas vezes vimos, tendo em conta os contendores.

O espanhol, de 27 anos, superou o sul-africano no sprint final, vencendo com 4 segundos de avanço. Fernando Alarza completou o pódio, superando um Gomez que, apesar da vitória em Abu Dhabi, ainda está em subida de forma depois da lesão contraída em Julho do ano passado.

Foto: Delly Carr

Nas contas de um mundial que ainda não viu estrear os irmãos Brownlee, a disputa está mais renhida que no lado feminino, com Gomez a contabilizar 1433. Richard Murray subiu três posições e é agora segundo classificado com 1326 pontos. Alarza é terceiro, com 1318.

Com esta vitória, Mário Mola ascendeu à quarta posição, subindo quatro lugares. Apesar de não ter participado nesta etapa, João Pereira continua a figurar no top-10, fechando-o, precisamente. Recordamos que para a classificação final contam as 5 melhores classificações nas 8 etapas da ITU World Triathlon Series, mais a Grande Final.

Fonte: WTS Triathlon

O mundial continua em Yokohama nos dias 13 e 14 de Maio, sendo a última das três etapas da fase Ásia/Oceania, seguindo depois para as duas etapas europeias (este ano, a final é em Roterdão, pelo que as três etapas europeias são descontinuadas).

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João BastosMarço 5, 201712min0

O Mundial de Triatlo voltou e com ele também voltou Javier Gomez Noya, o azarado espanhol que ficou fora dos Jogos Olímpicos do Rio. Abu Dhabi marcou o arranque do circuito que percorrerá quatro continentes até Setembro

Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro dos 9 palcos por onde passará o Mundial de Triatlo 2017. A etapa árabe foi marcada por muitas ausências, mas também por alguns regressos.

Para as cores nacionais, foi uma prova onde se pôde ver os nossos atletas já a um nível bastante interessante para esta altura crepuscular da temporada.

Mario Mola e Flora Duffy não iniciaram da melhor forma a defesa dos seus títulos. Duffy, então, não iniciou de todo. Mas, certamente, ainda vamos ver ao longo do circuito o que os dois campeões mundiais em título são capazes de fazer.

Hewitt vence ao sprint

Como já falado, Flora Duffy não alinhou à partida da prova de Abu Dhabi, mas houve mais ausências de relevo na start list, sendo a mais notada a da campeã olímpica em título, Gwen Jorgensen, que deixou a representação americana a cargo de um quinteto de luxo composto por Sarah True, Katie Zaferes, Kirsten Kasper, Summer Cook e Renee Tomlin.

Também a britânica Helen Jenkins, sempre candidata, optou por não participar, mas a armada britânica nunca está desfalcada e apresentava outras candidatas como Jodie Stimpson e India Lee.

Outra das ausências foi (ainda) a de Vanessa Fernandes, que anunciou recentemente o regresso à competição e já estava inscrita nesta primeira prova, o que indicia que o seu regresso em pleno estará para muito breve.

Vanessa Fernandes anunciou o regresso à competição no passado dia 27 de Fevereiro | Foto: Lusa

A prova começou como tantas outras começam, com a espanhola Carolina Routier a vir para a frente na natação e a fazer a principal despesa dentro de água até ao parque de transição para o ciclismo.

À saída da água, as americanas Sarah True e Katie Zaferes vinham muito bem posicionadas (como também é apanágio das americanas).

Pedalando no autódromo de Abu Dhabi, o grupo mais restrito que seguia na frente rapidamente se deixou apanhar pelo pelotão mais numeroso que seguia atrás.

Por volta dos 20 km de ciclismo, Sarah True desiste e Zaferes passa ao ataque, voltando a fragmentar o pelotão, formando-se um grupo na frente formado pela americana, pelas australianas Gillian Backhouse e Charlotte McShane, pela italiana Alice Betto, pela japonesa Yuko Takahashi, pela holandesa Rachel Klamer, pela austríaca Sara Vilic e ainda pela neozelandeza Andrea Hewitt e pela britânica Jodie Stimpson, as duas que representavam as mais fortes ameaças às aspirações de Zaferes.

E na verdade foram as duas que passaram imediatamente ao ataque no segmento de corrida, deixando em dificuldades a americana que tanto tinha forçado no ciclismo para as deixar para trás.

A meio do segmento de corrida de 10 km, o pódio começava a definir-se quando Hewitt, Stimpson e Vilic deixam para trás Klamer, a última resistente do grupo de nove que começou a correr junto.

Sara Vilic também não viria a aguentar durante muito mais tempo o ritmo das duas triatletas mais cotadas.

A 50 metros da meta, Stimpson – que tinha sido a mais empenhada durante a corrida em ir encurtando o grupo – parecia ter tudo encaminhado para iniciar o circuito com uma vitória (como tinha feito no ano passado), mas num sprint final “do outro mundo” foi Andrea Hewitt que levou a melhor, conseguindo a vitória mesmo em cima da linha de meta.

Veja e impressione-se com o recta final da prova:

Hewitt sofreu uma experiência pessoal, há cerca de um ano e quatro meses, absolutamente traumática. O seu treinador e marido, o francês Laurent Vidal – um dos melhores triatletas do pelotão internacional, que por problemas cardíacos deixou a competição em 2014 e dedicou-se ao treino da neozelandesa – faleceu em Novembro de 2015, vítima de ataque cardíaco.

No final, uma Hewitt emocionada, dedicou a vitória a Laurent Vidal…que certamente lhe deu um empurrãozinho naquele final de prova!

A neozelandesa começa assim o circuito mundial da melhor forma. Ela que no ano passado foi 6ª no final das 9 etapas, mas que este ano quererá, certamente, melhorar essa posição.

Já Jodie Stimpson tinha ganho esta etapa em 2016, mas desta vez teve de se contentar com a prata.

Sara Vilic fechou o pódio, chegando 7 segundos depois das duas primeiras.

Veja o resumo da prova feminina:

Gomez volta ao seu lugar habitual: o primeiro

Tal como a prova feminina, também a prova masculina foi pautada por várias ausências, com a dos irmãos Brownlee a ser a mais notada (Jonathan lesionou-se poucos dias antes da etapa).

Mas a nota dominante não foi das ausências, mas sim das presenças. O maior vencedor de sempre de etapas do Mundial, Javier Gomez Noya, estava de regresso, depois de se ter lesionado o ano passado, a apenas um mês do início dos Jogos Olímpicos, o que o retirou da luta pelo ouro no Rio de Janeiro.

Fonte: MundoTRI

Gomez vinha liderar uma armada espanhola de luxo, composta também por Mario Mola, actual campeão do WTS e vencedor desta etapa em 2016 e Fernando Alarza, 3º classificado no ano passado, no final do circuito.

A probabilidade da primeira prova internacional do ano ser ganha por um espanhol era grande, mas o trio tinha de se preocupar com fortes rivais, nomeadamente Richard Murry (África do Sul) que este ano já se tinha mostrado em boa forma em provas no seu país.

Sem Richard Varga em prova (o habitual animador na natação), foi o francês Aurelien Raphael que impôs o ritmo…e que ritmo!

Durante o segmento de natação, Raphael chegou a andar completamente isolado, mas na saída da água já o medalha de bronze do Rio, Henri Schoeman e o russo Igor Polyanskiy tinham conseguido recolar ao francês.

No entanto, os estragos estavam feitos e o pelotão seguiu para o ciclismo completamente fragmentado. Na frente seguia um grupo composto por 10 elementos, onde seguia Gomez mas não seguia nem Mola, nem Alarza, nem Murray, o que começava, desde logo, a abrir expectativas animadoras para o espanhol, que passava a ter em Henri Schoeman e Vincent Luis os seus potenciais maiores adversários na corrida (se é que há adversários à altura do espanhol na corrida).

No entanto, na última volta do ciclismo, o grupo perseguidor, liderado por Murray, Mola e Alarza conseguiu inverter o que já parecia definitivo, recuperando o minuto de desvantagem que tinha para o grupo da frente, vindo baralhar as contas da prova.

Nem se pode considerar que os perseguidores estavam com um desgaste superior a Gomez, já que o espanhol assumiu muitas das despesas na imposição do ritmo, na frente da prova.

Mas como Javier não sabe correr de outra forma, veio para a frente ao km 0 do último segmento e com ele só levou o britânico Thomas Bishop e o sul-africano Henri Schoeman (que só aguentou 3 km ao ritmo de Gomez – 3 min/km).

Mais atrás, vinha-se formando um grupo perseguidor de luxo: Murray, Mola, Alarza e o português João Pereira, quatro excelentes corredores que vinham paulatinamente a recuperar posições.

A três quilómetros do fim, Gomez cansou-se da companhia de Bishop e desferiu o ataque final, que o levou tranquilamente até à sua 13ª vitória em etapas do Mundial de Triatlo.

Thomas Bishop chegou 14 segundos depois e Vincent Luis conseguiu chegar ao bronze, resistindo à aproximação de Fernando Alarza, que foi o mais rápido em prova no segmento de corrida.

Veja o resumo da prova masculina:

A prova dos portugueses

Abu Dhabi foi a prova de melhor memória para as cores nacionais em 2016, já que foi a única onde Portugal conquistou um pódio, por intermédio do 3º lugar de João Silva.

Este ano o feito não foi repetido, mas houve bons apontamentos por parte da comitiva portuguesa:

A primeira a entrar em acção foi Melanie Santos, que até começou bem no segmento da natação, saindo da água num segundo grupo, a 40 segundos do primeiro, lado a lado com as três triatletas que terminaram no pódio.

O problema veio no ciclismo. O forte ritmo do grupo onde seguia, que queria apanhar as fugitivas o mais rapidamente possível, obrigou-a a desistir por volta do 16º km. Não foi a estreia no circuito deste ano que Melanie desejaria, mas foi certamente uma etapa muito útil para a jovem do Benfica retirar ensinamentos tácticos para futuras etapas.

Foto: Unspot Design

Na prova masculina, João Pereira conseguiu um excelente 6º lugar. Ele que tinha perdido o comboio da frente na natação e seguiu no ciclismo no 2º grupo, mas mais uma vez fez um segmento de corrida em crescendo, tendo sido mesmo o quarto mais rápido em prova, nesse segmento, cumprindo os 10 km em 31 minutos e 25 segundos.

Ficou à frente de nomes como Mario Mola ou Henri Schoeman.

Foto: Triathlon.org

Já a João Silva a prova não correu da forma que tinha corrido em 2016. Foi ainda mais surpreendido na natação do que João Pereira e ficou num terceiro grupo do ciclismo, onde não rolavam grandes referências e a distância para a frente foi aumentando significativamente.

No entanto, na corrida, Silva puxou dos galões e imprimiu um ritmo muito forte (foi o sexto mais rápido na corrida). A diferença para os restantes grupos já era grande, o que não o permitiu fazer uma grande recuperação em termos de classificação. Quedou-se pelo 19º lugar final.

Pódio de 2016 com João Silva no 3º lugar | Foto: Triathlon.org

O terceiro português foi Miguel Arraiolos que seguiu no grupo de João Silva até ao início da corrida. Fez uma prova bastante regular, evidenciando que é já um triatleta mais maduro e experiente neste tipo de provas. A natação continua a ser o grande calcanhar de Aquiles de Arraiolos, ficando a expectativa sobre o que ele poderá fazer numa prova em que o ritmo imposto nesse segmento não seja tão alto.

Classificou-se no 27º lugar, subindo 6 pontos em relação à classificação nesta etapa em 2016, amealhando 105 pontos para o ranking WTS.

Foto: Facebook Miguel Arraiolos – Triatleta

O jovem David Luís, de apenas 21 anos de idade, tinha feito a sua estreia em etapas do Mundial no ano passado na Grande Final de Cozumel.

E nesta sua segunda participação quis mostrar serviço e começou a prova com um ritmo muito forte, conseguindo seguir no grupo da frente da natação, e na frente se manteve durante quase 8 km no ciclismo, mas o ritmo de 40 km/h em que o grupo da liderança seguia tornou-se insuportável para o português, que após estabilizar o seu ritmo, instalou-se no 33º lugar da classificação geral. Lugar que ocupou durante toda a corrida e onde acabou na classificação geral final. Uma estreia promissora para o jovem português.

Foto: Carlos Maia

Filipe Azevedo fechou o quinteto português. À semelhança de David Luís, também se tinha estreado em etapas da Mundial em Cozumel, sendo este o primeiro circuito integral que cumpre.

Nos Emirados Árabes Unidos o azar foi parceiro de Azevedo que no final da primeira volta do ciclismo se viu envolvido numa queda que o forçou a abandonar.

Foto: Clarisse Henriques

As World Triathlon Series seguem agora para a Gold Coast australiana, disputando-se a segunda etapa nos dias 8 e 9 de Abril.

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João BastosFevereiro 27, 20172min0

O Mundial de Triatlo começa já no próximo fim-de-semana na capital dos Emirados Árabes Unidos. Depois do ano olímpico, este ano as atenções dos melhores triatletas mundiais voltam-se para o circuito composto por 9 etapas

As ITU World Triathlon Series estão de volta!

Depois de 2016 ter consagrado o espanhol Mário Mola e a triatleta das Bermudas, Flora Duffy, como campeões do circuito, este ano os motivos de interesse do Mundial são mais que muitos.

Se no ano passado os Jogos Olímpicos levaram muitos triatletas a optar por disputar menos etapas, ou fizeram-no longe da sua melhor forma, este ano o circuito mundial será a grande aposta de todos os que tiverem hipóteses de o vencer.

Alistair Brownlee (GBR) e Gwen Jorgensen (USA) partem com o estatuto de campeões olímpicos e têm de ser encarados como favoritos. Mas atenção ao regresso do espanhol Javier Gomez Noya que falhou os JO por lesão.

Do lado português, há vários pontos de interesse. Nos homens, a participação olímpica de João Pereira leva a crer que o caldense está, ano após ano, mais próximo do topo da hierarquia mundial; João Silva foi o único português a alcançar o pódio de uma etapa na Taça do Mundo em 2016 mas abdicou da competição assim que assegurou a qualificação para o Rio; Miguel Arraiolos continua a sua escalada no ranking Columbia Threadneedle – o ranking mundial do Triatlo. (Revisite a entrevista do triatleta alpiarcence ao Fair Playhttps://goo.gl/N79yQr)

Já em femininos, espera-se muito da jovem sub-23 Melanie Santos que já no ano passado deu boa conta de si, acabando na 39º posição entre as melhores do mundo. Mas o grande destaque é o regresso de Vanessa Fernandes, que anunciou hoje que estava de volta à competição.

Apesar de não prometer resultados, as expectativas em torno da maior ganhadora de etapas do Mundial (19 na sua carreira) são sempre elevadas.

Conhece os 9 palcos da maior disputa do triatlo mundial em 2017:

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João BastosAgosto 20, 20165min0

Capacabana recebeu a prova feminina de triatlo, depois de ter consagrado os irmãos Brownlee há dois dias. Se na prova masculina o favoritismo era ligeiro para o Brownlee mais velho, na prova feminina o favoritismo era absoluto para a bi-campeã do mundo Gwen Jorgensen.

Partida da prova feminina de triatlo | Foto: Wagner Araujo
Partida da prova feminina de triatlo | Foto: Wagner Araujo

A competição feminina olímpica de triatlo tinha na norte-americana Gwen Jorgensen a clara favorita, a dominadora das etapas da Taça do Mundo nos últimos dois anos. Inclusive, atribuía-se mais favoritismo a Jorgensen no sector feminino que a Alistair Brownlee no sector masculino, apesar de Brownlee ser o campeão olímpico.

Contudo, havia um forte contingente que podiam desafiar a lógica e o ouro da americana. Desde logo o fortíssimo trio britânico composto por Helen Jenkins, Vicky Holland e Non Stanford, todas com hipóteses de chegar ao ouro, a triatleta e forte ciclista das Bermudas Flora Duffy e a neozelandeza Andrea Hewitt. Num segundo lote de favoritas surgiam triatletas consagradas mas que nos últimos tempos ou não se tinham mostrado em grande forma, como Emma Moffatt, da Austrália, medalha de bronze em Pequim (atrás de Vanessa Fernandes) ou que vinham de lesão como a campeã olímpica em título, Nicola Spirig, da Suíça.

A prova começou forte com a espanhola Carolina Routier a assumir as despesas no segmento da natação, levando a americana Katie Zaferes e a australiana Emma Moffatt nos seus pés. O objectivo inicial passava por impedir que a super favorita Jorgensen e a super ciclista Duffy não integrassem o grupo da frente no ciclismo, mas no final do segmento, as duas saíram relativamente perto da frente e quando se iniciou o percurso de ciclismo integraram o grupo de cerca de 25 triatletas que seguia na frente e que incluía todas as favoritas…todas menos Helen Jenkins que ficou no segundo grupo, o que se veio a revelar fatal para as suas aspirações.

Flora Duffy é a principal esperança de medalhas das Bermudas | Foto: Nigel Farrow
Flora Duffy é a principal esperança de medalhas das Bermudas | Foto: Nigel Farrow

Como se previa Flora Duffy foi imediatamente para a frente do grupo da liderança tentando provocar a descolagem das adversárias. Quando se percebeu que Jenkins estava irremediavelmente para trás, as britânicas Holland e Stanford deram uma ajuda a Duffy, assim como a suiça Nicola Spirig. O forcing fez descolar algumas triatletas, deixando o grupo com 18 unidades, mas onde continuava a estar de forma confortável Gwen Jorgensen. O esforço infrutífero para descolar a americana levou a que a meio do segmento de 40 km de ciclismo o ritmo abrandasse com as principais candidatas a resguardarem-se e a estudarem-se mutuamente. Apenas Spirig tentava mexer na corrida, mas sem que alguém lhe acompanhasse na intenção.

E foi com esse grupo de 18 atletas que se fez a transição para o segmento de corrida, onde Mari Rabie, da África do Sul, saiu à frente mas mal teve tempo para ser filmada porque a inevitável Jorgensen veio imediatamente para a frente, com a companhia de Spirig. Na perseguição à campeã olímpica e à campeã mundial vinham Holland, Stanford, Riveros e Moffatt formando um quarteto que se manteve até aos 4 km, altura em que as britânicas se desenvencilharam da chilena e da australiana.

Nicola Spirig foi a campeã olímpica de há 4 anos | Foto: Getty Images

Quem não desarmava era Spirig, que inclusivamente fez grande parte do segmento de corrida à frente de Jorgensen, de tal forma que aos 7 km as duas quase que param e ficam a discutir quem deve assumir a despesa da corrida. Um momento insólito, só permitido pela vantagem que as duas já tinham para as britânicas. A altura decisiva da prova viria pouco depois com Jorgensen a transpor a sua superioridade teórica para a prática e a fazer o arranque vitorioso para a meta.

A americana provou que se a deixam chegar à corrida com hipóteses de vencer, ela não tem rival. Chegou com 1 hora 56 minutos e 6 segundos, cavando uma diferença para Nicola Spirig (que depois do ouro em Londres, ficou com a prata do Rio) de 40 segundos num espaço de apenas 1,5 km!

As britânicas tiveram de discutir ao sprint o bronze, superiorizando-se a mais velha Vicky Holland, conquistando a terceira medalha para o triatlo britânico.

Gwen Jorgensen levou o ouro para os EUA | Foto: Triatletas en Red
Gwen Jorgensen levou o ouro para os EUA | Foto: Triatletas en Red


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