21 Ago, 2017

Arquivo de Benfica - Fair Play

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João NegreiraJulho 23, 20177min0

Após a época 2016/2017 que resultou no Tetracampeonato do Benfica, com 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, o Porto, e o dobro para o 3º classificado, o Sporting, são altas as expectativas para a época que se avizinha. Conseguirá o Benfica revalidar o seu título, mesmo perdendo 3 das suas peças basilares da defesa? Será Sérgio Conceição o treinador ideal e capaz de retornar o Futebol Clube do Porto aos títulos? Vai ser desta que Jorge Jesus conseguirá levar o Sporting Clube de Portugal ao topo do futebol português? Que mudanças poderão haver nos 3 grandes?

SL Benfica

Rui Vitória vai tentar manter o Benfica a ganhar títulos [Fonte: Mais Futebol]
 

Começando pelos encarnados, que conquistaram o inédito “Tetra” na passada época, e viram sair Ederson, o titular indiscutível da baliza das águias, Lindelof, o homem que jogou a época inteira ao lado de Luisão, e Nélson Semedo, o menino da formação que chegou, viu e (con)venceu. Apesar da belíssima quantia que o Benfica recebeu por estes jogadores,  o contributo desportivo que deram não pode ser descurado, sendo que taticamente eram imprescindíveis e, por conseguinte, difíceis de substituir. Posto isto, e tendo já feito alguns amigáveis que demonstraram o pior cenário, se o Benfica quiser manter o título e continuar a sonhar na Europa, tem que ir ao mercado. Júlio César é bom, mas só bom, e não é Ederson, nem entre os postes, nem fora deles. Pedro Pereira, para já o candidato número 1 para a ala direita, apresenta-se com pouco ritmo de jogo e também com pouca confiança, não podendo, assim, ser o titular do Tetracampeão. Jardel, é o que já nos mostrou em épocas passadas, mas uma dupla Luisão-Jardel não convence, não só pela idade mas também pelo contributo que não poderão dar nem tecnica, nem taticamente. Vindos da formação, Diogo Gonçalves é aquele que mais parece estar preparado para ficar no plantel, sendo ele o que mais deu nas vistas. João Carvalho, Rúben Dias e Buta ficarão na expectativa para poder lutar por um lugar. Falando de reforços, apenas se mostra a olhos vistos Seferovic, que pode, e muito bem, tirar a titularidade a Mitroglou. Krovinovic poderia ser peça importante, mas a lesão atrasou a sua preparação e poderá sofrer com isso. Arango, Willock e Chrien são jovens estrangeiros que ainda se estão a adaptar a um país, cultura e clube novos, por isso só o tempo e Rui Vitória, dirão se ficarão ou não no plantel. Taticamente, o mister, prometeu novidades, mas nestes jogos de preparação ainda apareceu um Benfica muito igual ao da época transata, à imagem daquilo que Rui Vitória implantou quando chegou. Finalizando assim como começado o “separador” das águias, é preciso comprar jogadores à altura para suprir as saídas, porque em “casa” o Benfica não tem substitutos à altura.

FC Porto

Sergio Conceição, chega para ser já campeão, terá sido ele a escolha certa? [Fonte: O Jogo]
 

Na época que se aproxima vamos contar com um Porto condicionado pelo Fair Play Financeiro e assim, obrigado a vender muito e a comprar pouco ou nada. Portanto, a mudança maior será na voz de comando do balneário, o treinador, é ele Sérgio Conceição, que fez um excelente trabalho em França, no Nantes. Pinto da Costa foi, então, obrigado a vender e vendeu André Silva, Rúben Neves e Depoitre. Destes, foi André Silva que mais se destacou na época passada, marcando 21 golos ao serviço dos azuis e brancos. Realça-se ainda Diogo Jota, que regressou ao Atlético de Madrid. No plantel, as caras novas que iremos ver são os “Regressados” e Vaná (mais um Guarda Redes?; Fair Play Financeiro?), e desses destacam-se, obviamente, Aboubakar que pode ser o substituto ideal de André Silva, e Ricardo Pereira que, pelo que já demonstrou nos jogos amigáveis dos dragões, veio muito mais maduro a todos os níveis. O Porto beneficiaria se jogasse num 433, com o camaronês como referência ofensiva; tendo muita gente no meio, conseguiria ter sempre o controlo do jogo e muita posse de bola, e ainda teria vantagem quando jogasse com os seus adversários diretos, que jogam ambos num 442. Nos jogos de preparação, apareceu um Porto defensivamente coeso e sólido, à imagem da época passada. Ofensivamente ainda parecem existem arestas a limar. Ainda é cedo e é preciso dar tempo aos jogadores para se adaptarem às ideias do novo treinador. Não obstante, já foi possível ver um Porto muito pressionante, a lutar muito pela bola, com muita raça, mesmo como Sérgio Conceição gosta que os seus jogadores sejam. E é isso mesmo que o Porto precisa, de dar um grito de revolta e de voltar a ganhar títulos, começando no balneário, com o homem que comanda as tropas, que tem que ser o porta-voz dos azuis e brancos. S. Conceição é um treinador competente e é possível que possamos ver já esta época o melhor do mesmo.

Sporting CP

Será este o ano de afirmação de JJ no Sporting? [Fonte: Mais Futebol]
 

Vai começar a 3ª época de Jorge Jesus no comando do Sporting, tendo apenas ganho 1 Supertaça. A expectativa é, no entanto, grande, até porque este ano o Sporting já fez muitas mexidas no plantel. Vendeu Paulo Oliveira e Rúben Semedo, e Douglas, Schelotto e Zeegelaar já não contam; foi uma defesa inteira, portanto. Chegaram também muitas caras novas, causando grande expectativa nos adeptos, principalmente para com a entrada de Bruno Fernandes, que tanto pode fazer uma época fantástica como pode ficar no banco a temporada inteira, de Fábio Coentrão, que se não for afetado por lesões pode voltar ao nível que já nos habituou, de Mathieu, pois vindo de um Barcelona pode ser uma mais valia com a sua experiência europeia, e de Doumbia, que pode ser o parceiro ideal para Bas Dost. Falando ainda de Battaglia, Mattheus O. e de Jonathan Silva, podem vir a ser importantes tendo em conta a longa época que vamos ter. Não esquecendo Piccini que é o candidato número 1 para a ala direita depois da saída de Schelotto, mas não pela imensa qualidade que poderá já ter mostrado, mas pelo facto de não haver mais nenhum concorrente a fazer-lhe frente. Taticamente, pelos jogos de preparação, Jorge Jesus está a preparar um sistema novo para além do 442. Será qualquer coisa com apenas 3 defesas, estando entre um 352 ou um 343. A preferência, no entanto, deveria centrar-se num 352, pois poderá ser aquele que é mais adequado ao plantel e às necessidades do Sporting, podendo talvez penalizar os extremos e aquele que é, provavelmente, o melhor jogador, Gelson Martins. O 343 contará com extremos, mas Bruno Fernandes será relegado para o banco e Doumbia jogará fora de posição. Será um sistema diferente daqueles a que estamos habituados, mas será interessante ver se será ou não a primeira opção de Jesus ou até contra que adversários irá utilizar este sistema.

Estamos ainda em fase de preparação, e as caras novas ainda se estão a adaptar, mas algumas poderão fazer a diferença já esta época para as suas equipas. Será, como é sempre, um campeonato bastante competitivo entre estes 3, sendo que cada vez mais se quer e espera que os clubes portugueses se intrometam entre os grande da Europa.

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Rui MesquitaJulho 15, 20175min0

Depois da conquista do tetracampeonato, Rui Vitória prometeu mudanças. Mudanças táticas e na forma de jogar. O mister encarnado anunciou surpresas para atacar o Penta, mas o que podemos esperar do Benfica? Uma revolução total ou apenas alguns ajustes no que vimos na época transata?

Manobra defensiva

Na última época o clue da Luz foi a defesa menos batida da Liga NOS mas, apesar disso, na Champions o registo defensivo foi assustador. 14 golos sofridos em 8 jogos demonstraram algumas das fragilidades dos encarnados na hora de defender.

Com a saída de Lindelof, Rui Vitória será forçado a mexer na forma como a equipa defende. Perdendo o central mais móvel do plantel, o confronto com avançados rápidos será ainda mais complicado. Com uma dupla Luisão-Jardel espera-se uma linha mais recuada, não permitindo muitas bolas nas costas destes trintões. A saída de Ederson, capaz de defender impecavelmente a profundidade, aponta, também ela, para essa adaptação.

Lindelof foi um dos esteios da defesa encarnada (Foto: The Sun)

A pressão ofensiva do tetracampeão foi uma das armas da época passada. Nesta época, com Jimenez a ganhar mais minutos, esta pressão à saída da construção adversária será ainda mais acutilante. Essa abordagem não será, apesar dos seus bons resultados, usada contra adversários mais fortes. Aí, principalmente na Liga dos Campeões, Rui Vitória não deverá arriscar nesse sufoco ao oponente, mas sim num posicionamento de expetativa, evitando surpresas.

No que ao meio-campo diz respeito, a história complica-se. O sistema do Benfica sempre evidenciou deficiências contra equipas fortes neste setor. Apenas com dois médios, os encarnados perdem demasiados duelos na zona crítica do jogo. Para solucionar este problema, Vitória pode acrescentar um médio ou tornar um dos extremos num apoio defensivo no “miolo” do terreno. Não acreditamos, porém, que as mudanças cheguem tão longe. E, com isso, as limitações manter-se-ão.

A construção

A construção será outro dos momentos em que se sentirá a falta de Lindelof. O sueco era o central com melhor qualidade de passe, essencial para a saída a 3 de Rui Vitória.

O mister encarnado explorou, na época passada, sair com Pizzi no meio dos centrais mas acabou com mais problemas do que soluções. Baixar Pizzi deixa muito espaço entre essa linha e a linha da decisão. Por seu turno, abdicar de Fejsa para ganhar um médio mais criativo não será opção. E, por fim, encostar Pizzi na ala para ele construir com outro “número 8” também não (já que dos 8 reforços anunciados nenhum serve esse intuito).

Pizzi foi e será o motor dos encarnados (Foto: Jornal I)

A solução mais provável para Rui Vitória passa por Jonas. O brasileiro pode baixar para ser o terceiro médio que o treinador e Pizzi precisam. As “tabelas” entre Jonas e o transmontano podem, também elas, baixar para construir com critério e perigo. Quando faltar Jonas (na gestão de esforço que o próprio Rui Vitória já falou), Krovinovic parece encaixar perfeitamente neste modelo. O croata é um “número 10” talentoso, ideal para a construção encarnada, trabalhando com Pizzi.

O ataque

As diferenças no ataque serão, forçosamente, decorrentes das mudanças na construção. Porém, se Rui Vitória falou em alterações, também falou na diversidade do ataque encarnado. 72 golos na Liga NOS espelham a facilidade do clube da Luz em fazer golos.

As alterações que Rui Vitória pode introduzir são naturais com a maior presença dos habituais titulares. Mais Jonas a aparecer em todo o lado, mais Fesja para libertar Pizzi e os laterais, etc.

Nas laterais surgem, ainda assim, as maiores mudanças. A saída de Nelson Semedo, anunciada esta semana, mudará a forma de atacar do Benfica. O novo lateral do Barcelona foi uma arma importante no ataque à baliza adversária. Com cruzamentos, entendimentos com Pizzi ou Salvio e incursões pela área rival, Nelson Semedo jogou e fez jogar. A alternativa será André Almeida, menos aventureiro e menos capaz ofensivamente.

Porém, na outra lateral prevê-se o regresso de Grimaldo a todo o gás. O espanhol será mais uma solução, compensando a saída de Nelson Semedo. Grimaldo cruza bem e é um perigo no carrossel encarnado comandado por Pizzi.

Grimaldo será uma arma importante do ataque da Luz (Foto: Mundo Desportivo)

Por mais adições ao “livro” do ataque da Luz, a maior de todas elas não depende de Rui Vitória. Depende sim do departamento médico do Benfica: manter Jonas sem problemas físicos. Ter o brasileiro a tempo inteiro é a grande mudança ofensiva que o tetracampeão precisa.

O sistema

No que ao sistema base com que o Benfica irá atacar o Penta diz respeito, Rui Vitória não deve mexer muito. O mister não abdicará de ter Jonas perto do ponta-de-lança mesmo que com diferentes funções. Não faltarão dois extremos a abrir nos corredores nem a dupla de médios caraterísticas do sistema encarnado.

O 4-4-2 de Rui Vitória será a regra e um 4-3-3 mais conservador a exceção em jogos que o exijam.

Na mente de Rui Vitória não está uma revolução no futebol ganhador do Benfica. Mas com as saídas que já se verificam, deixar tudo na mesma é impossível. Por isso, ao Benfica e a Rui Vitória, aplica-se uma nova máxima do desporto-rei: em equipa que ganha… mexe-se!

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Pedro AfonsoJulho 8, 20177min0

A Liga NOS terminou no passado mês de Maio e, desde então, o SL Benfica encontra-se numa aparente apatia no mercado de Verão. Não obstante as 9 contratações operadas até ao momento, o plantel do tetracampeão parece mais fraco do que o da passada época e as evidentes lacunas transitam da temporada passada para a que se avizinha. Que reforços chegaram até ao momento? Serão suficientes?

Como já referido em artigos anteriores, a temporada passada mostrou-nos um Benfica bipolar, capaz de exibições deslumbrantes e de uma mediocridade atroz. Provou-se que, apesar de o plantel chegar para consumo interno, voos mais altos na Europa serão irreais, com uma equipa demasiado dependente de Pizzi, para bem e para o mal. O atual “8” do Benfica e melhor jogador da passada edição da Liga NOS é um dos pontos de discussão para a preparação da próxima época, bem como a sucessão de Ederson e de Lindelof, ambos jogadores com perfis únicos e extremamente valiosos, que não aparecem ao “pontapé”.

Até ao momento, o clube da Luz reforçou-se com 9 jogadores, num investimento de cerca de 3,5M€, faltando a confirmação do valor da compra de André Moreira, que deverá rondar os 10 milhões de euros, num negócio à imagem de todos aqueles que envolvem os “colchoneros”. Abaixo, uma análise a cada um dos jogadores que se encontram melhor posicionados para integrar o plantel encarnado.

Filip Krovinovic (Rio Ave – 3M€)

A grande contratação encarnada até ao momento. O croata foi um dos principais obreiros do excelente futebol praticado em Vila do Conde na passada época, polvilhando os relvados portugueses com toques de genialidade. Não é por acaso que foi associado ao Sporting CP e ao SL Benfica, tendo a transferência sido consumada para este último.

Duelo intenso [Fonte: OJogo]
 

Centro-campista de natureza mais ofensiva, irá beber do génio de Pizzi e dará uma alternativa de valor (e até agora inexistente) para a posição de construtor de jogo do plantel encarnado. Dotado de uma técnica soberba e uma visão de jogo fora do comum, Krovinovic terá, no entanto, que crescer muito do ponto de vista defensivo, de forma a poder encaixar no modelo de 4x4x2 do atual Benfica.

Por 3M€, assume-se como uma transferência interessante e com grande potencial. Percebe-se que constituirá, no entanto, a saída de André Horta, de preferência por empréstimo.

Haris Seferovic (Eintracht Frankfurt – Custo Zero)

O internacional Suíço chega a Lisboa para concorrer com 3 verdadeiros craques: Jonas, Mitroglou, Jiménez. Tarefa ingrata… Mas Seferovic parece chegar a Lisboa com vontade e esperança de poder fazer a diferença e ser algo mais do que o 4º avançado da equipa.

O novo “Matador” [Fonte: Adeptos de Bancada]
 

Seferovic não é o tipo de jogador que se espera ver no Benfica. Nas últimas 3 épocas ao serviço do Frankfurt, faturou 19 golos em 96 jogos, numa média de 0.2 golos/jogo (!). São números francamente medíocres, aos quais não ajuda o facto de a melhor época de Seferovic ter culminado com 10 golos (ao serviço do Novara em 18 jogos).

As características do internacional suíço parecem sugerir que a sua contratação será para colmatar a posição de 2º avançado, sendo este capaz de trabalhar muito em prol da equipa e jogar longe da área adversária, fazendo lembrar Lima. Contudo, a posição de 2º avançado é ocupada por Jonas, um verdadeiro maestro, dotado de uma técnica e faro de golo fora do comum. A maior justificação para esta contratação prende-se com o seu baixo risco de investimento e potencial retorno financeiro, uma vez que do ponto de vista desportivo parece não acrescentar muito ao clube.

Bruno Varela (Vitória de Setúbal – 100,000€)

Bruno Varela é já um conhecido dos adeptos benfiquistas. Tendo feito toda a sua formação ao serviço do clube da Luz, tendo sido até ao ano de 2014 o dono da baliza do Benfica B. Há duas épocas foi emprestado ao Valladolid e, após uma época com apenas 1 jogo, foi vendido ao Vitória de Setúbal.

Regresso a casa [Fonte: Benfica Notícias]
 

E foi ao serviço dos Sadinos que Varela demonstrou o seu potencial e o seu valor, tendo culminado com a titularidade no Euro sub-21 ao serviço da seleção das Quinas. Com 30 jogos na época passada, o jovem guardião foi importantíssimo para a temporada tranquila do clube de Setúbal, com exibições competentes e demonstrando segurança entre os postes.

O seu regresso ao Benfica, especialmente por um valor tão baixo, é uma excelente aposta do clube, que faz retornar um jogador formado localmente para uma posição onde a média de idades é francamente alta, após a saída de Ederson. Terá dificuldades em assumir a baliza encarnada, uma vez que é um jogador algo imprevisível, sendo capaz do melhor e do pior no mesmo jogo. Não parece estar preparado para ser o GR de um grande, mas provou ser uma excelente opção para o plantel.

André Moreira (Atlético de Madrid – ???)

Apesar de ainda não ter sido oficializado no clube da Luz, a sua contratação já vem sendo falada desde o início da época passada, como o herdeiro de Ederson na baliza da Luz. E a verdade é que é uma contratação que deverá preocupar todos os adeptos benfiquistas.

Muita esperança [Fonte: Record]
 

André Moreira foi contratado ao GD Ribeirão pelo Atlético de Madrid em 2014/2015, tendo sido emprestado ao Moreirense na mesma época, onde participou em 2 jogos, e emprestado no ano seguinte à União da Madeira, onde fez 19 jogos. Em 2016/2017 ficou em Madrid e fez 0 jogos! A sua participação nas camadas jovens da seleção portuguesa também não tem sido abundante, tendo participado nos Jogos Olímpicos de 2016, mas tendo apenas 1 internacionalização pela seleção de sub-21. Em suma, um jogador que nada provou em futebol ao mais alto nível e que chegará para colmatar a saída de Ederson.

Obviamente que o facto de não ter ainda muita experiência não lhe retira valor, contudo é assustador pensar que o SL Benfica poderá desembolsar vários milhões de euros neste jogador, que é, no fundo, uma incógnita. O futuro poderá negar tudo o que foi dito acima, no entanto esta é uma aposta de muito alto risco por parte da SAD encarnada.

 

Às contratações acima listadas, juntam-se nomes como Chris Willock, Martin Chrien, Patrick e Salvador Agra, falando-se ainda de Bruno Gomes e Ailton, ambos jogadores do Estoril Praia. Estas contratações demonstram uma mudança da política encarnada, que parece buscar imitar o campeão alemão, “varrendo” a Liga NOS em busca de todos os jogadores com algum valor.

Até ao momento, foram arrecadados cerca de 80M€ em vendas de jogadores e está na altura da SAD do SL Benfica deixar de “brincar às contratações” e aproveitar a conjuntura desportiva e económica para atacar inequivocamente o Penta.

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Pedro AfonsoJulho 1, 20175min0

Mais de um mês se passou desde o final da Liga NOS e o SL Benfica parece ter adormecido no mercado. Com as anunciadas saídas de Ederson e Lindelof e o início dos trabalhos de pré-época, urge reforçar um plantel que, apesar da sua profundidade geral, demonstra um défice importante em certas áreas do terreno. Abaixo, três propostas de reforços para a equipa encarnada.

Defesa Central – Sidnei (Deportivo)

A saída de Lindelof deixa um vazio importante no eixo da defesa encarnada que nenhum dos atuais membros do plantel conseguirá suprir. As características do sueco diferiam largamente das dos seus colegas e até das dos seus adversários da Liga NOS, uma vez que, mais do que a sua capacidade de destruir jogo, Victor era capaz de construir jogadas de ataque e progredir com bola como poucos. Não surpreende, por isso, a avultada venda ao Manchester United, que percebeu que uma das lacunas do seu plantel passava exatamente por não ter um central “moderno”.

Sidnei aprimorou-se na sua passagem pela Liga Espanhola. A sua chegada ao Benfica foi seguida de uma ascensão quase meteórica e uma queda igualmente rápida. Dúvidas acerca do seu estilo de vida, do seu comprometimento para com a equipa e o seu profissionalismo levaram-no para a porta de saída do clube encarnado. Mas 5 anos se passaram desde a sua saída de Lisboa e Sidnei será agora mais maduro, mais jogador, mais profissional. Só assim se poderá explicar o investimento de 6,5M€ por parte do clube espanhol para garantir a sua contratação a título definitivo e, mais surpreendentemente, o interesse do Barcelona que se vem repetindo ao longo dos anos.

Dotado de um poderio físico impressionante, Sidnei alia às suas competentes capacidades defensivas uma enorme visão de jogo e um passe primoroso. Destemido, sem medo de avançar com a bola controlada, o brasileiro seria uma contratação interessante, por já conhecer os cantos à casa e pelo seu perfil defensivo único. Com contrato até 2020 e um valor de mercado de 6,00M€, o preço da sua contratação rondaria os 10-12M€, um valor nada proibitivo para os cofres encarnados.

Lateral Direito – Elabdellaoui (Olympiakos)

O norueguês não é desconhecido do clube encarnado e foi já várias vezes associado a transferências para a Luz. Curiosamente, os rumores só abrandaram com a ascensão de Nélson Semedo e a sua afirmação plena na faixa direita do conjunto de Rui Vitória. Com a muito provável saída de Nélson, fruto de uma época verdadeiramente memorável, ficará uma lacuna no plantel encarnado que, tal como no caso de Lindelof, deverá ser suprida por um jogador de características muito específicas, que não existe nos atuais quadros do SL Benfica.

André Almeida e Pedro Pereira serão capazes de suprir a saída de Nélson e assegurar a defesa do ataque encarnado. Contudo, até pela maneira como Rui Vitória construiu a sua equipa, a defesa das laterais não é o ponto que mais interessa ao técnico ribatejano. Para uma liga como a portuguesa, é muito mais importante ter um lateral que ataque com qualidade do que um lateral que defenda bem.

Elabdellaoui é exatamente esse jogador: veloz, forte fisicamente, excelente capacidade de cruzar, ofensivo. Com passagem por vários grandes campeonatos europeus (na época passada esteve ao serviço do Hull City de Marco Silva, por exemplo), Elabdellaoui seria capaz de conferir experiência e qualidade ao flanco direito encarnado, enquanto Pedro Pereira poderá amadurecer e tornar-se um jogador mais completo, continuando André Almeida como bombeiro de serviço. Com um valor de mercado de 5,00M€ e o contrato a terminar em 2018, Omar assume-se como uma opção apetitosa para o clube da Luz.

Médio Centro – Mario Lemina (Juventus)

Pizzi foi o melhor jogador da passada Liga NOS e é, cada vez mais, o maestro encarnado, quem pauta os tempos de jogo da formação de Rui Vitória. Contudo, Pizzi não é, nem nunca será, um 8 para jogar em 4x4x2. Obviamente que poderão argumentar que chegou e sobrou para ganhar o tetracampeonato, mas seria desonesto negar que o transmontano tem graves défices defensivos que prejudicam a equipa em jogos contra equipas maiores. Se o Benfica quer subir o seu nível de jogo e tornar-se uma equipa mais competitiva a nível internacional, precisa de um jogador que seja capaz de queimar linhas e conferir mais equilíbrio defensivo à equipa. Renato Sanches foi esse jogador e a sua venda, demasiado precoce, deixou um vazio na equipa encarnada.

Mario Lemina chegou à Juventus em 2015 por empréstimo do Marselha e convenceu os dirigentes transalpinos a desembolsar quase 10,00M€ na sua contratação no início da época 2016/2017. Contudo, Lemina não é, nem nunca será, indiscutível no meio-campo da Juventus. Com apenas 29 jogos na passada época, a maior parte deles como suplente, o gabonês desvalorizou e perdeu espaço inclusivamente com a chegada de Tomás Rincón, a meio da época. Com 23 anos, Mario terá de escolher entre lutar pelo lugar num plantel onde as opções para o meio-campo são Marchisio, Khedira, Pjanic, Rincón e Sturaro, ou sair para um clube onde possa ser estrela e dono do meio-campo.

Jogador dotado de um enorme poderio físico e uma enorme tendência para progredir com bola no pé, Lemina seria a peça ideal para complementar o 11 encarnado, migrando Pizzi para a ala e libertando o seu génio para as suas tabelas sem fim com Jonas. Com um valor de mercado de 7,5M€ e um contrato até 2020, Lemina comportaria um esforço avultado para os cofres encarnados. Mas a qualidade paga-se e quem gasta 22M€ em Raúl e 16M€ em Rafa poderá, certamente, gastar o mesmo valor num jogador com provas dadas na Europa.

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Rui MesquitaJunho 24, 20175min0

Já está fechado o negócio por Ederson. O guarda-redes brasileiro ruma ao Manchester City por 40M€ e deixa um buraco de 7.32m por 2.44m na defesa do tetra que o Benfica fará na próxima época.

É certo que a saída de Ederson não será a única a tirar o sono aos benfiquistas. Lindelof também rumará a Manchester (mas para o United) e Nelson Semedo parece seguir-lhe as pisadas. Mas a do keeper parece ser a mais preocupante, tanto pelo seu papel neste último título como pela falta de alternativas.

O problema

Costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando o assunto é Ederson Moraes os factos juntam-se aos argumentos. E todos a favor do brasileiro: o Benfica foi a defesa menos batida da Liga NOS e, com Ederson, mostrou-se quase sempre impenetrável. A calma do guarda-redes alastrou-se à equipa e aos adeptos tornando o tetra num passeio.

Mas a magia de Ederson não para nas defesas incríveis nem nas saídas milagrosas. O jogo de pés deu tranquilidade à construção encarnada e as suas reposições foram demolidoras. Com as mãos para contra-ataques rápidos e com os pés aproveitando os pontapés de baliza.

O Benfica perdeu, ainda com o mercado de transferências fechado, o Salvador de alguns momentos cruciais e uma poderosa arma. É preciso, neste longo e quente verão, compensar essa perda.

A segurança nas saídas é uma das suas armas (Foto: OJOGO)

A solução interna

A primeira alternativa é olhar para o plantel e procurar uma resposta. Júlio César é opção natural para a titularidade, mas os seus 37 anos não asseguram uma época completa. Para além disso há ainda o interesse do Flamengo que pode deixar ainda mais crítica a situação encarnada. Há ainda, do plantel campeão, Paulo Lopes, mas o português de 38 anos é e será uma terceira opção importante no balneário.

Por seu lado, na equipa B, Fábio Duarte, André Ferreira e Ivan Zoblin não parecem contar, no imediato, para o plantel principal. Por fim, no lote de emprestados, o Benfica não tem nenhum guarda-redes.

Sobra o mercado e um verão agitado para trazer alternativas a Júlio César ou até render a sua saída.

Júlio César é o sucessor natural (Foto: Divulgação)

O mercado

Mesmo antes da oficialização da venda de Ederson, já surgiam viam rumores sobre o seu sucessor. André Moreira, guarda-redes de 21 ano do Atlético de Madrid, foi a primeira e principal opção. O jovem português não foi opção na capital espanhola (0 jogos disputados) e parece ser uma certeza na Luz. Apesar de ser um guarda-redes diferente de Ederson (mais alto e não tão forte nas saídas), André Moreira está uns bons furos abaixo do “Deus” brasileiro. Para além da tenra idade, outras caraterísticas que unem os dois guardiões são a calma e a serenidade em campo. Na época passada (em Moreira de Cónegos) vimos um guarda-redes seguro e com uma enorme margem de progressão. Não é, ainda assim, uma aposta direta para o 11 encarnado, como não era Ederson quando chegou, ou Oblak antes dele.

André Moreira é internacional sub-21 por Portugal (Foto: golo.fm)

Outro dos nomes falos é o de Makaridze, o gigante georgiano do Moreirense. Com 27 anos, Makaridze junta alguma experiência com uma boa margem de progressão. À semelhança de André Moreira, o georgiano é frio e calmo entre os postes, mas limitado nas saídas. São ambos altos e fortes no controlo da área. Não é coincidência, este é o “tipo” de guarda-redes que a estrutura encarnada acredita ser o melhor para substituir Ederson. Se é impossível manter toda a qualidade do brasileiro procura-se o que de mais importante ele deu no tetra: a segurança e a frieza a proteger as redes benfiquistas.

Makaridze foi uma das surpresas da Liga NOS (Foto: Record)

Com este perfil e pelos valores em questão estas são das opções interessantes a que se junta Bruno Varela. O jovem português já passou pelo Benfica e tem mostrado o seu valor, inclusive nos sub-21 de Portugal.

Há ainda, fora da Liga NOS e das seleções nacionais, imensos jovens guarda-redes que cairiam que nem uma luva na Luz. São exemplos disso: Timo Horn (Colónia), Lovre Kalinic (Genk) e Thomas Strakosha (Lazio).

O primeiro é um alemão de 24 anos que preenche aquilo que os encarnados precisam. É um jovem com experiência e com imensa qualidade. Apesar disso os 12M€ que o alemão pode custar são um handicap considerável.

Tal como Horn também Kalinic encaixa no perfil que o Benfica parece procurar. Do alto dos seus 2.01m o croata é exímio entre os postes mas débil nas saídas. Ao contrário de Horn, o seu valor de mercado encaixa-se no que a SAD estará disposta a gastar.

Por fim, o albanês Strakosha é um keeper mais à imagem de Ederson (sem a imponência física do brasileiro). É bom nas saídas mas não tem um controlo e calma entre os postes que as opções já enunciadas oferecem.

Apesar de todas estas opções, caso o “Imperador” rume mesmo ao Brasil a baliza encarnada ressentir-se-á da falta de experiência que estas apresentam.

Neste momento, a única certeza é que seja quem for o próximo “número 1” da Luz, o buraco de 7.32m por 2.44m que Ederson deixa não será nada fácil de tapar.

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Rui MesquitaJunho 12, 20175min0

A época chegou ao fim e o Benfica sagrou-se tetracampeão pela primeira vez na sua História. E fê-lo, estatisticamente, de forma categórica: 6 pontos de vantagem sobre o 2º classificado, melhor ataque da Liga NOS (72 golos marcados), melhor defesa (18 golos sofridos) e tudo isto com uma avalanche de lesões durante toda a época.

Há que tirar o chapéu a Rui Vitória pela plasticidade tática e por manter o plantel unido durante estes dois anos. E tirar o mesmo chapéu a Luís Filipe Vieira por, com dois treinadores diferentes e saídas importantes, tornar o Benfica num clube vencedor. Nestes 4 anos o clube da Luz conquistou, a um FC Porto em decadência, a hegemonia do futebol português muito graças a estes dois homens.

E o que fazer agora?

A solução ideal é simples: não vender os melhores jogadores que a equipa tem, reforçar posições carentes de soluções e atacar o penta. Infelizmente, do ponto de vista financeiro, esta opção não se mostra possível: Ederson no Manchester City, Lindelof praticamente em Manchester mas nos Red Devils e no horizonte vê-se Rui Vitória a remendar um plantel e um modelo de jogo para lutar pelo já referido penta.

A despedida [Foto: Lusa]
 

Mas apesar da hegemonia é unânime que, apesar de ganhador, o futebol do Benfica foi pobre e mostrou-se, inúmeras vezes, sem soluções. Para além das 2 derrotas e 7 empates, o Benfica venceu 8 jogos pela margem mínima num campeonato com uma gritante discrepância entre os “grandes” e os “pequenos”.

Porém, mais do que os números, sobressaem as limitações na construção, andando Pizzi sozinho a tentar carregar os pianos da equipa. Há ainda a questão da falta de soluções ofensivas (nenhum dos 4 extremos usados se mostrou uma solução sólida ou eficaz) e ainda o peso da ausência de Jonas no 11. Sobressai a discrepância entre um futebol com Pizzi e sem ele (como ficou patente na eliminação da Taça da Liga caindo por terra o mito de o Benfica ter duas equipas altamente competitivas). Sobressai a passividade do futebol encarnado e falta de brilho que os adeptos desejam e exigem.

Partindo do princípio que Luís Filipe Vieira irá vender (para além do guarda-redes brasileiro), a solução não pode passar por voltar a remendar o plantel, o que significa limitá-lo. A solução tem que passar pela reinvenção do futebol de Rui Vitória, pela criação de uma identidade, de uma ideia e adaptar o plantel e cada jogador a essa ideia e não o contrário. Como o próprio Rui Vitória disse na sua mais recente entrevista: “Há espaço para a evolução (…) Estamos a pensar em algumas mudanças táticas e forma de jogar.”, é precisamente isso que é preciso: evolução e mudança.

O motor da mudança [Foto: Record]

A verdadeira solução

É altura de mudar de mentalidade, de passar de jogar como o plantel deixa para jogar como o treinador quer exigindo mais de cada atleta para que se encaixe na ideologia do mister. É o momento de deixar de se jogar com dois avançados porque Jonas o exige e exigir do brasileiro o que se precisa para um modelo “ideal” na cabeça de Rui Vitória, entre outros exemplos.

Rui Vitória tem que definir o que quer na construção já que deixar Pizzi sozinho não pode ser solução por esconder e desperdiçar o talento e a magia do transmontano. O timoneiro dos encarnados tem que definir o que quer de Jonas: se um terceiro médio ajudando Pizzi na construção (sempre a construção!) se um segundo avançado para marcar golos. Rui Vitória tem que definir o que quer de cada extremo: se dois desequilibradores se um médio interior (como um Pizzi de outros tempos). E Rui Vitória tem forçosamente que diversificar as soluções ofensivas dos encarnados e mostrar que é treinador para competir com os melhores (como fará na Champions).

Um génio escondido [Foto: SICNotícias]
 

Foi precisamente ao nível da construção que o futebol desta época mais pecou. Pizzi é um jogador fenomenal (o melhor do nosso campeonato a par de Jonas) mas ficar encarregue de queimar linhas sozinho é injusto para o médio e insuficiente para o futebol encarnado. E é, por isso, na construção que Rui Vitória terá que se reinventar mais para dar estabilidade e capacidade a essa fase do jogo.

A resposta ao que fazer quando se ganha tudo é essa! Melhora-se o futebol, cria-se uma identidade e faz-se tudo (direção, jogadores, adeptos) girar à volta dela, dando à Águia novos e maiores voos!

A nova pergunta que fica no ar é: será Rui Vitória capaz de o fazer? Só a próxima época e o treinador campeão poderão responder a isto, mas que está na altura de tanto Rui Vitória como o Benfica subirem ao próximo nível? Isso está!

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Pedro AfonsoJunho 1, 20178min0

Tetracampeões. Uma novidade para as hostes benfiquistas. E que novidade! Os encarnados cimentam a sua posição como clube português mais titulado e colocam o último prego no caixão da hegemonia portuense, que vigorou durante os últimos 30 anos. Mas que época foi esta? Poderemos reduzir todo um ano a um título, mesmo que signifique ser Tetracampeão?

Ainda a época não tinha começado e já as vozes da desconfiança se erguiam: por um lado, um Sporting com contratações sonantes e uma espécie de all-in para a conquista do tão almejado título de campeão nacional; por outro lado, a contratação de NES que viria, em teoria, reacender a mística portista; e ao centro, a falta de soluções credíveis para a saída de Renato e Gaitán. Mas se ainda havia dúvidas acerca do técnico Rui Vitória ser capaz de ser reinventar, a vitória na Supertaça por 3-0 frente ao Braga serviu para dissipar as dúvidas. Foi o arranque perfeito para uma época com 62 jogos, 42 vitórias, 12 empates, 8 derrotas, 136 (!) golos marcados e apenas 48 sofridos.

O “golo” [Fonte: MaisFutebol]

Pontos altos

  • A vitória por 2-1 frente ao Sporting CP. Para além do óbvio simbolismo que se prende com a vitória num derby, este jogo serviu para quebrar o enguiço, foi um afastar de uma vez por todas as superioridade de JJ nos mind-games e demonstrar que o Benfica se tornou, com Rui Vitória, uma equipa madura, cínica, fria e competente.
  • 5-0 ao Vitória SC. Há maneiras e maneiras de se ser campeão. No fundo, é “apenas” confirmar que, matematicamente, será impossível para os adversários ultrapassar a nossa pontuação. E o Benfica, em casa, foi capaz da melhor exibição da época, com “nota artística”, num autêntico banho de futebol que culminaria com a vespa de Eliseu.
  • A conquista da Supertaça. Uma vitória por uns expressivos 3-0 que foi capaz de dissipar dúvidas acerca da capacidade do técnico ribatejano e acerca da valia do plantel encarnado.

Traição e falta de carácter. [Fonte: Goal.com]

Pontos baixos

  • Derrota frente ao Moreirense para a Taça da Liga. Não desvirtuando o mérito do clube minhoto, a displicência e sobranceria com que os jogadores abordaram a 2ª parte custaram a possibilidade de disputar mais uma final e fazer o pleno a nível interno. Um balneário brincalhão virou displicente e, nos jogos seguintes, o nervosismo transpareceu no banco encarnado.
  • A caminhada Europeia. Ao contrário de anos passados, os encarnados não se podem queixar de um grupo difícil. Uma fase de grupos em que se contam 2 vitórias contra o D. Kiev, 2 empates infantis frente aos turcos do Besiktas (o primeiro na última jogada do jogo e o segundo após uma vantagem de 3-0 ao intervalo) e 2 derrotas categóricas frente ao Nápoles, apurou um Benfica com pouco andamento para a Champions. Seguiu-se um Dortmund ao qual é “roubada” a 1ª mão, face à superioridade gritante dos alemães, e que na 2ª mão fez questão de trucidar as hostes encarnadas. É o Dortmund, mas não é o Dortmund de outros tempos.
  • A razia de lesões. É incompreensível como um clube da dimensão do SL Benfica apenas tenha tido o plantel todo à disposição por volta da trigésima jornada. O azar não explica tudo e o caso mais gritante será a gestão de Jonas, com a sua entrada na Madeira, agravando uma lesão e demonstrando um certo amadorismo, imperdoável.

O Maestro. [Fonte: Sapo Desporto]

MVP

  • Pizzi. Pelo que jogou, pelo que fez jogar, pela adaptação a uma posição que não é a sua e por ver caminhos e espaços onde mais ninguém via, quando o coração já só mandava correr desalmadamente, em desespero, e todos precisavam de alguém que os guiasse. Jogador com mais minutos e imprescindível para o jogo encarnado. Um craque.

Incansável [Fonte: The Sun]

Revelação

  • Nélson Semedo. A época passada tinha deixado um leve perfume daquilo que seria a “locomotiva” na faixa direita benfiquista. Não tendo acabado a época passada na melhor das posições (sentado), rapidamente ganhou o lugar a André Almeida e assumiu-se como um porto-seguro do ataque dos encarnados. Defensivamente ainda muito permeável, mas a experiência trará, com certeza, essa capacidade e “esperteza” a Nélson.

Desilusão

  • Rafa. Os 16 milhões pesaram no craque português. Jogo após jogo, a qualidade era visível, o transporte de bola, o drible, o virtuosismo a lembrar Hazard. Mas faltou sempre critério no último passe, na hora de rematar, de matar a jogada, algo que não faltou a jogadores claramente mais talentosos que o português, mas mais decisivos para o Benfica. Na próxima época, Rafa terá de ser capaz de superar o seu bloqueio e demonstrar porque razão vale 16M. E aí poderá, até, almejar voos mais altos.

Um dos “Flops” do ano. (Foto: Record)

Casos bizarros

  • O desaparecimento de Horta. De contratação inesperada, a titular, a lesionado, a não-convocado. O percurso de Horta no Benfica desafia toda a lógica e aproxima-se de um romance kafkiano. Apenas poderá ser explicado por jogadas de bastidores que não ficam bem a ninguém. Com isto, perde o André e perde o Benfica.
  • O lugar cativo de Salvio. A dada altura da época, o 11 do Benfica era fácil de adivinhar: era Salvio e mais 10. Não sou fã do argentino, mas reconheço a importância de “Toto” (não consigo pensar numa alcunha melhor) na equipa. Contudo, creio ser inexplicável o estado de graça de Salvio que, exibição pobre atrás de exibição pobre, manteve o lugar, enquanto todos os outros extremos sorteavam quem seria titular.
  • Celis, Danilo e Felipe Augusto. O colombiano surge de pára-quedas no SL Benfica, nunca tendo demonstrado capacidade para estar no plantel do tetracampeão (tri, à altura). Contudo, RV lança o médio várias vezes, por vezes até à frente de Samaris, esperando encontrar algo que justificasse o investimento (?). A gota de água veio com o Besiktas, em casa, e Celis acabou a época no Vitória SC, a suplente. Por outro lado, a gestão de Danilo nunca pareceu clara. O brasileiro, que já há alguns promete muito e demonstra pouco, nunca foi verdadeira aposta, apesar de reunir as condições para suprir a ausência de Renato. Termina a época emprestado ao Standard. Por fim, Felipe Augusto foi contratado para fazer de Danilo, quando o SL Benfica já havia despachado Danilo. Para além disso, Felipe Augusto, altamente propenso a lesões, veio aumentar a conta do hospital de campanha da Luz. Nunca demonstrou valias suficientes para justificar a sua presença no plantel, muito menos a ultrapassagem de Horta e Samaris na corrida ao meio-campo.

O “sacrificado”. (Foto: SAPO Desporto)

Notas soltas

  • A explosão de Gonçalo Guedes. Com mais coração que cabeça, o jovem foi um dos obreiros da excelente primeira volta de campeonato e peça preponderante durante a crise de lesões.
  • O capitão Luisão. Aos 36 anos, Luisão carimbou uma das suas melhores épocas ao serviço do clube da Luz, sendo o central mais constante durante a época e um líder dentro e fora do campo.
  • Tolerância 0 para Carrillo. O peruano tem um estilo de jogo “molengão”, mas já o tinha no SCP e talento e inteligência nunca lhe faltaram. O ano de paragem adormeceu algumas qualidades, principalmente físicas, mas não se compreende a aversão do público benfiquista que se mostrou sempre profissional e que nunca deixou abater pela falta de oportunidades e má gestão da sua utilização.

E, após todas estas pequenas análises, creio que a época encarnada foi francamente positiva e calou inúmeros críticos, grupo no qual me incluo, havendo, no entanto, MUITO espaço para crescer e melhorar.

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Nélson SilvaMaio 31, 20176min0

O tetracampeonato conquistado pelo Benfica intensificou o interesse dos grandes tubarões europeus e é agora tempo de avançar na caça às melhores presas. Sem grandes surpresas, vários foram os jogadores a confirmar o seu valor. Afastadas as lesões, com a forma recuperada, os atletas mais promissores que foram o rosto desta conquista estão na iminência da saída. Entre muitos milhões de euros e muita cobiça, chegou a hora de apontar os principais alvos à saída.

Ederson

A contagem é já decrescente, calcula-se apenas quando se fechará o negócio. Ederson teve “só” mais uma época para se afirmar como um dos melhores e mais promissores guarda-redes da atualidade. Implacável dentro dos postes, mostra também um à vontade fora do comum no momento de sair aos cruzamentos. No “1 para 0” defensivo, o guardião brasileiro já conseguiu também, por várias vezes, salvar o Benfica. Quem não se lembra da defesa aos pés de Arnold (V. Setúbal) na época passada e a saída aos pés de Soares (FC Porto) no último clássico?

Como se estas qualidades não fossem suficientes, Ederson tem ainda uma arma secreta, talvez aquela que mais tem impressionado: o seu pontapé é tão forte que consegue bater um pontapé de baliza com a bola a cair na área contrária. Um “dom” que até valeu uma assistência decisiva no jogo de confirmação do título, bem como obrigou várias defesas a desorganizarem e reajustarem-se para não serem apanhadas de surpresa.

Manchester City deve ser o clube a seguir, uma vez que a equipa de Guardiola superou a concorrência pela contratação do brasileiro e o Benfica já confirmou as negociações à CMVM.

Foto: Globoesporte

Nélson Semedo

Do adeus às lesões à confirmação do que era também expectável. Uma técnica invulgar, aliada a uma velocidade impressionante, que muitas vezes permite ao lateral ganhar vários lances em que faz questão de “dar o corredor” aos extremos contrários. Ninguém estranha que o jogador atuava como “10” quando chegou para jogar na equipa B dos encarnados. A falta de laterais levou a Hélder Cristóvão adaptar Nélson à direita e a escolha não podia ser mais acertada. Quis o destino que as portas da equipa A se abrissem para o português, por força da saída do dono do lugar durante várias épocas – Maxi Pereira. Semedo teve a capacidade de dissipar quaisquer saudades que o uruguaio podia ter deixado aos adeptos encarnados e não fosse a lesão que contraiu na primeira chamada à seleção​.

Sondado pelo Bayern de Munique, surge agora o forte interesse por parte do Barcelona, que pretende reforçar uma posição onde os catalães se encontram debilitados, ao ponto que até André Gomes foi forçado a atuar a lateral direito na final da Taça do Rei. Nélson Semedo é um dos laterais mais cotados do mercado e certamente trará aos cofres da luz uma quantia bem avultada pelo seu passe.

Foto: Rádio Renascença

Foto: Taiwan News

Victor Lindelof

Provavelmente o elemento menos regular dos até agora falados. Ainda assim, em pouco ou nada esse aspeto retira valor às qualidades apresentadas pelo central sueco, que foi melhorando com o regresso do “velho patrão” Luisão. Aprendiz, Lindelof adquiriu competências táticas e complementou as debilidades do seu “professor”. Com velocidade e  grande capacidade na saída de bola/  primeira fase de construção ofensiva, não se privou de fazer passes e dribles entre-linhas.

A época não podia terminar de melhor forma para Lindelof, que na fase decisiva e em pleno Estadio de Alvalade, teve nos pés a oportunidade de garantir um precioso ponto na luta pelo título, executando de forma exemplar um livre direto. O “Iceman” tratou de fazer jus à sua alcunha e foi um dos maiores responsáveis por proteger a curta vantagem com que o Benfica seguia na frente do campeonato.

A versatilidade do sueco não fica por aqui. Quem o segue há algum tempo não estranhou a facilidade com que joga com a bola nos pés, uma vez que este até se destacou na conquista do ultimo título europeu de sub-21 como lateral direito.

O interesse do Manchester United é já de longa data e este será, provavelmente, o único jogador que a equipa de Mourinho conseguirá desviar do rival City, que parece já ter ganho o concurso por Ederson.

Foto: Rádio Renascença

Foto: Red Devil Armada

Dos demais culpados pelo tetracampeonato encarnado, existem vários nomes sondados para seguirem a outras paragens. Será o caso de, por exemplo, Pizzi e Mitroglou, mas numa perspectiva de negócio diferente. Estes são jogadores já mais experientes, cuja margem de progressão é mais curta em relação aos três nomes mais sonantes já falados, em que os clubes estão mais reticentes a pagar valores muito altos. Jonas não escondeu que o “tetra” abriu portas para muitos atletas serem agora sondados por clubes com outro poderio financeiro, das ligas mais competitivas da Europa. Não excluindo qualquer interveniente desta caminhada gloriosa dos encarnados, onde caberia Grimaldo não fosse a sua lesão que o fez parar grande parte da época, parece certo que os maiores negócios terão como grandes protagonistas os 3 jovens promissores: Ederson (Man. City), Nélson Semedo (Barcelona/ Bayern de Munique) e Victor Lindelof (Man. United/ Man. City).

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Gonçalo MeloMaio 25, 20174min0

O que vale um momento numa época para mudar o rumo dos acontecimentos para melhor ou pior? Uma vitória, uma derrota, um golo marcado ou sofrido, um remate no último segundo falhado ou empate conseguido no último suspiro. Este é o Momento da Época do SL Benfica, não pelo golo ou empate, mas pela qualidade que apresentou em casa frente ao FC Porto em Abril de 2017.

Há momentos decisivos ao longo duma época, momentos em que se nota uma evolução, uma atitude, ou se nota algo diferente e marcante numa equipa, momentos esses que vão contribuir marcadamente para o desenrolar dos acontecimentos da época.

Num ano de tetracampeonato para o Benfica, a escolha do momento mais marcante ou importante da época não era fácil. Podendo ir desde a vitória em casa perante o Sporting, ou o golo tardio em Vila do Conde. Para nós, o momento não foi uma vitória ou um golo, mas sim uma exibição. A exibição contra o FC Porto no Estádio da Luz.

Numa altura em que o que mais se falava era a quebra de forma e rendimento da equipa de Rui Vitória, contrastando com a subida de forma e bons resultados da turma de Nuno Espírito Santo (antes do clássico a diferença era de apenas um ponto) o Benfica entrou para o jogo sem qualquer nervosismo e pressão, realizando aquela que foi provavelmente a melhor exibição do Benfica em derbys e clássicos desde que Vitória chegou ao clube.

Com uma agressividade poucas vezes vista ao longo da época, os homens de Rui Vitória dominaram o jogo quase na sua plenitude, tendo apenas tremido no início da segunda parte com o golo de Maxi Pereira e com Soares a aparecer na cara de Ederson (exibição valorosa e de alta qualidade no clássico).

Esta exibição personalizada foi um ponto de viragem numa equipa que estava cada vez menos confiante até então, coleccionando exibições fracas e vitórias tangenciais, notando-se após este empate um maior à vontade e tranquilidade nos jogos até ao final do campeonato.

No jogo contra o FCP, o medo dos adeptos era grande uma vez que a perda da liderança serviria como um boost enorme para o rival do norte, não só pela liderança mas sobretudo porque essa liderança significava uma vitória azul na Luz. No clássico, mesmo sem o ladrão de bolas sérvio Fejsa, o na altura tricampeão nacional fez uma exibição quase categórica. Samaris apareceu a um nível elevadíssimo neste jogo, fazendo jus à alcunha de “Bombeiro Grego”, fartou-se de jogar e de dificultar a tarefa aos médios do Porto, colocando Óliver no bolso com a ajuda de Pizzi e obrigando Danilo Pereira e André André a jogarem muito atrás e a apostarem no futebol direto.

Para além do domínio no meio campo, o Benfica conseguiu anular quase na totalidade  criatividade de Corona e Brahimi (Eliseu e Semedo a grande nível, com o jovem lateral direito a aliar a coesão defensiva a raides consecutivos pela direita que faziam tremer Alex Telles e Brahimi), para além de ter feito com que Soares não aparecesse na partida, mérito de Luisao e Lindelof, que formaram uma dupla quase impenetrável ao longo da temporada.

No ataque assistiu-se a um Jonas em melhor forma do que o habitual nesta época, jogando e fazendo jogar, mesmo sem ter um Mitroglou muito inspirado ao seu lado, faltando-lhe claramente a competitividade de Jiménez para não se acomodar (as lesões tiraram protagonismo ao mexicano), um Salvio a aparecer nos jogos grandes como é habitual e um Rafa a utilizar a sua velocidade para causar calafrios na defesa e na bancada azul (ainda longe de ser o fantasista do Braga, poderá ser uma chave-mestra para a próxima temporada).

Após o jogo no dragão assistiu-se a uma equipa mais calma e tranquila na forma de abordar os jogos que restavam na Liga Nos , conseguindo que as coisas saíssem com mais naturalidade. Este jogo foi um ponto de viragem do ponto de vista anímico, porque para além de manter a liderança, Rui Vitória e o Benfica mataram o borrego de não se conseguirem impor nos jogos grandes, algo que trouxe paz e tranquilidade ao técnico e à equipa, que caminhou sem grandes sobressaltos para o inédito tetra da sua história.


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