16 Ago, 2017

Arquivo de Ténis - Fair Play

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André Dias PereiraJulho 17, 20174min0

Roger Federer, outra vez. Oito vezes Federer. O helvético tornou-se, este domingo, o maior campeão de Wimbledon, ao vencer o Torneio dos Cavalheiros pela oitava vez. A lenda suíça soma agora o recorde de 19 títulos de Grand Slam.

Em 2001, Pete Sampras, 35 anos de idade e sete vezes campeão de Wimbledon, preparava-se para apadrinhar a estreia de um jovem, então de 19 anos e de rabo de cavalo, que surgia nos courts do All England Club pela primeira vez. Esse jogo viria a tornar-se histórico não apenas porque seria o único que colocou frente a frente Pete Sampras e Roger Federer, mas porque marcou a passagem de testemunho no ténis. Hoje é o suíço a ter 35 anos e, este domingo, tornou-se o maior campeão da história de Wimbledon (destronando o norte americano) ao conquistar o oitavo título em partida frente ao croata Marin Cilic (6-3, 6-1 e 6-4).

Roger Federer amplia para 19 o recorde de Grand Slam e mostra que aos 35 anos continua no auge e para durar, “até que a Mirka (mulher do suíço) diga que está cansada de viajar“. Depois de vencer o Australian Open, Federer tornou-se ainda o segundo jogador na lendária história de Wimbledon a vencer o torneio sem perder qualquer set, repetindo o feito de Bjorn Borg, em 1976.

A queda de Nadal, Murray, Djokovic e Stan

Num torneio em que Nadal foi eliminado precocemente (oitavos-de-final) em uma partida épica de quase cinco horas perante Giles Muller (6/3, 6/4, 3/6, 4/6 e 13/13) – que chegou pela primeira vez aos quartos de final, Andy Murray também não passou das meias-finais. O tricampeão britânico foi surpreendido por Sam Querrey (3/6, 6/4, 6/7 (4-7), 6/1 e 6/1). Murrray não vive o melhor momento de forma e até foi aconselhado pelo irmão a fazer uma pausa na carreira.

Na actualização do ranking ATP segue líder, ainda que os 7750 pontos sejam os mais baixos para um comandante desde 2009. Quem ainda poderia alcançar a liderança seria Novak Djokovic, mas o sérvio acabou por abandonar o jogo com Tomas Berdych por um “incómodo no cotovelo que incomoda há ano e meio”. O sério poderá ir à mesa de operações a falhar o resto da temporada. “Vou falar com vários especialistas para ver a melhor opção“, assumiu o sérvio, que deixou o caminho livre para Tomas Berdych para regressar às meias-finais de Wimbledon, depois de ter sido finalista vencido em 2010. Para trás, logo na primeira ronda, tinha ficado o número três mundial Stan Wawrinka, que se ressentiu também de uma lesão no joelho, perdendo para o russo Daniil Medvedev (6/4, 3/6, 6/4, 6/1).

O regresso da hegemonia Fedal

Com Murray, Djokovic, Nadal e Wawrinka de fora, Federer, a atravessar uma fase excepcional – e à qual não é alheia a forma como preparou e calendarizou este torneio e a sua época desportiva – tornou-se o grande favorito. Cilic foi o rival natural, depois de fazer um torneio em alto nível. O croata, ao vencer Sam Querrey –  6/7, 6/4, 7/6 e 7/5 – garantiu pela primeira vez o acesso à final de Wimbledon. Cilic, vencedor do US Open em 2014, chegou aos quartos de final sem ceder qualquer set, vencendo aí Giles Muller e, depois, Sam Querrey.

Este domingo, acabou por ceder perante “o melhor jogador de todos os tempos”. A incerteza durou apenas os primeiros quatro jogos, até Federer tomar conta das rédeas do jogo. Cilic foi condicionado por dores que o levaram às lágrimas mas manteve-se firme em court até final. Ainda assim, sem conseguir oferecer resistência ao melhor ténis de Federer.

De resto,  Roger Federer e Rafael Nadal têm mostrado porque têm dominado o ténis e os courts nos últimos década Pela quinta vez na história, os dois tenistas venceram os três primeiros Grand Slam da época. Falta agora o US Open, e, por esta altura, o suíço e o espanhol são os grandes favoritos à vitória final. A lenda continua.

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André Dias PereiraJulho 6, 20174min0

Foi o mais jovem campeão a vencer o torneio de juniores do Australian Open. Alcançou, em 2011, os quartos de final de Wimbledon e era visto como o grande sucessor de Lleyton Hewitt. Só que aos 24 anos e com três títulos ATP no bolso, Bernard Tomic não encontra outra motivação para o ténis para além de acumular dinheiro. Caiu com estrondo na primeira ronda no All England Club e a sua frontalidade no discurso está a valer-lhe um rol de críticas mundo fora.

Tomic não está feliz. O tenista australiano foi eliminado precocemente do torneio de Wimbledon na primeira ronda pelo alemão Mischa Zverev e surpreendeu na conferência de imprensa ao revelar a sua relação difícil com o ténis. “O ténis já não me satisfaz. Para vencer um torneio ou jogar bem são coisas que não me dão mais prazer algum. É algo que senti várias vezes na minha carreira. Para mim é a mesma coisa se eu atingir os oitavos-de-final ou for eliminado na primeira ronda”.

Se há característica que sempre distinguiu Tomic é a sua frontalidade. Em Wimbledon, Tomic voltou a ser fiel a esse traço de personalidade, surpreendendo toda a gente. Mas não só. O australiano, 24 anos de idade, sempre foi visto como um grande talento – foi o mais jovem do seu país a vencer o torneio de juniores do Australian Open – mas que nem sempre se esforçou para maximizar todo o seu potencial. “Sou consciente que deveria trabalhar mais alguns aspectos, mas não o faço”, acrescentou, afastando, contudo, a hipótese de se retirar. “Sei que jogarei por mais 10 anos e quando o fizer não precisarei de trabalhar”.

Com oito anos de circuito profissional e três torneios ATP conquistados (dois em Bogotá, em 2014 e 2015, e um Sydnei, em 2013), tem sentido problemas em elevar o seu patamar competitivo. Actualmente no 55º lugar do ranking, o australiano já figurou no top 20 e em 2011 atingiu os quartos-de-final de Wimbledon – foi o mais jovem a fazê-lo desde Boris Becker.

As suas declarações, após a derrota com Zverev têm causado impacto um pouco por todo o mundo. A compatriota Rennae Stubb, antiga número 1 mundial em duplas não poupou nas críticas “Dizer o que ele disse na conferência de imprensa é não apenas uma desgraça para o ténis no geral mas sobretudo para o ténis australiano. Sejamos sinceros: se ele está aborrecido, se não está apto fisicamente porque não treina, nem disposto a jogar cinco sets, então não jogue. Temos um longa e bonita tradição neste torneio e jogadores que se esforçam tanto, com metade do talento de Tomic, que dariam muito para estar ali, naquele dia, a jogar”. A mesma ideia é partilhada pela lendária Martina Nevarliova, que considera “uma falta de respeito” pelo desporto e pelos fãs que pagaram muito dinheiro para assistir ao jogo. “Se não se motiva em Wimbledon é tempo de encontrar outro trabalho”.

Talento que desperta amor e ódio

A 20 de Janeiro de 2008, Bernard Tomic tornou-se o mais jovem campeão de sempre do torneio de Juniores do Australian Open, vencendo também no ano seguinte o US Open. O seu talento era inquestionável. E a verdade é que, já em seniores, acumulou alguns resultados interessantes. Para além dos títulos em Bogotá e Sidney alcançou os oitavos-de-final no Australian Open e os quartos de final em Wimbledon. Em 2009, com 16 anos, tornou-se o mais jovem tenista a vencer uma partida do Australian Open. Apesar de ter figurado no top 20 mundial (foi 17º em Janeiro de 2016), a verdade é que sempre conviveu com as críticas que o seu ténis é entediante e de não se esforçar o suficiente nos treinos.

Um episódio que fica também na sua história foi quando, em 2010, então com 17 anos, perdeu perdeu para Marin Cilic no Australian Open numa partida de quatro horas de duração que terminou depois das duas horas da madrugada locais. Tomic criticou então a organização por permitirem jogos tão tarde para jogadores da sua idade. Ao longo dos anos de profissionalismo acumulou ainda outros episódios que o tornaram menos popular como desentendimentos com Lleyton Hewitt ou quando o seu pai, John Tomic, foi suspenso após uma altercação com o colega de treinos do filho, Thomas Drouet.

Certo é que Bernard segue o seu caminho. À procura da motivação para continuar a praticar ténis ao mais alto nível, mas certo que o seu talento ainda lhe vai proporcionando algumas vitórias importantes. A pergunta que fica é, até quando?

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André Dias PereiraJunho 14, 20175min0

Rafael Nadal repetiu, pela décima vez, a vitória no torneio dos Mosqueteiros. Mais do que um triunfo, foi uma demonstração de força do agora número dois mundial. Uma história de superação, quando todos o davam morto para o ténis, que só os grandes campeões podem proporcionar. Tal como Jelena Ostapenko, a improvável campeã no quadro feminino. A letã, 20 anos de idade, está a começar a escrever a sua história. Mas tal como Nadal, Roland Garros foi um capítulo de um livro ainda por terminar.

Somos felizardos. Vivemos numa era em que o desporto nos proporciona ícones tão grandes que serão recordados não apenas pelas referências e recordes quebrados – tão vincados na cultura do século XXI – ou rivalidades, mas porque atingem uma dimensão que vão além, muito além, do seu próprio tempo. Dentro de 50, 70 anos, quando já estivermos num lar, os nossos netos terão no imaginário lendas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Usain Bolt, Michael Phelps, Rogerer Federer e Rafael Nadal. Nós poderemos dizer os vimos jogar, correr, nadar, o que for em que modalidade for. Nós presenciámos história. Como no passado domingo, em Paris.

Rafael Nadal conquistou pela décima vez o torneio de Roland Garros, aumentando a sua lenda na terra batida, e tornou-se, com 15 títulos de Grand Slam, o segundo maior vencedor de torneios Major, apenas superado por outra lenda contemporânea: Roger Federer. E pensar que em 2002, há apenas 15 anos, Pete Sampras dizia adeus aos courts como o maior campeão da história, com 14 Grand Slam. Quem poderia imaginar que na geração seguinte surgiriam Roger Federer e Rafael Nadal?

Os dois tenistas estão umbilicalmente ligados ao ténis e ao crescimento qualitativo e de popularidade na última década e meia. Mas o que faz os dois serem recordados como os maiores e uma das grandes rivalidades da história, é a matéria com a qual os campeões se constroem: trabalho, esforço, sacrifício e capacidade de superação.

O regresso do Toro Miúra

Rafael Nadal foi dado como morto para o ténis e o próprio chegou mesmo a dizer, com humildade, que muito dificilmente poderia voltar aos tempos de outrora. O ano de 2017 e este torneio de Roland Garros provaram o contrário.

Com 47 vitórias e sete derrotas em 2017, o Toro Miura ascendeu ao segundo lugar do ranking ATP. E para isso muito contribuíram os triunfos em Monte Carlo, Barcelona, Paris e, agora, Roland Garros, que lhe valeram ainda o apuramento directo para o ATP Finals.

A final deste domingo colocava frente a frente os dois melhores do mundo da actualidade na terra batida. Nadal, pois claro, diante o suíço Stanislas Wawrinka, vencedor em 2015. O espanhol, que renasceu para o ténis como uma fénix, atropelou o rival por 6-2, 6-3 e 6-1, numa clara demonstração de força, classe e capacidade de superação. Tal como em 2008 e 2010, Rafa venceu o torneio sem perder qualquer set. Roland Garros, conhecido como o torneio dos Mosqueteiros, tem em Rafael Nadal o cavaleiro maior dos valores que perpetua.

Wawrinka, finalista vencido e que na meia-final tinha deixado para trás o número um mundial, Andy Murray (6-7, 6-3, 7-5, 6-7 e 1-6) não tem dúvidas em apontar que perdeu para o melhor Nadal de sempre. “Ele está a jogar melhor que nunca desde o início do ano. Mais agressivo e mais perto da rede”, disse o suíço, número três mundial, que voltou a disputar mais uma final de Grand Slam.

Thiem repete meias-finais e Djokovic desilude

Roland Garros não serviu apenas para consagrar o regresso de Rafael Nadal ao mais alto nível. O torneio francês confirmou ainda o crescimento de Dominic Thiem, agora número oito na hierarquia mundial, que repetiu a semi-final alcançada também em 2016. O austríaco, que este ano já venceu no Rio de Janeiro e foi finalista vencido em Madrid e Barcelona, voltou a cair perante o melhor ténis de Rafael Nadal (6-3, 6-4 e 6-0).

Apesar da derrota pesada, o austríaco mostrou-se a um bom plano e revelou que está ao nível que o seu talento sempre prometeu. A prova mais cabal foi a forma como despachou, nos quartos-de-final, o sérvio Novak Djokovic, a grande desilusão do torneio e que tem vindo a ter um 2017 de altos e baixos: 7-6, 6-3 e 6-0. O triunfo do austríaco serviu como ‘troco’ pela eliminação de Roland Garros no ano passado. Desde 2005 que Djokovic não ‘zerava’ um set num Grand Slam. Esta foi ainda a primeira derrota em três sets desde 2013 por parte do sérvio, que agora é quarto no ranking ATP, o seu pior ranking desde 2009.

Jelena Ostapenko, da Letónia para o mundo

Jelena Ostapenko, a improvável campeã letã. Foto: Indian Express

Tem 20 anos, vem da Letónia e saltou para o estrelato em Paris. Jelena Ostapenko conquistou Roland Garros contra todas as expectativas, alcançando o triunfo mais relevante da história do seu país. Ostapenko venceu a favorita Simona Halep na final e logo de reviravolta: 4-6, 6-4 e 6-3.

“Não posso acreditar, estou muito feliz“, disse a letã, que deixou para trás tenistas como Caroline Wozniacki ou Samantha Stosur. Nas meias-finais, a letã deixou para trás Timea Bacsinszky (7-6, 3-6 e 6-3) numa partida em que, ditou o destino, se jogasse no dia de aniversário de ambas e logo na primeira vez que as duas chegavam a esta fase da competição.

É também destas pequenas histórias, destas vitórias inesperadas e destas histórias de superação que o ténis constrói a sua própria história. Este ano, Roland Garros, teve muitas para contar e a certeza que as de Nadal e Ostapenko estão ainda inacabadas.

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André Dias PereiraJunho 5, 20173min0

Durante seis anos Tomas Berdych foi figura permanente no top-10 mundial. O tenista checo, que começou a jogar aos 5 anos de idade, tornou-se profissional em 2003 e desde então tem-se cotado como um dos mais consistentes jogadores do circuito. Mas apesar de ter sido semi-finalista em todos os Grand Slam, Berdych parece claudicar nos momentos-chave. Dos seus 13 títulos ATP, nenhum é Major.

Tomas Berdych é um caso muito especial, quase único no ténis. O checo, de 31 anos de idade, actualmente no 14º lugar do ranking ATP, é um dos mais experientes e consistentes jogadores do circuito, que se manteve durante anos a fio no top-10 mundial, sem nunca, contudo, conseguir conquistar um Grand Slam.

Sobre ele disse um dia Andre Agassi que é um dos tenistas que melhor atacava a bola. No entanto, Berdych também conhecido por ser o homem do quase.

E também não foi em Roland Garros, que se joga até ao próximo domingo, que o checo conseguiu a glória. Antes pelo contrário. Berdych foi afastado precocemente pelo russo Karen Khachnov – que cumpre o terceiro Grand Slam e ocupa o 53º lugar na hierarquia mundial – pelos parciais de 7-5, 6-4 e 6-4.

O jogador checo, num bom dia, pode vencer qualquer um. Já venceu seis vezes Roger Federer e Andy Murray, quatro a Rafael Nadal e duas vezes a Novak Djokovic, só para citar alguns exemplos. Passou grande parte da sua carreira no top-10 mundial e integra o restrito lote de jogadores que alcançou as meias-finais de todos os Major, incluindo o Master Final. No entanto nunca conseguiu vencer nenhum, ganhando a fama de sempre morrer na praia, precisamente pelo facto de falhar sempre nos momentos decisivos.  O momento mais alto foi em 2010, quando atingiu a final de Wimbledon, após deixar para trás Roger Federer e Novak Djokovic, perdendo, todavia, para Rafael Nadal.

Desde que se estreou no circuito ATP, em 2003, o checo jogou 18 finais, tendo vencido 13 torneios, o último dos quais em Shenzhen, o ano passado.

Filho de um engenheiro e de uma médica, Tomas Berdych começou a jogar ténis aos 5 anos de idade. Aos 12 venceu o seu primeiro torneio nacional, para a sua categoria de idade, que o estimulou a continuar a investir neste desporto. Mudou de cidade, para Prostejov, na Republica Checa, tendo chegado a número seis do mundo em juniores.

A sua chegada ao profissionalismo deu-se em 2003 e no ano seguinte conquistou o primeiro troféu, em Palermo, Itália. O ano de 2010 terá sido, porventura, o seu melhor ano, atingindo as meias-finais de Roland Garros, para além da final de Wimbledon. Foi nesse ano que atingiu o top-10 mundial, de onde só saiu em 2016. Em 2012 e 2013 liderou ainda o seu país a duas vitórias consecutivas na Taça Davis.

Pode dizer-se que está a construir uma carreira bonita, sólida, mas à sombra das estrelas de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray ou Stanislas Wawrinka.

Vencer um Grand Slam será, já, muito pouco provável. E até as estatísticas dizem isso. Não apenas porque sempre claudicou nas fases mais avançadas, mas também porque, depois do 30 anos, muito poucos foram os que conseguiram atingir esse feito. Federer é, como sempre, a única excepção ainda em actividade. Mas esse, é de outro planeta.

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André Dias PereiraAbril 30, 20175min0

Está à porta mais uma edição do Estoril Open, uma competição que aposta em talentos do amanhã, como Kyle Edmund, 22 anos, mas também nomes afirmados, como Juan Martin Del Potro, Richard Gasquet ou David Ferrer. A partir de segunda-feira e até dia 7, todos buscam a sucessão de Nicolas Almagro. João Sousa e Gastão Elias representam as esperanças lusas, num torneio marcado pelas ausências de Nick Kyrgios e Albert Ramos.

Há dois anos Nick Kyrgios, então com 19, já despertava o interesse na cena do ténis mundial. O seu talento, aliado ao carisma e estilo extravagante e irreverente não passavam despercebidos no circuito mundial. Por essa altura o Estoril Open, antigo Portugal Open, passava por uma fase de reestruturação. O posicionamento do torneio português – o único que integra o circuito mundial – é simples. Captar estrelas proeminentes do circuito mundial, aliando a um naipe de jogadores do top-20 mundial. E o perfil do australiano encaixava como uma luva nas pretensões de João Zilhão, director desportivo do torneio.

De então para cá, Kyrgios não apenas se está a confirmar um nome consistente no circuito, como tem sido como que um embaixador da prova. Ele é a cara do renovado Estoril Open e também por isso a sua ausência à última hora causou um impacto grande.

A edição deste ano do Estoril Open, que arranca esta segunda-feira, dia 1, e prossegue até 7 de Maio, está como que assombrada pela desistência do australiano (devido à morte do seu avô) e do espanhol Albert Ramos, deixando o torneio luso orfão de duas das suas principais figuras. Mas há motivos de interesse de sobra. A começar pela presença de João Sousa, a grande esperança dos portugueses verem pela primeira vez um tenista nacional vencer a principal prova de ténis do país. Sousa, 36 da hierarquia mundial, até atravessa um bom momento de forma depois de ter ajudado Portugal a vencer a Ucrânia e a qualificar a equipa para o play-off de acesso do Grupo Mundial da Taça Davis, no entanto, o Estoril Open tem sido um fantasma a assombrar o luso, onde tem sido eliminado precocemente, como aconteceu em 2016, na segunda ronda diante Nicolas Almagro, que se tornaria campeão do torneio. A melhor participação portuguesa continua a ser a de Frederico Gil, finalista vencido em 2010. Certa é a presença de Gastão Elias, Pedro Sousa e Frederico Silva – tendo estes dois últimos beneficiado de Wild Cards – no quadro principal. É, contudo, muito prematuro colocar as expectativas portuguesas muito altas neste torneio, até porque, garante João Zilhão, director da competição, “este é o melhor cartaz de sempre”.

Dos 28 tenistas, de doze países diferentes, que integram o quadro principal, 19 têm entrada directa, estando as restantes vagas reservadas a quatro jogadores que transitam dos qualifyers, três Wild Cards (Frederico Silva, Pedro Sousa e David Ferrer) e, eventualmente, dois Special Exempts.

Juan Marting Del Potro de regresso a Portugal (Record)

Kyrgios e Carreño Busta, mas não só

Pablo Cerreño Busta (19º e finalista vencido o ano passado) é o representante, este ano, do top-20 mundial. Mas há outros motivos de muito interesse, à cabeça com a participação de Juan Martin Del Potro, vencedor da prova em 2011 e 2012. O argentino, antigo número 4 mundial e actualmente na 34º posição, é um dos tenistas mais populares em Portugal e desde que recuperou das lesões que o atormentaram nos últimos anos tem sido intermitente, escolhendo criteriosamente os torneios em que participa, no sentido de proteger a sua condição física. O ponto mais alto foi a vitória no torneio de Estocolmo (o seu 19º título no circuito), o ano passado, e a Medalha de Prata conquistada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O regresso da Torre de Tendil vai, por certo, ajudar a dar visibilidade internacional à prova. Essa é, pelo menos, a expectativa de João Zilhão, que confirmou ter levado seis meses de negociações para trazer novamente o argentino a Portugal.

Mas há ainda o franceses Richard Gasquet (22º e vencedor em 2015) e Benoit Paire (40º), os espanhóis David Ferrer (32º do ranking mundial), Nicolas Almagro (57º e vencedor o ano passado) e Tommy Robredo (57º, ranking protegido) e os argentinos Carlos Berlocq (66º e vencedor em 2014) e Juan Mónaco. O uzbeque Denis Istomin (72º) e o proeminente Kyle Edmund (45º) são outros jogadores a seguir de perto nesta prova.

O britânico, 22 anos de idade, nascido em África do Sul, é jogador que procura confirmar no Estoril o talento que se lhe reconhece. Campeão juvenil de duplas de Wimbledon, em 2012, e Roland Garros, em 2013, saltou para a ribalta em 2015 quando ajudou a Grã Bertanha a vencer a Bélgica, representada por David Goffin, então número 16 do mundo. À procura ainda do primeiro título ATP, o tenista é outro representante da nova geração, como aconteceu o ano passado também com Borna Coric. Este ano vai tentar fazer melhor do que a segunda ronda alcançada no Estoril em 2016. Com um bom jogo de serviço, procura ainda evoluir em outras componentes de jogo, e é altamente improvável que figure como um finalista, ainda que seja olhado como um súbdito de Andy Murray.

As primeiras bolas começarão a ser jogadas esta segunda-feira, com uma qualificação que contará com cinco jogadores do top-100. Com um perfil perfeitamente definido, o Estoril Open quer não apenas reforçar a condição de grande competição nacional mas também ganhar crédito além-fronteiras. O espectáculo vai começar, por isso façam as vossas apostas.

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André Dias PereiraAbril 7, 20175min0

Os anos passam, os jogadores também, mas as finais entre Roger Federer e Rafael Nadal continuam a ser as mais esperadas. A rivalidade entre os dois tenistas tem apaixonado, ao longo da última década, não apenas os amantes do ténis, como do desporto no geral, elevando o patamar da modalidade a outro nível. No domingo, os dois jogadores disputaram o 37º jogo entre ambos e mostraram porque, mesmo trintões, estão na restrita galeria dos maiores tenistas e desportistas de todos os tempos.

Palmas, palmas, palmas! Roger Federer e Rafael Nadal voltaram a fazê-lo. Tem sido quase sempre assim ao longo dos últimos 12 anos. Sempre que o suíço e o espanhol se encontram, as bancadas dividem-se entre aficionados de um e de outro. O mundo pára em suspense. Adeptos de todos os desportos reúnem-se em volta da televisão. É a rivalidade Fedal! 

Tal como Muhammed Ali e Joe Frazier, Larry Bird e Magic Johnson, John McEnroe e Bjorn Borg ou Ayrton Senna e Alan Prost, a rivalidade entre o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal há muito que ultrapassou a fronteira da modalidade.

Simplesmente, não é possível falar de um sem referir o outro. Os dois funcionam como Nêmesis um do outro e dificilmente poderiam atingir o nível que se lhes conhece se o outro não existisse ou não fosse seu contemporâneo. Ao longo dos últimos 12 anos, foram vários os jogos, jogadas e momentos inolvidáveis, que ajudaram a construir a lenda e a projectar ainda mais o ténis. Finais como a de Wimbledon, em 2008, em que o espanhol venceu pela primeira vez o mítico torneio britânico, colocando ponto final no reinado de Federer, ao fim de 4h48, ou as lágrimas derramadas por Federer após perder também para o espanhol, em 2009, a final do Australian Open, tornaram-se icónicas.

Mas, por esta altura, estávamos no final da década de 2000 e os dois jogadores digladiavam-se pela liderança do ranking mundial, com Novak Djokovic em crescendo e à espreita da sua oportunidade. Federer estava com 29 anos e 14 Grand Slam e Nadal jogava no seu auge, com 24 anos. Hoje, um com 36 anos e outro com 30, a rivalidade mantém-se como uma marca intacta no ténis e no desporto. E, mesmo com o passar dos anos e o surgimento de novos rivais – Djokovic, Murray ou Wawrinka – os dois continuam a mostrar porque estão para durar e entre os maiores da história.

Este ano os dois já disputaram nada menos do que duas finais, sendo que a do Australian Open bateu recordes de audiência pelo mundo fora. Só no canal Eurosport foram quase 21 milhões de espectadores, com o pico de mais de 15 simultaneamente, o maior da história do canal. “Não é surpresa que esta partida de ténis foi a mais assistida em nossas plataformas, pois a rivalidade entre Roger e Rafa é uma das maiores da história do desporto”, declarou Peter Hutton, presidente do Eurosport.

Quem é freguês de quem?

Uma coisa, contudo, parece estar a mudar: o sentido da vitória! Os números não mentem. Em 37 jogos entre ambos, Rafael Nadal continua a manter a sua supremacia sobre o suíço. São ao todo 23 triunfos para El Toro Miura e apenas 14 para o helvético. Contudo, em 2017 Roger Federer tem sido arrasador, jogando a um nível nunca visto para alguém da sua idade. Nos três jogos disputados entre ambos – Indian Wells, Australian Open e Miami – Federer venceu todos. “Estou feliz por estarmos aqui juntos. Foi aqui que a nossa rivalidade começou, quando eras um miúdo. Entretanto, tornaste-te um homem forte. Tivemos grandes batalhas ao longo dos anos. Nessa primeira vez (2005) disse-te que ias ganhar este torneio e ainda acredito que o vás fazer“, disse Federer a Nadal, no domingo, após vencer em Miami por 6-3 e 6-4.

O excelente desempenho dos dois jogadores nesta temporada devolveu-os ao top-5 mundial. O espanhol está no quinto posto e o suíço no terceiro, atrás de Murray e Djokovic.

Tendo em conta o nível que Roger Federer vem apresentando, podemos considerar a hipótese de regressar a número 1 do mundo? É certo, são só três meses de temporada, mas Rafael Nadal acredita que sim: “Se continuar a jogar assim vai ser número um mundial este ano”. No entanto, contra o suíço está o facto de esta temporada não jogar mais até Roland Garros, falhando os demais torneios de terra batida. “Só quero manter-me saudável. Quando estou saudável consigo produzir ténis como este”.

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Nadal jogou cinco finais de Miami, mas nunca venceu (Newdaily.com)

Que início de ano, Nadal…

É duro perder três finais em quatro meses, mas a última vez que o espanhol conseguiu atingir três finais antes do início de temporada na terra batida foi em 2009 quando era número um mundial. Mesmo em total de pontos é preciso recuar até 2014 (2390 pontos) para encontrar um período tão favorável. “Sou o segundo melhor tenista no momento (depois de Federer), preciso ganhar e consolidar esta boa fase”, comentou o espanhol, que quer recuperar, agora, o ceptro de Roland Garros, perdido para Wawrinka.

De resto, nunca antes Nadal tinha perdido quatro jogos seguidos para Federer – finais de Australian Open e Miami, oitavos de final de Indian Wells e final de Basileia, em 2015. O contra-ataque pode, até, dar-se em Paris, onde o espanhol já venceu por nove vezes e onde é recordista de títulos. Quis também o destino que a única vitória de Federer na terra batida de França fosse no ano de 2009, o ano em que Nadal dominava o mundo. Depois de o espanhol ter dobrado a tormenta das lesões e atravessado o seu período mais negro na carreira, será que o destino lhe reservou algum capricho? A resposta é dada entre 28 de Maio e 11 de Junho.

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André Dias PereiraMarço 9, 20175min0

O seu perfil e vida fora dos courts valeram-lhe a alcunha de “playboy” e “David Beckam búlgaro”, e o seu talento valeu-lhe o cognome de “novo Federer” ou “Show Man”. Assim é Grigor Dimitrov, o tenista que já é o maior nome do ténis do seu país mas que tem construído uma carreira intermitente, em que os seus relacionamos com Maria Sharapova e, alegadamente, Nicole Scherzinger, são quase sempre mais notícia que os seus feitos. Em 2017, contudo, e depois de mudar de treinador, o búlgaro renasceu e já venceu dois títulos, sendo ainda semi-finalista no Australian Open. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar definitivamente o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?

Quando se pensa em ténis e na sua história, dificilmente a Bulgária será um país que surge como top of mind, ou seja, como uma das primeiras referências.  Sobretudo num país com lacunas sociais e de infra-estruturas, e numa era de domínio tripartido por Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic na cena mundial, Grigor Dimitrov surge como um herói improvável no desporto búlgaro, em que o ténis está longe de ser o mais popular do país. 

Numa nação com falta de referências mundiais no desporto contemporâneo, Dimitrov sempre foi visto como um prodígio e um diamante por lapidar. Aos 25 anos parece, finalmente, estar a corresponder à grande expectativa sempre gerada em torno da sua carreira. Só este ano, já venceu dois dos seus seis títulos ATP – Sofia (Bulgária) e Brisbane (Austrália) – para além de ter sido semi-finalista no Australian Open. 

O arranque de ano fulgurante afasta os fantasmas que o assombraram nas últimas temporadas em que foi mais vezes notícia pelo seu relacionamento com Maria Sharapova do que pelos seus êxitos dentro do court. O seu estatuto de enfant terrible e de playboy, bem como o seu talento, valeram-lhe alcunhas como “baby Federer” ou “David Beckam búlgaro”. Mas desde que mudou de treinador, o ano passado, tudo parece ter mudado. Dani Vallverdu parece ter encaixado bem no perfil que Dimitrov procurava para se afirmar em nome próprio e elevar a Bulgária a um patamar nunca visto no ténis. “Nestes últimos anos vivi uma montanha russa, mas estou feliz pela forma como as coisas aconteceram”, admitiu o búlgaro quando atingiu as meias-finais do Australian Open, igualando o seu melhor registo  enquanto sénior, depois de ter também chegado à semi-final de Wimbledon em 2014, aquele que é ainda o seu melhor ano com três títulos: Queens, Bucareste e Acapulco.

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Prodígio precoce

Nascido em Haskovo, Bulgária, e filho de um treinador de ténis e de uma professora de educação física e ex-jogadora de voleibol, Dimitrov pegou pela primeira vez numa raquete de ténis com apenas 3 anos de idade e a partir dos 5 começou a jogar regularmente. Sem chances de evoluir o seu ténis no seu país, rumou para Paris onde viveu a sua adolescência, treinando na prestigiada Academia de Patrick Mouratoglou, onde passaram também Serena Williams e Anastasia Pavlyuchenkova.

O seu primeiro título chegou com 14 anos de idade no Europeu da categoria. Em 2016 venceu o Orange Bawl tendo, no ano seguinte, sido nomeado para estrela internacional em ascensão. O seu ténis valia-lhe também a alcunha de “Show Time”. Ainda como juvenil conseguiu chegar aos quartos de final de Roland Garros, mas o seu maior feito teve lugar em Wimbledon. Venceu o torneio sem perder qualquer set e jogando lesionado do ombro. 

Dimitrov decidiu depois elevar-se a outro patamar, passando para o profissionalismo onde acumula seis títulos. Actualmente em 13º do ranking mundial, o búlgaro é já o maior jogador da história do seu país e promete não ficar por aqui. Depois de alguns resultados vexatórios, perante adversários menor cotados e saídas precoces de torneios, o tenista reconhece que “houve momentos em que não dei tudo de mim. Não estava concentrado e não treinava da maneira correcta”. “Eu não queria só um treinador, mas alguém que me entendesse e pudesse confiar“, reconheceu o búlgaro, que regressou este ano a Sofia após sete anos de ausência.

Se há jogador no circuito com capacidade de jogar de igual para igual com qualquer um, é Grigor Dimitrov. No seu currículo conta com uma vitória sobre Novak Djokovic, outra sobre Rafael Nadal, três sobre Andy Murray e quatro diante de Stan Wawrinka. Aliás, Stan apenas conseguiu por duas vezes derrotar o búlgaro.

Até ao final da temporada, a expectativa é grande para ver o que pode fazer em Roland Garros, mas sobretudo em Wimbledon, onde já chegou às meias-finais. Aos 25 anos de idade, o ano de 2017 pode ser o momento-chave na carreira do búlgaro e funcionar como o primeiro dia do resto da sua vida. Entre o playboy e o novo Federer, Dimitrov procura  afirmar o seu espaço no circuito. Será este o seu ano?

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André Dias PereiraJaneiro 31, 20176min0

Numa final épica entre, muito provavelmente, os dois maiores da história do ténis, Federer aumentou a sua lenda! O suíço e Rafael Nadal podem já não ser os melhores da actualidade, mas são ainda os maiores ícones do circuito! Tão grandes que conseguem ainda chamar audiência para além dos aficionados de ténis! Mas a edição deste ano do Australian Open foi muito mais que uma final entre o suíço e o espanhol! Foi um regresso ao passado recente, que nos lembra que não há idade para o talento e para cumprir sonhos!

Sublime! Histórico! Todos os adjectivos parecem poucos face ao que Roger Federer conseguiu este domingo. Sim, é possível a lenda crescer! Essa parece ser a primeira lição que não apenas o tenista suíço nos ensina, mas também o que a edição deste ano do Australian Open proporcionou aos amantes do ténis e do desporto no geral.

Aos 35 anos, Roger Federer tornou-se no primeiro jogador desde Ken Rosewall, em 1972, a vencer um Grand Slam na era Open. No seu 100º encontro disputado em Melbourne, o helvético ampliou para 18 o número de Majors, aumentando ainda mais o registo mais vitorioso da história do ténis. O triunfo deste domingo foi ainda o quinto do suíço (2004, 2006. 2007, 2010 e 2017)  em Austrália, tornando-se no primeiro tenista a conquistar, pelo menos, cinco títulos em três Grand Slam diferentes (Australian Open, Wimbledon e US Open).

Mais do que os resultados, impressiona o nível que Federer apresenta aos 35 anos de idade. Ainda assim, poucos apostariam numa reedição da final de 2009. Porque o suíço veio de uma lesão de oito meses e porque Nadal tem oscilado muito a sua consistência, sobretudo em pisos que não sejam de terra batida. Mas o mundo dá voltas. Se em 2009, era Federer quem chorava a parecia sucumbir à pressão de conquistar o 15º Major, agora foi a vez de Nadal ser vice-campeão e ficar também às portas de ultrapassar o registo de Pete Sampras.

Federer e Nadal proporcionaram uma final épica, à boa maneira antiga, quando os dois dividiam o domínio dos courts e os títulos de Grand Slam. Com pancadas de excelência técnica, incerteza no resultado e, claro, cinco sets:  6-4, 3-6, 6-1, 3-6 e 6-3. Anunciado como a final de sonho, o duelo entre os dois rivais rebentaram audiências em todo o mundo, provando que ainda hoje são os maiores ícones do ténis. Só na Austrália 4.4 milhões de telespectadores assistiram à final pela televisão.

O ressurgimento dos dois astros coincide também com a quebra de Andy Murray e Novak Djokovic, as duas grandes desilusões do torneio. O britânico, número um mundial, caiu nos oitavos-de-final diante do alemão Mischa Zverev (7-5, 5-7, 6-2 e 6-4), irmão do proeminente Alexandr Zverev. Mais impressionante ainda foi a eliminação de Novak Djokovic perante o uzbeque Denis Istomin (7-6, 5-7, 2-6, 7-6 e 6-4). Desde 2008,  em Wimbledon, que o sérvio perdia tão rapidamente num Grand Slam. Boris Becker, antigo treinador de Nolan, acredita que o ténis não é mais a prioridade do sérvio e que isso se reflecte no seu nível. De resto, é preciso recuar até 2004 para que os dois primeiros do ranking mundial não tenham chegado aos quartos de final de um Major (Roland Garros).

2017, o renascimento de Dimitrov

No sentido inverso, Grigor Dimitrov foi uma das boas notícias do torneio. O búlgaro, de 25 anos, é um dos bons valores da nova geração mas que tem sentido dificuldades em ser consistente. Em Melbourne conseguiu, contudo, repetir o feito de Wimbledon, em 2014, e chegar pela segunda vez às meias-finais de um Grand Slam. Só que Rafael Nadal acabou por ser o último a cair numa batalha de 4.56 horas:  6-3, 5-7, 7-6 (5) 6-7 (4) e 6-4. “É sempre duro perder assim, mas estou feliz com muita coisa”, reconheceu o búlgaro. E tem razões para isso. O início de 2017 tem sido promissor. Em Brisbane conquistou o seu quinto título ATP, o primeiro desde 2014. Os bons resultados não são alheios ao facto de contar com um novo treinador,  Dani Vallverdu, que tem feito uma autêntica revolução na forma como o búlgaro treina e prepara os seus jogos. Dimitrov tornou-se mais agressivo, obrigando, de resto, Nadal a jogar muito mais no fundo do court. A evolução do búlgaro, que nos últimos anos foi muito mais notícia pelo conturbado relacionamento com a ex-namorada Maria Sharapova do que pelo seu ténis, é um dos pontos a acompanhar no circuito durante este ano.

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Foto: ATP

Serena, a maior da Era Open

Se Roger Federer aumentou o seu legado nos masculinos e nos fez lembrar que, mesmo aos 35 anos, é possível alcançar ainda o Olímpo num desporto tão competitivo como o ténis, Serena Williams, aos 36 anos, tornou-se a maior campeã da Era Open, com 23 títulos, deixando para trás a alemã Steffi Graf (22). Mais importante ainda, a mais nova das irmãs Williams regressou ao topo da hierarquia mundial, depois de ter perdido a liderança o ano passado para a alemã Angelique Kerber, eliminada surpreendentemente nos oitavos de final perante a norte-americana Coco Vandeweghe em dois sets (6-2 e 6-3).

A final feminina foi, tal como a masculina, representou um regresso ao passado, com as duas manas Williams, Serena e Venus, a repetirem a final de 2003. Desta vez como então, a vencedora foi a do costume. Serena ganhou à irmã mais velha por duplo 6-4, vencendo o torneio pela sétima vez, igualando Margaret Court, a recordista absoluta de Grand Slam (24).

Roger Federer e Serena Williams. Dois dos maiores nomes da história do ténis voltaram a gravar os seus nomes entre os vencedores do Australian Open. Aos 35 e 36 anos voltam a reescrever a história do ténis provando que o talento não tem idade nem lugar. A prova da sua grandeza não está apenas nos títulos mas, acima de tudo, na grande capacidade de jogo que ainda apresentam. E basta os melhores da actualidade baixarem a guarda, que eles aí estão para desafiar o tempo e o lugar. Porque tal como diamantes, eles também são eternos.

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André Dias PereiraJaneiro 8, 20174min0

Ana Ivanovic foi uma campeã improvável que só a tenacidade, espírito de sacrifício e persistência tornou possível. Cresceu a ver a compatriota Monica Seles levar a Jugoslávia aos píncaros do ténis, sucedendo-lhe, em 2008, já como Sérvia. Pelo caminho, cresceu a treinar em plena guerra e enfrentou lesões que, agora, precipitaram o final de carreira, aos 29 anos. Estrela dentro e fora dos courts, o que Ana Ivanovic nunca será é ser recordada como uma tenista comum. Embaixadora da Unicef, a sérvia quer agora virar uma nova página na sua vida.

No final de 2016 o ténis mundial ficou mais pobre e porque não dizê-lo, menos estético. Ana Ivanovic, ex-número um mundial, disse adeus aos courts, não conseguindo recuperar de uma lesão que a levou, em Setembro último, a fazer uma pausa na carreira.

Foram ao todo 13 anos de profissionalismo e um título de Grand Slam. Foi em 2008, em Roland Garros, altura em que estava no auge da sua carreira. Era, então, líder da hierarquia mundial. Agora, na hora do adeus, ocupava um modesto 63º lugar. “Foi uma decisão difícil, mas há muito o que celebrar. Atingi altos com os quais eu nunca havia sonhado. Ganhei 15 títulos WTA, disputei três finais de Grand Slam. Não posso mais jogar ao mesmo nível que antes. É tempo de mudar”, anunciou a sérvia nas redes sociais.

No início da década de 90 Mónica Seles exibia talento nos courts e no pequeno ecrã. Ivanovic, então com 5 anos de idade, apaixonou-se pelo seu ténis e ficou determinada a seguir-lhe as pisadas. Ficou longe dos títulos Major da compatriota (nove Grand Slams) mas ainda assim conseguiu alguns troféus importantes. Para além de Roland Garros, em 2008, ganhou outros 14 títulos desde que se estreou em 2003, para além de ter sido finalista vencida em outro Roland Garros.

Mas o início esteve longe de ser fácil. Em plena guerra dos Balcãs, Ivanovic só podia treinar pela manhã, para evitar o período dos bombardeamentos. A dificuldade para encontrar um espaço para treinar era tal que chegou a admitir fazê-lo em cima de uma piscina congelada. Mas Ivanovic era determinada e estava focada em ser profissional. Essa estreia teve lugar em 2004, ano em que foi finalista vencida do torneio de juniores de Wimbledon. Os primeiros títulos vieram no ano seguinte, o primeiro dos quais em Camberra, na Austrália. A sua ascensão teve lugar depois de vencer, ainda nesse ano, adversárias poderosas como Svetlana Kuznetsova, Nadia Petrova e Vera Zvonareva. As primeiras lesões começaram a surgir logo nesse ano travando a evolução no ranking.

Dura em court, bela fora dele

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A sérvia conquistou Roland Garros e foi nº1 mundial

Com um estilo de jogo agressivo no fundo do court e a profundidade dos seus golpes de direita, Ivanovic foi consolidando o seu lugar no ténis e em 2007 chegou ao top-5 mundial. Nesse ano venceu em Tóquio e Berlim e chegou, pela primeira vez, à final de um Grand Slam. Foi em Roland Garros. No entanto, acabou por perder para a favorita Justin Henin. Ainda nesse ano, outra lesão, causada em Wimbledon, impediu que jogasse a Fed Cup. Só que em 2008, provavelmente o ano mais profícuo da sua carreira, a menina sérvia que cresceu na guerra, conquistou o mundo. Venceu, finalmente, Roland Garros, derrotando na final a francesa Amélie Mauresmo, foi finalista vencida do Australian Open, e a 9 de Junho chegou a número um mundial.

Ao seu lado, a sua mãe nunca deixou de acompanhar todos os seus jogos. A sérvia caiu de rendimento, depois, e só em 2012, ano em que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, voltou a entrar no top-20 mundial e em 2014, no top-5.

Mas Ivanovic não brilhou só em court. A sua beleza não passou despercebida e tornou-se o rosto de várias campanhas e disputada pelas maiores marcas de desporto. Mas Ivanovic é muito mais do que um rosto bonito. Em 2007 foi nomeada embaixadora da boa vontade da UNICEF, tendo um importante papel nas áreas de educação e defesa dos direitos das crianças, sendo habitual visitar várias escolas na sérvia. O seu casamento com a estrela de futebol alemã Bastian Schweinsteiger voltou a chamar a atenção do mundo.

Mas Ivanovic é, acima de tudo, alguém que sempre soube o que quer e para onde quer ir. Na hora da despedida não poderia ser diferente. “Não tenho qualquer ambição de voltar, nem como treinadora. Estou muito feliz com a carreira que tive. Agora é momento de tentar outra coisa”.

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André Dias PereiraNovembro 29, 20166min0

Talvez mais importante do que qualquer vitória, ou conquista de Grand Slam, a coroação de Andy Murray como número um seja o mais importante feito do escocês, que se tornou no primeiro britânico a chegar à liderança do ranking mundial na era moderna.

Treino. Persistência. Perserverança. Estes são, por certo, três pilares fundamentais para o sucesso de qualquer desportista de topo. Para Andy Murray  não foi diferente. O escocês, cujo talento foi quase sempre olhado com desconfiança por muitos críticos do ténis, precisou de chegar aos 29 anos para se tornar número um do mundo, o primeiro britânico na era moderna a fazê-lo. E é também o segundo tenista mais velho a conquistar essa condição, sendo apenas superado por John Newcombe, em 1974, com 30 anos de idade. Mas ao contrário do tenista australiano, é expectável que o britânico se mantenha por lá mais do que oito semanas. Se vai, ou não, suplantar as 122 completadas por Novak Djokovic parece um cenário difícil de prever, mas que só o tempo o dirá.

“O Andy mostrou uma dedicação incrível e uma determinação muito grande no seu caminho para se tornar número um. É difícil pensar num atleta que mereça mais, já que vivemos numa das eras mais competitivas deste desporto”, admitiu Chris Kermode, presidente do ATP.

Certo é que o ano de 2016 figurará como o mais glorioso da carreira do Britânico – vencedor do Torneio de Wimbledon, do Ouro Olímpico no Rio de Janeiro e, mais recentemente, do Masters Final – e um marco na história recente do ténis Mundial. É preciso recuar até 2003 para encontrar um número um que não fosse Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic. E esse será, porventura, o maior mérito do escocês. Não sendo o mais talentoso do circuito, conseguiu intrometer-se na elite e, com treino, persistência e preserverança, fez com que, no final, tudo valesse a pena. Para aqui chegar Murray teve que atravessar o caminho das pedras. Derrotas, lesões, e a enorme supremacia do Big-3. Dizem que nada é mais inexorável do que o tempo. E foi com o tempo que Murray foi ganhando o seu espaço e estatuto, alargando o conceito para Big-4. Apesar de contar “apenas” com três Grand Slam, o seleccionador britânico, Miles Maclagan, concorda que Murray “merece estar ao lado de Boris Becker e John McEnroe – tenistas que venceram mais de cinco Grand Slam e que foram também números um. Ele tem três Slams neste momento mas as duas medalhas olímpicas e Taça Davis colocam-no entre os maiores”.

Desde que se tornou profissional em 2005 Murray conquistou 44 títulos, sendo 2016 o ano mais profícuo, com nove no total: Roma, Queens, Wimbledon,  Rio Janeiro (Jogos Olímpicos), Pequim, Shangai, Viena, Paris e ATP Masters Finals.

Murray é hoje certamente um atleta muito diferente daquele que venceu, em 2006, em San José, o seu primeiro título ATP. O seu primeiro Grand Slam chegou em 2012, nos EUA, e teve sequência no ano seguinte, em Wimbledon. Um feito repetido este ano. Murray foi igualmente finalista vencido em Paris, também este ano, mas a sua grande pedra no sapato é Australia, onde já perdeu cinco finais: 2010, 2011, 2013, 2015 e 2016.

A HEGEMONIA E O ARRANQUE DE ANO FULMINANTE DE DJOKOVIC

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Vencedor de Wimbledon, Masters Final e Ouro Olímpico. 2016 coroou Murray.

Foram ao todo 122 semanas no topo da hierarquia mundial. Novak Djokovic, que aproveitou a fase descendente de Roger Federer e Rafael Nadal para cravar a sua hegemonia no ténis, parecia um líder inabalável no início de 2016. Depois de ter conquistado 11 títulos em 2015 (41 entre 2011 e 2015) o sérvio arrancou o ano a vencer em Doha e o primeiro Grand Slam do ano, em Austrália, ganhando essa final precisamente a Andy Murray. Seguiram-se vitórias importantes em Indian Wells, Miami e Madrid, antes de vencer em Paris, naquele que foi, provavelmente, o mais simbólico e emotivo título de Djokovic. Ao ganhar Roland Garros, após perder as finais de 2012, 2014 e 2015, Nolan imortalizou-se no restrito lote de jogadores que completou o Carreer Grand Slam. A vítima foi, outra vez, Andy Murray. Djokovic é, provavelmente, o grande rival do britânico. Em 35 encontros que ambos disputaram o sérvio ganhou 24.

As derrotas para Nolan nas finais de Melbourne e Paris foram um golpe duro para Murray. E é também isso que torna esta conquista algo de especial. Chegar ao final de um ano como este, onde o maior adversário parece mais vigoroso do que nunca, com vitórias retumbantes a meio do percurso, e alcançar, ainda assim, a liderança mundial, só está ao nível que quem coloca diariamente, a cada treino, a cada jogada e em cada jogo, paixão pelo desporto. Murray recompôs-se e Djokovic começou a descer o seu nível, com algumas derrotas surpreendentes. De Junho atá aqui, o sérvio venceu apenas o torneio do Canadá. Murray soube ser consistente, pensou jogo a jogo, torneio a torneio e a janela de oportunidade surgiu. Para isso o escocês tinha que chegar à final do torneio de Paris. A desistência de Milos Raonic, nas meias-finais, foi o necessário. “Nunca pensei chegar a número um do mundo. Têm sido tantos anos de trabalho e tão difíceis devido ao alto nível dos meus adversários”, desabafou Murray, que, semanas mais tarde, defendia a sua nova condição no Masters Final. E, no derradeiro jogo, Murray e Djokovic reencontraram-se como que discutindo quem era o melhor de 2016. Afinal, foram os dois tenistas que mais venceram no ano e o torneio reunia os melhores entre Janeiro e Dezembro. A coroa de rei do ténis estavam também em jogo. E se Djokovic começou melhor 2016, Murray confirmou a tendência de que é o tenista em melhor forma no circuito. Venceu por 2-0 (6-3 e 6-4). O coroa ficara gravada definitivamente na cabeça do escocês.

Tendo em conta os anos e o trabalho que Murray teve para chegar aqui, tendo em conta o seu perfil, não é expectável que o reinado do escocês seja efémero. Andy já tinha feito história ao liderar a vitória na Copa Davis para o Reino Unido, que agora se pode orgulhar também de voltar a ter um número um, o primeiro na Era moderna.

A coroação de Murray é também a coroação do treino, da persistência e preserverança. E é sobretudo a prova de que sem trabalho, o talento de nada serve. Longa vida ao Rei.

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Djokovic e Murray continuarão, em 2017, a discutir o trono do ténis mundial


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