23 Out, 2017

Arquivo de Ténis - Fair Play

der-spiegel.jpg?fit=860%2C484
André Dias PereiraOutubro 13, 20173min0

Sim, foi Rafael Nadal que venceu o torneio de Pequim. Foi a primeira vez que o espanhol o fez desde 2005. Sim, foi o sexto título de El Toro Miura em 2017. Mas este texto não é sobre o número 1 do mundo. É sobre Alexandr Zverev, o outro herói de Pequim, que garantiu o bilhete no Masters Final. Para Zverev, o futuro é agora.

Dizem que dos fracos e derrotados não reza a história. Alexander Zverev está aí para provar o contrário. Ok, o nome maior do torneio de Pequim, que terminou no passado domingo, foi Rafael Nadal. Outra vez Nadal. Pela segunda vez na China, pela sexta vez esta temporada. Também não foi o segundo classificado. Esse foi Nick Kyrgios, o australiano errante que é capaz de vencer a qualquer um – perdeu pela primeira vez contra Nadal (3-2), está empatado em jogos com Federer (2-2) e lidera diante Djokovic (2-0) – mas também perder com qualquer um.

Este texto é sobre Alexander Zverev, o miúdo que aos 20 anos já se fez graúdo e que em 2017 é, a par de Rafael Nadal e Roger Federer, o jogador que mais troféus venceu: Montpellier, Munique, Roma, Washington e Canadá.

O alemão era um dos destaques do torneio de Pequim, que terminou com a vitória de Rafael Nadal sobre Nick Kyrgios – 6-2 e 6-1, naquele que foi o 75º título da carreira do espanhol – mas acabou por cair nas meias-finais perante o australiano (6-3 e 7-5). Contudo, o alemão conseguiu o seu principal objetivo e carimbou o passaporte para o Masters Final, onde já estão Rafael Nadal e Roger Federer.

A temporada de 2017 está a ser mais do que um sonho para Zverev. É a concretização de uma profecia, sobretudo de quem o acompanha desde cedo. O desporto e o ténis estão-lhe no ADN. Filho de uma família de tenistas, o seu pai foi profissional na Rússia e é o seu treinador, e a sua mãe, treinadora. O irmão, Mischa Zverev, é 27º do ranking mundial. Fluente em russo, alemão e inglês, Alexander praticou três desportos em criança, mas optou por se dedicar mais ao ténis. O seu talento precoce levou-o a número 1 do mundo em juniores, vencendo um torneio Future e o Australian Open.

A sua maturidade, segurança e confiança levaram-no a ascender ao profissionalismo, em 2014, onde tem registado uma ascensão meteórica. Nesse ano tornou-se o mais jovem tenista (17 anos) desde Marin Cilic a atingir as meias-finais do torneio de Hamburgo. Agora, com 20 anos, e cinco torneios ATP arrecadados só em 2017  – para além de ter ganho em S.Peterburgo, em 2016 – alcançou o terceiro lugar do ranking mundial, sendo apenas superado pelas lendas Rafael Nadal e Roger Federer.

Rendidos ao talento

O espanhol e número 1 do mundo não tem dúvidas. “É um jogador fantástico, tem todos os golpes. Tudo para ser uma grande estrela do circuito”. Um dos seus trunfos é a capacidade fazer “ases”. Só para se ter uma ideia, em 2016 Sacha, como é conhecido entre os seus fãs, fez 355, contra 349 de Jo-Wilfred Tsonga e 239 de Novak Djokovic.

Colegas, treinadores, analistas e fãs do ténis não têm dúvidas que Alexander Zverev é o rosto da nova geração, com capacidade de atingir a liderança do ranking mundial. E bem se pode dizer que aos 20 anos e como número 3 mundial, o futuro é agora. Mas agora é ainda o tempo dos intemporais Roger Federer e Rafael Nadal. A questão que sobra é, até quando?

nadal1.jpg?fit=1024%2C683
André Dias PereiraSetembro 18, 20173min0

Aconteça o que acontecer até ao final do ano, Rafa Nadal é a grande figura do ténis e uma das maiores do desporto em 2017. Num US Open com muitas baixas e percalços de percurso, a superestrela espanhola continuou a brilhar mais alto.

nadal3.jpg?fit=900%2C506
André Dias PereiraAgosto 20, 20173min0

Rafael Nadal voltará a ser, esta segunda-feira, número um do mundo, três anos depois de ter perdido a coroa de rei do ténis mundial. A desistência de Roger Federer do torneio de Cincinnati, por motivo de lesão, deixou o espanhol sozinho na luta pelo trono do ténis, a poucos dias do arranque do US Open.

fed1.jpg?fit=960%2C638
André Dias PereiraJulho 17, 20174min0

Roger Federer, outra vez. Oito vezes Federer. O helvético tornou-se, este domingo, o maior campeão de Wimbledon, ao vencer o Torneio dos Cavalheiros pela oitava vez. A lenda suíça soma agora o recorde de 19 títulos de Grand Slam.

Em 2001, Pete Sampras, 35 anos de idade e sete vezes campeão de Wimbledon, preparava-se para apadrinhar a estreia de um jovem, então de 19 anos e de rabo de cavalo, que surgia nos courts do All England Club pela primeira vez. Esse jogo viria a tornar-se histórico não apenas porque seria o único que colocou frente a frente Pete Sampras e Roger Federer, mas porque marcou a passagem de testemunho no ténis. Hoje é o suíço a ter 35 anos e, este domingo, tornou-se o maior campeão da história de Wimbledon (destronando o norte americano) ao conquistar o oitavo título em partida frente ao croata Marin Cilic (6-3, 6-1 e 6-4).

Roger Federer amplia para 19 o recorde de Grand Slam e mostra que aos 35 anos continua no auge e para durar, “até que a Mirka (mulher do suíço) diga que está cansada de viajar“. Depois de vencer o Australian Open, Federer tornou-se ainda o segundo jogador na lendária história de Wimbledon a vencer o torneio sem perder qualquer set, repetindo o feito de Bjorn Borg, em 1976.

A queda de Nadal, Murray, Djokovic e Stan

Num torneio em que Nadal foi eliminado precocemente (oitavos-de-final) em uma partida épica de quase cinco horas perante Giles Muller (6/3, 6/4, 3/6, 4/6 e 13/13) – que chegou pela primeira vez aos quartos de final, Andy Murray também não passou das meias-finais. O tricampeão britânico foi surpreendido por Sam Querrey (3/6, 6/4, 6/7 (4-7), 6/1 e 6/1). Murrray não vive o melhor momento de forma e até foi aconselhado pelo irmão a fazer uma pausa na carreira.

Na actualização do ranking ATP segue líder, ainda que os 7750 pontos sejam os mais baixos para um comandante desde 2009. Quem ainda poderia alcançar a liderança seria Novak Djokovic, mas o sérvio acabou por abandonar o jogo com Tomas Berdych por um “incómodo no cotovelo que incomoda há ano e meio”. O sério poderá ir à mesa de operações a falhar o resto da temporada. “Vou falar com vários especialistas para ver a melhor opção“, assumiu o sérvio, que deixou o caminho livre para Tomas Berdych para regressar às meias-finais de Wimbledon, depois de ter sido finalista vencido em 2010. Para trás, logo na primeira ronda, tinha ficado o número três mundial Stan Wawrinka, que se ressentiu também de uma lesão no joelho, perdendo para o russo Daniil Medvedev (6/4, 3/6, 6/4, 6/1).

O regresso da hegemonia Fedal

Com Murray, Djokovic, Nadal e Wawrinka de fora, Federer, a atravessar uma fase excepcional – e à qual não é alheia a forma como preparou e calendarizou este torneio e a sua época desportiva – tornou-se o grande favorito. Cilic foi o rival natural, depois de fazer um torneio em alto nível. O croata, ao vencer Sam Querrey –  6/7, 6/4, 7/6 e 7/5 – garantiu pela primeira vez o acesso à final de Wimbledon. Cilic, vencedor do US Open em 2014, chegou aos quartos de final sem ceder qualquer set, vencendo aí Giles Muller e, depois, Sam Querrey.

Este domingo, acabou por ceder perante “o melhor jogador de todos os tempos”. A incerteza durou apenas os primeiros quatro jogos, até Federer tomar conta das rédeas do jogo. Cilic foi condicionado por dores que o levaram às lágrimas mas manteve-se firme em court até final. Ainda assim, sem conseguir oferecer resistência ao melhor ténis de Federer.

De resto,  Roger Federer e Rafael Nadal têm mostrado porque têm dominado o ténis e os courts nos últimos década Pela quinta vez na história, os dois tenistas venceram os três primeiros Grand Slam da época. Falta agora o US Open, e, por esta altura, o suíço e o espanhol são os grandes favoritos à vitória final. A lenda continua.

Bernard-Tomic.jpg?fit=1024%2C512
André Dias PereiraJulho 6, 20174min0

Foi o mais jovem campeão a vencer o torneio de juniores do Australian Open. Alcançou, em 2011, os quartos de final de Wimbledon e era visto como o grande sucessor de Lleyton Hewitt. Só que aos 24 anos e com três títulos ATP no bolso, Bernard Tomic não encontra outra motivação para o ténis para além de acumular dinheiro. Caiu com estrondo na primeira ronda no All England Club e a sua frontalidade no discurso está a valer-lhe um rol de críticas mundo fora.

Tomic não está feliz. O tenista australiano foi eliminado precocemente do torneio de Wimbledon na primeira ronda pelo alemão Mischa Zverev e surpreendeu na conferência de imprensa ao revelar a sua relação difícil com o ténis. “O ténis já não me satisfaz. Para vencer um torneio ou jogar bem são coisas que não me dão mais prazer algum. É algo que senti várias vezes na minha carreira. Para mim é a mesma coisa se eu atingir os oitavos-de-final ou for eliminado na primeira ronda”.

Se há característica que sempre distinguiu Tomic é a sua frontalidade. Em Wimbledon, Tomic voltou a ser fiel a esse traço de personalidade, surpreendendo toda a gente. Mas não só. O australiano, 24 anos de idade, sempre foi visto como um grande talento – foi o mais jovem do seu país a vencer o torneio de juniores do Australian Open – mas que nem sempre se esforçou para maximizar todo o seu potencial. “Sou consciente que deveria trabalhar mais alguns aspectos, mas não o faço”, acrescentou, afastando, contudo, a hipótese de se retirar. “Sei que jogarei por mais 10 anos e quando o fizer não precisarei de trabalhar”.

Com oito anos de circuito profissional e três torneios ATP conquistados (dois em Bogotá, em 2014 e 2015, e um Sydnei, em 2013), tem sentido problemas em elevar o seu patamar competitivo. Actualmente no 55º lugar do ranking, o australiano já figurou no top 20 e em 2011 atingiu os quartos-de-final de Wimbledon – foi o mais jovem a fazê-lo desde Boris Becker.

As suas declarações, após a derrota com Zverev têm causado impacto um pouco por todo o mundo. A compatriota Rennae Stubb, antiga número 1 mundial em duplas não poupou nas críticas “Dizer o que ele disse na conferência de imprensa é não apenas uma desgraça para o ténis no geral mas sobretudo para o ténis australiano. Sejamos sinceros: se ele está aborrecido, se não está apto fisicamente porque não treina, nem disposto a jogar cinco sets, então não jogue. Temos um longa e bonita tradição neste torneio e jogadores que se esforçam tanto, com metade do talento de Tomic, que dariam muito para estar ali, naquele dia, a jogar”. A mesma ideia é partilhada pela lendária Martina Nevarliova, que considera “uma falta de respeito” pelo desporto e pelos fãs que pagaram muito dinheiro para assistir ao jogo. “Se não se motiva em Wimbledon é tempo de encontrar outro trabalho”.

Talento que desperta amor e ódio

A 20 de Janeiro de 2008, Bernard Tomic tornou-se o mais jovem campeão de sempre do torneio de Juniores do Australian Open, vencendo também no ano seguinte o US Open. O seu talento era inquestionável. E a verdade é que, já em seniores, acumulou alguns resultados interessantes. Para além dos títulos em Bogotá e Sidney alcançou os oitavos-de-final no Australian Open e os quartos de final em Wimbledon. Em 2009, com 16 anos, tornou-se o mais jovem tenista a vencer uma partida do Australian Open. Apesar de ter figurado no top 20 mundial (foi 17º em Janeiro de 2016), a verdade é que sempre conviveu com as críticas que o seu ténis é entediante e de não se esforçar o suficiente nos treinos.

Um episódio que fica também na sua história foi quando, em 2010, então com 17 anos, perdeu perdeu para Marin Cilic no Australian Open numa partida de quatro horas de duração que terminou depois das duas horas da madrugada locais. Tomic criticou então a organização por permitirem jogos tão tarde para jogadores da sua idade. Ao longo dos anos de profissionalismo acumulou ainda outros episódios que o tornaram menos popular como desentendimentos com Lleyton Hewitt ou quando o seu pai, John Tomic, foi suspenso após uma altercação com o colega de treinos do filho, Thomas Drouet.

Certo é que Bernard segue o seu caminho. À procura da motivação para continuar a praticar ténis ao mais alto nível, mas certo que o seu talento ainda lhe vai proporcionando algumas vitórias importantes. A pergunta que fica é, até quando?

nadal-marca.jpg?fit=990%2C557
André Dias PereiraJunho 14, 20175min0

Rafael Nadal repetiu, pela décima vez, a vitória no torneio dos Mosqueteiros. Mais do que um triunfo, foi uma demonstração de força do agora número dois mundial. Uma história de superação, quando todos o davam morto para o ténis, que só os grandes campeões podem proporcionar. Tal como Jelena Ostapenko, a improvável campeã no quadro feminino. A letã, 20 anos de idade, está a começar a escrever a sua história. Mas tal como Nadal, Roland Garros foi um capítulo de um livro ainda por terminar.

Somos felizardos. Vivemos numa era em que o desporto nos proporciona ícones tão grandes que serão recordados não apenas pelas referências e recordes quebrados – tão vincados na cultura do século XXI – ou rivalidades, mas porque atingem uma dimensão que vão além, muito além, do seu próprio tempo. Dentro de 50, 70 anos, quando já estivermos num lar, os nossos netos terão no imaginário lendas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Usain Bolt, Michael Phelps, Rogerer Federer e Rafael Nadal. Nós poderemos dizer os vimos jogar, correr, nadar, o que for em que modalidade for. Nós presenciámos história. Como no passado domingo, em Paris.

Rafael Nadal conquistou pela décima vez o torneio de Roland Garros, aumentando a sua lenda na terra batida, e tornou-se, com 15 títulos de Grand Slam, o segundo maior vencedor de torneios Major, apenas superado por outra lenda contemporânea: Roger Federer. E pensar que em 2002, há apenas 15 anos, Pete Sampras dizia adeus aos courts como o maior campeão da história, com 14 Grand Slam. Quem poderia imaginar que na geração seguinte surgiriam Roger Federer e Rafael Nadal?

Os dois tenistas estão umbilicalmente ligados ao ténis e ao crescimento qualitativo e de popularidade na última década e meia. Mas o que faz os dois serem recordados como os maiores e uma das grandes rivalidades da história, é a matéria com a qual os campeões se constroem: trabalho, esforço, sacrifício e capacidade de superação.

O regresso do Toro Miúra

Rafael Nadal foi dado como morto para o ténis e o próprio chegou mesmo a dizer, com humildade, que muito dificilmente poderia voltar aos tempos de outrora. O ano de 2017 e este torneio de Roland Garros provaram o contrário.

Com 47 vitórias e sete derrotas em 2017, o Toro Miura ascendeu ao segundo lugar do ranking ATP. E para isso muito contribuíram os triunfos em Monte Carlo, Barcelona, Paris e, agora, Roland Garros, que lhe valeram ainda o apuramento directo para o ATP Finals.

A final deste domingo colocava frente a frente os dois melhores do mundo da actualidade na terra batida. Nadal, pois claro, diante o suíço Stanislas Wawrinka, vencedor em 2015. O espanhol, que renasceu para o ténis como uma fénix, atropelou o rival por 6-2, 6-3 e 6-1, numa clara demonstração de força, classe e capacidade de superação. Tal como em 2008 e 2010, Rafa venceu o torneio sem perder qualquer set. Roland Garros, conhecido como o torneio dos Mosqueteiros, tem em Rafael Nadal o cavaleiro maior dos valores que perpetua.

Wawrinka, finalista vencido e que na meia-final tinha deixado para trás o número um mundial, Andy Murray (6-7, 6-3, 7-5, 6-7 e 1-6) não tem dúvidas em apontar que perdeu para o melhor Nadal de sempre. “Ele está a jogar melhor que nunca desde o início do ano. Mais agressivo e mais perto da rede”, disse o suíço, número três mundial, que voltou a disputar mais uma final de Grand Slam.

Thiem repete meias-finais e Djokovic desilude

Roland Garros não serviu apenas para consagrar o regresso de Rafael Nadal ao mais alto nível. O torneio francês confirmou ainda o crescimento de Dominic Thiem, agora número oito na hierarquia mundial, que repetiu a semi-final alcançada também em 2016. O austríaco, que este ano já venceu no Rio de Janeiro e foi finalista vencido em Madrid e Barcelona, voltou a cair perante o melhor ténis de Rafael Nadal (6-3, 6-4 e 6-0).

Apesar da derrota pesada, o austríaco mostrou-se a um bom plano e revelou que está ao nível que o seu talento sempre prometeu. A prova mais cabal foi a forma como despachou, nos quartos-de-final, o sérvio Novak Djokovic, a grande desilusão do torneio e que tem vindo a ter um 2017 de altos e baixos: 7-6, 6-3 e 6-0. O triunfo do austríaco serviu como ‘troco’ pela eliminação de Roland Garros no ano passado. Desde 2005 que Djokovic não ‘zerava’ um set num Grand Slam. Esta foi ainda a primeira derrota em três sets desde 2013 por parte do sérvio, que agora é quarto no ranking ATP, o seu pior ranking desde 2009.

Jelena Ostapenko, da Letónia para o mundo

Jelena Ostapenko, a improvável campeã letã. Foto: Indian Express

Tem 20 anos, vem da Letónia e saltou para o estrelato em Paris. Jelena Ostapenko conquistou Roland Garros contra todas as expectativas, alcançando o triunfo mais relevante da história do seu país. Ostapenko venceu a favorita Simona Halep na final e logo de reviravolta: 4-6, 6-4 e 6-3.

“Não posso acreditar, estou muito feliz“, disse a letã, que deixou para trás tenistas como Caroline Wozniacki ou Samantha Stosur. Nas meias-finais, a letã deixou para trás Timea Bacsinszky (7-6, 3-6 e 6-3) numa partida em que, ditou o destino, se jogasse no dia de aniversário de ambas e logo na primeira vez que as duas chegavam a esta fase da competição.

É também destas pequenas histórias, destas vitórias inesperadas e destas histórias de superação que o ténis constrói a sua própria história. Este ano, Roland Garros, teve muitas para contar e a certeza que as de Nadal e Ostapenko estão ainda inacabadas.

berdych.jpg?fit=1024%2C576
André Dias PereiraJunho 5, 20173min0

Durante seis anos Tomas Berdych foi figura permanente no top-10 mundial. O tenista checo, que começou a jogar aos 5 anos de idade, tornou-se profissional em 2003 e desde então tem-se cotado como um dos mais consistentes jogadores do circuito. Mas apesar de ter sido semi-finalista em todos os Grand Slam, Berdych parece claudicar nos momentos-chave. Dos seus 13 títulos ATP, nenhum é Major.

Tomas Berdych é um caso muito especial, quase único no ténis. O checo, de 31 anos de idade, actualmente no 14º lugar do ranking ATP, é um dos mais experientes e consistentes jogadores do circuito, que se manteve durante anos a fio no top-10 mundial, sem nunca, contudo, conseguir conquistar um Grand Slam.

Sobre ele disse um dia Andre Agassi que é um dos tenistas que melhor atacava a bola. No entanto, Berdych também conhecido por ser o homem do quase.

E também não foi em Roland Garros, que se joga até ao próximo domingo, que o checo conseguiu a glória. Antes pelo contrário. Berdych foi afastado precocemente pelo russo Karen Khachnov – que cumpre o terceiro Grand Slam e ocupa o 53º lugar na hierarquia mundial – pelos parciais de 7-5, 6-4 e 6-4.

O jogador checo, num bom dia, pode vencer qualquer um. Já venceu seis vezes Roger Federer e Andy Murray, quatro a Rafael Nadal e duas vezes a Novak Djokovic, só para citar alguns exemplos. Passou grande parte da sua carreira no top-10 mundial e integra o restrito lote de jogadores que alcançou as meias-finais de todos os Major, incluindo o Master Final. No entanto nunca conseguiu vencer nenhum, ganhando a fama de sempre morrer na praia, precisamente pelo facto de falhar sempre nos momentos decisivos.  O momento mais alto foi em 2010, quando atingiu a final de Wimbledon, após deixar para trás Roger Federer e Novak Djokovic, perdendo, todavia, para Rafael Nadal.

Desde que se estreou no circuito ATP, em 2003, o checo jogou 18 finais, tendo vencido 13 torneios, o último dos quais em Shenzhen, o ano passado.

Filho de um engenheiro e de uma médica, Tomas Berdych começou a jogar ténis aos 5 anos de idade. Aos 12 venceu o seu primeiro torneio nacional, para a sua categoria de idade, que o estimulou a continuar a investir neste desporto. Mudou de cidade, para Prostejov, na Republica Checa, tendo chegado a número seis do mundo em juniores.

A sua chegada ao profissionalismo deu-se em 2003 e no ano seguinte conquistou o primeiro troféu, em Palermo, Itália. O ano de 2010 terá sido, porventura, o seu melhor ano, atingindo as meias-finais de Roland Garros, para além da final de Wimbledon. Foi nesse ano que atingiu o top-10 mundial, de onde só saiu em 2016. Em 2012 e 2013 liderou ainda o seu país a duas vitórias consecutivas na Taça Davis.

Pode dizer-se que está a construir uma carreira bonita, sólida, mas à sombra das estrelas de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray ou Stanislas Wawrinka.

Vencer um Grand Slam será, já, muito pouco provável. E até as estatísticas dizem isso. Não apenas porque sempre claudicou nas fases mais avançadas, mas também porque, depois do 30 anos, muito poucos foram os que conseguiram atingir esse feito. Federer é, como sempre, a única excepção ainda em actividade. Mas esse, é de outro planeta.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS