20 Set, 2017

Arquivo de Surf - Fair Play

FlyingAway_LuisBento.png?fit=628%2C418
Palex FerreiraJulho 19, 20175min0

Selfie Time Foto: Luisbento.com

 

Luís Bento é presença assídua nos line ups em dias clássicos, as suas fotos têm conquistado a atenção tanto de marcas como atletas, é actualmente apoiado por Dafin Europe, Theboardhole e DCK Boardshorts.

A paixão pela fotografia acompanha-te desde quando?

LB: Desde sempre, o meu avô paterno já era um amante da fotografia e o meu pai a mesma coisa, naturalmente segui as pisadas deles.

O que te inspira ao ir para dentro de água, esteja frio ou calor, para fotografar?

Flying Away Foto: LuisBento.com

LB: pelos registos que tenho desde que nasci, ir para dentro de água nunca foi um problema para mim. Em adolescente fui nadador federado no Benfica onde cheguei a ser campeão de Lisboa e vice campeão nacional e até ganhei umas medalhazitas em provas internacionais, por isso sinto-me muito bem dentro de agua seja a fotografar ou a surfar. Fotografar na agua é um 2 em 1.

Tens algum fotógrafo que desenvolva um trabalho semelhante ao teu que te sirva como inspiração?

LB: Quem me fez avançar foi o Brek (João Bracourt), uma viagem que fiz à Indonésia e ele era o fotografo de serviço. Fiquei fascinado com toda aquela logística e principalmente pelas fotos que tirava. Quando cheguei a Lisboa a primeira coisa que fiz foi encomendar uma caixa estanque para a minha maquina que na altura até era igual à dele. Sem duvida que continuo a te-lo como referencia e há alguns anos atrás conheci outro monstro da fotografia de surf mundial que dispensa apresentação, Diogo D´Orey.

Que elementos deve ter a fotografia “perfeita”?

LB: Luz, muito importante a luz para qualquer tipo de foto.

Que dificuldades alguém que queria iniciar esta atividade pode esperar encontrar?

LB: Algumas dificuldades, não é fácil estar la fora só de barbatanas e maquina. O meu primeiro conselho é a segurança. É fundamental saber nadar muito bem e “perceber” o surf, saber ler a linha da onda, saber posicionar-se para não interferir com o atleta.

Tubo no Zavial Foto: LuisBento.com

Qual a melhor sessão que tenhas fotografado que te lembras?

LB: Tenho várias mas deixo uma foto da minha ultima sessão no Zavial

Analisas de perto e constantemente o surf e o bodyboard, pois além de presenciares ao vivo voltas a ver as imagens várias vezes, tendo em conta que és um espectador privilegiado, o que achas sobre a evolução destas modalidades e o que o futuro reserva a Portugal?

LB: Com o impacto que o surf e o bodyboard têm na economia nacional não percebo porque razão não há revistas da especialidade em portugal. Elas sim são o principal meio de divulgação das tuas fotografias, sejam dentro ou fora de agua.

Perfection Foto: Luisbento.com

Quais o surfistas que mais te tem impressionado ultimamente?

LB: Sem duvida o Nicolau, não só pelo surfista que é como também com a preocupação que ele tem em trabalhar a sua imagem que por sua vez dá um excelente retorno aos patrocinadores. A imagem de um surfista é importantíssima para a sua evolução.

E os bodyboarders?

LB: Tó Cardoso, Manuel Centeno, Horta, Nuno Leitão “Batata” e André leite.

Nuno “Batata” Leitão, em Dropknee na Ericeira Foto: LuisBento.com

 

Qual o material que usas quando vais para dentro de água?

LB: Trabalho com Nikon, e Dafin e wave solution water housings

Pedro boonman Foto: Luisbento.com

Qual é o kit básico para alguém que queira iniciar esta atividade?

LB: Atitude, vontade, persistência :))

Uma mensagem para a nova geração e para quem é importante ter boas fotografias e filmagens para poderem mostrar o seu potencial ao mundo?

LB: Já o disse anteriormente, a imagem é importantíssima para a evolução de um atleta.

Para terminar, se te fosse dada a oportunidade de fotografar uma pessoa à escolha a fazer o que quisesses, quem seria e o que estaria a fazer?

LB: Adorava fotografar o Kely Slater a surfar em HT’s

 

Sigam os trabalhos do Luís Bento:

http://luisbento.com
https://www.facebook.com/LUISBENTOcom
https://www.instagram.com/luisbento_com/ 

Artigo criado em parceria com TheBoardHole.com

Brek.jpg?fit=1024%2C682
Palex FerreiraJulho 13, 20174min0

Do decorrer desta série de entrevistas a alguns fotógrafos nacionais, (Ricardo Bravo e Nuno Fontinha) hoje o escolhido é João “Brek” Bracourt, conhecido surfista e fotógrafo no sul do país, mas precisamente na Costa Vicentina. Costuma estar sempre nas melhores ondas por ali espalhadas, com paisagens um pouco diferente do resto do país.

Desde há muito tempo, é um nome bem conhecido no que respeita a fotografias de surf no sul de portugal, onde figuram alguns dos melhores atletas nacionais de desportos de ondas (Surf, Bodyboard, Longboard entre outros). Onde sobressaem Marlon Lipke, Alex Botelho, Luís Esteves, Manuel e Zé Mestre (pai e Filho), Joana Schenker, Neuza Mochacho e seu irmão Ivo Mochacho entre outros tantos, que habitualmente são encontrados nesta zona do país a desfrutar das belas ondas existentes nesta área do nosso país.

100% Natural Enviroment Foto: João Bracourt

Os fotógrafos e o surf – com João “Brek” Bracourt

Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

JB: Faço surf há 30 anos

Deixaste de surfar, ou manténs essas atividades de fotografias e surfar umas ondas?

JB: Continuo a surfar, faço caça submarina e vela também.

Como surgiu essa paixão da fotografia?

JB: No rally de Portugal, ainda nos anos oitenta, tinha para aí 9 anos.

Selfie at the Office. Foto: João Bracourt

Onde gostas de fotografar mais?

JB: Na Costa Vicentina.

Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

JB: Como apanhava perceves a mergulho, a fotografia aquática foi uma coisa natural. Por acaso comecei ao mesmo tempo do Clark Little, mas os fotógrafos que gosto não são de surf. Como fazia surf, lia bem as ondas e cedo consegui fotos boas na água de surfistas como o Owen Wright, Julian Wilson, por exemplo.

Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, e depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

JB: Tenho tido material de média gama e até baixa, acho que o material não é o mais importante, mas sim a criatividade, visão, etc. Tive alguns sustos com água na caixa estanque, mas consegui salvar o material. Já me roubaram uma teleobjetiva… Ossos do ofício.

Nic Von Rupp Açores Foto: João Bracourt

O estado da fotografia de surf

JB: É um pouco como a música, temos de nos adaptar à nova realidade e não chorar e dizer que antigamente é que era bom.

Qual a foto que falta teres?

JB: Qualquer fotógrafo tem de ter uma ideia, uma visão e deve por algo de si, algo original na imagem que cria. O melhor fotógrafo para mim é o Ray Collins.

Posing at the nose Eurico Romagueira. Foto: João Bracourt

O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (Waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

JB: Shorebreak há em todo o lado. Ele (Clark Little) tem fotos lindas, mas é um pouco repetitivo para o meu gosto.

Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

JB: Está a evoluir bastante, se abrirmos uma revista de há 20 anos atrás as fotos são muito fracas. Tanto em Portugal como no estrangeiro vão aparecer talentos e vão ser feitas coisas que nunca imaginámos, acho

Podes seguir os trabalhos do João “Brek” Bracourt em:

https://www.instagram.com/joaobracourt/

https://joaobracourt.blog/

Artigo realizado em parceria com o The Board Hole

unnamed.jpg?fit=1024%2C683
Palex FerreiraJulho 6, 20177min0

Após o primeiro artigo, com o Ricardo Bravo, ter recebido alguns elogios, continuo a falar com mais fotógrafos, desta vez é o meu companheiro de café, que durante o ano todo está sempre pronto para tirar umas fotos antes de iniciar os seus dias na sua Loja, dedicada ao bodyboard –  “MiramarBBShop”.

Artigo com Ricardo Bravo. Leia aqui.

Apresento-vos o Nuno Fontinha, corpo cheio de tatuagens, amante do Bodyboard, prefere o dropknee (estilo de bodyboard, existe o deitado “Prone”) e o com um joelho e um pé (DropKnee) e uma mente sem receios de arriscar, aceitou o desafio da sua vida ao ficar à frente no projeto Miramarbbshop, fundado pelo Edmundo Veiga, peixeiro para os amigos.

Matinal Caparicana com Jaime Leitão. Foto: Nuno Fontinha

Mas antes da aventura da loja,  já estava a criar uma marca de fotografia a “NF” e começou a apoiar alguns dos talentos da Caparica, a nova escola do bodyboard nacional Rodrigo Carrajola, ao que juntou um lendário do bodyboard nacional Rodrigo Bessone. No surf é o Gonçalo Vieira, entre muitos outros novos talentos que surfam na Caparica. Costuma após as surfadas escolher a foto do dia e dinamiza através das redes sociais.

Foi escolhido este ano, devido à qualidade das fotos que capta na área da Costa de Caparica, tendo sido convidado para criar dos troféus do #PrimaveraSurfFest2017, bem como do Cartaz das etapas desse grande evento que abrange dezenas de modalidades de ondas e música.

Rodrigo Carrajola em “reunião” com o fotógrafo. Foto: Nuno Fontinha

Combinamos mais um café e fomos à descoberta de quem é o Nuno Fontinha,m.

Para a semana teremos connosco o João Bracourt, o “Brek” conhecido fotógrafo do sul do país.

Os fotógrafos e o surf – com Nuno Fontinha

Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

NF: Faço desde os meus 10 anos de idade.

Deixaste de surfar, ou manténs essas atividades de fotografias e surfar umas ondas?

NF: Não deixei de surfar, faço as duas coisas que me dão prazer.

O Brasileiro da LUFISURF Team, Jefson Silva que tem sido visita anual sempre na Caparica, e verdadeiros postais caparicanos. Foto: Nuno Fontinha

Como surgiu essa paixão da fotografia?

NF: Já a muito que gostava de fotografia, mas não dedicava muito tempo. Quando tive uma GoPro o bichinho da fotografia despertou mais por ter fotos na água

Onde gostas de fotografar mais?

NF: Costa de Caparica

Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

NF: O começo foi difícil porque o material é caro. Sigo vários trabalhos de muitos fotógrafos que me ajudam a evoluir

Lipe Ferreira,  de 13 anos a divertir-se na Caparica, seja qual for a prancha. Foto: Nuno Fontinha

Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, e depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

NF: Sim, já gastei muitos euros. Sempre que vou para água tenho muito cuidado porque basta uma gota de água e lá vai o material.

o Autor do artigo a ganhar inspiração. Foto: Nuno Fontinha

Já perdeste dentro de água algum material?

NF: Nunca perdi material fotográfico na água, mas sim barbatanas.

Rodrigo Bessone – Ex-pentacampeão nacional – Foto: Nuno Fontinha

Numa sessão o que é que te dá mais prazer?

NF: É puxar pelo pessoal para ter a foto do dia ou então, fazer um quadro novo para a minha galeria.

Qual a foto que falta teres?

NF: Ando a trabalhar para ela todos os dias. Posso dizer que todas as pessoas que tirei fotos me deram alegrias porque vejo no rosto deles a alegria que transmitem.

Carlos Bahia – LUFISURF Team. Foto: Nuno Fontinha

Um fotografo na água passa muito mal, debaixo das ondas? (fala um pouco das sessões de inverno quando o frio se instala)

NF: É um pouco duro e alguns sustos pelo meio, quando chega o frio começo a puxar pelo o pessoal que está comigo na água para esquecer do frio.

A mostrar serviço aos Skaters no #PrimaveraSurfFest -Ollie de Lipe Ferreira Foto: Nuno Fontinha

Como conseguiram vingar no mercado cada vez mais tecnológico, e com mais pessoas a tentarem esse tipo de trabalho?

NF: Tens que estar sempre a inovar porque estamos sempre aprender, tenho uma loja que me deu ainda mais uma abertura para vender os meus trabalhos onde faço de galeria (loja MiramarBBSHOP).

O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (Waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

NF: Gosto muito do trabalho dele, mas tenho a Costa de Caparica a frente a casa não me queixo, mas sim Waimea é muito bom. Mas gosto muito de fotografar a minha Costa de Caparica.

Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

NF: Acho que vai crescer mais, até porque cada vez mais irão aparecer novos fotógrafos na água, tal como já acontece com os que diariamente tiram fotografias nos pontões da Caparica ao pessoal na água.

Que futuro tem a fotografia no surf?

NF: O futuro o tempo dirá, mas temos vindo a descobrir cada melhores materiais, e mais acessíveis, o futuro e a tecnologia prometem outras surpresas, teremos que esperar.

Podem seguir os trabalhos do Nuno Fontinha nos links.

 

http://nfphotography.pt/

https://www.instagram.com/fontinha78/

https://www.instagram.com/nfphotography78/

Artigo feito em parceria com o TheBoardHole

 

 

RB_Photo01.png?fit=1179%2C603
Palex FerreiraJunho 30, 201714min0

É uma realidade que já ninguém passa despercebido, os fotógrafos costumam estar sempre no local certo à hora certa. Mas uns parecem ter outros ângulos diferentes, e cativam o público através de fotos nas principais publicações mundiais.

Nos últimos anos, passaram a fazer parte do crowd na água, já em Pipeline (famosa onda da ilha Oahu-Havaí) eram muitos colocados estrategicamente para tirar a melhor foto duma sessão.

 

Kelly Slater perante um “crowd” de fotografos. Fonte: Stabmag.com / Ryan Miller/ Redbull.com/surfing

 

Para tirar aquela foto melhor, foram arranjando melhores ângulos, outro tipos de lentes. E no final surgem fotografias mágicas que qualquer surfista / bodyboarder / longboard e outros desejam pagar para ter expostas na sua vida.

Uns fazem disso vida, outros são fotógrafos profissionais que juntam outros trabalhos de fotografia no seu espólio de imagens. Fiz uma escolha, entre os fotógrafos que conheço melhor, e pessoalmente, para entender o que os levou a mudarem da prancha para a fotografia. E trago a primeira parte hoje!

Lembro-me de um fotógrafo que tirava as fotografias do bodyboard nacional, o meu amigo Pedro Crispim, bodyboarder da antiga, que se dedicava a gravar nas suas lentes as imagens dos melhores atletas nacionais e internacionais, ainda de forma analógica.

Crowd, de surfistas e fotógrafos, é uma realidade hoje. 

Atualmente, vem-me à cabeça alguns talentosos fotógrafos que se mantêm ativos nesta área da fotografia e das ondas. Fui até eles para lhe colocar umas questões sobre esta forma de captar novos ângulos de surfistas no “nosso” espaço sagrado, que é o mar.

Poderia ter  colocado aqui mais fotógrafos, mas a ideia do artigo foi colocar de outras zonas de ação (Caparica por exemplo, temos outros fotógrafos, como o Pedro Morais (XtremePhotography), Nuno Fernandes (Water Visuals), Romeu Ribeiro (WalurBeachHouse), entre outros).

Hoje ficas com Ricardo Bravo!

Os fotógrafos e o surf

Tiago Pires sob o olhar de Ricardo Bravo. Foto: RicardoBravo.pt

Quem nunca quis ter a foto de surf/bodyboard tirado dentro de água? Pois são na grande parte “esquecidos” após a foto ou filme. Todos os surfistas querem ter uma fotografia a surfar, mas dentro de água tem outro encanto.

Existem alguns que já se dedicam a tirar cada vez melhores fotos dentro de água e a malta que desliza nas ondas adora isso,  até compram fotografias de surf, negócio que vem crescendo de ano para ano, tal como a população que se dedica a esta actividade que tanto prazer nos dá.

A evolução tecnológica veio aumentar a possibilidade de termos altas fotografias/filmagens no nosso ecossistema, as máquinas evoluíram, ficaram com mais mobilidade, caixas estanques, lentes todas “xpto”, GoPros em muitas pranchas. Todos queremos a tal foto na água.

Fomos procurar alguns fotógrafos conhecidos do mundo do surf, nomes como Ricardo Bravo, João “Brek” Bracourt, Nuno Fontinha, Luís Bento, entre outros tantos que não conseguiram dar o seu contributo para este artigo de opinião.

Se nós enquanto surfistas (englobando tudo e todos que deslizam nas ondas) às vezes custa-nos levar com as ondas, o que dizer dos fotógrafos que ficam grande parte do tempo, na zona de impacto? A meu ver, devem sair da água com o cartão cheio e o corpo bem massajado com água salgada (risos), mas as fotos ficam boas, depois de escolherem entre centenas, porque hoje me dia uma máquina dispara centenas de fotos em segundos e no meio dessas, estará aquela foto de luxo.

O investimento de um fotógrafo, deve ser enorme, porque tudo nesse campo da imagem (fotografia/filme) é caro, adicionando os programas de ajustamento de imagens (Adobes, entre outros), e que ainda se sujeitam a levar com um gajo em cima e perder o material ou danificá-lo em nome de uma grande foto de gala.

Ricardo Bravo. “A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia…”

fp Há quanto tempo fazes surf/bodyboard?

RB: Para o ano celebro 30 anos de bodyboard e é para continuar com umas incursões ao bodysurf nos intervalos.

Visão de peixe. Foto: Ricardo Bravo

fp Deixaste de surfar, ou manténs essas actividades de fotografias e surfar umas ondas?

RB: Entre trabalho e família não é fácil ir tantas vezes como gostaria, mas tento ir pelo menos uma vez por semana.

fp Como surgiu essa paixão da fotografia?

RB: Não sei bem, foi acontecendo…já tirava umas fotografias por brincadeira, mas quando terminei o liceu acabei por experimentar um curso de fotografia. Gostei tanto que fui tirar outro mais completo e a partir daí passei a ter bases técnicas e artísticas que contribuíram decisivamente para gostar tanto de fotografia.

fp Onde gostas de fotografar mais?

RB: Não penso muito nisso. Pode ser no mar ao nascer do dia, como em minha casa. Depende da luz, do momento que estou a viver ou simplesmente do estado de espírito.

O surfista, a onda e o fotógrafo. Foto: Ricardo Bravo

fp Como foi começar, quem foram as grandes inspirações para chegares onde chegaste e seguir alguns dos melhore surfistas dentro de água?

RB: No início passava horas nos pontões da Caparica a tentar apanhar aqueles momentos de surf e bodyboard…depois aos poucos fui tendo algum trabalho publicado na Surf Magazine, Surf Portugal e Bodyboard Portugal e fui conhecendo as pessoas. A primeira vez que estive nos Coxos foi o Bubas que me levou, é um bocado ir a um estúdio de fotografia pela primeira vez, porque ali tudo se conjuga, tanto pela qualidade das ondas como pela possibilidade de fotografar de diversos ângulos. Na Costa fotografava muito com o Bubas e com o Frey Tuck que sempre tiveram um estilo muito bonito. O Tiago Oliveira também era uma referência pelo estilo a surfar, algo que sempre valorizei muito, mais até que a performance. Entretanto estava a geração do Tiago Pires a despontar e acabei por fazer o meu percurso um bocado em paralelo com o deles, ainda que sempre mais “caseiro” porque embora goste de viajar, sinto-me muito bem em Portugal. Temos muita sorte com estas praias, o clima, a luz…. Acho que estes factores também me ajudaram no meu percurso. O resto tem sido paixão e dedicação.

fp Já deves ter investido uma pequena fortuna em material, depois como é colocar material tão caro dentro do mar?

RB: Gasta-se realmente muito dinheiro, mas a maior parte das compras são completamente racionais, é um investimento. Mesmo o que não é utilizado na água, só por estar na praia é sujeito a um desgaste intenso – o ar do mar é terrível para o equipamento fotográfico.

fp Já perdeste dentro de água algum material?

RB: Já perdi a conta…várias máquinas e objectivas.  Faz parte da profissão e quem não estiver disposto a correr esse risco, nem vale a pena entrar na água. Acontece a todos os fotógrafos.

fp Numa sessão, o que é que te dá mais prazer?

RB: Conseguir uma boa imagem. É só isso e já é muito…

Ricardo Bravo na sua “secretária de trabalho” Foto: Ricardo Bravo

fp Qual a foto que falta teres?

RB: Todas. Não tenho nenhuma foto que posso dizer que é perfeita. Há sempre espaço para melhorar, podemos sempre fazer melhor. No mar tudo se altera, todos os dias são diferentes e nós enquanto pessoas também mudamos muito ao longo da vida e por consequência o nosso olhar vai evoluindo, a nossa interpretação do que estamos a fotografar altera-se com o passar do tempo e o acumular de experiências. A paternidade, por exemplo, mudou completamente a forma como vejo as coisas. A dada altura recuperei uma ingenuidade, uma capacidade de continuar a ver coisas novas em sítios onde já tinha fotografado inúmeras vezes, que pensava já ter perdido.

fp Quem é ou foi o surfista que te deu mais alegrias fotografar até hoje?

RB: Trabalho com muitos surfistas diferentes, é um desporto individualista e como tal acabas por conhecer todo o tipo de pessoas com atitudes e capacidades completamente distintas. Para mim o desafio acaba por ser encontrar o caminho para conseguir trabalhar da melhor forma com cada um. Claro que pelo caminho conheces pessoas especiais que se tornam amigos para a vida.

fp Um fotógrafo na água passa muito mal, debaixo das ondas? (Fala um pouco das sessões de inverno quando o frio se instala).

RB: Fotografar na água é sempre um desafio na medida em que não controlas quase anda. Preparas o equipamento, tentas posicionar-te no melhor local, mas estás condicionado pelas correntes, marés, ondas e até pela maior ou menor vontade do surfista estar disposto a sacrificar algumas ondas boas só para conseguirem uma aquela fotografia especial. Ao mesmo tempo são estas variáveis que tornam esta actividade tão especial. Na questão do frio, sinceramente acho que não temos frio a sério em Portugal. Ok, há um dia ou outro em Janeiro em que realmente é desconfortável, mas nada que um fato de 5mm, um gorro e umas luvas não resolvam.  Até nesse aspecto somos uns privilegiados em Portugal.

fp Como conseguiram vingar no mercado cada vez mais tecnológico, e com mais pessoas a tentarem esse tipo de trabalho?

RB: A evolução da fotografia digital trouxe realmente mais gente para o mercado porque passou a ser mais fácil tirar uma boa fotografia, mas um fotógrafo profissional tem que o conseguir de forma consistente e não apenas fazer uma boa imagem de vez em quando. Embora a base seja essa – produzir trabalho de qualidade de forma consistente – há uma série de outros factores que são decisivos para sobreviver no mercado e que passam pela relação com os clientes, capacidade de adaptação a cada situação que surge, cumprimento de prazos, etc. Fotografar bem é a base da pirâmide, mas é preciso construir o resto…

fp Para ti quem é o melhor fotógrafo e que características deve ter um bom fotógrafo na água?

RB: Há vários que considero referências, como Brian Bielmann, Jon Frank, Ted Grambeau, Joli, Art Brewer, Tod Glasser, Morgan Maassen e muitos outros. Cada um com o seu estilo.  Alguns destes nem fotografam na água, que é uma confusão recorrente na fotografia de surf. A função de um fotógrafo é conseguir imagens para transmitir uma ideia, ajudar a vender um produto, passar uma emoção, dar a conhecer alguém… e pode consegui-lo com um telemóvel, uma super objectiva profissional, um drone ou a fotografar na água. Estas são as ferramentas à sua disposição e cabe-lhe decidir qual a melhor para cada situação e em função das suas capacidades.

Relativamente à segunda parte da tua pergunta, um bom fotografo na água precisa de conhecer bem o mar, estar bem fisicamente e dominar as técnicas fotográficas.

fp O que achas do trabalho de Clark Little, gostavas de ter aquelas ondas (waimea ShoreBreak para fotografar) ao pé de casa?

RB: Acho que é admirável se pensarmos no que envolve em termos físicos e curioso em termos conceptuais, já que ele acabou por especializar-se em fotografar o mesmo tema no mesmo local e com resultados surpreendentes. Pessoalmente interesso-me mais pela linha de trabalho do Jon Frank, que é uma visão mais poética do mar com que me identifico bastante.

Tubo! Foto: Ricardo Bravo

fp Como vês o futuro da fotografia de surf em Portugal daqui a 10 anos?

RB: Vai continuar a existir, não sei se profissionalmente também ou apenas a nível amador. Acho que ninguém pode prever.

fp Que futuro tem a fotografia no surf?

RB: Estamos a viver uma fase de transição em que os conteúdos de vídeo são cada vez mais apelativos, o que não invalida o lugar da fotografia, mas eventualmente, tira-lhe algum protagonismo.  Sendo tudo imagem, são formas diferentes ler o mundo que nos rodeia e se calhar para consumo imediato – redes sociais – o vídeo vai continuar a ganhar terreno nos próximos anos, mas enquanto forma de comunicação ímpar a fotografia vai estar sempre presente. Uma fotografia por si só, ou acompanhada por uma boa história, é algo que nos deixa a imaginar um mundo de possibilidades…”

Agradecemos a disponibilidade do Ricardo Bravo e convidamos a visitar o site dele http://www.ricardobravo.pt/, e também o podes seguir no instagram.com/ricarbravo/

Para a semana, mais um nome estará à conversa connosco.

Aloha

 

Palex

Fairplay

Theboardhole.com/

2bb717e2b058e5283d50a5128c7b72ae.jpg?fit=1200%2C801
Palex FerreiraJunho 26, 20176min0

Que material deve cada surfista utilizar? Num mercado que cresceu muito nos últimos anos, onde proliferaram marcas de pranchas, marcas de roupa, escolas de surf, lojas em todo o lado, quem fornece a informação ao iniciante? Que tipo de material deve usar para evoluir?

No passado os surfistas (englobando como sempre da minha parte todos os que deslizam nas ondas) eram mais autodidatas do que hoje, não havia quem desse uma informação nem dicas de como se fazia isto ou aquilo, era tudo por experimentação, eu lembro-me de arranjar as minhas pranchas com um amigo (o Nunão) em pires de café e material comprado na Loja do Falcão em Sete Rios – Lisboa. Como era feita a mistura com a resina e catalisador? Era por testes. A quilhas vinham colocadas pelos shaper (aquele que faz as pranchas), e era o que havia. Hoje, com um mercado gigante e milhões de consumidores, é fácil adquirir qualquer tipo de prancha, de quilhas, de decks, isto para o surf e longboard.

Rodrigo Bessone, clássico do Bodyboard português a demonstrar habilidade nos tubos caparicanos. [Foto: Nuno Fontinha]

Já no Bodyboard, cuja modalidade pratiquei no início com orgulho, eram todas da mesma medida e mudavam pouco de formato, hoje ao ver as pranchas na loja do Fontinha (MiramarBBshop) na Caparica, até fico baralhado, umas com stringers, vários tamanhos disponíveis, umas mais flexíveis outras mais rijas, uma panóplia de material ao dispor do mercado.

Mas e dentro de água?

O autor do artigo , Palex Ferreira,  no teu “escritório” da Costa de Caparica. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Com tanto material disponibilizado nas lojas, porque razão o nível português ainda é médio, desculpem lá a frontalidade, mas é médio para não dizer baixo.

Por outro lado, já um nível bem alto, exemplo é os atletas profissionais, que já competem de igual com os melhores do mundo, isso houve evolução, mas é necessário perceber o que não está a ser bem feito.

Hugo “Jamaica” Carvalho metendo pressão nas suas quilhas. [Foto: Nuno Fontinha]
 

Que tipo de quilhas gostas? Eu sei que gosto delas maiores, apesar de fazer longboard prefiro quilhas tamanho L em vez de estabilizadores e uma quilhas central entre as 5’5 e as 7 polegadas, sinto-me bem com essa configuração/Setup, mas numa prancha pequena (5’10 já prefiro as L, ou em caso de serem QUAD (4 quilhas) as da frente L e atrás S).

Porque grande parte dos surfistas e bodyboard não conseguem gerar velocidade suficiente para manobras boas?

Fazendo uma analogia, se o Sebastien Loeb andasse como eu de carro, nunca seria piloto do WRC, certo? Ele sabe o que faz o carro andar, como fazer para que o carro ande mais rápido nas curvas, etc. Nas ondas é igual, é preciso desenhar e perceber para evoluir em como se deve melhorar a linha numa determinada onda.

Que tipo de pranchas devem ter determinado surfista, mais reta, mais curva, com curva no tail ou a meio, um surfista tem que saber o que uma prancha lhe vai permitir evoluir, senão não vai andar. Vou ser acusado que “isso não interessa nada, o que interessa é a diversão e estar com os amigos e bla bla”, mas eu quero evoluir e isso passa por aproveitar ao máximo quando estou na água, tentar destruir uma ondas da melhor maneira possível, deviam ser todos assim.

No Longboard e nos Hangtens (colocar os dois pés no bico da prancha) é preciso ter as quilhas certas para o equilíbrio Carlos Bahia (LUFI SURF CO Rider) [Foto: Nuno Fontinha]
 

Se virmos bem, todos queremos ser melhores, ser como os melhores atletas nacionais e claro os mais mediáticos mundiais. Só assim iremos evoluir e ficaremos muito mais felizes connosco próprios. Mas cada se diverte à sua maneira, concordo, e se utilizasse de forma correta os materiais que utiliza? Se calhar a evolução seria mais breve, porém a cena do surf é curtir a vida e a praia, respeitando tudo e todos, cada um tem o seu estilo.

Hoje temos milhares de formas e tipos de material disponíveis em qualquer loja, mas temos que ser nós enquanto amantes das ondas a saber o que precisamos, se alguém nos perguntar sobre determinado tipo de quilha, devemos ser amigos e dizer se gostamos ou não devido ao tipo da quilha, porque como em tudo na vida não gostamos, nem somos todos iguais, apesar de haver ténues diferenças na praia.

The Board Hole

Que tipo de prancha devo usar, onde posso saber disso? Estou a iniciar um trabalho como social media (utilizar algumas ferramentas que o meu mestrado me ensinou, que o google não explica tudo- sou um engraçadinho e cheio de ironia) num site que foi para o ar há um mês, e que permite dar uma ajuda com a participação de bons surfistas (englobando todas as formas de deslizar nas ondas) para permitir esse feedback a quem precisar dele.

Imagem: theboardhole.com

Devido a essas mesmas questões abracei um projecto que me parece estar em falta no panorama deste tipo de desportos de deslize (Surf, Longboard, Skate, bodyboard, ski, snowboard entre outros tantos), um site onde se pode ver os aconselhamentos, ou advisory em inglês que todos dominamos. Acho que faz sentido obter essa informação, quer os iniciados no desporto, mas bem como obter esse feedback dos experts, quem melhor para testar pranchas, quilhas, fatos, rodas, snowboards… que os pros?

No tal projeto que abracei, www.theboardhole.com procura-se dar essas dicas e aconselhar que material estaremos a utilizar, com vista à melhoria das performances, pelo que vos convido a visitarem e a registaram-se.

E mensalmente, trago ao Fairplay.pt, um artigo especial para ti. The Board Hole e Fairplay.pt na tua evolução na arte de deslizar!

No fim deste artigo, chegaremos a pensar se estaremos bem equipados para a prática que adoramos.

Adriano-e-Filipe-1.jpg?fit=1024%2C463
Eduardo MenezesMaio 27, 20174min0

Um abençoado campeão de volta ao lugar mais alto do pódio; um dos mais talentosos surfistas da atualidade longe da luta pelo título. Da mesma origem, mas completamente diferentes. Adriano de Sousa e Filipe Toledo, o protagonista e antagonista da última etapa no Rio de Janeiro.

Adriano de Sousa foi protagonista e venceu o CT#4 no Rio de Janeiro e encontra-se em 2º lugar na corrida pelo título do tour, empatado com o sul-africano Jordy Smith com 24,400, atrás apenas de John John Florence (HAW), 24,750 pontos.

O resiliente brasileiro, campeão mundial de 2015, parece estar voltando a sua melhor fase, sempre abençoado por Ricardo dos Santos, como Mineirinho costuma frisar em todas as suas entrevistas e dedicar todas suas vitórias – Ricardinho dos Santos, surfista brasileiro de ondas grandes,  foi assassinado em 2015, em frente ao seu avô, após uma discussão banal.

Tatuagem em homenagem a Ricardo dos Santos [Foto:ESPN.com.br]
 

Adriano, 30 anos, tendo mais de 11 anos na elite do surf, parece querer sempre mais. Se antes lhe faltavam vitórias e conquistas, isso mudou. Campeão de 2015 e primeiro vencedor brasileiro da mítica etapa de Pipeline no mesmo ano, não precisa provar mais nada a ninguém dentro e fora do tour.

Se comparado com outros surfistas brasileiros da elite, Adriano parece mais um estrangeiro, pois mesmo emotivo acaba por ser frio e calculista em suas batalhas. Aparecendo menos na mídia, tendo um surf mais focado, com mais power e talvez menos espetacular, treinando muito, mas muito mesmo, passando épocas tanto no Havaí como em Fiji, aprendendo aquilo que sabia menos e melhorando seus pontos fortes.

A sede por conquista e nunca desistir fazem com que possamos ver um protagonismo, vencedor acima de tudo. Adriano de Sousa é um exemplo que todos deveriam seguir, pois nem sua origem humilde, nem os contra-tempos da vida, o fizeram desistir. Pois soube reconhecer suas fraquezas e deficiências, fazendo disso motivação para ser melhor.

Mentalmente e tecnicamente, Mineirinho se superou e se supera a cada época. Um exemplo dentro e fora do mar, que leva consigo um irmão que o abençoa a cada heat e em todas as ondas do mundo.

[Foto: joliphotos.com]
[Foto: joliphotos.com]
 

Resiliência e humildade, características marcantes desse brasileiro devem ser notadas e aclamadas no mundo do surf. O capitão honra suas origens e seu amigo, fala menos e faz mais. Por outro lado…

O outro lado da moeda.

Filipe Toledo um dos mais talentosos e promissores surfistas do Brazilian Storm, parece às vezes estar um pouco perdido. E a pressão para que ele passe de promessa à realidade, pode estar pesando em suas performances e atitudes. Fazendo dele o grande antagonista da última etapa.

[Foto: Henrique Pinguim]
 

Se seus incríveis aéreos fazem o público e juízes ficarem boquiabertos, mas sua atitude de contestação e sua falta de controlo chamaram ainda mais atenção na última etapa. Filipinho foi penalizado por uma interferência em seu heat contra o Kanoa Igarashi (USA), tendo uma de suas notas cortadas pela metade, retirando em muito a sua chance de vencer a bateria e avançar na etapa, como também na corrida pelo título mundial.

Mesmo numa decisão delicada do juízes e até mesmo a ponto de ser contestada, o brasileiro não poderia ter a atitude que teve. Praticamente fora de si, manchando não somente a sua imagem, como também a de outros surfistas. Filipinho errou e foi punido, estando fora da próxima etapa em Fiji, retirando assim, grandes possibilidades de título ao jovem brasileiro.

Talvez, Toledo necessitasse ser um pouco mais Adriano de Sousa, se espelhar no atleta campeão, que anda a fazer muito. O perfil diferente não faz dele pior que Adriano, mas quem sabe um pouco mais de concentração, resiliência, atitudes pensadas e frias façam de Filipinho o grande surfista e atleta que tanto se espera. Se surf não lhe falta, atitudes de campeão e estrategismo devem ser acrescentados ao seu repertório, vencendo assim baterias mais complicadas mentalmente.

Tanto Adriano quanto Filipe são surfistas de elite, cabe a Filipe por a cabeça no lugar, parece que já começou quando assumiu a culpa no episódio de sua suspensão, e seguir os passos vencedores de Adriano. Dois grandes surfistas e quem sabe, dois grandes campeões.

bells-beach-Kirstin-Scholtz.jpg?fit=1024%2C683
Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

Um país, três etapas, diferentes vencedores e um antigo líder. A perna australiana do WCT, da World Surf League, começou agitada e mostrando que, realmente, o campeonato de 2017 tende a ser o mais disputado dos últimos anos. Mas o domínio dos melhores, entre os melhores, tende a continuar.

Se em Gold Coast, pudemos ver a coroação da superação e do talento nato, com a vitória de Owen Wright (AUS). Em Margaret River, ficamos com exibições quase perfeitas do último campeão, John John Florence (HAW), confirmando aquilo que todos já sabiam, o Havaiano tem muito surf e está cada vez mais competitivo. Porém faltava alguém tocar o sino na última etapa da perna australiana – Bells Beach, uma das mais antigas e icónicas etapas do tour -, coube ao sul-africano, Jordy Smith, essa honraria, demonstrando que o seu vice-campeonato de 2016 não foi por acaso e que 2017 poderá ser diferente.

Os 3 primeiros e Andino

John John Florence, figura mais que carimbada em todos artigos e conversas de surf, como o surfista com mais potencial de dominar a cena mundial, começou o ano como ou melhor do que terminou  2016, surfando muito, tirando manobras improváveis, mas não impossíveis para ele. Consistente e cada vez mais estratégico, assegurou duas 3º posições e uma vitória, somando 23,000 pontos e a lycra amarela. Se assim continuar, poderá assegurar o Bi-campeonato antes da derradeira prova em sua casa, Pipeline.

Jordy Smith, o vice-campeão de 2016 parece estar cada vez mais decidido em se sagrar o novo rei do surf. Iniciou com uma 9ª colocação e pareceu estar apenas a aquecer, para a última etapa australiana em Bells Beach, onde detonou e levou o sino para casa. Já soma 19,200 pontos e está na cola do havaiano.

Owen Wright, como num enredo de cinema, o australiano iniciou o ano da melhor forma possível. Vencendo em sua casa, após um ano fora da elite, devido a uma grave lesão que o obrigou a reaprender a surfar. Nas etapas seguintes, continuou consistente, ficando com uma 5ª e 9ª colocação, empatado com Smith na 2ª posição do ranking.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

O surfista norte-americano, Kolohe Andino, merece sim um destaque nesse início do tour, o 4º colocado do ano passado, começou o ano tão bem quanto terminou a última época. Se conquistar alguma vitória nos próximo eventos, poderá chegar às últimas etapas do ano ou Pipeline com changes de título, e assim ser o underdog do ano. Andino está atualmente com 13,750 pontos e em 5º lugar.

Brazilian Storm

4 entre 12 dos melhores posicionados no ranking da WSL, são brasileiros. Com destaque a Adriano de Souza, o conhecido Mineirinho, com seu surf constante e competitivo, entretando muito potente e vistoso, chegou a dois quartos-de-final e uma 9ª posição, o que lhe garantem 14,400 pontos e a quarta posição na tabela de classificação, nada mal para quem tenciona ser campeão novamente.

Filipe Toledo em sua especialidade. [Foto: Henrique Pinguim]
 

Filipe Toledo se redimiu da péssima desclassificação logo no round 2 em Gold Coast, chegando a uma meia-final  e um 5º lugar nas etapas seguintes, dominando ondas pesadas, algo não muito comum no surf do brasileiro, caracterizado pelos seus aéreos. Sua melhora, o credencia para novamente ganhar a próxima etapa no Rio de Janeiro e lutar pela coroa ao final do ano.

O rookie de 2016, Caio Ibelli, surpreendeu em Bells Beach ao chegar a sua primeira final, após eliminar Frederico Morais (PT) nos quartos-de-final e ninguém menos que John John Florence, na meia-final. Junto com a dupla 13º colocações nas etapas iniciais, o zuca faz ótima figura em 2017, tendo o próximo evento em casa para consolidar entre os 10 primeiros, antes da ondas tubulares, que podem causar algum estrago as pretensoes do jovem surfista.

O grande expoente da geração brasileira, Gabriel Medina, aparece na 11ª colocação, muito aquém, daquilo que o surfista tupiniquim pode alcançar e da posição que costuma estar. Porém, todos já conhecem o grande potencial de Medina no tubos e na onda brasileira da próxima etapa, o que nos faz crer, que irá galgar posições no ranking nas próximas etapas.

Os novatos

Rookies 2017 – [Imagem: torcedores.uol.com.br]
 

Se assim podemos dizer, Leonardo Fioravanti (ITA) fica com o prémio de decepção nesse início de época, apesar dos resultados alcançados serem normais para um rookie, o jovem italiano e um dos primeiros classifcados pelo WQS de 2016 acostumou o mundo do surf com altas performances, quando assim competiu como wildcard no WCT 2016, por exemplo, sua 5ª colocação em Margaret River. Neste ano ainda não passou pelo round 2 e soma apenas 1,500 pontos.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Como destaques positivos temos o havaiano Ezekiel Lau, surfista que ficou com a úlitma vaga no WCT, graças a ajuda de Kanoa Igarashi (USA) que avançou a final em Pipeline e se garantiu também pelo WCT, deixando a vaga ao amigo pelo QS. Lau em Bells Beach alcançou sua primeira meia-final, perdendo apenas para Jordy Smith, campeão da etapa. O jovem já soma 8,750 e está em 11º, empatado com Medina e logo a frente de Kelly Slater.

Outro novato que iniciou o ano muito bem foi Connor O’Leary (AUS), o primeiro colocado do QS 2016, correu as três etapas em casa, uma grande vantagem nessa caminhada longa e dura que é o WCT. Logo na primeira prova do ano, chegou aos quartos-de-final, quando foi derrotado pelo campeão do evento e compatriota Owen Wright.

Não poderíamos deixar de falar dele, Frederico Morais (PT). O jovem português, caracterizado pelo seu power surf , continua muito estratégico e competitivo em todos seus heats. Alcançou um notável 5º lugar na última etapa da perna australiana, seu melhor resultado no ano, quando perdeu para o finalista do evento Caio Ibelli (BRA). O WCT é muito competitivo, mas Kikas já mostrou que tem força e mentalidade para se manter entre os melhores e se o campeonato acabasse hoje, Freferico estava na elite de 2018, uma vez que se encontra 19º lugar com 7,450 pontos.

Parece difícil e, realmente, é

Muitas vezes ao escrever um artigo sobre o WCT ou ao ler algo sobre a elite do surf, pareço estar sempre a ver os mesmos nomes. Os mesmo candidatos estão sempre lá, alternando apenas algumas peças e por assim dizer que dentro do dream tour, estar entre os melhores é uma tarefa muito difícil.

Se andarmos 2 anos atrás, quando o Capitão, Adriano de Souza (BRA) foi campeão e compararmos com a época passada, temos 5 atletas iguais nas 12 primeiras posições. E de notar que tanto Florence e Smith se lesionaram na época de 2015, Mick Fanning (AUS) não correu todas as etapas do tour de 2016 e Owen não participou da época passada, o que poderia significar 9 atletas iguais nas 12 primeiras posições.

Ao se comparar o ranking após os 3 eventos iniciais com o do final de 2016, 9 dos atletas classificados entre os 12 primeiros em 2017, estão na lista de 1 a 12 de 2016.

Ranking WCT 2016 e 2017. [Imagens: WSL]
 

Confira a classficação do WCT masculino aqui.

Podemos verificar algumas semelhanças e afirmar que estar na elite é muito difícil, mas estar entre os melhores da elite, requer muito mais. Demonstrando que no prime time, existe um domínio e para quebrá-lo, o atleta terá que dominar todos os tipos de ondas, desde de pequenas à enormes e tubulares.

Sem falar que apenas 6 surfistas, entre os 32 do WCT 2017, foram capazes de ficar no lugar mais alto do pódio.

Logo, podemos ver aqui que as prestações de Frederico Morais são muito boas e se notarem bem, ele tem os mesmos resultados que o tetra campeão, Mick Fanning. Ainda mais que pelo sistema da WSL, os heats cruzam os melhores classficados com os que vão mais abaixo da tabela, logo o Frederico está sempre a dividir ondas com àqueles acima citados. OBS.: com Fanning ocorre o mesmo nesse ano, uma vez que sua classificação em 2016 não foi a das melhores, ou alguém imaginaria um round 1 com Fanning e Slater? Ou round 2 contra Owen Wright?

Acreditar no power surf do português é uma realidade e que Kikas consiga se adaptar as mais diferentes ondas, como algumas menores que podem aparecer pelo tour e as usuais tubulares.

Ainda há muito a acontecer, 8 etapas com diferentes ondas e muitos candidatos ao posto mais alto, o WCT em seu melhor!

VR-Ricardo-Bravo-e1492706565965.jpg?fit=1024%2C576
Palex FerreiraAbril 20, 20178min0

Vasco Ribeiro, nome que nenhum surfista desconhece, é um talentoso surfista da linha de Cascais e local da Praia da Poça. Desde muito novo, que se notou que dali iria sair um bom surfista, devido a raça com que surfa sempre e em qualquer tipo de condições de ondas (pequenas e grandes).

Costuma ser visto pelas melhores ondas portuguesas com regularidade, Ericeira, Carcavelos, na “sua” Praia da Poça, Costa de Caparica e Peniche.

Em termos de currículo, já foi Campeão Nacional em vários escalões (títulos juniores e Open) e Campeão Mundial Júnior, na Ericeira em 2014.

O surf de Vasco Ribeiro. [Foto: Ricardo Bravo]
 

Vasco Ribeiro é dono de um surf poderoso, e power house como os aussies (australianos) dizem, mesmo na pequenas ondas que estavam no #CaparicaPrimaveraSurfFest2017, Onde destruiu as ondas com notas altas, perdendo apenas para o campeão do Caparica Pro 2017 (Goni Zubizarreta – Colega de equipa da Semente Surfboards).

Vasco foi Vice Campeão desta etapa portuguesa do Circuito de Qualificação Mundial (WQS) da World Surf League (WSL). Esperemos vê-lo brevemente junto com os melhores do mundial, no principal circuito de surf, o WCT da  World Surf League, ou Dream Tour.

As suas pranchas Semente Surfboards. [Foto: Ricardo Bravo]
 

De forma a aproveitar a presença do Vasco Ribeiro pela Costa de Caparica, para competir no Caparica Primavera Surf Fest, o Fair Play marcou presença no evento e o campeão mundial júnior, Vasco Ribeiro, disponibilizou-se para nos dar esta entrevista exclusiva.

fp. Idade de surf, já alguém fazia surf na tua família quando começaste?

VR: Já faço surf há 12 anos e já o meu pai fazia surf.

fp.Como e onde começaste?

VR: Comecei na Praia da Poça (Estoril), com o meu pai

fp. Como é ter um treinador como o Tiago Pires e o Zé Seabra do teu lado, para o longo caminho que são os WQS, rumo ao principal escalão do surf mundial?

 VR: Claro esse é o objectivo.

Nota: Para quem não conhece estes dois surfistas e atuais treinadores do Vasco Ribeiro. Tiago Pires, conhecido por “SACA”, foi o primeiro surfista português a integrar a elite mundial, durante 7 anos. Ainda é considerado por muitos, como o melhor surfista português. O José “Zé” Seabra surfista da geração mais oldschool, ficou conhecido por surfar ondas grandes, entre outras performances enquanto surfista, e devido a essas performances numa das ondas na Ilha da Madeira, a surfada dos anos 90 nas Bruxas, foi refrão de uma música do cantor Ithaka Darin Pappas “Seabra is Mad!” (confira a música Aqui). A nosso ver um belo trio com vista a colocar o Vasco na elite mundial.

fp.Quando competes em Portugal sentes mais pressão, ou mais ficas mais confortável?

VR: Fico mais relaxado quando compito em Portugal. Nós (Surfistas Profissionais) viajamos muito pelo mundo fora em competição e quando há WQS (World Qualifying Series) em Portugal é sempre muito bom.

Rail na água. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas das Prestações do Frederico Morais neste início de temporada WSL?

VR: Tem sido boa, ele ainda não passou muitos heats (baterias), mas tem sido bom. Ainda se está a adaptar, mas está a correr bem.

fp.Quem viaja contigo para as prova internacionais? Do que mais sentes falta durante o período de treinos e competições longe de casa? (foste pai há pouco tempo, e as saudades interferem no teu trabalho enquanto surfista profissional)

VR: Quem Costuma viajar comigo é o Tiago Pires e o Zé Seabra. Em relação à família, quando vou competir, vou a trabalho e uma coisa não interfere na outra, faz parte da profissão. Quando estou nas viagens é para trabalhar e é isso que eu faço.

fp.Como são os teus dias normais em Portugal?

VR: Treino de manhã no ginásio, almoço e surfo, ao final do dia aproveito para relaxar e estar em família.

fp.Qual a bateria que te ficou na memória até hoje, como a melhor?

VR: Apenas me marcam as piores (risos).

fp.Quando te sagraste campeão júnior mundial na Ericeira. Como foi, a seguir a esse grande feito, com as marcas?

VR: Estava na altura sem um patrocínio e foi muito bom para a minha carreira.

Fim de mais uma sessão. [Foto: Ricardo Bravo]
fp.O que achas do Crowd português? Deixam-te surfar livremente, ou cada vez que te vêem na água começam a falar contigo de forma a não conseguires estar focado no surf?

VR: Não! O Crowd deixa-me surfar à vontade e é normal que falem.Estamos todos dentro de água mas ninguém me chateia.

fp. Como é o teu quíver (tipos de pranchas que um surfista tem), e que medidas de pranchas mais gostas?

VR: Desde há muito tempo que uso Semente, são as pranchas que mais gosto de usar. O Nick Urichio (shaper da Semente) é o melhor shaper português e sinto-me muito confortável com as Semente.

fp.Quem foram os surfistas que te inspiraram na tua evolução?

VR: É o meu Pai, sem dúvida.

Vasco Ribeiro [Foto: Ricardo Bravo]
 

fp.Uma mensagem aos jovens surfistas, que pretendem atingir um lugar ao sol no surf mundial.

VR: Os “putos” que se divirtam muito na água e aproveitem ao máximo quando estão a surfar, e que todos se divirtam na água.

Obrigado ao Vasco e à Isabel Corte-Real pela disponibilidade no “meu quintal” para esta conversa de surfista para surfista. E votos de bom trabalho,  para que o Vasco entre em 2018 na Elite Mundial, bem como desejar boa sorte a toda a comitiva portuguesa do WQS.

Para quem quiser acompanhar o WQS World Surf League, sigam o link da etapa de Zarautz (Espanha) onde, desde de dia 19 de Abril, se inicia mais uma etapa deste longo Circuito WQS. Boa Sorte!!!

#Aloha

crowd-control-_www.surfscience.com_.jpg?fit=1024%2C719
Palex FerreiraAbril 15, 20177min0

O desporto é em geral, feito em determinada zona geográfica, e devido à repetição das rotinas, muitos adquirem pensamentos de pertença, a uma zona que não tem dono. No caso o mar é de todos, e de todos se deve manter, porque todos temos direitos a estar livremente em todo o lado (daí falarmos em democracia e liberdade).

Todos os que surfam tendem a ter ou a tentar ter tendências territoriais com as zonas onde praticam a sua atividade, com que fundamento?

O Localismo é palavra antiga, mas o problema maior por vezes, a meu ver, é a falta de respeito por quem não conhece e chega de forma intrusiva e desrespeita quem por lá anda.

Se no Golfe não é permitido ir para os greens, enquanto não se sabe os mínimos, porque razão no mar é a selva, entre inexperientes e experientes (assim por dizer)?

Não há nada que informe as regras do bom senso na praia e nos mares, apenas existe o bom senso, tal como nas estradas, nos passeios, existe ou deve existir.

O Crowd. Foto: SurfScience.com

Os Havaianos são locais agressivos, porquê? Porque o território não dá as ondas grandes e boas todo o ano, e quando dá, aparecem milhões de turistas ou como eles denominam de “haoles” a invadir o paraíso.

Na Caparica, onde surfo diariamente, vejo grupos em praticamente todas as praias, vejo imensa gente na água, mas no fundo não costumam existir assim tantos problemas, o que é sinónimo de evolução dos surfistas (englobando todos os que deslizam nas ondas).  Claro que como ironizei com a estrada, de vez em quando existem problemas, que costumam ficar sarados logo aí, de forma a não recorrer às autoridades, os problemas são resolvidos na hora. E porque se trata de uma zona à semelhança da Linha de Cascais, de zonas metropolitanas, onde vivem milhões de pessoas.

Crowd area. Foto: Surfer.com

A questão da massificação de gente a surfar ou a deslizar nas ondas.

Cada vez há mais gente no mundo, e já existem poucos recantos sem ninguém, não podemos ser ermitas e viver numa bolha sem ninguém por perto. A meu ver a “moda” do surf veio para ficar, de forma forte e claro, que com muito mais gente do que era, quando era considerado um desporto um pouco alternativo, marginal, faz parte da evolução de uma modalidade que sabe bem fazer.

O mercado que depende dessa gente toda, ganha-se muito dinheiro, as escolas de surf, as marcas de surf, as lojas de surf, as marcas de pranchas, de fatos, de tudo que se relaciona com o surf. Mas é preciso ser ponderado, porque há espaço para todos.

Os horários fora das 09h00-18h00 mete mais gente disponível para desportos, logo durante a semana e fim de semana a praia está cheia, ou com muita gente, mas vivendo nós num país com quase 1000 quilómetros de comprimento e plantado à beira mar, existe ainda espaço para encontrar locais com menos gente.

O Localismo é no fundo uma questão de defender a terra, a região, o país, existem grupos de surfistas mais aqui do que ali, é de notar que por vezes se acham locais por estarem no mesmo local durante algum tempo.Depois nem conhecem a história e os pioneiros da zona e por vezes tentam removê-los da zona que também é deles, então quem é o local, é o puto groom que surfa há 5/6 anos todos os dias, ou o veterano que surfa desde groom (décadas de surf)? Nem um nem outro, a praia é de todos, mas deve haver respeito, de ambos. E nesses casos por vezes fala-se de Localismo, sem se saber ao certo do que se fala.

O respeito deve acontecer sempre e quezílias vão sempre existir. O surf cresceu muito e de forma rápida, as pessoas que usam a praia, já respeitam a malta que se senta à espera de ondas, porque sabem que assim em caso de necessidade esses os salvarão.

Deveria e penso que existe e reina por cá algum bom senso entre o crowd, até porque dessa forma até corre melhor as ondas, a malta vai para se divertir e não se chatear. É normal que os melhores sejam mais energéticos e por isso se tornam “chatos” nas zonas, mas é assim, no mar não é como nas estradas, neste aspeto, mas também se buzina quando um acabado de tirar a carta ou um velhinho anda fora do regular movimento da estrada.

O territorialismo do humano é em tudo o que faz, no seu país, na sua casa, em todo o lado, existe a máxima “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros” e deve ser respeitada assim mesmo.

O Localismo é no fundo a defesa da zona onde se pratica, de forma a proteger a zona, o bom senso, e não apenas visto pelo lado negativo, o da violência (até porque isso para além de não resolver nada, ainda dá chatices com autoridades, e outras chatices chatas…) por isso devemos ter em consideração tudo e todos, sejam surfistas, longboarders, Bodyboarders, Sup’ers, banhistas, todos os indivíduos que procuram ir até à praia para relaxar e divertir.

Um dos mais temidos grupos de Locais, DA HUI Made in Hawaii. Foto: SurferToday.com

Não à violência

Não à violência é um trunfo numa sociedade inteligente, que sofre atentados “terroristas” dos Daesh, Hooligans, Grupos racistas, etc., já chega de cenas violentas, stresses, guerras, entre outros factores negativos, queremos é paz e bem-estar em todo o lado, principalmente onde nos sentimos bem, no mar.

A findar, os que mais viajam são os que mais entendem que o Localismo não resolve nada, porque só quem não sai do seu canto é que pode pensar nisso, mas neste país (Portugal) com tantas ondas, porque haverá necessidade disso, o que acorda esses sintomas de pertença, é como já foi referido, a falta de respeito de alguns que se acham melhores, os mais espertos (chico-espertos) que os restantes, mas se todos se respeitarem tudo correrá bem. O Crowd hoje em dia é uma realidade que não existia há 40 anos, e então, temos que nos adaptar, ceder por vezes, tal como o fazemos quando decidimos que vamos viver com outra pessoa, não pode ser tudo como era.

Como autor deste artigo sei que vou ouvir algumas bocas, porque sou Local do Mundo, e respeito tudo e todos, desde que me respeitem (risos). Mas também já me habituei a isso.

Espero que se divirtam no mar, em terra, no ar e em todo o lado sem problemas, porque não vale a pena.

Agora quem compete e se habituou a surfar em todo o lado, por vezes dá para rir, algumas atitudes de pessoas que apareceram muito depois, mas que falam de localismo, e quando estão em locais onde isso existe nem reagem. Por isso deixem-se de cenas e sejam felizes e evoluam na forma de surfar (incluo todas as formas de deslize nas ondas).

Nota:  por Portugal o crowd ainda é relativo, comparando com países como a Austrália, onde chegam a ser mais de 300/400 por praia, por isso Crowd em Portugal ainda está bem longe da realidade (e ainda bem) americana e australiana e brasil. A título particular lembro-me de em 1999 na Austrália com os meus amigos Lufi e Necas, em Manly Beach onde eram mais que as mães e conseguimos surfar umas belas ondas, por isso deixem-se de cenas e sejam respeitadores e felizes.

#Aloha a todos

Imagem-WSL-artitas.jpg?fit=828%2C315
Eduardo MenezesMarço 29, 20177min0

Vitória emocionante; rivalidades acirradas; rookie a despachar favoritos; tudo isso em apenas 1 etapa. O tour apenas começou, mas já demonstrou que não podemos perder nenhum minuto do surf da WSL. Agora, o que esperar no segundo evento? Muito mais…

O primeiro show, que deve continuar

Como prometido e previsto por nós, o ano da WSL começou em grande, já marcada pela emocionante conquista da primeira etapa pelo australiano Owen Wright. Após um ano de recuperação de uma grave lesão (concussão cerebral), que o impossibilitou de disputar o tour do ano passado, como também de simplesmente surfar.

Owen precisou “reaprender” a se por em pé numa prancha, dentro desse processo alguns duvidaram de sua volta, mas muitos fanáticos pela arte do surf e ouso dizer que 100% dos envolvidos no tour acreditavam e sabiam que o aussie voltaria a demonstrar seu talento ondas afora. Talvez uma vitória logo em sua volta, tenha sido inesperada, mas a emoção dessa vitória retratada pelo choro de Owen e de sua esposa ao abraçá-la juntamente com seu primogênito, é simplesmente impagável. Cenas que somente o desporto pode nos trazer.

A emoção que só o desporto proporciona [Foto: Corey Wilson]
 

A final em Gold Coast necessitava de um antagonista, este papel coube a Matt Wilkinson (AUS), que foi a surpresa do ano passado. Wilko iniciou 2017 de forma muito semelhante a 2016, com surf consistente em sua casa, vitórias a cada bateria e mais uma final. Promete novamente brigar pela coroa do surf e começar bem a perna australiana é fundamental.

Os australianos foram defrontados nas meias-finais, pelo atual campeão, John John Florence (HAW), e pelo sempre candidato ao bi campeonato, Gabriel Medina (BRA), – Wilkinson x Florence e Wright x Medina – . Demonstrando que os jovens campeões vieram, novamente, com sede de título e ser campeão pela 2ª vez é um objetivo, o qual podemos considerar plenamente atingível.

Se assim o podemos considerar, a velha guarda da elite foi representada por Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS) nos quartos de final. Slater teve uma disputa épica, de novo, contra Medina decidindo a bateria na última onda, esperando a nota final e o vencedor do heat, já fora da água. O americano ainda questionou os juízes sobre uma possível interferência de Gabriel, o que não foi aceito pela comissão, mas essa atitude diz muito sobre o maior campeão de sempre, ele quer mais um título e vai brigar muito por isso. Já Parko foi parado pelo seu compatriota Matt Wilkinson numa bateria dominada pelo vice-campeão nas ondas de Snapper Rocks.

 

A juventude chegou e demonstrou para que veio. Connor O’Leary, rookie australiano, despachou ninguém menos que Julian Wilson (AUS) no round 3 e venceu o round 4, contra ninguém menos que Wright e Jordy Smith (ZAF), atual vice-campeão da WSL, indo diretamente para os quartos de final, onde encontrou novamente Wright que dessa vez não deu chances ao novato. (Nota: o round 4 não é eliminatório, o vencedor segue para os quartos de final, enquanto os outros 2 perdedores vão para uma repescagem – round 5).

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

Frederico Morais, o representante português, iniciou muito bem seu primeiro ano de “prime time”, vencendo sua bateria na primeira ronda, desbancando Filipe Toledo (BRA) e Adrian Buchan (AUS), porém não conseguiu repetir seu feito e bater o mito Slater no round 3. Sendo eliminado, ficando em 13º colocado no evento e acumulando 1,750 pontos no ranking. Pode parecer ruim, mas avançar baterias, se acostumar com o tour e o nível de disputa é muito difícil, Kikas segue num bom rumo e ritmo para almejar melhores posições. A prestação do português é de se aplaudir, torcer e acreditar no seu power surf é um fato que os portugueses devem levar adiante.

#2 Drug Aware Margaret River Pro

Se emoção e altas disputas não faltaram na etapa de estréia, o segundo evento do ano promete seguir a mesma linha. Pois já se inicia com um heat alucinante, Kelly Slater x Mick Fanning (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA), com os primeiros 2 nomes somam-se 14 títulos mundiais, o que significa muito surf no pé, adicione a isso a participação do estreante Leo, italiano que em 2016 fez bonito em Margaret River, saindo de wildcard a 5º colocado.

Os principais nomes em Gold Coast devem avançar rounds e acirrar a disputa pelo t-shirt amarela. Owen já demonstrou que está totalmente recuperado, logo voltar a tirar 10 perfeitos aliados a vitórias em baterias e etapas não será tão difícil assim 2017, talento não falta a esse aussie que deseja ser igualmente campeão do mundo, como sua irmã Tyler Wright, detentora do título do WCT feminino.

 

Já seu compatriota, Matt Wilkinson repete seu bom início de ano, calando muitos que disseram que o ano passado seria uma doce exceção na carreira do irreverente surfista australiano. Briga novamente pelo título dessa etapa e pela liderança do ranking.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Medina, expoente do Brazilian Storm, parece ter aprendido a lição do anos anteriores e se quer ser campeão novamente, teria que arrancar o ano em melhor forma, e assim o fez em Snapper. Apesar de uma pequena lesão, Medina tem tudo, surf e estratégia, para chegar longe novamente na segunda etapa da perna australiana.

Florence parece não ter ficado sem foco ou com menos gana, após seu primeiro título. Pelo contrários, o havaiano chegou em 2017 ainda mais calmo e confiante em seu surf. Se em 2016 caiu no round 3, esse ano aparenta que vai chegar mais longe e quem sabe já começar a liderar o tour e ter de volta sua camisola (lycra) amarela.

A baixa do evento será o brasileiro Ítalo Ferreira, após se lesionar no free surf não poderá competir a segunda perna australiana. O rookie de 2015, iniciou muito bem 2017, mas essa lesão o tira de ação e esperamos que se recupere e volte logo.

Classificação 2017. [Imagem: WSL]
 

Se alguém precisa melhorar, leia-se ficar melhor colocado, para ganhar confiança e brigar pelo sonhado título, esse é Jordy Smith (ZAF), vice-campeão do WCT 2016, acumula 4,000 pontos, relativo ao 9º lugar em Gold Coast. E quem o conhece, tem a certeza que o gigante sul-africano chegará em Margaret River com muita gana para passar heats e subir na classificação.

Como sabemos, o surf sempre reserva o imprevisto a cada swell, os favoritos começaram bem e tem tudo para seguir assim. Mas nunca podemos declarar um vencedor por antecedência, por isso a única coisa de devemos fazer é não perder o segundo show do ano.

E que nesse espetáculo, tenhamos Kikas a demonstrar todo seu repertório da arte do surf. Para o português seria ideal avançar diretamente ao round 3, trazendo maior tranquilidade e confiança, dado que disputará uma vaga contra o atual rei da coroa do surf, John John Florence. Se ano passado, a vitória em cima do prodígio havaiano não veio, nem na última nota (faltou 0,01), que esse ano reserve uma melhor sorte a Frederico, pois surf, como já dissemos e gostamos de repetir, não lhe falta.

Não perca o CT #2 Drug Aware Margaret River Pro, com janela de disputas entre 29/03 e 09/04 e chamadas as 7:30 do horário local (00:30 de Portugal). Confira em direto no site da World Surf League ou pelo Facebook.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS