16 Ago, 2017

Arquivo de Andebol - Fair Play

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João de MatosJulho 31, 20173min0

Depois de dois anos consecutivos de muitas conquistas por parta da equipa minhota, entre eles, campeonato de Andebol 1, taça de Portugal e uma taça Challenge, o seu maior obreiro das conquistas, Carlos Resende, rumou para um clube da 2ª circular, o Sport Lisboa e Benfica.

Com ele, seguiram Pedro Seabra e Ricardo Pesqueira, central e pivot que desempenhavam um papel preponderante na formação do ABC. Nuno Grilo, melhor marcador dos minhotos, também fez as malas e rumou ao Créteil, da primeira divisão francesa, tendo assinado um contrato válido por dois anos.

No sentido inverso, a equipa agora orientada por um ex-treinador das águias, Jorge Rito, conta com a aquisição de Belmiro Alves, atleta de 23 anos que vestirá a camisola academista durante os próximos dois anos. Belmiro cumpriu a sua formação no FC Porto, chegando, já como sénior, ao Águas Santas, onde esteve entre 2014 e 2016. Na última época atuou no AC Fafe e foi um elemento importante na manutenção dos fafenses na primeira divisão do andebol português.

Outra contratação foi a do lateral Hugo Rosário para os próximos dois anos, regressando a uma casa que foi a sua entre 2003 e 2011. O atleta, de 26 anos, fez a formação no clube de Braga, estreando-se como sénior em 2009, precisamente às ordens do prof. Jorge Rito, que agora volta a orientar a equipa principal do ABC. Com a camisola academista, nas camadas jovens, Rosário venceu duas Taças de Portugal de juvenis, em 2007/2008 e 2008/2009. Depois de sair do Flávio Sá Leite, passou a época 2011/2012 no Madeira SAD, transitando na temporada seguinte para o FC Porto. Entre 2014 e 2016, representou o Águas Santas, voltando a jogar na Madeira na época que agora terminou.

Fonte: FC Porto

A terceira aquisição do ABC foi o central Nuno Silva, tendo assinado contrato por dois anos. O atleta, de 26 anos, representou o AM Madeira Andebol SAD nas últimas três temporadas. Embora represente pela primeira vez a camisola academista, este novo elemento da equipa sénior já tem, indiretamente, alguma história no clube, já que é neto de um antigo presidente do ABC, António José Lopes de Sousa.

Fonte: AA Madeira

Será uma época muito atribulada para a equipa de Braga, pois vê sair peças fundamentais do seu plantel como o treinador Carlos Resende e Nuno Grilo, melhor marcador dos academistas nas duas épocas transatas. Veremos se Jorge Rito, conseguirá manter os níveis deixados por Resende na equipa minhota, e se, a aposta na formação irá ser algo a ter em conta.

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João de MatosJulho 30, 20172min0

Há 2 anos que o título de campeão foge à equipa das antas. Depois de celebrado o hepta campeonato, já são 2 anos sem levantar o caneco de campeão.

Apesar de uma primeira metade de época quase perfeita, sem derrotas, o Porto demonstrou uma vertente de equipa que estremece nos minutos finais dos jogos, perdendo alguns deles nos últimos lances das partidas. Falta algo no Porto para além da garra e raça que sempre demonstrou sobe o comando técnico de Ljubomir Obradović, o obreiro dos setes campeonatos consecutivos.

Nesta equipa do FC Porto precisam-se de jogadores com garra e com experiencia de balneário. Sempre foi uma regra a cumprir a aposta nos jovens provenientes da formação, o expoente máximo dessa regra é Miguel Martins, lapidado por Ljubomir tem demonstrado ano após ano que é o futuro do FC Porto.

O antigo capitão dos dragões Ricardo Moreira depois de 13 épocas consecutivas ao serviço da equipa de andebol do FC Porto, decidiu colocar um ponto final na carreira. O ponta-direita, capitão dos azuis e brancos desde 2009, vai assumir o comando técnico das equipas B e de juniores do clube.

Fonte: FC Porto

O que prova que o Porto necessita de ir ao mercado para fazer frente aos outros 3 candidatos ao título, Sporting, Benfica e ABC.

O FC Porto confirmou a contratação de Lars Walther para o cargo de treinador da equipa de andebol, sucedendo a Ricardo Costa.
É o regresso do dinamarquês, agora com 51 anos, a Portugal, depois das passagens pelo Sporting (1987/88) e pelo Marítimo (1995/96) enquanto jogador.
Como treinador, passou pelos campeonatos da Alemanha, Eslovénia, Itália, Polónia, Roménia e Rússia, tendo conquistado os títulos de campeão nacional no Wisla Plock (2011), no Baia Mare (2015) e no Kadetten (2016).

O FC Porto anunciou o empréstimo do andebolista Alexis Borges ao Barcelona, com o clube espanhol a ficar com opção de compra por mais duas temporadas.

Fonte: Mundo Desportivo

Nascido em Cuba, mas também com nacionalidade portuguesa, o ‘pivot’, de 26 anos, chegou ao FC Porto em 2013 e conquistou dois campeonatos nacionais e uma Supertaça.

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João de MatosJulho 29, 20172min0

O mais recente campeão nacional de Andebol 1 tem começado a sua história de revalidação do título não na contratação de reforços mas na renovação dos contratos dos seus craques.

A primeira renovação foi a do lateral luso-croata Bosko Bjelanovic. O jogador de 30 mostrou-se bastante feliz com a renovação e prometeu muita luta e conquistas aos adeptos leoninos.

A segunda renovação do plantel foi Ivan Nikcevic, ponta-esquerda que chegou à equipa de andebol dos leões na época passada, proveniente do Wisla Plock, equipa onde atua o internacional português Gilberto Duarte.

A terceira renovação confirmada pelo Sporting é a do técnico Hugo Canela, que continuará no comando da equipa de andebol do clube. Luís Cruz e André Teixeira, treinador-adjunto e treinador de guarda-redes, também se mantêm no clube.

O clube de Alvalade confirmou também a contratação do lateral cubano Pedro Valdés, primeiro reforço que chega proveniente do Avanca.

A maior contratação até agora por parte do clube de alvalade é Tiago Rocha. O internacional português, que já vestiu a camisola do FC Porto, deixa a Polónia, onde representava o Wisla Plock.

Fonte: Sporting Clube de Portugal

O Sporting anunciou também o acordo com o andebolista internacional brasileiro Felipe Borges para a época 2017/18. Proveniente dos franceses do Montpellier, Felipe Borges tem mais de 100 internacionalizações e atua a extremo esquerdo.

Outra cara nova no Sporting é Carlos Galambas. É o novo diretor da secção de andebol do clube de Alvalade.

Trata-se do regresso do antigo pivot ao clube que representou entre 2009 e 2011, tendo na altura feito parte da equipa que conquistou a Taça Challenge, o primeiro troféu que Portugal conquistou nas competições europeias de clubes.

O Sporting tem, nesta época que se avizinha, a disputa da liga dos campeões e possui como objetivo ultrapassar a fase de grupos, na liga milionária de andebol. Tendo já assegurado a continuidade de jogadores experimentes nesse palco, como Carlos Ruesga e Ivan Nikcevic, ambos com um bom historial de jogos na maior liga europeia de clubes.

O sorteio do campeonato de Andebol 1 ditou que o Sporting, campeão em título, vai iniciar a defesa do campeonato em casa com o Fafe, a 02 de setembro, naquela que será a estreia da equipa leonina no seu novo reino, o pavilhão João Rocha.

Na quinta jornada, marcada para 30 de setembro, o FC Porto visita o Sporting e duas jornadas depois é a vez dos ‘verde e brancos’ jogarem em casa do Benfica, a 14 de outubro, no pavilhão nº2 da Luz.

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João de MatosJunho 3, 20173min0

O Andebol Universitário não foi só inserido no campeonato universitário pela competição, mas também para que os atletas se divirtam e aproveitem os benefícios que a modalidade proporciona, tais como a salutar convivência entre os colegas a par com a prática de um desporto que proporciona bem-estar físico.

Sendo as regras muito parecidas à dos campeonatos nacionais, existem, no entanto, algumas pequenas diferenças como o tempo regulamentar ser de apenas 50 minutos ou a utilização de um cartão verde (time-out) em cada parte (sem contar com o prolongamento, caso exista “Final Four”) entre outras pequenas diferenças. A estrutura consiste em várias equipas inscritas na região de Lisboa, varia por época, mas ronda sempre cerca de oito equipas.

Existem treinos semanais para as equipas melhorarem as suas capacidades individuais e colectivas, porém nem sempre isto acontece por questões de tempo, já que a vida de um universitário é cheia de convívios, festas e um pouco de estudo, tornando-se difícil de conciliá-la com a prática da modalidade. Também existem casos em que os jogadores de alta competição têm treinos com as suas respectivas equipas federadas e depois torna-se uma sobrecarga de esforço no atleta. A intensidade do treino universitário é diferente de um clube que compete pelo primeiro lugar nacional, sendo as intensidades do treino mais alta no clube do que no universitário.

Um facto interessante é que se uma determinada faculdade quiser treinar e não tiver possibilidade de usar um pavilhão no Campus, a ADESL cede o pavilhão da Cidade Universitária, onde por norma se realizam todos os jogos, de forma a não prejudicar nenhuma das equipas.

Entre a panóplia de equipas de Lisboa, existem umas com jogadores federados que praticam ao mais alto nível do andebol nacional de alta competição e outras que só realizam desporto escolar, existem casos em que o contacto com a modalidade é quase nulo, e o contacto do atleta com a modalidade se restringia às aulas de Educação Física. As equipas, por regra geral, são equilibradas, havendo algumas com um naipe com bons atletas. Existem também equipas cujos atletas não possuem grande aptidão para a modalidade.

ISCTE campeão regional 2016/2017 Fonte: ADESL

Realizam-se jogos entre todas as equipas, só com uma ronda para em seguida se apurarem os 4 primeiros para a próxima fase a chamada Final Four. Sendo que o 1º classificado joga com o 4º classificado e o 2º com o 3º classificado. Os vencedores de ambos os jogos disputam uma final, enquanto os perdedores jogam o terceiro e quarto lugar. Por regra, os jogos são realizados no pavilhão da cidade, porém existem equipas que preferem jogar em “casa” devido ao facto de terem um maior número de adeptos a motivarem a respectiva equipa como é o caso da equipa da Faculdade de Motricidade Humana ou do Instituto Politécnico de Setúbal.

ISCTE sagrado campeão Fonte: ADESL

Para além do campeonato regional, existe ainda o campeonato nacional, europeu e mundial. O apuramento dos campeonatos desde o nacional até ao europeu varia. Neste ano do campeonato 2016/2017 o campeonato nacional que foi realizado em Coimbra pela FADU onde apenas foram apuradas duas equipas de Lisboa (1º e 2º classificado), porém no anterior campeonato nacional que foi realizado em Lisboa foram apuradas 4 equipas de Lisboa. No caso do campeonato europeu também se mantém o mesmo critério do exemplo anterior sendo que este ano foram apuradas duas equipas de Portugal. Já no mundial é por convocatória, sendo os melhores de Portugal que participam no campeonato universitário, e mesmo alguém que não tenha jogado nenhum jogo pode ser convocado para este campeonato.

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João de MatosAbril 28, 20175min0

Em Portugal, o deporto que reina é o futebol, mas é preciso ter atenção às jovens promessas de outras modalidades, mais concretamente no Andebol. Muitos são os jovens que no nosso país praticam andebol, mas só alguns conseguem chegar a um patamar de alto nível, neste artigo destaco os 3 principais jovens do andebol português.

MIGUEL MARTINS | FC PORTO | 19 ANOS

Será o jovem com maior potencial e com grande margem de progressão, desde cedo começou a praticar a modalidade, com 7 anos. Apenas com 5 anos de andebol já era convocado para a seleção nacional.

Chegou ao FC Porto com 17 anos, e desde cedo foi aposta muito acertada pelo antigo treinador da equipa portista Ljubomir Obradovic. Começou com poucos minutos na equipa principal, mas desde cedo conquistou o seu lugar na equipa. Logo na sua primeira época a vestir azul e branco (2013/2014) conquistou o titulo de campeão nacional de Andebol 1, feito que conseguiu repetir na época a seguir.

Fonte: FCPorto

Miguel Martins, ainda é júnior, mas apenas joga no escalão sénior, as suas principais características são a velocidade que impõe no jogo, sendo um central muito alto, o que juntamente com a sua grande colocação de remate, fazem dele um central a ter em conta no ataque. Apresenta uma grande visão e leitura de jogo, para um jovem de apenas 19 anos.

ANDRÉ GOMES | ABC | 18 ANOS

Não despertou interesse tão cedo, mas a cada época que passa se torna um jogador a ter em conta. Lançado por Carlos Resende, em 2015/2016, atualmente a realizar a sua 2ª época como sénior, tem mostrado que a confiança depositava em si, tem dado frutos.

Realizando sempre jogos muito constantes, o Lateral Esquerdo, que na sua época de estreia de Andebol 1, se tornou campeão Nacional é um jovem com grande impulsão o que o ajuda e muito na altura do remate, é muito forte fisicamente, sendo também uma peça importante no eixo defensivo do ABC.

A realizar uma grande época este ano, já conta com mais de 130 golos, e o seu melhor registo na presente temporada foram 11 golos marcados ao Boa-Hora FC, sendo o melhor marcador da equipa nesse encontro.

Errado será dizer que é um jogador de ocasião, mas a verdade é que tem realizado jogos mais notáveis contra as melhoras equipas do campeonato, marcou 7 e 6 golos nos 2 jogos que realizou frente ao FC Porto, marcando outros tantos golos contra o Madeira SAD, nos jogos a contar para a taça de Portugal. Durara pouco tempo a sua permanência no ABC, casa que o fez crescer para a modalidade, pois mais tarde ou mais cedo será aposta de outros grandes clubes nacionais e internacionais.

Fonte: OJogo

GONÇALO RIBEIRO | SL BENFICA | 20 ANOS

Gonçalo é jogador do SL Benfica, mas esta época foi emprestado ao Clube de Futebol “Os Belenenses”. Este jovem começou a praticar esta modalidade no mesmo clube onde este ano foi emprestado. Este central de 1.91mts, é muito forte no jogo ofensivo, marcando inúmeros golos de anca, é muito forte fisicamente, algo que para um jovem de 19 anos é crucial para batalhar e disputar qualquer bola com os veteranos do andebol português.

Fonte: OsBelenenses

Apesar de uma grave lesão o ter deixado fora dos pavilhões durante meses, este ano era tempo de se reafirmar, e voltar aos tempos gloriosos de outrem, algo que levou o Benfica a optar pelo empréstimo do central à equipa do Restelo, para que assim possa ter mais minutos e experiência no campeonato português. Muito esforço e dedicação revelam o caracter de Gonçalo que apesar do passado fustigado de lesões encontra-se neste momento em 3º lugar na lista de melhores marcadores do campeonato de Andebol 1.

Estas são três grandes promessas que se deve ter em atenção nos próximos anos do campeonato de Andebol 1 e Seleção Nacional. Estes jovens jogadores, são todos juniores, mas só realizam jogos no escalão de seniores, o campeonato de Andebol 1.

Todos eles têm potencial para chegar ao topo do andebol português, mas apenas um em teoria, pelas suas características e versatilidades conseguirá singrar no andebol europeu, representando um gigante como um PSG, Barcelona, Kiel ou Kielce, são todas equipas com andebol rápido, duro, e muito preciso. Três particularidades que assentam no jovem Miguel Martins do Futebol Clube do Porto, com muito trabalho, suor e humildade um dia conseguirá chegar aos grandes palcos como é a VELUX EHF Champions League.

Tanto Gonçalo Ribeiro como André Gomes apresentam imenso potencial, mas pelas suas características mais dentro do comum será mais difícil chegarem a um patamar como aquele que teoricamente está destinado a Miguel Martins, tanto André como Gonçalo, são muito fortes no aspeto ofensivo, mas o atleta do Belenenses peca mais em termos defensivos, pois o trabalho intensivo de pernas realizado na outra ponta do terreno não é a sua praia.

André Gomes, é mais ágil que Gonçalo, sendo o seu jogo defensivo muito superior, já em termos atacantes ainda terá que crescer em timings de decisão, não ser tão precipitado na hora de agir. Todos eles têm uma idade muito tenra, e só com o treino, jogo e os anos futuros ditarão as suas evoluções e aquilo que ainda têm para mostrar. Espera-se que o futuro seja muito risonho para estes atletas, e que elevem o andebol português a um maior patamar, pois estes jovens são o sangue novo da nossa seleção nacional.

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Tomé BritoMarço 11, 20178min2

Falta uma jornada para o final da fase de grupos da EHF Champions League e há uma equipa que tem vindo a desiludir muito nesta fase. Falamos do Kielce, o atual detentor do troféu, que com apenas uma jornada para se jogar, se encontra no 4º lugar do Grupo B e corre sérios riscos de enfrentar já nos oitavos de final um colosso, como o Veszprem. Algo se passa nos gigantes Polacos e com este artigo o Fair Play vai tentar explicar o que é.

A época passada foi de sonho para os adeptos do Kielce que viram a sua equipa manter o seu domínio interno e com Talant Dujshebaev no comando da equipa conquistaram pela primeira vez na sua história a Liga dos Campeões, naquela que foi a final mais épica de sempre. Para este ano as expectativas eram as mesmas, manter o domínio na Polónia e chegar, no mínimo, à Final Four da Champions. Tal como Barcelona ou Veszprem, clubes que têm o campeonato nacional (praticamente) garantido a cada época, o grande objetivo do Kielce é vencer a maior competição de clubes, mas este ano isso parece estar difícil, assistindo-se a um Kielce fraco e que tem vindo a somar más exibições.

Da época passada para esta até sofreram algumas perdas consideráveis (Cupic, Buntic ou Sego) mas os reforços que chegaram (Bombac, Ivic ou Djukic) vieram elevar ainda mais a qualidade da equipa (supostamente) e partiram para 2016/2017 com um plantel bastante profundo, talvez aquele com mais opções da Europa (taco a taco com Veszprem). No entanto, e apesar de na Polónia ainda estarem em 1º confortavelmente e de estarem nas meias da Taça, a época na Champions não tem corrido bem somando maus resultados, a que se juntam más exibições, nas últimas jornadas, tendo mesmo Dujshebaev já posto o seu lugar como treinador à disposição. Os problemas vão acumulando para o Kielce e os adeptos e a direção parece, estar a ficar sem paciência.

Dujshebaev e os típicos ataque de raiva (Foto: Getty Images)

RESULTADOS E ÉPOCA EUROPEIA

A época na Europa até começou bem para os Polacos que iniciaram a sua caminhada com 4 vitórias consecutivas, mas nos últimos 9 jogos venceram apenas 4 vezes, tendo perdido 5. Sendo que 3 destas derrotas foram já em 2017. As derrotas na 10º e 11ª jornadas, contra Lowen e Celje, vieram trazer muita pressão à equipa e principalmente ao treinador mas na 12ª jornada a vitória sobre o Pick Szeged veio aliviar um pouco desta pressão. Já na última jornada perderam na Suécia contra o Kristianstad e a equipa voltou a ficar sob fogo. O que preocupa não é a passagem à próxima fase, porque essa já está garantida, mas sim a irregularidade e amá qualidade de jogo que a equipa tem vindo a demonstrar desde Novembro e que nos oitavos, contra um Veszprem ou Flensburg, pode sair muito caro e podemos assistir a uma saída prematura da competição dos atuais campeões.

DEFESA, A PRINCIPAL RAZÃO PARA A MÁ ÉPOCA?

Para tentar triar algumas conclusões do que se passa com o Kielce, fomos rever os últimos três jogos da equipa Polaca na Liga dos Campeões. Estes jogos foram contra o Celje (derrota por 34-33), Pick Szeged (vitória por 28-24) e Krisitianstad (derrota por 29-25).

Nestes três jogos foi bem notória que o principal problema do Kielce se encontra na defesa acumulando erros defensivos jogo após jogo e muitas vezes são os mesmos erros a causar as derrotas da equipa, o que ainda é mais grave. Vamos proceder então aos aspetos mais técnico-tácticos.

Um dos grandes erros defensivos tem passado pela pouca ou muita agressividade que os dois defensores do centro da defesa do Kielce tem mostrado, nomeadamente, a falta de comunicação, um dos principais aspetos defensivos na táctica coletiva defensiva. Resultado disso é ver Aguinagalde e Chrapkowski a saírem ao mesmo tempo ao central ou portador da bola, deixando o pivot sozinho para receber e poder ter todo o espaço e tempo do mundo para finalizar. Noutras situações não há qualquer saída de um dos defensores, ficando assim o central com um espaço enorme para trabalhar um simples 2 contra 2 – contra o Celje, Zarabec aproveitou isto, para marcar 6 golos em 6 remates da zona central e fazendo também uns 5/6 passes para o pivot -. Chrapkowski tem sido mesmo o principal visado pelos erros defensivos, ele que devia ser o “especialista” defensivo do Kielce mas tem sido tudo menos isso. Também é justo dizer que o Polaco tem defendido ao lado de Aguinagalde nos últimos jogos e isso é quase como que defender por dois.

Outro dos problemas observados tem sido nos extremos que ora ajudam demasiado, ora não ajudam nada. Mais uma vez patente a falta de táctica coletiva defensiva. Na 1ª situação deixam um ângulo enorme para o ponta atacante, bastando só o lateral atacar entre o primeiro e segundo defensor e largar para o ponta poder finalizar. Na 2ª situação o lateral fica com um espaço enorme para atacar o seu defensor e poder trabalhar tanto para dentro como para fora (se o pivot fixar no lado onde existe esta vantagem, ainda melhor ficando assim 3 atacantes – lateral, pivot e ponta – para apenas 2 defensores – primeiro e segundo – porque quem estava com o pivot não costuma acompanhar, o que está mal).

No ataque, o Kielce apresenta grandes dificuldades  contra equipas que utilizam o sistema defensivo 5-1 (com marcação ao central). Estas dificuldades devem-se à marcação ao central que obriga os laterais a jogar mais no 1 contra 1, porque não conseguem embalar pelo central ou através de cruzamentos, quando a maior força dos laterais do Kielce é o remate exterior. O facto dos laterais receberem a bola parados e de o ataque ser muito estático, dependendo muito do que os centrais conseguem fazer, não ajuda.

Para terminar, notou-se por diversas vezes uma precipitação do ataque em querer resolver rapidamente. O facto de quererem resolver tudo muito depressa leva à acumulação de falhas técnicas e ao contra-ataque adversário, o que contra equipas de valor mais pequeno costuma ser fatal para o resultado final.

Chrapkowski, o “especialista” defensivo do Kielce tenta parar Narcisse (Foto: Getty Images)

DESTAQUES INDIVIDUAIS? POUCOS

O título deste tópico diz tudo. Têm sido muito poucos os destaques (positivos) individuais do Kielce esta época. Para começar Aguinagalde tem sido o melhor jogador da equipa (a nível atacante) e tem continuado a mostrar que é sem sombra de duvidas o melhor pivot da atualidade. É impressionante a capacidade do Espanhol a ganhar o espaço e a sua facilidade para finalizar, podendo marcar golo de qualquer forma. Lijewski, que esta época ganhou em definitivo o lugar a lateral-direito, também tem sido muito importante, porque ao contrário de Bielecki ou Jurecki, e apesar de também ter a sua força no remate exterior é um lateral que se consegue safar no 1 contra 1 fazendo valer nesta situação o seu físico.

Foto: Getty Images

Passando aos negativos, há um nome que se destaca de todos os outros. Dean Bombac. Uma sombra da época passada quando marcou mais de 100 golos na Champions pelo Pick Szeged. No ano passado espalhava magia no campo de Andebol a cada ataque, seja com um passe para o pivot, com uma finta, ou com um fantástico golo apoiado, agora, parece que se arrasta em campo, não consegue fazer a diferença e a sua continuidade no Kielce no final da época parece estar em risco. Para terminar, falaremos também de Michal Jurecki, este não por se estar a arrastar em campo, mas sim fora dele. Em forma é o melhor jogador desta equipa, um misto de força e técnica, mas que esta época devido a lesões não tem podido dar o seu contributo a 100%. O sucesso do Kielce parece passar muito pela saúde do Polaco e caso queiram continuar em prova nos oitavos era bom que Jurecki estivesse em forma.

Bombac tem desiludido em Kielce (Foto: Getty Images)

Hoje o Kielce recebe o Meshkov Brest e joga a possibilidade de defrontar, ou não, um colosso nos oitavos. Em caso de vitória terminam em 2º lugar do grupo e defrontam assim o 6ç do grupo A – Wisla Plock ou Silkeborg – em caso de derrota ou empate irão terminar entre o 3º e 5º lugar, o que faz com que marquem encontro com um dos colossos do grupo A – Veszprem, Flensburg ou Kiel. Espera-se uma última jornada muito disputada. Para seguir atentamente na ehf.tv.

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Tomé BritoFevereiro 5, 20178min0

Terminou no passado domingo mais uma edição do Mundial de Andebol que viu a França sagrar-se pela 6ª vez na sua história campeã mundial, tendo este feito ganho um sabor especial por ter sido conseguido em casa. Grande golos, grandes defesas, uma grande organização, um recorde de espectadores presentes no pavilhão, mas acima de tudo, grandes espectáculos de Andebol. O Fair Play faz aqui um pequeno balanço Mundial onde irá falar de 5 pontos cruciais deste Mundial.

Podemos começar por falar do facto de este mundial ter sido cheio de surpresas. Da Noruega conseguir um inédito 2° lugar, a Eslovénia ter chegado pela primeira vez às medalhas, o Chile ter conseguido a sua primeira vitória em mundiais no 1º jogo, ou a Espanha e a Dinamarca não terem sequer chegado às meias-finais. Individualmente novas estrelas surgiram como Sagosen ou Blaz Janc e outros foram os jokers das suas seleções como Vincent Gerard ou Bezjak. A verdade é que no andebol cada vez há mais selecções/equipas “fortes”, ou seja, há um maior equilíbrio de forças, onde todos podem ganhar a todos. Vamos seguir então para o primeiro ponto.

PELA 6ª VEZ NA HISTÓRIA, A FRANÇA É CAMPEÃ MUNDIAL

Não foi no futebol, mas sim no andebol que a França conquistou uma grande competição desportiva a jogar em casa, repetindo o feito de 2001. Esta vitória pode também marcar o regresso da dominância francesa no Andebol, visto que depois de um período de anos avassalador onde conquistaram tudo, estavam em branco desde Janeiro de 2015 (Mundial do Qatar). Em termos de andebol, o jogo Francês não se afastou muito do normal. A presença de Dinart no banco vem trazer uma mais valia ao processo defensivo, que só por si já era fortíssimo, e no ataque foi o típico jogo de atacar os 6 metros tendo níveis de eficácia bastante altos. Individualmente são dois os jogadores que queremos destacar, Vincent Gerard, para nós o MVP da seleção Gaulesa, que aproveitou um “pior” período de Omeyer para se destacar na baliza, e Valentin Porte, que provou mais uma vez que com um pouco mais de regularidade no seu jogo poderia chegar ao top-3 de melhores do mundo, tal é diferença que consegue fazer a lateral ou à ponta, de remate exterior ou no 1 contra 1. Sem deslumbrar mas bastante certos, assim se descreve esta seleção Gaulesa durante o Mundial.

Jogadores Franceses celebram a vitória na final (Foto: ChannelNewsAsia)

OVERRASKELSE (SURPRESA)!

Em 2016 foram a sensação do Europeu ao garantir o 4º lugar e na nossa previsão nem os tínhamos a passar a fase de grupos, mas a verdade é que os Noruegueses surpreenderam e convenceram todos ao conquistar o 2º lugar no Mundial. Aos 20 anos Sander Sagosen assumiu-se como o líder desta seleção e para muitos (Fair Play incluído) é considerado o MVP da competição. Com espaço, é um jogador extraordinário no 1 contra 1, muito rápido nos seus movimentos e caso ganho um pouco mais de poder físico pode vir a ser ainda melhor. Bergerud foi para muitos o melhor guarda-redes da competição. Com o seu estilo descontraído o guarda redes de 22 anos terminou o Mundial com um grande número de fantásticas defesas e com uma eficácia a rondar os 43%. Em termos de andebol destacaram-se pelo seu jogo muito rápido e com constantes cruzamentos para tentar abrir espaços na defesa. O contra-ataque (apoiado e direto) foi a grande arma durante a competição, sendo bastante eficazes e rápidos a conseguir uma boa situação de remate. O 6-0 defensivo era pouco coeso, com bastantes espaços no meio, mas isso era compensado com a agressividade com que atacavam o portador da bola tendo logo acabar com o ataque em falta. 2016 foi a ameaça, 2017 a confirmação dessa ameaça. Estamos perante uma nova potência.

Sander Sagosen, para nós o MVP do Mundial (Foto: Getty Images)

DESILUSÃO POLACA

Não houve maior desilusão neste Mundial que a Polónia. Se era verdade que não se esperava tanto como noutros anos devido às baixas de alguns dos seus melhores jogadores, também é verdade que a qualidade dos atletas presentes neste Mundial era mais que suficiente para, pelo menos, chegar aos quartos de final. Acontece que nem da fase de grupos passaram. Dujshebaev, selecionador, bem avisou que este Mundial seria para testar novos jogadores e novos processos e foi isso que aconteceu, com vários jogadores a sobressaírem, como Gebala (lateral poderosíssimo fisicamente e muito forte no remate exterior), ou o guarda-redes Malchar. Mas em termos de andebol, deixaram muito a desejar. No ataque eram muito estáticos, sem atacar a baliza e revelaram uma grande dependência do que Gebala conseguia fazer. Um aspecto positivo a tirar é que o andebol Polaco melhorava sempre que o central Gierak estava em campo, ele que impunha muita mais velocidade no jogo e embalava muito bem os atiradores. Na defesa utilizam o seu maior poderio físico para tentar fazer a diferença mas os erros que cometiam eram tantos que nem aí deixaram uma boa imagem, ficando na memória a dificuldade de defender os pontas adversários. Há muito para trabalhar nesta seleção caso Dujshebaev queira conseguir concretizar o objetivo de vencer os Jogos de 2020.

Nem Dujshebaev no banco salvou a Polónia do fracasso (Foto: Getty Images)

MESMO SEM AS ESTRELAS A ESLOVÉNIA CHEGOU ÀS MEDALHAS

Desta seleção bem avisámos que caso tudo corresse bem poderiam chegar a um grande resultado e o seu primeiro pódio (3º lugar) da história representa isso mesmo. Mesmo sem os três jogadores de maior renome da Eslovénia (Bombac, Zorman e Gajic) outros apareceram para brilhar e conseguir levar esta seleção a uma pequena glória. Em conjunto com a Noruega devem ter jogado o melhor andebol do Mundial, pelo menos aquele que mais gozo deu de ver e que só foi travado pela França numa espetacular meia-final. Um andebol muito rápido de ataque onde Bezjak brilhou. Pouca gente dava algo por este central, mas a verdade é que foi um dos melhores jogadores do Mundial. Muito discreto no seu jogo que privilegia o jogo de equipa, optando sempre por um passe para um colega em melhor posição do que um remate seu, foi notória a importância deste jogador no andebol da Eslovénia. A defesa por vezes deixou algo a desejar, mas o ataque compensava as falhas defensivas que eram regularmente causadas pelas dificuldades de vários jogadores no 1 contra 1 defensivo. Há muito potencial nesta equipa (Blaz Janc ou Henningman) para explorar e acreditamos que Veselin Vujovic e companhia não fiquem por aqui.

Os jogadores Eslovenos celebram a medalha de bronze (Foto: Getty Images)

OS SAMURAIS QUE DESLUMBRARAM OS ADEPTOS FRANCESES

Japão. Não iremos falar desta seleção pelos resultados que conseguiu (apenas uma vitória) mas pela surpresa que causaram com a qualidade do seu andebol. Eram desconhecidos, pouco se esperava deles, mas com Antonio Ortega no banco era sabido que algo de bom podia aí vir. E assim foi, com jogadores muito limitados tecnicamente mas sem medo de atacar a baliza e ir para cima do defensor, o Japão e o seu andebol “atabalhoado” foram causando dificuldades a quase todos os seus adversários na fase de grupos. Na memória ficam os grandes contra-ataques apoiados que faziam, com o destaque aqui a ir para o ponta esquerda Doi. Quem se sobressaiu bastante neste Mundial e pode ter ganho um contrato numa equipa Europeia é Hiroki Shida, central/lateral-esquerdo. Com certeza o jogador mais evoluído da seleção, apresenta um remate exterior muito forte e com um grande leque de opções (apoiado, em suspensão, na passada). A evolução tem sido constante e agora com o novo selecionador, Dagur Sigurdsson (venceu o Europeu 2016 com a Alemanha) só parecem existir condições para melhorar.

Shida, o desconhecido Samurai (Foto: Getty Images)

CLASSIFICAÇÃO FINAL (4 PRIMEIROS)

1º Lugar: França

2º Lugar: Noruega

3º Lugar: Eslovénia

4º Lugar: Croácia

DISTINÇÕES FAIR PLAY – 7 IDEAL E MVP

Guarda-Redes: Torbjorn Bergerud (Noruega)

Ponta-Esquerda: Jerry Tollbring (Suécia)

Lateral-Esquerdo: Sander Sagosen (Noruega)

Central: Daniel Narcisse (França)

Lateral-Direito: Valentin Porte (França)

Ponta-Direita: Kristian Bjornsen (Noruega)

Pivot: Bjarte Myrhol (Noruega)

MVP: Sander Sagosen (Noruega)

Melhor Marcador: Kiril Lazarov (Macedónia) com 50 golos

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Tomé BritoJaneiro 10, 201716min0

Para concluir esta antevisão iremos fazer a análise dos Grupos C e D, bem como, uma pequena previsão para este Mundial. Dois grupos bastante equilibrados e nivelados por cima e onde com certeza iremos assistir a uma grande batalha pelos lugares de qualificação à Main Round? Qual a nossa aposta para vencer o Mundial? Bem, se leu com atenção a Parte I desta antevisão então certamente já sabe a resposta a esta pergunta.

GRUPO C – ROUEN

Grupo bastante nivelado por cima, com quatro seleções praticamente apuradas (Alemanha, Croácia, Hungria e Bielorrússia) restando apenas saber a ordem na classificação final. Alemanha e Croácia são candidatas à vitória final, enquanto que Hungria espera surpreender e a Bielorrússia fazer história. Já Arábia Saudita e o Chile devem lutar para não ficar em último do grupo.

ALEMANHA

Palmarés: 1 título Olímpico; 2 títulos Mundiais; 3 títulos Europeus
Treinador: Dagur Sigurdsson
Jogador-Chave: Uwe Gensheimer
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Depois de ter passado uma fase “menos boa” da sua história, a Alemanha parece ter-se reerguido sob o comando de Dagur Sigurdsson com a vitória no último Europeu e a medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos do Rio. Conhecidos pela garra e ambição que demonstram em cada jogo esta seleção Alemã tem tudo para voltar a chegar ao pódio em Mundiais, que já não alcançam desde 2007. Uwe Gensheimer, excêntrico ponta-esquerda, e Andreas Wolff, guarda-redes que devia ter sido o MVP do último Europeu, são as estrelas e as grandes bases de uma seleção muito equilibrada em todos os aspetos do jogo. Conjugam muita juventude (Paul Drux) com alguma experiência (Patrick Wiencek) o que por vezes pode ser mau, mas a Alemanha já provou no último Europeu que até mesmo “miúdos” podem levar um país à glória. Jogam um Andebol muito aguerrido, nunca desistindo de um ataque tentando sempre até à última encontrar uma boa situação de remate e na defesa são bastantes coesos cometendo poucos erros. Podem não dar o maior espetáculo de Andebol mas jogam sempre pela certa e com o objetivo de vencer qualquer jogo.

(Foto: Timeout Magazine)

CROÁCIA

Palmarés: 2 títulos Olímpicos; 1 título Mundial
Treinador: Zeljko Babic
Jogador-Chave: Domagoj Duvnjak
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Capazes do melhor (vitória por 14 golos frente à Polónia no Euro 2016) e do pior (6º lugar no Mundial de 2015) esta Croácia é uma seleção muito difícil de prever. O grupo em que estão inseridos permite-lhes o apuramento (quase) automático, mas a partir da Main Round tudo pode acontecer à seleção dos Balcãs. Domagoj Duvnjak, visto por muitos como o melhor jogador da atualidade tal é a sua capacidade de fazer a diferença tanto na defesa como no ataque, lidera esta seleção bem secundado por Manuel Strlek ou Marko Kopljar. São conhecidos por jogarem muito para os 6 metros (apesar de contarem com jogadores bastante altos) e utilizar muito o contra-ataque dos pontas. Uma das histórias a seguir nesta seleção é como Luka Stepancic vai jogar, visto que o jovem canhoto tem evoluído bastante de ano para ano e esta competição pode ser a sua grande afirmação. São uns dos grandes candidatos e tudo o que não seja pódio será considerado um fracasso.

A afirmação de Luka Stepancic? (Foto: Getty Images)

BIELORRÚSSIA

Palmarés:
Treinador: Yuri Shevtsov
Jogador-Chave: Siarhei Rutenka
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Esta irá ser a 4ª participação da Bielorrússia em Mundiais e pela “sorte” que tiveram no sorteio pode bem vir a ser a 1ª vez que se qualificam para a Main Round. Basta cumprir contra Chile e Arábia Saudita e logo aí esta nação já poderá fazer história, tudo o que vier a seguir será um extra. Siarhei Rutenka, o melhor jogador da história da Bielorrússia, deverá realizar a sua última competição pelo seu país, ele que já leva mais de 400 golos pela sua seleção. Para este mundial o selecionador Shevtsov decidiu dar continuidade à renovação da seleção, sendo vários os jovens promissores que fazem parte da convocatória (destaque para Artsem Karalek, pivot, e Uladzislau Kulesh, lateral-esquerdo). Contudo, apesar da renovação, a ideia de jogo deverá continuar a passar por fazer uso da maior capacidade dos laterais no tiro exterior e pelo que Pukhouski conseguirá criar a central. Partem para este mundial com boas esperanças de ultrapassar a primeira fase e fazer história.

Para fazer história? (Foto: France Handball 2017)

HUNGRIA

Palmarés:
Treinador: Xavi Sabate
Jogador-Chave: Laszlo Nagy
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo

Uma das boas seleções da Europa mas que ultimamente tem carecido de algo para chegar mais longe. Com um novo selecionador que está mais decidido em alcançar pódios do que em renovar, como Dujshebaev tinha expressado quando estava no cargo, a Hungria pode chegar longe nesta competição caso tudo corra a seu favor. Uma coisa é certa, talento não lhes falta. Mikler é dos melhores guarda-redes da atualidade, Jamali (Iraniano de origem) está cada vez melhor e com mais confiança e Laszlo Nagy, apesar dos 35 anos ainda consegue fazer a diferença no ataque mantendo-se como um excelente defensor. Uma equipa que defende excecionalmente bem, ou não contasse com grandes defensores como Schuch ou Szolossi, tendo aqui a sua grande força e que no ataque, apesar de não serem muito móveis e de os laterais utilizarem essencialmente o seu “corredor” de ação, possuem jogadores discretos mas muito eficazes (foram a equipa com a melhor média de eficácia no Euro 2016 com 78%). Com um bom 7 inicial e um banco de qualidade esperem podem esperar um bom mundial da Hungria.

Laszlo Nagy ainda é a estrela da Hungria (Foto: Getty Images)

CHILE

Palmarés:
Treinador: Mateo Garralda
Jogador-Chave: Marco Oneto
Previsão FairPlay: 5º lugar do grupo

Quaisquer hipóteses do Chile conseguir pontuar em França vão depender de Marco Oneto e se o pivot recupera da sua lesão ou não. O recentemente confirmado jogador do Sporting é um excelente defensor, um dos melhores dos últimos anos mesmo, e no ataque costuma fazer a diferença com o seu físico ao abrir grandes espaços da defesa adversária. Caso Oneto jogue o Chile pode aspirar a conseguir pelo menos uma vitória neste grupo, mas sem o pivot tal vai ser bastante complicado. De qualquer maneira, são uma seleção limitado mas que conta com bons jogadores como Rodrigo Salinas, excelente atirador, ou Emil Feuchtmann, central muito rápido e inteligente nos seus movimentos e ataques. Não se pode esperar muito desta seleção que deverá ir lutar pela President’s Cup.

Marco Oneto ao serviço do Chile (Foto: Emol)

ARÁBIA SAUDITA

Palmarés:
Treinador: Nenad Klajic
Jogador-Chave: Mohamad Alnassfan
Previsão FairPlay: 6º lugar do grupo;

Difícil de dizer o que se esperava desta seleção do Médio Oriente, que só está presente neste mundial devido ao Qatar ter garantido a qualificação por terem sido 2º classificados no mundial 2015. São poucos os jogadores relativamente conhecidos, tendo em Mohamad Alnassfan, guarda-redes muito rápido de movimentos e com grandes reflexos, o seu jogador mais brilhante. Outros bons nomes são os de Aljanabi e Alsalem, que marcaram 25 e 22 golos respetivamente no mundial do Qatar em 2015. Deverão lutar com o Chile para não ficarem em último do grupo.

Mohamad Alnassfan, o bom guarda-redes da Arábia Saudita (Foto: HandNews)

GRUPO D – NANTES

Este é um grupo que tem desde logo duas seleções praticamente apuradas, “As irmãs Nórdicas” Dinamarca e Suécia, com o Qatar a tentar intrometer-se na luta pelo 1º lugar. No entanto Egipto e Argentina são seleções muito perigosas e não seria uma grande surpresa se eliminassem já o Qatar, estando aqui a grande “diversão” do grupo. Por último o Bahrain não deverá fugir ao 6º e último lugar do grupo.

QATAR

Palmarés: 2 torneios Asiáticos
Treinador: Valero Rivera
Palmarés: Daniel Saric
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

Talvez a seleção mais odiada no mundo do Andebol pela controvérsia que houve com as arbitragens e jogadores naturalizados no mundial 2015, onde terminaram o mundial em 2º lugar a jogar em casa. Se deixarmos de parte estes problemas, podemos ver que o Qatar tem bastante qualidade na sua seleção, Zarko Markovic é um atirador de elite, Capote é um lateral muito completo e Daniel Saric já foi um dos melhores guarda-redes do mundo, tendo mesmo terminado o último mundial com 35% de eficácia de defesas. No entanto, apesar do nome de Markovic e Capote, o jogador mais importante no ataque do Qatar é Mallash. Central muito desvalorizado, que privilegia o jogo coletivo e que faz mexer o ataque Qatari, sem ele, não estaríamos perante os segundos classificados do último mundial certamente. A defesa, apesar de terem bons defensores, não é a melhor com os jogadores a ficarem muito parados nos 6 metros e a pressionarem pouco o portador da bola. Tendo em conta o grupo em que estão inseridos deverão conseguir o apuramento à Main Round mas nada mais.

Daniel Saric, outrora dos melhores guarda-redes (Foto: HandNews)

DINAMARCA

Palmarés: 1 título Olímpico; 2 títulos Europeus
Treinador: Gudmundur Gudmundsson
Jogador-Chave: Mikkel Hansen
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Um país de Andebol e um dos que tem mais história no desporto. Depois da conquista do último torneio Olímpico a Dinamarca parte para este mundial com a confiança em alta e com a ambição de chegar ao seu 1º título da competição. Para tal a base da equipa mantém-se, com Mikkel Hansen, melhor jogador do Mundo para a IHF e que dispensa apresentações, e Niklas Landin, para muitos o melhor guarda-redes da atualidade, como líderes da equipa. São uma seleção pouco regular, mas que nos momentos de maior pressão raramente vacila, sendo exemplo disso os Jogos do Rio. O ataque pode parecer básico à partida, muito tiro exterior e em momentos de aflição tentar largar para o pivot ou pontas, mas é bastante eficaz e tem dado resultado. A defesa conta com defensores de elite e tem um estilo bastante agressivo mas às vezes um pouco atabalhoado, sendo usuais os erros nas trocas durante cruzamentos. Contudo, têm tudo o que é preciso para alcançar o pódio ou a vitória final.

Os jogadores Dinamarqueres festejam a conquista do título Olímpico (Foto: The Indian Express)

SUÉCIA

Palmarés: 4 títulos Mundiais; 4 títulos Europeus
Treinador: Kristjan Andresson
Jogador-Chave: Lukas Nilsson
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Mais um país de Andebol e que conta com um palmarés gigante mas que está em “seca” desde 2002, quando conquistaram o seu último europeu. Juventude é a palavra de ordem desta seleção, visto que contam com uma média de idades abaixo de 26 e o seu selecionador conta apenas 36 anos. São exemplos desta juventude Lukas Nilsson, lateral de 20 anos que tem tudo para chegar ao topo do Andebol mundial, ou Jerry Tollbring, ponta esquerda de 20 anos que tem fascinado os adeptos de andebol com os seus grandes jogos na EHF Champions League. Com uma seleção tão jovem podemos esperar um andebol muito rápido no ataque e com constantes cruzamentos. Na defesa Mattias Andersson, guarda-redes, aos 38 anos ainda demonstra qualidade e é o líder no verdadeiro sentido da palavra da equipa, contando com a ajuda de Nicklas Ekberg ou Tobias Karlsson para serem uma espécie de mentores aos mais novos. Têm uma seleção bastante completa e quem sabe se com tanta juventude não estaremos perante uma “Alemanha versão Euro 2016”?.

Lukas Nilsson, o novo menino do Andebol mundial (Foto: Handbal123)

EGIPTO

Palmarés: 6 títulos Olímpicos
Treinador: Marwan Ragab
Jogador-Chave: Ahmed El-Ahmar
Previsão FairPlay: 5º lugar do grupo;

Estamos perante uma seleção que à para o mais desatento adepto não parece ter quaisquer chances de apuramento, mas que na verdade pode vir a lutar por um lugar na Main Round contra a Argentina e Qatar. O Egipto é como que uma seleção de surpresas, em 2012 nos Jogos Olímpicos venceram a Suécia e no último mundial conseguiram o apuramento para os oitavos deixando para trás a favorita Republica Checa, portanto não é uma seleção que se deva descartar desde já. A estrela da companhia é Ahmed El-Ahmar, lateral direito, que já leva mais de 1300 golos pela sua seleção. Com um andebol muito físico e com jogadores bastante rápidos podemos estar perante uma das surpresas deste mundial.

Ahmed El-Ahmar, 1300 golos pelo Egipto (Foto: HandNews)

BAHRAIN

Palmarés:
Treinador: Jaafar A.Qader
Jogador-Chave: Al Salatna Jassim
Previsão FairPlay: 6º lugar do grupo;

A seleção mais fraca em prova e que não terá nenhumas hipóteses de sequer ficar perto de pontuar. O Bahrain e os seus jogadores partem para este mundial com apenas um objetivo, o de darem o seu melhor e de conquistarem a sua primeira vitória em mundiais, nesta que é a sua 2ª participação depois de 2011. Al Salatna Jassim, jogador do Al Khaleej da Arábia Suadita, é o nome maior desta seleção e por onde passa todo o andebol da equipa. Grandes adversidades esperam esta seleção no caminho pela 1ª vitória.

Jogadores do Bahrein festejam a qualificação para o Mundial (Foto: Gulf Daily News)

ARGENTINA

Palmarés: 6 títulos Pan-Americano;
Treinador: Eduardo Gallardo
Jogador-Chave: Diego Simonet
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Por último, temos a Argentina, uma das boas seleções fora do continente Europeu. Uma coisa é certa neste mundial para a Argentina, Diego Simonet “O Messi do Andebol”, vai poder jogar, depois de ter recuperado de uma grave lesão e logo aí as chances de apuramento desta seleção sobem drasticamente. É que o central/lateral-esquerdo tem um papel bastante importante na criação de espaços no ataque, ou não fosse ele um dos melhores jogadores da atualidade no um contra um, a sua grande força. Privilegiam o ataque, atacando com constantes cruzamentos e rápido circulação de bola para depois atacar os 6 metros rematando de fora apenas em última opção. Sebastian Simonet, irmão de Diego, é outra das estrelas, bem como Federico Pizarro, ponta muito eficaz nas suas ações. Naquele que deve ser o ultimo mundial do histórico Gonzalo Carou espera-se uma competição muito boa desta Argentina.

“O Messi do Andebol”, Diego Simonet (Foto: VAVEL)

PREVISÕES DO FAIR PLAY

Terminadas as análises a cada uma das seleções dos grupos C e D, está na hora de realizarmos umas previsões quanto ao que se vai passar neste mundial. O andebol é um desporto onde todos podem vencer todos, ou, no mínimo, empatar, dando como exemplo a Alemanha no Euro 2016, ou o empate entre Dinamarca e Argentina no mundial de 2015. Tendo isto em conta, vamos então passar às previsões:

Campeão: Espanha
Vice-Campeão: França
3º lugar: Dinamarca
4º lugar: Suécia

Melhor Marcador: Valero Rivera (Espanha)
MVP: Alex Dujshebaev (Espanha)

Surpresa: Suécia
Desilusão: Croácia

Da nossa parte, a antevisão está feita, tem já amanhã início este Mundial, que tem tudo, (jogadores, treinadores, organização,…) para ser fantástico. Não perca!


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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