20 Set, 2017

Arquivo de CrossFit - Fair Play

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Cláudia Espirito-SantoJulho 28, 20176min

Chegou a altura de arrumar os lifters na gaveta e tirar as havaianas do armário. O momento de luzir o abdominal que definimos na nossa época de treino, exibir os nossos glúteos torneados pelos agachamentos feitos em nome do corpo de verão e aproveitar cada raio de sol e bola de Berl……PÁRA. TUDO.

… este artigo é sobre CrossFit.

Não se arrumam os lifters nem se entra numa espiral interminável de gula em nome das férias de verão.

Para o CrossFitter chegou sim o momento de visitar novas boxes, conhecer pessoas de outros pontos do país ou do mundo que, como nós, vibram com PRs, sentem as borboletas no estômago cada vez que um timer entra em contagem decrescente e partilham a nossa paixão pelo CrossFit. É a altura de criar ligações distintas em locais que nunca imaginámos, ouvir dicas novas de treinadores que não são nossos, mas que naquele treino tratam-nos como se fossemos deles.

Chegaram as férias de verão e com elas a oportunidade de aproveitar o que o CrossFit tem de melhor… o espírito de Comunidade e Partilha.  Se nunca se aventuraram a conhecer outra box que não seja a Vossa, estão a perder uma das melhores experiências desta modalidade que vive do intercâmbio de ideias, pessoas e claro partilha nas redes sociais.

Treinar noutras boxes dentro ou fora de Portugal, proporciona um contacto intercultural fascinante onde curiosamente a língua que se fala é sempre a mesma, seja em que país for. Têm dúvidas? Olhem para o quadro do treino do dia e vejam se não percebem o que se vai fazer. Sai um AMRAP de burpees no México para o português de Faro. E tão extraordinário como uma modalidade desportiva que tem uma língua própria que em pouco tempo todos os praticantes sabem falar é o facto de que as boxes pelo mundo estão de portas abertas para receber visitas de fora, integra-las nas suas aulas, ajudar no que puderem e claro trocar uma t-shirt.

92 boxes afiliadas em Portugal

Em Portugal existem 92 boxes afiliadas à CrossFit International e diversas boxes não afiliadas que facilitam o treino e convívio em qualquer ponto do país. Em Portugal tentamos incentivar o intercâmbio através do Acordo entre boxes afiliadas que garante que qualquer atleta de uma box afiliada pode fazer o seu primeiro “drop in” noutra box afiliada, que aderiu ao acordo em Portugal, sem qualquer custo e a partir daí, pagar apenas 50% do valor de tabela do drop in – convém confirmar com a box de origem e com a box visitada, se aderiram ao acordo – . É um acordo que promove o intercâmbio entre boxes, atletas e claro as amizades que resultam das “famílias de treino estendidas” que os drop ins proporcionam.

A nível mundial é ainda mais difícil apurar todos os pontos onde é possível treinar dado o número elevado de locais de CrossTraining não ligados oficialmente à CrossFit Inc, mas afiliadas sabemos que existem actualmente perto de 14,000 espalhadas por todos os continentes e o mapa de Affiliates no site crossfit.com permite localizar a box afiliada mais próxima do local onde estamos, ou onde pensamos ir.

[Imagem: Crossfit.com]

Cada vez é mais fácil treinar nas férias. Mas apesar do número crescente de boxes pelo mundo fora, nós nem sempre queremos estar perto do nosso mundo. Viajar, é também fugir. E se estamos num momento ou num local que não nos permite facilmente aceder a uma box ou um ginásio, com um pequeno saco de peças essenciais qualquer atleta de CrossFit treina onde quer que esteja sem problemas e de forma desafiante.Nesse sentido aproveitamos para partilhar algumas “no box WOD ideas” que se podem fazer nas férias com um timer no telemóvel de forma divertida e claro, na nossa intensidade máxima.

WOD 1 – um treino muito simples que se pode fazer em qualquer lugar

EMOM 15 minutos

a cada minuto durante 15 minutos fazer 10 burpees

Versão scaled: diminuir o numero de burpees por minuto de acordo com a Vossa capacidade (7 ou 5 por exemplo)

Versão ninja: 15 burpees

WOD 2 – aqui é importante ter pelo menos 100m de espaço de trabalho

10 rondas

2 minutos de trabalho:

100m corrida

O resto do tempo walking lunges

1 minuto de descanso

Contabilizam o número de lunges efectuados.

WOD 3 – Deck of Cards

Aqui podem tornar o treino bem mais giro com a aplicação WOD Deck of Cards. Basta adaptarem os movimentos e colocarem 2 Jokers interessantes e toca a treinar… FOR TIME 🙂

[Imagem: Deck of Cards]

Podem por exemplo escolher:
Burpees

Butterfly Sit-Ups

Air Squats

Push Ups

E como joker dependendo do Vosso nível podem ser alguns metros desafiantes a andar em pino, ou corrida, ou simplesmente algum tempo em prancha. Aqui a ideia é atribuir intensidade e mudar de carta o mais depressa possível. Não esquecer que A = 11 reps, R,D,V e o 10 = 10 reps, 9 = 9 e por aí em diante.

WOD 4 – lembram-se do saquinho?  Está na hora de tirar a corda e… saltar

AMRAP 15 minutos

50 squats

100 double unders

Versão scaled: substituir os double unders por saltos à corda simples

Versão ninja: toca a agachar com um garrafão de água ou objecto externo interessante

WOD 5: mais uma oportunidade de brincar com a corda

100-90-80-70-60-50-40-30-20-10

Double Unders

1-2-3-4-5-6-7-8-9-10

Wall climbs

Versão scaled: substituir os double unders por singles ou se já saem alguns double unders fazer 10-9-8-7-6…

Versão ninja… façam o Flight Simulator com 3 wall climbs entre cada volta (https://www.wodconnect.com/workouts/flight-simulator–5)

Além de ser possível treinar nas férias nunca se esqueçam que parte do treino de CrossFit é praticar outros desportos. Portanto aproveitem os momentos “out” para fazer Stand Up Paddle, nadar, surfar, jogar ténis, padel ou simplesmente calçar o par de tênis mais próximos e ir fazer uma corrida.

Onde quer que as férias vos levem há sempre forma de treinar.

Deixar o CrossFit para trás?  Nunca.  Levamos sempre o CrossFit para a frente.  E sempre que possível fazemos um post sobre o assunto 😉

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Cláudia Espirito-SantoJunho 22, 20177min0

O meu nome é Cláudia. Com 36 anos fiz o meu primeiro treino de CrossFit, e nunca mais olhei para trás. Sou viciada, e considero que sou melhor por isso.

Fiz o meu primeiro treino com 36 anos de idade e o meu primeiro pino contra a parede nesse mesmo dia. Tinha um frio na barriga, um nó no estômago e aquela pequena gigante “Voz” devastadora, que existe dentro de todos nós sussurrava “tu não consegues”. À minha volta os meus companheiros de treinos contrariavam “Tu consegues, vais-te superar”. E consegui… superei. É caso para dizer que foi amor ao primeiro pino. Abriram-se as portas de um novo mundo, virado do avesso e repleto de possibilidades. Nessa posição podia aprender a fazer flexões e mesmo andar. Foi nesse momento que realizei que “a Voz” tinha perdido a sua força e eu tinha descoberto todo um novo mundo, onde “não consigo” passava a “um dia vou conseguir”.

Mas o que é de facto CrossFit e o que é que eu vou atingir?

A definição oficial publicada pela CrossFit International é: “movimentos funcionais constantemente variados executados com alta intensidade”.

[Imagem: Soldier City CrossFit]
 

Simplificado significa apenas que vou treinar movimentos que me são naturais e/ou úteis de forma sempre diferente com a maior intensidade que eu tiver capacidade de imprimir no meu treino. Porque a intensidade depende de mim e da minha capacidade, e não da pessoa ao meu lado nem do atleta que treina CrossFit há anos. A intensidade está na essência da metodologia de treino do CrossFit e é o que nos traz resultados. É também o que gera maior controvérsia.

Uma controvérsia que nasce do pressuposto de que, no CrossFit, o objetivo é as pessoas treinarem além dos seus limites e capacidades, descurando qualquer tipo de técnica e segurança. Na realidade, é exactamente o contrário. Um bom treinador de CrossFit vai privilegiar sempre a segurança dos seus alunos. Vai ensinar, vai corrigir e vai motivar. Nunca vai comprometer a integridade física de ninguém em prol da intensidade, porque a intensidade varia de pessoa para pessoa.

Treinar com intensidade leva-nos a sair da nossa zona de conforto todos os dias. Leva-nos a evoluir.  Leva-nos mais longe do que alguma vez pensámos ter coragem e capacidade para ir.  Com esta amálgama de emoções, despertamos dentro de nós um sentimento de Comunidade, que vai muito além do relacionamento casual das amizades do ginásio. É uma Comunidade que partilha as suas vitórias, as suas conquistas, os seus objectivos, os seus desafios.  É uma Comunidade que naturalmente se une, se apaixona pelo que faz e, para grande tristeza dos amigos “não-crossfitters” das redes sociais, partilha com um entusiasmo incompreensível os seus momentos de auto-superação na box.

Existem atualmente 92 boxes afiliadas em Portugal

É dentro da box que nós aprendemos, crescemos, evoluímos. É no interior desta “caixa mágica”, sem máquinas e sem espelhos, que o treinador ou Coach vai orientar o que está programado ao que eu consigo, tendo sempre em consideração os objectivos que pretendo atingir. Quase como um treino personalizado num ambiente de grupo. Porque a premissa base que revolucionou o mundo do Fitness e Saúde está sempre presente: é um treino universalmente escalável que se adapta às capacidades e necessidades de qualquer indivíduo, tendo sempre um objetivo comum: melhorar o Fitness da pessoa. Ser melhor do que ontem no treino, no trabalho, na minha vida familiar. Ser melhor.

O objetivo da modalidade é comum a todos os praticantes, o percurso é que varia de pessoa para pessoa.

A base de trabalho, onde se alicerça toda a programação de CrossFit, é igual para todos e definida por uma pirâmide de prioridades na nossa busca de melhorar o nosso Fitness ou nosso bem-estar. De uma forma simples, o CrossFit resume o quão inclusivo e abrangente é o seu programa.  Na base de tudo está o maior alicerce da nossa saúde: a nutrição. É incrível como quando treinamos CrossFit, naturalmente, começamos a preocupar-nos com o que comemos. Queremos ver mais resultados e o nosso corpo pede alimentos que o nutram, que lhe dêm força, que o ajudem neste percurso de melhorar o seu estado de saúde.  Seguem-se o treino metabólico onde o objetivo é melhorar a nossa capacidade cardiovascular, a ginástica onde trabalhamos o domínio do nosso próprio corpo e o halterofilismo ou trabalho de carga com objetos externos. Curiosamente no topo da pirâmide temos outros desportos, porque parte de ser melhor do que ontem é evoluir e ser desafiados noutras áreas.

[Imagem: CrossFit Oniria]
 

E o melhor de tudo é que esta metodologia de treino tão abrangente tem uma formulação única que permite que os seus praticantes não só se sintam motivados treino após treino, como tenham a possibilidade de medir quantitativamente a sua evolução. Aqui também o criador do CrossFit, Greg Glassman, foi visionário. Tinha perfeita consciência que o ser humano precisa de medir a sua evolução de alguma forma, para acreditar que ela existe e para perceber em que medida é significativa. Por esse motivo criou treinos / WODs* que devem ser repetidos de vez em quando, para os praticantes da modalidade poderem medir exatamente quanto evoluíram, onde evoluíram e onde precisam de investir mais para melhorar ainda mais a sua evolução.

No meu caso… com 36 anos fiz o meu primeiro pino. Com 36 anos percebi pela primeira vez como se levanta um peso do chão correctamente, sem correr o risco de me magoar. Com 36 anos e 3 filhos percebi que tudo o que aprendo dentro da box, aplico fora dela: a pegar nas minhas crianças, a mexer no sofá de casa, a transportar as compras do supermercado, a jogar à bola com os meus filhos e, evidentemente a mostrar que apesar de ser mãe, sei fazer o pino. 🙂

[Foto: Matchbox Crossfit]
 

Com 36 anos comecei a conhecer o meu corpo e a perceber tudo o que ele era capaz de fazer. Hoje, três anos mais tarde, olho para trás e vejo o caminho que percorri. De uma mulher que nem uma barra de 15kg conseguia levantar e tinha medo de se colocar de cabeça para baixo sou, comparativamente, uma super heroína. Os meus filhos também me vêm assim e eu gosto disso. E se assim quiser, ainda posso competir.

Se o Homem-Aranha trepa paredes, eu faço wall climbs. Se o Super-Homem tem muita força, eu tenho um deadlift superior a 100kg. Se o Hulk rasga os calções, eu cá confesso que a volumetria dos meus glúteos já deu muitas dores de cabeça à coleção de verão do ano anterior. Falta-me, de facto, ser bilionária como o Batman e ser proprietária de brinquedos mirabolantes para salvar o mundo. Mas no meu mundo, eu sou a heroína. Porque para mim, o melhor que o CrossFit me trouxe foi a confiança de perceber que seja qual for o desafio que a vida me colocar pela frente, vou sempre de alguma forma conseguir superar-me. E isso sim, é ser um herói.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Cláudia Espirito-SantoJunho 21, 20177min0

Weightlifting; Gymnastics; Metabolic (Cardio), alguns dos ingredientes mais usados no CrossFit. Mas qual a dose certa de cada um? Como planear e agradar a todos? Qual o planeamento perfeito?

Não sou treinadora de CrossFit. Não faço programação. Tenho L1s e L2s, cursos e coisas da CrossFit internacional, mas isso diz pouco.

O que diz mais, é que sou atleta apaixonada pela modalidade e Affiliate Owner – título pomposamente atribuído pela CrossFit Internacional às pessoas completamente fora de si que decidiram investir o seu dinheiro e alma (sim alma) num espaço de treino que proporciona uma experiência tão intensa para cada indivíduo, que pede um envolvimento e paixão de níveis inacreditáveis para acontecer.

Mas é como praticante dedicada de CrossFit que vou falar de Programação. É na óptica do “utilizador” do Planeamento, que vou analisar um pouco o que fazemos em Portugal, e ficar na esperança que não existam demasiados “unfriends” no meu facebook até ao final do dia 🙂

Já treinei em várias boxes e tive a sorte de aprender as minhas bases com vários bons / excelentes treinadores. Considero que passei por algumas das melhores boxes de Lisboa e que cresci muito em cada uma delas. Evolui no CrossFit com planeamentos claramente diferentes, estruturados de formas distintas e com maior incidência em diferentes áreas do CrossFit. Um dos elementos que mais me cativa no CrossFit é precisamente a base assente na diversidade ou variância do treino. Esta metodologia de treino trabalha o corpo de forma completa: da parte metabólica à ginástica, ao levantamento olímpico, ao trabalho ainda mais desafiante de cargas externas com objectos estranhos. Temos a vantagem de preparar o nosso corpo como um todo para o dia-a-dia. Com combinações de movimentos, repetições, cargas e tempos infinitas, conseguimos ter um treino extremamente estimulante e desafiante com resultados físicos extraordinários.

[Imagem: CrossFit Geelong]
 

Metaforicamente podemos dizer que fazer programação de treino para uma box de CrossFit é o equivalente a ter todos os ingredientes da despensa do Masterchef e uma quantidade imensurável de ideias e receitas para experimentar. A questão que se coloca é: qual é a receita certa? A receita que garante resultados? A receita que os atletas vão apreciar mais? A receita que vai trazer mais atletas para a box? A receita que vai melhorar a performance de todos os atletas?

A receita que vai ganhar o Masterchef do CrossFit?

A resposta é simples: Nenhuma.

Simplesmente porque não existe um planeamento perfeito. Não existe uma combinação idílica de ingredientes que conjugados entre si, GARANTAM resultados a todas as pessoas.

Quando temos na nossa mão uma diversidade tão grande de movimentos e variáveis a considerar, procura-se naturalmente uma combinação de ingredientes que nos permita conjugar tudo de forma a garantir resultados nos atletas. Garantir que a sua preparação física geral melhora todos os dias. Garantir que sentem a evolução. Garantir que se mantêm motivados. Garantir, garantir, garantir numa área que não é uma ciência exacta. Garantir onde a única garantia que temos é que não há garantias.

O planeamento ideal, aquele que assegura resultados a todas as pessoas de forma uniforme, implica que todas as pessoas são iguais, e que a repetição de movimentos é uma constante. Se considerarmos que na própria definição do termo CrossFit está a componente de variância e que a modalidade prima pela diversidade nos movimentos, cargas, tempos e estímulos, percebemos que é impossível existir O Planeamento Correcto, a Receita para a Melhor Programação, ou o Melhor Programador do País, Continente, Mundo. E neste sentido, para grande desilusão de muitas pessoas, não existe nenhum “guru” da programação nem um programa ideal para todos os atletas.

[Imagem: CrossFit Journal]
 

Existem sim várias formas de extrair o melhor de todos os atletas tendo em consideração as pessoas que cada treinador / programador tem nas suas mãos. A CrossFit International, através dos seus Seminários e Cursos, equipa os seus Instrutores com as ferramentas e conhecimento necessário para construir um planeamento equilibrado e com resultados comprováveis. Os benchmarks (treinos / wods executados periodicamente) são uma medida quantitativa para os treinadores perceberem se o planeamento está a funcionar. Se os atletas não evoluíram, é sinal que a programação deve ser re-ajustada.  Se os níveis de motivação na nossa box estão a baixar, devemos reavaliar como estamos a desenvolver o programa de treino. Saber ouvir e perceber os sinais das pessoas com quem treinamos é na realidade a melhor medida do sucesso de um programa de treino. Eu posso perceber muito de programação, mas se eu não perceber nada de pessoas, e acima de tudo, se não as souber ouvir, muito provavelmente não conseguirei programar para elas.

Como atletas também temos um papel muito importante: comunicar com os nossos treinadores para o planeamento poder seguir um percurso que faz sentido para as pessoas da box. Mas também devemos ter noção se os nossos objetivos se enquadram no posicionamento e caminho que a nossa box tenciona seguir. Quero divertir-me ou quero competir? Quero ganhar massa muscular ou perder peso? O denominador comum vai ser sempre melhorar o nosso Fitness, mas os “efeitos secundários” nesse processo são igualmente importantes, porque são eles que nos vão dar a motivação de seguir em frente e a força interior para nos superarmos a cada treino.

Eu pessoalmente treino para me divertir. Tenho 3 filhos, 3 empresas e uma panóplia de dramas e confusões no meu dia-a-dia que são sem dúvida uma animação, mas simultaneamente criam em mim uma necessidade extrema de ter um espaço para treinar onde sou apenas responsável por uma pessoa… mim própria. Tenho noção que nunca vou gostar de todos os dias do planeamento, que dias de trabalho de força pura são tortuosos para mim. Mas também sei que a minha box vai ter dias que me vão encher completamente as medidas e onde vou conseguir dizer a mim própria: “I killed that WOD”.

[Imagem: CrossFit Barigui]
 

Um excelente programa de treino motiva e contagia os seus atletas com energia positiva e isso estende-se para a Comunidade dentro e fora da box. Um treinador que faz programação utiliza as ferramentas e conhecimento de CrossFit (e educação física, anatomia ou o background que tiver que acrescente valor nesta área), ouve as pessoas, sabe explicar e defender a razão de ser da construção do seu planeamento, tem um objectivo traçado e acima de tudo está sempre a absorver ideias de todas as pessoas à sua volta principalmente dos seus alunos e colegas. São as pessoas que inadvertidamente mais enriquecem o programa de treino de uma box.

É fácil olhar para a programação de uma box concorrente e destruir o que está a ser feito, em vez de questionar, debater, e formar ideias conjuntas que fazem crescer a modalidade como um todo.

A programação não requer “Chefs” especiais de corrida, para combinar os ingredientes mais mirabolantes para a receita mais extraordinária. Pede sim treinadores capazes, que têm um objectivo claro no seu planeamento, que conhecem os seus atletas e têm as bases necessárias para desenhar esse percurso. Não é preciso ser “guru”, ilusionista ou feiticeiro para criar a “poção” certa para os atletas. A grande maioria dos treinadores não está a cozinhar nem para o Asterix nem para atletas de Games. Está sim a programar para as pessoas como eu: mães (ou pais) que trabalham horas a fio, têm pouco tempo para dedicar a si próprios e desejam apenas ser melhores no seu dia-a-dia e melhores do que eram no dia anterior.

Nesse sentido, se os treinadores em geral tiverem o mesmo objetivo que os seus atletas “Better than Yesterday”, provavelmente surgirão melhores programas de treino e atletas mais deliciados com as receitas dos seus Coaches 😉

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Cláudia Espirito-SantoJunho 21, 20174min1

Técnicas mal executadas são perigosas. Maus treinadores são perigosos. Atletas com ego excessivo são perigosos. CrossFit NÃO é perigoso nem merece o estigma de ser uma modalidade que provoca lesões.

Acordar de manhã e ver que a Visão publicou um artigo, esta semana, espectacularmente intitulado:

“Um em cada 5 praticantes de CrossFit contrai lesões, especialmente na coluna”

http://visao.sapo.pt/atualidade/estudo-do-dia/2017-04-06-Um-em-cada-5praticantes-de-CrossFit-contrai-lesoes-especialmente-na-coluna

NOT OK.

Digo espectacular, porque o título de facto é só para dar espetáculo. O próprio artigo começa por dizer “Apesar da modalidade ser apoiada pelos médicos e fisioterapeutas, a execução errada dos movimentos pode levar a lesões no aparelho musculo-esquelético…”. Uma afirmação correcta, que salvo erro aplica-se a qualquer tipo de movimento mal executado ou posição menos correcta, que adoptemos nas nossas actividades recreativas, hobbies ou mesmo a dormir (aquele torcicolo?).

De facto, se lermos o artigo na integra, percebemos que o título absurdamente sensacionalista resume incorrectamente todas as informações, que são expostas nos 7 curtos parágrafos escritos para fundamentar tal parvoíce.

O problema é precisamente esse. Grande parte dos leitores não vai ler o artigo. Vai assimilar a informação do título e segregar uma modalidade cujo foco é saúde e bem estar, através de movimentos funcionais, variância e intensidade para o universo dos desportos que são apenas para pessoas “especiais” (e acreditem que neste estereótipo o “especiais” não é uma categoria favorável).

[Imagem: Crossfit Chicester]
 

Esquecendo de facto o título incorrecto e altamente inflamatório, é importante notar que o artigo da Visão remete para o estudo de Incidência de lesões e tendências entre atletas de CrossFit do Orthopeaedic Journal of Sports Medicine de 2014 – leia o estudo aqui – , saliento 2014 (estamos apenas em 2017). O estudo, quando lido do princípio ao fim, é na realidade extremamente interessante e começa precisamente por citar estudos que comprovam a eficácia e os excelentes resultados a nível de Fitness que o CrossFit tem. São ainda expostas as limitações do estudo e talvez seja importante extrair a informação MAIS pertinente da conclusão:

“Injury rates in CrossFit are comparable with established injury rates for other recreational or competitive athletes, with an injury profile resembling that of gymnasts, Olympic weight lifters, and power lifters. The increasing involvement of CrossFit trainers in coaching participants corresponds to a decreasing injury rate.”

Ou seja, a incidência de lesões no CrossFit não é superior à de outras actividades físicas. Atrevo-me a dizer: qualquer desporto, qualquer actividade que implique esforço físico ou tire o nosso corpo dos movimentos, que ele está habituado a executar, pode provocar lesões. Quantas hérnias não surgiram naquela mudança do sofá da sala do lado da televisão para perto da lareira, ou a pegar em crianças pequenas? Contudo não há artigos a dizer “1 em cada 5 mães tem lesões por causa dos filhos” – atenção que neste caso desconfio que os dados seriam mais 4 em cada 5 mães – tenho 3 filhos, falo com conhecimento de causa -.

Importante é avaliar as lesões no CrossFit comparativamente a outras modalidades desportivas e não ao sedentarismo carinhosamente apelidado de “mapling”, “jiboianço” ou “um dia bem passado no sofá”.

E de repente tudo muda de figura. Se pegarmos no gráfico do Especialista em Medicina Desportiva e praticante de CrossFit, Dr. Robert Oh, percebemos que na realidade é exactamente o contrário.  A incidência de lesões na prática de CrossFit é INFERIOR à do futebol, ténis, ginástica e mesmo a corrida.

Fonte: Dr. Robert Oh

Jornalismo tendencioso. NOT OK

Títulos sensacionalistas que põem em causa uma modalidade. NOT OK
Não saber escrever o nome da pessoa cuja modalidade estão a colocar em causa, escreve-se Glassman. NOT OK

Maus treinadores são perigosos. Artigos mal escritos também.

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Cláudia Espirito-SantoMarço 25, 20174min0

Chegou o último WOD do Open e conforme dita a tradição dos últimos anos é um couplet (WOD composto por 2 movimentos) com thrusters acompanhado de uma nova cara metade: double unders. Eram os dois movimentos omnipresentes em todos os Opens que faltavam em 2017. E para não quebrar com a promessa de Dave Castro no Instagram esta semana, os thrusters mortais ficaram para o fim.

É um WOD que parece inicialmente inofensivo, principalmente depois de ver as Dottirs, na Live Coverage da CrossFit International, a acabarem as 10 rondas abaixo dos 7 minutos. Na realidade, veio efectivamente para cortar com a respiração de todos.

A sua composição parece simples:

10 Rondas para tempo.

  • 9 Thrusters (95/65 lb – 43/29 kg)
  • 35 Double Unders (saltos duplos com a corda)

[Imagem: CrossFit Games]
[Imagem: CrossFit Games]
 

Mas neste WOD ninguém acaba como começa.

Na primeira ronda o atleta tem a sensação que este vai ser o WOD que finalmente vai conseguir dominar. Afinal está fácil, o peso é leve e não são assim tantas repetições por ronda.  A partir da sexta volta, o pensamento é substancialmente diferente. A sensação de peso da barra aumentou significativamente, os duplos começam a ser mais complicados e o ar… esse teima em não chegar.

Aqui começa o trabalho psicológico, de pensar repetição a repetição e de fazer a contagem decrescente para chegar ao fim.  É aqui que o apoio e a Comunidade vai fazer toda a diferença.  São nestas rondas finais que precisamos de sentir que alguém caminha connosco, ao nosso lado. Pode ser o nosso juiz, o nosso colega de treino, o nosso treinador, ou até podemos ser nós, mas é nestes momentos decisivos que faz falta uma pequena voz a empurrar para a frente e lembrar-nos de não desistir.  Afinal, são “só” 9 thrusters e 35 double unders. Quem não pensou que ia fazer todas as voltas “unbroken”.  Quem não se enganou?

Aproveitámos para falar com Pina Ramos, atleta de referência no CrossFit nacional, após o seu primeiro “test drive” do 17.5.  As dicas partiram todas do mesmo pressuposto “Ninguém acaba o WOD da mesma maneira que começa”.

Pina Ramos recomenda “Antes de mais organizar o material de modo a não perder tempo nas transições. A partir daí pensar na nossa resistência e partir desde o início os thrusters 3-3-3 ou mesmo para atletas para quem o peso está mais pesado 3-2-2-2. Essencial mesmo, em termos estratégicos, é controlar o tempo de cada ronda, não acelerar demasiado nas primeiras. De início parece leve e exequível, mas nas rondas mais avançadas o excesso de ansiedade do início faz-se sentir. Recomendo 1’15″ / 1’20” por ronda sempre num ritmo descontraído e controlado, porque lá está, não começamos como acabamos.”

Pina Ramos [Foto: Arq. Pessoal]
 

Se ainda não se aventuraram no 17.5 vale a pena experimentar. Dave Castro deu um time cap de 40 minutos, para mesmo quem tem mais dificuldade com a carga ou os duplos tenha possibilidade de fazer o WOD final conforme prescrito, ou Rx, como dizem os CrossFitters. Os atletas que optarem por fazer a versão “scaled” têm exactamente o mesmo desafio pela frente com menos carga e saltos simples à corda (single unders).

Este é decididamente um WOD para acabar em grande, sem fôlego e com vontade de nunca mais fazer um Open na vida. Mas querem saber uma coisa? Se fizeram o Open este ano, se tiveram amigos e companheiros da Vossa box ao Vosso lado e os Vossos treinadores a levar-vos no bom caminho tenho certeza que se superaram mais do que uma vez. E acredito que em Fevereiro de 2018, vão estar a fazer a Vossa inscrição no próximo Open desejosos de comparar resultados, medir a Vossa evolução, aproveitar o convívio da Comunidade desejosos de sentir aquelas “borboletas” características de quem está prestes a ultrapassar os seus limites da forma mais divertida possível.

18.1, estamos prontos. Quer dizer, estaremos no próximo ano 🙂

Links úteis:

Movimentos e padrões a serem seguidos:

https://games.crossfit.com/workouts/open/2017#movementStandards

Descrição dos exercícios e scorecard:

https://project6-drupal.s3.amazonaws.com/cfg_open2017_event_17_3-9sbqi8712bdhsy6344dbs.pdf

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Cláudia Espirito-SantoMarço 17, 20175min0

O mais imprevisível… é ser previsível, pelo menos quando se trata de Dave Castro. O primeiro teaser da semana dizia tudo.  Pega de martelo referente ao deadlift, bater no alvo relativo aos wall balls, kick or push alusivo aos Handstand push-ups (flexões em pino).  Era demasiado evidente. Não podia ser… Um repeat do quarto WOD do Open o ano passado.

Todos os anos um dos WODs do Open é um re-test de um Open de anos anteriores. Permite conferir à competição um carácter de medição evolutiva do nível de fitness de cada pessoa, além da competição saudável instaurada a nível internacional.

Desta vez foi no quarto WOD do Open, que Dave Castro integrou o re-test e escolheu  o 16.4.  Um AMRAP (as many repetitions as possible) de 13 minutos, com 4 movimentos distintos, cada movimento tem 55 repetições.

Dica de Dave Castro em seu Instagram, sobre o 17.4 [Imagem: Instagram – Dave Caastro]
 

Quem fez o Open o ano passado vai ter agora a oportunidade de perceber se conseguiu melhorar a sua capacidade de carga (deadlift), agilidade (wall-balls), metabólica (remo) e de ginástica (handstand push-ups).  Neste sentido, o 17.4 é um WOD que exige resistência e capacidade em vários domínios do CrossFit.

De forma resumida o 17.4, penúltimo WOD do CrossFit Open 2017 é:

  • Executar o máximo de rondas possíveis em 13 minutos de:
  • 55 deadlifts
  • 55 wall-balls
  • 55 calorias de remo
  • 55 handstand push-ups*
Dealift
wallball
row
hspu

O peso varia consoante a categoria (scaled tem um peso mais baixo) e os handstand push-ups passam a ser flexões com as mãos a sair do chão.

Este WOD é literalmente um desafio onde saber arranjar o compasse certo para a execução dos exercícios é essencial.  Mesmo para quem domina bem a carga do deadlift, interessa gerir de forma inteligente e garantir que não chega aos wall-balls sem capacidade de trabalho.  A apresentação do 17.4 em directo com a participação das atletas Brooke Wells e Brenda Castro provou exactamente isto com Brooke Wells a partir as repetições de 5 em 5 desde a primeira ronda de deadlift.  É um WOD que exige “caixa” e, nesse sentido, interessa geri-lo tendo em consideração a capacidade cardiovascular de cada pessoa.

Nuno Tobias, Head Coach da Matchbox CrossFit [Imagem: Matchbox CrossFit]
 

O Coach Nuno Tobias sugere “Para quem tem mais dificuldade no deadlift, existem várias estratégias possíveis, desde partir em 5 repetições desde o início esse movimento ou fazer 10/9/8/7/6/5/4/3/2/1, com pouco tempo de descanso.  Pode-se mesmo partir as repetições em: 10/9/8/7/6/5/5/5.  Psicologicamente é fácil de gerir gradação decrescente de repetições e chegar mais longe sem atingir a fadiga muscular.  O essencial é começar o WOD com uma estratégia sólida, que nos garanta que conseguimos chegar aos movimentos finais.  Ninguém conhece a sua capacidade em WOD como vocês mesmos e neste desafio faz toda a diferença.  Pensem muito bem sobre a melhor forma de encarar cada exercício e se necessário, façam uma divisão diferente no exercício que for mais difícil para vocês.”

Pessoalmente, enquanto CrossFitter de metro e cinquenta e cinco que adora handstand push-ups, posso partilhar como vou abordar o 17.4:

Deadlift: de 5 em 5, com mínimo descanso entre sets, aproveitando que sou baixinha e portanto, em teoria, tenho vantagem neste movimento.

Wall-Balls: vou provavelmente fazer uma sequência descendente de repetições, porque psicologicamente preciso disso. Já disse que tinha poucos cm, acima do metro e meio, e a marca dos wall-ball está aos 2,75 metros? Acreditem, está longe (muito longe) para uma pessoa da minha pequena estatura.

Remo: fechar os olhos e pensar que estou a andar de gondola pelos canais de Veneza enquanto fujo dos Nazis no Indiana Jones and the Last Crusade e finalmente cruzar os dedos que chego aos handstand push-ups.  Aqui estou na minha praia e se chegar vai ser 11 em 11 reps, se a fadiga permitir (sempre optimista).

Acima de tudo vou prever o que vou fazer com cada movimento e enfrentar a sensação imprevisível de cada exercício, de forma estudada e prevista.

We got you Dave Castro 😉

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Links úteis:

Movimentos e padrões a serem seguidos:

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Descrição dos exercícios e scorecard:

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Cláudia Espirito-SantoMarço 10, 20175min0

Literalmente.  O 17.3 tem trabalho de barra, e não é pouco.  O anúncio do WOD da semana 3 acabou com a ansiedade de muitos e iniciou a de outros na busca pela melhor estratégia.

No rescaldo do 17.2, a conversa de balneário dos CrossFitters recaía, novamente, sobre as próximas ideias de Castro. “Ainda faltam Dumbbell thrusters…”, “Vão sair halteres outra vez?” .

2017 vai ficar certamente conhecido como o ano do halter no CrossFit. Mesmo que estes equipamentos de Fitness não voltem a aparecer no Open de 2017, a verdade é que este Open destaca-se por recorrer a WODs com halteres por 2 semanas seguidas e em 3 exercícios distintos. Ficam de facto apenas a faltar dumbbell thrusters. E muitos acreditaram que faziam parte da receita do 17.3.

Estavam enganados. 

Na realidade, o prato dos próximos 3 dias, para qualquer CrossFitter, vai ser uma dose saudável de squat snatches e chest-to-bar pull-ups (elevações a tocar com o peito na estrutura):

Squat snatch [Imagem: CrossFit Games]
 

Até aos 8 minutos completar:
3 rondas de:
6 chest-to-bar pull-ups
6 squat snatches, 43/29 kg.
E depois 3 rondas de:
7 chest-to-bar pull-ups
5 squat snatches, 61/43 kg.
*Até aos 12 minutos completar 3 rondas de:
8 chest-to-bar pull-ups
4 squat snatches, 83/61 kg.
*Até aos 16 minutos completar 3 rondas de:
9 chest-to-bar pull-ups
3 squat snatches, 102/70 kg
*Até aos 20 minutos completar 3 rondas de:
10 chest-to-bar pull-ups
2 squat snatches, 111/79 kg.
Até aos 24 minutos completar 3 rondas de:
11 chest-to-bar pull-ups
1 squat snatch 120/83kg.

*Se todas as repetições forem completadas dentro do tempo previsto passa para a ronda seguinte.

Chest-to-bar pull-up [Imagem: CrossFit Games]
 

Num WOD onde o resultado depende do trabalho de levantamento olímpico, nada melhor que ouvir as dicas do Coach Tiago Gandum, Weightlifting Specialist e Coach na Matchbox CrossFit e um dos atletas de referência na área em Portugal:

Tiago Gandum [Foto: Matchbox CrossFit]
 

“Para os atletas, que pensam ir longe nas cargas no WOD, é essencial não ir ao limite nos pesos iniciais, por mais leve que seja, para assim ser possível ter mais rendimento nos pesos mais pesados. Singles all the way.  O Hook Grip é obrigatório. Nos chest-to-bar, é passar o mínimo de tempo agarrado à estrutura ou a fazer negativos”.

O objectivo para ir mais longe neste 17.3 acaba por ser simples: ser eficiente, minimizando tempo entre transições de barra (tendo por exemplo várias barras montadas com os pesos que se vai utilizar e um bom posicionamento entre elas).

A diferença de peso entre as rondas é muito grande nas primeiras voltas e nesse sentido, é importante, antes de começar, fazer pelo menos uma repetição com o peso máximo, que pensamos atingir no WOD.  Desta forma o choque da mudança de peso não é tão grande e o atleta tem já alguma auto-confiança para o patamar seguinte. Continuamos a trabalhar para nos superar neste WOD, mas aqui é nos exigidos algum pragmatismo na nossa estratégia.

WOD para todos

Mais uma vez no 17.3 Dave Castro criou um desafio que permite que atletas mais avançados se distingam de forma clara, não obstante existindo uma fase do WOD que é acessível para grande parte dos CrossFitters. Neste caso a estratégia é, de facto, crucial. Se sabem que vão avançar bastante nos pesos de squat snatch, trabalhem de forma consistente mas calma. Contudo, se o peso da ronda seguinte já não é algo que dominam, não se esqueçam que o tiebreak é o tempo em que finalizaram a ronda anterior.  Ou seja, é preciso ter uma boa noção do que temos capacidade, para fazer de modo a optar pela estratégia que mais nos vai beneficiar no leaderboard.

Quem fizer o WOD em modo scaled / adaptado vai seguir a mesma estrutura crescente de peso, mas terá pesos inferiores e será possível fazer um Power Snatch seguido de um Overhead Squat (em Rx esta progressão do squat snatch é proibida). Em vez de chest-to-bar pull-ups, os atletas vão fazer Jumping chin over bar pull ups. A estratégia a seguir deve ser a mesma. Definir até onde conseguimos chegar, em termos de peso e, tendo isso em consideração, fazer o WOD para tempo.

Chegou a hora de levantar peso e tentar chegar ao topo sem cair como um “House of Cards” 

Dica de Dave Castro no Instagram esta semana [Imagem: Instagram – Dave Castro]
 

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Cláudia Espirito-SantoMarço 3, 20175min0

Conta uma das lendas da China antiga, que para uma carpa atingir o seu expoente máximo de dragão, tinha que nadar contra as correntes mais fortes e saltar cascatas até à montanha Jishinhan para atingir a fonte do Rio Huang Ho. A carpa que alcançasse o topo, pela sua perseverança e determinação, seria transformada em dragão pelos Deuses.

Uma metáfora à qual recorre Dave Castro, director do CrossFit Games, como “teaser” no seu Instagram para o lançamento do 17.2.

A imagem deu muito que falar:

“Vão ser duplos, porque estão dois peixes debaixo da água”; “Vai ter trabalho de barra, pois os bigodes da carpa em inglês são barbels”; “Tem remo de certeza!”; “Vai-nos deixar sem ar”. Relativamente a esta última suposição, Castro não desiludiu.  

Apresentou um WOD que promete desafiar todos os atletas a lutar contra todas as suas dificuldades e levar os atletas de elite ao seu apogeu.  O 17.2 é um WOD de auto-superação, com muitos praticantes a conseguir a sua primeira pull-up ou o seu primeiro Bar Muscle-Up e claro, todos a fazer lunges com peso, como quem está a nadar contra a corrente. Para quem luta para ir aos CrossFit Games, o ar vai faltar de certeza.

Metáforas à parte, o 17.2 é:

Máximo de rondas e repetições possíveis em 12 minutos de:
2 rondas de:
15m e 24cm weighted walking lunge
16 toes-to-bars
8 power cleans
Seguido de, 2 rondas de:
15m e 24cm weighted walking lunge
16 bar muscle-ups
8 power cleans
Etc., alternando entre toes-to-bars and bar muscle-ups a cada 2 rondas.

Homens utilizam dumbbells 22,5 kg e Mulheres utilizam dumbbells de 15kg.

Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games
Imagem: CrossFit Games

Versão scaled / adaptada recorre dumbbells de 15kg para homem e 10kg para mulher. Os exercícios de ginástica passam a ser elevações dos joelhos e pull-ups.

Pull-ups numa versão scaled perguntam vocês? Sim, o objectivo é lutar para nos superarmos na fase final e focar em dar tudo no tempo das primeiras duas rondas, que vão servir de tiebreak.

Curiosamente apesar dos CrossFitters em teoria esperarem o inesperado, ninguém imaginou que neste desafio Castro recorresse mais uma vez aos halteres (equipamento até hoje nunca utilizado no Open de CrossFit) com mais 2 movimentos: Walking Lunges e Cleans.

O denominador comum em todos os exercícios é o “grip” (capacidade de pegar tanto nos halteres como na estrutura), portanto qualquer gestão neste WOD deve sempre considerar evitar levar o grip à exaustão. Já aconteceu a todos os CrossFitters perder o grip, e quando se perde, é difícil voltar a recuperá-lo. Nos lunges, o maior problema é sem duvida o desconforto causado pelos halteres em cima dos ombros, mas é a parte do desafio que exige menos gestão.

O trabalho de estrutura é o ponto mais desafiante, com um número de repetições que se não for bem repartido desde o início, pode deixar um atleta sem capacidade para atingir o seu melhor resultado.

Conselho do Coach Nuno Tobias da Matchbox CrossFit:

“Pensem muito bem na Vossa capacidade a executar os movimentos que são pedidos.  Tendo em consideração os Vossos objectivos dividam logo as repetições, garantindo que não ficam sem grip para dar continuidade ao WOD.  Nos cleans e lunges, se for um peso muito pesado para vocês, usem uma sweat para amparar melhor os dumbbells.”

Aquecimento sugerido pelo Coach Nuno Tobias. [Imagem: Matchbox CrossFit]
 

Quem nunca fez um Bar Muscle-Up e vai fazer o WOD em Rx deve considerar o mesmo princípio que os atletas scaled que nunca fizeram um pull-up: encarar o WOD como 2 rondas de walking lunges, 16 toes-to-bars e 8 power cleans para tempo.  O tempo em que se terminar a segunda ronda será o tiebreak.  A partir desse momento é aproveitar para fazer o primeiro Bar Muscle-Up de sempre.

Parece impossível? Não é.  É apenas uma questão de nadar contra a corrente, acreditar e tentar chegar ao topo, como a Carpa.

É agora que vai sair o primeiro. É um momento que vos vai marcar. E se por acaso não sair essa primeira repetição, sabem que tiveram o melhor tempo possível no tiebreak.

Se o 17.1 nos deixou inspirados com tudo o que os nossos parceiros de treino deram de si, preparem-se para o 17.2.  Vai ser extraordinário ver tantos dragões a nascer.

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Links úteis:

Movimentos e padrões a serem seguidos:

https://games.crossfit.com/workouts/open/2017/17.2#movementStandards

Descrição dos exercícios e scorecard:

https://project6-drupal.s3.amazonaws.com/cfg_open2017_event_17_2_v14-1.pdf

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Cláudia Espirito-SantoFevereiro 24, 20173min0

Depois das conversas de balneário, opiniões, bitaites, futurologias, palpites e suposições pré-Open, finalmente aconteceu:  Dave Castro, director dos CrossFit Games, anunciou o primeiro WOD, desta sequência de 5 desafios que centenas de milhares pessoas, a nível mundial, vão fazer nas semanas que se seguem.

É um couplet, junção de dois exercícios com uma gradação crescente de repetições de um deles. Chama-se 17.1 e vem vestido de:

Dumbbell Snatches…

Dumbbell Snatches [Imagens: The CrossFit Games]

…e Burpee Box Jump Overs

Burpee Box Jump Overs [Imagens: The CrossFit Games]
For time (time cap 20 mins):
10 dumbbell snatches
15 burpee box jump-overs
20 dumbbell snatches
15 burpee box jump-overs
30 dumbbell snatches
15 burpee box jump-overs
40 dumbbell snatches
15 burpee box jump-overs
50 dumbbell snatches
15 burpee box jump-overs

Dave Castro já tinha avisado que as boxes deveriam equipar-se de halteres com 15kg para mulheres e 22kg e meio para homens.  E como o prometido é devido, damos-lhes logo utilidade no primeiro WOD do Open.

Para ter alguns insights sobre como potenciar a nossa performance neste desafio, falamos com Nuno Tobias, Head Coach da Matchbox CrossFit:

 
Nuno Tobias, [Imagem: Matchbox CrossFit]
“O 17.1 é um WOD de resistência cardiovascular. Mais do que força, exige capacidade metabólica e nesse sentido o segredo para qualquer atleta que tenha maior dificuldade será sempre manter um ritmo estável e “descansar” nos burpee box jump overs. Parece impossível mas não é. Executar o movimento de forma consistente, mas com um ritmo controlado (em modo lazy burpee, por exemplo) vai permitir que o batimento cardíaco baixe o suficiente durante esse movimento para recomeçar os dumbbell snatches seguintes.  O facto dos snatches com os halteres irem aumentando em número de repetições a cada volta, torna este desafio tão mental quanto o é físico. Já tivemos atletas a fazer o WOD e conseguir terminar por ter alguém por perto a “gerir” os descansos.  Quer queiramos, quer não, quando o desafio tem uma forte componente psicológica o apoio dos colegas e amigos faz toda a diferença.”

O vídeo da CrossFit Internacional permite executar os dumbbell snatches em modo “touch & go”, ao trocar o halter de mão quando entramos na fase descendente do movimento.  Uma pessoa com uma boa capacidade metabólica pode apostar nisto para ganhar alguns segundos, contudo, a não ser que seja algo que se consegue manter ao longo do WOD inteiro, o tempo que se ganha acaba por dificilmente compensar o cansaço acumulado do “touch & go”.

Boa sorte a todos os atletas do Open… daqui a nada está na hora de começar as conversas de balneário, opiniões, bitaites, futurologias, palpites e suposições pré-17.2. Afinal, sem estes preâmbulos sociais empolgantes, participar não tinha metade da piada ;).

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Links úteis:

Movimentos e padrões a serem seguidos:

https://games.crossfit.com/workouts/open/2017/17.1#movementStandards

Descrição dos exercícios e scorecard:

https://project6-drupal.s3.amazonaws.com/cfg_open2017_event_17_1-10ednhsy6ewhd6.pdf

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Cláudia Espirito-SantoFevereiro 1, 20176min0

“Já te inscreveste?” “Vais fazer scaled ou Rx?” “Achas que saem thrusters?”. São as conversas dos CrossFitters nesta altura do ano e estendem-se até entrarmos num infinito de vocábulos que pertencem exclusivamente a quem treina a modalidade e começa a fazer parte deste “universo” underground fit que está a conquistar o mundo box a box.

Mas o que é o Open e por que é que mexe tanto com a Comunidade do CrossFit?

Resumidamente é o apuramento para os CrossFit Games – a competição da qual resulta a pessoa mais “fit” do planeta.  E no âmbito extraordinariamente inclusivo desta modalidade, qualquer pessoa pode participar.  O Open é exactamente isto: ABERTO a toda a Comunidade não obstante a idade ou tempo de treino porque pode ser feito em modo adaptado, com cargas menores e exercícios que são transições para o movimento mais complexo.

Treinem CrossFit há um mês, um ano, uma década; é igual.  

Aliás, se acabaram de começar o treino de CrossFit, ainda recomendo mais participar.  É a Vossa oportunidade de conhecer melhor esta modalidade, a comunidade, de se conhecerem melhor a vocês próprios e acima de tudo de se inspirarem e serem uma fonte de inspiração.  Sim, leram bem: serem uma fonte de inspiração pelo Vosso esforço, empenho e dedicação.  São valores altamente valorizados no CrossFit e a vitória de um principiante é tão ou mais importante que a de um atleta profissional. São os momentos de superação que nos unem e não há quem se supere mais do que quem começou há pouco tempo neste percurso.

Crossfit Games e a força de sua comunidade. [Imagem: CrossFit Games]
 

Mas, custa US$ 20 participar.  Vou pagar mais US$ 20 para fazer WODs?

Sei que já pagam a box.  Sei que podem fazer os WODs sem se inscreverem, mas acreditem que não é a mesma coisa.  Falo por mim.

Em 2015 não me inscrevi oficialmente.  Pensava exactamente isso, não preciso pagar para fazer os WODs.  E efectivamente fiz os primeiros desafios com o entusiasmo de quem se tinha inscrito.  Até as borboletas sentia a esvoaçar na minha barriga antes de começar a fazer o meu WOD.  Até que saiu o 15.5 (último WOD do Open de 2015),  27-21-15-9 calorias de remo e thrusters. Se não praticam CrossFit, acreditem apenas que é uma tortura para uma pessoa com a minha pequena estatura, tenho 1m55 e por mais que dê a minha alma no remo, o meu ritmo continua a ser o de um gondoleiro pelos canais de Veneza. É frustrante.  É algo que não gosto e não faço bem.

Eu dispensava a existência desse WOD.  Não o queria fazer e como não estava inscrita, surgiram milhares de imprevistos prioritários face ao desafio.  Tornou-se imprescindível tomar aquele café com a amiga que não via há duas semanas e de repente o supermercado não podia esperar nem mais um segundo.  Não fiz o WOD, e arrependi-me. Porque podia até ter tido o pior tempo do país a fazer aquele desafio, mas tinha-o feito.  Ele teria sido meu.  Teria enfrentado o  meu medo e seria mais forte por isso.  Teria aprendido o que precisava melhorar.  E teria feito companhia aos meus colegas de treino que foram fazer o WOD.

A verdade é que quando assumimos um compromisso escrito, quando pagamos para fazer qualquer coisa, o nosso empenho é outro.  É a nossa condição inata de ser humano.  Olhem para isto como jogar poker: se o meu dinheiro está em jogo podem ter a certeza que o meu foco e o meu envolvimento serão completamente diferentes,  e a emoção de jogar também.

CrossFit Open é para todos! [Imagem: CrossFit Games]
 

E há 5 coisas que são emocionalmente insubstituíveis no Open:

São 5 semanas com 5 WODs diferentes.  Em algum deles vão fazer boa figura GARANTIDAMENTE. É uma questão estatística.  Vão descobrir algo que fazem bem no meio de tudo o que sentem que têm para melhorar. Nesse momento de iluminação o CrossFit vai ganhar uma nova dimensão para vocês.

  1. Vão se surpreender com tudo aquilo que são capazes de fazer. A SÉRIO. O efeito da adrenalina no ser humano é simplesmente mágico. Fazemos o inimaginável e sentimo-nos MAGNÍFICOS com isso (e eu cá gosto muito de me sentir magnifica 🙂 )
  2. Vão-se sentir inspirados e surpreendidos com o que os Vossos colegas de treino e amigos conseguem fazer. E acreditem que vão pensar mais do que uma vez “Se ele/ela consegue, eu também vou conseguir”.
  3. Vão inspirar os outros. Eu sei que já falei nisto, mas ser uma inspiração para os outros é uma sensação absolutamente inigualável. Ouvir o apoio dos nossos colegas e amigos enquanto damos tudo o que temos num WOD que pode ser o nosso maior pesadelo é simplesmente Único. Sentimo-nos invencíveis.  Somos mais do que alguma vez acreditámos possível ser. É um sentimento que não se explica… vive-se.
  4. Vão estar “nesta aventura” com centenas de milhares de pessoas no mundo.  Durante 5 semanas todas as boxes afiliadas (e muitas não afiliadas) vão estar a treinar para o mesmo com um único objectivo: a auto-superação. Isto sim é Comunidade.

E porque acho que todas as pessoas merecem sentir esta amálgama de emoções extraordinárias que se misturam com medo, ambição, orgulho, tristeza e VONTADE; uma VONTADE imensa de dar o melhor de nós, acho que todos se devem inscrever para o Open.

O Open começa no dia 23 de Fevereiro.  Já estás inscrito ou vais “jogar poker a feijões”?

Como participar:

  1. Fazer a inscrição no games.crossfit.com identificando a tua box afiliada;
  2. Pagar os US$ 20;
  3. Fazer os WODs, que são anunciados na sexta-feira de madrugada, em algum momento dos 4 dias que temos para os fazer, antes de submeter os nossos resultados.  Esta parte são os Vossos treinadores e a Vossa box que tratam, portanto, a Vossa preocupação é mesmo dar o Vosso melhor nos desafios que são propostos.
E fiquem atentos, o Fair Play também vos vai acompanhar com dicas e estratégias WOD a WOD, para obterem os melhores resultados no Open.

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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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