23 Out, 2017

Arquivo de Inglaterra - Fair Play

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Pedro NunesOutubro 21, 20173min0

Pensamento rápido, vertical e uma visão de jogo verdadeiramente transcendente. Esta época juntou-lhe o aspecto mais físico e a capacidade trabalhadora, sem nunca abdicar da produção ofensiva. Futebol com lentes 3D, régua e esquadro. Assim joga Kevin de Bruyne.

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João NegreiraAgosto 28, 201710min0

Nova temporada, alguns treinadores novos com ideias novas, alguns treinadores na sua 2ª época a tentar mudar e vingar e alguns já com alguma experiência no clube a tentar mudar o rumo do que aconteceu no passado. Falamos dos sistemas que alguns treinadores adotaram nesta nova época. Mas o que têm eles em comum? 3 centrais. O Fair Play apresenta-lhe as equipas da Premier League que passaram a jogar com 3 centrais.

Arsenal

Os gunners são a única equipa, daquelas que vamos falar, que começou a utilizar um sistema com 3 centrais já na temporada passada. Após a derrota fora de portas com o Crystal Palace no início de abril por 3-0, Arsène Wenger decide mudar o sistema. Na jornada seguinte, 7 dias depois, o Arsenal já vinha com uma “pele nova”, acabando por ganhar o jogo ao Middlesbrough no Riverside Stadium. Num total de 8 jogos até ao final da temporada (jogou dois jogos que estavam em atraso), o Arsenal conseguiu alcançar 7 vitórias, sendo que a única derrota foi frente ao Tottenham.

Apesar da má classificação, os londrinos fizeram um bom final de temporada com este sistema. Assim, com a continuidade do francês no comando da equipa, o Arsenal voltou a utilizar o sistema na pré-época, na Supertaça Inglesa e já nos primeiros 3 jogos do campeonato. Com a vitória na Supertaça, a motivação era alta para o início do campeonato, tendo até começado com uma vitória suada sobre o Leicester, garantida com dois golos a darem a volta ao marcador, já nos minutos finais. No entanto, o Arsenal já tem 2 derrotas em 3 jogos (Stoke e Liverpool) ficando, por agora, num modesto 16º lugar.

A jogar num 3-4-3, com 2 homens muito móveis atrás do ponta de lança, o Arsenal tem obrigação de fazer muito mais, tendo em conta o seu plantel, que tem Sanchéz, Ozil e Lacazette. Será Wenger o problema? A verdade é que já são 21 anos e apenas 1 campeonato e já a começar tão mal, será desta que o francês sai dos gunners?

O Arsenal ainda ganhou a Supertaça esta época, mas já começa a escorregar. (Foto: RTP)

Crystal Palace

Não são só as equipas ditas “grandes” que utilizam este sistema. Algumas equipas como é o caso dos Eagles também mudaram de sistema. Com poucas mexidas no plantel, esperava-se que o Crystal Palace se afastasse da manutenção, o mais cedo possível, mas isso parece não estar a acontecer, sendo uma das equipas com 3 derrotas em 3 jogos. O 1º jogo foi em casa contra o recém-promovido Huddersfield, em que sofreram uma derrota por 3-0. Seguiram-se jogos com o Liverpool e Swansea, e 2 derrotas vieram com eles. Sem ainda terem marcado golos, parece haver algum problema na equipa de Frank De Boer.

Também a jogar num 3-4-3, o ataque do Crystal Palace parece estar, no mínimo, enferrujado e a defesa não parece coesa o suficiente para aguentar o poderio atacante dos adversários. Será preciso tempo para os jogadores assimilarem as ideias do novo treinador para a nova tática? Mas quanto mais tempo terá o Palace? O tempo, e principalmente, o campeonato estão a contar e não esperam!

Everton

O Everton comprou muito e bem. Gastou 167 milhões de euros em 5 jogadores e não parecem estar para brincadeiras. Com o apuramento para as provas europeias, os toffees precisavam de mais qualidade no plantel e de mais profundidade. No entanto, saiu a estrela de maior nome do plantel, Romelu Lukaku. Ainda assim, parecem estar a aguentar-se, tendo em conta o seu calendário. Começaram com uma vitória caseira frente ao Stoke, mas nos 2 jogos a seguir, contra City e Chelsea, conseguiram apenas um empate e uma derrota; para ficarmos com a certeza que o Everton está à altura do desafio, seguem-se Tottenham e Manchester United. Os toffees tiveram que jogar as pré-eliminatórias da Liga Europa frente ao Hadjuk Split da Croácia, sendo que nesses jogos, o sistema com 3 centrais não foi utilizado.

O sistema de 3 centrais que o Everton usa é, também, o 3-4-3, (usou o 3-5-2 apenas no jogo contra o Manchester City; Gylfi Sigurdsson ainda não tinha chegado) sendo que os 3 homens da frente têm muita mobilidade, havendo várias trocas entre eles; destaque para o reforço Michael Keane que pode dar muita segurança na defesa. Apesar do calendário difícil que tem, o futuro parece estar do lado do Everton, tendo tudo para conseguir fazer a época que quer.

Manchester City

Pep Guardiola vai entrar para a sua 2ª época, tendo agora implementado um novo sistema. Com 246 milhões de euros gastos, espera-se que esta seja a época do treinador espanhol em Inglaterra. Mais uma vez, o City entra bem no campeonato, com uma vitória, sendo que nos dois jogos seguintes, assegurou um empate e uma vitória frente a Everton e Bournemouth, respetivamente. Com uma enorme qualidade no plantel, espera-se que os cityzens, alcancem grandes feitos esta época, também na Europa.

Guardiola parece ter posto o City a jogar como nos habituou. Num 3-5-2, a equipa da cidade de Manchester parece já poder jogar de olhos fechados e como o seu treinador quer (sempre com algumas falhas como é óbvio); com “tabelinhas” simples e imensa mobilidade e dinâmica ofensiva; com a pressão alta e organizada (um dos médios centrais ajuda a pressionar); com as bolas paradas muito bem treinadas também; e o que faz muitas vezes a diferença: jogam muito perto uns dos outros, que com um guarda redes como Ederson, é muito seguro jogar com as linhas muito subidas.

Na pré-época, Guardiola começou por testar o novo sistema com 3 centrais. (Foto: 90Min)

Stoke City

Em Stoke-on-Trent, o sistema também mudou. Saíram alguns jogadores importantes, mas também entraram outros que podem fazer a diferença. Jesé, Tymon e Zouma chegaram para substituir Arnautovic, Bardsley e Muniesa, respetivamente e as esperanças não são assim tão baixas. No entanto, o Stoke, já parece ser inconstante, sendo que começou com uma derrota forasteira contra ao Everton; seguiu-se uma vitória surpreendente frente ao Arsenal; e na 3ª jornada acabou por empatar com o WBA.

À semelhança das primeiras equipas que vimos, os potters jogam em 3-4-3, também com os 3 homens muito móveis no ataque. De destacar Jesé, que no seu primeiro jogo, deu a vitória à sua equipa e pode ser uma grande mais valia durante a época. Sempre com plantéis a poder sonhar com a Europa, o Stoke acaba quase sempre por ficar apenas na primeira metade da tabela; será devido à instabilidade, que até já foi mostrada nestas 3 primeiras jornadas? É esperar para ver se o Stoke se aguenta neste sistema.

Swansea City

Como já foi dito, não são só as equipas a aspirar à Europa e ao título que utilizam o sistema de 3 centrais, também as mais pequenas procuram este sistema, a fim de tentarem algo diferente na presente época. Ao começar com um resultado menos positivo frente ao Southampton, a equipa do País de Gales quis logo mudar o sistema, sendo que no primeiro teste contra o poderoso Manchester United, foram goleados por 4-0. Não obstante, no jogo seguinte alcançaram a sua primeira vitória no campeonato frente ao Crystal Palace. De mencionar que Sigurðsson saiu para o Everton, mas espera-se que jogadores que foram contratados para o meio-campo como Sam Clucas e Roque Mesa (que não são, de todo, jogadores iguais ao islandês) o façam esquecer.

A jogar num 3-5-2, o Swansea vai sempre lutar pela manutenção, sendo que quer o mais cedo possível, afastar-se da zona de despromoção. Apesar de ainda estar lesionado, os swans contam com Llorente para lhes dar muitas alegrias.

Tottenham

Apesar de ter contratado pouco e nenhuma das contratações ter sido sonante, há que colocar os spurs na órbita do título. Com Pochettino a formar uma equipa desde há vários anos, o Tottenham parece ser uma equipa coesa e solidária. Apesar da equipa já estar habituada a jogar entre si e com a sua própria tática, o argentino decidiu aderir, também, ao sistema de 3 centrais apesar de ainda parecer indeciso. Ao contrário de algumas equipas aqui referidas, os londrinos obtiveram uma vitória no seu primeiro jogo do campeonato. Não obstante, perderam o segundo contra o Chelsea e empataram o terceiro contra o Burnley. Apesar das qualidades já referidas, os spurs podem ver-se ser ultrapassados pelos rivais, tendo em conta que não compraram quase ninguém.

Só utilizaram o sistema com 3 centrais frente ao Chelsea, mas esse, foi o jogo em que perderam e por isso, é questionável se Pochettino vai continuar, ou não, a usar o sistema. Com grandes estrelas na equipa como Kane, Alli e Eriksen, o Tottenham pode ser perigoso na época que agora começou.

Van Gaal bem que tentou, mas…

Estava a caminho a época 2014/2015, aquando da chegada de Louis van Gaal ao Manchester United. O holandês veio substituir Moyes que não conseguiu corresponder às expectativas. E é então na primeira jornada que nos surpreende com um sistema de 3 centrais, jogando num 3-4-3. As coisas não correram muito bem para van Gaal que nas primeiras 3 jornadas teve 1 derrota e 2 empates. Na jornada seguinte, muda o sistema e goleia por 4-0 o QPR. Durante a época voltou ao sistema com 3 defesas, mas nunca se saiu muito bem, acabando a sua primeira época em 4º lugar. Acaba por ficar apenas mais uma época no clube, não voltando a utilizar o sistema e sem ter ganho nada de importante.

Van Gaal caiu ao utilizar o sistema de 3 centrais. (Foto: Globoesporte)

… foi Conte quem descobriu a fórmula secreta

Como sabemos o sistema com 3 centrais é maioritariamente utilizado pelas equipas italianas; a própria seleção usa o sistema. Desde as camadas jovens que os jogadores são ensinados a jogar nesses sistemas, numa maneira própria de jogar. Na época passada, chega ao Chelsea, um treinador italiano, acabado de vir da seleção transalpina e surpreende tudo e todos por começar a jogar com um sistema de 3 centrais e muitos até chegaram a pensar que poderia ser um “flop” como van Gaal. Mas Antonio Conte faz um trabalho fantástico e acaba por ganhar o campeonato com 7 pontos de diferença para o segundo classificado, o Tottenham. Na temporada 2016/2017, o italiano contou com jogadores como Kanté, Diego Costa e Hazard, que permitiram que o grande feito acontecesse. Este Chelsea joga em 3-4-3, sendo que Kanté, é imperial no roubo de bola e Hazard e Willian são autênticas setas apontadas à defesa adversária.

Posto isto, será que Conte descobriu a fórmula secreta e agora muitos querem copiá-la? Alguns deles estão a tentar…

Conte foi bem sucedido ao utilizar o sistema de 3 centrais. (Foto: Globoesporte)

 

Não obstante, nenhumas destas equipas que usa o sistema de 3 centrais está a deixar por terra os seus adversários, sendo que, com 3 jornadas jogadas, quem vai na frente isolado, é o Manchester United de José Mourinho.

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Gonçalo MeloAgosto 7, 201720min0

A menos de uma semana do começo da Premier League, analisamos as possibilidades dos 20 clubes ingleses para esta época e com tanto dinheiro envolvido, a expectativa não podia ser maior. O Fair Play faz a antevisão para a temporada 17/18 da melhor liga do mundo.

 

Dinheiro ao Poder! (1º ao 6º)

Com os direitos televisivos a reinarem em Inglaterra, os clubes ficam com imenso dinheiro para esbanjar, época após época. Posto isto, o atual campeão, o Chelsea já gastou 155 milhões de euros, o Manchester City 246 milhões e o Manchester United 165 milhões. Sendo estes os 3 clubes que mais gastaram até agora, são estes os candidatos ao título. Obviamente, o dinheiro não é a única fundamentação, mas é algo a ter bastante em conta. Salientar que, apesar da excelente qualidade de treinadores existente por toda a Premier League, estes 3 clubes terão os melhores técnicos no comando.

Os blues, depois de terem sido os piores campeões de sempre, na temporada 15/16 ficando em 10º lugar, reforçaram-se agora para manterem o título. Com algumas saídas do onze inicial, foram obrigados a comprarem bem para conseguirem revalidar o título e com uma tática já familiarizada, os novos recrutas Antonio Rudiger, Timoué Bakayoko e Alvaro Morata não deverão demorar muito a entrar na equipa, que tem em Eden Hazard, Ngolo Kanté e Pedro Rodriguez as principais figuras. Os blues serão a equipa que partirá na pole position para a conquista do campeonato, uma vez que são os detentores do título e mantém a espinha dorsal formada por Cahill, David Luiz, Azpilicueta, Fabregas, Willian, Courtois, etc.

O Chelsea vai tentar repetir o feito da época passada

Vai começar, então, a 2ª época de José Mourinho ao comando dos red devils, tendo já ganho na sua primeira temporada, a F.A. Community Shield, a EFL Cup e a Liga Europa, tendo entrado diretamente na Champions League. O Special One terá agora, depois de uma época com um misto de emoções, que corresponder às altas expectativas de um clube histórico e habituado a ganhar. Apenas com Wayne Rooney como saída de peso e contratações direccionadas para entrarem já no onze inicial, como Victor Lindelof, Nemanja Matic e Romelu Lukaku, o United terá boas hipóteses de voltar ao tão desejado título, uma vez que se apresenta com uma dos melhores planteis da europa, onde se destacam Ander Herrera, Henrikh Mkhitaryan, Marcus Rashford, Eric Bailly, David De Gea e Paul Pogba.

O mesmo se passa com Guardiola que, na sua segunda época, deu uso ao dinheiro que está à sua disposição. Com um novo sistema, os citizens jogam de maneira diferente; mais juntos, muito mais dinâmicos na frente e a sair com bola na defesa. Não obstante, não terão ainda, nem a mentalidade de campeão, nem a coesão de equipa necessárias para conseguir tirar o melhor de todos os seus jogadores. Assim, as tropas de Guardiola estarão na luta, mas será difícil ganharem o campeonato. Para lutar pelo almejado primeiro lugar, o City já contratou para quase todos os setores, Ederson, Mendy, Walker, Danilo, Bernardo Silva juntam-se aos craques que transitam da época passada. Kevin De Bruyne, David Silva, Sergio Aguero, Yaya Touré, Vicent Kompany, John Stones e o jovem prodígio paulista Gabriel Jesus.

Ederson é um dos reforços milionários do Machester City de Guardiola

Com uma equipa de grande qualidade e de grande coesão já apresentada na época que passou, o Tottenham poderá arrepender-se em não comprar jogadores pois poderá ser ultrapassado pelos novos jogadores dos seus rivais que trarão qualidade a esses mesmos, coisa que os spurs poderão não ter. Não retirando qualidade à equipa, ao não contratar, Pochettino mostra que a sua equipa não tem lacunas, algo que poderá não ser verdade. A preparar também um sistema novo com 3 defesas, veremos algo diferente do Tottenham que fará com toda a certeza um bom campeonato, mas onde ainda faltará alguma coisa para serem campeões. As estrelas Christian Eriksen, Dele Alli e Hary Kane mantém-se no norte de Londres, bem como os centralões belgas Toby Alderweireld e Jan Vertonghen. No entanto, um substituto para Walker seria bem-vindo, bem como uma alternativa a Alli e Eriksen (fala-se em Ross Barkley).

Arsène Wenger vai entrar na sua 21º época seguida como treinador do Arsenal e parece querer ir de mal a pior. Com apenas uma contratação sonante, por 60 milhões de euros e nenhuma venda que fará mossa no onze inicial, as mudanças serão quase nulas. Alexandre Lacazette entrará nas contas para começar de inicio e teremos também mais um novo sistema com 3 defesas. Um jogador e um sistema novos, portanto; mas será que isso chega para fazer melhor do que o passado? A juntar ao facto de pela primeira vez fora da Champions, Alexis Sánchez e Mesut Ozil podem perfeitamente sair uma vez que têm apenas mais um ano de contrato. 20 anos depois será difícil fazer pior do que se tem feito, mas… a era de Wenger tem de acabar!

A acabar em 4º e com apenas uma grande contratação está o Liverpool que, semelhantemente ao Tottenham poderá ver-se ultrapassado pelos adversários diretos, ainda mais se Coutinho sair. Com o mestre da psicologia ao comando, os reds poderão fazer uma temporada boa e estarão com toda a certeza nos lugares cimeiros, mas será difícil fazer algo melhor do que a época passada. De referir que estarão presentes no play-off da Champions League e se chegarem a participar na liga milionária, será ainda mais difícil conjugar, não tendo opções de alto nível para todas as posições. Klopp irá apoiar-se nas figuras da época passada, mas Sadio Mané, Adam Lallana, Gio Wijnaldum e Roberto Firmino, aos quais se junta o supersónico Mohamed Salah poderão não chegar para todas as “encomendas”.

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Os spurs tentarão manter-se na luta pelos lugares cimeiros, tal como o Manchester United

A vontade de chegar ao topo! (7º ao 9º)

 Com uma capacidade de atacar o mercado superior à maioria, mas inferior à dos 6 primeiros, e sempre tentando intrometer-se na luta pelos lugares europeus estão neste momento três equipas.

O Everton de Ronald Koeman tem contratado muito e bem, destacando-se o central Michael Keane, o todo-o-terreno holandês para o meio campo Davy Klaassen, e os avançados Sandro Ramírez e Wayne Rooney. O capitão da seleção dos três leões regressou a casa, e vai tentar fazer esquecer Lukaku, que saiu para o Man United por 85 milhoes. Quem também poderá estar de saída é Ross Barkley, que não parece querer renovar o contrato. No entanto o Everton parece estar acautelado, pois o islandês Gylfi Sigurdsson parece estar perto dos toffees. Será uma época em que os azuis de Liverpool tentarão intrometer-se na luta pelos seis primeiros lugares, tarefa aparentemente utópica.

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Um bom filho a casa torna. Rooney regressa para fazer esquecer Lukaku, que fez o caminho inverso para Manchester

Quem faz sempre questão de ocupar a primeira metade da tabela é o Southampton. A equipa agora orientada por Mauricio Pellegrino quererá certamente manter a mesma toada, e para isso mantém até agora a mesma equipa que o tem conseguido fazer nos últimos anos. Apenas um reforço até à data, o central polaco Jan Bednarek. O grande problema dos saints poderá ser a situação de Virgil van Dijk, que entrou num diferendo com a direção por querer sair para o Liverpool, ele que é um dos melhores defesas centrais da atualidade. Jay Rodriguez saiu para o West Brom, mas as principais figuras, Dusan Tadic, Oriol Romeu, Ryan Bertrand, Nathan Rodmond, Cédric Soares e Manolo Gabbiadini, e o muro de 2 metros Fraser Forster permanecem no sul de Inglaterra, havendo motivos para o antigo treinador do Alavés sorrir.

Juntamente com os toffees e os saints está o West Ham de Slaven Bilic. Com grande capacidade financeira, a turma de Londres teve uma época muito abaixo do esperado no ultimo ano, mas quer voltar a lutar pela europa este ano. Apesar de já não ter Dmitri Payet, os hammers mantêm até agora os craques Lanzini, Ayew, Cresswell e Antonio, aos quais se juntam quatro reforços bombásticos. Para a baliza chegou o guardião titular da seleção inglesa, Joe Hart, cedido pelo Manchester city. Na defesa, Arbeloa arrumou as chuteiras, mas chegou para o seu lugar o experiente argentino Mauro Zabaleta. Para a frente, a equipa garantiu o extremo Marko Arnautovic por cerca de 23 milhoes de euros, e o craque mexicano Chicharito Hernández junto do Bayer Leverkusen por 18, valores muitíssimo aceitáveis tendo em conta o mercado atual e que tornarão os londrinos uma ameaça a ter em conta.

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O sorriso do novo goleador dos hammers

Nem sim, nem sopas! (10º ao 14º)

Nem a despromoção, nem a Europa. Alguns clubes apenas não têm a capacidade de contratar ou de sequer fazer jogar tão bem para ir à Europa e estão bem com isso. O dinheiro não é problema, mas isso não chega. Pode haver surpresas como o caso do Leicester, mas as equipas na metade inferior da tabela ainda estão uns degraus abaixo daqueles que lutam sempre pelas competições europeias.

A surpresa da época 15/16, foi ainda um pior campeão, na época transata, do que o Chelsea nessa mesma época, ficando em 12º lugar. Ficou sem a peça fundamental do meio-campo, mas estrelas Vardy e Mahrez ficaram e ainda chegaram mais jogadores. Ranieri foi despedido e o adjunto, Craig Shakespeare assumiu o comando dos foxes. Para já, reforçou-se com a jovem estrela, Iheanacho do City, Maguire e Jakupovic do Hull e Iborra do Sevilla, não saindo jogadores de grande importância. Prevê-se, então, uma época calma, semelhante à que passou. A possível saída de Mahrez para a Roma poderá ser determinante no rendimento da equipa.

Depois do inédito título, o Leicester tem almejado apenas a parte superior da tabela

Com um lugar bastante razoável na época que passou, o West Bromwich Albion, vai tentar repetir o feito da época passada e afastar-se ao máximo da despromoção, fazendo uma temporada tranquila, a fim de afirmar-se na Premier League. De referir que a grande contratação foi Jay Rodriguez ao Southampton, sendo que de resto não houve grandes mudanças no plantel. Com um dos melhores lugares dos últimos anos, os baggies farão mais uma temporada sossegada, sob o comando do fantástico Tony Pullis. Nacer Chadli tem sido muito cobiçado, ele que foi um dos melhores da equipa na época passada.

Entre a indecisão da Europa e a metade superior da tabela está mesmo o Stoke City, pois parecendo que têm uma boa equipa e suficiente para ficar nos 10 primeiros, ninguém diria que ficariam em 13º lugar em 16/17. Em Stoke-on-Trent já saiu para o West Ham, uma das suas estrelas maiores, o extremo Marko Arnautovic, bem como o ponta de lança marfinense Wilfried Bony, cedido pelo Man City; entre mais algumas saídas como Martins Indi, e outras entradas como Kurt Zouma e Darren Fletcher, não parece ter chegado ninguém para substituir no imediato o austríaco. Prevê-se, então que os potters façam mais uma temporada serena, sem almejar a Europa.

Depois de um final de temporada positivo, ainda que não tenha conseguido salvar o Hull, Marco Silva foi contratado para comandar o Watford, que ficou no primeiro lugar acima da linha de água. Já com algumas mexidas no plantel, tanto nas entradas como nas saídas, há que destacar Will Hughes, a jovem promessa vinda do Derby County, Tom Cleverley que chegou do Everton a titulo definitivo após ter estado cedido pelos toffees o ano passado, Kiko Femenía que chegou do Alavés para a lateral direita e o médio defensivo inglês ex-Chelsea Nathaniel Chalobah. Ighalo e Mario Suarez saíram para a China e Marco Silva tem, assim, um trabalho árduo pela frente para conseguir, para já, solidificar o Watford nesta Premier League, uma vez que já pediu mais reforços para além destes, mas os mesmos ainda não chegaram. Os grandes destaques desta equipa serão provavelmente o avançado Troy Deeney, o internacional holandês Daryl Janmaat e o médio defensivo francês Etienne Capoue, aos quais ainda terão, obrigatoriamente, de se juntar mais alguns reforços. O talento de Marco Silva deverá levar a equipa a uma época de qualidade.

Marco Silva terá novo desafio no Watford

A tentar solidificar o seu lugar na Premier League, está o Crystal Palace que já contratou o jovem central holandês, de quem muito se espera, Jairo Riedewald, sendo que em termos de saídas, pouco podemos falar sem ser de Mandanda, tendo ainda Wayne Hennessey para o substituir. Com um plantel onde podemos observar tanto a experiência como a juventude, os eagles tentarão realizar uma temporada que não lhes dê muitos problemas quanto à manutenção e distanciar-se o mais cedo possível disso. Para isso o novo timoneiro Frank De Boer irá apoiar-se nas suas maiores figuras, os habilidosos e rápidos extremos Wilfried Zaha e Andros Townsend, o experiente francês Yohan Cabaye e o potente goleador belga Christian Benteke.

 

A aflitiva luta pela permanência! E pelos milhões! (15º ao 20º)

 A luta pela permanência é muito provavelmente a mais entusiasmante luta da liga inglesa, até mais que a luta pelo título. A paixão sentida naquelas jornadas finais cativam o mais desligado adepto, e as reviravoltas e mudanças de cenário acontecem a toda a hora. A juntar aos três novos primodivisionários, juntamos nesta luta o Bournemouth, o Burnley e os galeses do Swansea.

Os swans não são um habitué nestas posições, no entanto o seu plantel tem vindo a decrescer de qualidade. A defesa não tem a qualidade de outrora, tanto a nível central como lateral, pois Rangel parece envelhecido e não há um patrão no centro (será Alfie Mawson?). O meio campo, pese a contratação do brilhante espanhol Roque Mesa( é muito forte no passe e na pressão, um medio completíssimo), poderá ficar seriamente enfraquecido se o islandês Sigurdsson sair para o Everton. No ataque, Jefferson Montero é muito inconstante, Dyer e Routledge parecem ultrapassados, e Luciano Narsigh não se impôs desde que chegou em Janeiro. Conseguirá Fernando Llorente marcar golos suficientes para salvar novamente o Swansea? Contará para isso com a ajuda de Tammy Abraham, jovem prodígio cedido pelo Chelsea.

O Burnley possui novamente um dos planteis mais fracos da Premier League, mas isso não impediu a turma de Sean Dyche de se manter na primeira divisão. O fator casa será fundamental, uma vez que a época passada a equipa fez 33 dos seus 40 pontos no Turf Moor. Os reforços para esta época são poucos, destacando-se Phil Bardsley e Jonathan Walters vindos do Stoke. As principais figuras são o guarda-redes internacional inglês Tom Heaton, o ex-Porto Steven Defour, os irlandeses Robbie Brady e Jeff Hendrick e o talentoso avançado Andre Gray.

Fernando Llorente e Jeff Hendrick vão ser fundamentais nas suas equipas

Outra das equipas que começa o campeonato com um dos planteis mais fracos na teoria é o Bournemouth. A equipa orientada por Eddie Howe, talvez o mais promissor técnico inglês do momento, tem muitas limitações, com exceção do ataque onde existem nomes como Callum Wilson, Joshua King, Max Gradel, Ryan Fraser e o veterano goleador Jermaine Defoe contratado ao Sunderland. No meio campo a equipa sentirá falta de Jack Wilshere, que regressou ao Arsenal, cabendo a Harry Arter e ao jovem talento Lewis Cook, de quem muito se espera, assumirem-se como motores do meio campo. Na defesa, dois belos reforços poderão fazer crescer a equipa, o holandês Nathan Aké chegou proveniente do Chelsea, bem como o guardião bósnio Asmir Begovic, duas das contratações mais caras da turma do sudoeste inglês.

Quanto às equipas que subiram, o Newcastle tanto pode fazer um campeonato a lutar por lugares mais cimeiros como pode ver-se aflito. O plantel tem lacunas, como as alas do ataque, o centro e a lateral esquerda da defesa e o meio campo defensivo. Estas falhas deverão ainda ser colmatadas com uma ida ao mercado, mas a presença de jogadores como Jonjo Shelvey, Ayoze Pérez, Aleksandar Mitrovic e Chancel Mbemba que são jogadores de grande nível podem deixar Rafael Benítez dormir melhor. Os principais reforços ate ao momento são Florian Lejeune, Javier Manquillo e Jacob Murphy, este último um dos destaques no último europeu de sub 21.

Brighton e Huddersfield terão muitas dificuldades para garantir a permanência. Os primeiros mantém uma base da época passada, à qual juntam bons reforços como o guarda-redes Mathew Ryan, a contratação mais cara do clube, e os dois jogadores provenientes do Ingolstadt da Alemanha, o austríaco Markus Suttner e o alemão Pascal Gross, melhor jogador dos alemães na época passada. O melhor jogador do Championship do ano passado, Anthony Knockaert é um dos jogadores a seguir nesta equipa, que tenta ainda juntar ao melhor jogador do Championship, o melhor goleador, Chris Wood do Leeds.

O Huddersfield tem contratado vários jogadores de modo a rechear a equipa de qualidade para tentar a permanência. Naquela que é a estreia desta formação, o destaques da equipa são os reforços Jonas Lossl e Zanka Jorgensen, guarda redes e central dinamarqueses, Aaron Mooy, médio australiano que chega em definitivo após uma época emprestado pelo Manchester City, o talentoso extremo Tom Ince e os avançados Steve Mounié, contratado ao Montpellier, e Laurent Depoitre, adquirido ao Porto. Apesar de todos estes nomes, o plantel é limitado e a tarefa é árdua, sendo provável a descida de uma equipa tão inexperiente.

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Huddersfield e Newcastle chegam do Championship e vão tentar permanecer entre os grandes

O melhor campeonato do mundo começa já no próximo fim de semana, e como podemos constatar, há desafios para todos os gostos. A luta vai ser acesa em todas as partes da tabela, e mal podemos esperar para que a bola comece a rolar. Bring it lads!

Previsão Fair Play

Campeão: Chelsea

Melhor Jogador: Eden Hazard (Chelsea)

Melhor Marcador: Romelu Lukaku (Manchester United)

Melhor Jovem: Dele Alli (Tottenham)

Jogador Revelação: Sandro Ramírez (Everton)

Equipa Revelação: Watford

Jogador Desilusão: Alvaro Morata

Equipas Desilusão: Newcastle e Arsenal

 

 

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João NegreiraJulho 29, 20176min0

O mercado de transferências em Inglaterra continua bastante agitado e, consecutivamente, os clubes ingleses continuam a comprar jogadores por quantias exorbitantes, e algumas até injustificáveis. Desta feita, analisamos os negócios de Bakayoko para o Chelsea e de Mendy e de Danilo para o Manchester City.

Tiémoué Bakayoko

Começando pelo campeão em título, o Chelsea, que comprou ao Monaco, Tiémoué Bakayoko. O médio defensivo francês com dupla nacionalidade atuou 51 vezes na época passada pelo clube monegasca e fez uma temporada que encheu os olhos aos responsáveis do Chelsea que acabaram por dar 40 milhões de euros pelo jogador.

Que a qualidade que o jogador tem é inegável, não se questiona, mas o que mais poderá oferecer ao seu novo clube tendo em conta que já lá estão jogadores para a sua posição que fizeram uma excelente época 2016/2017? A verdade é que Kanté e Matic (apesar deste último poder estar na porta de saída) partem em melhores posições para o onze inicial do Chelsea para a nova temporada, até porque é um clube e país novos para Bakayoko, tendo ainda que assimilar as ideias do seu novo treinador. E mesmo estando Matic na porta de saída, ou não, terá sido prudente comprar um jogador por 40 milhões de euros e talvez ter que deixá-lo no banco durante grande parte da temporada? Estes 3 médios mais centrais do Chelsea, terão, à partida, um papel mais defensivo no sistema de Conte, a não ser que um destes possa fazer o papel de Fabregas. Resta esperar para ver o que Conte quererá fazer e que papéis poderão desempenhar esses jogadores.

Quanto ao Monaco, que já vendeu 4 dos seus habituais titulares da época passada, Bernardo Silva, Germain, Bakayoko e Mendy, (falaremos deste último mais à frente) podemos afirmar que será nitidamente difícil suprir as saídas de todos estes jogadores. Mas a saída do médio defensivo francês parece já ter sido colmatada, com a compra de Tielemans, que poderá fazer recuar Fabinho no terreno de jogo, mas também com a compra de Soualiho Meïté, com características semelhantes às de Bakayoko.

Tiémoué Bakayoko, com a camisola do seu novo clube, o Chelsea (Foto: Site – Chelsea)

 

Benjamin Mendy

O lateral esquerdo francês de 23 anos, também ele com dupla nacionalidade, acaba de se tornar o defesa mais caro da história, tendo custado aos cofres dos citizens cerca de 57 milhões de euros.

Após as saídas de Kolarov e de Clichy, era necessário comprar um lateral esquerdo que rendesse a nível desportivo no presente. Posto isto, os responsáveis do clube de Manchester voltaram ao Monaco (depois de já terem comprado Bernardo Silva por 50 milhões de euros) e adquiriram o jogador. Este lateral esquerdo de origem, também pode jogar como médio esquerdo, sendo que após o jogo de preparação com o Real Madrid, conseguimos verificar que Guardiola poderá estar a preparar um novo sistema tático, em que o jogador encaixa nessa outra posição; não obstante o jogador ainda não somou quaisquer minutos com a camisola do City nesta pré-temporada. Apesar disso, o jogador parece ser o mais preparado para jogar no lado esquerdo mais defensivo, seja com 3 ou com 2 centrais atrás de si. A verdade é que na época que passou, Mendy foi peça importante na formação de Leonardo Jardim, sendo ele um defesa lateral bastante atacante, influenciando imenso o jogo ofensivo da equipa.

Falamos outra vez de uma saída do Monaco, e há que referir que neste defeso os citizens pagaram cerca de 110 milhões de euros (pasme-se) por 2 jogadores monegascas. Contrastando com a situação de Bakayoko, o caso de Mendy parece-me ainda um pouco atrasado, pois o substituto natural será Jorge que fez apenas 5 jogos com a camisola do Monaco na época passada, não me parecendo também capaz de desempenhar e de render o mesmo que Mendy. A outra hipótese será Terrence Kongolo, defesa central que pode também jogar a lateral esquerdo, comprado ao Feyenoord por 15 milhões de euros, sendo que um defesa central de raiz a jogar a lateral esquerdo, nunca poderá ter o mesmo impacto ofensivamente como um lateral esquerdo de origem.

Mendy, já com as cores do seu novo clube, o Manchester City (Foto – Site – Manchester City)

 

Danilo

O lateral direito brasileiro de 26 anos, ex- Porto e Real Madrid foi transferido para o Manchester City que pagou por ele cerca de 30 milhões de euros. Após a sua saída para os madrilenos nunca chegou a jogar tanto tempo como nos azuis e brancos, e tem, aqui uma nova oportunidade para se mostrar ao mesmo nível do que se mostrou quando estava em Portugal.

Do lado direito da defesa saiu Pablo Zabaleta, o titular indiscutível, obrigando assim os citizens a contratar, mais uma vez, para o presente. Kyle Walker foi contratado por 51 milhões de euros e parece ser o escolhido para ocupar o lugar da lateral direita, tendo ainda a concorrência de Danilo que também pode jogar como lateral esquerdo. No jogo amigável, há pouco referido com o campeão espanhol, jogou Danilo como médio esquerdo, pois estando Guardiola a preparar um sistema diferente, o brasileiro pode ser uma mais valia, sendo que pode jogar nos dois lados do campo, tendo até afirmado que não estava preocupado em que posição iria jogar, mas sim se iria jogar. O jogador já jogou a alto nível numa das melhores equipas do mundo, tendo já uma vasta experiência de Champions, o que pode jogar a seu favor. No entanto, o jogador não aparenta poder ser o titular de qualquer uma das alas da equipa inglesa, sendo, apesar disso, uma opção muito viável a Mendy e a Walker.

O Real Madrid, perdeu o seu segundo lateral, sendo que tem Carvajal para a lateral direita e Marcelo para a esquerda. Assim, o clube espanhol vendeu o jogador pela mesma quantia que o comprou e o jogador não era indiscutível na equipa; um negócio razoável, tendo em conta os dois anos de salário do jogador. Pois na verdade, o campeão espanhol não terá urgência em contratar alguém para substituir Danilo, recebendo uma boa quantia por ele.

Danilo, a assinar contrato, vestido à Manchester City (Foto: Site – Manchester City)

 

A Premier League é a melhor liga do mundo e, por conseguinte, a mais competitiva. E é sempre difícil para um jogador vir para Inglaterra e afirmar-se na sua primeira época, mas, pelos valores monetários apresentados e pelo valor desportivo que estes 3 jogadores já nos habituaram, a expectativa é grande. Resta aos jogadores compreenderem o que os seus treinadores querem deles e dar em campo o seu melhor.

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Ruben CardosoJulho 27, 20176min0

À porta de mais uma época de Premier League, permanece uma nuvem de incerteza acerca do futuro competitivo e da sustentabilidade do projecto Arsenal. O Fairplay analisa alguns dos aspectos decisivos para a próxima temporada, uma em que os gunners, pela primeira vez desde 2000, não estarão presentes na Liga dos Campeões.

Arsène Wenger é um nome mítico para qualquer adepto do Arsenal. Tem hoje em dia a honra de ser o técnico há mais tempo à frente do mesmo clube na Premier League (tendo ultrapassado Sir Alex Ferguson), continua a ser um treinador intimamente ligado à cultura do clube, e é um homem que, para além de tudo, tem a sua filosofia muito orientada e consciente naquilo que pretende dos seus jogadores e do planeamento da época. No entanto, esta mesma percepção acerca do planeamento continua a custar, ano após ano, competitividade para o clube, que com o passar do tempo tem perdido o seu lugar nos holofotes da luta pelo título da Premier League – para além de sucessivas eliminações na Liga dos Campeões nos oitavos-de-final.

A táctica vencedora?

Já perto do final da época em Inglaterra, Wenger tomou uma decisão drástica, que causou algum choque na crítica e nos próprios adeptos, após uma sucessão de maus resultados, e de ainda piores exibições: a aposta num modelo de 3 centrais, num esquema algo similar aquele que Conte implementou no Chelsea. Não é a primeira vez que o técnico francês experimenta este modelo, no entanto, o timing para o fazer suscitou dúvidas. Sendo certo que a equipa estava em claro declínio exibicional e emocional, seria sensato apostar um esquema com o qual a maioria dos jogadores não está familiarizada?

Foto: BBC

Esta aposta surgiu após uma embaraçosa derrota com o Crystal Palace por 3-0, naquele que foi o quarto desaire consecutivo fora de portas. E o primeiro teste seria de fogo, frente ao Manchester City, num jogo a contar para a FA Cup (isto já depois de ter vencido o Middlesbrough na primeira experiência em 3x4x3). Não só o Arsenal venceu os citizens como rubricou nesse jogo uma das melhores exibições da época. Daí até ao fim da temporada, Wenger manteve o sistema, trazendo ao de cima o melhor de alguns jogadores como Chamberlain, Xhaka ou Monreal, elementos que tiveram épocas abaixo do que seria expectável.

Em 2017, prevê-se que a aposta seja para continuar, mas ainda existem algumas dúvidas, principalmente na defesa – apenas Koscielny e Mustafi se apresentam como alternativas claramente viáveis, para além do jovem Holding que surpreendeu na sua primeira época na Premier League -, e claro, na manutenção de Alexis como a alma da equipa e o jogador mais importante de um clube quase à deriva, que urge por títulos. O Arsenal continua a mostrar-se pouco activo no mercado de transferências – um assunto que desenvolveremos mais à frente.

Enfim, fora da Champions

Pela primeira vez em 17 anos, o Arsenal não vai estar presente na fase de grupos da Liga dos Campeões. Um dos maiores argumentos para a defesa de que a carreira de Wenger à frente do clube não é tão pálida como se julga é o facto de o francês ter colocado o clube na rota da Europa – apesar de só ter passado dos quartos-de-final 2 vezes neste período de tempo. E este é um factor que toma um peso particularmente importante, não apenas para as finanças do clube, mas como para a sua sobrevivência competitiva.

Não é estranho o facto de existirem enormes jogadores arredados da prova maior do futebol mundial a nível de clubes, porque os seus clubes não reúnem os meios necessários para alcançar a prova. No entanto, este não é o caso do Arsenal, que sendo um dos mais ricos clubes do mundo, tem toda a estrutura e mecanismos para construir um plantel competitivo e que deveria estar sempre presente na Liga dos Campeões. Este pode ser um dos principais problemas na óptica de manter os maiores activos do clube satisfeitos – nomeadamente Alexis Sanchéz, que termina o seu contrato com o clube em 2018 – , mas também para atrair novos reforços, pois deixa de existir o incentivo da montra da Champions.

Mais uma eliminação pesada na Champions, pela mão do Bayern. Foto: UEFA

Problemas de defeso

Neste defeso absolutamente louco, que já viu transferências como a de Lukaku para o Manchester United ou de Mendy para o City, o Arsenal mantém a postura que tem sido habitual nos últimos longos anos: muito pouco activo no mercado, e apenas a fazer contratações de “oportunidade”. Quando esta realidade é confrontada com o facto de só o United em Lukaku ter gasto mais do que o Arsenal neste defeso, comprova-se que continua algo errado no reino dos gunners. Não tanto pelas somas investidas, pois essas são refém da flutuação do mercado, mas pela aparente inoperatividade dos responsáveis do clube, quando existem claras lacunas em praticamente todos os sectores da equipa.

Um dos casos mais claros, porém, foi resolvido: o namoro antigo entre Wenger e Lacazzette finalmente deu em casamento, com o ponta-de-lança francês a chegar para trazer um dos aspectos que tem estado em claro défice no Arsenal – golos, golos, golos. Lacazzette marcou muitos pelo Lyon, e sendo um jogador com uma panóplia de recursos à sua disposição, pode continuar a fazê-lo na Premier League. O outro reforço foi Sead Kolasinac, que chega a custo zero depois do seu vínculo contratual com o Schalke ter terminado em Junho último. Um lateral que tem todas as condições para vingar em Inglaterra, e que pode significar a fixação de Monreal no eixo defensivo, onde já fui utilizado no final da temporada.

No entanto, continua a saber a pouco, principalmente quando é sabido que o Arsenal é um clube com imensos recursos financeiros à sua disposição, e que caso Wenger assim o quisesse, poderia investir bem mais no reforço da equipa. Já foram falados nomes como Mbappé, Lemar, Matic, Seri ou Mahrez, mas a verdade é que chegaram ao Emirates apenas dois jogadores, num plantel a pedir desesperadamente elementos de classe mundial para poder voltar a sonhar com a conquista do campeonato. Enquanto este obstáculo não sair da frente, será uma tarefa hercúlea para os gunners poderem ombrear com os adversários, sendo que a maior quota da responsabilidade deverá ser imputada a quem toma as rédeas de todo o futebol do clube, na pessoa de Arsène Wenger. O fim da linha nunca esteve tão próximo para o francês, que pode ter este ano a sua derradeira oportunidade de voltar a fazer história pelo clube londrino.

Lacazzette, a contratação mais sonante do defeso gunner. Foto: arsenal.com

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Rafael RibeiroFevereiro 18, 20178min1

Da Vila Peri para Manchester. Das categorias de base do Palmeiras para a titularidade do Manchester City. De aposta de Oswaldo de Oliveira, à alento de Pep Guardiola. Como Jesus encantou palmeirenses, brasileiros, ingleses e amantes do futebol como um todo?

Com carisma, humildade e muita bola, Gabriel Fernando de Jesus se consolida entre jovens jogadores com potencial para serem protagonistas na Europa e em suas seleções. Ainda que todos respirem fundo aguardando notícias sobre sua mais recente lesão (uma fratura no pé direito), é possível acreditar que ainda veremos muitos feitos do jogador pelo City e pelo Brasil.

O início

Na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2015, o Palmeiras e sua torcida estavam diante de uma promessa a ser consolidada, Despontava para o futebol brasileiro, o menino Jesus. 1,75m de altura, 17 anos à época, e 5 gols em 6 jogos na competição. Menos conhecido para os outros, que ainda não voltavam os olhos ao garoto da base, que tinha feito 16 gols no Campeonato Paulista sub-17 de 2013 e incríveis 37 gols em 22 jogos do Paulista sub-17 do ano seguinte, artilheiro em ambos, sendo este último número recorde da competição.

Fato é que a ascensão de Gabriel Jesus veio a calhar. No período em que brilhava pelas categorias de base, o time principal penava para se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Já em 2015, bancado pelo técnico Oswaldo de Oliveira no time principal, fez seu primeiro jogo no Campeonato Paulista, contra o Bragantino, em vitória por 1 a 0. Entrou aos 24 minutos do 2º tempo, já com a torcida gritando por seu nome.

Após boas aparições no campeonato nacional que iniciara, fez seu primeiro gol profissional pela Copa do Brasil,  numa vitória também por 1 a 0 contra o ASA de Alagoas, em 15 de julho de 2015. Copa que ganharia ao final do ano,  numa final contra o Santos de Gabriel Barbosa, o Gabigol (o Fair Play já sabia qual dos dois era o melhor), e Lucas Lima, sendo este seu primeiro título profissional. Destoando das inconstantes apresentações do Palmeiras no Brasileirão, o clube foi bem na competição que Gabriel Jesus ajudara a conquistar, com três gols e uma assistência.

Golaço de Jesus contra o Cruzeiro, nas oitavas de final da Copa do Brasil. (Fonte: Giphy)

Jesus seguia firme em sua ascensão. E o ano de 2016 foi divino, individual e coletivamente. O Palmeiras espantou a má fase, acertou em pontos importantes fora de campo, como a boa administração do Presidente e torcedor Paulo Nobre, a consolidação de uma arena que continua atraindo bons públicos (e consequentemente boa renda) e junto com um dos maiores investimentos em patrocínio do país. Dentro de campo, o camisa 33 fazia seu segundo campeonato Paulista profissional, anotando cinco gols em 12 jogos, e mesmo sem o título, os torcedores já tinham uma canção a entoar: “Glória glória aleluia, é o Gabriel Jesus!”.

O Campeonato Brasileiro

Na estreia do Brasileirão 2016, um início arrasador. Vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-PR, dois destes gols anotados por Gabriel Jesus. E aos poucos os adversários iam sofrendo na mão (ou pés) do atacante que, se não devidamente apresentado na temporada anterior, desta vez driblava desconfianças e zagueiros, corria de repórteres e marcações, e mostrava um futebol vertical, objetivo, livre de manias, mas cheio de habilidades. Outros dois jogos de destaque do Gabriel Jesus nesta campanha de título palmeirense foram na 12ª e 22ª rodadas do Brasileirão:

Contra o Figueirense, em vitória por 4 a 0, com dois gols do menino, Jesus ficou com a artilharia isolada do campeonato no momento (já com nove gols), mantendo 100% de aproveitamento do time como mandante, e deixando o time na liderança isolada do Brasileirão; e contra o Fluminense, uma vitória por 2 a 0 fora de casa. Este jogo marcou o retorno de Gabriel Jesus após o ouro olímpico, (o qual falaremos em breve). Mesmo sem marcar, foi um dos melhores em campo, em partida onde foi extremamente caçado, curiosamente saindo com sua chuteira rasgada por um carrinho adversário.

Um detalhe bastante comentado a partir de então foi que Gabriel Jesus já havia sido comprado pelo Manchester City, em 2 de Agosto, e ainda assim deu o máximo que podia em campo até o final do campeonato, não “tirou o pé” em nenhuma dividida, e mesmo sendo menos eficaz que no primeiro semestre, foi fundamental na conquista do campeonato brasileiro, terminando a competição com 12 gols.

Gabriel foi eleito o craque do Brasileirão. (Foto: Youtube)

O ouro olímpico inédito

Após dois empates em 0 a 0 nas duas primeiras rodadas da fase de grupos da competição, o sentimento não era de muito entusiasmo. Individualmente destaques em seus clubes, coletivamente o Brasil não empolgava. Precisando de um resultado positivo para avançar as quartas, o Brasil reagiu bem, e Gabriel Jesus desencantou.Aberto pela esquerda, executou tais qualidades citadas anteriormente, e guardou um gol na goleada de 4 a 0 sobre a Dinamarca, pela última rodada da fase de grupos. Voltou a brilhar já na meia final, contra Honduras, num passeio da seleção brasileira, 6 a 0, com direito a dois gols de Jesus, substituído sob aplausos por Felipe Anderson.

O segundo golo de Jesus contra Honduras (Fonte: Giphy)

Na final, contra a Alemanha, após muita aplicação tática, cobrindo espaços, tenso como os companheiros, viu o cansaço tomar conta de suas pernas na prorrogação. Sorte é que pôde comemorar a vitória nos pênaltis por 5 a 4, e colocar no peito uma medalha que, para os jogadores, foi resposta à críticas de pessimistas.

Welcome to Manchester, Gabriel Jesus!

Para completar sua escalada na carreira, Jesus escolheu o Manchester City para o próximo passo e muitos ainda analisam o que foram as primeiras apresentações de Jesus pela equipe. Nem os mais otimistas cravariam que o jogador rapidamente seria titular e goleador do time, ainda que soubessem que isso seria uma questão de tempo. Mas, quanto tempo? Exatamente 13 minutos:

21 de Janeiro – vs Tottenham – Premier League:

Entrou aos 37 minutos do 2º tempo, substituindo Sterling. Na primeira jogada, uma cabeçada muito próxima do gol. Na segunda, uma arrancada pela esquerda, recebendo um cruzamento rasteiro, e o gol. A glória. Segundos mágicos, interrompidos pela sinalização de fora de jogo. O jogo continuara 2 a 2, e a tal glória fora adiada. Mas a impressão? Das melhores, suficientes para ganhar a titularidade no jogo seguinte.

28 de Janeiro – vs Crystal Palace – Copa da Inglaterra:

Titular,  atuando durante os 90 minutos, Jesus obteve a rápida redenção que lhe cabia. Uma bela assistência para Sterling marcar o primeiro, e depois sofrendo falta para Yaya Touré marcar o terceiro, Gabriel Jesus foi saudado com a chuva de Manchester; eram as boas vindas.

1 de Fevereiro – vs West Ham – Premier League:

Titular pela primeira vez na Premier League, na vitória por 4 a 0 fora de casa, Jesus comandou o time, deu assistência para De Bruyne aos 16 do 1º tempo, e fez seu primeiro gol aos 38 após assistência de Sterling. As câmeras não sabiam se focavam no sorriso de Guardiola, ou no olhar incrédulo de Aguero (do banco de reservas). O técnico tentou minimizar qualquer polêmica colocando Aguero para jogar junto com o brasileiro, deslocando-o para a ponta esquerda. Fim de papo, e o brasileiro caía de vez nas graças dos citizens.

5 de Fevereiro – vs Swansea City – Premier League:

Não contente com um gol e uma assistência, Jesus resolveu logo marcar dois na mesma partida, e garantir a vitória por 2 a 1 em casa. Um dos gols aos 11 do 1º tempo, e outro já nos acréscimos. Se a torcida do Palmeiras já havia criado música para o menino, os citizens não ficaram atrás: “Gabriel Jesus! Eu acho que vocês não entendem! Ele é o número 33, ele é melhor que o Rooney, nós temos Gabriel Jesus!”

E agora?

Depois dos “milagres” contados aqui, fica a nota de pesar. Gabriel Jesus foi substituído logo aos 14 minutos do 1º tempo do jogo contra o Bournemouth, em 13 de Fevereiro, após sentir uma lesão. Exames confirmariam uma fratura no quinto metatarso do pé direito. Após uma estimativa de 3 meses parado, perdendo jogos da Champions League e Eliminatórias da Copa de 2018, Gabriel Jesus foi a Barcelona se consultar com um médico indicado por Guardiola, e já foi rapidamente operado. A tentativa é diminuir ao máximo o tempo de recuperação, para quem sabe 8 semanas. Guardiola sabe que, se quiser brigar por título ainda nesta temporada, só Jesus salvará. Pelo bem do futebol, rezemos por uma rápida recuperação.

Gabriel e a esperança de uma boa recuperação. (Foto: Divulgação/Facebook Manchester City)


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