21 Ago, 2017

Arquivo de Sporting - Fair Play

2-1.jpg?fit=1024%2C683
José DuarteJulho 25, 20177min0

Jorge Jesus e o Sporting Clube de Portugal procuram redenção em 2017/2018, com novas apostas, mais contratações e outras ideias. Mas como está a decorrer a pré-época para os “leões” e que problemas subsistem no seio da equipa.

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar.

Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Doumbia, nova companhia para Bas Dost (imagem Sporting CP)

Defesa nova, problemas velhos

À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade…) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos “autorizados” a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independentemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola – o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos – a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário.  

Bruno Fernandes a contratação mais consensual (Foto: Sporting CP)

Médios que para já só parecem… médios

Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um “6” ou um “8”, não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o “6” que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados

Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder

Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior – muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o título de verdadeiros reforços – pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se a ideia se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.

20348204_488268034856882_1724751594_o.jpg?fit=1024%2C768
João NegreiraJulho 23, 20177min0

Após a época 2016/2017 que resultou no Tetracampeonato do Benfica, com 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, o Porto, e o dobro para o 3º classificado, o Sporting, são altas as expectativas para a época que se avizinha. Conseguirá o Benfica revalidar o seu título, mesmo perdendo 3 das suas peças basilares da defesa? Será Sérgio Conceição o treinador ideal e capaz de retornar o Futebol Clube do Porto aos títulos? Vai ser desta que Jorge Jesus conseguirá levar o Sporting Clube de Portugal ao topo do futebol português? Que mudanças poderão haver nos 3 grandes?

SL Benfica

Rui Vitória vai tentar manter o Benfica a ganhar títulos [Fonte: Mais Futebol]
 

Começando pelos encarnados, que conquistaram o inédito “Tetra” na passada época, e viram sair Ederson, o titular indiscutível da baliza das águias, Lindelof, o homem que jogou a época inteira ao lado de Luisão, e Nélson Semedo, o menino da formação que chegou, viu e (con)venceu. Apesar da belíssima quantia que o Benfica recebeu por estes jogadores,  o contributo desportivo que deram não pode ser descurado, sendo que taticamente eram imprescindíveis e, por conseguinte, difíceis de substituir. Posto isto, e tendo já feito alguns amigáveis que demonstraram o pior cenário, se o Benfica quiser manter o título e continuar a sonhar na Europa, tem que ir ao mercado. Júlio César é bom, mas só bom, e não é Ederson, nem entre os postes, nem fora deles. Pedro Pereira, para já o candidato número 1 para a ala direita, apresenta-se com pouco ritmo de jogo e também com pouca confiança, não podendo, assim, ser o titular do Tetracampeão. Jardel, é o que já nos mostrou em épocas passadas, mas uma dupla Luisão-Jardel não convence, não só pela idade mas também pelo contributo que não poderão dar nem tecnica, nem taticamente. Vindos da formação, Diogo Gonçalves é aquele que mais parece estar preparado para ficar no plantel, sendo ele o que mais deu nas vistas. João Carvalho, Rúben Dias e Buta ficarão na expectativa para poder lutar por um lugar. Falando de reforços, apenas se mostra a olhos vistos Seferovic, que pode, e muito bem, tirar a titularidade a Mitroglou. Krovinovic poderia ser peça importante, mas a lesão atrasou a sua preparação e poderá sofrer com isso. Arango, Willock e Chrien são jovens estrangeiros que ainda se estão a adaptar a um país, cultura e clube novos, por isso só o tempo e Rui Vitória, dirão se ficarão ou não no plantel. Taticamente, o mister, prometeu novidades, mas nestes jogos de preparação ainda apareceu um Benfica muito igual ao da época transata, à imagem daquilo que Rui Vitória implantou quando chegou. Finalizando assim como começado o “separador” das águias, é preciso comprar jogadores à altura para suprir as saídas, porque em “casa” o Benfica não tem substitutos à altura.

FC Porto

Sergio Conceição, chega para ser já campeão, terá sido ele a escolha certa? [Fonte: O Jogo]
 

Na época que se aproxima vamos contar com um Porto condicionado pelo Fair Play Financeiro e assim, obrigado a vender muito e a comprar pouco ou nada. Portanto, a mudança maior será na voz de comando do balneário, o treinador, é ele Sérgio Conceição, que fez um excelente trabalho em França, no Nantes. Pinto da Costa foi, então, obrigado a vender e vendeu André Silva, Rúben Neves e Depoitre. Destes, foi André Silva que mais se destacou na época passada, marcando 21 golos ao serviço dos azuis e brancos. Realça-se ainda Diogo Jota, que regressou ao Atlético de Madrid. No plantel, as caras novas que iremos ver são os “Regressados” e Vaná (mais um Guarda Redes?; Fair Play Financeiro?), e desses destacam-se, obviamente, Aboubakar que pode ser o substituto ideal de André Silva, e Ricardo Pereira que, pelo que já demonstrou nos jogos amigáveis dos dragões, veio muito mais maduro a todos os níveis. O Porto beneficiaria se jogasse num 433, com o camaronês como referência ofensiva; tendo muita gente no meio, conseguiria ter sempre o controlo do jogo e muita posse de bola, e ainda teria vantagem quando jogasse com os seus adversários diretos, que jogam ambos num 442. Nos jogos de preparação, apareceu um Porto defensivamente coeso e sólido, à imagem da época passada. Ofensivamente ainda parecem existem arestas a limar. Ainda é cedo e é preciso dar tempo aos jogadores para se adaptarem às ideias do novo treinador. Não obstante, já foi possível ver um Porto muito pressionante, a lutar muito pela bola, com muita raça, mesmo como Sérgio Conceição gosta que os seus jogadores sejam. E é isso mesmo que o Porto precisa, de dar um grito de revolta e de voltar a ganhar títulos, começando no balneário, com o homem que comanda as tropas, que tem que ser o porta-voz dos azuis e brancos. S. Conceição é um treinador competente e é possível que possamos ver já esta época o melhor do mesmo.

Sporting CP

Será este o ano de afirmação de JJ no Sporting? [Fonte: Mais Futebol]
 

Vai começar a 3ª época de Jorge Jesus no comando do Sporting, tendo apenas ganho 1 Supertaça. A expectativa é, no entanto, grande, até porque este ano o Sporting já fez muitas mexidas no plantel. Vendeu Paulo Oliveira e Rúben Semedo, e Douglas, Schelotto e Zeegelaar já não contam; foi uma defesa inteira, portanto. Chegaram também muitas caras novas, causando grande expectativa nos adeptos, principalmente para com a entrada de Bruno Fernandes, que tanto pode fazer uma época fantástica como pode ficar no banco a temporada inteira, de Fábio Coentrão, que se não for afetado por lesões pode voltar ao nível que já nos habituou, de Mathieu, pois vindo de um Barcelona pode ser uma mais valia com a sua experiência europeia, e de Doumbia, que pode ser o parceiro ideal para Bas Dost. Falando ainda de Battaglia, Mattheus O. e de Jonathan Silva, podem vir a ser importantes tendo em conta a longa época que vamos ter. Não esquecendo Piccini que é o candidato número 1 para a ala direita depois da saída de Schelotto, mas não pela imensa qualidade que poderá já ter mostrado, mas pelo facto de não haver mais nenhum concorrente a fazer-lhe frente. Taticamente, pelos jogos de preparação, Jorge Jesus está a preparar um sistema novo para além do 442. Será qualquer coisa com apenas 3 defesas, estando entre um 352 ou um 343. A preferência, no entanto, deveria centrar-se num 352, pois poderá ser aquele que é mais adequado ao plantel e às necessidades do Sporting, podendo talvez penalizar os extremos e aquele que é, provavelmente, o melhor jogador, Gelson Martins. O 343 contará com extremos, mas Bruno Fernandes será relegado para o banco e Doumbia jogará fora de posição. Será um sistema diferente daqueles a que estamos habituados, mas será interessante ver se será ou não a primeira opção de Jesus ou até contra que adversários irá utilizar este sistema.

Estamos ainda em fase de preparação, e as caras novas ainda se estão a adaptar, mas algumas poderão fazer a diferença já esta época para as suas equipas. Será, como é sempre, um campeonato bastante competitivo entre estes 3, sendo que cada vez mais se quer e espera que os clubes portugueses se intrometam entre os grande da Europa.

1499257302_939868_1499290789_noticia_normal.jpg?fit=1024%2C576
Ruben CardosoJulho 12, 20176min0

A contratação de Fábio Coentrão por parte do Sporting foi, provavelmente, a que mais celeuma e discussão criou no defeso nacional até ao momento. O Fairplay analisa aquela que é uma aquisição de alto risco por parte dos leões, mas que também pode significar o fim de um dos maiores problemas do Sporting nos últimos anos.

Fábio Alexandre Silva Coentrão. 28 anos. Lateral-esquerdo internacional português, natural de Vila do Conde. Na altura em que chegou ao Benfica, oriundo do clube vilacondense, Coentrão era um extremo puro de linha, que tinha no seu arsenal características como a velocidade e uma capacidade de cruzamento capazes de desequilibrar. No entanto, estas características, por si só, não seriam suficientes para vingar num contexto competitivo como é o do clube da Luz. A solução encontrada foram alguns empréstimos em Portugal e Espanha, sendo que o que teve mais sucesso acabou por ser no Nacional da Madeira, onde inclusive marcou dois golos no Estádio do Dragão.

No regresso aos encarnados, para a época 2009/2010, foi encontrada a melhor forma para retirar de Coentrão todo o seu potencial, para que pudesse ser um jogador para ter impacto imediato no Benfica: a sua adaptação ao lado esquerdo da defesa, para se tornar aquilo que chamamos hoje o “lateral moderno”, com muito mais peso a nível ofensivo do que defensivo. Uma alternativa encontrada por Jorge Jesus, que fez com que o homem das Caxinas fosse um elemento absolutamente preponderante na conquista do campeonato, acabando a época com 3 golos e 10 assistências. Apesar de na época seguinte o Benfica não ter conseguido revalidar o título, Coentrão voltou a protagonizar uma excelente época, que lhe valeu uma milionária transferência para o Real Madrid (30 milhões de euros), pela mão de José Mourinho, então treinador dos merengues.

Foi exactamente sob a orientação do técnico português que Coentrão teve a sua melhor época desde que abandonou a Luz. Apesar da presença de um jogador como Marcelo, o internacional português conseguiu afirmar-se nas duas primeiras épocas foi sempre muito utilizado – e muitas vezes como titular -, mas foi na época 2013/2014 que tudo se começou a complicar, e quando as primeiras lesões começaram a aparecer. O empréstimo ao Mónaco parecia uma forma de catapultar a carreira, e o início foi extremamente promissor, mas as lesões voltaram, e até à época passada, Coentrão viveu um autêntico calvário a nível físico. Agora, o desafio que se coloca perante Fábio é o grande rival do clube onde foi mais feliz: o Sporting. Uma hipótese de ouro para o internacional português catapultar os seus últimos anos ao mais alto nível.

Foto: UEFA.com

O Melhor Cenário

Mantendo-se saudável do ponto de vista físico, é completamente indiscutível a qualidade de Fábio Coentrão. É um jogador dinâmico, com grande capacidade ofensiva e de fazer todo o flanco, inteligência para explorar todas as zonas do campo, seja exterior ou interior, características que no contexto do futebol português têm uma influência tremenda naquilo que se pede a um emblema que luta para ser campeão. Coentrão pode encontrar finalmente, com Jorge Jesus, a forma de dar a volta às dificuldades encontradas nos últimos anos, trabalhando com o técnico que fez ele o jogador que é hoje, e um lateral que outrora foi dos melhores do mundo. Até porque há um campeonato do mundo para disputar em 2018, e todos os minutos contam se Fábio quiser ainda alcançar uma grande competição pela equipas das Quinas.

A sua chegada ao Sporting vem, acima de tudo, tentar apagar um problema há muito presente no clube, que é a ausência de soluções que sejam uma verdadeira mais valia no lado esquerdo da defesa. O último a passar com relativo sucesso foi Jefferson, mas desde a segunda metade da época de Marco Silva no comando dos leões que tem caído a pique em termos exibicionais, sendo inclusive este ano emprestado ao Sporting de Braga. Coentrão é, sem ponta de dúvida, o melhor lateral-esquerdo a figurar nas fileiras do Sporting nos últimos largos anos, e só por aí é automaticamente um grande acréscimo de qualidade ao plantel. Até porque há um elemento nos bastidores em Jonathan Silva, que poderá aprender muito com a experiência e o conhecimento do lateral português.

O Pior Cenário

Se Coentrão não conseguir manter índices físicos aceitáveis, e apesar de ser apenas uma contratação para o imediato – visto tratar-se de um empréstimo -, concluirá mais um ano em que o Sporting não consegue ter um elemento de qualidade numa zona importantíssima do terreno, e que tem sido uma das mais problemáticas do sector defensivo leonino. E aqui voltará a soar o alarme da questão dos empréstimos de jogadores que não conseguem tempo de jogo nos seus clubes de origem, e que acabam por ser apenas mais um problema, como foi o caso de Markovic na época passada. Também do ponto de vista desportivo, se Coentrão fizer uma boa época, e ajudar o Sporting a conquistar títulos, será difícilimo (para não dizer impossível) que continue a atuar de verde-e-branco, dado o seu elevado vencimento e o facto de o Real Madrid ainda poder fazer um encaixe financeiro com a sua venda. Deste ponto de vista, trata-se uma solução para o curto prazo, que nada resolve a médio/longo prazo um probema que tem sido recorrente.

Veredito

Não existem muitas dúvidas que o principal ponto de interrogação na contratação de Fábio Coentrão é somente o cepticismo perante a sua condição física. As suas principais características, apesar de algo limitadas não só pelas lesões mas também pela idade, continuam a estar presentes, e é um enorme acréscimo de qualidade e competitividade a um clube sedento de regressar às vitórias. Será talvez a derradeira oportunidade de Coentrão relançar a sua carreira a nível internacional, estando já perto dos 30 anos. Em Junho do próximo ano disputa-se o Campeonato do Mundo, e será certamente com olhos postos na competição que o homem das Caxinas encara o desafio em Alvalade.

Cabe também ao clube leonino fazer a melhor gestão possível de um activo valioso e que pode ser um elemento diferenciador num campeonato como o português, em que a presença de laterais de características claramente ofensivas é decisiva (nos últimos anos, Grimaldo, Alex Telles, Nélson Semedo, ou os próprios Alex Sandro e Danilo são os exemplos mais evidentes) para o sucesso a nível interno. A expectativa é grande no reino do leão, num ano em que é obrigatório voltar a ganhar.

Foto: Público

Foto-Fagner_folha_uol_com_br.jpeg?fit=970%2C600
Bruno DiasJulho 10, 20177min0

Será obviamente discutível, mas entre os “3 grandes”, o Sporting apresenta-se até este momento como aquele que melhor reforçou o seu plantel no presente mercado de transferências. No entanto, subsistem ainda algumas lacunas no plantel leonino, e o Fair Play aponta aqui 3 possíveis contratações que consolidariam a equipa comandada por Jorge Jesus.

Este mercado de transferências tem sido bastante agitado para o Sporting. Os “leões” já fizeram chegar, para o seu plantel principal, 8 caras novas. Cristiano Piccini, André Pinto, Jérémy Mathieu, Fábio Coentrão, Rodrigo Battaglia, Mattheus Oliveira, Bruno Fernandes e Seydou Doumbia chegaram a Alvalade para reforçar um conjunto que pretende, de forma clara, assumir uma candidatura ao título que foge há já 15 anos.

Não obstante todas estas contratações, ainda há posições onde faltam jogadores de nível para um Sporting campeão, e outras que certamente necessitarão de reforços, caso os “donos” das respectivas posições rumem a outras paragens, face ao forte assédio dos grandes clubes europeus. Aqui, sugerem-se 3 possíveis reforços, para 3 posições distintas. Duas delas de reforço quase obrigatório. A outra, como forma de precaver uma saída há muito anunciada.

 

Okay Yokuslu

Posição: Médio Defensivo (“6”)/Médio-centro (“8”)

Idade: 23 anos (9 de Março de 1994)

Nacionalidade: Turco

Clube: Trabzonspor (Turquia)

A saída de William Carvalho, não sendo ainda um dado adquirido, é mais uma vez altamente provável. O internacional português apresenta já alguns sinais de estagnação no seu desenvolvimento, e o salto para campeonatos mais competitivos é necessário para que possa continuar a almejar atingir todo o seu potencial.

Com a sua saída, o Sporting precisará de ir ao mercado para o substituir. A qualidade do “14” leonino é por demais evidente, e não existem nos quadros do clube jogadores capazes de o substituir já no presente, sem que isso signifique uma drástica perda de qualidade na posição. Nesse sentido, surge Okay Yokuslu. O médio turco, de 23 anos, vem de uma temporada de muito bom nível ao serviço do Trabzonspor, tendo inclusive conquistado a sua oportunidade na selecção A turca.

Dada a sua elevada estampa física (1,91m), poderia pensar-se que Yokuslu é apenas um “destruidor” de jogo. No entanto, é no capítulo ofensivo, e na forma como actua quando a equipa tem a bola, que o turco se destaca. É verdade que, até ao momento, actuou mais como 8 do que como 6, provavelmente pela forma como chega bem à área adversária. Mas é nesta última posição que o futuro parece ser brilhante para um médio que tem na tomada de decisão e na qualidade de passe as suas maiores virtudes. Elegante na forma como pisa o relvado, como joga sempre de cabeça levantada e como toca a bola, seja no passe ou transportando a bola, Yokuslu é capaz de organizar a partir de uma posição mais recuada, e a sua preocupação em criar sempre uma linha de passe para o portador da bola é evidente. Preocupação posicional que se estende, de resto, ao momento defensivo, onde o médio turco sobressai pela forma como lê o jogo e como procura interceptar a bola antes dela chegar ao seu destinatário. No entanto, é também um jogador com bom timing de desarme, e que procura também influenciar o jogo nas bolas paradas, graças à sua altura.

Dada a boa época na Turquia, é um jogador que está claramente valorizado. O seu valor de mercado rondará, provavelmente, os 7M€.

Fágner

Posição: Lateral direito

Idade: 28 anos (11 de Junho de 1989)

Nacionalidade: Brasileiro

Clube: Corinthians (Brasil)

Mesmo sem contar com saídas que se afiguram altamente prováveis (como a de William Carvalho, mas também a de Adrien Silva), a posição de lateral direito continua a ser o “patinho feio” da equipa leonina. Há vários anos que o Sporting não possui um lateral direito ao nível daqueles que actuam nos rivais, e no futebol moderno, essa é uma limitação grave, não só pela questão defensiva, mas também por aquilo que os laterais (não) conseguem oferecer no plano ofensivo do jogo.

Sobejamente conhecido no Brasil (sendo inclusive internacional A brasileiro) e com uma passagem fugaz pela Europa, Fágner leva já várias épocas de rendimento constante e de qualidade. Um dínamo ofensivo, capaz de fazer o corredor direito em alta rotação durante todo o jogo, possui a qualidade técnica e a criatividade tão próprias do jogador brasileiro, conseguindo desembaraçar-se dos seus adversários no 1×1 e actuando como mais um foco de desequilíbrio no ataque. Defensivamente, e apesar da sua baixa estatura (1,68m, algo que pode não agradar a Jorge Jesus), revela-se muito competente nos duelos individuais. Terá talvez algumas limitações em termos posicionais, fruto de uma carreira construída maioritariamente no Brasileirão, que tacticamente se encontra ainda muito longe do futebol europeu. No entanto, se há treinador capaz de corrigir os erros defensivos dos seus jogadores, é sem dúvida Jesus, e a própria maturidade do jogador poderá facilitar essa espécie de “adaptação” à Liga NOS.

Esta seria uma contratação a pensar mais no rendimento desportivo e menos no rendimento financeiro, dado que Fágner já conta com 28 anos. No entanto, resolveria de vez um dos principais problemas da equipa, e num mercado onde o clube leonino parece estar a caminho de realizar um bom encaixe financeiro com as suas vendas, o investimento revelar-se-ia justificado. Estando a cerca de 18 meses do final do seu contrato, acredita-se que o valor de mercado do jogador rondará os 5M€.

Ladislav Krejcí

Posição: Extremo

Idade: 25 anos (5 de Julho de 1992)

Nacionalidade: Checo

Clube: Bolonha (Itália)

Nos últimos dias, têm surgido fortes rumores a ligar Gonzalo “Pity” Martínez – do River Plate – e Marcos Acuña – do Racing Club – ao Sporting. Aliados aos rumores das possíveis saídas de Bryan Ruíz (a título definitivo) e Matheus Pereira (por empréstimo), parece seguro afirmar-se que Jorge Jesus procura um novo extremo esquerdino para a sua equipa. No entanto, do que é possível perceber, tanto Martínez como Acuña parecem ser alvos de um custo bastante elevado.

Ladislav Krejcí surge aqui como uma opção potencialmente mais barata, mas que ainda assim possui bastante qualidade, bem como o perfil que Jesus normalmente procura nos seus extremos. Contratado há um ano atrás pelo Bolonha ao Sparta Praga, clube onde foi formado, tendo os italianos pago cerca de 4M€, Krejcí é um extremo que utiliza preferencialmente o pé esquerdo.

Apesar de também poder ser utilizado pela direita, dada a sua qualidade técnica e qualidade na tomada de decisão, actua normalmente sobre o corredor esquerdo por duas razões principais. A primeira diz respeito à sua capacidade de drible curto, com a bola sempre colada ao pé, e que faz com que o jogador checo consiga progredir regularmente no terreno sem perder a posse. Não sendo um portento no 1×1, é um jogador eficaz, e que apresenta também uma meia distância respeitável. Para além disso, Krejcí possui também uma capacidade de cruzamento muito apreciável, bem como um bom timing de chegada à área adversária, sendo comum vê-lo surgir em cruzamentos ao segundo poste para finalizar.

A segunda razão prende-se com as suas qualidades defensivas. Tal como Jorge Jesus tanto gosta, Krejcí é um jogador que dificilmente desiste de um lance, e que é o primeiro a procurar trabalhar para recuperar a bola quando ele ou a equipa a perde. Ajuda regularmente o lateral do seu lado no trabalho defensivo, apresenta rigor posicional no seu jogo e demonstra-se um jogador difícil de ultrapassar nos duelos individuais.

Não sendo um “fantasista” puro (apesar de, a espaços, apresentar rasgos de criatividade agradáveis), Krejcí é, acima de tudo, um extremo que se enquadraria muito bem no modelo de jogo do actual Sporting. Acredita-se que o seu valor de mercado ronde os 6/7M€.

Jorge-Jesus_desporto_sapo_pt-e1495941726195.jpg?fit=800%2C533
Bruno DiasMaio 28, 20173min0

O ano desportivo do Sporting CP foi decepcionante. Esta é uma ideia praticamente unânime entre todos aqueles que acompanharam o panorama futebolístico português esta época. Entre vários momentos marcantes da temporada leonina, um jogo em Guimarães assume-se como o momento definidor da má época dos “leões”.

A 1 de Outubro de 2016, o Sporting CP desloca-se a Guimarães, para defrontar o Vitória SC, em jogo a contar para a 7ª jornada da Liga NOS. Apesar do descalabro em Vila do Conde (derrota por 3-1 frente ao Rio Ave), duas jornadas antes, os “leões” chegavam a este jogo com 5 vitórias nas primeiras 6 jornadas, e com a possibilidade de se manterem junto ao topo da tabela, ocupado pelo Benfica. Para além disso, traziam já um balanço relativamente positivo de duas jornadas da UEFA Champions League, com uma derrota por 2-1 no Santiago Bernabéu, frente ao Real Madrid, num jogo em que a equipa leonina esteve a vencer até aos 89 minutos e onde realizou, discutivelmente, a melhor exibição da temporada, e com uma sólida vitória por 2-0 em Alvalade, frente ao Légia.

Num jogo tradicionalmente complicado para qualquer “grande”, pelo ambiente característico do Estádio D. Afonso Henriques, o Sporting entra bem na partida e realiza 70 minutos de um nível médio/bom, chegando a esse período do jogo com uma expressiva vantagem de 3 golos, apontados por Markovic, Coates e Elias.

É então que tudo muda. Apenas três minutos após o 0-3 de Elias, Hernâni encara Schelotto no 1×1, leva a melhor e William Carvalho, que procurava ir ajudar o colega, precipita-se na abordagem à bola. Grande penalidade sobre Hernâni, que Moussa Marega se encarrega de concretizar. 1-3. Ainda o público festejava o primeiro golo vimaranense, e já nova onda de choque abalava o estádio: desatenção da linha defensiva do Sporting, cruzamento para a área e Marega a bisar na partida. 2-3. O Vitória cresce no jogo, apoiado pelos seus adeptos, e aos 89 minutos, numa bola cruzada para a área por Raphinha, Soares cabeceia para o fundo da baliza de Rui Patrício, fazendo o 3-3 final e levando o D. Afonso Henriques à loucura.

O empate no jogo, depois da equipa possuir uma vantagem de 3 golos ao minuto 70, abalou fortemente a moral da formação leonina. As opções de Jorge Jesus para o 11, bem como as suas próprias ideias para o futebol da equipa (distintas da temporada transacta, sobretudo com a entrada de Gélson Martins para o lugar de João Mário, que se reflectiu numa mudança drástica de perfil numa das posições fulcrais do modelo de jogo), começam a ser questionadas.

A confiança de alguns jogadores diminui, e a equipa entra numa espiral negativa de confiança, qualidade de jogo e resultados. No mês de Outubro, o Sporting perde em casa com o Borussia Dortmund para a UEFA Champions League, empata os dois jogos seguintes para o campeonato (1-1 contra o Tondela em Alvalade, e um nulo na Choupana, frente ao Nacional) e só vence mesmo o Famalicão, na 3ª eliminatória da Taça de Portugal, pela margem mínima (1-0).

A época do Sporting teve altos e baixos, e o jogo de Guimarães apresenta-se aqui como o catalisador do primeiro ponto baixo da época leonina. É o momento da época para o Sporting CP.

1130306.jpg?fit=1024%2C683
Ruben CardosoMaio 26, 201713min0

Acabada mais uma época de “seca” em Alvalade, e com uma recta final de campeonato algo turbulenta, a hora é de efetuar um balanço intensivo ao que impediu o Sporting de, 15 anos depois, alcançar o título nacional – para além de mais um ano afastado das decisões nas restantes competições. Analisamos alguns dos aspectos principais que marcaram a época, e levam ao aumentar da tensão no reino do leão, na antecâmara de uma temporada que promete ser decisiva.

No final de 2015/2016, poucos seriam aqueles que esperariam que a presente época do Sporting trouxesse um sentimento de regressão e de “paragem no tempo”, na evolução que os leões tinham registado na primeira temporada com Jorge Jesus no comando dos destinos da equipa. Um recorde de pontos alcançado no campeonato, futebol atractivo, baseado na performance de elementos como João Mário, Slimani ou Bryan Ruiz, uma massa associativa crente nos destinos da equipa, e um desempenho que acima de tudo trazia esperança para o universo leonino, de que o Sporting estaria cada vez mais perto de se voltar a sagrar campeão nacional.

O desfecho da época não podia ter causa sensações mais inversas e contrárias ao que se esperava. O clube ficou arredado de praticamente todas as competições entre Dezembro e Janeiro, e a miragem do campeonato não passou disso mesmo – quando poderia haver uma hipótese de aproximação aos dois primeiros, o Sporting vacilou. Sequência de uma série de más decisões, tanto a nível de contratações, gestão do plantel e comunicação, que fizeram com que os alarmes voltem a soar em Alvalade, e apesar de Jesus já ter anunciado que irá continuar, a margem de erro está em níveis mínimos, pelo que a próxima época poderá ser derradeira, não só para o técnico, como para Bruno de Carvalho.

O vazio de João Mário

Após ser anunciada a sua saída para o Inter de Milão, poucos esperariam que a saída de João Mário causasse um impacto tão significativo no onze leonino. Não só pela influência que o médio tinha em toda a manobra ofensiva e defensiva da equipa, mas também porque a sua saída obrigou a uma modificação profunda na forma de jogar da equipa. Se o Sporting da primeira época de Jesus procurava variar a sua forma de jogar, controlando sempre a posse de bola de forma dinâmica e proactiva, e sempre na busca de soluções explorando todas as zonas do terreno, já este ano muito da produção ofensiva da equipa veio em exclusivo dos flancos.

Saindo João Mário, a escolha óbvia para a posição recaiu sobre Gelson Martins, que já havia sido bastante utilizado por Jesus na temporada anterior. Um jogador quase exasperante de ver jogar, devido à sua vertigem e à sua capacidade de desequilibrar no 1×1, uma qualidade no drible de cortar a respiração, mas que forçou a equipa a adaptar-se ao seu estilo de jogo. O Sporting deixou de ser uma equipa imprevisível, devido à dinâmica implementada por Ruiz e João Mário, para ser uma equipa facilmente anulável, pois Gelson ainda é um jogador a tentar aperfeiçoar-se e a conseguir modificar o seu jogo dependendo das circunstâncias do mesmo. A incrível quebra de forma de Ruiz foi também um factor decisivo para esta situação, mas mesmo as alternativas, como Campbell e Bruno César, nunca conseguiram devolver à equipa outra capacidade de encarar o jogo e de explorar zonas mais promissoras do terreno no momento ofensivo.

Foto: Gazzetta dello Sport

Contratações sonantes – mas apenas isso

Na primeira época de Jorge Jesus, o principal objectivo de Bruno de Carvalho era de conseguir dar à equipa soluções suficientes para criar um onze forte para atacar o campeonato, e principalmente opções que trouxessem experiência a uma equipa maioritariamente ainda jovem. As contratações de elementos como Bryan Ruiz e Teófilo Gutiérrez, elementos que tiveram um impacto muito significativo no modelo de jogo, foram talvez as melhores aquisições da época desportiva – para além de Coates, que viria a ser adquirido em definitivo já durante este ano.

Este ano, e olhando para o que foram a totalidade das contratações, o paradigma mudou significativamente. As aquisições foram feitas em muito maior número, para dotar o plantel de uma profundidade suficiente para fazer frente a todas as competições, incluindo a Liga dos Campeões. Quem visse os novos reforços do Sporting no início da época desportiva, estaria longe de imaginar que apenas 2 deles iriam ter um verdadeiro impacto na equipa titular.

Bas Dost – foi o verdadeiro abono de família da equipa, com a saída de Islam Slimani. O panzer holandês rubricou numa época fabulosa, com números de tal ordem incríveis que esteve praticamente até à última jornada na luta pela Bota de Ouro Europeia. 34 golos em 31 jogos para o campeonato é uma marca de registo, e que faz pensar o que seria o Sporting desde ano sem a presença de um homem como Bas Dost na frente de ataque. 10 milhões que valeram cada cêntimo.

Foto: Record

Alan Ruiz – a pré-época não foi brilhante, mas este parecia um “projecto JJ” – um jogador para crescer com o técnico leonino, passar pelo habitual processo de adaptação ao futebol português, e para Jesus moldar. Um investimento avultado, na ordem dos 8.5 milhões de euros, mas que apesar de ter tido um ínicio tímido, teve o seu momento alto na segunda metade da época, quando se afirmou decididamente como a melhor opção para apoiar Bas Dost na frente de ataque. Vários golos e assistências, que prometem um 2017/2018 ainda melhor.

Joel Campbell & Lazar Markovic – aqui entramos no campo das contratações a pensar no curto-prazo, puramente. Empréstimos de jogadores razoavelmente consolidados, e que seriam claras mais-valias na realidade do campeonato português. A verdade é que, à excepção de alguns momentos esporádicos do costa-riquenho do Arsenal, nenhum dos dois foi capaz de dar à equipa aquilo que era pretendido na altura em que foram recrutados. Markovic, depois das lesões, é uma sombra daquilo que mostrou na Luz, e que fez o Liverpool gastar 20 milhões de euros por ele, enquanto que Campbell procurava um clube para poder ganhar minutos, e tentar nova oportunidade no Emirates. Nenhum conseguiu chegar perto das expectativas criadas sobre si.

Foto: O Jogo

Elias, Douglas e André – o trio de brasileiros, segundo rezam as “lendas”, foram pedidos expressos de Jorge Jesus, sendo que os dois primeiros já eram pretendidos pelo técnico leonino nos tempos em que treinava o Benfica. Elias não teve uma primeira passagem feliz por Alvalade, e dada a forma como abandonou o clube, era pouco expectável que fosse regressar. No entanto, na iminência de uma saída de Adrien, o clube agiu, e recrutou o ex-Corinthians para tentar compensar o lugar deixado pelo capitão. Elias ficaria na sombra, até ao momento em que Adrien se lesionou com alguma gravidade, e o médio brasileiro foi chamado a intervir. Foi o culminar da pior série de jogos da época, em que a equipa pareceu sempre totalmente desequilibrada em campo, e com Elias muitas vezes perdido na sua missão de substituir um dos médios mais influentes do campeonato – sendo que viria a sair a meio da época. André chegou ao Sporting como uma alternativa de recurso, e para acrescentar profundidade à posição de avançado, mas fora raríssimas excepções, nunca foi capaz de mostrar a qualidade que os leões precisavam, acabando também por regressar ao Brasileirão no mercado de Inverno. Já Douglas era uma contratação já há muito desejada pelo clube, e que se veio a concretizar, mas que causou pouco ou nenhum impacto na equipa inicial – Paulo Oliveira e Semedo tomaram sempre conta da posição ao lado de Coates.

O regresso da juventude

A meio da época, e vendo que a situação desportiva estava na iminência de se deteriorar severamente, Bruno de Carvalho teve que tomar uma decisão: encurtar o plantel ao máximo, na medida de começar a resolver eventuais problemas que pudessem surgir no futuro. Elias, André, Meli saíram do plantel em definitivo, enquanto que Petrovic foi emprestado ao Rio Ave. No entanto, o grande destaque do mercado de Inverno leonino foi outro.

Com a saída de jogadores considerados mais experientes, o Sporting fez regressar alguma da juventude emprestada na Primeira Liga. Podence e Geraldes, vencedores da Taça da Liga pelo Moreirense, foram dois elementos que rubricaram uma primeira metade de época soberba, sendo que também André Geraldes e Ryan Gauld também regressaram do empréstimo ao Vitória Futebol Clube. Podence, em particular, regressou com claras indicações de que, dadas as dificuldades de adaptação de Alan Ruiz na altura, o pequeno avançado leonino teria a sua oportunidade. Um festival de irreverência, velocidade, que com certeza verá muito mais oportunidades na próxima época.

A expectactiva será que, com o início de 2017/2018, regressem mais jovens jogadores às fileiras do clube de Alvalade. Um nome em particular tem estado sobre os holofotes do campeonato português. Iuri Medeiros revolucionou por completo a equipa do Boavista, sendo constantemente o jogador em foco, aquele que conseguiu sempre elevar o nível exibicional da equipa para outros patamares competitivos. A próxima temporada desportiva será decisiva, pois Iuri não pode continuar a ser esquecido pelos dirigentes leoninos, depois de dois empréstimos de grande sucesso no campeonato português. Depois dos falhanços que se revelaram Markovic e Campbell, é crucial que a “prata da casa” seja vista com maior atenção.

Foto: Record

O estranho caso de Chico

O caso de Francisco Geraldes é, em particular, o mais interessante. Quem acompanhou a época de Chico em Moreira de Cónegos, teve a possibilidade de apreciar a elegância e inteligência de um jogador raro no futebol português, por vários motivos. O primeiro, é que Chico é um jogador ambidestro que, apesar de ter o pé direito como favorito, consegue jogar em perfeitas condições com o pé esquerdo, a todos os níveis, o que lhe dá uma versatilidade em campo muito significativa. Depois, é um jogador com uma amplitude territorial fantástica e acima de tudo, sem qualquer medo em ter a bola. Capaz de desequilibrar em progessão ou através do passe, é um híbrido que, em circunstâncias ditas normais, seria um elemento com entrada praticamente direta no onze do Sporting.

Uma das principais bandeiras do esquema montado por Jorge Jesus na temporada anterior foi o aproveitamento das alas para incluir jogadores com outra capacidade de construção, e não extremos puros de linha e desequilíbrio. A adaptação de João Mário (que já tinha desempenhado a posição nos sub-21) ao lado direito do meio-campo proporcionou ao Sporting um jogador com grande capacidade com bola, de progressão e com uma qualidade no momento da decisão ímpar no plantel. Do outro lado, Bryan Ruiz fazia as delícias dos adeptos, e foi seguramente a grande desilusão da presente época. O costa-riquenho teve uma queda abrupta de rendimento a todos os níveis, e fala-se inclusive da sua saída como uma certeza. Francisco Geraldes será, porém, um bom equilíbrio entre estes dois jogadores. Sem ter as rotinas de avançado de Ruiz já possuia dos tempos do Twente, nem o pulmão de João Mário para conseguir manter o seu rendimento durante os 90 minutos, Francisco tem uma dinâmica quase refrescante no momento em que se posiciona no centro do terreno. Capaz de aparecer entre-linhas, de descer no terreno para começar a construção, poderá ser, assim o treinador do Sporting queira, um elemento fundamental não apenas no plantel, como até no onze inicial – seja em que posição for.

Foto: Record

O ano derradeiro de Jesus e Bruno de Carvalho

Estamos prestes a entrar na terceira época de Jorge Jesus ao comando do Sporting – isto se os rumores da saída para o PSG não se confirmarem. Uma época em que o campeonato fugiu apenas por 2 pontos; e outro em que o clube ficou fora de praticamente todas as competições a meio da época, e com uma clara regressão na qualidade exibicional. Bruno de Carvalho venceu as eleições de Março de maneira categórica, mas já deu a entender na recta final da época que, caso o Sporting não se sagre campeão em 2017/2018, ponderará anunciar eleições antecipadas. O projecto inicial, em 2013, era de fazer do Sporting campeão no período de 5 anos – mas estes já passaram, e entramos num ano de decisões. O clube terá que voltar a afirmar-se como candidato ao título, na antecâmara de uma época onde o Benfica procurará fazer história novamente, conquistando o pentacampeonato, e onde o Porto voltará a apostar tudo na conquista do título que foge há 4 anos.

Certo é, que o planeamento da época leonina está a ser feito com alguma antecedência, com já algumas contratações efetuadas que, para além de trazerem a necessária profundidade ao onze inicial, trazem com eles experiência no campeonato português ou na Europa. No entanto, há jogadores no plantel imensamente cotados no panorama europeu, e que com nova competição de selecções a ocorrer em breve, poderá trazer de novo os holofotes sobre elementos como Adrien, Rui Patrício, William Carvalho e Gelson. Depois de uma época marcada pelo fracasso em todas as competições, poderá ser hora de uma das jóias da coroa abandonar o clube, não só para manter a saúde financeira, mas também para permitir um investimento sério na reconquista do título, 16 anos depois.

Foto: Maisfutebol

benfica_sporting_derbi_primordios_533.jpg?fit=795%2C522
José DuarteAbril 19, 20174min0

Não há derbies com pouca importância. Ainda que o próximo, a disputar no próximo sábado, não fosse decisivo para a atribuição do titulo, haveria um sem fim de dados a compilar e adicionar à já longa história  que se vai escrevendo desde 1 de dezembro de 1907. E há sempre muito a perder e a ganhar, até mesmo para o Sporting, que já está longe do título.

Foi então, em Carcavelos, onde jogava o Sport Lisboa, que o encontro aconteceu. O facto do Sporting se ter apresentado com oito ex-jogadores do adversário seria um dos muitos pontos de ignição da combustão permanente de rivalidade em que os embates entre os dois emblemas se confundem com a história do futebol português.

Para o Sporting pouco ou nada se poderá alterar de verdadeiramente significativo no que diz respeito à história deste campeonato. O terceiro lugar é cada vez mais a linha limite que se desenha no horizonte. Mesmo a tão útil como necessária qualificação directa para Liga dos Campeões, por via do segundo lugar, parece de todo improvável, atendendo a que já não há confronto directo com o FC Porto. A possibilidade da equipa de Nuno Espírito Santo perder o conforto dos cinco pontos que ainda detém em cinco jornadas é possível mas pouco provável.

Dost no último derby (Foto: Sporting CP)

Assim, o próximo derby será acima de tudo para o Sporting um jogo pelo brio e pelo orgulho e defesa do seu próprio palmarés. Isto porque não me parece provável que haja danos ou proveitos reais que se possam estabelecer na próxima temporada a partir do resultado final deste jogo. Mas, emoção, orgulho e brio são precisamente os principais temperos destes embates. E aqui há pelo menos um castelo a defender nesta história já secular de conquistas e desaires: impedir a entrada do rival no clube exclusivo dos tetracampeões. Um lugar que durante várias décadas foi apenas do Sporting e que agora tem de compartilhar com o FC Porto.

Historicamente, o papel de demolidor de “sonhos do tetra a vermelho” tem até agora sido bem sucedido. Apesar do rival ser o clube mais titulado do nosso campeonato, o titulo de tetracampeão continua por alcançar. Até hoje o SL Benfica dispôs de cinco hipóteses de conquistar um lugar cativo nesse clube tão exclusivo e nunca o concretizou.

Na primeira oportunidade, depois de conquistar os títulos das épocas de 35/36, 36/37, 37/38, o clube da Luz nem sequer discutiu o título. Quedou-se abaixo do campeão FC Porto, e do Sporting, que daria luta até final, ficando apenas com menos um ponto.

A primeira grande disputa ombro a ombro havia de acontecer na época 65/66. O Sporting era então o único tetracampeão, por força dos campeonatos de 1950 a 1954, pelo que luta foi feroz. Ao vencer em Alvalade a sete jornadas do fim, o SLB ficou à distância de um ponto, mas os nervos de aço dos pupilos de Otto Glória e Juca acabaram por manter a tetra-exclusividade até final.

O Sporting pareceu então especializar-se na defesa dos seus pergaminhos, pois foi novamente a barreira que se ergueu aos sonhos mais rubros dos rivais em 73/74. Na até agora derradeira possibilidade, foi o FC Porto que se entrepôs aos desejos benfiquistas, quando em 77/78 ganhou finalmente o campeonato, após 19 anos de jejum.

Que papel terá Ruiz na sua estreia nos derbies? (Foto: Sporting CP)

Desenha-se agora uma nova oportunidade para o seu eterno rival. Se um derby por si só já encerra todos os ingredientes necessários para a motivação dos jogadores, o que se disputará no relvado será um novo e suculento pedaço na história de uma rivalidade secular.

Há história que se escreve em cada decisão acertada e em cada erro ou falha. Defender a porta de entrada do seu clube exclusivo de tetracampeões é a derradeira tarefa de Jesus e dos seus comandados para o que resta da época. E nestas questões de história e de palmarés jogam-se valores que rivalizam com a conquista de títulos.

jj-1.jpg?fit=1024%2C683
José DuarteMarço 28, 20175min0

O que faz a direcção de um clube quando precisa de contratar um treinador? Avalia o curriculum ou o potencial? Qualquer treinador com uma trajectória de sucesso pode ser feliz em qualquer clube, independentemente do seu historial e do contexto presente?

A surpreendente contratação de um técnico como Jorge Jesus por Bruno de Carvalho, com uma proposta de jogo reconhecidamente atraente e vencedora, obliterou qualquer discussão sobre a indispensável análise do perfil do treinador que se entende ser necessário para regressar à conquista de títulos.

Mas essa discussão é necessária. Podem técnicos (Jardim, Marco Silva, Jesus) de perfis, carreiras e propostas de jogo tão diferentes ser úteis à mesma causa? Pergunta que nos leva a outra também muito frequente: é o treinador que deve adaptar a sua ideia de jogo ao plantel disponível ou o contrário? E ainda outra igualmente importante: como se determina se um treinador tem o perfil adequado à filosofia, objectivos e necessidades de um clube?

A resposta a estas perguntas é importante num clube como o Sporting, mas não tanto no Real Madrid, Barcelona, Manchester ou Bayern, e outros. Isto porque todos eles têm disponibilidade financeira para oferecer ao treinador  jogadores com o perfil adequado ao modelo que o treinador deseja implementar. Não é o caso do Sporting, pelo que a escolha do técnico tem que levar sempre em linha de conta o material humano que lhe pode disponibilizar.

Como tudo quase correu muito bem no primeiro ano, as respostas a estas questões não foram necessárias. O impacto da chegada de Jorge Jesus foi tal que só por um triz não se celebrou a conquista do campeonato. Aqui Jorge Jesus cumpriu com aquilo que se esperava dele como grande treinador: adaptou as suas ideias às características do plantel disponível, mantendo-se fiel aos seus princípios de jogo, conseguindo ainda oferecer aos seus jogadores o meio ideal para exponenciar as suas qualidades, valorizando-os.

Esta estadia de Jesus no céu a verde-e-branco durou muito pouco, provando que é relativamente fácil ter êxito fortuito no futebol, embora o emprego da palavra êxito até seja excessivo. Não o é no caso de Ranieri no Leicester, um caso de sucesso imediato, que passará a ser paradigmático. Mas é mais difícil ter êxito de forma duradoura e para tal é necessário mais do que um alinhamento favorável dos astros. A ideia que na corrida para o sucesso se podem queimar etapas pode ser muito atraente mas raras vezes paga dividendos.

Quantos dos actuais titulares transitarão para a próxima época? (Foto Sporting)

O insucesso total da presente época deveria remeter a SAD a profunda reflexão, porque só percebendo as suas causas se poderá evitar a repetição de erros e equívocos. Reflexão sem dogmas e com elevada abertura de pensamento e humildade. E se há imensas questões por responder a principal é a que deveria ter sido colocada em primeiro lugar, quando se partiu para a contratação de Jorge Jesus:

Tem ele o perfil ideal para ser treinador do Sporting? E por outro lado também deve ser perguntado: tem o Sporting as condições para proporcionar o sucesso ao seu treinador na exacta forma que ele entende como condições indispensáveis para lá chegar? Não está em causa a qualidade do treinador, como certamente não estará a de Guardiola, cuja mudança para Manchester deu ainda mais força a este género de interrogações.

A redefinição por parte de Bruno de Carvalho, reafirmando a famigerada “aposta na formação” vem tornar a resposta à pergunta imperativa. O contexto que levou à contratação de Jorge Jesus – procura de títulos de forma imediata e com recurso “ilimitado” ao mercado, em nítido desfavor do recurso à prata da casa – parece ter-se alterado subitamente, tornando esta questão ainda mais actual. Mais ainda porque parecem evidentes que as consequências económico-financeiras e até psicológicas do falhanço desta época condicionarão fortemente as opções.

A próxima  época ajudará a perceber melhor como será possível o entendimento entre duas versões aparentemente conflituantes e, mais do que as declarações de circunstância, serão as decisões que serão tomadas que falarão mais alto sobre a forma como se fará o respectivo equilíbrio de forças.

Facilmente se entende que esta reconfiguração é um grande desafio para ambas as partes. E também uma excelente oportunidade para o clube e para Jorge Jesus. É que, apesar da retórica à volta da “aposta na formação” o que não tem faltado desde sempre e apesar do sucesso são medidas avulsas e mesmo contraditórias.

Quer Jorge Jesus quer o Sporting teriam muito a ganhar com uma visão integrada para a formação, com o técnico a ser importante na definição do modelo de jogo de forma transversal em todos os escalões, algo que há muito já devia estar em marcha. Seria o primeiro passo para o treinador conhecer melhor um sector que poderia ganhar maior preponderância sob o seu comando, podendo os jogadores, dessa forma, dar resposta mais precoce às elevadas exigências que o modelo do treinador costuma suscitar.

Isto claro, se quer técnico quer a actual direcção clube estiverem mais interessados em construir um legado do que apostar todas as fichas apenas no imediato.

img_818x4552017_02_07_09_14_56_597172.jpg?fit=818%2C455
José DuarteMarço 15, 20175min0

São grandes os desafios que o Sporting enfrentará na próxima temporada e uma parte substancial das dificuldades que terá que enfrentar serão a consequência directa ou indirecta do fiasco da que ainda está em curso. Faltará apenas perceber quanto tempo e quão intensos serão os sintomas de ressaca depois da ter vivido la vida loca de contratações no início da presente temporada. Talvez a melhor ilustração para esta afirmação seja a presença de Douglas como quarto central? Faz algum sentido?

A primeira consequência directa será a obrigação madrugar na preparação da candidatura à tão desejada e necessária Liga dos Campeões, pela via muitas vezes ingrata da pré-eliminatória. Um caminho já percorrido no ano de estreia de Jorge Jesus no comando e que não correu bem. É ainda cedo para antecipar os adversários, mas não é preciso ter dons de adivinhação para saber que a este nível não há adversários fáceis, há apenas nomes mais ou menos consagrados.

Como consequência indirecta, mas de grande impacto na formação de plantel, é a gestão do orçamento para a sua constituição. Dever-se-á contar ou não com os prémios de presença na Champions League como adquiridos, ou “simplesmente” ter como fito na respectiva constituição o objectivo principal da época – o campeonato – assumindo que tal é suficiente para a formação de uma equipa à altura das lides europeias?

De forma não tão directa, mas igualmente importante e condicionadora, estará a valorização de jogadores, tradicional fonte de receita para a obtenção de reforços. A presente época não proporcionou revelações e, embora não se possa afirmar que depreciou os valores seguros (Patrício, Coates, William, Adrien), também não os tornou mais apetecíveis.

Dificilmente encontraremos por isso a mesma apetência e a mesma generosidade que existiu na procura de Slimani e  João Mário. A venda de qualquer um deles criará a necessidade de serem substituídos por elementos de igual valor, vendo aumentados os riscos que estas operações acarretam e cujos exemplos estão ainda bem vivos nas mentes de todos. Da presente época sobreviverão problemas por resolver, alguns deles implicarão inapelável recurso ao mercado, outros poderão encontrar solução nos quadros do clube.

Questões laterais

O problema dos defesas laterais está mais que identificado, mas a sua resolução tem sido sucessivamente adiada. É sentimento maioritário entre muitos adeptos que foi aí que a época começou a ficar perdida. Em equipas como as de Jesus, com forte propensão atacante, eles são tão importantes a criar imprevisibilidade no ataque como a gerar reequilíbrios na reorganização da equipa quando perde a bola. Não parece que o problema possa ser resolvido satisfatoriamente sem recurso ao mercado e em mais do que um nome.

Questões centrais

A possibilidade de saída de Adrien e/ou William seria um festim para Carlos Vieira, o homem das finanças, mas um pesadelo para Jorge Jesus e grande parte dos adeptos, sobretudo se acontecessem em simultâneo. Mais ainda se tivermos em conta que, pelo que esta época foi demonstrando, que nem as suas ausências episódicas (castigos, lesões) ou baixas de forma encontram ainda resposta no plantel.

Faltará perceber se a baixa de Bryan Ruiz é um sintoma definitivo da veterania que se vai inapelavelmente instalando, precisando de alternativa, ou se poderá recuperar a influência determinante da primeira temporada. Ou se o ciclo de adaptação de Alan Ruiz está conseguido. Será igualmente interessante perceber que papel destinará Jorge Jesus a jogadores como Francisco Geraldes, Matheus e Podence, Palhinha, por exemplo.

Foto: sporting.pt

Questões avançadas

Pode parecer paradoxal mas, em época de desilusão como a actual, é no ataque onde se encontram os dois jogadores que poderão suscitar maior cobiça externa. Falo obviamente de Gelson Martins e de Bas Dost. Martins pelo potencial e qualidades já demonstradas e o holandês pela capacidade goleadora, ainda por cima numa equipa que nem sempre o serviu bem ou revelou essa preocupação. Algo que deverá mudar nos jogos que restam com a candidatura agora em aberto ao ceptro de goleador-mor do continente.

A partida de qualquer um deles abriria um problema semelhante à de Adrien ou William, embora me pareça ainda de mais difícil solução o abandono do holandês que, também de forma semelhante, não teve este ano alternativa. Felizmente não teve que se ausentar ou as coisas ainda se teriam complicado mais para Jorge Jesus.

Questões de gestão e comando

Embora muitas vezes as discussões se centrem nas individualidades as histórias das grandes conquistas escrevem-se pela força colectiva. Tudo começa no planeamento rigoroso, na escolha de nomes, datas, adversários, locais de estágio, etc. E se há algo que hoje parece pacifico constatar é que algo falhou na escolha do perfil de vários jogadores, o seu número e também o timing da sua incorporação, face à prontidão de resposta que se exigia, tendo em conta os compromisso da equipa.

Ora tempo é algo que o Sporting já terá que estar “comprar”, porque não terá em abundância para apresentar uma equipa nos níveis competitivos que as pré-eliminatórias da Champions League costumam colocar. Isto é, é bom que haja ideias claras sobre a organização da próxima temporada. Dificuldade que acresce com a reputação de exigência e dificuldade que a compreensão e adequação que o modelo de jogo Jesus coloca aos seus jogadores, em especial, obviamente as que chegam de novo.

Quer Jorge Jesus quer Bruno de Carvalho sabem que está em jogo a sua sobrevivência como dupla e que à terceira ou será de vez e, ou vai, ou racha.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS