17 Jan, 2018

Arquivo de Polónia - Fair Play

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Francisco da SilvaJunho 30, 20175min0

Numa altura em que a globalização de ativos futebolísticos tem contribuído grandemente para a sua valorização, afastando cada vez mais talentos precoces da América do Sul, a Polónia emerge como um campo de recrutamento de excelência. Sugerimos 3 possíveis estrelas da Ekstraklasa que podiam enriquecer o plantel dos 3 Grandes de Portugal.

A relação futebolística entre Portugal e a Polónia é bastante extensa e caracterizada por altos e baixos, como já anteriormente descrito em detalhe aqui. No entanto, todos os anos surgem em solo polaco talentos capazes de dar qualidade à Liga Portuguesa, contudo, nem sempre os maiores clubes portugueses olham para a Ekstraklasa com a devida atenção, para gáudio dos seus congéneres alemães e italianos. Nesta lista incluímos 3 sugestões heterogéneas: 3 posições, 3 nacionalidades.

Vadis Odjidja-Ofoe


Posição:
Médio centro / Médio defensivo / Médio ofensivo
Idade: 28 anos (21 de Fevereiro de 1989)
Nacionalidade: Belga
Clube: Legia Warsaw

Odjidja-Ofoe, outrora um dos médios mais promissores da seleção dos Diables Rouges, não é um completo desconhecido para aqueles que seguem atentamente o futebol no coração da Europa há vários anos. Monstro, artista, sábio, muitas são as qualidades futebolísticas atribuídas ao belga formado no Anderlecht. No entanto, após prometer muito e rumar a terras de Sua Majestade sem grande sucesso, Odjidja-Ofoe aterrou em Varsóvia na tentativa de ressuscitar a sua carreira. Em boa hora o fez. O centrocampista belga foi unanimemente considerado o melhor jogador da Ekstraklasa (e logo na sua época de estreia!), somando assistências, balançando as redes adversárias e consolidando-se como o jogador mais valioso da competição (31 encontros, 4 golos e 12 assistências).

Aos 28 anos, Odjidja-Ofoe atingiu o clímax competitivo da sua carreira. Além de ter espraiado as suas qualidades físicas e técnicas de forma inquestionável, o centrocampista ganhou em Varsóvia a mentalidade e maturidade futebolística que lhe tem faltado ao longo dos anos. Neste momento, Odjidja-Ofoe é um alvo bastante apetecível para qualquer Grande português, não só pelo seu passe estar avaliado em 5 milhões de euros, como também pela presença física, sapiência tática e qualidade nos processos defensivos/ofensivos que o versátil médio belga pode oferecer.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu


Dawid Kownacki


Posição:
Avançado centro
Idade: 20 anos (14 de Março de 1997)
Nacionalidade: Polaca
Clube: Lech Poznan

Se há talento que os Grandes portugueses deviam de prestar urgentemente atenção, é definitivamente a Kownacki. O striker de 20 anos fez toda a sua formação nas escolas do Lech Poznan, tendo-se estreado com apenas 16 anos (!) na Ekstraklasa, onde rapidamente firmou créditos e chamou a atenção para os scouters internacionais. Kownacki, apesar da sua tenra idade, é um avançado evoluído em vários aspetos do jogo: sabe jogar bem de costas para a baliza, sabe quando deve recuar no terreno para iniciar o processo ofensivo, sabe estar no sítio certo e à hora certa nas imediações da área adversária. Por outro lado, Kownacki é um jogador móvel e versátil, quer por marcar golos com qualquer uma das suas munições (pé esquerdo, pé direito ou cabeça), quer por ser capaz de descair com qualidade para uma das alas do ataque.

Aos 20 anos de idade, os 9 tentos apontados e as 3 assistências acumuladas na época transata aguçam o apetite de vários tubarões europeus, que observam e concorrem pelo avançado polaco. Contudo, devido ao seu valor de mercado (1,5 milhões de euros), Kownacki seria um talento bastante aliciante para qualquer um dos Grandes portugueses que procura um striker capaz de render desportivamente no imediato e de proporcionar uma transferência milionária nos próximos anos.

Dawid Kownacki | Fonte: primocanale.it


Guti


Posição:
Defesa central
Idade: 26 anos (29 de Junho de 1991)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Jagiellonia Bialystok

Gutieri Tomelin, conhecido no mundo do futebol como Guti, é em tudo semelhante a um compatriota seu, Felipe (FC Porto). Brasileiro, alto, defesa central e com uma fabulosa capacidade de sair da sua zona de conforto e brilhar. Logo na sua primeira experiência futebolística fora do Brasil, Guti chegou a Bialystok e não demorou muito a impor-se como pedra basilar da equipa do Jagiellonia. O brasileiro, formado no Figueirense, é um belo protótipo de central moderno: rápido, fortíssimo no jogo aéreo, boa condução de bola e capacidade de liderar o setor defensivo.

Aos 26 anos, a maturidade e a qualidade deste central brasileiro tornam-no num reforço bastante interessante para um Grande português, que procure assegurar a consistência defensiva do seu reduto mais recuado. Mantendo a mesma capacidade de adaptação demonstrada na Polónia, Guti entraria facilmente nas escolhas de Vitória, Jesus ou Conceição, por tudo aquilo que pode oferecer em termos de jogo aéreo, antecipação, bolas paradas e comando na grande área. Avaliado em 700 mil euros, seria uma contratação de baixo risco financeiro e provável retorno desportivo.

Guti | Fonte: mp9sports.com

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Francisco da SilvaMaio 5, 20179min0

Ao longo dos últimos 10 meses, a Ekstraklasa tem permitido formar novos talentos, consagrar profícuos veteranos e alimentar ávidos aficionados. A 6 jornadas do término da competição e por forma a evitar ser influenciado pela classificação final, o Fair Play decidiu reunir um conjunto de jogadores capazes de formar o onze mais decisivo e meritório da atual edição do campeonato polaco.

Guarda-redes: Matus Putnocky (Lech Poznan)

Dificilmente a escolha para esta posição podia ser diferente. A temporada de estreia de Putnocky em Poznan, já abordada pelo Fair Play aqui, tem sido verdadeiramente sensacional com exibições exuberantes e inúmeras nomeações para melhor jogador em campo, que contribuem decisivamente para que o Lech Poznan tenha de longe a melhor defesa da Ekstraklasa. O gigante eslovaco de 195 centímetros alia compleição física a diversos atributos técnicos como agilidade, posicionamento e jogo aéreo que fazem dele o guardião mais difícil de bater na competição. Em 24 jogos disputados, Putnocky manteve a sua baliza intacta por 15 vezes e apresenta até ao momento a admirável média de 1 golo sofrido por cada 2 jogos.

Matus Putnocky | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa Direito: Tomasz Kedziora (Lech Poznan)

O lateral polaco é um daqueles talentos que não engana e certamente irá zarpar em breve de Poznan. Se após uma desinspirada época de 2015/2016 subsistiam dúvidas sobre a real valia de Kedziora, todas estas foram dissipadas ao longo da presente temporada. Até ao momento, Kedziora falhou apenas 1 único encontro para o campeonato, assumindo-se como um dos indispensáveis para o treinador Nenad Bjelica fruto da enorme intensidade e competência que o polaco oferece ao corredor direito. A qualidade no processo defensivo e ofensivo deste talento polaco, salientada aqui na rubrica “FP Scouting”, colocam-no num patamar de excelência entre os laterais mais promissores do centro e leste europeu.

Tomasz Kedziora | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa central: Michal Pazdan (Legia Warsaw)

A segunda temporada de Pazdan ao serviço da equipa da capital polaca tem servido para demonstrar a qualidade e utilidade do polaco no eixo defensivo legionisci. Apesar dos inúmeros problemas físicos que assolaram o central na época transata e no início da temporada presente, o polaco conquistou o seu lugar no onze da formação de Jacek Magiera e é hoje dono e senhor da camisola “2” do Légia de Varsóvia. Aos 29 anos, Pazdan é um dos capitães de equipa e a voz de comando do seu eixo defensivo, sendo capaz de disfarçar o seu défice técnico e tático com a típica agressividade e tenacidade polaca.

Michal Pazdan | Fonte: sport.se.pl

Defesa central: Guti (Jagiellonia Bialystok)

Chegar, ver e vencer. Na primeira temporada fora do Brasil, Guti tem vindo a demonstrar que tem qualidade futebolística mais do que suficiente para se afirmar no continente europeu. Os argumentos do central brasileiro são diversos e incluem um fortíssimo jogo aéreo, uma boa saída e condução de bola, bem como, uma superior capacidade atlética capaz de dobrar e compensar os seus colegas defensivos com relativa facilidade. Michal Probierz, técnico do Jagiellonia Bialystok, já não prescinde do brasileiro, tornando-o numa figura basilar na segurança defensiva do atual líder do campeonato e o 2º jogador mais utilizado da equipa.

Guti | Fonte: mp9sports.com

Defesa esquerdo: Ricardo Nunes (Pogon Szczecin)

O corredor esquerdo desta formação fica entregue a um português. Apesar da excelente temporada de Piotr Tomasik, o impacto de Ricardo Nunes na sua equipa é tal que este merece estar presente no onze ideal da Ekstraklasa. Aos 30 anos, o lateral formado nas escolas do Benfica é o defesa com maior preponderância ofensiva (em igualdade com Tomasik) no campeonato fruto de 2 golos e 7 assistências em 28 partidas. Para os mais distraídos, resta sublinhar que o português de raízes sul africanas é um lateral moderno com uma enorme capacidade física, que se mostra quer na sua incorporação no processo ofensivo quer na sua competência defensiva.

Ricardo Nunes | Fonte: sport.wp.pl

Médio centro: Vadis Odjidja-Ofoe (Legia Warsaw)

Se há jogador nesta lista que não necessita de apresentações é Odjidja-Ofoe. O belga chegou à Polónia esta temporada à procura de revitalizar a sua carreira após uma passagem menos feliz por terras de sua majestade e, até ao momento, tem aproveitado da melhor forma a sua estadia por Varsóvia. Em 25 jogos disputados, o possante médio tem 3 golos apontados, 8 assistências realizadas e diversas exibições de encher o olho. Especialmente após Jacek Magiera assumir o comando técnico do Légia de Varsóvia, Odjidja-Ofoe tem voltado a demonstrar toda a sua qualidade ao nível da recuperação de bola, domínio territorial e físico do meio-campo, bem como, capacidade de aparecer em zonas de finalização.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu

Médio centro: Mateusz Matras (Pogon Szczecin)

O gigante médio defensivo da formação de Szczecin está longe de ser um desconhecido para os seguidores da Ekstraklasa, mais não seja pelos 193 centímetros do polaco que não o deixam passar despercebido. Porém, Matras é muito mais do que um monstro físico. Aos 26 anos, este “6” de passada larga é o pêndulo da sua equipa, quer pelo seu forte sentido posicional quer pela sua qualidade de passe que permite ao Pogon iniciar o seu momento ofensivo logo após a recuperação de bola. Em 2016/2017, Matras elevou o seu patamar futebolístico e, além da habitual qualidade no seu meio-campo defensivo, associou ao seu cardápio um instinto goleador anómalo: 5 golos e 3 assistências em 28 jogos, que fazem do médio defensivo polaco uma referência na sua posição.

Mateusz Matras | Fonte: sport.interia.pl

Médio ofensivo: Konstantin Vassiljev (Jagiellonia Bialystok)

A nomeação de Vassiljev para esta seleção é talvez a escolha mais unânime, parcialmente justificada pelo Fair Play aqui. Aos 32 anos, Vassiljev está a realizar a melhor temporada de sempre em termos individuais e coletivos, ao ponto de este se ter tornado a figura de proa do líder da Ekstraklasa, bem como, o jogador mais decisivo do campeonato. O camisola “5” do Jagiellonia Bialystok é um jogador de elevado recorte técnico com um arsenal ofensivo ao nível do remate e finta deveras letal. Em 26 partidas disputadas, o médio ofensivo estónio fez balançar as redes adversárias por 13 vezes e ainda realizou 14 passes para golo. Em suma, mais de 47% dos golos marcados do Jagiellonia têm carimbo deste médio ofensivo báltico.

Konstantin Vassiljev | Fonte: przegladsportowy.pl

Extremo direito: Miroslav Radovic (Legia Warsaw)

A escolha de Radovic não prima pela originalidade, contudo, era difícil ficar indiferente ao renascimento do mágico sérvio às mãos de Jacek Magiera detalhado aqui. Desde que o jovem técnico polaco ingressou no clube da capital polaca, Radovic garantiu um lugar no onze do “seu” Légia e voltou a espalhar toda a sua classe pelos relvados polacos. 10 golos (2º melhor marcador da sua equipa) e 9 assistências (jogador do Légia com mais assistências) em 23 partidas dão dimensão ao jogador mais influente do conjunto legionisci, dono de uma qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio nas alas que atemoriza os seus adversários/marcadores diretos.

Miroslav Radovic | Fonte: gazetaolsztynska.pl

Extremo esquerdo: Ádám Gyurcsó (Pogon Szczecin)

A época tranquila do Pogon tem feito emergir alguns bons valores, até então desconhecidos, na Ekstraklasa. Um desses jogadores é o húngaro Gyurcsó que na sua época de estreia tem rubricado exibições muito interessantes e acumulado golos e assistências. Gyurcsó é mesmo o único totalista no campeonato do Pogon Szczecin, o que diz bem da sua importância para o técnico Kazimierz Moskal, que já não prescinde da velocidade, facilidade de remate e qualidade nas bolas paradas do extremo húngaro. Em 31 jogos disputados, Gyurcsó soma 5 golos e 9 assistências ao seu pecúlio, abrindo imenso apetite para aquilo que este pode fazer na próxima temporada.

Ádám Gyurcsó | Fonte: 24.hu

Avançado centro: Fedor Cernych (Jagiellonia Bialystok)

A frente de ataque fica entregue a este avançado lituano bastante móvel e polivalente que tanto pode atuar sozinho na área como descair para uma das alas. Na presente temporada, Cernych até tem jogado mais vezes na ala, no entanto, a facilidade de remate, o faro de golo e a mobilidade do lituano tornam-no num avançado versátil e letal bastante útil para a equipa. Apesar de ainda faltarem 6 partidas para o término da Ekstraklasa, Cernych já superou os seus melhores registos na competição, acumulando até ao momento 12 tentos e 7 assistências em 28 jogos disputados. Assim, é seguro dizer que parte do sonho do Jagiellonia Bialystok está nas mãos do 3º jogador com maior preponderância ofensiva no campeonato.

Fedor Cernych | Fonte: sportowefakty.wp.pl

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Francisco da SilvaMarço 14, 20176min0

Não raras vezes os treinadores de futebol são as personagens mais bipolares do desporto rei. De herói a vilão ou de vilão a herói, multiplicam-se histórias e controversas visões da real capacidade dos técnicos. Tendo em conta o desempenho dos seus clubes atuais (ou anteriores) na Ekstraklasa, o Fair Play decidiu elaborar uma lista de 6 treinadores que engloba heróis e vilões da presente edição do principal campeonato polaco.

Os heróis

Jacek Magiera (Légia de Varsóvia)        
Já escrevemos mais detalhadamente o impacto significativo que Jacek Magiera teve quando assumiu o comando técnico do Légia de Varsóvia, contudo, não podíamos elaborar um artigo como este e deixar de fora o treinador que mais tem impressionado a crítica. Em 15 jogos para o campeonato polaco, Magiera somou 11 triunfos, 2 empates e 2 desaires. Por esta altura, o emblema da capital polaca está a apenas 3 pontos da liderança da Ekstraklasa, porém, convém recordar que quando o técnico de 40 anos assumiu o comando dos legionisci, o Légia de Varsóvia estava em 13º lugar e a 12 pontos da liderança. Com Magiera regressaram as vitórias, as boas exibições e o sonho de revalidar o título de campeão polaco.

Jacek Magiera | Fonte: pap.pl

Nenad Bjelica (Lech Poznan)
Se até há bem pouco tempo Nenad Bjelica era um perfeito desconhecido para os adeptos azuis de Poznan, aos dias de hoje o croata é um técnico idolatrado pela sua massa associativa e cada vez mais capaz de “roubar” o ceptro da Ekstraklasa para as margens do rio Varta. Bjelica chegou a Poznan em Agosto de 2016 para devolver o Lech à ribalta do futebol polaco, no entanto, aquilo que podia ser uma aposta arriscada do presidente Karol Klimczak, tornou-se numa tremenda manobra bem-sucedida que catapultou o Lech Poznan para outro patamar. Em 18 jogos, o técnico oriundo do Spezia Calcio (Série B Italiana) coleciona 12 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas. A chave do sucesso tem sido a enorme consistência defensiva e a boa dinâmica atacante, que tornam o Lech Poznan na melhor defesa, no 3º melhor ataque e a 1 mero ponto da liderança da Ekstraklasa.

Nenad Bjelica | Fonte: lechpoznan.pl

Czeslaw Michniewicz (Bruk-Bet Termalica)
O sucesso do Bruk-Bet Termalica foi retratado pelo Fair Play como uma das histórias mais interessantes e bonitas da liga polaca, assim sendo, é também mais do que justo que se saliente o ótimo desempenho do técnico Czeslaw Michniewicz. O homem de Brzozowka chegou a Nieciecza no início da presente temporada para dar tranquilidade a um dos emblemas mais modestos da Ekstraklasa e tem inclusive superado as expectativas. Nos primeiros tempos ao comando do Bruk-Bet Termalica, Michniewicz colecionou bastantes pontos e surpresas que catapultaram o emblema de Nieciecza para o topo da liga polaca. Após algumas semanas de utopia a la Leicester City, a realidade abateu-se sobre o Bruk-Bet Termalica e o clube estabilizou no meio da tabela classificativa. Em 25 jogos, 10 vitórias, 6 empates e 9 derrotas que garantem praticamente a manutenção no principal escalão.

Czeslaw Michniewicz | Fonte: przegladsportowy.pl

Os vilões

Radoslav Latal (Ex-Piast Gliwice)
A história de Radoslav Latal em Gliwice assemelha-se, com as devidas diferenças, ao percurso de Claudio Raniei no comando técnico do Leicester City. Após o checo assumir as rédeas dos nurses, a segunda temporada de Latal ao leme do Piast Gliwice culminou com a melhor classificação de sempre do clube, isto é, 2º lugar na época 2015/2016 e a escassos 3 pontos do título. Da euforia ao despedimento, foram apenas 6 meses. Em Março de 2017, Latal e Piast Gliwice colocaram um ponto final depois de 8 derrotas e 4 empates em 16 jogos disputados. Em Gliwice, a luta pela permanência vai ser longa, agora sob a batuta de Dariusz Wdowczyk.

Radoslav Latal | Fonte: sport.interia.pl

Jacek Zielinski (KS Cracóvia)
A pouco mais de 1 mês de completar 2 anos no comando técnico do KS Cracóvia, nunca a vida de Jacek Zielinski nas margens do Vístula esteve numa posição tão delicada. Até ao momento, a formação de Cracóvia é aquela que tem um menor número de vitórias (5), em igualdade com o modesto Gornik Leczna, além de ser a equipa com um maior número de empates (12). A escassez de triunfos e abundância de empates colocam Zielinski sob fogo, especialmente quando a qualidade futebolística tem estado muito abaixo do desejado e o último classificado está a apenas 5 pontos. As próximas jornadas podem muito bem definir o futuro do técnico de 55 anos, caso este não consiga retirar o histórico KS Cracóvia da zona dos aflitos.

Jacek Zielinski | Fonte: przegladsportowy.pl

Mariusz Rumak (Ex-Slask Wroclaw)
Uma reta final a bom nível em 2015/2016 com 6 vitórias em 11 jogos, garantiu ao técnico polaco de 39 anos a oportunidade de assumir as rédeas do Slask Wroclaw para a presente edição da Ekstraklasa. No entanto, aquilo que podia ter sido a época de afirmação tornou-se num verdadeiro pesadelo. Em 20 jogos, os comandados de Mariusz Rumak somaram apenas 5 vitórias, contabilizando ainda 7 empates e 8 derrotas. Tudo somado, o Slask Wroclaw passou a ocupar os lugares do fundo da tabela, lutando arduamente por fugir aos lugares de despromoção. Rumak não resistiu aos maus resultados e foi substituído por Jan Urban em Janeiro de 2017. A bem da verdade, convém ainda referir que o seu sucessor não tem feito melhor, tendo conseguido apenas 4 pontos em 5 partidas.

Mariusz Rumak | Fonte: sportowefakty.wp.pl

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Francisco da SilvaFevereiro 5, 20176min0

Os rótulos e as etiquetas nunca foram uma boa forma de averiguar a qualidade do conteúdo. No futebol, a idade continua a ser ainda um fator discriminatório, especialmente, quando se ultrapassa a casa dos 30. Estes são alguns trintões vindo da Ekstraklasa que têm desafiado preconceitos e estabelecido como figuras de proa das suas formações.

Konstantin Vassiljev (Jagiellonia Bialystok)

A liderança do Jagiellonia Bialystok na Ekstraklasa tem carimbo báltico, mais concretamente, assente no génio futebolístico de Vassiljev. Aos 32 anos, o estónio é a figura principal de uma equipa que saltou, no espaço de 12 meses, de lugares medíocres para o topo da liga polaca. Konstantin Vassiljev é um médio ofensivo, que também pode atuar como 8, de fortes recursos técnicos e táticos capazes de decidir um encontro numa fração de segundo. O craque do báltico, chegado a Bialystok em meados de 2015, é um médio que lê muito bem o posicionamento dos seus colegas atacantes, sabe aparecer oportunamente em zonas de finalização e ainda tem uma qualidade técnica e de remate que lhe permite assistir e rematar com enorme qualidade. Se as palavras podem sempre esconder alguma subjetividade, os números não deixam margem para dúvidas. Em 18 jogos na presente edição da Ekstraklasa, Vassiljev já fez balançar as redes adversárias por 10 vezes, bem como, já assistiu por 9 vezes os seus colegas de equipa para golo. Tudo somado, o estónio está presente em mais de 50% dos tentos da sua equipa.

Konstantin Vassiljev | Fonte: sport.delfi.ee

Flávio e Marco Paixão (Légia Gdansk)

Os gémeos portugueses de Sesimbra têm contribuído decisivamente para a boa temporada da formação de Gdansk. Apesar de terem chegado ao norte da Polónia há sensivelmente um ano, os manos Paixão não acusaram a mudança e têm respondido com golos e assistências aos desígnios de Piotr Nowak. Marco Paixão, um avançado centro móvel com faro para o golo, leva até ao momento 6 golos e 3 assistências em 20 jogos na Ekstraklasa. Já o seu irmão Flávio, avançado mais criativo e que gosta de descair para as alas, tem um pecúlio superior com 8 golos e 2 assistências em 17 jogos. Ao todo, Flávio e Marco estão envolvidos em 50% dos golos da sua formação. Com o Légia de Gdansk empatado na liderança com o Jagiellonia de Bialystok, os gémeos Paixão serão fundamentais para continuar a alimentar o sonho da formação de Gdansk de conquistar o ceptro da Ekstraklasa. Aos 32 anos, Flávio e Marco mostram que ainda têm muito futebol para esplanar e, sobretudo, títulos para conquistar na Polska.

Gémeos Paixão | Fonte: sport.se.pl

Miroslav Radovic (Légia Varsóvia)

O mágico sérvio tem sido o rosto principal do renascimento da formação da capital polaca, encetada sob o comando de Jacek Magiera. Após regressar no Verão de uma estadia em Belgrado no Partizan, o trintão Radovic começou a mostrar todo o seu QI futebolístico a partir de Outubro, quando começou a ser aposta regular do então novo técnico do Légia de Varsóvia. No alto dos seus 33 anos, Radovic apresenta números impressionantes na presente edição da Ekstraklasa. Em 12 partidas, o criativo sérvio já faturou por 7 vezes e já assistiu por 8 vezes os seus companheiros de equipa. A qualidade de passe, a inteligência tática e a liderança em campo dão dimensão a uma figura cada vez mais simbólica dos legionisci. Enquanto a matemática permitir, os 4 pontos que separam o conjunto de Varsóvia da liderança são suficientes para que seja ainda possível a Radovic pontificar 10 anos de Légia com um último título na Ekstraklasa.

Miroslav Radovic | Fonte: rte.ie

Matus Putnocky (Lech Poznan)

O gigante eslovaco tem sido até ao momento o melhor guardião da Ekstraklasa e um dos pilares da melhor defesa do campeonato. Chegou no Verão do Ruch Chorzow e perdeu os primeiros 4 jogos por opção técnica, contudo, Putnocky agarrou o lugar na formação de Poznan à 5ª jornada e desde então tem sido um dos trunfos defensivos de Nenad Bjelica. Em 15 jogos disputados, o guardião de 195 centímetros sofreu apenas 9 tentos, tendo mantido a sua baliza imaculada em 8 partidas. Este registo só é possível devido à enorme agilidade e reflexos de Putnocky, que aliados à sua compleição física, permitem ao eslovaco ser um keeper de grande envergadura e que sai muito bem dos postes. Outra das especialidades do guarda-redes de 32 anos é a parada de grandes penalidades. Na presente temporada, em duas tentativas adversárias, o eslovaco defendeu mesmos os dois penalties. Se o emblema de Poznan ainda sonha com algo bonito na Ekstraklasa, bem pode agradecer ao gigante que tem a guardar a sua baliza.

Matus Putnocky | Fonte: wiadomosci.onet.pl

Rafal Murawski (Pogon Szczecin)

A época tranquila do modesto emblema de Szczecin tem sido novamente catalisada pelo talento de um veterano de 35 anos, Rafal Murawski. Após uma época de estreia com o Pogon recheada de golos e assistências, a 2ª época de Murawski tem sido igualmente marcada pelo seu papel decisivo no equilíbrio defensivo, mas também na produção ofensiva da equipa. Apesar de atuar preferencialmente à frente dos centrais, o polaco pisa também com bastante qualidade terrenos mais avançados, uma vez que é mortífero na chegada à área adversária devido à sua qualidade de remate. Não é por isso de admirar que em 18 jogos, Murawski já faturou por 4 vezes na Ekstraklasa. Aos 35 anos, a forma física não é a melhor, contudo, a qualidade técnica e a leitura de jogo do capitão do Pogon Szczecin tornam-no num dos veteranos mais apreciados da liga polaca. Assim, vai agradecendo Kazimierz Moskal por ter ao seu dispor um ativo desta craveira capaz de dar tranquilidade a Szczecin no convívio dos grandes.

Rafal Murawski | Fonte: szczecin.naszemiasto.pl

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Francisco da SilvaDezembro 12, 20166min0

Guardiola, Inzaghi, Nagelsmann, van Bronckhorst, Magiera. Todos eles fazem parte de uma geração de treinadores formados nas academias dos clubes. Em Varsóvia, Jacek Magiera ressuscitou o seu Légia, após mais de 7 anos na sombra de outros técnicos. Com a Ekstraklasa ainda a meio, Magiera tem mostrado credenciais para levantar o ceptro de campeão com o emblema Legionisci.

Os últimos anos têm sido marcados pela aposta bem sucedida em jovens treinadores que, além de terem fortes vínculos emocionais a determinados clubes, iniciam mesmo a sua carreira de coach nas camadas jovens/reservas desses mesmos emblemas. Jacek Magiera, treinador do Légia de Varsóvia, é mais um bom exemplo do resultado que este tipo de apostas pode trazer a uma formação carente de resultados, qualidade de jogo e, sobretudo, dedicação durante os 90 minutos.

Aos 39 anos, o treinador nascido na cidade de Czestochowa, no sul da Polónia, está na sua “cadeira de sonho” e tudo leva a crer que se mantiver a qualidade técnica que tem evidenciado nestes 3 meses ao comando do Légia de Varsóvia, irá permanecer no Estádio Jozef Pilsudski por um bom período de tempo. Contudo, a relação entre Magiera e o emblema Legionisci não é de agora.

Jacek Magiera formou-se como jogador no clube da sua cidade, o Rakow de Czestochowa, porém, mudou-se com 20 anos para a capital polaca e aí estabeleceu uma relação contratual com o Légia de Varsóvia que durou quase uma década. Aos 29 anos de idade decidiu terminar a sua carreira como futebolista e dedicar-se ao próximo passo, ser treinador principal. Em 2006, ingressou como adjunto na equipa técnica do Légia de Varsóvia, acompanhando de perto um período bastante estéril em termos de títulos para o clube legionário. Durante 7 temporadas, Magiera esteve ao lado de vários técnicos como Dariusz Wdowczyk, Jan Urban, Stefan Bialas ou Maciej Skorza, no entanto, nunca conseguiu festejar no banco de suplente aquilo que conseguiu alcançar enquanto jogador, ser campeão da Ekstraklasa com o Légia de Varsóvia. Após uma curta passagem pela equipa de reservas entre 2014 e 2015, Jacek Magiera decidiu deixar o seu berço e tentar a sorte no 2º escalão polaco. Em Maio de 2016, assinou pelo Zaglebie Sosnowiec e não demorou muito até firmar os seus créditos: no final da 9ª jornada, a formação de Sosnowiec já liderava o campeonato após marcar 13 golos nos últimos 3 jogos. Contudo, um amor maior invocava Magiera.

Jacek Magiera

Após se ter sagrado campeão polaco ao comando do Légia de Varsóvia, Stanislav Cherchesov foi convidado pela Federação de futebol do seu país a assumir a liderança da Rússia. Para colmatar a saída do ex-guardião soviético, o presidente do Légia de Varsóvia, Bogusław Lesnodorski, confiou os destinos do clube ao albanês Besnik Hasi. Apesar de ter trazido uma série de jogadores da Jupiler League, o técnico albanês nunca conseguiu realmente convencer os exigentíssimos adeptos Legionisci. 18 jogos, 7 derrotas, 6 empates e 5 vitórias depois, Hasi foi despedido. O plantel do Légia de Varsóvia estava recheado de talento, mas era preciso alguém que reunisse as individualidades e desse maior consistência a um coletivo que sofria golos com bastante regularidade. Desta vez Lesnodorski não vacilou e elegeu o homem da casa, Jacek Magiera.

A estreia do técnico natural de Czestochowa não foi a melhor: derrota em Alvalade frente ao Sporting na 2ª Jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões (2-0). Seguiram-se mais 3 jogos que podiam ter vaticinado o fim de Magiera na sua “cadeira de sonho”, nomeadamente, depois de 2 derrotas dolorosas frente ao Pogon Szczecin (3-2) e Real Madrid (5-1). Contudo, a partir daí a equipa começou a interiorizar as ideias do novo comandante e a diferença foi abismal, deixando bem vincada a qualidade técnica e inteligência emocional de Magiera.

Desde meados de Outubro que o Légia de Varsóvia não perde na Ekstraklasa, somando 6 triunfos nos últimos 7 jogos. Face a isto, a equipa da capital polaca subiu da 14ª para o 3ª posição após 9 jornadas sob o comando de Magiera. Além disso, somaram-se exibições bastante interessantes nas competições europeias, especialmente frente ao Real Madrid (3-3) e frente ao Sporting (1-0), que permitiram aos Legionisci continuar nas competições europeias. Para se ter uma melhor perceção da qualidade do técnico polaco, o Légia de Varsóvia não vencia um encontro na fase de grupos da Champions há 21 anos (ou seja, desde Outubro de 1995)!

Miroslav Radovic ao centro de preto

Um dos encontros que melhor espelhou a filosofia de Jacek Magiera ocorreu em pleno Signal Iduna Park, quando a equipa polaca foi derrotada 8-4 pelo Borussia de Dortmund de Tuchel. Magiera é um treinador apaixonado pelo futebol atacante, rápido e incisivo. Prefere sofrer muitos, mas marcar mais: daí que em 14 jogos ao serviço do Légia, a sua formação marcou 37 golos e sofreu 28.

Ao contrário de Hasi, Magiera tem trabalhado muito bem a transição ofensiva e o aspeto psicológico dos seus jogadores, tendo “recuperado” vários jogadores que pareciam perdidos com o anterior técnico albanês. O trintão criativo Radovic renasceu (13 jogos, 8 golos e 8 assistências), o possante médio Odjidja-Ofoe confirmou créditos (14 jogos, 3 golos e 5 assistências), o matador magyar Nikolics recuperou o seu killer instinct (13 jogos, 8 golos e 1 assistência) e o rapidíssimo Guilherme tornou-se decisivo nas zonas de finalização (12 jogos, 5 golos e 3 assistências). Apesar da organização e consistência defensiva ainda serem o grande handicap deste novo Légia, o regresso de Rzezniczak ao eixo da defesa e a manutenção da dupla Moulin e Kopczynski à frente dos centrais tem permitido estabilizar o barco tricolor.

Com ainda muito campeonato pela frente, o Légia de Varsóvia promete intrometer-se na atual luta a dois entre o Légia de Gdansk e o Jagiellonia de Bialystok. 7 pontos não são nada para quem teve que esperar 7 anos para subir ao comando técnico do seu clube de sempre. Jacek Magiera promete reescrever os próximos capítulos na Ekstraklasa.

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Francisco da SilvaNovembro 1, 20166min0

Em Nieciecza, com apenas 750 habitantes, mora uma das surpresas da Liga Ekstraklasa. O Bruk-Bet Termalica é o clube de futebol das principais ligas europeias estabelecido na vila mais pequena, porém, na presente temporada tem lutado pelos lugares cimeiros e impressionado toda a crítica. Com mais de 90 anos de história, embarque neste conto de fadas e venha conhecer o percurso do outrora Ludowy Klub Sportowy Nieciecza.

O Pergaminho

O desporto rei despertou oficialmente na pequena vila de Nieciecza em 1922, quando 3 senhores regressados da I Guerra Mundial – Stanislaw Nowak, Wladyslaw Kaczówka e Kazimierz Heather – decidiram fundar nesta localidade no sul da Polónia e integrada na cidade de Zabno, o LZS Nieciecza. O pioneirismo destes 3 polacos foi tal ao ponto da formação de Nieciecza ter sido o primeiro clube do município de Zabno. Por essa altura, a equipa não tinha uniforme e cada jogador jogava com os seus próprios calções, t-shirts e botas. Nos anos seguintes, foram sendo fundados mais alguns clubes nas zonas circundantes de Zabno, o que foi estimulando timidamente o modesto LZS Nieciecza a defrontar formações conterrâneas. Só em meados da década de 30 é que o LZS saiu das fronteiras do seu município e começou a medir forças amigalvemente com equipas da cidade vizinha de Dabrowa Tarnowska

Com eclodir da II Guerra Mundial e a invasão nazi, as atividades desportivas em Nieciecza e em toda a Polónia foram suspensas. Só após o fim da guerra é que o desporto voltou a dar um ar da sua graça em Zabno, contudo, em Nieciecza mandava o LZS. Nos primeiros anos da década de 50, o clube começa a ganhar projeção regional fruto de excelentes performances nos escalões distritais que permitem ao clube ascender à 5ª divisão polaca. As décadas seguintes foram de declínio do clube que só teve fim quando no final da década de 70 o clube fechou mesmo as portas. O resistente e modesto LZS Nieciecza batia no fundo da sua própria existência. Contudo, em 1983, o clube foi finalmente reativado e durante mais de 20 anos pereceu nas divisões amadoras e regionais polacas.

Nieciecza tem apenas 750 habitantes
Nieciecza tem apenas 750 habitantes

O Olimpo

O novo milénio começou com o LZS a alterar o seu nome para LKS Nieciecza (Ludowy Klub Sportowy Nieciecza, Grupo Desportivo Popular de Nieciecza). Até então incógnito e envolto numa pobreza franciscana nas profundezas competitivas da Polónia, tudo viria a ser completamente diferente quando o clube foi adquirido pelo empresário Krzysztof Witkowska em 2005. Homem da região e dono da multinacional de pavimentos Bruk-Bet, Krzysztof Witkowska começou por nomear a sua esposa, Danuta, como presidente do então LKS Nieciecza. Sob a alçada de Danuta, o clube viria a atravessar uma profunda transformação organizacional e desportiva. Primeiramente, no decorrer da temporada 2004/2005, o clube passou a denominar-se de LKS Bruk-Bet Nieciecza, incluindo assim o nome do principal patrocinador. Ainda em 2005, o emblema de Nieciecza iniciou a construção de um novo complexo desportivo, aumentando a lotação do seu recinto de 1000 para mais de 2000 lugares. A par destas mudanças estruturais, o rendimento do clube dentro das 4 linhas foi aumentando significativamente, ao ponto de na temporada 2006/2007 o LKS Bruk-Bet Nieciecza ter assegurado a subida à 5ª divisão polaca, mais de 30 anos depois.

Seguiram-se 2 subidas de divisão consecutivas (2007/2008 e 2008/2009) que catapultaram o clube da 5ª divisão para o 3º escalão do futebol polaco. Em 5 anos de presidência de Danuta Witkowska, o LKS Bruk-Bet Nieciecza tinha sido promovido 3 vezes! Se por um lado havia uma enorme estabilidade organizacional, por outro o branding do clube continuava a saltitar de um lado para o outro: em 2009/2010, o clube perdeu o acrónimo “LKS”, mas nem isso impediu um brilharete na estreia absoluta na 3ª divisão polaca (1ª lugar e subida ao 2º escalão). Nova temporada, novo nome: Termalica, uma insígnia do grupo Bruk-Bet. O agora Termalica Bruk-Bet Nieciecza KS, registava pela primeira vez na sua história uma ficha de jogo do 2º escalão. A temporada 2010/2011 foi bastante complicada com a manutenção a ser assegurada com bastante sacrifício e sofrimento, porém, as épocas seguintes mostraram um clube mais atrevido e preparado para altos vôos. Em 2014/2015, momento histórico: o Termalica Bruk-Bet Nieciecza KS orientado por Piotr Mandrysz ficava em 2º no campeonato e ascendia assim ao principal escalão do futebol polaco. 10 anos depois de iniciar o seu projeto pessoal,  Krzysztof e Danuta Witkowska levavam o clube da sua região e da sua empresa à Ekstraklasa.

Krzysztof Witkowska | Piotr Mandrysz | Danuta Witkowska
Krzysztof Witkowska | Piotr Mandrysz | Danuta Witkowska

O Momento

A última season foi bastante complicada para o emblema de Nieciecza que teve que lutar até à última jornada pela manutenção. Apesar do profissionalismo do clube, foi notória a falta de talento da equipa para enfrentar os restantes oponentes da Ekstraklasa, claramente mais experientes e com plantéis mais profundos e completos. Para 2016/2017, novo rebranding para Bruk-Bet Termalica Nieciecza KS, com Danuta a incumbir Czesław Michniewicz de liderar a formação do sul da Polónia e a oferecer um leque de reforços interessantes para o contexto competitivo da Ekstraklasa. Os resultados não se fizeram esperar e à 14ª jornada o emblema de Nieciecza encontra-se a “apenas” 5 pontos, praticando um futebol bastante combativo e intenso que muito dignifica o outrora modesto LZS. A grande figura da equipa é o talento letão Vladislavs Gutkovskis que, com apenas 21 anos de idade, está presente em 40% dos golos da equipa (5 golos e 1 assistência) e tem despertado o interesse de vários clubes. O calcanhar de aquiles da equipa orientada por Czesław Michniewicz continua a ser o setor mais recuado, responsável maior pela quebra de forma que o Bruk-Bet Termalica registou nas últimas jornadas (2 derrotas e 1 empate). Por mais irrealista que seja, quem não gostaria de ver este modesto clube a levantar o ceptro da Ekstraklasa, numa antologia perfeita do sonho polaco? Com ainda 23 jornadas por disputar, tudo pode acontecer, tal como já aconteceu ao outrora pequeno LZS.

Vladislavs Gutkovskis
Vladislavs Gutkovskis

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Francisco da SilvaSetembro 24, 201612min2

Quem percorre as principais artérias das suas cidades dificilmente fica indiferente à frieza emocional e expressiva da Polónia, contudo, ocultado em cada rosto submisso, existe um país profundamente apaixonado pelo desporto e pela sua Polska. Neste espaço, pretende-se explorar uma das suas paixões, a Liga Ekstraklasa, e narrar a ponte futebolística Varsóvia-Lisboa, tentando posteriormente decifrar o seu futuro.

Ekstraklasa ID

A principal competição de clubes na Polónia começou a desenhar-se após a independência desta nação em 1918, contudo, só ganhou contornos oficiais em 1927 sob a insígnia Liga Pilki Noznej. Ao longo de quase 90 anos de existência, a rebatizada Liga Ekstraklasa, palavra polaca que significa liga de topo, atravessou capítulos inolvidáveis da história da Polónia e da própria Europa, tão inolvidáveis e transcendentes que culminaram na interrupção da competição no verão de 1939 quando a Alemanha invadiu a Polónia. Talvez em memória do heroísmo incomensurável de Stefan Starzynski, mayor de Varsóvia que recusou abandonar a cidade durante o cerco nazi de 1939, a Ekstraklasa respeitou um profundo silêncio futebolístico até 1945, altura em que a Polónia voltou oficialmente a existir.

Os resquícios do Pacto Molotov-Ribbentrop, acordo entre a Alemanha de Hitler e a Rússia de Estaline que dividiu a Polónia em 2, condicionaram também a história futebolística da primeira liga polaca que desde 1945 a 1989 viu-se subjugada às normas da potência invasora soviética. A partir da implosão da URSS, o sucesso económico da Polska permitiu à Liga Ekstraklasa estabelecer-se como um refúgio basilar do talento proveniente das ex-repúblicas soviéticas. Este Polacocentrismo, uma espécie de doutrina chauvinista inspirada no trabalho de Nicolaus Copernicus, permite que estrelas oriundas da Bósnia, Bielorrússia, Bulgária, Croácia, Eslovénia, Hungria, Letónia, Lituânia, República Checa, Sérvia ou Ucrânia orbitem em torno da Ekstraklasa e complementem em uníssono o talento das academias de formação polacas.

Aliás, é esta mesma complementaridade e heterogeneidade da liga doméstica polaca que a torna tão interessante do ponto de vista da prospeção pois agrega a disciplina tática soviética, a irreverência balcânica e a paixão futebolística polaca. Tudo isto devidamente condimentado permite proporcionar excelentes partidas de futebol onde não raras vezes se confunde intensidade com agressividade, paixão com obsessão e talento com momento. Em linha com o sucedido na Revolução Industrial, a lógica da proximidade geográfica tem uma preponderância avassaladora na forma como o talento formado e desenvolvido nos mais de 300 000 km2 da Polónia é difundido.

Os principais mercados premium continuam a ser a Alemanha e a Itália, contudo, também a Inglaterra começou a despertar para os encantos da Ekstraklasa com o recrutamento dos guardiões Wojciech Szczesny e Łukasz Fabianski (ambos para o Arsenal), do criativo Aleksandar Tonev (Aston Villa) e do prodígio Bartosz Kapustka (Leicester). A ligação umbilical entre a Polónia e a Alemanha permite que a Bundesliga seja o maior recrutador em bruto de jogadores da primeira liga polaca, gerando um forte impacto na dinâmica comercial dos clubes e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento das academias de formação polacas. Ao longo dos últimos anos, são vários os nomes que fizeram a ponte Varsóvia-Berlim: Robert Lewandowski (Borussia Dortmund), Arkadiusz Milik (Leverkusen), Artjoms Rudnevs (Hamburgo) ou Ondrej Duda (Hertha Berlim). Já mais a sul, a Série A continua a desafiar a amplitude térmica dos profissionais da Ekstraklasa e a contratar em quantidades assinaláveis para temperar o seu clima mediterrânico, talvez à procura do próximo Boniek. Kamil Glik (Palermo), Lukasz Skorupski (Roma), Bartlomiej Dragowski (Fiorentina) e Karol Linetty (Sampdoria) foram/são alguns dos recentes embaixadores do gelo em Itália.

Robert Lewandowski | Kamil Glik | Bartosz Kapustka
Robert Lewandowski | Kamil Glik | Bartosz Kapustka

Apesar de alguns episódios esporádicos de escândalos de corrupção, o fascínio pela Ekstraklasa permanece ativo e permite ter em cada jornada uma média de quase 50% da capacidade dos estádios ocupada, mesmo que haja casos de sobredimensionamento dos estádios devido à megalomania do Euro 2012 organizado pela Polónia e pela Ucrânia. Por forma a incrementar o espetáculo da Ekstraklasa também dentro das quatro linhas, o Comité da prova alterou o formato da competição a partir da temporada 2013/2014, segmentando-a em 2 fases: na fase regular as 16 equipas disputam 2 voltas entre si num total de 30 encontros, posteriormente, tendo em conta a classificação geral, as 16 formações são divididas em 2 grupos de 8 (Grupo I: 1º-8º classificado | Grupo II: 9-16º classificado); na fase final as equipas ficam com metade dos pontos da fase regular e disputam mais 7 jogos entre si para determinar quem é o campeão (1º classificado do Grupo I após a fase final) e quais são as 2 equipas relegadas para o segundo escalão (2 últimos classificados do Grupo II após a fase final).

O registo histórico dos consagrados na Ekstraklasa é bastante vasto e diversificado, gravando até ao momento e para a eternidade um lote de 16 formações, das quais apenas 5 delas ainda continuam no principal escalão do futebol polaco. O Wisla Cracóvia, formação polaca mais temida da 1ª década do Século XXI, e o Górnik Zabrze, histórico clube dos anos 60 e 80 que atualmente se encontra no 2º escalão, dominam em termos absolutos com 14 títulos cada um deles, no entanto, os 4 últimos anos foram completamente monopolizados pelo Légia de Varsóvia que arrebatou o título por 3 vezes. A presente temporada tem sido recheada de surpresas, desilusões, confirmações e revelações, bem à imagem do sempre intenso e imprevisível campeonato polaco. Do conjunto de equipas que compõem o leque dos 8ºs primeiros da Ekstraklasa, a que mais se tem destacado é o Légia de Gdansk que, após ter sido adquirido por um grupo de investidores em 2014, tem crescido consistentemente e está cada vez mais próximo de conquistar o primeiro cetro da sua história. Para todos os interessados em seguir e saber mais sobre a Liga Ekstraklasa, o melhor é acompanhar os próximos artigos do FP ou então seguir o facebook da prova aqui.
Previsão Fair Play para o 1º lugar: Légia de Gdansk

Eixo Varsóvia-Lisboa    

As relações diplomáticas entre Portugal e a Polónia iniciaram em 1923 no tempo da I República, contudo, estas só se estenderam ao desporto rei no início de 1986 quando o FC Porto decidiu apostar num guardião polaco, Józef Młynarczyk, de elegância suprema entre as quatro linhas e cujo pontífice era o seu característico bigode. Apesar de não ter viajado diretamente da Liga Ekstraklasa para o nosso país, o sucesso do veterano guarda-redes portista foi tal que rapidamente os dirigentes desportivos portugueses passaram a olhar com outros olhos para o “jogador polaco” e para a própria Ekstraklasa. No 2º ano da década de 90 foi a vez do Sporting CP arriscar agora num striker alto, forte e com boa técnica de finalização de seu nome Andrzej Juskowiak, ou como diria Sousa Cintra “André, o Polaco”. Durante 3 temporadas Juskowiak mostrou sempre faro para as redes adversárias, porém, a sua passagem por Portugal ficou também marcada pela irreverência e inconstância comportamental, que o diga Fernando Couto. Ainda na senda dos artilheiros e guardiões oriundos da pátria de Lech Walesa, o FC Porto apostava em Grzegorz Mielcarski e Andrzej Wozniak, mas sem grande sucesso, quer pelo infortúnio das lesões quer pela manifesta falta de qualidade, respetivamente.

Józef Młynarczyk | Andrzej Juskowiak | Przemysław Kazmierczak | Paweł Dawidowicz

O novo milénio futebolístico adveio com um novo paradigma: a contratação de talento bruto do gigante da Europa central era agora assegurada por outros emblemas históricos fora do grupo dos “três grandes”, que aproveitavam assim a liberdade de circulação entre os países gerada pela entrada da Polónia na União Europeia em 2004. Enquanto às margens do rio Lis chegava o possante avançado Bartosz Ślusarski, já antes aterrara no berço de Portugal o matador vitoriano Marek Saganowski cujo instinto goleador ainda hoje deixa saudades no D. Afonso Henriques. A 1ª década do Século XXI não ficaria meritoriamente completa se a dupla axadrezada Przemysław Kazmierczak e Rafał Grzelak não fosse mencionada, pois tanto o gigante centrocampista como o supersónico extremo foram figuras de proa de um Boavista à procura de voos mais altos. Przemysław Kazmierczak chegou mesmo a vestir as cores do FC Porto mas nunca revelou uma qualidade de jogo proporcional à sua estatura.

O papel de supra-sumo da conotação entre o futebol português e o polaco cabe ao guarda-redes Paweł Kieszek que há quase 10 anos passeia-se nos relvados portugueses com razoável ostentação. Face ao menor fulgor financeiro dos clubes portugueses e ao recente regresso de Maciej Makuszewski ao seu país, a ligação futebolística entre Varsóvia-Lisboa é hoje alimentada em território nacional pelo experiente Kieszek e ainda por 2 jovens: Tomás Podstawski e Paweł Dawidowicz. Podstawski, resultado de uma joint-venture entre um polaco e uma portuguesa, é visto como um ativo polivalente e influente produzido pela escola de formação portista, enquanto o gigante Dawidowicz viajou de Gdansk para representar a equipa secundária do SL Benfica.

Se a importação de talento polaco para o nosso país conheceu vários capítulos e versículos ao longo dos últimos 30 anos, o mesmo não se pode dizer da exportação de produtos com o código de barras 560. Os primeiros cicerones lusos começaram a chegar à nação de Frédéric Chopin corria o ano de 2007 pelas mãos do Zagłębie Lubin, campeão nacional polaco à data. Rui Miguel e Tiago Gomes abriram assim as portas de um mercado claramente chauvinista, apaixonado e capaz de pagar bons salários ao refinado “jogador português”. Ao dia de hoje, bem no coração do Velho Continente, vão-se somando assistências, golos, vitórias e troféus com sotaque de Camões, numa demonstração inequívoca do elevado valor acrescentado incorporado no produto português. A efémera e incansável ampulheta temporal vai registando os inúmeros embaixadores tais como, David Caiado, Manú, André Micael, Orlando Sá ou os irmãos Paixão, que desafiaram o frio da Polska à procura da glória eterna na Ekstraklasa.

(acima estão apenas mencionados os principais jogadores que se estabeleceram nos dois países, sendo certo que mais alguns nomes poderiam também aqui constar)

Tiago Gomes | Orlando Sá | André Micael | Irmãos Paixão

E o futuro?

O Campeonato da Europa de 2016 realizado em França foi um excelente cartão-de-visita para o “jogador polaco” mas também para a própria Ekstraklasa, que no mercado de transferências de Verão viu assim sair 5 dos seus principais ativos. Em 2016/2017, os tradicionais mercados de exportação continuarão bastante atentos a todo e pequeno génio que desponte nos mais de 300 000 km2 da Polónia, todavia, há também que incluir no lote de potenciais compradores alguns mercados que, outrora fortes investidores em países emergentes sul-americanos, sofrem com a hiperinflação do talento argentino, brasileiro, uruguaio, chileno e colombiano. Neste último leque de países afetados pela valorização sul-americana temos os clubes portugueses, que têm sido obrigados a procurarem outras alternativas válidas com um custo de oportunidade igualmente atrativo. Ora, é nessa equação de forças da oferta e da procura que se encontra precisamente a Liga Ekstraklasa. Longe de pertencer à mais refinada nata competitiva do panorama europeu, a principal liga polaca afirma-se como o epicentro futebolístico de várias ex-repúblicas soviéticas e da ex-Jugoslávia que procuram desenvolver o seu engenho em Varsóvia, Cracóvia, Poznan, Wroclaw ou Gdansk. Assim, esta “sociedade das nações” permite reunir ativos taticamente evoluídos, imunes à pressão e habituados a um ritmo frenético que podiam ser bastante úteis e fazer a diferença no campeonato português. Até ao momento, não só os “grandes” como os restantes clubes têm marginalizado os termos qualitativos da Ekstraklasa, porém, como decreta um famoso provérbio polaco “Potrzeba jest matka wynalazków”, a necessidade é a mãe das invenções, nesse sentido, face às restrições financeiras e de prospeção de outras paragens, talvez os emblemas da Liga NOS prestem mais atenção ao mercado polaco e garantam o próximo sucessor de Boniek ou Lewandowski. Powodzenia!


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