20 Set, 2017

Arquivo de Porto - Fair Play

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Diogo AlvesAgosto 10, 201716min0

Os portistas depositam bastante confiança no novo timoneiro dos Dragões, Sérgio Conceição. Com um plantel construído com base na época passada, o ex-Nantes, Braga e Vitória SC, quer voltar a dar ao Dragão a alma de outros tempos.

Artigo feito em parceria com Francisco Isaac

COMPRAR OU NÃO COMPRAR, EIS A QUESTÃO…

Dos verões menos animados que existiram para o Reino do Dragão, com a realização de apenas uma entrada: Vaná (CD Feirense). O guarda-redes brasileiro, que deu várias “dores de cabeça” no empate a zeros na época passada, foi o único reforço fora-de-portas para o FC Porto. Porém, desenganem-se quem pensa que isto é sinal de fraqueza, fragilidade ou “morte anunciada” dos portistas… os “novos” reforços estavam nos empréstimos de anos anteriores.

Depois de várias épocas a esbanjar euros em jogadores que pouco ou nunca jogaram no Dragão, o FC Porto de Sérgio Conceição recuperou uma série de activos que podem dar outra profundidade ao plantel, não gastando qualquer valor no processo.

Vejamos: Aboubakar, Diego Reyes, Hernâni, Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira, Bruno Indi (por esta altura a negociar uma hipotética saída para Inglaterra) e Marega. Ou seja, ao todo foram sete os retornos à equipa principal do FC Porto com duas a ganhar uma dimensão bem relevante para o 11 dos Dragões.

Falamos de Ricardo Pereira e Vincent Aboubakar. O lateral/extremo português regressou ao FC Porto após dois anos no Nice e tem sido uma das grandes surpresas durante a pré-época, dando outra profundidade ao corredor direito, apetrechado de um belo poder de cruzamento, boa visão de jogo e um ritmo bem mais alto do que Maxi proporcionava.

Aboubakar foi um autêntico matador na pré-época, com 7 golos, munindo-se de uma grande confiança, poder de choque e capacidade de moer a defesa a cada investida. Depois de um empréstimo ao Besiktas e de problemas com a anterior equipa técnica do FC Porto, o camaronês mereceu confiança de Sérgio Conceição e tem respondido com golos, golos e golos. Mas será só pólvora de pré-época?

Por outro lado, as saídas de André Silva e Rúben Neves poderão fazer-se sentir a médio prazo. O avançado, que deixou quase 40M€ nos cofres dos azuis-e-brancos, dava outras “armas” ao ataque, naquela que poderia ser uma época de total afirmação.

Já Rúben Neves poderia ter encaixado com qualidade no 4-4-2 de Sérgio Conceição, mas os quase 20M€ do Wolves parecem ter convencido a SAD do FC Porto a desfazer-se do médio. E se a saída de Danilo Pereira ainda se verificar, ficará um “buraco” por tapar no meio-campo… problemas antes do início da época?

Outras saídas a destacar foram os empréstimos de Boly (Wolves) e Mikel Agu (Bursaspor) e as vendas de Laurent Depoitre (Huddersfield), Andrés Fernández (Villareal) e potencialmente Josué (em negociações com o SC Braga). Ao todo o FC Porto somou 63M€ em transferências, apresentando um saldo positivo que agradará à Troika da UEFA, uma vez que o FC Porto está sob avaliação do Fair Play financeiro até 2020 (se considerarmos que a transferências de Óliver Torres só entra nas despesas de 2017/2018, o FC Porto conseguiu 43M€ positivos em transferências, não mencionando aqui os salários).

Vendo bem o FC Porto suprimiu a vaga de Boly com a inclusão de Indi e Reyes, a posição de lateral direito com Ricardo (com Layun a ficar o suplente directo de Telles), Sérgio Oliveira por Neves (não sendo uma troca directa, mas garante mais um “cérebro” para o miolo do terreno), Aboubakar, Marega e Hernâni por André Silva e Depoitre (o belga quase nunca foi opção nos Dragões) acrescentando mais uma opção para a frente de ataque ou extremidades do campo, o que perfaz um plantel mais audacioso, com mais escolhas e com outras soluções para os momentos mais intensos da época.

Todavia, um aviso aos mais esperançosos… a inclusão de Diogo Dalot (o lateral direito pode estar na calha para substituir Maxi ou Layun no plantel principal) e Rui Pedro não serão sinais que há alguma falta de recursos para ter opções mais experientes no plantel principal? Não faltará um ponta-de-lança suplente para entrar por Soares e Aboubakar? E não teria sido proveitoso chamar de volta Quintero, tendo um 10 “puro” como solução a Brahimi?

Vaná Alves a única contratação do FC Porto 2017/18 [Foto: fcporto.pt]

QUEM SAI NA FRENTE

A Pré-época é aquele período de trabalho das equipas que proporciona uma reviravolta na carreira de alguns jogadores… que o diga Vincent Aboubakar ou Ricardo Pereira, dois dos melhores jogadores do FC Porto durante todos os jogos da pré-época.

Ricardo Pereira encantou por completo as bancadas, com um futebol de classe, bem pautado, onde as investidas no ataque fizeram-se sentir, apresentando uma assertividade bem superior a Alex Telles no apoio aos extremos ou avançados dos Dragões. Para além disso, Ricardo traz velocidade, ritmo e resistência, ficando agora por confirmar a sua capacidade emocional para aguentar com o Tribunal do Dragão.

Aboubakar teve com Sérgio Conceição uma espécie de renovação aos olhos dos adeptos dos azuis-e-brancos… se os golos não foram os suficientes para agradar, o futebol aguerrido polvilhado com algum perfume (a fazer lembrar os primeiros tempos com a camisola do FC Porto) e raça na entrega acabaram por sanar o conflito com as bancadas, entrando numa nova reconciliação.

Sérgio Oliveira não tendo sido fantástico, fez o suficiente para agradar tanto o treinador como uma boa parte dos adeptos, denotando-se a capacidade para lançar jogo ao passe, comunicação intensa e boa capacidade de colocação (a velocidade e ritmo de jogo continuam a ser problemas no internacional sub-21 português).

Não deu para observar Diego Reyes com os “olhos” que todos queriam, mas o central mexicano parece ter amadurecido após dois anos de empréstimo na La Liga. Mais confiante, “raçudo” e competente, o central pode ser a solução para Marcano ou Felipe e durante os poucos jogos que fez cumpriu sempre com as suas obrigações.

Depois Soares voltou a deixar a sua marca com golos e entrega (continua a faltar visão de jogo mas já tem outra capacidade de ajuda na defesa). Brahimi com a classe do costume e sempre sob um bom certame, dominando bem as ingressões no meio-campo adversário, aplicando-se isto também a Corona.

Contudo, também houve lugar para desencantos com alguns jogadores nomeadamente com Hector Herrera (cada vez mais longe do jogador que foi em 2014/2015), Maxi Pereira e Miguel Layún.

O mexicano nunca demonstrou o porquê de ser um dos capitães no FC Porto durante os jogos de pré-época, realizando apenas um bom jogo em toda a pré-época (Cruz Azul). Falta de posicionamento, o ritmo nunca foi ideal e a sua participação no ataque foi longe da que Sérgio Conceição aprecia… para além disso, está atrás de Otávio e André André para opções no meio-campo. Estará o tempo do mexicano a terminar?

Maxi Pereira já não tem a intensidade de outrora e a perda de lugar para Ricardo Pereira prova, em parte, essa teoria. Para além disso, quando entrou em campo o lateral nunca foi a unidade mais competente, comprometendo o ataque em alguns momentos e a ter dificuldades em aguentar com adversários mais exímios a explorar as suas costas (pela qualidade mais baixa dos adversários, o FC Porto nunca teve um teste de fogo durante este início de época).

Por fim, Miguel Layún está definitivamente relegado para o banco de suplentes ou para a “equipa de reservas”, já que só pela sua polivalência irá convencer Sérgio Conceição a inclui-lo nos 18 convocados de cada semana. Layún está longe do lateral de 2015/2016 e uma hipotética transferência poderá estar para acontecer num futuro próximo.

Estes foram os jogadores a destacar por cima e por baixo da pré-época do FC Porto, com os retornados a ganhar um papel de destaque nos convocados do novo treinador dos Dragões.

Regressou, viu e venceu. A estrela da pré-época, Vincent Aboubakar [Foto: noticiasaominuto.com]

«Ardente voz»

Sérgio Conceição espelha na perfeição uma das frases marcantes do hino do FC Porto, com uma voz ardente e flamejante. Um homem íntegro, honesto, directo e frontal, sem medo de assumir riscos e de dizer o que lhe vem à alma no preciso momento. Transparente e igual a si mesmo em todas as conferências de imprensa ou flash-interview. Não deixa passar nada, não deixará nada por dizer.

Do discurso melancólico, monótono e monossilábico, os dragões agora têm um treinador com um discurso inflamado, directo e com imenso conteúdo. Conteúdo que deixou bem claro desde o primeiro dia, avisando desde logo toda a navegação que com ele sentirão pressão desde o dia 1, com processos de treino de qualidade e não esperem paninhos quentes nas horas mais duras.

Emocionado pela chegada ao seu lugar, à sua cadeira e ao seu Dragão, Sérgio Conceição tem sempre uma ponta emocional em todos os momentos. De lágrima no olho e voz algo embargada, procura fugir à emoção, até porque, como o próprio diz, a emoção retira-lhe a razão e no banco do Dragão a razão tem de estar acima de qualquer emoção.

Falou sempre do jogo, dos aspectos do jogo, do que pretende e do que não gostou e quer “afinar”. Não procurou os lugares comuns ou chavões da praxe em época onde tudo é treino, tudo é uma questão física. Não se refugia nos 20 remates conseguidos, não aponta a ineficácia como o mal para o empate ou derrota. Procura logo focar-se no que esteve menos bem, os 15’ minutos finais, do que os 75’ onde a equipa esteve realmente bem. Perfeccionista vai ao detalhe e não deixa escapar nada.

No banco de suplentes já vimos alguma da sua azia e da sua ginástica habitual. Não para nunca, gesticula, assobia, chama pelo jogador e se for preciso mandar um berro ele fá-lo. De garrafa de água na mão e com a mirada atenta no relvado, não deixa escapar um detalhe que seja, pede para a linha defensiva subir mais ou menos, questiona o jogador porque não deu cobertura ou porque “fugiu” da jogada. Nem os auxiliares e árbitro escapam ao novo timoneiro do Dragão.

Foi visível no jogo de apresentação, diante do Deportivo La Coruña, questionando Jorge Sousa (de forma respeitosa) se não havia um penalti. «Jorge, mão ali, não?». No México não deixou que o árbitro fizesse farinha com ele e ordenou que os jogadores não batessem as grandes penalidades, saindo assim de campo após o apito final.

[Foto: noticiasaominuto.com]

Porto à Porto

Na vertente mais técnica e táctica, o novo timoneiro prometeu um Porto diferente, nem melhor, nem pior mas diferente dos últimos 4 antecessores. Quer um Porto mais à imagem dos bons velhos tempos, agressivo, a jogar com bola, a sufocar o adversário desde o apito inicial até o final. Sem medo de assumir riscos para obter o resultado pretendido, procura um Porto mais à imagem do Porto. Determinado, ambicioso e de vertigem.

Em campo já se vê a imagem do treinador, a forma como ele quer que o Porto jogue, ainda não ao máximo, mas os jogos de pré-época deram para limpar a vista e elevar as expectativas, até mesmo dos mais pessimistas. Agressivos com bola e sem bola, a querer procurar baliza desde o primeiro instante, assim que há perda de bola o objectivo é logo recuperá-la com uma pressão muito sui generis e que não se via há algum tempo no Dragão. Alta, sufocante e até por vezes desordenada. O objectivo é atacar quando se tem bola, sem bola passa por recuperá-la para voltar atacar.

Ainda que do ponto de vista mais da organização o processo defensivo ainda terá de sofrer ajustes, de forma a torna-lo mais efectivo, já vemos coisas interessantes, e que, dentro de portas poderão funcionar muito bem. O Porto ainda sofre quando a 1ª linha de pressão é batida e quando começa a defender no seu próprio meio-campo, faltando melhores ligações entre sector médio e defensivo. Ainda assim é visível a melhoria de jogo após jogo durante a pré-época, sinais do perfeccionista Conceição.

Rasgar com o passado

Sérgio Conceição marca um fim de uma era, a era do 1-4-3-3, sistema muito utilizado desde os anos 80 no Porto. Desde Pedroto, passando por Mourinho e acabando em Lopetegui. O sistema que fez escola, marcou décadas e que deu títulos, vê agora o seu fim, pelo menos para já. O 1-4-3-3 era como uma pele para os portistas. Quem se atrevia a chegar e mudar com o seu sistema era logo olhando com desconfiança.

Que o digo Paulo Fonseca que tentou de uma forma tímida implementar um 1-4-2-3-1, e acabou engolido pelo Tribunal do Dragão. Mourinho é o único caso de sucesso com títulos, o seu 1-4-4-2 usando nas competições europeias, nomeadamente na Liga dos Campeões em 2004, foi essencial para a conquista de Gelsenkirchen.

Nuno Espírito Santo plantou a semente e agora cabe a Sérgio Conceição dar as dinâmicas de acordo com o clube. O 1-4-4-2 desta época é diferente do ponto de partida da época passada, desde logo porque as dinâmicas de jogo são muito diferentes. O calculismo e pragmatismo, deu a lugar à verticalidade e ao risco.

Afinal como joga este Porto de Sérgio Conceição

Dispostos em campo em 1-4-4-2, como já referido, o FC Porto procura agora um tipo de jogo mais posicional e menos anárquico, usando a ordem para desordenar o adversário, elaborando sempre com posse de bola como um meio e não um fim. Procurando provocar o adversário, chamando-o para zonas interiores – onde há desde logo mais unidades – para libertar os corredores.

Laterais a garantir amplitude e profundidade, com Alex Telles e Ricardo, os vaivém nos corredores estão garantidos e desde logo com boa variabilidade na forma de atacar. Sobretudo com Ricardo quem evidencia uma boa capacidade de atacar a profundidade para cruzar, ou diagonais interiores para chegar a zonas de finalização. Os centrais terão também um papel fundamental na manobra ofensiva, sendo eles com Casillas, os primeiros construir com bola.

Dois médios-interiores, com papéis distintos mas de complementaridade. Um médio mais posicional, mas de construção e menos de destruição. Danilo será esse jogador, mas tem mostrado muitas dificuldades com bola, o que poderá obrigar a uma adaptação de André André à posição. À sua frente jogará um médio com maior raio de acção e que será o cérebro do jogo, o processador, Óliver Torres. Com os dois extremos – Brahimi e Corona – metidos bem por dentro para libertar os corredores para os laterais, mais entrelinhas para participarem em criação nas zonas de decisão.

Na frente dois homens de área – Aboubakar e Tiquinho – mas que têm a missão de à vez irem baixando para dar suporte aos médios, e assim existirem uma maior ligação entre todos. Com dois avançados “puros” o Porto terá mais força dentro da área e aumentado assim a percentagem de sucesso em zonas de finalização. Algo que na época passada foi muito debatido.

A defender haverá uma pressão imediata sobre o recuperador da bola, aumentado assim o sucesso de recuperação em zonas mais adiantadas. Pressionar logo que possível para roubar a bola ao adversário e voltar atacar. Sempre com 6 unidades no meio-campo alheio, formando muitas vezes um losango com os médios para dificultar as tarefas de construção ao adversário.

Em suma, teremos um Porto mais à sua imagem, onde irá imperar a sua força e vontade de querer muito vencer e dominar os jogos. Voltará o Porto de maior posse de bola, mas com a diferença de ser uma posse de mais qualidade e menos estéril. Havendo espaço ataca-se, não havendo provoca-se esse espaço. O futebol Rock N’Roll parece estar de volta ao Dragão depois de vários anos de ausência.

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Diogo AlvesJulho 28, 20174min0

O FC Porto tem de momento um plantel extenso e precisará de o emagrecer para conseguir uma melhor gestão dos seus activos. Actualmente estão 29 jogadores a trabalhar com Sérgio Conceição. O Fair-Play apresenta uma lista de três jogadores que os Dragões ainda poderão vender até final de Agosto.

Maxi Pereira

O experimentado lateral-direito chegou em 2015 ao FC Porto a custo zero, oriundo do eterno rival Sport Lisboa e Benfica. Deixou para trás 8 épocas nos encarnados para ingressar nos azuis e brancos com intuito de conseguir mais títulos e de começar uma nova etapa em Portugal.

Três épocas depois, Maxi está com 33 anos e é um jogador caro para o FC Porto – dos mais bem pagos do plantel depois de Iker Casillas – mediante aquilo que são as suas actuais capacidades físicas e técnicas. Cada vez mais limitado, face à sua idade, e com o aparecimento de novos laterais ao serviço dos Dragões, Maxi começa a perder terreno.

Posto isto, uma venda em definitivo de Maxi seria bom para ambas as partes. O FC Porto poderia apostar em definitivo em Ricardo Pereira como titular e promovia Diogo Dalot (ou Fernando Fonseca) à equipa principal para treinar entre e com os melhores e começar a ganhar o seu espaço, para que no futuro assuma a posição. Maxi certamente que via com bons olhos uma ida para um clube onde pudesse continuar a jogar e continuasse a ganhar um ordenado principesco.

[Foto: souportista.pt] A dupla Maxi Pereira e Héctor Herrera poderá ter os dias contados no Porto.

Héctor Herrera

Actual capitão do FC Porto, o mexicano parte para a sua 5ª época ao serviço dos dragões. É um dos jogadores mais carismáticos do plantel e dos mais antigos, já está na Invicta desde a época de Paulo Fonseca (2013/2014).

O azteca nunca foi dos mais amados pela tribuna do dragão, não raras vezes acabou assobiado (mesmo usando a braçadeira de capitão) após um mau passe ou uma má decisão. Tem sido dos jogadores mais contestados dos últimos anos e que os adeptos mais pedem a sua venda.

É um jogador que vai valorizando-se pelos bons desempenhos ao serviço da selecção, tendo feito uma Taça das Confederações de bom nível, e, com detalhes nunca vistos pelo Dragão. A valorização conseguida na competição pode ser uma ajuda para conseguir uma venda a rondar os 15/20M€ e permitir ao jogador iniciar uma nova etapa num novo clube, e assim também emagrecer os centrocampistas que há em excesso, de momento, no plantel de Sérgio Conceição.

Moussa Marega

Chegou em Janeiro de 2016, um pedido (o último) de Julen Lopetegui, que terá pedido a Jorge Nuno Pinto da Costa, este jogador que à data estava no Marítimo. Lopetegui não chegou a trabalhar com ele, mas sim José Peseiro. Uma metade de época onde pouco jogou, e o que jogou deixou a nu muito das suas dificuldades em jogar num grande da Liga NOS.

Esteve emprestado ao Vitória Sport Clube, e para surpresa das surpresas, Moussa Marega fez uma época acima do esperado tendo marcado 14 golos ao serviço dos vitorianos. Chegando mesmo a ser dos melhores marcadores do campeonato nos primeiros meses.

Regressou ao Dragão neste verão – pelo meio alguma polémica por chegar mais tarde -, mas é um jogador que está algo descontextualizado com o clube. Não tem grandes características para ser um jogador determinante no FC Porto, e, apesar da boa época em Guimarães, Marega não tem o plus necessário. Falta-lhe mais qualidade a nível decisional, técnico e táctico. Vive muito de um futebol de esticões. A sua realidade será clubes da metade superior da tabela, pelo que, uma venda agradaria a todas as partes.

[Foto: fcporto.pt]

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João NegreiraJulho 23, 20177min0

Após a época 2016/2017 que resultou no Tetracampeonato do Benfica, com 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, o Porto, e o dobro para o 3º classificado, o Sporting, são altas as expectativas para a época que se avizinha. Conseguirá o Benfica revalidar o seu título, mesmo perdendo 3 das suas peças basilares da defesa? Será Sérgio Conceição o treinador ideal e capaz de retornar o Futebol Clube do Porto aos títulos? Vai ser desta que Jorge Jesus conseguirá levar o Sporting Clube de Portugal ao topo do futebol português? Que mudanças poderão haver nos 3 grandes?

SL Benfica

Rui Vitória vai tentar manter o Benfica a ganhar títulos [Fonte: Mais Futebol]
 

Começando pelos encarnados, que conquistaram o inédito “Tetra” na passada época, e viram sair Ederson, o titular indiscutível da baliza das águias, Lindelof, o homem que jogou a época inteira ao lado de Luisão, e Nélson Semedo, o menino da formação que chegou, viu e (con)venceu. Apesar da belíssima quantia que o Benfica recebeu por estes jogadores,  o contributo desportivo que deram não pode ser descurado, sendo que taticamente eram imprescindíveis e, por conseguinte, difíceis de substituir. Posto isto, e tendo já feito alguns amigáveis que demonstraram o pior cenário, se o Benfica quiser manter o título e continuar a sonhar na Europa, tem que ir ao mercado. Júlio César é bom, mas só bom, e não é Ederson, nem entre os postes, nem fora deles. Pedro Pereira, para já o candidato número 1 para a ala direita, apresenta-se com pouco ritmo de jogo e também com pouca confiança, não podendo, assim, ser o titular do Tetracampeão. Jardel, é o que já nos mostrou em épocas passadas, mas uma dupla Luisão-Jardel não convence, não só pela idade mas também pelo contributo que não poderão dar nem tecnica, nem taticamente. Vindos da formação, Diogo Gonçalves é aquele que mais parece estar preparado para ficar no plantel, sendo ele o que mais deu nas vistas. João Carvalho, Rúben Dias e Buta ficarão na expectativa para poder lutar por um lugar. Falando de reforços, apenas se mostra a olhos vistos Seferovic, que pode, e muito bem, tirar a titularidade a Mitroglou. Krovinovic poderia ser peça importante, mas a lesão atrasou a sua preparação e poderá sofrer com isso. Arango, Willock e Chrien são jovens estrangeiros que ainda se estão a adaptar a um país, cultura e clube novos, por isso só o tempo e Rui Vitória, dirão se ficarão ou não no plantel. Taticamente, o mister, prometeu novidades, mas nestes jogos de preparação ainda apareceu um Benfica muito igual ao da época transata, à imagem daquilo que Rui Vitória implantou quando chegou. Finalizando assim como começado o “separador” das águias, é preciso comprar jogadores à altura para suprir as saídas, porque em “casa” o Benfica não tem substitutos à altura.

FC Porto

Sergio Conceição, chega para ser já campeão, terá sido ele a escolha certa? [Fonte: O Jogo]
 

Na época que se aproxima vamos contar com um Porto condicionado pelo Fair Play Financeiro e assim, obrigado a vender muito e a comprar pouco ou nada. Portanto, a mudança maior será na voz de comando do balneário, o treinador, é ele Sérgio Conceição, que fez um excelente trabalho em França, no Nantes. Pinto da Costa foi, então, obrigado a vender e vendeu André Silva, Rúben Neves e Depoitre. Destes, foi André Silva que mais se destacou na época passada, marcando 21 golos ao serviço dos azuis e brancos. Realça-se ainda Diogo Jota, que regressou ao Atlético de Madrid. No plantel, as caras novas que iremos ver são os “Regressados” e Vaná (mais um Guarda Redes?; Fair Play Financeiro?), e desses destacam-se, obviamente, Aboubakar que pode ser o substituto ideal de André Silva, e Ricardo Pereira que, pelo que já demonstrou nos jogos amigáveis dos dragões, veio muito mais maduro a todos os níveis. O Porto beneficiaria se jogasse num 433, com o camaronês como referência ofensiva; tendo muita gente no meio, conseguiria ter sempre o controlo do jogo e muita posse de bola, e ainda teria vantagem quando jogasse com os seus adversários diretos, que jogam ambos num 442. Nos jogos de preparação, apareceu um Porto defensivamente coeso e sólido, à imagem da época passada. Ofensivamente ainda parecem existem arestas a limar. Ainda é cedo e é preciso dar tempo aos jogadores para se adaptarem às ideias do novo treinador. Não obstante, já foi possível ver um Porto muito pressionante, a lutar muito pela bola, com muita raça, mesmo como Sérgio Conceição gosta que os seus jogadores sejam. E é isso mesmo que o Porto precisa, de dar um grito de revolta e de voltar a ganhar títulos, começando no balneário, com o homem que comanda as tropas, que tem que ser o porta-voz dos azuis e brancos. S. Conceição é um treinador competente e é possível que possamos ver já esta época o melhor do mesmo.

Sporting CP

Será este o ano de afirmação de JJ no Sporting? [Fonte: Mais Futebol]
 

Vai começar a 3ª época de Jorge Jesus no comando do Sporting, tendo apenas ganho 1 Supertaça. A expectativa é, no entanto, grande, até porque este ano o Sporting já fez muitas mexidas no plantel. Vendeu Paulo Oliveira e Rúben Semedo, e Douglas, Schelotto e Zeegelaar já não contam; foi uma defesa inteira, portanto. Chegaram também muitas caras novas, causando grande expectativa nos adeptos, principalmente para com a entrada de Bruno Fernandes, que tanto pode fazer uma época fantástica como pode ficar no banco a temporada inteira, de Fábio Coentrão, que se não for afetado por lesões pode voltar ao nível que já nos habituou, de Mathieu, pois vindo de um Barcelona pode ser uma mais valia com a sua experiência europeia, e de Doumbia, que pode ser o parceiro ideal para Bas Dost. Falando ainda de Battaglia, Mattheus O. e de Jonathan Silva, podem vir a ser importantes tendo em conta a longa época que vamos ter. Não esquecendo Piccini que é o candidato número 1 para a ala direita depois da saída de Schelotto, mas não pela imensa qualidade que poderá já ter mostrado, mas pelo facto de não haver mais nenhum concorrente a fazer-lhe frente. Taticamente, pelos jogos de preparação, Jorge Jesus está a preparar um sistema novo para além do 442. Será qualquer coisa com apenas 3 defesas, estando entre um 352 ou um 343. A preferência, no entanto, deveria centrar-se num 352, pois poderá ser aquele que é mais adequado ao plantel e às necessidades do Sporting, podendo talvez penalizar os extremos e aquele que é, provavelmente, o melhor jogador, Gelson Martins. O 343 contará com extremos, mas Bruno Fernandes será relegado para o banco e Doumbia jogará fora de posição. Será um sistema diferente daqueles a que estamos habituados, mas será interessante ver se será ou não a primeira opção de Jesus ou até contra que adversários irá utilizar este sistema.

Estamos ainda em fase de preparação, e as caras novas ainda se estão a adaptar, mas algumas poderão fazer a diferença já esta época para as suas equipas. Será, como é sempre, um campeonato bastante competitivo entre estes 3, sendo que cada vez mais se quer e espera que os clubes portugueses se intrometam entre os grande da Europa.

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Francisco da SilvaJulho 9, 20176min0

O ténue equilíbrio que se vive no Dragão entre as finanças do clube e os resultados desportivos, colocam um enorme desafio a Luís Gonçalves e Sérgio Conceição na definição de um plantel azul e branco suficientemente competitivo para fazer sonhar os portistas. O Fair Play dá o seu contributo e faz 3 recomendações cirúrgicas perfeitamente de acordo com os padrões de qualidade exigidos e com a realidade financeira do emblema portista.

Defesa Central – Duje Caleta-Car (Red Bull Salzburg)

A principal certeza que existe nesta zona do terreno é que a dupla Marcano-Felipe continuará a ser um dos pilares defensivos do FC Porto. No entanto, apesar de bem entregue a titularidade, existe uma necessidade premente de adicionar pelo menos uma alternativa válida à aliança hispano-brasileira que mantenha os níveis exibicionais elevados. Apesar de contratualmente ligados ao clube, dificilmente Reyes e Martins Indi farão parte do atual plantel portista. Tanto o mexicano como o holandês seriam mais do que suficientes para preencher o quarteto de centrais, porém, os dois jogadores têm mercado e parecem pouco focados no FC Porto, como tal, surgindo uma proposta minimamente interessante devem sair. Neste sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Duje Caleta–Car.

Duje Caleta-Car é um central croata formado no modesto HNK Sibenik e que nos últimos 4 anos concluiu o seu processo de formação na Áustria, tendo sido contratado pelo Red Bull Salzburg em 2015. Apesar da sua última temporada em Salzburgo ter sido discreta, Caleta-Car tem demonstrado ter potencial para atingir novos patamares futebolísticos, nomeadamente, por reunir um conjunto de características fundamentais. O croata de 188 centímetros é um defesa central com uma mentalidade extremamente competitiva (e tipicamente dos Balcãs), que alia o seu enorme poderio físico a uma boa capacidade de antecipação, leitura de jogo e passe longo. Por outro lado, Caleta-Car é um defesa que desequilibra com a sua envergadura nas bolas paradas defensivas e ofensivas, tornando-se uma ameaça constante sempre que sobe à área contrária ou uma segurança adicional sempre que defende a sua grande área. No Dragão, o internacional croata teria espaço e tempo para amadurecer as suas qualidades mentais e táticas, corrigindo alguns defeitos como a excessiva agressividade e irregularidade numa escola de centrais que conseguiu “domesticar” e projetar nomes como Bruno Alves ou Pepe. Por último, Caleta-Car está avaliado em 2,5 milhões de euros*, nesse sentido, o esforço exigido aos cofres portistas estaria de acordo com a frugalidade da tesouraria do clube.

Médio Centro – Jordan Veretout (Aston Villa)

A casa das máquinas azul e branca tem sido um dos principais responsáveis pelo fiasco desportivo das últimas temporadas. A nível defensivo, o meio campo portista tem em Danilo Pereira um “polvo” de elevado quilate capaz de dar equilíbrio às transições do FC Porto. O principal problema reside na incapacidade que elementos como André André, Óliver Torres e Héctor Herrera têm em organizar o jogo ofensivo portista e em aparecer com qualidade nas zonas de finalização. Na época transata, este trio de jogadores contribuiu totalmente com apenas 6 golos e 10 assistências na Liga NOS, ou seja, o equivalente ao produzido por um único jogador do SL Benfica, Pizzi (10 golos e 9 assistências). Assim, para comandante do meio campo portista, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Jordan Veretout.

Jordan Veretout é um centrocampista de 24 anos formado nas escolas canaris do Nantes que em 2015 deu o salto para a Premier Leaguer, mas sem grande sucesso, nomeadamente, devido à enorme instabilidade institucional e técnica do clube que o recebeu, o Aston Villa. Na temporada transata, regressou em grande à Ligue 1 para confirmar novamente toda a sua qualidade. O box-to-box francês é um jogador de altíssima rotação, capaz de “comer” metros de terreno durante o jogo todo com a mesma lucidez e discernimento, ora em missões defensivas ora em tarefas mais criativas no ataque. Veretout é um médio bastante completo também no aspeto técnico-tático: a nível defensivo, sabe posicionar-se e compensar muito bem a equipa nos momentos de transição, já a nível ofensivo, é um exímio executante de lances de bola parada e um bom playmaker que sabe assistir os seus colegas e aparecer em zonas de finalização. Na equipa de Sérgio Conceição, o médio francês entraria diretamente para a formação titular no lugar de André André ou Óliver Torres, dependendo se o técnico português procurasse maior criatividade ofensiva ou maior consistência intermédia, respetivamente. Quanto a valores, atualmente o Aston Villa pede entre 8-9 milhões de euros por Veretout, ou seja, um valor comportável para o orçamento do FC Porto e desportivamente justificável.

Ponta de lança – Léo Bonatini (Al Hilal)

O “9” do FC Porto não merece contestação. Francisco Soares parte justificadamente como artilheiro-mor e indiscutível no onze portista. Contudo, as saídas de André Silva e de Laurent Depoitre abrem pelo menos uma vaga no ataque portista. Ora, Rui Pedro seria uma solução natural para funcionar como alternativa a Tiquinho, no entanto, o processo de crescimento e maturação do jovem avançado português ainda mal começou e não deve ser descurado, pelo que urge-se a contratação de um elemento desequilibrador, com margem de progressão e acessível aos cofres portistas. Nesse sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Léo Bonatini.

Léo Bonatini é um avançado que dispensa grandes apresentações aos adeptos portugueses. Formado no Cruzeiro de Belo Horizonte e com uma fugaz passagem pela formação da Juventus, Bonatini chegou a Portugal pelas mãos do Estoril Praia em 2015 e, logo na segunda temporada com a camisola dos “canarinhos”, viria a sagrar-se o 4º melhor marcador da Liga NOS (apenas atrás de Jonas, Slimani e Mitroglou) com 17 tentos apontados. Atualmente, o brasileiro de 23 anos que representa o emblema saudita do Al Hilal, é um dos avançados mais indicados para ingressar no Dragão. Avaliado em cerca de 3,2 milhões de euros*, Bonatini podia oferecer maior profundidade ao plantel do FC Porto, maior mobilidade ao ataque portista, bem como, podia ainda aumentar o raio de ação do arsenal azul e branco com o seu potente remate capaz de fazer estragos fora do limite da grande área. Habituado à realidade competitiva portuguesa e com uma boa margem de progressão, Bonatini encaixaria que nem uma luva no conjunto de Sérgio Conceição, quer sozinho no ataque quer em parceria com Tiquinho Soares, a um preço apetecível e pouco inflacionado.

*valores mencionados de acordo com a plataforma Transfermarkt.

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Francisco IsaacJunho 17, 20176min0

Fim do percurso de André Silva no FC Porto dita também o início da procura de um colega/substituto/solução para Soares e para o plantel de Sérgio Conceição. Depoitre? Rui Pedro? Aboubakar? Gonçalo Paciência? Um problema e algumas soluções

André Silva já não mora no Dragão… o jovem avançado português (7 golos em 8 jogos oficiais pela camisola das Quinas) é agora do AC Milan. 38M€ (com possibilidade de ascender aos 40M€) após uma época (e meia) ao serviço do plantel principal do FC Porto, vários golos (um de bicicleta na final da Taça de Portugal em 2016) e um crescimento exponencial na equipa principal.

Os euros são uma boa novidade nos cofres do FC Porto, mas a ausência de uma solução de ataque levantam várias questões para Sérgio Conceição que se vê privado do avançado mais móvel, mais inteligente e com melhor capacidade dar à equipa velocidade.

Sim, resiste ainda Tiquinho Soares, o avançado brasileiro que conseguiu lançar uma “poeira de fumo” para os olhos dos adeptos com 12 golos em 17 jogos. Um avançado mortífero à frente da baliza, pecou bastante na ajuda à construção de jogo, na participação do ataque e até na hora de ser solidário com o colega do lado.

Ou seja, com Soares o FC Porto vê-se obrigado a jogar num 4x3x3 versátil com os flancos a trabalharem afincadamente do princípio ao fim (obrigando ao plantel ter uma larga profundidade de forma a ir revezando os jogadores), auxiliados por um médio mais avançado e que faça o jogo girar não só para as laterais mas também pelo meio do terreno.

Verdade seja dita, Soares no momento em que não podia falhar, falhou… a recta final de jogo deixou muito a desejar, forçou muito a sua posição no onze, mas nem mesmo assim Nuno Espírito Santo perdeu a sua crença no killer instinct do brasileiro.

Com a saída de André Silva, sobram então Soares na frente, com Rui Pedro como solução nº1 e, talvez, Depoitre como terceira hipótese para entrar para o ataque. Estas solução são, no mínimo, “curtas” para uma época que ronda os 50 jogos (na melhor das hipóteses).

Rui Pedro tem o frenesim e o toque de bola que deixam bancadas “incendiadas” com uma velocidade e um jeito para surgir nos espaços de alta categoria. Marcou só um golo, verdade, mas é um jogador em formação e que precisa tanto de minutos como de “contrariedades” para ganhar estofo e assumir um papel importante no FC Porto.

Depoitre, o avançado belga que veio por 4M€, foi uma desilusão imensa para os Dragões que esperavam outra capacidade de finalização… o belga nunca foi jogador para o FC Porto, protagonizou alguns momentos que levantaram graves dúvidas em relação ao seu valor… porém, em abono da verdade, NES nunca soube introduzir Depoitre na equipa, deixando-o mais “solto” do que devia sem perceber onde e como podia fazer a diferença.

Em suma, as três actuais soluções são “curtas” para uma época que será definitiva para o futuro de Jorge Nuno Pinto da Costa no FC Porto (e a sua estrutura). Por isso olhemos agora para as soluções que podem provir dos empréstimos ou equipa B.

Vincent Aboubakar esteve uma temporada ao serviço do Besiktas onde conseguiu ajudar ao clube de Istambul a levantar o ceptro de campeão. Foram 19 golos em 38 jogos (todas as competições), alguns detalhes de alto relevo, entusiasmando os adeptos da equipa de Ricardo Quaresma.

Aboubakar (Foto: Getty Images)

Uma época em cheio, uma época que levantou o camaronês depois de ter sofrido uma temporada “assustadora” no Dragão. 2015/2016 foi tão “aterrador” que Aboubakar afirmou que não é sua intenção em regressar ao FC Porto, querendo apostar numa carreira fora de Portugal.

O Besiktas, Galatasaray e outros clubes franceses estariam dispostos a pagar pelo camaronês até 12M€, mas nada se sabe dos desígnios do FC Porto para o ponta-de-lança.

Aboubakar traz ritmo, traz um remate portentoso e uma capacidade de luta muito acima da média… mas também quebra sob pressão, sofre com a intensidade de uma defesa alta e tem uma capacidade mental “fraca” comparada com a maioria dos colegas de equipa.

E se não for Aboubakar? Ainda há Gonçalo Paciência, que nunca gozou de uma verdadeira oportunidade para mostrar se tem ou não qualidade para singrar como solução de banco no Dragão. Um dos produtos da Academia do FC Porto, Paciência somou apenas 550 minutos pelo Rio Ave na época que findou em Maio de 2017 e só conseguiu meter uma bola no fundo das redes.

Não é, de longe, a melhor solução em termos de golos. Contudo, Paciência tem mobilidade, sabe encontrar e criar espaços, é um jogador com bom toque de bola e já conhece os “cantos à casa”. Porém, e voltando à “dura e fria” realidade, parece-nos que Paciência nunca vá ter uma real oportunidade para singrar no Dragão.

Depois há Moussa Marega (boa temporada no Vitória de Guimarães, voltou a mostrar alguns atributos do tempo em que jogou no Marítimo), Nabil Ghilas, Alberto Bueno e Adrián Lopéz.

Ao todo o FC Porto tem 9 soluções para a frente de ataque dentro do clube… e será irónico ver que só um (Soares) das nove terá hipótese para 2017/2018 entrará nas contas de Sérgio Conceição.

Um autêntico desperdício e um “cemitério” de avançados que deixa várias questões à estrutura e gestão do FC Porto. Más decisões, más compras e más introduções nos plantéis nas últimos quatro temporadas.

Marega (Foto: Lusa)

Se Aboubakar, Paciência, Marega, Depoitre ou Rui Pedro não são soluções (e os quatro primeiros devem sair em definitivo ou por empréstimo) quem estará na sombra (ou o meterá “nela”) Soares?

Lautaro Martínez é o nome mais “badalado” pela imprensa, provindo do Racing de Avelleneda, aquele clube que já deu Lisandro Lopéz ao FC Porto. O Dragão sempre se deu bem com argentinos, muito pelo “sangue quente”, o ritmo de jogo, a intensidade na luta pela bola e a qualidade na saída para o ataque.

Outro rumor é a chegada de Jackson Martínez ao FC Porto, uma vez que o avançado colombiano está a precisar de voltar a “campos” onde foi feliz. Tanto no Atlético de Madrid como no Evergrade, Jackson nunca foi jogador à altura dos acontecimentos e acabou por quase “desaparecer” do mapa.

Adivinha-se um verão quente para o FC Porto, onde a luta pela camisola e posição de nº9 (atestando que Sérgio Conceição imponha um 4x3x3) será uma “guerra” total.

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Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]
 

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]
 

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]
 

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO

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Ao olhar friamente para o ano futebolístico do FC Porto, torna-se claro que o duplo empate frente ao Belenenses, em Novembro, constituiu um momento decisivo e paradigmático no percurso dos ‘dragões’. Não pelos pontos perdidos, mas sim pela identificação de certas lacunas que viriam a manifestar-se novamente numa fase mais decisiva do campeonato.

Desde o início do ano que o plantel dos portistas suscitou algumas questões relativamente à diversidade e qualidade das soluções disponíveis. Do lado de fora, torna-se impossível perceber se este cenário seria do agrado de Nuno Espírito Santo, ou se foi consequência da política de transferências orientada pela direcção do clube. Tanto quanto sabemos, a responsabilidade até pode ser abarcada às duas partes, mas é injusto e irresponsável fazer qualquer tipo de especulação sobre o assunto.

O plantel parecia curto, só que era preciso um ‘stress test’ para poder corroborar a teoria. Ora essa oportunidade surgiu em meados de Novembro. No espaço de um mês, o FC Porto disputou um total de nove partidas, referentes a todas as competições em que estava envolvido. Este período intenso saldou-se em 5 triunfos e 4 empates, todos eles a zero. A invencibilidade, ainda que positiva, não foi suficiente para disfarçar vários défices.

Aos nulos em Chaves e em Copenhaga, seguiu-se o duplo compromisso como Belenenses, uma ocasião soberana para recuperar os índices de confiança do grupo. Porém, os 180 minutos serviram apenas para transformar desconfianças em certezas, e trazer a lume as maleitas da equipa. Uma amostra quase perfeita para ilustrar o ano problemático dos portistas.

Começando do individual para o colectivo, a deslocação ao Restelo confirmou a inépcia de Laurent Depoitre no papel de alternativa a André Silva. O avançado belga contratado ao Gent teve a primeira grande oportunidade de provar o seu valor dias antes, na eliminatória perdida com o Chaves, onde não foi decisivo. No Restelo, dificilmente teria corrido pior. Entrou a meia-hora do final, e protagonizou uma exibição completamente inócua, coroada com um falhanço desastroso aos 69’. Adensava-se assim a pressão sobre um jovem André Silva, que carregou durante demasiado tempo o peso incomportável de goleador único e invencível.

Infelizmente para os pupilos de Nuno Espírito Santo, o problema não residia somente no erro de casting que foi Depoitre. Ainda evocando aquilo que se passou no terreno do Belenenses, Diogo Jota acusava uma quebra física decorrente de uma utilização intensiva, ao passo que figuras como Óliver e Otávio (todos eles substituídos), apresentavam um rendimento abaixo do nível habitual. No banco de suplentes, o cenário era desolador, mesmo para o adepto mais optimista. A saber: José Sá, Willy Boly, Rúben Neves, Evandro, André André, Silvestre Varela e Laurent Depoitre. A missão de desfazer o nulo perfilava-se assim oficialmente como espinhosa. Não admira portanto, que o encontro tenha terminado com o marcador inalterado. Mais do que isso, tornou-se claro que o FC Porto, daí para a frente, iria ter de lidar com esta realidade castradora em todos os jogos mais difíceis de resolver.

Três dias depois, as segundas linhas portistas tiveram uma oportunidade única de mostrar o seu valor, e de forçar pontos de interrogação na hora de escolher o onze inicial. Novamente frente ao Belenenses, desta vez em partida da Fase de Grupos da Taça CTT, os ‘dragões’ gizaram uma das performances mais pobres e angustiantes de toda a temporada (salvo raras excepções individuais). Comprovou-se em definitivo que a manta para 2016/17 tinha pouco tecido, e nem a entrada fulgurante de Soares no Mercado do Inverno foi suficiente para compensar tamanho défice.

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Diogo AlvesAbril 27, 20176min0

A crise dos golos parece ter regressado ao Reino do Dragão, um filme já visto há cinco meses atrás, e, que, aqui já o tínhamos avisado. A culpa é da “eficácia” ou do “processo”? Questionávamos na altura. Cinco meses volvidos e os problemas do FC Porto continuam bem visíveis a todos.

Faltam 4 “finais” para o final da época e os dragões continuam atrás do Benfica, agora a 3 pontos de distância, já foi de apenas 1 ponto, e, em determinado momento houve a oportunidade para realizar uma ultrapassagem ao actual campeão nacional. Os pupilos de Nuno falharam os dois rounds que tiveram para serem líderes da Liga NOS e ainda permitiram que o tri-campeão nacional aumentasse a distância pontual. Fica no ar a ideia de que falta estofo de campeão ao grupo azul e branco. A idade jovem não pode ser usada como desculpa para tudo, quem chega à casa do Dragão sabe que vem para lutar por títulos e jogar debaixo de uma enorme pressão.

O timoneiro azul e branco tem culpas no cartório, o antigo guardião de Deportivo da Corunha e FC Porto continua a acumular erros na forma como monta o onze inicial de jogo para jogo, e, apesar de continuar a falar num processo em evolução, a verdade é que vemos um Porto com um modelo de jogo descontextualizado para a sua realidade, sem evolução e sem ferramentas que ajudem a potencializar jogadores como Óliver, André Silva, Corona e até Brahimi.

O FC Porto vai vivendo imenso das acções individuais para sustentar o seu jogar. Em todos os momentos os dragões vivem muito da qualidade dos executantes e não da qualidade colectiva.

Defensivamente foi montada uma fortaleza e é um dos momentos de jogo – a organização defensiva – que mais vezes foi elogiada pela crítica. Numa análise quantitativa vemos que o Porto melhorou de uma forma superlativa de uma época para a outra, nem há comparação possível com os 39 golos encaixados na época passada por Casillas.

Esta época os dragões são a melhor defesa da Liga NOS – apenas 14 golos sofridos – e uma das melhores dos principais campeonatos. Numa análise mais qualitativa já vemos que, muito do mérito defensivo parte de um conjunto de individualidades que estão ao dispor do clube. Neste caso, Felipe, Marcano e Danilo. Este trio tem sido fundamental. Também Casillas com as suas magníficas defesas tem ajudado – e de que maneira – a manter as balizas da Invicta invioláveis. Assim como na organização ofensiva também na fase defensiva os azuis e brancos apoiam o seu processo num conjunto de acções individualizadas e não em mecanismos e dinâmicas colectivas.

Sem ideias e sem critério…

[Foto: www.fcportonosjornais.blogspot.pt] Com Brahimi o rendimento de todos melhorou bastante.
 

Sem Brahimi o FC Porto empobrece bastante na fase mais decisiva do terreno, a magia do astro argelino é fundamental para rasgar as defesas contrárias, inventar, procurar espaços e servir em condições os avançados residentes. A expulsão diante do Braga fez disparar os alarmes do Dragão, ainda por cima com Corona – de novo – lesionado os portistas diante do Feirense viram-se privados dos dois maiores artistas.

Com o Feirense notou-se todas as dificuldades que a equipa tem mostrado nos últimos tempos. Sem criatividade, ideias e critério. Basearam o seu jogo na procura incessante dos corredores laterais – sobretudo Alex Telles – e apostaram em chegar ao golo através de cruzamentos para a área. Caótica e aleatória a forma como iam chegando à baliza do Feirense. Confiavam no lado mais imprevisível do jogo, uma bola pelo ar, um canto ou um livre.

A dupla que não é dupla

[Foto: www.11tegen11.net]
 

Com ajuda deste mapa de redes-sociais que vão acontecendo ao longo do jogo, é possível ver que André Silva e Soares não comunicam (através de passes) entre si. Uma dupla de avançados tem de viver em sintonia, criar as suas dinâmicas (sem fugir ao padrão colectivo) e ajudar-se entre si.

Os dois avançados jogam longe um do outro, quase não convivem dentro da área do adversário. André Silva desloca-se para o corredor direito e Soares cai muitas vezes no corredor esquerdo. Ambos vivem melhor dentro da área, mas por algum motivo, que só Nuno saberá, os dois têm jogado em zonas exteriores.

Em contra-relógio até ao fim

Um dos passos que terá de ser dado para os quatro jogos que faltam é voltar a associar os dois avançados. Voltar a criar mini sociedades entre jogadores para conseguirem resolver os problemas que irão encontrar em Chaves, na Madeira, com o Paços de Ferreira em casa e com o Moreirense.

Esteticamente já não veremos nada demais nestes próximos jogos, o tempo é pouco para grandes inovações e agora o que realmente importa são os três pontos. O técnico azul e branco e o seu staff terão de tentar pelo menos criar alguns mecanismos e dinâmicas simples para que os criativos como Óliver, Corona e Brahimi consigam impor a sua magia em campo. Deixar de lado a nuance de André Silva no corredor, exterminar com os movimentos exteriores de Soares e focá-lo para estar no seu habitat que é a grande área do adversário. Permitir que haja mais corredor central e um jogo mais metódico em busca do golo e não querer chegar ao golo através da garra, da aleatoriedade e do lado mais caótico do jogo.

O tempo corre contra Nuno e os seus pupilos, mas já vimos um pouco de tudo ao longo dos últimos anos no campeonato português. Achar que isto está decidido é um erro.

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Fair PlayMarço 9, 20179min0

FC Porto 2016/2017 entregou o seu ataque à “juventude” de Diogo Jota, Jesus Corona, Óliver Torres, Otávio e André Silva. O Fair Play foi tentar perceber a importância do avançado no esquema dos Dragões, a sua evolução e onde precisa “afinar” para se tornar um elemento fundamental para a equipa do Porto

Texto de Francisco Isaac e Diogo Alves

Histórico de um filho do Dragão

A vitória por 7-0 do FC Porto marcou a ascensão da equipa como a mais goleadora (53, um à frente do SL Benfica) e a que menos consente (11 em toda a competição) na Liga NOS.

Os jogos de “pólvora” seca parecem ter sido esquecidos, sendo que o último jogo, na Liga Portuguesa, que terminou sem golos foi frente ao Paços de Ferreira a 7 de Janeiro.

A chegada de Soares, o regresso de Brahimi da CAN, o carburar de Corona e as boas assistências de Alex Telles possibilitaram um crescimento exponencial em termos de colectivo atacante.

Mas e o que dizer do goleador da época, que não é Soares (para já), mas sim André Silva? O jovem avançado de 21 anos (fará 22 em próximo Novembro) já conta com 20 golos e 7 assistências em 34 jogos.

Fernando Gomes, Domingos Paciência, Hélder Postiga foram os outros avançados a sair da formação azul-e-branca a conquistarem um lugar no plantel e, subsequentemente, no onze do FC Porto.

Como nota de curiosidade, veja-se a primeira época de cada uma dessas referências do passado-recente dos dragões:

  • Fernando Gomes marcou 18 golos em 28 jogos na época de estreia (1974/75) com 19 anos;
  • Domingos Paciência marcou um total de 9 golos nas três primeiras épocas, chegando aos 31 golos aos 21 anos (44 jogos);
  • Hélder Postiga conseguiu 10 golos na sua estreia enquanto sénior do FC Porto, com apenas 19 anos;

Se Fernando Gomes continua a ser o mais bem sucedido ponta-de-lança dos Dragões, já que aos 21 anos tinha um total de  65 golos somados, André Silva ao fim de 365 dias como opção de ataque, já conta com 23 golos.

Demorou mais tempo a chegar ao plantel azul-e-branco (curiosamente, Rui Pedro chegou aos 18 ao banco de suplentes, assim como Postiga, Paciência ou Gomes) mas a sua introdução no onze foi providencial em várias fases da época.

Um trabalhador nato, um jogador que gosta de marcar presença em vários pontos do terreno e de preencher com força física e raça as lutas pela bola, o ponta-de-lança dos dragões vai começando a despertar um interesse internacional no que pode fazer.

Todavia, nem tudo correu/corre de feição ao jovem avançado, uma vez que nas últimas semanas perdeu estatuto, importância e, até, o lugar no onze (jogo com o Boavista no Bessa) em detrimento de Soares, a nova flecha no ataque do FC Porto.

O regresso à titularidade frente ao CD Nacional (2 golos), voltou a dar (algumas) forças ao ponta-de-lança que não quer perder o seu lugar no esquema de Nuno Espírito Santo.

Evolução versus Ambição

Numa análise ao seu comportamento, vemos que André Silva tem sabido gerir bem as situações mais adversas, seja a troca com Soares, seja a condição de sair primeiro que o seu colega brasileiro, seja a relegação para o banco de suplentes.

Não perdeu uma ponta de “fome” pela bola ou não esconde o seu carinho pelo FC Porto, algo que tem caído no goto dos adeptos dos dragões. Facilmente assim se constrói um ídolo, que ainda não passa de um jovem que tem faro para o futebol, mas que falta algo para ganhar o “caminho das pedras” para os golos.

O registo não é mau, diga-se desde já uma vez que ultrapassou vários avançados mais experientes que passaram pelo Dragão e que fizeram o gosto ao pé, isto só com 21 anos.

Com cerca de 11 jogos para o final da época (contando só com mais um da Liga dos Campeões), André Silva ainda terá a oportunidade de chegar perto ou ultrapassar algumas das lendas do ataque do FC Porto.

Para isto, será fulcral que mantenha a postura, a motivação, a garra e o estilo combativo que tem marcado a sua passagem pela equipa principal.

Percebendo que agora tem Soares como parceiro (e não o devoto colega Diogo Jota), Silva precisa de ganhar novas estratégias de condução de bola, de comunicação entre pares e de solução de problemas para quando Soares estiver apertado pelos defesas.

É notório que em vários jogos desta época (destacando-se o jogo frente com o Sporting CP como exemplo máximo), André Silva é tratado como a verdadeira ameaça, sufocado pelos centrais ou condicionado pela marcação dos laterais.

Talvez, explique-se os últimos jogos menos brilhantes (e quase desaparecido) de André Silva pelo facto de estar perdido na estratégia com Soares, por ser excessivamente marcado e de querer fazer tudo bem sem pensar numa estratégia mais eficaz.

Prendemos-nos agora na análise, propriamente dita, de como André Silva joga, faz jogar, onde erra e pode melhorar e como poderá se tornar o nº1 do ataque do FC Porto.

A evolução

Por Diogo Alves

Desde que subiu à equipa principal, o crescimento do jovem português, André Silva, tem sido notória e hoje já ninguém duvida que é um dos bons avançados portugueses.

A sua evolução não é estanque e apesar do bom desempenho na época portista, André Silva ainda precisa de “afinar” muitos detalhes para se transformar num avançado top.

A sua estampa física salta à vista num primeiro momento, tem uma estrutura física bastante boa o que permite que “lute” pela bola com os defesas-centrais mais fortes fisicamente.

No entanto, não faz da sua força física a sua primeira valência, pelo contrário, é um jogador que se faz valer pela capacidade técnica e pela agilidade que exibe na forma como deambula pelo relvado.

“Afinar” a impetuosidade

André Silva é dos mais talentosos jogadores da actualidade, sobretudo a nível de avançados. É um jogador que ainda precisa de saber resfriar todo o ímpeto da sua juventude, não pode querer estar em todo o campo a “lutar” pela bola com os adversários.

É um trabalhar em campo, dá tudo, os adeptos nisso não podem exigir mais, mas, isso depois faz com que esteja mais vezes fora da sua posição natural e de zonas onde pode ser mais influente, a de ponta de lança.

Aliado a isso o desgaste físico que vai tendo ao longo do jogo faz com que chegue à zona de finalização já cansado e, mais que fisicamente, mentalmente o desgaste nota-se mais na recta final do jogo e daí que a eficácia sofra bastante.

A convivência com Soares

Desde que Soares chegou que se vem a falar de um baixo rendimento em André Silva. Fará ele sentido? Os número como são traiçoeiros dirão que sim, e porquê? Porque nos números não vem explicado as movimentações tácticas que André Silva tem tido nos jogos do FC Porto.

André Silva nos jogos que não marcou – Sporting e Vitória SC – foi fundamental para atrair marcações dos defesas e, com isso, libertar Soares dos defesas contrários.

Portanto, nem sempre marcando golos, ou não os marcando, André Silva esteve melhor ou pior, apenas teve outro tipo de desempenho, mas que ainda assim bastante bom para o avançado portista crescer e perceber que, também assistir – ainda que de forma indirecta – é fundamental para um avançado quando joga com outro homem de área ao lado.

É caso para dizer que a convivência é boa e recomenda-se. Ganham os dois jogadores (Soares e André Silva), a equipa e até os companheiros que jogam no apoio aos dois avançados.

Assim sabem que estão ali dos avançados predispostos a fazer golos e prontos para receber a bola vindo dos médios mais criativos e dos extremos.

André Silva e Soares (Foto: Lusa)

Um regresso às origens?

André Silva na goleada frente ao Nacional da Madeira, do passado sábado, além dos dois golos que marcou, deu ainda nas vistas por um posicionamento algo diferente do habitual. O avançado portista regressou à sua “casa” táctica dos tempos da formação: extremo-direito.

(Foto: Sporttv)

Ainda que de uma forma híbrida, foi perceptível ver André Silva mais deslocado sobre a direita, enquanto Soares se fixava mais no corredor central.

Esta mudança táctica foi mais visível em organização defensiva, André Silva fechava o corredor lateral direito.

Nuno acaba por pedir a mesma coisa em organização ofensiva, que Soares e André Silva coabitem juntos no corredor central, mas, agora com uma nuance diferente dando mais liberdade ao portista para partir do corredor lateral direito e flectir depois para o centro e juntando-se a Soares.

(Foto: Sporttv)

Pode ser uma evolução no sistema táctico de Nuno Espírito Santo que assim aproxima-se mais de um 4x3x3 e pode permitir que haja agora três médios no corredor central e dar continuidade à boa sociedade Óliver Torres e André André depois do bom jogo com o Boavista. No fundo é conciliar um meio-campo a três, sem perder os dois avançados-centro em simultâneo.

(Foto: Sporttv)


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