20 Set, 2017

Arquivo de NBA - Fair Play

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João FerreiraAgosto 27, 20174min1

Os Philadelphia 76ers são, sem sombra de dúvidas, uma das equipas mais entusiasmastes da Conferência Este e da NBA. É verdade que a equipa precisa de tempo para crescer por ser muito jovem mas possui a qualidade para vir a ser uma das melhores equipas dos últimos anos a par dos GSW, com as devidas comparações .

Os dois últimos anos foram penosos com a equipa dos Philadelphia 76ers a ser apelidada como uma das piores equipas de sempre da história da NBA. Esta desgraça exibicional (para se ter uma noção, nos 82 jogos da época transacta, o conjunto de Philly ganhou apenas 28 jogos e perdeu os restantes 54) por parte dos 76ers permitiu-lhes, ao longo dos últimos anos, uma pick bastante alta aquando da altura do Draft.

As primeiras picks

Desta forma pelo 2º ano consecutivo tiveram a 1ª pick do Draft, recebendo assim nas suas hostes Markelle Fultz, um dos jogadores mais promissores da liga. Markelle, que na faculdade de Washington (e que não conseguiu levar a equipa aos playoffs) obteve uma média espantosa de 23.2 pontos por jogo e 5.9 e 5,7 de assistências e de ressaltos por jogo, respectivamente. Fultz lutou com Lonzo Ball pelo lugar máximo das escolhas das equipas da liga norte-americana de Basquetebol mas foi este que foi selecionado para se juntar aos Philadelphia 76ers.

A 1ª escolha do Draft (Foto:ESPN)

A partir do dia em que Fultz se juntou os fãs da NBA criaram o que vai ser a equipa dos Philadelphia 76ers nos próximos anos: os FEDS. Este acrónimo refere-se aos quatro jogadores mais jovens desta equipa: Markelle Fultz, Joel Embiid, Dario Saric, Ben Simmons.

Ben Simmons foi a 1ª pick do ano passado teve a época passada praticamente toda lesionado com uma fractura no pé o que o impediu de mostrar aquilo que realmente era o seu potencial. Desta forma, e com a lesão debelada, o ala apresenta-se como uma das principais promessas no que toca ao tiro exterior e à capacidade de finalizar os lances por si criados. O antigo jogador da LSU possui uma estampa física enorme e tem vindo a trabalhar ao longo do verão para se apresentar nas melhores condições físicas no inicio da NBA. Está aqui um caso sério para ser um grande jogador.

Os restantes FEDS

Joel Embiid, o gigantesco poste dos 76ers que também tem vindo a sofrer de algumas lesões que o impediram de mostrar aquilo que realmente vale é um dos postes mais promissores das NBA a par de Karl-Anthony Towns. O americano teve uma lesão que o tem vindo a afectar desde o Draft mas segundo consta, a lesão está completamente ultrapassada e será, esta época capaz de criar mossa nas tabelas adversárias, seja no jogo interior seja nos ressaltos ofensivos.

 

Por sua vez, Dario Sarič, que fez as despesas praticamente todas da equipa no ano passado, é um jogador mais conhecedor do basquetebol europeu. O croata começou a carreira no Cibona Zagreb tendo passado também no Anadolu Efes (Turquia) antes de assinar pelos 76ers no ano passado. Foi, sem dúvida, o jogador mais em destaque desta equipa no ano passado a par de T.J. McConnel, tendo mesmo sido nomeado por dois meses consecutivos o Rookie do Mês da Conferência Este.

O melhor jogador da época passada dos 76ers (Foto: ESPN)

Outros Destaques

Apesar de todos estes jogadores ainda existe outro destaque nesta free-agency para a equipa de Philadelphia: J.J. Redick, o base contratado à desmantelada equipa dos Clippers. É um dos melhores reforços para esta equipa porque vem juntar uma experiência abismal à equipa que é muito jovem. O registo do base é espantoso com idas aos playoffs todos os anos desde que ingressou na equipa dos Orlando Magic.

Esta é sem duvida uma das equipa mais promissoras desde há muito na liga e esperemos que sejam capazes de trazerem de volta a Philly os anos de glória, anos esses passados com um dos melhores jogadores de sempre, Allen Iverson.

Serão os FEDS capazes de chegar, pelo menos, às meias-finais da Conferência Este?

 

5 provável: Markelle Fultz, J.J.Redick, Ben Simmons, Dario Sarič e Joel Embiid

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João FerreiraAgosto 17, 20174min0

Há muitos anos que a NBA e os seus adeptos têm vindo a verificar uma disparidade astronómica entre aquilo que é a Conferência Oeste e a Conferência Este. Os melhores jogadores têm fugido para a Conferência Oeste numa tendência pouco normal demonstrando a fragilidade dos franchises do Este em relação à contratação de grandes jogadores.

A esta fragilidade apenas existe uma excepção flagrante: Gordon Hayward que saiu dos Utah Jazz e foi para os Boston Celtics (candidatos maiores a ganhares a Conferência Este, nesta época que se avizinha). Apesar dos franchises do Este terem, basicamente, a mesma capacidade financeira que os da Conferência Oeste, a competição dentro da própria Conferência faz com que os jogadores prefiram ir jogar contra grandes equipas mais frequentemente do que o normal na Conferência Este.

Em comparação com o ano passado existem 2 equipas que estão fortemente reforçadas e pronto para fazer frente aos 3 favoritos Golden State Warriors, Houston Rockets e os San Antonio Spurs: os Minnesota Timberwolves, os Oklahoma City Thunder.

Minnesota Timberwolves

A equipa dos Wolves renovou o seu símbolo e com ele o seu plantel e tal como tinha afirmado noutro artigo, vai ser uma equipa a ter em conta para os playoffs deste ano da Conferência Oeste.

Na noite do draft os adeptos do conjunto de Minnesota tiveram uma boa surpresa e viram uma das estrelas dos Chicago Bulls (equipa da Conferência Este) , Jimmy Butler a juntar-se ao seu antigo treinador Tom Thibodeau em troca por Zach LaVine e Kris Dunn e a 7a pick do draft.

Para além desta transferência megalómana, vimos a equipa de Minneapolis a mandar Ricky Rubio para Utah, deixando assim espaço para a contração do free-agent Jeff Teague, antigo jogador dos Indiana Pacers.

Mas este período de free-agency não acabou aqui para os Wolves e, desta forma, adquiriram também os serviços de Taj Gibson e Jamal Crawford, dois jogadores com muita experiência que vão ajudar a crescer a equipa e vão fazer com que está vá pelo menos às meias finais da Conferência Oeste.

5 inicial provável: Jeff Teague, Jimmy Butler, Andrew Wiggins, Taj Gibson e Karl Anthony Towns.

Vai ser difícil de os parar (Foto:ESPN)

Oklahoma City Thunder

A free-agency foi bastante emocionante em Oklahoma e está equipa viu-se presenteada com um reforço de peso que torna os OKC um adversário temível: o 4 vezes All-Star Paul George, o substituto ideal para Kevin Durant.

Apesar desta aquisição por parte do conjunto existem outros dois jogadores que podem fazer a diferença, cada um à sua maneira: Steven Adams, um dos postes mais físicos e competitivos da Liga e Russel Westbrook, o melhor jogador da época transacta e o rei dos triplos-duplos promete fazer estragos novamente levando a equipa a uma grande época. Estes 3 jogadores prometem fazer um novo Big 3 feroz.

5 provável: Russel Westbrook, Andre Roberson, Paul George, Doug McDermott e Steven Adams

Fica a questão: será esta equipa competitiva o suficiente para sufocar o domínio evidente dos GSW, dos Spurs e dos Rockets?

O Duo Mágico (Foto: Getty Images)

A Conferência Oeste promete

Destaque, ainda, para dois franchises: os Pelicans que juntaram a Anthony Davis e DeMarcus Cousins, Rajon Rondo o antigo base dos Bulls que promete levar a equipa aos momentos das grandes decisões, e criando outro Big 3 temível e os Houston Rockets que acrescentaram ao seu plantel CP3 tornando assim o seu backcourt um dos melhores da Conferência Oeste e da NBA.

Este promete ser um ano bastante mais animado na Conferência Oeste do que a Este. Com os melhores jogadores, e com os melhores treinadores existem fortes possibilidades de vermos espectáculos fantásticos com as 8 equipas dos playoffs a serem decididos nos últimos jogos da fase regular.

8 equipas prováveis a irem aos playoffs: Golden State Warriors, San Antonio Spurs, Houston Rockets, Oklahoma City Thunder, Utah Jazz, Minnesota Timberwolves, Memphis Grizzlies e New Orleans Pelicans

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João PortugalJulho 27, 201713min0

Kyrie Irving e uma possível saída dos Cleveland Cavaliers… porquê, como e que impacto terá este facto para os vice-campeões da NBA? Estará LeBron James implicado nesta situação? E que soluções pode a equipa do Midwest procurar para preencher a possível lacuna? Uma visão e artigo em parceria com o SAPO 24

O verão dos Cleveland Cavaliers não estava a ser nada famoso. Pouca ou nenhuma flexibilidade para melhorar o plantel sem sair algum dos 7/8 melhores jogadores que fazem parte da rotação, já que estão hard capped – significa que estão acima do limite salarial que os proíbe de contratar jogadores por mais que o salário mínimo. Existe ainda a mid-level exception que as equipas que estão em situação de pagar luxury tax, o imposto que os franchises pagam por ultrapassarem 119,2 M$ de folha salarial, podem utilizar para contratarem um jogador excepcionalmente, como o nome indica, sem que seja pelo salário mínimo. Neste caso tem o valor de 2,6 milhões de dólares por ano.

Até à bomba que Kyrie Irving detonou na sexta-feira passada, que certamente já teria acontecido no seio da equipa, já tinha havido um episódio bastante caricato que mostrou quão frágil está a organização liderada por Dan Gilbert. Como foi noticiado na altura, o General Manager David Griffin terá sido desvinculado quando até estaria em negociações para a aquisição via troca de Jimmy Butler, dos Chicago Bulls. Os Cavs estiveram sem homem do leme nas semanas mais importantes da offseason, o período que começa no dia 1 de Julho com a abertura do mercado de jogadores livres.

Lebron James mostrou-se logo descontente e perturbado com a situação e agora ficámos a perceber que não foi o único. Kyrie Irving reuniu-se com o seu agente e com o dono dos Cavaliers, Dan Gilbert, e pediu para ser trocado. De acordo com a reportagem de Brian Windhorst, da ESPN, Irving deseja ser a primeira opção de uma equipa e que não quer mais jogar com Lebron James. Desta a vez a reação de James foi que terá ficado devastado com a notícia.

Muito rapidamente, antes de irmos analisar possíveis trocas, lendo nas entrelinhas, o que parece é que Kyrie Irving não quer mais jogar em Cleveland. A Final deste ano mostrou que estão a anos-luz de Golden State, têm poucas possibilidades de melhorarem, o banco está velho e não conseguem defender a um nível tão elevado como o que é necessário para parar a melhor equipa da história. A saída de David Griffin numa altura tão capital, no meio de negociações com um jogador do calibre de Jimmy Butler, em vésperas de começar a free agency, certamente que colocou Kyrie ainda mais em alerta e nem mencionei os rumores de que Lebron James poderá entrar na sua última temporada como Cavalier.

Irving está a ver a situação na sua atual equipa a deteriorar-se, com alguma falta de rumo vinda da direção, com o segundo melhor jogador de todos os tempos prestes a abandonar o barco e um pensamento que poderá ter passado pela sua cabeça é que quanto mais cedo sair, melhor será para todos, principalmente para si e para o que ainda pretende da sua carreira na NBA.

Não nos podemos esquecer que Kyrie Irving tem 25 anos, já tem um anel de campeão e vem de 3 Finais consecutivas. Está nos primeiros anos do seu prime, o seu valor de troca nunca será mais alto que o que é agora, o que facilita a organização que lhe paga a arranjar um bom negócio mais facilmente e, acima de tudo, não precisa de hipotecar 1 ou possivelmente 2 anos numa equipa onde não quer jogar.

[Fonte: Anthony Dejak – Associated Press]
 

Se o base dos Cavaliers pretende ser um franchise player, uma primeira opção, e que construam um plantel à sua volta, certamente que não deseja que tal aconteça em Cleveland, Ohio. Se os rumores de que Lebron vai mesmo sair no próximo verão se tornarem mesmo realidade, Irving automaticamente se tornaria a face da equipa. Contudo ele quer ter esse poder bem longe dali, e faz sentido que assim seja, já que, incluindo o próprio James, 3 dos 6 maiores contratos na folha salarial de Cleveland são jogadores que pertencem à agência de Lebron, a Klutch Sports. Kyrie Irving não tem qualquer poder nos Cavaliers, mas ganha-o forçando a sua saída.

Faltam 2 anos até se poder tornar um jogador livre pela primeira vez na sua carreira, porque escolher a equipa onde querem jogar e a cidade onde pretendem viver é uma liberdade que só aparece ao terceiro contrato das suas carreiras – são escolhidos num draft por um franchise e no final do vínculo de rookie, quem os escolheu tem direito preferencial por si, logo só ao oitavo ou nono ano de carreira na NBA é que geralmente ganham essa capacidade contratual. Como referi um pouco acima no texto, o valor de troca de Kyrie Irving nunca mais será tão elevado como é agora, porque a equipa que arriscar dar uma série de ativos pelo base dos Cavs, quererá algumas garantias de poder assinar um novo contrato com ele, ou, pelo menos, aproveitar ao máximo 2 dos seus melhores anos de carreira para o convencer a ficar.

Não vou discutir quem terá tornado a vontade do jogador pública porque há dois lados completamente opostos a serem noticiados. Ou partiu de Irving e do seu agente para mostrar que quer sair e acelerar o processo, ou do lado de Lebron James para deixar o seu colega de equipa mal na fotografia. Segundo Adrian Wojnarowski, Kyrie já tinha pedido para ser trocado logo após as Finais em Junho, só que os Cavs não poderam aceder a tal porque o seu GM estava de malas feitas no olho da rua. Portanto, já não existe a possibilidade de o trocarem por picks do draft que passou, mas ainda podemos imaginar alguns cenários bem interessantes e de acordo com as intenções do jogador ou da equipa, vamos a isso!

Os 4 alvos do base de 25 anos, de acordo com a primeira notícia que saiu na ESPN, são San Antonio, Miami, Minnesota e Nova Iorque. Irving não tem qualquer poder decisório nas negociações mas pode influenciar a que estas 4 equipas ofereçam mais por ele tendo mais garantias de que permaneça no próximo vínculo que realizar. Os Spurs seriam a sua grande prioridade, supondo que mesmo sabendo que não seria o melhor jogador nesse plantel, já que existe Kawhi Leonard, mas acima de tudo há também uma muito superior gestão de egos. Esta separação que Kyrie quer de Lebron parece muito devido ao facto dos seus egos não caberem numa mesma sala, no mesmo court e não haver ninguém capaz de geri-los ou controlá-los.

A escolha dos Spurs seria passar de uma organização que está prestes a implodir, para uma das duas organizações por excelência da NBA, sendo os Golden State Warriors a outra. A reportagem deste domingo, dia 23, que saiu na ESPN co-escrita por Brian Windhorst, Ramona Shelbourne e Dave Mcmenamin com colaborações de Zach Lowe e Chris Haynes, indica que o ex-General Manager David Griffin até conseguiu controlar as aspirações de Kyrie Irving querer ser o co-líder da equipa com relativo sucesso, não se sabendo ainda o timing exacto em que o base dos Cavs pediu para ser trocado a primeira vez. Nos Spurs há uma gestão de recursos humanos, uma divisão de responsabilidades e uma união quase robótica em torno do objectivo de ganhar tal que é o que Irving deseja.

[Fonte: Andrew D. Bernstein – Getty Images]
 

O trabalho, a confiança e a vontade de vencer sempre estiveram presentes em si, porém um obstáculo que se tornou inultrapassável na sua estadia em Cleveland é a diferença de tratamento em comparação com Lebron James. Em San Antonio nunca pareceu haver tais distinções entre Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, nem mesmo mais recentemente com Kawhi Leonard e LaMarcus Aldridge. Há franchises que parece que trabalham sob uma magia que modifica logo o comportamento das grandes estrelas. Outro exemplo, as 4 estrelas dos Warriors, Steph Curry, Kevin Durant, Draymond Green e Klay Thompson, têm um valor para a equipa diferente dentro do court, mas são tratados de igual maneira pela organização.

Se Miami quiser ser um dos possíveis destinos para Kyrie, quase de certeza que Dion Waiters teria que vir em sentido contrário ou ser colocado numa terceira equipa, já que eles nunca se deram bem quando jogaram juntos em Cleveland. Waiters também assinou agora um contrato de 52 milhões de dólares por 4 anos, o que também pode complicar a situação visto que um jogador livre depois de assinar um contrato novo não pode ser trocado para outra equipa nos primeiros 3 meses após a assinatura do vínculo, ou antes do dia 15 de Dezembro, como seria o caso aqui, por ser o que acontece mais tarde.

Para Minnesota, possivelmente implicaria o regresso de Andrew Wiggins à equipa que o escolheu em primeiro lugar no draft de 2014, considerando que Karl-Anthony Towns e o recém-chegado Jimmy Butler são inegociáveis para Tom Thibodeau. Jeff Teague também seria alguém que estaria de saída, provavelmente para uma terceira equipa (os Cavs acabaram de contratar Derrick Rose), colocando-se a mesma situação que Dion Waiters em Miami. Só pode ser trocado a partir do dia 15 de Dezembro.

Finalmente, os New York Knicks seriam uma espécie de regresso a casa, já que Irving apesar de ter nascido em Melbourne, cresceu em New Jersey. Seria uma oportunidade de ouro para os Knicks juntarem um grande jogador ao talento proeminente de Kristaps Porzingis, de se livrarem de Carmelo Anthony e de Lebron James ver mais dois amigos juntarem-se à sua equipa. A troca mais falada até ao momento seria uma que envolveria uma terceira equipa, os Phoenix Suns e que seria algo como Kyrie Irving ir para NY, Eric Bledsoe e Carmelo Anthony para Cleveland e Frank Ntilikina e Iman Shumpert para Phoenix. Haveria também uma movimentação de escolhas do draft, com os Cavs a receberem uma de primeira ronda dos Knicks e a darem uma de segunda ronda aos Suns. Eric Bledsoe é agenciado por Rich Paul, melhor amigo de Lebron James, com quem partilha a titularidade da agência Klutch Sports.

Para além dos 4 alvos de Irving, certamente existirão outras equipas a atirarem-se para a frente, já que é raro um jogador desta qualidade estar disponível no mercado de trocas, ainda para mais com 2 anos no seu atual contrato por cumprir, que para o panorama salarial atual é extremamente atrativo. Também é igualmente necessário perceber que tipo de ativos é que os Cavaliers pretendem receber numa troca de Kyrie Irving. Isto torna-se especialmente difícil por causa da cada vez mais provável saída de Lebron James no final da época que se avizinha. Aquela proposta de Eric Bledsoe e de Melo tornar-se-ia um péssimo retorno caso James só fique mais este ano.

“Quero ser o The Man” [Fonte: Anthony Dejak – Associated Press]
 

O dono dos Cavs, Dan Gilbert, e o recém-promovido a General Manager Kobi Altman devem começar a pensar num futuro pós-Lebron James e têm este trunfo em Kyrie Irving para conseguir um considerável retorno para suplantar a saída do principal símbolo do franchise dentro de 12 meses. É por isso que eles devem olhar para outras equipas com jovens ativos que estão em ascensão na NBA e engodá-los a saltarem uns passos no desenvolvimento ao trocarem pelo talentoso base de 25 anos.

Dentro deste grupo temos Milwaukee, Denver, Phoenix e Philadelphia como as 4 que considero que vão tentar alguma coisa. Um candidato muito perigoso seriam os Boston Celtics. Da maneira como o plantel dos comandados de Brad Stevens está construído com Jae Crowder, Gordon Hayward, Marcus Morris e Al Horford, a dupla Lebron James-Kevin Love terá muito mais dificuldades em dominar uma potencial série de playoffs entre ambas, enquanto que com a saída de Avery Bradley para Detroit, Isaiah Thomas ficaria muito mais exposto perante Kyrie Irving. Se retirarmos Irving de uma série entre Cleveland e Boston, é retirar a arma que mais pode magoar os vencedores da fase regular no Este na época que terminou.

Lebron James parece magoado com toda esta situação e a continuação do seu feito incrível de 7 Finais consecutivas, à procura da oitava, vai ser colocado em cheque. A noite de domingo terminou com mais duas notícias, uma de cada lado do conflito, que mostram como a situação já não foge da separação litigiosa. Enquanto que a facção Irvinguiana garante que terá sido Lebron a fazer chegar a sua intenção de ser trocado à imprensa, o que faz todo o sentido visto que James costuma ser a principal fonte de Brian Windhorst no que toca a assuntos dos Cavs. Por outro lado, a facção Jamesiana transmitiu que o que quer que aconteça com Kyrie, Lebron não levantará a cláusula do seu contrato que o impede de ser trocado sem o seu consentimento. Está tudo nas mãos de Dan Gilbert, que ficou a saber que nem vale a pena pensar em limpar o castelo. Lebron James vai certamente querer dar uma lição a Kyrie Irving dentro do court. Uma ruptura no franchise que tem dominado finalmente veio tornar a Conferência Este imperdível.

Imaginem o quão escaldante vai ser o regresso de Kyrie a Cleveland com a sua nova equipa no dia de Natal depois de Stephen A. Smith ter tornado público (através de fontes próximas do jogador) que Lebron está capaz de lhe dar uma carga de pancada se o vir à frente!

Dúvidas, reparos, perguntas, comentários sobre este ou qualquer outro tema em torno da NBA, o meu Twitter está sempre disponível.

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João FerreiraJunho 26, 20176min0

Mais um ano de NBA, mais um ano de espetáculo sem igual. Um ano com um final esperado mas cujo caminho até lá teve tudo o que se pedia para ser considerado fantástico. Desde a confirmação do estatuto de super-equipa por parte dos Golden State Warriors até aos 70 pontos marcados por Devin Booker, 2016-2017 teve de tudo e o Fair Play não podia deixar de fazer um balanço daquilo que é considerado mais importante neste percurso que pareceu demasiado curto.

Golden States Warriors: os Campeões da NBA

Falar em NBA, neste momento, é o mesmo que falar em Golden State Warriors. Depois de no início do ano a equipa de Oakland ter ido buscar Kevin Durant aos OKC, ficou a dúvida de que forma é que o conjunto se ia adaptar à entrada de um jogador daquela magnitude.

O que se seguiu foi um verdadeiro passeio para GSW e para os seus dois principais jogadores: Stephen Curry e Kevin Durant. A equipa melhorou substancialmente o seu jogo defensivo com Draymond Green em destaque( daí estar nomeado para  NBA´s Defensive Player of the Year) e ofensivamente manteve a sua eficácia com os Splash Brothers em destaque principalmente durante a lesão de Kevin Durant que chegou a fazer recear os adeptos dos Dubs.

No final o que fica para a história são as 16 vitórias contra apenas 1 derrota nos playoffs, o completo domínio da NBA deste ano( matando os fantasmas no ano passado) e a certeza de que iremos ver os GSW a lutar pelos títulos durante muitos anos.

Cleveland Cavaliers

Em Cleveland, o reinado dos King James teve um ano bastante bom embora em termos práticos só se olhe para o 1-4 sofrido nas Finais. No nosso ponto de vista, o principal problema são as soluções de qualidade que vêm do banco. Se parecia, após o período de trades, que os Cavaliers estavam com um plantel mais profundo, as Finais provaram que jogadores como Derron Williams, Channing Frye ou Kyle Korver não têm estofo suficiente para estar nesta equipa.

Por outro lado a inconsistência demostrada por Tristan Thompson e Kevin Love torna se preocupante para um conjunto que luta para ser campeão todos os anos mas que para isso não pode só contar com LeBron James e Kyrie Irving em grande forma.

É aqui que reside o principal problema da equipa de Cleveland, que desta maneira pretende aumentar o seu leque de opções com jogadores como Paul George, Carmelo Anthony ou Dwayne Wade (rumores de transferências).

Russel Westbrook: o verdadeiro NBA MVP

Visto que ainda não foi divulgado quem foi o vencedor do prémio de MVP da NBA não podemos discutir entre James Harden e Russel Westbrook.

No entanto, não podemos deixar de afirmar que o base dos Oklahoma City Thunder devia ser considerado o NBA´s Most Valuable Player. Sim, devia! Porquê? Simples. Durante toda a fase regular e durante a primeira ronda foi o jogador a carregar toda a equipa de Oklahoma. Para além de ter levado toda a equipa às costas, bateu o recorde de Triplos-Duplos, 42, (atenção que não é fácil fazer um quanto mais 42!).

É um jogador fantástico que precisa de uma equipa organizada com um segundo base consistente e com um ala que seja power forward capaz de lançar de triplo e de meia distância tão bem ou melhor que o próprio Westbrook.

Se assim a equipa dos OKC conseguir fazer, terão uma equipa para lutar pelos playoffs do próximo ano. 

Chicago Bulls

É incrível como os tempos mudam. Os adeptos de Chicago ainda se alimentam dos tempos de Michael Jordan e Scottie Pippen mas este ano foi mais passado a discutir do que propriamente a jogar.

O treinador Fred Hoiberg não conseguiu lidar com os egos de Jimmy Butler, Dwayne Wade e Rajon Rondo e foram muitas as vezes que foram divulgados casos de desentendimentos entre os três jogadores e que acabaram por afectar o balneário.

Apesar destes conflitos, a equipa acabou por conseguir marcar a presença nos playoffs e mostrou que jogadores como Carter-Williams, Denzel Valentine, Cristiano Felicio ou Bobby Portis não têm qualidade suficiente para fazerem parte do plantel de Chicago, quanto mais do 5 inicial. 

Vamos ver o que futuro nos reserva em relação aos Bulls já que Jimmy Butler se mudou para Minnesota e está claramente em andamento uma transfiguração no plantes.

O ambiente pesado vivido em Chicago (Foto:ESPN)

Outras equipas

Há outros destaques deste ano que passou, volto a frisar, demasiado rápido.

A equipa dos Spurs com um verdadeiro senhor do basquetebol de seu nome Kawhi Leonard. Não fosse a lesão do jogador no jogo 1 frente ao GSW e este artigo poderia ser diferente e poderia ter escrito que os San Antonio Spurs de Greg Popovich tinham sido outra vez campeões da NBA.

A equipa dos Miami Heat , que a meio da época regular estava no fundo da tabela da Conferência Este e que no final lutaram com Chicago por um lugar nos 8 primeiros. Neste capítulo há que dar os parabéns ao treinador Erik Spoelstra (para nós, devia ser considerado o NBA´s Coach of the Year ).

Um homem de fé na NBA (Foto:GettyImages)

O miúdo de 20 anos fez história! Devin Booker. Vamos ouvir falar muito do base dos Phoenix Suns no futuro. No entanto, após esta época desastrosa por parte da sua equipa, o que tiramos é o jogo dos Suns contra os Celtics em que Devin Booker se tornou o 4º jogador na história da NBA a chegar aos 70 pontos!

Estes foram os momentos, equipas, jogadores ou treinadores que se destacaram ao longo da época de 2016-2017. Uma coisa é certa. Esta época encheu as medidas a todos os adeptos de basquetebol. Só é pena ter de terminar. É também um facto de que o ano que vem vai ser tão bom ou melhor que este e a ansiedade para que comece a nova época é enorme. Até lá, vamos ver o que acontece às composições das diferentes equipas.

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João PortugalJunho 15, 20177min0

O primeiro anel de muitos para Kevin Durant? O merecido Finals MVP; Será que Steph Curry alguma vez conseguirá esta distinção? Voltaremos a ter esta Final, pelo quarto ano consecutivo, em 2017-18? Quantos títulos vão os Warriors ganhar? A tendência é para que a próxima temporada seja ainda mais fácil?

Os Warriors foram campeões pela segunda vez em 3 anos, praticam um basket que deixa os nossos olhos a reluzir e provavelmente vão continuar a dominar a NBA nas próximas épocas. Porém, antes de darmos uma espreitadela em como Golden State vai infernizar a vida das restantes 29 equipas da liga, vamos ao que decidiu o jogo 5 e o título.

O início foi muito semelhante às restantes partidas da Final, os Cavs entraram melhor, os Warriors com turnovers a mais como de costume e nem mesmo as 2 faltas de Kevin Love em 3 minutos fizeram o plano de Cleveland sucumbir. Lebron James, que se tornou o primeiro jogador a terminar uma Final da NBA com triplo-duplo de média, marcou 12 pontos em 5 min e, de repente, eram Klay Thompson e Kevin Durant a irem para o banco com 2 faltas cada. Não só os Cavs tinham ganho o primeiro período por 37-33, como conseguiram dar 1 minuto e meio de descanço a James sem que tivesse sido um descalabro.

Ao fim de 13 minutos, os Warriors já tinham cometido 7 turnovers, mas o pior de tudo é que essas perdas de bola tinham originado 14 pontos dos Cavs em contra-ataque. Claro que quando Golden State deixou de perder a bola estupidamente e elevou a intensidade defensiva, recuperou a liderança para não mais a perder.

Os últimos 8 minutos da primeira parte foram destrutivos para Cleveland. Estiveram 11 posses de bola seguidas sem marcar, enquanto que Golden State marcou em 13 consecutivas, colocando pontos no marcador em 14 das últimas 15 do primeiro tempo. Foi uma run de 28-4 a favor da equipa da casa que só teve fim com 3 triplos importantíssimos que impediram o jogo de estar totalmente ao intervalo, um de Lebron James e dois de JR Smith. Dois dados que marcaram os primeiros 24 minutos: Warriors com 131,5 pontos por 100 posses de bola, espectacular e os Cavs perderam a bola em 20,8% dos seus ataques, demasiado.

Ayesha, Steph e Dell Curry no desfile dos Campeões [Foto: Jessica Christian – SF Examiner]
 

Nos primeiros dois jogos ainda chegámos a ter bons períodos de Zaza Pachulia, mas o início da segunda parte foi a mostra do pior Pachulia, e a única coisa boa do mau Pachulia, que se desiquilibra, perde a bola, tenta marcar contra adversários mais ágeis e mais fortes, é que faz muitas faltas também e sai mais depressa do court.

O melhor período dos Cavs, que foi o terceiro, só pecou uma coisa que me deixou um pouco desiludido porque gostava de saber o que teria acontecido. JR Smith chegou ao final do período com 5-5 de 3pt, o que é fantástico por não ter falhado, mas quando JR está assim intratável, tem de lançar mais. Terminou 7-8, marcando a última bomba da temporada.

O que ficámos a ser foi que o início do derradeiro período da NBA deste ano começou com o futuro e previsível MVP da Final, Kevin Durant, a deixar os Cavs à procura de um milagre. Só que a transição defensiva dos Cavs foi sempre piorando à medida que os jogos avançaram, e esta temporada termina com uma série de jogadas em que o espaço para atacar o cesto estava completamente abandonado e os Warriors fizeram um banquete da incapacidade de Cleveland em ter forças para atacar e defender simultaneamente. Se viram o jogo, sabem que o resultado foi 129-120, os Cavs não pararam de marcar nem deixaram o marcador fugir. Não tiveram forças nem discernimento para impedir que o seu cesto fosse conquistado pelos novos Campeões.

Se há um jogador que voltou a ver o seu estatudo e valor de mercado subir em flecha foi Andre Iguodala. A diferença do Iggy desta Final para qualquer outro momento da época foi como o dia e a noite. Não só partilhou sempre uma das duas tarefas defensivas mais difíceis quando esteve em court, Lebron James ou Kyrie Irving, como recuperou o seu lançamento exterior, foi uma arma mortífera em transição e mostrou o atleticismo que sempre teve mas que aparentava estar em decréscimo rapidamente.

E cá estamos no ponto em que os Warriors estão na plenitude das suas capacidades, com 2 títulos em 3 anos, a jogar como a melhor equipa de todos os tempos e o resto da NBA parece ainda estar a alguns anos de apanhá-los. Neste momento parece claro que dificilmente a Final do próximo ano será mais competitiva do que esta. Os Cavaliers têm a maior folha salarial entre as 30 equipas (tudo indica que os Warriors estarão nessa posição no fim do verão), ou seja, têm uma margem de manobra muito curta para melhorar o plantel, enquanto que o banco está curto e velho.

Os Warriors terminaram a temporada 31-2, desde que Klay Thompson autografou esta torradeira [Fonte: KNBRadio]
 

Até este conjunto de jovens equipas talentosas chegar ao topo, os Warrior poderão estar com uns 5 títulos em 6 anos. Utah Jazz, Boston Celtics, Minnesota Timberwolves, Los Angeles Lakers, Milwaukee Bucks, Philadelphia 76ers são os franchises que estão bem encaminhados para daqui a alguns anos virem a ser o melhor da NBA, a ganhar o troféu Larry O’Brien, sendo que os Celtics são aquele que pode com uma troca saltar algumas etapas intermédias conseguindo alguém como Jimmy Butler ou Gordon Hayward já este verão.

O que de melhor poderia acontecer à liga seria o desmembramento dos Clippers, com Chris Paul e Blake Griffin, principalmente, a serem distribuidos pelos outros candidatos ao trono de Golden State. Jimmy Buttler, Paul George ou Gordon Hayward aterrarem em Boston colocá-los-ia numa excelente posição para finalmente serem um perigo nos playoffs para Lebron James, mas o objectivo da NBA não é chegar à Final, mas sim ser campeão. Todas estas movimentações que podemos imaginar para dar luta aos Warriors poderiam não ser suficientes porque eles são de outra galáxia. As equipas que sabem que têm muito melhores possibilidades de os derrotarem daqui a uns anos não deverão fazer nada para avançar esse crescimento contra o pico de carreira de Curry, Durant, Draymond Green e de Klay Thompson.

O “mal” já está feito. Os Warriors foram o franchise mais inteligente desta década e conseguiram montar um tormento que provavelmente só será derrotado pelo aquilo a que os americanos gostam de chamar “Father Time”, o avançar da idade. O grande adversário das próximas épocas vão ser as lesões… e os Spurs, esses estarão sempre na luta enquanto tiverem Kawhi Leonard.

Fiquem com a explicação do Coach Nick, do site BBallBreakdown, sobre a terrível transição defensiva dos Cavaliers, que tanto foi massacrada nos nossos textos, que lhes custou qualquer hipótese de revalidarem o título.

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João PortugalJunho 11, 20175min0

Kyrie Irving voltou a marcar 40 na Final, um ano depois do jogo 5 da Final temporada passada; Lebron James passou Michael Jordan e Magic Johnson em pontos e triplos-duplos em Finais, com mais uma exibição fantástica (30-11-10); Tristan Thompson apareceu, um pouco tarde, mas apareceu; Kevin Durant fez um grande jogo, mas nem isso foi suficiente para manter uns Warriors que falharam 28 triplos em 39, perto do resultado; Jogo durou 3 horas e 20 minutos e teve 13 revisões de jogadas, um record.

A grande diferença na partida para todas as outras 3 desta Final é que Tristan Thompson apareceu para dominar as tabelas. Nos primeiros 6 minutos ganhou 5 ressaltos, o máximo que ele tinha conseguido em 3 jogos foram 4! É certo que só conquistou mais 5 até ao fim do jogo, mas foi ao princípio que os Cavs fugiram no marcador e os Warriors não mais conseguiram baixar a desvantagem dos 12 pontos.

E o que tornou esta vantagem inicial que não mais foi alcançável foi, em primeiro lugar, a boa defesa dos Cavs no primeiro período, forçou os Warriors a cometer mais turnovers e a escolher lançamentos um pouco piores que o standard da Final, e em segundo lugar o shot making de Cleveland foi soberbo. Kyrie, que viria a terminar com 40 pontos em 27 FG começou o jogo com 10-12 FG. E os triplos claro resolvem qualquer partida hoje em dia. 24 em 45 tentados para o vencedor, 11 em 39 para os vencidos. It’s a Make or Miss league. Os 24 triplos marcados são record na Final da NBA, assim como os 13 da primeira parte. E para verem quão ridícula é esta produção ofensiva em comparação com os restantes franchises, os Cavs têm 5 dos 11 jogos de playoffs onde foram marcados 20 ou mais triplos.

Kyrie Irving é o barómetro dos Cavs – Fonte: SportsSpyder.com

Depois de uns minutos em que Kevin Durant manteve os Warriors a uma distância de continuar na discussão do resultado, os Warriors entraram naquilo que no poker se diz on tilt. Houve um número exagerado de faltas assinaladas no início, a arbitragem foi incapaz de controlar o que quer que fosse e Golden State sofre desse descontrolo. Começam a procurar ganhar faltas no ataque para equilibrar a contagem, a perder mais a bola, é claramente o ponto fraco deles. Em termos de arbitragem, foi dividido, na primeira parte houve um excesso de faltas contra Golden State que colocou vários jogadores em foul trouble e claro que isso influencia o desenrolar da partida, mas na segunda parte os árbitros fizeram precisamente o contrário. Mudaram à última da hora que Draymond Green não tinha uma técnica (passou para Steve Kerr) para não o expulsarem quando recebeu a segunda. Não expulsaram Zaza Pachulia por agredir Iman Shumpert, já quando o jogo estava resolvido e em modo circo.

Regressando ao que realmente interessa, os Cavaliers fugiram à vassourada em grande estilo, e conseguiram mais uns records que, julgo eu, demorarão algum tempo a ser batidos. Os 49 pontos marcados no primeiro período foram o máximo de qualquer período de qualquer Final da NBA. Foi cintilante como quase todos os lançamentos entraram, com uma eFG% de 76%!

O momento da noite – Lebron executa um Dinner’s Served incrível

Nota: Só compreende o que é um Dinner’s Served quem jogou NBA Street na consola. Este é o nome dado quando um jogador atira a bola à tabela e a afunda logo de seguida. Se nunca experimentou este jogo, é a altura ideal porque foi aceite como desporto Olímpico esta semana e teremos um torneio 3×3 já em Tóquio.

E chegaram ao intervalo com 86 pontos, com o resultado 86-68, o que significa que não só bateram o record de pontos nos playoffs numa parte, tanto para uma equipa como combinado. E para colocar as coisas em perspectiva, estes 68 pontos do Warriors foram conseguidos sem um único ponto em contra-ataque, porque podem não acreditar, mas não é possível marcar em contra-ataque se o adversário enfiar a bola no cesto em todos os ataques.

Lebron James também conseguiu dois marcos imporantes para a sua carreira, ultrapassou Michael Jordan em pontos na Final da NBA, está agora em 3º, e com o seu 9º triplo-duplo em finais, ultrapassou Magic Johnson para agora estar em primeiro lugar isolado, onde vai permanecer por muitos e muitos anos. Continuando na senda dos triplos-duplos, também foi  o seu 3º TD em jogos que enfrentou uma possível eliminação na Final, enquanto que nunca outros jogadores o conseguiram por mais que uma vez. E para terminar, porque há quem possa vir criticar dizendo que ele só tem tantos triplos-duplos nestas ocasiões porque perdeu muitos jogos na Final, apresento-vos as lendas da NBA que estiveram em mais jogos de eliminação na Final do que James: Jerry West, Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar.

Ohhhh, Deron Williams marcou um ponto na Final, aliás marcou 5 pontos! Portanto despeço-me com esta estatística altamente importante, D-Will ganhou todos os jogos da Final, na sua carreira, em que marcou pontos, o que significa que se marcar no próximo jogo já saberemos o vencedor.

71 pontos em 49 lançamentos [Basket4US.com]

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João FerreiraJunho 8, 20174min0

As Finais da NBA continuam a surpreender os seus espectadores a cada dia que passa. Se após o jogo 2, ficou a ideia de que os Cleveland Cavaliers tinham muito por onde melhorar. E de facto, no Jogo 3 melhoraram mas a equipa dos Golden State deu mais uma demonstração de força e de classe, arrumando com as Finais da NBA

A vida para os Cleveland Cavaliers está cada vez mais difícil, depois de terem perdido o Jogo 3 por 118-113. Se este foi o jogo mais emocionante destas Finais da NBA, deveu-se principalmente à subida de rendimento no ataque de alguns jogadores da equipa de Cleveland como J.R.Smith ou Kyrie Irving. O problema dos Cavs é que do outro lado está um verdadeiro monstro chamado Kevin Durant.

Agressividade dos Cavs

Tal como disse no artigo referente ao Jogo 2, para ganharem o Jogo 3, o conjunto de Cleveland necessitava de aumentar a intensidade defensiva imposta ao longo do jogo. Apesar de o terem feito, principalmente a partir do 3º período, não deixaram de “dar” pontos de borla aos Golden State com falhas defensivas constantes. Estes pontos, para além de darem cabo do psicológico da equipa que os sofre acaba por aumentar a confiança da equipa que marca.

Um dos principais jogadores a dar estas borlas foi J.R.Smith. O jogador norte-americano teve ontem o seu melhor jogo das finais em ofensivamente, mas mesmo assim pouco acrescentou em termos defensivos. Apesar de ter uma tarefa muito complicada de defender Klay Thompson, o jogador nunca se encontrou no momento defensivo e o seu match-up com um dos membros dos Spalsh Brother não lhe foi nada favorável com o jogador dos Warriors a marcar uns impressionantes 30 pontos em 41 minutos jogados.

J.R.Smith não conseguiu parar Klay (Foto:Getty Images)

Outro problema defensivo dos Cleveland é quando LeBron James sai para descansar. Sim, LeBron precisa de descansar. E quando o fez, durante 1 mero minuto, a sua equipa teve um parcial impressionante pela negativa de 0-11. Isto apenas demonstra que os Cavs pecam por soluções tanto ofensivas como defensivas quando o King está fora do court.

Mas os Cavs não se viram só “aflitos” no momento defensivo. Apesar das exibições monstruosas de LeBron James (mais uma!, com 39 pontos) e de Kyrie Irving (finalmente, mostrou aquilo que realmente vale, com 38 pontos), outros jogadores fundamentais na manobra ofensiva pouco acrescentaram.

Falo de Tristan Thompson, que está a fazer umas finais horríveis, perdendo ressaltos para Steph Curry e sem marcar qualquer ponto, e de Kevin Love que até tinha estado constante nos dois primeiros jogos mas neste pouco mostrou.

Mérito de Golden State

Mas apesar de todas esta falhas de Cleveland, fizeram um grande jogo, o melhor até agora destas Finais da NBA. O problema é que do outro lado está a melhor equipa da NBA. Começam a faltar palavra para descrever a qualidade de jogo que a equipa de Oakland apresenta, sendo que já são colocados ao nível dos Chicago Bulls de Michael Jordan e Scottie Pippen.

Apesar da desvantagem que chegou a ser de 8 pontos, a meio do 3º período nunca desistiu e chegou mesmo a fazer um parcial de 11-0 nos minutos finais com o triplo de Kevin Durant a encerrar o jogo que até àquela altura estava bastante vivo. 

Os Cavs nunca mais se encontraram com o foco a ir para o verdadeiro “bloqueio mental” sofrido por LeBron James nos últimos 4 minutos e meio, onde não marcou qualquer ponto, com uma jogada a ficar na retina dos espectadores pela negativa.

Vai acabar já?

Se os Cavs jogaram muito bem neste Jogo 3, existe uma certa expectativa para ver como é que vão encarar o próximo jogo. É verdade que o ano passado deram a volta a um 1-3 de forma a tornarem-se campeões da NBA. A diferença deste ano tem 2,06m e veio de Oklahoma. Kevin Durant está prestes a ser eleito MVP destas Finais da NBA e ainda só passaram 3 jogos.

Sendo assim, no caso dos Golden State Warriors ganharem o próximo jogo na Quicken Loans Arena não só vão varrer os actuais campeões da NBA, como também vão completar o 1º 16-0 da história (16 vitórias contra 0 derrotas nos playoff´s), o que significa que completam assim 4 “varridelas”: Portland Trail Blazzers, Utah Jazz, San Antonio Spurs e Cleveland Cavaliers.

Veremos o que acontece no próximo jogo com a certeza que irá ser, provavelmente, um dos melhores jogos do ano da NBA.

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João FerreiraJunho 7, 20174min0

Podemos dizer que as finais são para se ganhar ou que numa final à melhor de 7 não há problema em perder um jogo. Essa não é, de facto, a mentalidade norte-americana no que diz respeito às fantásticas Finais da NBA. São jogos espetaculares onde a intensidade é o ponto-chave para que seja possível levar de vencido o adversário.

Se no Jogo 1 o protagonista foi o “traidor” Kevin Durant, o que dizer do Jogo 2 onde o jogador dos Golden State Warriors acabou por fincar o pé com mais uma exibição de grande quilate, só ao nível dos melhores do mundo, com o abafo ao King James a ficar na retina dos fãs mais atentos.

Não passa nada! (Foto:SFGate)

 

Grande Intensidade na 1ª parte

Os Cavaliers são uma das melhores equipas da NBA. Sobre isso não há qualquer questão a levantar. A intensidade colocada por estes na primeira parte é digna de realce pois obrigaram, não só o Warriors a fazerem 8 turnovers como marcaram 64 pontos. No entanto os Cavs não aproveitaram esta pontuação bastante elevada e comprometeram na defesa sofrendo 67 pontos.

A equipa dos Warriors mostrou uma grande capacidade de resposta a maus momentos durante a primeira parte nomeadamente às 3 faltas consecutivas de Draymond Green que puseram a nu algumas dificuldades em defender Kevin Love. Por outro lado, é cada vez mais visível que Javale McGee encaixa muito melhor no sistema de Golden State que o georgiano Zaza Pachulia.

Por outro lado e porque falar dos Warriors é falar deles, os Splash Brother estiveram imperiais. Se no Jogo 1, Klay Thompson esteve muito bem na defesa mas não conseguiu contribuir com pontos, no Jogo 2 o shooting guard esteve muito bem conseguindo 22 pontos.

Por outro lado, Stephen Curry foi um dos melhores em campo com 32 pontos (com o seu 1º triplo-duplo em finais à mistura) e com uma das jogadas das finais (quando tirou LeBron James da frente com uma autêntica aula de dança).

A defesa de Cleveland tremeu por todos os lados

Quando existe uma equipa com uma facilidade tão grande de fazer pontos como os Golden State a defesa passa a ser o principal foco durante o decorrer do jogo. Bloquear acções, proteger o cesto, e acabar por forçar turnovers sem que sejam marcadas faltas são fundamentais. No entanto, é neste capitulo que os Cleveland Cavaliers estão a sentir as maiores dificuldades durante as Finais da NBA, sendo que é indescritível uma equipa sofrer 132 pontos num jogo das Finais da NBA.

Se, por um lado podemos afirmar que a equipa de Oakland é indefensável, por outro podemos verificar que existe muito por onde melhorar.

Em primeiro lugar é necessário que um jogador consiga chatear o suficiente Kevin Durant, ao ponto de este fazer pontuações mais baixas. Penso que a resposta para este problema está em Iman Shumpert. O jogador americano foi o único que, quando entrou, conseguiu parar alguns ataques de Kevin Durat. Para que este entrasse, penso que seria proveitoso, a saída de J.R.Smith do 5 inicial pois este não está a fazer umas boas Finais da NBA.

Em segundo lugar é imperativo que Tristan Thompson entre mais no momento defensivo, ajudando os seus colegas a conseguirem stops suficientes para que sejam aproveitadas com pontos. Zaza Pachulia não é um jogador imprevisível pelo que se torna mais fácil de defêndo-lo.

Em último lugar, penso que Kyrie Irving consegue fazer um melhor papel a defender Steph Curry. Os dois jogadores não são grandes defensores mas o base dos Cleveland já mostrou conseguir tapar os famosos triplos do homólogo dos Warriors.

Jogo 3 vai ser decisivo

Neste momento com 2-0 a favor dos Golden State Warriors e com os jogos a mudarem-se para Cleveland, os Cavs estão encostados às cordas. Acredito piamente que se os comandados de Tyronn Lue não ganham este jogo, o título de campeão da NBA foge para a equipa de Steve Kerr. Para que isto aconteça, os Cavs necessitam que a equipa vá atrás de LeBron James em termos de pontuação e que melhore em termos defensivos.

Vai ser assim tão fácil? (Foto: Getty Images)

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João PortugalJunho 3, 20177min0

Ninguém nos Cavs consegue parar Kevin Durant; Steph Curry também foi sensacional e não há muito que possam fazer para pará-lo também; Enorme jogo defensivo de Klay Thompson. Warriors resolvem em 3 períodos e estão 13-0 nos playoffs. Lebron entrou muito forte mas o problema foi a defesa; Tristan Thompson mal se viu; Warriors muito perdolários debaixo do cesto; Vitória por 22 acabou por ser curta para a diferença exibicional.

Os Cavaliers vinham de uma semana de descanso, enquanto que Golden State estava à 9 dias sem jogar, o que levou a muitas posses de bola sem grande interesse nos primeiros minutos. JR Smith abriu o marcador para Cleveland com um triplo quase da bancada e teve o poder de acordar Kevin Durant. Foi como se o primeiro período tivesse sido um tubo de ensaio para mostrar aos seus adversários, principalmente a Lebron James, que ele não é Harrison Barnes. Nenhuma das experiências tentadas pelos Cavs resultou. Em poucos minutos marcou atancando em dribble para o meio, fugiu nas costas de James para um alley oop a passe de Draymond Green e logo a seguir executou um mid range com precisão mesmo na frente de Lebron.

Porém não foi só Durant, rapidamente se percebeu, ainda no primeiro período, vai ser muito fácil marcar pontos no garrafão dos Campeões. Ao longo de toda a partida Lebron só contestou 3 lançamentos perto do cesto, Tristan Thompson  6, só Kevin Love fez um bom trabalho nesse capítulo com os adversários a marcarem apenas 3-11 debaixo do cesto contra si. Também é preciso dizer que os melhores momentos de Lebron na partida, foram no primeiro período onde conseguiu ser dominante não importando quem o defendesse.

Um duelo cestos entre Kyrie Irving e Steph Curry nos minutos finais do período colocou a Oracle em alvoroço e quando Iguodala marcou o triplo no último segundo, depois de estar 3-27 de 3pt durante os playoffs, foi a loucura total. 35 pontos! 35 é o número mágico dos Warriors esta temporada, não só por ser o que está na camisola da Durantula. Quando Golden State marca 35 ou mais no primeiro período está, desde ontem, 22-0.

O regresso do melhor Iggy [Fonte: USAToday.com]
 

Um último apontamento que retirei dos primeiros 12 minutos, é que quando Draymond Green foi para o banco com 2 faltas, bem cedo, Tyronn Lue decidiu retirar Tristan Thompson para jogar com Love a poste e isto leva a duas coisas: os Cavs ficam mais dificeis de defender, mas perdem o seu melhor defensor e ressaltador. Os Warriors tiveram 8 ressaltos ofensivos contra 7 defensivos do seu adversário no primeiro período.

O segundo período foi o princípio do fim dos Cavs. Não, não é um exagero. Sim, eu sei que a diferença ao intervalo foi só de 8. Os primeiros 3 minutos deste período foram com Lebron James em court, sem descansar, e com Steph Curry e Kevin Durant no banco. Estes são os minutos que os Cavs são obrigados a ganhar, por muitos pontos! A vantagem dos Warriors aumentou. Tyronn Lue até aproveitou para pôr James no banco uns minutos já que o plano não resultou. Se isto acontecer sempre que Curry e KD estiverem a descansar, a Final terminará 4-0. Os primeiros 4 minutos e meio de Cleveland deram origem a 9 posses de bola, 4 pontos e 6 turnovers. Not good, Bob!

A meio do período, os Warriors estavam 13-26 debaixo do cesto, muito muito mau. Nos jogos seguintes este número vai melhorar certamente e se Golden State continuar a ter 56 oportunidades de marcar debaixo do cesto como teve neste jogo 1, vão ter 60 pontos fáceis, no mínimo, o que obrigará os Cavs a marcar 120+ para terem hipóteses de não perder 4-0. Cleveland terá que inverter o impossível, diminuir os ataques ao cesto adversários, e contestar os lançamentos. Tristan Thompson não pode voltar a jogar apenas 22 minutos e ter uma participação tão pequena na partida, foi apagado completamente.

Faltavam 3 minutos para o final do segundo período e os Warriors tinham 1,22 pontos por posse de bola, um valor elevadíssimo, lançando apenas 43% FG e só com 3 triplos marcados, só que tinham uma enorme vantagem nos lançamentos tentados porque os Cavs perderam a bola 12 vezes contra apenas 1 dos Warriors, que terminaram o primeiro tempo com 20 assistências.

O famoso olhar de KD para Rihanna [Fonte: ABC7 San Francisco]
 

Desses 12 turnovers, 7 foram de Lebron James, muito por culpa de Golden State não ser uma equipa qualquer. James chegou diversas vezes a um ponto no ataque em que teve que inventar um dos seus passes mágicos à procura de um triplo no canto para se libertar da pressão asfixiante que é ter KD ou Iggy com braços enormes sempre à sua volta e os Warriors conseguem tapar todas essas linhas de passe. Contra outras equipas, elas estão lá, apesar de escondidas, até Lebron vai cometer turnovers quando saltar para passar a bola.

O jogo ficou resolvido no terceiro período, a Durantula e Curry estiveram indestrutíveis, Tristan Thompson continuava invisível, Irving teve tremendas dificuldades em finalizar ataques ao cesto, tão bem defendido por Klay Thompson, que mesmo terminando 3-16 FG, foi o melhor defensor de perímetro de Golden State. Não foi tudo mau para os Cavs, houve aspectos positivos, como Richard Jefferson ter sido o melhor role player e o lançamento exterior de Lebron funcionou durante alguns minutos. Porém, se o melhor jogador que Cleveland tem para defender KD for um senhor que fará 37 anos daqui a 18 dias…

Os melhores minutos dos Cavs também coincidiram com Mike Brown a receber um SMS ou um beep de Steve Kerr do balneário porque James Michael McAdoo entrou em court a certa altura no terceiro período e a vantagem diminuiu isntantaneamente para 12 pontos. Logo a seguir voltou um line up com Draymond Green a 5 e voltou a aumentar para 20. Take that for Data!

Quando tudo voltou ao normal, o jogo ficou decidido. 1,208 pontos por posse de bola para os Warriors com 50 pontos no garrafão. 0,94 pontos por posse de bola com apenas 26 no garrafão para os Cavs. A principal conclusão a retirar do jogo 1 é que Kevin Durant não tem ninguém que o pare. Basta a ameaça de triplo de Curry para que a Durantula tenha domínio completo da área pintada adversária. E não, a resposta não será o Lebron James que jogou nesta partida. Quando James foi o defensor em situações de lançamento, os Warriors marcaram 19 pontos, 7-11 FG, colocando em palavras, bastante fácil.

Não posso terminar este artigo sem relembrar os adeptos da NBA o que vale ter Steph Curry a 100%. O ano passado Tristan Thompson, Lebron James e Kevin Love aguentavam as trocas defensivas e faziam um bom trabalho em contestar um Steph com menor capacidade de explosão. Isto foi o que aconteceu quando o bloqueio de Pachulia obrigou James a “defendê-lo“. Os Warriors estão agora 13-0 nos playoffs com um diferencial pontual de 219, quase 17 por partida.

Um já está, faltam 3 [Fonte: CBSSports.com]

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João PortugalMaio 30, 201710min0

Chegou o momento que a narrativa de toda a temporada prometeu. Houve muito pouco espaço para imaginarmos um final de NBA diferente do que teremos pelo terceiro ano consecutivo. Esta hegemonia partilhada e dividida entre Este e Oeste pelos Cavs e Warriors levou-nos a uma das post seasons mais desinteressantes de que há memória. O mais grave é que aquele equilíbrio que todos desejamos durante a Final pode nem vir a existir.

Antes de prosseguir quero deixar claro que não são as outras 28 equipas da NBA que não prestam. Cleveland e Golden State foram formadas através de excelentes escolhas em drafts fortes, que levou a que os melhores free agents disponíveis tenham decidido integrar esses projectos, primeiro Lebron no regresso a casa e agora Kevin Durant à procura do primeiro anel. Finalmente, e igualmente importante, os jogadores muito experientes e de enorme qualidade que ainda não tenham conseguido vencer nenhum título aceitam juntar-se a estas super-equipas a baixo preço. Para além das estrelas, Warriors e Cavs quase que escolheram o resto do plantel a dedo, colocando a fasquia inalcançável para o resto.

Deixando de lado os agoiros e as previsões negativas, quando eu antevejo qualquer que seja a série de playoff, gosto de focar-me no que cada equipa tem que fazer para a ganhar. Começando por Cleveland, até porque dos dois, é o lado onde menos coisas podem falhar para que consigam revalidar o título, é a produção defensiva quando Lebron James estiver no banco. Os Cavs concedem 117.7 pontos por 100 posses de bola quando o seu melhor jogador não está em court. Dificilmente James jogará menos que 42-45 min por partida na Final, se os jogos se mantiverem competitivos claro está, descansando 2 ou 3 minutos no final do primeiro período e depois só deverá voltar ao banco se Cleveland estiver em vantagem nos últimos minutos do terceiro. Naturalmente será muito pouco tempo que os Cavs jogarão sem ele, mas quanto mais destruídos forem nesses minutos, mais rapidamente Lebron chega à exaustão. Em 2015, em que LBJ teve que fazer muito mais que em 2016 por não haver Kevin Love, nem Kyrie Irving (5 jogos lesionado), mal se notava a sua explosividade nos derradeiros minutos dos encontros.

Continuando em Lebron, porque podem não acreditar mas o sucesso de Cleveland depende ligeiramente dele, o seu lançamento exterior tem de continuar tão eficaz como tem sido durante estes playoffs. É um dos pêndulos que determinará a competitividade da Final, já que os Warriors são muito agressivos a defender os seus ataques ao cesto, e oferecem muitas vezes a oportunidade de lançar de fora. Os 42,1% de 3pt são a melhor marca da carreira em playoffs por larga margem e é um valor insustentável para a maneira como Golden State o defendeu nas Finais anteriores. Não só os está a lançar com a melhor percentagem, como em volume também. Os 5,8 por jogo igualam o seu valor mais alto em todos os playoffs (2009), numa altura em que a segunda opção ofensiva da equipa era…como é que hei-de explicar…ninguém (Mo Williams/Delonte West).

Teremos o melhor Lebron de sempre? [Foto: Brian Spurlock-USA TODAY Sports]
 

A defesa, não apenas quando Lebron estiver no banco, terá de melhorar bastante, e não sei quão melhor pode ser em relação ao que já é. Da fase regular para a post season, certamente se nota muito mais esforço, contudo o que se notou, especialmente frente aos Celtics, é que continua relativamente fácil desregular as trocas e as ajudas defensivas e criar boas condições para triplos abertos ou buracos debaixo do cesto. Boston simplesmente não conseguiu fazê-lo vezes suficientes para criar mossa no resultado porque estiveram terriveis no ataque, especialmente como ball handlers.

Kyrie Irving necessita de ser mortífero em jogadas de isolamento, Kevin Love tem de continuar letal de 3pt, JR Smith não pode ser uma nulidade ofensiva como foi em grande parte da Final de 2016, mesmo assim, quem tem obrigatoriamente de estar nos píncaros é Tristan Thompson. Lembram-se quando se discutia se ele valia os 80 milhões do seu novo contracto? Já lá vão quase 2 anos e agora é muito claro, no seu rendimento médio, ele vale seguramente esse dinheiro, porém, no seu melhor, vale 150. Não é só no ressalto, onde ele já é dos melhores do Mundo, é na protecção do cesto, nas trocas defensivas e quando for obrigado a defender os melhores Warriors no perímetro após trocas no bloqueio.

Do lado dos Warriors, o que vão ter que limitar, e isto já começa a tornar-se um disco riscado, mas é verdade, são os turnovers. Com a lesão de Kawhi Leonard, os constantes descuidos de Golden State com a bola acabaram por não lhes custar nenhuma derrota, porém não é algo que eles queiram imular na Final. Per Shane Young, os Warriors estão 39-11 quando perdem 15 ou mais vezes a bola por encontro, e 40-4 quando esse valor fica abaixo de 15, esta época. Olhando para as percentagens de vitórias até podemos pensar que não tem assim tanto impacto, contudo é com essas perdas de bola sucessivas que se constroem runs de 10, 12, 15-0 que contra as melhores equipas acabam por ser quase irrecuperáveis.

Durant terá papel fundamental a defender [Foto: NBCS Bay Area]
 

Algo que terá que acabar e que foi uma das grandes causas para o descalabro de 2016 são as invenções que virão da equipa técnica de Steve Kerr, neste caso de Mike Brown. Pequeno aparte, sabiam que o assistente de Kerr ainda está a receber a sua indeminização de quando foi despedido do comando técnico dos Cavs? Se os Warriors forem Campeões, Mike Brown terá derrotado a equipa que lhe paga grande parte do salário. Continuando, ainda bem que já não há Festus Ezeli, Anderson Varejão e, um pouco injusto colocá-lo aqui também mas, Andrew Bogut. As rotações de jogadores interiores este ano terão de ser muito mais bem reguladas, e há mão-de-obra para tal. Draymond Green terá de ser um 5 muuuuuuuuito mais tempo do que um 4 contra Cleveland. Que a temporada passada tenha servido de lição. Zaza Pachulia terá que refugiar-se no banco a maior parte do tempo já que não terá qualquer chance contra Tristan Thompson e Kevin Love. David West é a segunda melhor opção e Javale McGee pode funcionar quando Green estiver no banco e tanto Curry como Durant estejam em court.

Por falar nisso, que Mike Brown nem se atreva em algum momento a sentar Steph Curry e Kevin Durant ao mesmo tempo. Dificilmente haverá maior tiro nos pés. Parece tão óbvio e tão simples, todavia já aconteceu por diversas vezes, até no jogo 1 da Final do Oeste, antes da lesão de Leonard. É aqui que está a diferença entre ter 2 dos 5 melhores jogadores da NBA ou só ter o melhor. O melhor acabará por ter que descansar, enquanto que a outra equipa poderá ter sempre um deles em court.

Outro ponto chave é não parar de passar a bola durante as posses de bola. É verdade de que fazê-lo contra jogadores como Lebron James que é um mestre a ler o jogo e a criar oportunidades de intercepção mesmo antes dos passes serem feitos é um risco. Ainda assim a defesa de Cleveland facilmente falha uma troca defensiva, uma má comunicação, uma ajuda extra no passe ao lado (situação que acontece quando o defensor de um dos jogadores adversários mais próximos da bola sai do seu posto defensivo para ajudar a defender o que tem a bola na sua posse). Da mesma forma que o lançamento exterior de Lebron James é um pêndulo para os Cavs, o de Draymond Green é para os Warriors. Os 47,2% 3pt que o poste de Golden State está a conseguir nestes playoffs é um valor estratosférico, porém não impossível de manter, até porque ele terá muitas oportunidades para lançar de fora sem oposição. Se não tiver, significa que um dos melhores atiradores dos Warriors estará livre em vez dele, o que, em teoria, é ainda pior para os Cavs.

Quão letal será Green de longa distância? [Foto: The Saginaw News File]
 

Já o frisei na preparação para a Final do Oeste, estas duas séries são a razão pela qual os Warriors contrataram Kevin Durant para o lugar de Harrison Barnes. Para que Lebron James e Kawhi Leonard não tenham um segundo de descanso quer na defesa, quer no ataque. Se houve algo que Lebron tirou vantagem nas finais anteriores foi no seu post game contra Barnes. Isso acabou, Durant é maior, utiliza os seus braços longos para contestar o lançamento sem fazer falta, e é um tipo de jogada muito mais ineficiente para James. Ele nestas Finais será defendido por KD, Green ou Iguodala, venha o diabo e escolha.

Quanto a uma previsão em jogos e depois de ter acertado o 4-1 da Final do Este e o 4-0 do Oeste (muito graças à ajuda de Zaza Pachulia), estava na dúvida entre dois resultados, mas acabei por ir para aquele que tem sido mais escolhido pelos comentadores e analistas. A escolha de Finals MVP também foi especialmente difícil muito por causa do parágrafo anterior, só que apesar de ter falado pouco dele neste texto, Steph Curry está ao nível da regular season de 2015/16 em que foi MVP unânime, sendo que agora tem um pouco menos de usagem porque Kevin Durant joga ao seu lado. Posto isto, acredito que os Warriors serão Campeões em 5 jogos e que Curry será o MVP da Final. Estive para escolher uma Final decidida em 4 jogos e continuo a ter receio de que a temporada acabe mesmo a 12 de Junho, só que nós, adeptos da NBA, não merecemos tão poucos jogos depois de uns playoffs tão pouco competitivos. Para concluir, deixo uma hot take que deixará os mais velhos loucos, mas se Lebron James arranjar o antídoto para vencer esta Final, não terei qualquer problema em considerá-lo o melhor de sempre porque esta equipa de Golden State é mesmo a melhor que alguma vez entrou num court da NBA.

Conseguirá Curry conquistar Finals MVP? [Foto: Frederic J. Brown-Getty Images]


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