21 Out, 2017

Arquivo de Sporting - Fair Play

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Bruno DiasSetembro 13, 20175min0

Chegou da Argentina com o rótulo de “melhor jogador do campeonato”. Por cá, as primeiras impressões foram positivas. Quão importante pode Marcos Acuña ser para o Sporting esta época?

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José DuarteJulho 25, 20177min0

Jorge Jesus e o Sporting Clube de Portugal procuram redenção em 2017/2018, com novas apostas, mais contratações e outras ideias. Mas como está a decorrer a pré-época para os “leões” e que problemas subsistem no seio da equipa.

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar.

Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Doumbia, nova companhia para Bas Dost (imagem Sporting CP)

Defesa nova, problemas velhos

À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade…) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos “autorizados” a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independentemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola – o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos – a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário.  

Bruno Fernandes a contratação mais consensual (Foto: Sporting CP)

Médios que para já só parecem… médios

Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um “6” ou um “8”, não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o “6” que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados

Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder

Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior – muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o título de verdadeiros reforços – pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se a ideia se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.

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João NegreiraJulho 23, 20177min0

Após a época 2016/2017 que resultou no Tetracampeonato do Benfica, com 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, o Porto, e o dobro para o 3º classificado, o Sporting, são altas as expectativas para a época que se avizinha. Conseguirá o Benfica revalidar o seu título, mesmo perdendo 3 das suas peças basilares da defesa? Será Sérgio Conceição o treinador ideal e capaz de retornar o Futebol Clube do Porto aos títulos? Vai ser desta que Jorge Jesus conseguirá levar o Sporting Clube de Portugal ao topo do futebol português? Que mudanças poderão haver nos 3 grandes?

SL Benfica

Rui Vitória vai tentar manter o Benfica a ganhar títulos [Fonte: Mais Futebol]
 

Começando pelos encarnados, que conquistaram o inédito “Tetra” na passada época, e viram sair Ederson, o titular indiscutível da baliza das águias, Lindelof, o homem que jogou a época inteira ao lado de Luisão, e Nélson Semedo, o menino da formação que chegou, viu e (con)venceu. Apesar da belíssima quantia que o Benfica recebeu por estes jogadores,  o contributo desportivo que deram não pode ser descurado, sendo que taticamente eram imprescindíveis e, por conseguinte, difíceis de substituir. Posto isto, e tendo já feito alguns amigáveis que demonstraram o pior cenário, se o Benfica quiser manter o título e continuar a sonhar na Europa, tem que ir ao mercado. Júlio César é bom, mas só bom, e não é Ederson, nem entre os postes, nem fora deles. Pedro Pereira, para já o candidato número 1 para a ala direita, apresenta-se com pouco ritmo de jogo e também com pouca confiança, não podendo, assim, ser o titular do Tetracampeão. Jardel, é o que já nos mostrou em épocas passadas, mas uma dupla Luisão-Jardel não convence, não só pela idade mas também pelo contributo que não poderão dar nem tecnica, nem taticamente. Vindos da formação, Diogo Gonçalves é aquele que mais parece estar preparado para ficar no plantel, sendo ele o que mais deu nas vistas. João Carvalho, Rúben Dias e Buta ficarão na expectativa para poder lutar por um lugar. Falando de reforços, apenas se mostra a olhos vistos Seferovic, que pode, e muito bem, tirar a titularidade a Mitroglou. Krovinovic poderia ser peça importante, mas a lesão atrasou a sua preparação e poderá sofrer com isso. Arango, Willock e Chrien são jovens estrangeiros que ainda se estão a adaptar a um país, cultura e clube novos, por isso só o tempo e Rui Vitória, dirão se ficarão ou não no plantel. Taticamente, o mister, prometeu novidades, mas nestes jogos de preparação ainda apareceu um Benfica muito igual ao da época transata, à imagem daquilo que Rui Vitória implantou quando chegou. Finalizando assim como começado o “separador” das águias, é preciso comprar jogadores à altura para suprir as saídas, porque em “casa” o Benfica não tem substitutos à altura.

FC Porto

Sergio Conceição, chega para ser já campeão, terá sido ele a escolha certa? [Fonte: O Jogo]
 

Na época que se aproxima vamos contar com um Porto condicionado pelo Fair Play Financeiro e assim, obrigado a vender muito e a comprar pouco ou nada. Portanto, a mudança maior será na voz de comando do balneário, o treinador, é ele Sérgio Conceição, que fez um excelente trabalho em França, no Nantes. Pinto da Costa foi, então, obrigado a vender e vendeu André Silva, Rúben Neves e Depoitre. Destes, foi André Silva que mais se destacou na época passada, marcando 21 golos ao serviço dos azuis e brancos. Realça-se ainda Diogo Jota, que regressou ao Atlético de Madrid. No plantel, as caras novas que iremos ver são os “Regressados” e Vaná (mais um Guarda Redes?; Fair Play Financeiro?), e desses destacam-se, obviamente, Aboubakar que pode ser o substituto ideal de André Silva, e Ricardo Pereira que, pelo que já demonstrou nos jogos amigáveis dos dragões, veio muito mais maduro a todos os níveis. O Porto beneficiaria se jogasse num 433, com o camaronês como referência ofensiva; tendo muita gente no meio, conseguiria ter sempre o controlo do jogo e muita posse de bola, e ainda teria vantagem quando jogasse com os seus adversários diretos, que jogam ambos num 442. Nos jogos de preparação, apareceu um Porto defensivamente coeso e sólido, à imagem da época passada. Ofensivamente ainda parecem existem arestas a limar. Ainda é cedo e é preciso dar tempo aos jogadores para se adaptarem às ideias do novo treinador. Não obstante, já foi possível ver um Porto muito pressionante, a lutar muito pela bola, com muita raça, mesmo como Sérgio Conceição gosta que os seus jogadores sejam. E é isso mesmo que o Porto precisa, de dar um grito de revolta e de voltar a ganhar títulos, começando no balneário, com o homem que comanda as tropas, que tem que ser o porta-voz dos azuis e brancos. S. Conceição é um treinador competente e é possível que possamos ver já esta época o melhor do mesmo.

Sporting CP

Será este o ano de afirmação de JJ no Sporting? [Fonte: Mais Futebol]
 

Vai começar a 3ª época de Jorge Jesus no comando do Sporting, tendo apenas ganho 1 Supertaça. A expectativa é, no entanto, grande, até porque este ano o Sporting já fez muitas mexidas no plantel. Vendeu Paulo Oliveira e Rúben Semedo, e Douglas, Schelotto e Zeegelaar já não contam; foi uma defesa inteira, portanto. Chegaram também muitas caras novas, causando grande expectativa nos adeptos, principalmente para com a entrada de Bruno Fernandes, que tanto pode fazer uma época fantástica como pode ficar no banco a temporada inteira, de Fábio Coentrão, que se não for afetado por lesões pode voltar ao nível que já nos habituou, de Mathieu, pois vindo de um Barcelona pode ser uma mais valia com a sua experiência europeia, e de Doumbia, que pode ser o parceiro ideal para Bas Dost. Falando ainda de Battaglia, Mattheus O. e de Jonathan Silva, podem vir a ser importantes tendo em conta a longa época que vamos ter. Não esquecendo Piccini que é o candidato número 1 para a ala direita depois da saída de Schelotto, mas não pela imensa qualidade que poderá já ter mostrado, mas pelo facto de não haver mais nenhum concorrente a fazer-lhe frente. Taticamente, pelos jogos de preparação, Jorge Jesus está a preparar um sistema novo para além do 442. Será qualquer coisa com apenas 3 defesas, estando entre um 352 ou um 343. A preferência, no entanto, deveria centrar-se num 352, pois poderá ser aquele que é mais adequado ao plantel e às necessidades do Sporting, podendo talvez penalizar os extremos e aquele que é, provavelmente, o melhor jogador, Gelson Martins. O 343 contará com extremos, mas Bruno Fernandes será relegado para o banco e Doumbia jogará fora de posição. Será um sistema diferente daqueles a que estamos habituados, mas será interessante ver se será ou não a primeira opção de Jesus ou até contra que adversários irá utilizar este sistema.

Estamos ainda em fase de preparação, e as caras novas ainda se estão a adaptar, mas algumas poderão fazer a diferença já esta época para as suas equipas. Será, como é sempre, um campeonato bastante competitivo entre estes 3, sendo que cada vez mais se quer e espera que os clubes portugueses se intrometam entre os grande da Europa.

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Ruben CardosoJulho 12, 20176min0

A contratação de Fábio Coentrão por parte do Sporting foi, provavelmente, a que mais celeuma e discussão criou no defeso nacional até ao momento. O Fairplay analisa aquela que é uma aquisição de alto risco por parte dos leões, mas que também pode significar o fim de um dos maiores problemas do Sporting nos últimos anos.

Fábio Alexandre Silva Coentrão. 28 anos. Lateral-esquerdo internacional português, natural de Vila do Conde. Na altura em que chegou ao Benfica, oriundo do clube vilacondense, Coentrão era um extremo puro de linha, que tinha no seu arsenal características como a velocidade e uma capacidade de cruzamento capazes de desequilibrar. No entanto, estas características, por si só, não seriam suficientes para vingar num contexto competitivo como é o do clube da Luz. A solução encontrada foram alguns empréstimos em Portugal e Espanha, sendo que o que teve mais sucesso acabou por ser no Nacional da Madeira, onde inclusive marcou dois golos no Estádio do Dragão.

No regresso aos encarnados, para a época 2009/2010, foi encontrada a melhor forma para retirar de Coentrão todo o seu potencial, para que pudesse ser um jogador para ter impacto imediato no Benfica: a sua adaptação ao lado esquerdo da defesa, para se tornar aquilo que chamamos hoje o “lateral moderno”, com muito mais peso a nível ofensivo do que defensivo. Uma alternativa encontrada por Jorge Jesus, que fez com que o homem das Caxinas fosse um elemento absolutamente preponderante na conquista do campeonato, acabando a época com 3 golos e 10 assistências. Apesar de na época seguinte o Benfica não ter conseguido revalidar o título, Coentrão voltou a protagonizar uma excelente época, que lhe valeu uma milionária transferência para o Real Madrid (30 milhões de euros), pela mão de José Mourinho, então treinador dos merengues.

Foi exactamente sob a orientação do técnico português que Coentrão teve a sua melhor época desde que abandonou a Luz. Apesar da presença de um jogador como Marcelo, o internacional português conseguiu afirmar-se nas duas primeiras épocas foi sempre muito utilizado – e muitas vezes como titular -, mas foi na época 2013/2014 que tudo se começou a complicar, e quando as primeiras lesões começaram a aparecer. O empréstimo ao Mónaco parecia uma forma de catapultar a carreira, e o início foi extremamente promissor, mas as lesões voltaram, e até à época passada, Coentrão viveu um autêntico calvário a nível físico. Agora, o desafio que se coloca perante Fábio é o grande rival do clube onde foi mais feliz: o Sporting. Uma hipótese de ouro para o internacional português catapultar os seus últimos anos ao mais alto nível.

Foto: UEFA.com

O Melhor Cenário

Mantendo-se saudável do ponto de vista físico, é completamente indiscutível a qualidade de Fábio Coentrão. É um jogador dinâmico, com grande capacidade ofensiva e de fazer todo o flanco, inteligência para explorar todas as zonas do campo, seja exterior ou interior, características que no contexto do futebol português têm uma influência tremenda naquilo que se pede a um emblema que luta para ser campeão. Coentrão pode encontrar finalmente, com Jorge Jesus, a forma de dar a volta às dificuldades encontradas nos últimos anos, trabalhando com o técnico que fez ele o jogador que é hoje, e um lateral que outrora foi dos melhores do mundo. Até porque há um campeonato do mundo para disputar em 2018, e todos os minutos contam se Fábio quiser ainda alcançar uma grande competição pela equipas das Quinas.

A sua chegada ao Sporting vem, acima de tudo, tentar apagar um problema há muito presente no clube, que é a ausência de soluções que sejam uma verdadeira mais valia no lado esquerdo da defesa. O último a passar com relativo sucesso foi Jefferson, mas desde a segunda metade da época de Marco Silva no comando dos leões que tem caído a pique em termos exibicionais, sendo inclusive este ano emprestado ao Sporting de Braga. Coentrão é, sem ponta de dúvida, o melhor lateral-esquerdo a figurar nas fileiras do Sporting nos últimos largos anos, e só por aí é automaticamente um grande acréscimo de qualidade ao plantel. Até porque há um elemento nos bastidores em Jonathan Silva, que poderá aprender muito com a experiência e o conhecimento do lateral português.

O Pior Cenário

Se Coentrão não conseguir manter índices físicos aceitáveis, e apesar de ser apenas uma contratação para o imediato – visto tratar-se de um empréstimo -, concluirá mais um ano em que o Sporting não consegue ter um elemento de qualidade numa zona importantíssima do terreno, e que tem sido uma das mais problemáticas do sector defensivo leonino. E aqui voltará a soar o alarme da questão dos empréstimos de jogadores que não conseguem tempo de jogo nos seus clubes de origem, e que acabam por ser apenas mais um problema, como foi o caso de Markovic na época passada. Também do ponto de vista desportivo, se Coentrão fizer uma boa época, e ajudar o Sporting a conquistar títulos, será difícilimo (para não dizer impossível) que continue a atuar de verde-e-branco, dado o seu elevado vencimento e o facto de o Real Madrid ainda poder fazer um encaixe financeiro com a sua venda. Deste ponto de vista, trata-se uma solução para o curto prazo, que nada resolve a médio/longo prazo um probema que tem sido recorrente.

Veredito

Não existem muitas dúvidas que o principal ponto de interrogação na contratação de Fábio Coentrão é somente o cepticismo perante a sua condição física. As suas principais características, apesar de algo limitadas não só pelas lesões mas também pela idade, continuam a estar presentes, e é um enorme acréscimo de qualidade e competitividade a um clube sedento de regressar às vitórias. Será talvez a derradeira oportunidade de Coentrão relançar a sua carreira a nível internacional, estando já perto dos 30 anos. Em Junho do próximo ano disputa-se o Campeonato do Mundo, e será certamente com olhos postos na competição que o homem das Caxinas encara o desafio em Alvalade.

Cabe também ao clube leonino fazer a melhor gestão possível de um activo valioso e que pode ser um elemento diferenciador num campeonato como o português, em que a presença de laterais de características claramente ofensivas é decisiva (nos últimos anos, Grimaldo, Alex Telles, Nélson Semedo, ou os próprios Alex Sandro e Danilo são os exemplos mais evidentes) para o sucesso a nível interno. A expectativa é grande no reino do leão, num ano em que é obrigatório voltar a ganhar.

Foto: Público

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Bruno DiasJulho 10, 20177min0

Será obviamente discutível, mas entre os “3 grandes”, o Sporting apresenta-se até este momento como aquele que melhor reforçou o seu plantel no presente mercado de transferências. No entanto, subsistem ainda algumas lacunas no plantel leonino, e o Fair Play aponta aqui 3 possíveis contratações que consolidariam a equipa comandada por Jorge Jesus.

Este mercado de transferências tem sido bastante agitado para o Sporting. Os “leões” já fizeram chegar, para o seu plantel principal, 8 caras novas. Cristiano Piccini, André Pinto, Jérémy Mathieu, Fábio Coentrão, Rodrigo Battaglia, Mattheus Oliveira, Bruno Fernandes e Seydou Doumbia chegaram a Alvalade para reforçar um conjunto que pretende, de forma clara, assumir uma candidatura ao título que foge há já 15 anos.

Não obstante todas estas contratações, ainda há posições onde faltam jogadores de nível para um Sporting campeão, e outras que certamente necessitarão de reforços, caso os “donos” das respectivas posições rumem a outras paragens, face ao forte assédio dos grandes clubes europeus. Aqui, sugerem-se 3 possíveis reforços, para 3 posições distintas. Duas delas de reforço quase obrigatório. A outra, como forma de precaver uma saída há muito anunciada.

 

Okay Yokuslu

Posição: Médio Defensivo (“6”)/Médio-centro (“8”)

Idade: 23 anos (9 de Março de 1994)

Nacionalidade: Turco

Clube: Trabzonspor (Turquia)

A saída de William Carvalho, não sendo ainda um dado adquirido, é mais uma vez altamente provável. O internacional português apresenta já alguns sinais de estagnação no seu desenvolvimento, e o salto para campeonatos mais competitivos é necessário para que possa continuar a almejar atingir todo o seu potencial.

Com a sua saída, o Sporting precisará de ir ao mercado para o substituir. A qualidade do “14” leonino é por demais evidente, e não existem nos quadros do clube jogadores capazes de o substituir já no presente, sem que isso signifique uma drástica perda de qualidade na posição. Nesse sentido, surge Okay Yokuslu. O médio turco, de 23 anos, vem de uma temporada de muito bom nível ao serviço do Trabzonspor, tendo inclusive conquistado a sua oportunidade na selecção A turca.

Dada a sua elevada estampa física (1,91m), poderia pensar-se que Yokuslu é apenas um “destruidor” de jogo. No entanto, é no capítulo ofensivo, e na forma como actua quando a equipa tem a bola, que o turco se destaca. É verdade que, até ao momento, actuou mais como 8 do que como 6, provavelmente pela forma como chega bem à área adversária. Mas é nesta última posição que o futuro parece ser brilhante para um médio que tem na tomada de decisão e na qualidade de passe as suas maiores virtudes. Elegante na forma como pisa o relvado, como joga sempre de cabeça levantada e como toca a bola, seja no passe ou transportando a bola, Yokuslu é capaz de organizar a partir de uma posição mais recuada, e a sua preocupação em criar sempre uma linha de passe para o portador da bola é evidente. Preocupação posicional que se estende, de resto, ao momento defensivo, onde o médio turco sobressai pela forma como lê o jogo e como procura interceptar a bola antes dela chegar ao seu destinatário. No entanto, é também um jogador com bom timing de desarme, e que procura também influenciar o jogo nas bolas paradas, graças à sua altura.

Dada a boa época na Turquia, é um jogador que está claramente valorizado. O seu valor de mercado rondará, provavelmente, os 7M€.

Fágner

Posição: Lateral direito

Idade: 28 anos (11 de Junho de 1989)

Nacionalidade: Brasileiro

Clube: Corinthians (Brasil)

Mesmo sem contar com saídas que se afiguram altamente prováveis (como a de William Carvalho, mas também a de Adrien Silva), a posição de lateral direito continua a ser o “patinho feio” da equipa leonina. Há vários anos que o Sporting não possui um lateral direito ao nível daqueles que actuam nos rivais, e no futebol moderno, essa é uma limitação grave, não só pela questão defensiva, mas também por aquilo que os laterais (não) conseguem oferecer no plano ofensivo do jogo.

Sobejamente conhecido no Brasil (sendo inclusive internacional A brasileiro) e com uma passagem fugaz pela Europa, Fágner leva já várias épocas de rendimento constante e de qualidade. Um dínamo ofensivo, capaz de fazer o corredor direito em alta rotação durante todo o jogo, possui a qualidade técnica e a criatividade tão próprias do jogador brasileiro, conseguindo desembaraçar-se dos seus adversários no 1×1 e actuando como mais um foco de desequilíbrio no ataque. Defensivamente, e apesar da sua baixa estatura (1,68m, algo que pode não agradar a Jorge Jesus), revela-se muito competente nos duelos individuais. Terá talvez algumas limitações em termos posicionais, fruto de uma carreira construída maioritariamente no Brasileirão, que tacticamente se encontra ainda muito longe do futebol europeu. No entanto, se há treinador capaz de corrigir os erros defensivos dos seus jogadores, é sem dúvida Jesus, e a própria maturidade do jogador poderá facilitar essa espécie de “adaptação” à Liga NOS.

Esta seria uma contratação a pensar mais no rendimento desportivo e menos no rendimento financeiro, dado que Fágner já conta com 28 anos. No entanto, resolveria de vez um dos principais problemas da equipa, e num mercado onde o clube leonino parece estar a caminho de realizar um bom encaixe financeiro com as suas vendas, o investimento revelar-se-ia justificado. Estando a cerca de 18 meses do final do seu contrato, acredita-se que o valor de mercado do jogador rondará os 5M€.

Ladislav Krejcí

Posição: Extremo

Idade: 25 anos (5 de Julho de 1992)

Nacionalidade: Checo

Clube: Bolonha (Itália)

Nos últimos dias, têm surgido fortes rumores a ligar Gonzalo “Pity” Martínez – do River Plate – e Marcos Acuña – do Racing Club – ao Sporting. Aliados aos rumores das possíveis saídas de Bryan Ruíz (a título definitivo) e Matheus Pereira (por empréstimo), parece seguro afirmar-se que Jorge Jesus procura um novo extremo esquerdino para a sua equipa. No entanto, do que é possível perceber, tanto Martínez como Acuña parecem ser alvos de um custo bastante elevado.

Ladislav Krejcí surge aqui como uma opção potencialmente mais barata, mas que ainda assim possui bastante qualidade, bem como o perfil que Jesus normalmente procura nos seus extremos. Contratado há um ano atrás pelo Bolonha ao Sparta Praga, clube onde foi formado, tendo os italianos pago cerca de 4M€, Krejcí é um extremo que utiliza preferencialmente o pé esquerdo.

Apesar de também poder ser utilizado pela direita, dada a sua qualidade técnica e qualidade na tomada de decisão, actua normalmente sobre o corredor esquerdo por duas razões principais. A primeira diz respeito à sua capacidade de drible curto, com a bola sempre colada ao pé, e que faz com que o jogador checo consiga progredir regularmente no terreno sem perder a posse. Não sendo um portento no 1×1, é um jogador eficaz, e que apresenta também uma meia distância respeitável. Para além disso, Krejcí possui também uma capacidade de cruzamento muito apreciável, bem como um bom timing de chegada à área adversária, sendo comum vê-lo surgir em cruzamentos ao segundo poste para finalizar.

A segunda razão prende-se com as suas qualidades defensivas. Tal como Jorge Jesus tanto gosta, Krejcí é um jogador que dificilmente desiste de um lance, e que é o primeiro a procurar trabalhar para recuperar a bola quando ele ou a equipa a perde. Ajuda regularmente o lateral do seu lado no trabalho defensivo, apresenta rigor posicional no seu jogo e demonstra-se um jogador difícil de ultrapassar nos duelos individuais.

Não sendo um “fantasista” puro (apesar de, a espaços, apresentar rasgos de criatividade agradáveis), Krejcí é, acima de tudo, um extremo que se enquadraria muito bem no modelo de jogo do actual Sporting. Acredita-se que o seu valor de mercado ronde os 6/7M€.


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