23 Nov, 2017

Arquivo de Kickboxing - Fair Play

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Fernando FernandesJulho 14, 20173min0

Podemos formular várias questões sobre este tema, como o porquê de se chamar Mestre ou Sensei, e não treinador como na maioria das modalidades. Nas modalidades de combate tais como Kickboxing, Judo, Kendo, ou Kempo, entre outras, usa-se a designação de Mestre ou Sensei, e não de treinador.

O Mestre no seu trabalho do dia-a-dia com os seus alunos trabalha não só a parte técnica da sua modalidade, mas também a parte do caráter dos seus alunos, entre eles e o respeito pelo seu adversário, e a fidelidade ao mestre, pois ele é o centro do conhecimento para todos os seus alunos. Algumas das principais vertentes a desenvolver pelo mestre entre os seus alunos é a autoconfiança, o compromisso, a disciplina e a calma.

Tem que haver por parte dos mestres o saber adquirido ao longo dos anos de trabalho e meditação para saber transmitir todo esse conhecimento aos seus alunos, pois os desportos de combate baseiam-se na disciplina e no respeito escrupuloso pelo adversário.

Todos estes conceitos podem e devem ser aplicados no dia-a-dia do atleta na sua vida quotidiana. Eis os que considero de maior relevância: a Justiça – Fazer julgamentos de acordo com a verdade; Cortesia – O respeito por todos e as boas maneiras de comportamento; Honra – A defesa da dignidade e a sua valorização; Auto-controlo – Desenvolver na sua vida o controlo sobre as suas acções, emoções e palavras; Fidelidade – Não trair ninguém, nem a si próprio e ser fiel  a si mesmo e ao seu mestre; Amizade – O companheirismo e a partilha de conhecimentos; Modéstia – Não ser arrogante ou pretensioso; Auto-Confiança – acreditar em si próprio.

Todos estes conceitos desenvolvidos pelos Mestre culminam no conceito de ética no desporto e no muito falado fair-play.

O conceito de ética desportiva representa uma estrutura moral que define alguns limites para o comportamento dos desportistas, de forma a preservar um sistema civilizado. Este código de comportamento engloba as atitudes. A ética desportiva pode ser vista como um obstáculo à procura e/ou obtenção da vitória, especialmente para aqueles atletas que procuram ganhar a qualquer custo. Vencer é uma componente essencial do espectáculo, contudo, isto não significa que seja necessário recorrer a agressões, violência, subornos, doping, etc.

As regras da ética desportiva exigem que, além de respeitar o adversário, se saiba reconhecer o mérito do vencedor, guardando para si os sentimentos de tristeza e desapontamento. O fair-play refere-se ao respeito total e constante pelas leis do jogo e pelos regulamentos, através da honestidade, lealdade e respeito pelos colegas de equipa, pelos adversários e pelo árbitro. Implica também modéstia na vitória e serenidade na derrota. É importante fazer-se a promoção do fair-play a todos os níveis, cabendo esta responsabilidade a todos os agentes desportivos.

Em forma de conclusão, aquilo a que actualmente designamos por ética no desporto já vem sendo desenvolvido desde os primórdios das artes marciais/desportos de combate, o trabalho do mestre em transmitir estes conceitos ético-morais aos seu discípulos, e não só formar o indivíduo como atleta mas também como ser humano de corpo inteiro com princípios sólidos e humanos da vivência em sociedade.

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Fair PlayMaio 31, 20174min0

Fernando Fernandes, figura maior do Kickboxing nacional, anteriormente entrevistado pelo Fair Play, diz-nos o que pensa sobre a multiplicação de títulos verificada na modalidade.

No mundo do Kickboxing existem títulos e mais títulos, mas nem todos têm a mesma importância e relevância, quer a nível nacional como internacional.

O Kickboxing nacional é superintendido pela Federação de Kickboxing e Muay Thai, que gere a nível nacional toda a modalidade e que se encontra sob a égide do IPDJ.

A Federação de Kickboxing está integrada na WAKO (World Association of Kickboxing Organizations) que é a nível mundial quem rege todo o Kickboxing, sendo também por sua vez membro da SportAccord (Global Association of International Sports Federations), uma organização internacional onde se encontram actualmente várias modalidades olímpicas e não olímpicas.

No mundo do Kickboxing nacional e internacional existem títulos para todos os gostos e de todas as proveniências, mas só alguns têm a sua importância, pois como em todos os desportos, qualquer clube ou associação pode criar um título próprio. Desta forma, oferecem aos atletas uma maior motivação para trabalhar e competir no intuito de arrecadar mais um cinturão, no caso do Kickboxing, que noutras modalidades é substituído por uma taça. Os promotores e a Federação têm cada vez mais de se preocupar com os eventos que se realizam por todo o nosso país e fazer com que a “rodagem” dos nossos atletas a nível internacional seja cada vez mais relevante. Essa “rodagem” em termos internacionais deve ser nas várias disciplinas, e não nos podemos limitar a uma das disciplinas, cenário que acontece neste momento com o K1. Não vemos eventos de LowKick, Kick Light ou outras disciplinas, e isso é necessário para a evolução de todos os nossos atletas.

A verdade é que cada vez mais temos que seguir linhas de orientação e regras que levem o Kickboxing a tornar-se num desporto cada vez mais respeitado, claro e justo, com vista à evolução da modalidade. Uma modalidade não pode ter várias federações nacionais e/ou internacionais, cada uma com a sua perspectiva e linha de orientação. É preciso uma federação única que oriente o desporto a nível mundial e nacional, e que consiga uma cada vez maior respeitabilidade, tendo sempre em vista a sua evolução e crescimento, mas mantendo o foco nos atletas e na sua evolução.

Em Portugal, o trabalho que se vem desenvolvendo por parte da federação tem em vista uma cada vez maior divulgação da modalidade. Podemos ver pois o número de atletas a aumentar gradualmente, e o próprio Kickboxing deixou de ser visto como um desporto de gente bruta que anda ao “soco e pontapé”, passando a ser um desporto aberto a todos, desde as crianças aos mais velhos, cada um com os seus objectivos próprios, desde a manutenção até à competição. Verificou-se igualmente nos últimos anos uma grande evolução junto dos atletas femininos, que cada vez mais vêem neste desporto uma forma de manutenção, assim como também na área da competição que tem vindo a aumentar exponencialmente.

O que interessa neste momento não são só os títulos que cada um ganha, mas sim mostrar à nossa sociedade que o Kickboxing nacional tem regras bem claras e é um desporto como todos os outros, onde existem as federações nacionais e internacionais que são devidamente reconhecidas. Delas emanam as directrizes para que todos se orientem pelas mesmas regras e para que haja um único caminho, onde todos se integrem com vista a valorizar cada vez mais a modalidade.

Não podemos ter cada um a pensar pela sua cabeça, e a criar títulos e mais títulos. Devemos ser todos juntos a contribuir com ideias para tornar o Kickboxing nacional cada vez mais forte. A nível internacional, o Kickboxing português já começa a trazer alguns títulos, mas com mais esforço da parte de todos podemos elevar cada vez mais a sua qualidade.

 


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