23 Nov, 2017

Arquivo de Remo - Fair Play

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Estevão PapeOutubro 21, 20172min0

O remo de mar é uma modalidade em claro crescimento mundial e nacional. Este ano o circuito nacional de remo de mar teve um boom com dezenas de atletas a competir em cada etapa. E para terminar esta boa época de remo de mar, quatro dos melhores atletas nacionais juntaram-se e foram até França, ao Campeonato do Mundo da modalidade. Da proposta de Cláudio Rodrigues, do Fluvial Portuense, surgiu um resultado inédito para Portugal e a medalha de bronze em CM4x+. Além do atleta do Fluvial, juntaram-se Nuno Coelho (Fluvial), Pedro Fraga (Sporting) e Nuno Mendes (Sporting) e António Rodrigues.

A prova disputou-se em Thonon les Bains, França, e teve dois dias de competição. No primeiro disputaram-se as eliminatórias e a equipa portuguesa deu boas referências ao vencer a sua prova. E no segundo dia, com condições sem vento e sem ondulação, alcançaram a medalha de bronze. Ao total competiram 37 tripulações de CM4x+.

Como referimos, a iniciativa surgiu de Cláudio Rodrigues que começou por convidar Nuno Mendes para a travessia das Berlengas a Peniche, na primeira etapa do circuito nacional de remo de mar. A dupla acabaria por vencer tanto a primeira como a segunda etapa, em Caminha. Na terceira etapa em Setúbal, Nuno Mendes fez equipa com Nuno Coelho, tendo a mesma vencido a prova. Na última e 4ª prova do circuito, o Cláudio Rodrigues voltaria a participar em CM2x, ficando em 2º lugar.

Além de todas estas participações, o atleta do Fluvial, Cláudio Rodrigues, já tinha participado no Mundial de Remo de Mar de 2016, fazendo equipa com Anthony Passos (Campeão Nacional de Remo de Mar CM1x 2017). A dupla terminou em 2º lugar na Final B, no Mónaco, 24º lugar da geral entre 58 equipas.

A equipa ficou bastante satisfeita e Nuno Mendes deixou em aberto mais participações nesta vertente. “Mas no final adoramos todos a experiência e ficam só entusiasmados para um próximo desafio” afirmou.

Deixamos algumas fotos cedidas pela Swift Racing, construtor de barcos que emprestou o barco à equipa portuguesa.

Mais informações e resultados do evento no site da FISA.

 

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Estevão PapeOutubro 6, 201710min0

Os que acompanham de perto as competições internacionais de remo, principalmente os Campeonatos do Mundo de Remo e Jogos Olímpicos, sabem que prognósticos é melhor não fazer muitos. Eu diria que o Remo quase que já poderia ter espaço numa casa de apostas, tais são as incertezas de quem poderá vencer e medalhar. E neste último Campeonato do Mundo de Remo assim foi, com muitas surpresas e regatas espetaculares até aos últimos metros.

Foram 8 dias de competição em Sarasota, na Florida (Estados Unidos da América). Um local que ainda foi ameaçado pelas tempestades tropicais e furacões que todos os anos assolam o país. Mas o local da prova escapou ileso e foi dado a luz verde para as equipas começarem a chegar antecipadamente. A organização construiu e montou um complexo imponente, dignificando em muito o desporto e o comité organizativo da prova.

De salientar que, infelizmente, Portugal não esteve presente nesta prova a nível desportivo, mas apenas através do construtor Nelo e os seus inovadores barcos. A decisão de não participação foi da Federação Portuguesa de Remo, com base nos resultados desportivos das Taças do Mundo, concluiu que as potenciais equipas portuguesas participantes não iriam ter bons resultados que justificassem a deslocação. E a última vez que se realizou esta prova nos Estados Unidos, em 1994 em Indianápolis, Portugal conquistou a sua única medalha em Campeonatos do Mundo de Seniores.

E se estivemos 23 anos sem Campeonatos do Mundo nos Estados Unidos, a organização da prova quis deixar a sua marca e dar a entender que o país é capaz de grandes e boas organizações. Tive a oportunidade de falar com Nuno Mendes e Pedro Fraga, presentes no evento em representação comercial da Nelo, e ambos foram unânimes nos comentários. “O ambiente foi fantástico e a organização muito boa, nível de jogos olímpicos” referiu Nuno Mendes. Pedro Fraga referiu também que “parecia um evento olímpico, muito bem organizado e com estruturas de jogos olímpicos”, não deixando de referir que Portugal não teve nenhuma equipa presente.

Nuno Mendes ainda nos referiu que o interesse na marca Nelo é cada vez maior devido às inovações do casco, da prova e diferenciação das cores. Os feedbacks têm sido bons.

Nações: O regresso da Itália ao topo da tabela

Uma das grandes surpresas foi ver a Itália a regressar ao topo da tabela de medalhas e logo para a primeira posição. A Itália sempre teve uma grande tradição no remo mas esteve afastada de grandes resultados por vários anos. A sua última medalha de ouro olímpica foi em Sydney 2000, quando venceu o Quadri-Scull Masculino (M4x). E nos Estados Unidos, a Itália arrecadou 3 medalhas de Ouro, 3 de prata e 3 de bronze. Uma equipa renovada e com muita garra, a vencer e a fazer resultados surpreendentes e com mais uma imagem de marca: uma ponta final que fez muitos estragos.

A Nova Zelândia já nos habituou a grandes inícios de ciclo olímpico e também ficou muito perto da Itália, escapando-lhe o titulo de Skiff Masculino devido a uma lesão de Rob Manson (atual recordista mundial). A Austrália fechou o pódio de medalhas e recuperou um titulo que lhe fugia há 26 anos no 4- Masculino.

Ainda de salientar pela positiva, o regresso também da Roménia às medalhas de Ouro, com duas, e o Brazil com uma medalha de ouro e uma de bronze. A Grã-Bretanha e a Alemanha, grandes nações de remo, a ficarem-se por poucas medalhas e apenas uma vitoria para cada uma.

A nação da casa, os Estados Unidos conseguiram 5 medalhas mas nenhuma de ouro. De salientar o regresso do treinador Mike Teti ao trabalho com o Shell 8 Masculino (M8+), ultimo treinador a conseguir levar o país a ser campeão mundial neste barco. E o regresso foi logo com a medalha de prata. Este regresso promete o regresso dos Estados Unidos ao topo do Shell 8.

Mas não nos devemos esquecer que este é o primeiro ano do novo ciclo olímpico, que sofreu alterações a nível de barcos olímpicos e que algumas equipas acabam por ser renovadas com atletas mais novos e alguns atletas olímpicos aproveitam para começar a época mais tarde.

Contudo começamos já a ter uma ideia e como imprevisível será este ciclo, com mais países a entrarem na luta pelas medalhas e a Itália de novo a trazer muitas equipas para as finais.

Femininos: regatas cada vez mais disputadas e intensas

Se num desporto com uma forte componente física seria de esperar uma maior participação e intensidade nos masculinos, no remo as senhoras são cada vez mais rápidas e com intensidades muito elevadas. O aumento do numero de barcos olímpicos deverá aumentar ainda mais o nível do remo feminino.

O Shell 4 sem timoneiro (W4-), novo barco olímpico, já apresentou 12 equipas participantes e teve uma final das mais disputadas do evento. Cinco equipas disputaram o titulo até aos últimos metros, com Australia a levar a melhor, logo seguida a menos de 1 segundo pela Polónia e depois pela Russia.

À semelhança da regata de W4-, também as provas de Double-Scull Feminino (W2x), de Quadri-Scull Feminino (W4x) e Double-Scull Ligeiro Feminino (LW2x) tiveram uma disputa até ao final pelo primeiro lugar. Mas isto não significa que as outras regatas tenham sido aborrecidas. Pelo contrário, outras regatas tiveram lutas intensas pelas medalhas como o Shell 8 Feminino (W8+) com uma luta intensa entre Canada e Nova Zelandia pelo 2º e 3º lugar ou o Quadri-Scull Ligeiro Feminino (LW4x) com uma luta entre Austrália, Canada e China.

Com a possibilidade de visualizar todas as provas do Mundial, desde as eliminatórias até às finais, no site da FISA, a descrição de cada prova é desnecessária. É a primeira vez que a Federação Internacional disponibiliza os vídeos de todas as provas, continuando a inovar e a fazer um bom trabalho na promoção do desporto.

Masculinos: níveis e cadências cada vez mais elevados.

Se nos femininos a intensidade é cada vez maior, os homens não se ficam atrás. Se há uns anos todos ficávamos impressionados com equipas de ligeiros a fazerem regatas sem baixar das 40 remadas por minuto, em barcos de 4 ou de 8, neste momento já o vemos nos skiffs e dois sem timoneiro. Se há uns anos haviam tácitas de prova, cada vez mais vemos que não é apenas no Shell 8 que as equipas “largam rápido e mantêm-se rápido”. Cada vez há menos “entrar no ritmo” de meio de prova. E contudo vimos pontas finais das equipas italianas a conquistarem medalhas nos últimos 250 metros. Vale a pena repetir: vão ver as regatas!

É difícil escolher qual a regata ou tripulação que mais impressionou. O Shell 2 sem timoneiro peso ligeiro (LM2-) da Irlanda faz uma prova de cortar a respiração com uma cadência mínima de 44 remadas por minuto. Prova que a Itália “roubou” a prata aos brasileiros nos últimos metros. No Skiff ligeiro (LM1x), Paul O’Donovan vence a prova e mostra que mesmo tendo treinado a maior parte do tempo com o seu irmão em Double-Scull (LM2x), entra no skiff e torna-se o melhor do mundo. O Quadri-Scull Ligeiro ganho pela França por 0,17 segundos, prova que ganhou muito interesse após a retirada do Quatro sem Ligeiro (LM4-) do programa olímpico e já é altamente competitiva. Por fim, o LM4- estava destinado a desaparecer mesmo dos campeonatos do mundo, depois de nos proporcionar das regatas mais emocionantes dos últimos anos. E assim, o LM4- foi das provas menos interessantes do mundial, ganho pela Itália. Não nos esquecemos ainda do único barco olímpico na categoria de ligeiros, o LM2x, de novo entregue à imbatível equipa Francesa, embora a luta pelo 2º lugar tenha sido intensa entre Itália (2º), China (3º) e Polónia.

Nos pesos absolutos, Ondrej Synek domina o Skiff (M1x), com Rob Manson a não conseguir recuperar da lesão que sofreu depois de bater o recorde do mundo. Em Double-Scull (M2x), a Nova Zelândia faz uma prova fantástica e ganha por escassos 0,59 segundos aos Polacos. No dois sem (M2-), das provas mais esperadas, os irmãos Skinkovic não conseguem a vitória como esperado. Ou melhor, a Itália com mais uma ponta final demolidora tirou-lhes o outro. A Nova Zelândia também tentou surpreender mas não conseguiu melhor que o bronze. Em M4-, como referido, a Austrália acabou um jejum de 26 anos e vence categoricamente a prova. A Itália consegue ainda ficar com a prata e os eternos vencedores (Grã-Bretanha) a ficarem-se pelo bronze. Por fim, o Shell 8 Masculino ficou para a equipa favorita (Alemanha), mas com os Estados Unidos (2º), Itália (3º) e Holanda (4º) a acabarem a menos de 1 barco de distância.

De salientar a curiosidade na regata de Quadri Scull (M4x), prova que a Lituânia venceu como esperado no inicio do evento. O voga da equipa da Grã-Bretanha, Peter Lambert, que competiu nesta equipa a semana toda lesionou-se no aquecimento para a final. Devido a esta lesão, o atleta foi substituído por Graeme Thomas e mesmo assim ganha a medalha de prata, muito pressionados pela Estónia (3º) e Holanda (4º). Quem sabe se a equipa original teria vencido, mas em todo o caso ninguém diria que esta alteração manteria o alto nível da equipa.

Congresso FISA: igualdade de género também nos mundiais

No dia a seguir ao Campeonato do Mundo de Remo, ocorreu o Congresso da Federação Internacional. Além da entrega das medalhas de honra e decisão dos eventos de 2019, o congresso votou e aprovou a igualdade de género para as provas dos Campeonatos do Mundo.

Deste modo, depois de desaparecer do programa olímpico, o LM4- sai também do programa dos mundiais. O programa de regatas fica assim igual para masculinos e femininos e apenas se mantem o Shell de 8 como barco com timoneiro. Deixa de haver M4+ e M2+ em Seniores, ficando apenas presente em Sub-23 e Juniores, tanto masculinos como femininos.

Em relação aos eventos de 2019, a novidade é a saída de Lucerna como 3ª Taça do Mundo. As Taças do Mundo ficam assim em Plovdiv (Bulgária), Poznan (Polónia) e Roterdão (Holanda). O Campeonato do Mundo de Junior 2019 será em Tokyo (Japão) e o de Remo de Mar será em Hong Kong. Foi ainda atribuído o Campeonato do Mundo de 2021 a Shanghai (China).

De salientar a entrada de dois novos membros na FISA: Cambójia e Guiné, num total de 153 federações nacionais.

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Estevão PapeJulho 31, 20175min0

16km separam a ilha Berlenga e Peniche, mais concretamente da praia do Molho de Leste. E no passado sábado, 9 remadoras e 18 remadores fizeram a travessia em barcos a remos, sozinhos ou em equipas de dois. Foi assim que se iniciou a época 2017 de remo de mar.

A primeira prova do Campeonato Nacional de Remo de Mar de 2017, como em anos anteriores, esteve incluída no Berlenga Ocean Challenge, organização do Peniche Surfing Clube. Uma prova desafiante e que inclui canoagem, remo e SUP. Uma prova que tem tanto de desafiante como de espectacular. Prova disso é o número recorde de inscrições de tripulações de remo de mar na edição de 2017: oito (8) C2X masculinos, quatro (4) C2x femininos, quatro (4) C1x masculinos e um (1) C1x feminino, no total de 27 atletas. Este ano praticamente duplicaram as participações, de 14 (12 remadores e 2 remadoras) em 2016 para 27 este ano.

Todo o evento é diferente de qualquer outro. A participação inicia-se na sexta de tarde, com os atletas e a organização a carregarem os barcos para os deixarem na Berlenga. É nesse dia que a magia começa e as redes sociais se enchem de fotos e vídeos de golfinhos ou do por-do-sol com a Berlenga e o oceano atlântico como pano de fundo. E se o inicio da regata tem inicio marcado para meio da manhã, os atletas têm de apanhar o barco (ferry) muito cedo, esperando na ilha algumas horas e colocando a conversa em dia.

(Foto: Vasco Pinhol)

 

Nos últimos dois anos a prova teve de ser adiada umas semanas. Este ano devido às previsões de vento e ondulação forte. Mas este ano o inicio da prova foi ainda adiado algumas horas devido ao intenso nevoeiro que se fez sentir. Este pormenor levou a que alguns remadores não chegassem e se posicionassem a tempo na largada, ecoando alguns protestos. De referir que a largada destas provas, efectuada entre duas bóias, é já de si muito atribulada e com muita ansiedade e agitação.

A experiência no rio transpôs-se para o mar

A categoria com mais inscrições, o C2x masculino, foi ganho pela equipa mista de Nuno Mendes (Sporting) e Cláudio Rodrigues (Fluvial) com o tempo de 1h02m. O pódio foi fechado com a equipa da Associação Naval de Lisboa, Afonso Sousa e Manuel Pita, e do Clube Naval Infante D. Henrique, Miguel Meneses e João Varela. Todos estes atletas fizeram a sua estreia no remo de mar mas têm um longo currículo no “remo olímpico”, principalmente Nuno Mendes com duas presenças em Jogos Olímpicos. Segundo Miguel Meneses “foi fantástica a experiência, mas duríssima”. “Talvez das experiências de remo mais duras que já tive, mas sem dúvida para repetir”, finaliza.

 

(Foto: Vasco Pinhol)

 

Em C2x feminino, também foi uma equipa mista de Joana Branco (Sport) e Janine Coelho (Vilacondense) a vencer a prova. A disputa pelo segundo lugar foi intensa e foi a equipa do Caminhense, Ana Gomes e Diana Ferreira, a levar a melhor sobre Inês Pocinho e Carolina Carvalho, da Académica. Joana Branco, remadora da selecção nacional de remo olímpico, comenta que o convite surgiu da Ave Rowing (construtor de barcos de remo) para uma parelha com a Janine Coelho, que também representou a selecção nacional no passado.

Falámos com a dupla vencedora que referem que “gostaram muito da experiência e que a nível de organização, com tantos participantes e logística complicada, funcionou muito bem”. “As sensações do rio para o mar são muito diferentes. O deslize, o ritmo não tem qualquer comparação. Temos que ir de mentes abertas, mas depois de se apanhar o jeito é uma sensação brutal”.

Nos barcos individuais, a vitória sorriu a Elisabeth Dyskiewicz, atleta francesa do clube Annecy-Le-Vieux e única participante na categoria. A remadora francesa terminou o Campeonato do Mundo de Remo de mar de 2016 no 21º (1º lugar na Final B) e está a preparar a participação na prova deste ano.

Nos masculinos a vitória foi para Luis Ahrens Teixeira (Praia de Mira), presidente da Federação Portuguesa de Remo e medalhado em Taças do Mundo e Campeonato do Mundo. O pódio fechou com Anthony Passos, do Caminhense, e Ricardo Russo, da Associação Naval de Lisboa e remador da selecção nacional.

Todos os resultados podem ser consultados na página da Federação Portuguesa de Remo.

Mais fotos da prova podem ser consultadas na página de Facebook do Peniche Surfing Clube e também no facebook da Federação Portuguesa de Remo.

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Estevão PapeJulho 26, 20177min0

Terminaram no domingo, dia 23 de Julho, os Campeonatos do Mundo de Remo sub-23, em Plovdiv na Bulgária, depois de 5 dias de muitas regatas. Numa competição onde vimos 10 novos melhores tempos do mundo, entre 21 classes, o nível continua a aumentar e a equipa portuguesa não foi exceção.  Portugal conseguiu o melhor resultado nesta competição desde 2005, quando Pedro Fraga e Nuno Mendes se sagraram, pela segunda vez, vice-campeões do mundo sub-23.

A seleção nacional de remo sub-23 que representou as cores nacionais foi constituída por 8 remadores, em 4 tripulações, e 2 treinadores (José Velhinho e Manuel Ferreira). O objetivo era melhorar a prestação dos últimos anos

A primeira equipa a entrar em ação foi o Quadri-scull masculino pesos ligeiros (BLM4x) composto por Diogo Coelho (atleta do Sport Club do Porto), Pedro Menezes (Clube Naval Infante D. Henrique), Eduardo Vieira (Académica de Coimbra) e Eduardo Sousa (Coletividade Popular de Cacia). Com 13 equipas em prova, o primeiro objetivo era a qualificação para as semifinais. Depois de não conseguir a passagem direta pelas eliminatórias, a equipa conseguiu apurar-se através da repescagem, deixando a equipa de Hong Kong com o 13º lugar.

A qualificação para a final A era muito difícil, como se veio a provar com o 6º lugar na semifinal de sexta-feira. A derradeira prova e onde o objetivo de melhorar o 11º lugar (em 14 tripulações) de 2016 poderia ser atingido seria a final B, que se disputou sábado dia 22. Segundo Diogo Coelho, a equipa tive uma boa performance a nível de conjunto mas sentiram alguma frustração com o resultado final. “Ter uma equipa mais junta a nível técnico e com uma atitude mais agressiva permitiu ter mais velocidade no barco e apesar de ainda nos encontrarmos distante da frente da regata, tivemos uma luta com a equipa americana desde os primeiros metros até ao final”, refere Diogo Coelho.

De salientar que esta equipa trazia a experiência de 2016 com Diogo Coelho e Pedro Menezes com dois atletas sem experiencia internacional, com Eduardo Vieira e Eduardo Sousa. Diogo refere ainda que “o resultado concreto deixou a equipa descontente pois estivemos perto do 11º lugar, no entanto estávamos confiantes que a equipa tinha dado o seu melhor e feito uma excelente regata”.

Também no primeiro dia de prova entrou em prova João Paulo Oliveira, atleta do Clube Galitos, a competir em skiff ligeiro masculino (BLM1x), num total de 34 tripulações. O atleta de Aveiro passou os últimos meses a treinar com a equipa de quadri-scull peso ligeiro, com atletas seniores, tendo participado na última Taça do Mundo em Lucerna. A sua participação nesta competição foi uma decisão tardia da equipa técnica nacional, após a boa evolução do atleta durante a época.

O João competiu na 2ª eliminatória, onde se classificou em 5º lugar. Na repescagem, onde se classificou em 4º, o objetivo de se qualificar para os quartos de final da prova e atingir os 24 primeiros, também não foi atingido. Na quinta-feira, dia 21, o skiffista nacional venceria a sua semifinal E/F e conquistava o seu lugar na Final E, que daria acesso à disputa do 25º ao 30º lugar da competição.

Na quarta e última prova da competição, a Final E, e uma disputa até ao último metro com o atleta da Macedónia, João Oliveira conseguiu classificar-se em 4º lugar e garantir o 28º lugar entre os 34 atletas em prova. A nível relativo, contando com o elevado número de competidores deste ano (34), em comparação com 2016 (27 competidores), este resultado é uma evolução do 24º lugar de 2016, por Tiago Susano.

A única atleta feminina da comitiva, Inês Oliveira, competiu em skiff feminino peso ligeiro. Embora no seu primeiro ano na categoria de sénior e sub-23, este foi o segundo Campeonato do Mundo Sub-23 para a atleta do Sport Club do Porto. A Inês iniciou a competição na quinta-feira, dia 20, onde se classificou em 4º lugar na eliminatória, não conseguindo o apuramento direto para as semifinais. Na repescagem, no dia seguinte, a Inês também não conseguiria o apuramento para as semifinais. A final C, com o 13º ao 17º lugar, permitiria à atleta melhorar o 19º lugar de 2016 (entre 20 atleta).

Segundo a atleta foi uma prova consistente, onde conseguiu largar forte e manter o contacto com as outras adversárias, terminando em 4º lugar (16º). “É o meu primeiro ano de sub-23 e não importa só o lugar como também a experiência e a aprendizagem para os próximos anos, visto ser um processo que ainda agora está a começar e de que estou confiante”, refere Inês Oliveira.

No dia 20, segundo dia de competição, entraria em ação a dupla de Dinis e Afonso Costa, conhecidos pelos irmãos Costa e atletas do Clube Naval Setubalense. A competir em double-scull masculino ligeiro, com 22 tripulações, o objetivo da dupla era melhorar o 14º lugar de 2016 (em 20 equipas).

A competição começaria da melhor forma para a equipa nacional, ao vencer a sua eliminatória e conquistando a passagem direta para as semifinais. Apenas o primeiro classificado de cada eliminatória passava diretamente à fase seguinte e todas as outras teriam de disputar mais uma prova, a repescagem, para chegar às semifinais.

Na semifinal de sábado, os irmãos Costa, que se mudaram para Coimbra para se dedicarem ao treino, não conseguiram o apuramento para a final A, restando a disputa do 7º ao 12º lugar. Esta classificação já seria uma evolução do 14º lugar de 2016, um dos objetivos da dupla nacional. “Como tem sido habitual no nosso percurso desportivo, o início de uma nova época significa uma melhoria considerável em relação às anteriores e esta não fugiu à regra, referem os irmãos”.

A final B, como esperado, foi uma prova muito bem disputada e competitiva. A dupla nacional acabaria por terminar no 4º lugar, equivalente ao 10º lugar na competição, a menos de 4 segundos do Chile, que venceria a final. “Este mundial foi sem dúvida a melhor experiência que já tivemos relativamente a todas as competições internacionais em que participámos, acabando por se refletir no resultado final, onde alcançámos o top 10”, refere a dupla.

Falámos ainda com José Velhinho, treinador da seleção nacional e que tem treinado a tempo inteiro estes atletas, que referiu que foi uma boa competição e os resultados estiveram dentro das expectativas. “O melhor resultado foi dos irmãos Costa, que ao entrar no Top 10 mundial conseguem entrar no projeto de esperanças olímpicas. O João Oliveira poderia ter chegado aos quartos de final se tivesse ficado em 4º na eliminatória, que daria acesso a uma repescagem mais acessível. A Inês Oliveira ainda é muito jovem e se continuar a trabalhar os resultados surgirão”, refere o treinador.

Em relação ao futuro, segundo Diogo Coelho “o objetivo é continuar a treinar e crescer a cada ano para que Portugal consiga o apuramento para os Jogos Olímpicos de 2020”. A dupla dos irmãos Costa refere ainda que “o facto de termos ido viver para Coimbra foi sem dúvida um impulso para a nossa evolução. Continuaremos a trabalhar para honrar a nossa bandeira e eleva-la o mais alto possível”. O 10º lugar do double-scull dá acesso ao projeto de esperanças olímpicas a Dinis e Afonso Costa, como referido anteriormente, um apoio sempre importante na preparação de qualquer atleta com ambições olímpicas.

Todos estes 8 atletas irão manter-se como sub-23 em 2018, o que demonstra a juventude deste grupo e a margem de progressão que têm.


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