20 Set, 2017

Arquivo de Remo - Fair Play

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Estevão PapeJulho 31, 20175min0

16km separam a ilha Berlenga e Peniche, mais concretamente da praia do Molho de Leste. E no passado sábado, 9 remadoras e 18 remadores fizeram a travessia em barcos a remos, sozinhos ou em equipas de dois. Foi assim que se iniciou a época 2017 de remo de mar.

A primeira prova do Campeonato Nacional de Remo de Mar de 2017, como em anos anteriores, esteve incluída no Berlenga Ocean Challenge, organização do Peniche Surfing Clube. Uma prova desafiante e que inclui canoagem, remo e SUP. Uma prova que tem tanto de desafiante como de espectacular. Prova disso é o número recorde de inscrições de tripulações de remo de mar na edição de 2017: oito (8) C2X masculinos, quatro (4) C2x femininos, quatro (4) C1x masculinos e um (1) C1x feminino, no total de 27 atletas. Este ano praticamente duplicaram as participações, de 14 (12 remadores e 2 remadoras) em 2016 para 27 este ano.

Todo o evento é diferente de qualquer outro. A participação inicia-se na sexta de tarde, com os atletas e a organização a carregarem os barcos para os deixarem na Berlenga. É nesse dia que a magia começa e as redes sociais se enchem de fotos e vídeos de golfinhos ou do por-do-sol com a Berlenga e o oceano atlântico como pano de fundo. E se o inicio da regata tem inicio marcado para meio da manhã, os atletas têm de apanhar o barco (ferry) muito cedo, esperando na ilha algumas horas e colocando a conversa em dia.

(Foto: Vasco Pinhol)

 

Nos últimos dois anos a prova teve de ser adiada umas semanas. Este ano devido às previsões de vento e ondulação forte. Mas este ano o inicio da prova foi ainda adiado algumas horas devido ao intenso nevoeiro que se fez sentir. Este pormenor levou a que alguns remadores não chegassem e se posicionassem a tempo na largada, ecoando alguns protestos. De referir que a largada destas provas, efectuada entre duas bóias, é já de si muito atribulada e com muita ansiedade e agitação.

A experiência no rio transpôs-se para o mar

A categoria com mais inscrições, o C2x masculino, foi ganho pela equipa mista de Nuno Mendes (Sporting) e Cláudio Rodrigues (Fluvial) com o tempo de 1h02m. O pódio foi fechado com a equipa da Associação Naval de Lisboa, Afonso Sousa e Manuel Pita, e do Clube Naval Infante D. Henrique, Miguel Meneses e João Varela. Todos estes atletas fizeram a sua estreia no remo de mar mas têm um longo currículo no “remo olímpico”, principalmente Nuno Mendes com duas presenças em Jogos Olímpicos. Segundo Miguel Meneses “foi fantástica a experiência, mas duríssima”. “Talvez das experiências de remo mais duras que já tive, mas sem dúvida para repetir”, finaliza.

 

(Foto: Vasco Pinhol)

 

Em C2x feminino, também foi uma equipa mista de Joana Branco (Sport) e Janine Coelho (Vilacondense) a vencer a prova. A disputa pelo segundo lugar foi intensa e foi a equipa do Caminhense, Ana Gomes e Diana Ferreira, a levar a melhor sobre Inês Pocinho e Carolina Carvalho, da Académica. Joana Branco, remadora da selecção nacional de remo olímpico, comenta que o convite surgiu da Ave Rowing (construtor de barcos de remo) para uma parelha com a Janine Coelho, que também representou a selecção nacional no passado.

Falámos com a dupla vencedora que referem que “gostaram muito da experiência e que a nível de organização, com tantos participantes e logística complicada, funcionou muito bem”. “As sensações do rio para o mar são muito diferentes. O deslize, o ritmo não tem qualquer comparação. Temos que ir de mentes abertas, mas depois de se apanhar o jeito é uma sensação brutal”.

Nos barcos individuais, a vitória sorriu a Elisabeth Dyskiewicz, atleta francesa do clube Annecy-Le-Vieux e única participante na categoria. A remadora francesa terminou o Campeonato do Mundo de Remo de mar de 2016 no 21º (1º lugar na Final B) e está a preparar a participação na prova deste ano.

Nos masculinos a vitória foi para Luis Ahrens Teixeira (Praia de Mira), presidente da Federação Portuguesa de Remo e medalhado em Taças do Mundo e Campeonato do Mundo. O pódio fechou com Anthony Passos, do Caminhense, e Ricardo Russo, da Associação Naval de Lisboa e remador da selecção nacional.

Todos os resultados podem ser consultados na página da Federação Portuguesa de Remo.

Mais fotos da prova podem ser consultadas na página de Facebook do Peniche Surfing Clube e também no facebook da Federação Portuguesa de Remo.

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Estevão PapeJulho 26, 20177min0

Terminaram no domingo, dia 23 de Julho, os Campeonatos do Mundo de Remo sub-23, em Plovdiv na Bulgária, depois de 5 dias de muitas regatas. Numa competição onde vimos 10 novos melhores tempos do mundo, entre 21 classes, o nível continua a aumentar e a equipa portuguesa não foi exceção.  Portugal conseguiu o melhor resultado nesta competição desde 2005, quando Pedro Fraga e Nuno Mendes se sagraram, pela segunda vez, vice-campeões do mundo sub-23.

A seleção nacional de remo sub-23 que representou as cores nacionais foi constituída por 8 remadores, em 4 tripulações, e 2 treinadores (José Velhinho e Manuel Ferreira). O objetivo era melhorar a prestação dos últimos anos

A primeira equipa a entrar em ação foi o Quadri-scull masculino pesos ligeiros (BLM4x) composto por Diogo Coelho (atleta do Sport Club do Porto), Pedro Menezes (Clube Naval Infante D. Henrique), Eduardo Vieira (Académica de Coimbra) e Eduardo Sousa (Coletividade Popular de Cacia). Com 13 equipas em prova, o primeiro objetivo era a qualificação para as semifinais. Depois de não conseguir a passagem direta pelas eliminatórias, a equipa conseguiu apurar-se através da repescagem, deixando a equipa de Hong Kong com o 13º lugar.

A qualificação para a final A era muito difícil, como se veio a provar com o 6º lugar na semifinal de sexta-feira. A derradeira prova e onde o objetivo de melhorar o 11º lugar (em 14 tripulações) de 2016 poderia ser atingido seria a final B, que se disputou sábado dia 22. Segundo Diogo Coelho, a equipa tive uma boa performance a nível de conjunto mas sentiram alguma frustração com o resultado final. “Ter uma equipa mais junta a nível técnico e com uma atitude mais agressiva permitiu ter mais velocidade no barco e apesar de ainda nos encontrarmos distante da frente da regata, tivemos uma luta com a equipa americana desde os primeiros metros até ao final”, refere Diogo Coelho.

De salientar que esta equipa trazia a experiência de 2016 com Diogo Coelho e Pedro Menezes com dois atletas sem experiencia internacional, com Eduardo Vieira e Eduardo Sousa. Diogo refere ainda que “o resultado concreto deixou a equipa descontente pois estivemos perto do 11º lugar, no entanto estávamos confiantes que a equipa tinha dado o seu melhor e feito uma excelente regata”.

Também no primeiro dia de prova entrou em prova João Paulo Oliveira, atleta do Clube Galitos, a competir em skiff ligeiro masculino (BLM1x), num total de 34 tripulações. O atleta de Aveiro passou os últimos meses a treinar com a equipa de quadri-scull peso ligeiro, com atletas seniores, tendo participado na última Taça do Mundo em Lucerna. A sua participação nesta competição foi uma decisão tardia da equipa técnica nacional, após a boa evolução do atleta durante a época.

O João competiu na 2ª eliminatória, onde se classificou em 5º lugar. Na repescagem, onde se classificou em 4º, o objetivo de se qualificar para os quartos de final da prova e atingir os 24 primeiros, também não foi atingido. Na quinta-feira, dia 21, o skiffista nacional venceria a sua semifinal E/F e conquistava o seu lugar na Final E, que daria acesso à disputa do 25º ao 30º lugar da competição.

Na quarta e última prova da competição, a Final E, e uma disputa até ao último metro com o atleta da Macedónia, João Oliveira conseguiu classificar-se em 4º lugar e garantir o 28º lugar entre os 34 atletas em prova. A nível relativo, contando com o elevado número de competidores deste ano (34), em comparação com 2016 (27 competidores), este resultado é uma evolução do 24º lugar de 2016, por Tiago Susano.

A única atleta feminina da comitiva, Inês Oliveira, competiu em skiff feminino peso ligeiro. Embora no seu primeiro ano na categoria de sénior e sub-23, este foi o segundo Campeonato do Mundo Sub-23 para a atleta do Sport Club do Porto. A Inês iniciou a competição na quinta-feira, dia 20, onde se classificou em 4º lugar na eliminatória, não conseguindo o apuramento direto para as semifinais. Na repescagem, no dia seguinte, a Inês também não conseguiria o apuramento para as semifinais. A final C, com o 13º ao 17º lugar, permitiria à atleta melhorar o 19º lugar de 2016 (entre 20 atleta).

Segundo a atleta foi uma prova consistente, onde conseguiu largar forte e manter o contacto com as outras adversárias, terminando em 4º lugar (16º). “É o meu primeiro ano de sub-23 e não importa só o lugar como também a experiência e a aprendizagem para os próximos anos, visto ser um processo que ainda agora está a começar e de que estou confiante”, refere Inês Oliveira.

No dia 20, segundo dia de competição, entraria em ação a dupla de Dinis e Afonso Costa, conhecidos pelos irmãos Costa e atletas do Clube Naval Setubalense. A competir em double-scull masculino ligeiro, com 22 tripulações, o objetivo da dupla era melhorar o 14º lugar de 2016 (em 20 equipas).

A competição começaria da melhor forma para a equipa nacional, ao vencer a sua eliminatória e conquistando a passagem direta para as semifinais. Apenas o primeiro classificado de cada eliminatória passava diretamente à fase seguinte e todas as outras teriam de disputar mais uma prova, a repescagem, para chegar às semifinais.

Na semifinal de sábado, os irmãos Costa, que se mudaram para Coimbra para se dedicarem ao treino, não conseguiram o apuramento para a final A, restando a disputa do 7º ao 12º lugar. Esta classificação já seria uma evolução do 14º lugar de 2016, um dos objetivos da dupla nacional. “Como tem sido habitual no nosso percurso desportivo, o início de uma nova época significa uma melhoria considerável em relação às anteriores e esta não fugiu à regra, referem os irmãos”.

A final B, como esperado, foi uma prova muito bem disputada e competitiva. A dupla nacional acabaria por terminar no 4º lugar, equivalente ao 10º lugar na competição, a menos de 4 segundos do Chile, que venceria a final. “Este mundial foi sem dúvida a melhor experiência que já tivemos relativamente a todas as competições internacionais em que participámos, acabando por se refletir no resultado final, onde alcançámos o top 10”, refere a dupla.

Falámos ainda com José Velhinho, treinador da seleção nacional e que tem treinado a tempo inteiro estes atletas, que referiu que foi uma boa competição e os resultados estiveram dentro das expectativas. “O melhor resultado foi dos irmãos Costa, que ao entrar no Top 10 mundial conseguem entrar no projeto de esperanças olímpicas. O João Oliveira poderia ter chegado aos quartos de final se tivesse ficado em 4º na eliminatória, que daria acesso a uma repescagem mais acessível. A Inês Oliveira ainda é muito jovem e se continuar a trabalhar os resultados surgirão”, refere o treinador.

Em relação ao futuro, segundo Diogo Coelho “o objetivo é continuar a treinar e crescer a cada ano para que Portugal consiga o apuramento para os Jogos Olímpicos de 2020”. A dupla dos irmãos Costa refere ainda que “o facto de termos ido viver para Coimbra foi sem dúvida um impulso para a nossa evolução. Continuaremos a trabalhar para honrar a nossa bandeira e eleva-la o mais alto possível”. O 10º lugar do double-scull dá acesso ao projeto de esperanças olímpicas a Dinis e Afonso Costa, como referido anteriormente, um apoio sempre importante na preparação de qualquer atleta com ambições olímpicas.

Todos estes 8 atletas irão manter-se como sub-23 em 2018, o que demonstra a juventude deste grupo e a margem de progressão que têm.


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