17 Jan, 2018

Arquivo de França - Fair Play

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Pedro NunesSetembro 14, 20174min0

Neymar e Mbappé foram as duas transferências mais badaladas do último defeso. Um comentário a esta nova política de transferências do PSG, que tem protagonizado autênticas novelas produzidas e financiadas pelo Qatar.

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Pedro NunesDezembro 10, 20166min0

O provérbio “não há fome que não acabe em fartura” adapta-se categoricamente à situação vivida no Principado. O Mónaco de Jardim, depois de ser caracterizado como clorofórmico na época passada, é agora a formação mais concretizadora da Europa, dando festival a praticamente todos os adversários que se atravessam no caminho. O clube foi submetido a uma metamorfose e é, neste momento, uma ameaça real à hegemonia parisiense.

Se há coisa em que o futebol português está atrasado em relação ao que se faz lá fora, é no uso de combinações químicas para se caracterizar as táticas das equipas. O desafio está lançado, Sr. Luís Freitas Lobo. Em França já se faz disto há algum tempo. O melhor exemplo chegou-nos na época passada, altura em que alguns comentadores gauleses diziam que Leonardo Jardim tinha inventado uma nova forma de jogar – a tática clorofórmica.

Este conceito veio associado a mudança de política desportiva com menos investimento, por parte da direção do clube, que deixou Jardim de mãos atadas e obrigado a desenrascar-se com o que tinha, fazendo descer bastante o nível exibicional da equipa por consequência da saída de jogadores de classe mundial. Mas este facto nunca foi desculpa para o técnico, que nunca se queixou do que lhe era dado – e tirado. Há dois anos, James saiu para o Real e Falcao foi emprestado. Dmitry Rybolovev, dono do clube, apontava para o recrutamento jovens talentos, mais baratos, que começaram a chegar às fornadas ao Principado. No início da época transacta, houve nova razia no plantel. Martial, Carrasco, Abdennour, Ocampos, Kondogbia e Kurzawa são apenas alguns dos nomes que deixaram o Mónaco rumo a novos destinos e deixaram o português obrigado a remendar a equipa novamente.

Foto: SFHandBook

A solução encontrada foi um estilo de jogo pragmático – algumas vezes bastante apático e soporífero, de facto – em que se revelou por diversas vezes a margem mínima no marcador. Depois do golinho da praxe ser conseguido, os monegáscos juntavam esforços para que o placard não mais se alterasse até final e a estratégia foi funcionando. Apesar de ter perdido a vice-liderança para o Lyon na última jornada, o objectivo Champions ficou cumprido.

Todavia, este ano tudo mudou. Para explicar este o novo paradigma que se vive no Principado, recorremos à explicação de Rudi Garcia, treinador do Marselha, que enfrentou o Mónaco recentemente, e afirma que “aquela equipa até de olhos vendados marcava”. De facto, quem os viu e quem os vê. A passagem de um futebol pragmático para um dos mais entusiasmantes da Europa foi nítida e os números ainda vêm clarificar mais a situação. Com 17 jornadas decorridas, o Mónaco tem 53 golos marcados – a segunda melhor marca da história da competição a esta altura. A química é realmente outra.

A postura no mercado também mudou e os monegáscos foram resgatar alguns nomes que vieram melhorar o exponencialmente o seu futebol. Começando pelo regressado Radamel Falcao, que depois de épocas completamente desastrosas em Inglaterra, está a jogar o seu melhor futebol depois da gravíssima lesão contraída. O avançado colombiano já conta com 10 golos na liga, é capitão, e está aí para as curvas.

Destaque também para as aquisições feitas internamente, como Sidibé e Mendy – dois dos melhores laterais da Ligue 1 -, assim como o regresso do avançado que havia sido emprestado, Germain, e para a compra de Glik, central ex-Torino, que veio dar outra segurança defensiva a uma equipa que sofria golos bastante comprometedores na época transacta.

Tudo isto para somar ao talento já existente, agora um ano mais maduro, que vem demonstrando muitíssima qualidade. Jogadores como Fabinho, Bernardo Silva, Thomas Lemar ou Bakayoko, têm sido nomes de extrema importância para o técnico nascido na Venezuela. O brasileiro já se afigura desde a época passada como um dos melhores jogadores da equipa, oferecendo versatilidade aliada a uma consistência exibicional que leva os grandes da Europa a estarem de olho nele. Bakayoko é a sequência do treinador em campo e nas alas estão os dois grandes playmakers da equipa, Bernardo e Lemar, que fazem a equipa mexer a nível ofensivo. Nota ainda para o aparecimento de Mbappé-Lottin, um jovem de apenas 17 anos, que já conta com exibições e números muito interessantes para tão tenra idade.

Foto: sportmediaset.it

Estamos apenas em dezembro e os monegáscos já marcaram mais golos em casa do que na época anterior toda. O mais impressionante é que não existe um marcador de golos declarado, nem sequer um assistente, que se destaque em termos de números. Já houve 13 marcadores diferentes e 14 assistentes. O melhor marcador da equipa é Falcao, mas os golos aparecem por todos os lados e de todas as formas.

Posto isto, nunca, nos últimos anos, a hegemonia do PSG esteve tão ameaçada. Esta época as equipas do Nice e Mónaco têm sido um osso duro de roer para os parisienses. Os jovens talentos das duas formações do Sul de França têm obrigado os da capital a olhar desde baixo para o topo da tabela, algo que não acontecia há vários anos. Na Champions, a equipa de Jardim também foi uma das únicas que já estava qualificada à quinta jornada, e em primeiro do grupo. Apesar disto tudo, é o adversário que muitos adeptos querem para os seus clubes no sorteio da Champions de segunda-feira. Rezem para que em fevereiro esta forma não continue ou serão apanhados de surpresa.

A equipa foi transformada numa verdadeira máquina de fazer golos, e com o recurso ao rumo dos acontecimentos que mudaram obrigatoriamente o modo de pensar do treinador, percebemos facilmente as causas que levaram àquele estilo de jogo clorofórmico. Jardim simplesmente não jogava como queria, mas sim como podia.

Foto: Foot The Ball

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Pedro NunesNovembro 5, 20164min0

São dois dos enfant terribles do futebol. Também é por causa de jogadores como Balotelli e Ben Arfa que este é o desporto-rei e o esplendor do entretenimento dos dias que correm. Apesar de serem diferentes em muita coisa, a carreira de ambos acabou por ter um ponto similar na chegada a Nice. E há melhor sítio para iniciar uma nova vida do que a Riviera francesa?

Estas bem podiam ser as histórias de duas péssimas ideias. Talvez concordemos que levar cidadãos como Hatem Ben Arfa e Mario Balotelli – jogadores milionários e com as suas carreiras no maior ponto de interrogação – para uma das melhores estâncias turísticas da Europa, onde há uma multiplicidade de distrações ao trabalho, tinha tudo para dar errado. O extremo gingão é mais um daqueles casos a quem o futebol salvou a vida. Filho de pais tunisinos e nascido num dos bairros mais problemáticos dos arredores de Paris, foi naquele pé esquerdo que depositou toda a esperança que se tornasse no seu ganha-pão e da sua família. Tem um talento que sempre precisou de espaço para poder brilhar. Ou a equipa faz dele a estrela, ou ele apaga-se ou então funciona apenas intermitentemente. Aos 29 anos, a suposta evolução na maturidade levou-o ao PSG deixando o Nice órfão do seu criativo.

Foto: GFI
Foto: GFI

Mas apesar da perda do seu playmaker, esta época as coisas têm corrido de feição aos aiglons, ainda de melhor do que se esperava. As mudanças foram muitas, pois para além da saída de Ben Arfa também Claude Puel abandonou o clube depois de o levar da zona de descida à Europa e para o lugar dele foi chamado o ex-Gladbach, Favre.

À 11ª jornada o clube de Côte D’Azur surge na liderança da Ligue 1, destacados do resto dos concorrentes, com uma vantagem de 6 pontos. É realmente de tirar o chapéu ao que o senhor Lucien Favre está a conseguir fazer, deixando para trás Mónaco e PSG – o candidato crónico. Com um plantel de jogadores jovens com muito para evoluir, tem sido muito interessante acompanhar a afirmação de jogadores como Plea ou Cyprien, que têm sido decisivos na manobra ofensiva da equipa. Há ainda dois jogadores bem conhecidos dos portugueses que fazem parte deste núcleo duro – Ricardo e Seri. O lateral/médio dá consistência em qualquer lugar que jogue, somando ainda boas participações ofensivas, numa capacidade que já vem de anos transactos e passa despercebida nos media nacionais. Quanto ao ex-Paços, tem funcionado como o elo de ligação entre o miolo e o ataque, assinando já um bom número de assistências. Até o central Dante está a conseguir dar um novo alento à sua vida futebolística. Mas a grande epígrafe desta fase inicial do Nice é outra…

O segundo filme tem basicamente o mesmo enredo, o mesmo número na camisola e o personagem principal é parecido. No entanto, este parece ter sido escritopor Woody Allen tal é o número de peripécias em que já foi alvo. De casas de banho incendiadas a brincadeiras num segway por Lisboa, há de tudo no portefólio de Balotelli. Bom referir que nem Mourinho conseguiu ter mão nele.

“Queria um sítio bonito, onde te levantes, olhes pelas janela e isso seja o suficiente para mudar o teu dia”, disse Balotelli para justificar a escolha do clube, onde tem sido um fenómeno também de marketing – são vendidas 6 camisolas do avançado por hora. Com Favre, Super Mario ainda não funciona como um relógio suíço, mas quase. Os grandes golos e as exibições voltaram, mas também já houve expulsões um pouco complicadas de explicar, nada a que ainda não nos tivesse habituado. Seis golos em cinco jogos é uma boa marca para um reforço que chegou já em cima dos derradeiros minutos de mercado à última da hora e a custo zero. Aos 27 anos, a vida resolveu dar a enésima oportunidade ao Super Mario. E desta vez é rumo à bola de Ouro, diz ele.

Foto: 20 Minutes
Foto: 20 Minutes


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