17 Ago, 2017

Arquivo de Balanços - Fair Play

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Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final

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Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]
 

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]
 

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]
 

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO

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Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway

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Francisco IsaacMaio 17, 201711min0

A Europa foi tomada pelos “sarracenos” de Londres, o Munster voltou a “acordar”, o Racing desiludiu e uma série de outros acontecimentos que marcaram a competição. Este é o balanço da competição de 2016/2017 pelo Fairplay

Temos bicampeão europeu, os Saracens, com Owen Farrell, Chris Ashton, Billy Vunipola e entre outros, a levantarem o “caneco” após um encontro sufocante ante o ASM Clermont.

Infelizmente para equipa francesa foi “só” a 3ª vez que ficaram a escassos pontos de conquistar uma competição que lhes foge desde 2012. Estão predestinados a terminar como vice-campeões?

Foi uma competição intensa, esgotante com algumas surpresas e desilusões, com ensaios de levantar os estádios (e porque não, também, o banco de suplentes?) e com alguma tristeza.

Este é o balanço do Fair Play à European Champions Cup.

CAMPEÕES – SARACENS

Stats
Ensaios Marcados: 29;
Ensaios Sofridos: 11;
Jogador c/ mais pontos: Owen Farrell (126);
Sequência de Jogos: 17 vitórias e um empate (bicampeões invictos)

Não há dúvida alguma que os Saracens de Londres são a equipa a “abater”, com um rugby que transita do puramente físico (fulcral para aguentarem aqueles minutos em que o Clermont tentou subir a “bitola” de jogo e recuperar da desvantagem) para o tecnicamente bem construído com uma série de fases dinâmicas (Brad Barritt, Alex Goode, Chris Ashton, Owen Farrell e Richard Wigglesworth ou Chris Wyles fazem a diferença em termos de skills e construção de jogo), permitindo-lhes uma adaptação mais rápida, mais eficaz a qualquer adversário.

Mike McCall, o director técnico dos sarries, dispõe de uma super-equipa com vários atletas a pertencerem à Rosa de Eddie Jones, como os irmãos Vunipola, Maro Itoje, George Kruis, Jamie George ou Owen Farrell (126 pontos dos pés e mãos do abertura/centro). Para além disso, tem uma lenda Springbok chamada de Schalk Burger, um asa destemido e que vale a pena seguir chamado de Michael Rhodes e um Puma que garante metros, ensaios e virtuosismo, o grande Marcelo Bosch.

Os Sarracens foram objectivos a garantir o seu lugar na competição, não deram mínima hipótese quer na fase de grupos (o maior susto aconteceu ante os Scarlets no País de Gales, com um empate de 22-22, “salvo” na bola de jogo) ou na fase a eliminar, saindo directos e sem contestação para o título europeu.

Rapidamente vamos explicar aonde e como os Sarracens sobrepuseram as adversidades durante a campanha de 16/17: fases estáticas 95% conquistadas (mérito para o excelente trabalho de Kruis e Itoje, para além da assertividade da 1ª linha com Vunipola, George e Vincent Koch); trabalho exemplar no contacto e velocidade no ataque ao 1º e 2º canal (Michael Rhodes e Billy Vunipola foram os carriers de serviço, seguindo-se Marcelo Bosch) e aproveitamento do espaço para quebras-de-linha (Chris Wyles e Chris Ashton sempre com a bomba nas pernas em direcção à linha de ensaio). Um rugby muito simples, mas extremamente dinâmico, com uma carga física alta e uma resistência que garantia os 80 minutos sem “quebrar”.

Esta onda dos Saracens é para continuar? Se o plantel não sofrer grandes alterações (um par de jogadores vão “pendurar as botas”), receber mais dois ou três reforços de luxo (Liam Williams, Christopher Tolofua e Dominic Day já estão confirmados) vai ser muito complicado “bloquear” a máquina de McCall.

A DESILUSÃO – RACING METRÓ

Se não há dúvidas que os Saracens mereceram erguer o título de campeões da Europa, também não há em relação à escolha para equipa desilusão em 2016/2017: Racing Metró 92′.

A equipa parisiense terminou em último lugar da fase-de-grupos conquistando só 5 pontos em 30 possíveis. Nem Dan Carter (entre jogos fenomenais a exibições de “apagão” total) ou Juan Imhoff conseguiram salvar a “honra” do Racing, que apresentou um rugby tão desapontante que deixou várias reticências para o que virá aí no futuro.

Um dos principais problemas foi a intensidade de jogo e a capacidade de dar sequência a uma série de fases, com a equipa francesa a não possuir “arcabouço” para aguentar com a insistência “irritante” do Munster ou a eletricidade do Glasgow Warriors.

Em 2015/2016 tinham ido até à final da competição, caindo ante os Saracens… nesta temporada nem do último lugar do seu grupo conseguiram passar.

Uns “magros” 12 ensaios marcados provam que algo se passou nas hostes do Racing Metró que precisa se revitalizar e reencontrar aquela classe e charme demonstrada na época anterior.

O RECORDISTA – CHRIS ASHTON

Quem é que disse que os bad boys não podem vingar no desporto? Chris Ashton, o ponta que conseguiu tirar Eddie Jones, Warren Gatland, Martin Johnson e vários outros seleccionadores nacionais ou dos Lions do sério, bateu o recorde de ensaios das competições europeias.

O ponta inglês de 30 anos (não representa a selecção da Inglaterra desde 2014, apesar de ter conseguido 25 ensaios em 53 internacionalizações) atingiu os 37 ensaios em 50 jogos na Champions/Heyneken Cup, ultrapassando Vincent Clerc (36) ou Brian O’Driscoll (33).

Este foi o “adeus” de Ashton aos Saracens já que vai para o RC Toulon, onde poderá tentar chegar aos 40, uma meta formidável para um dos grandes finishers ingleses dos últimos 20 anos. Para além de estar munido de uma bela velocidade, o ponta tem uma boa noção do jogo ofensivo, tem capacidade de perfuração e tenta entrar no espaço “X” para partir a linha de vantagem e criar uma boa situação ofensiva.

Seis ensaios em cinco jogos (Isa Nacewa do Leinster acabou com 7), decisivo frente ao Clermont (3 quebras de linhas e 5 pontos saídos das suas mãos) ou Scarlets (aquele ensaio no último segundo de jogo que garantiu um empate precioso), Ashton merece um lugar no patamar das “lendas da Champions Cup”.

A SURPRESA – MUNSTER RUGBY

Revivalismo… é uma conceito que se pode “afixar” na European Champions Cup desta temporada, com os regressos em força do Leinster, Munster ou ASM Clermont. Especialmente o regresso às boas exibições das equipas irlandesas, que durante os últimos dois anos andaram bem longe dos grandes palcos (o Leinster chegou em 2014/2015 às meias finais da competição).

Essencialmente, o Munster voltou à “chama” que outrora os galgou para as grandes conquistas europeias, muito pela capacidade de Anthony Foley em transformar o rugby “sonolento” irlandês para uma aceleração constante de jogo e um ritmo de alto “quilate”.

O falecimento do treinador, na noite antes do encontro frente ao Racing Metró 92′, foi uma “dor” total na Red Army que se viu privada do seu comandante, de uma lenda do clube e do país… mas a “dor” foi convertida em uma dose ainda maior de “paixão” e entrega, que levou o Munster até às meias-finais da competição sucumbindo à maior pressão e dinamismo dos Saracens.

Mas foi uma época essencial para o futuro da equipa de Rassie Erasmus (o director técnico que assumiu o papel de treinador do Munster após a morte de Foley), com CJ Stander a comandar os avançados (um placador exímio e um autêntico “tanque” com motor de porsche no ataque) e Tyler Bleyendaal a despontar como um “maestro” com capacidade de elevar o jogo da sua equipa.

O Munster está a “refazer” a sua vontade de conquistar títulos e prova disso foram os apuramentos quer para as meias-finais da Champions Cup quer para a PRO12 (frente aos Ospreys). Para o rugby europeu é necessário termos de volta a energia irlandesa, a magia de Zebo (o jogador com mais erros próprios de toda a competição com 15 no total) e a liderança de Peter O’Mahony.

O MVP – CJ STANDER

CJ Stander, que nº8 “monstruoso” foi o rugby irlandês “resgatar” às planícies da África do Sul. O asa da selecção da Irlanda (um dos melhores jogadores nas duas últimas Seis Nações pelo Trevo) fez uma campanha “deliciosa” na European Champions Cup.

O ensaio marcado frente ao Racing Metró 92′ é um tipo de cartão de visita que deixa qualquer adepto com vontade de conhecê-lo mais e melhor. Com três ensaios na competição de 16/17, Stander sobressaiu-se na hora de reorganizar a avançada, nas saídas com potência (133 carries no total com 292 metros conquistados), no breakdown (8 penalidades conquistadas, 8 turnovers conseguidos), na “agressividade” da placagem (59 placagens no total, está no top-15 de melhores placadores da época) e dotado de uma leitura de jogo que merece destaque.

Stander é o protótipo de jogador que qualquer treinador gostaria de ter: leal, trabalhador, enérgico, “mágico”/criativo e que se impulsiona para a frente dando o exemplo aos seus colegas.

Owen Farrell foi até à final, marcou ensaios, colocou pontos entre os postes, foi decisivo em vários momentos…tudo verdade. Mas Stander fez o Munster respirar rugby, deu outros “contornos” à avançada da Red Army e foi o melhor 8 de toda a competição.

AS NOVAS ESTRELAS – GARRY RINGROSE, ZANDER FAGERSON E THOMAS YOUNG

Garry Ringrose – Ensaio de antologia em casa do Clermont; Zander Fagerson – pôs as primeiras-linhas do Munster e Racing Metró em “fúria”; e Thomas Young – o tackling machine dos Wasps. Foram três protagonistas “jovens” que deixaram uma marca profunda na competição.

Ringrose é aos 22 anos o novo Brian O’Driscoll, de acordo com alguns comentadores e fãs. É preciso ter um cuidado extremo a etiquetar os jogadores, mas na verdade Ringrose foi surpreendente. Um jogador nato em explorar o erro defensivo do adversário, tem um pace e um ritmo de jogo muito diferente do que estamos habituados a ver em Henshaw ou Payne, para além dos “truques” na hora de tirar o defesa da frente. As excelentes prestações pelo Leinster podem ainda valer um “cartão de viagem” até à Nova Zelândia.

Zander Fagerson, o pilarão dos Glasgow Warriors, foi um “rochedo” autêntico. Com 21 anos, o nº1 escocês tem tudo para se afirmar como um dos melhores pilares do Hemisfério Norte, muito pela sua excelente postura e trabalho na formação ordenada (Mako Vunipola teve uma autêntica “guerra” com o escocês), a forma como gosta de “comer” metros, o ritmo que impõe nas entradas curtas ou a “agressividade” que apresenta na placagem (55 placagens) são alguns pontos fortes do pilar.

Por fim, Thomas Young, asa dos London Wasps pode ser um novo James Haskell (pode parecer uma blasfémia) tanto pela sua qualidade como placador (um rácio de 95% de placagens efectivas, terminou com 76 placagens em 7 jogos), na disponibilização para ganhar metros (106 no total, não é por onde passa a estratégia de jogo de Dai Young) e na fisicalidade que apresenta no contacto seja no ataque ou defesa. Com 24 anos, o galês tem tudo para seguir os trilhos quer de Haskell ou Warburton.

O 23 DO ANO

Suplentes: 16 – Vincent Koch; 17 – Benjamin Kaiser; 18 –  Tadgh Furlong; 19 – Sean O’Brien; 20 – Richard Wigglesworth; 21 – Finn Russell; 22 – Alex Goode; 23 – Nemani Nadolo;

EM MEMÓRIA – ANTHONY FOLEY

Anthony Foley deixou o mundo do rugby mais pobre ao “partir” cedo. Uma das grandes referências do Munster e da Irlanda, conseguiu em 2014 assumir o lugar de treinador principal da equipa da região.

Foley foi sempre uma presença assídua desde novo entre o Munster, seguiu as pisadas do pai, carregou a Irlanda às “costas” em alguns momentos e acabou por conquistar uma Heyneken Cup por duas ocasiões (05/06 e 07/08) como jogador.

O Munster de 2016/2017 existiu graças a “Axel” Foley e Rassie Erasmus, uma parelha que iria fazer estremecer não só a PRO12 mas também a European Champions Cup.

A saudade vai apertar… Foley tinha um jeito característico de sentir o rugby, uma paixão única, um envolvimento com os adeptos e jogadores inesquecível, sempre com um sorriso brilhante e simpático.

A memória de Foley, os valores que ele defendia e a forma como lutou pela Irlanda dentro e fora do campo são marcas únicas para esta modalidade.

Foto: RTE

Stand Up and Fight em memória de Foley

 

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Tomé BritoFevereiro 5, 20178min0

Terminou no passado domingo mais uma edição do Mundial de Andebol que viu a França sagrar-se pela 6ª vez na sua história campeã mundial, tendo este feito ganho um sabor especial por ter sido conseguido em casa. Grande golos, grandes defesas, uma grande organização, um recorde de espectadores presentes no pavilhão, mas acima de tudo, grandes espectáculos de Andebol. O Fair Play faz aqui um pequeno balanço Mundial onde irá falar de 5 pontos cruciais deste Mundial.

Podemos começar por falar do facto de este mundial ter sido cheio de surpresas. Da Noruega conseguir um inédito 2° lugar, a Eslovénia ter chegado pela primeira vez às medalhas, o Chile ter conseguido a sua primeira vitória em mundiais no 1º jogo, ou a Espanha e a Dinamarca não terem sequer chegado às meias-finais. Individualmente novas estrelas surgiram como Sagosen ou Blaz Janc e outros foram os jokers das suas seleções como Vincent Gerard ou Bezjak. A verdade é que no andebol cada vez há mais selecções/equipas “fortes”, ou seja, há um maior equilíbrio de forças, onde todos podem ganhar a todos. Vamos seguir então para o primeiro ponto.

PELA 6ª VEZ NA HISTÓRIA, A FRANÇA É CAMPEÃ MUNDIAL

Não foi no futebol, mas sim no andebol que a França conquistou uma grande competição desportiva a jogar em casa, repetindo o feito de 2001. Esta vitória pode também marcar o regresso da dominância francesa no Andebol, visto que depois de um período de anos avassalador onde conquistaram tudo, estavam em branco desde Janeiro de 2015 (Mundial do Qatar). Em termos de andebol, o jogo Francês não se afastou muito do normal. A presença de Dinart no banco vem trazer uma mais valia ao processo defensivo, que só por si já era fortíssimo, e no ataque foi o típico jogo de atacar os 6 metros tendo níveis de eficácia bastante altos. Individualmente são dois os jogadores que queremos destacar, Vincent Gerard, para nós o MVP da seleção Gaulesa, que aproveitou um “pior” período de Omeyer para se destacar na baliza, e Valentin Porte, que provou mais uma vez que com um pouco mais de regularidade no seu jogo poderia chegar ao top-3 de melhores do mundo, tal é diferença que consegue fazer a lateral ou à ponta, de remate exterior ou no 1 contra 1. Sem deslumbrar mas bastante certos, assim se descreve esta seleção Gaulesa durante o Mundial.

Jogadores Franceses celebram a vitória na final (Foto: ChannelNewsAsia)

OVERRASKELSE (SURPRESA)!

Em 2016 foram a sensação do Europeu ao garantir o 4º lugar e na nossa previsão nem os tínhamos a passar a fase de grupos, mas a verdade é que os Noruegueses surpreenderam e convenceram todos ao conquistar o 2º lugar no Mundial. Aos 20 anos Sander Sagosen assumiu-se como o líder desta seleção e para muitos (Fair Play incluído) é considerado o MVP da competição. Com espaço, é um jogador extraordinário no 1 contra 1, muito rápido nos seus movimentos e caso ganho um pouco mais de poder físico pode vir a ser ainda melhor. Bergerud foi para muitos o melhor guarda-redes da competição. Com o seu estilo descontraído o guarda redes de 22 anos terminou o Mundial com um grande número de fantásticas defesas e com uma eficácia a rondar os 43%. Em termos de andebol destacaram-se pelo seu jogo muito rápido e com constantes cruzamentos para tentar abrir espaços na defesa. O contra-ataque (apoiado e direto) foi a grande arma durante a competição, sendo bastante eficazes e rápidos a conseguir uma boa situação de remate. O 6-0 defensivo era pouco coeso, com bastantes espaços no meio, mas isso era compensado com a agressividade com que atacavam o portador da bola tendo logo acabar com o ataque em falta. 2016 foi a ameaça, 2017 a confirmação dessa ameaça. Estamos perante uma nova potência.

Sander Sagosen, para nós o MVP do Mundial (Foto: Getty Images)

DESILUSÃO POLACA

Não houve maior desilusão neste Mundial que a Polónia. Se era verdade que não se esperava tanto como noutros anos devido às baixas de alguns dos seus melhores jogadores, também é verdade que a qualidade dos atletas presentes neste Mundial era mais que suficiente para, pelo menos, chegar aos quartos de final. Acontece que nem da fase de grupos passaram. Dujshebaev, selecionador, bem avisou que este Mundial seria para testar novos jogadores e novos processos e foi isso que aconteceu, com vários jogadores a sobressaírem, como Gebala (lateral poderosíssimo fisicamente e muito forte no remate exterior), ou o guarda-redes Malchar. Mas em termos de andebol, deixaram muito a desejar. No ataque eram muito estáticos, sem atacar a baliza e revelaram uma grande dependência do que Gebala conseguia fazer. Um aspecto positivo a tirar é que o andebol Polaco melhorava sempre que o central Gierak estava em campo, ele que impunha muita mais velocidade no jogo e embalava muito bem os atiradores. Na defesa utilizam o seu maior poderio físico para tentar fazer a diferença mas os erros que cometiam eram tantos que nem aí deixaram uma boa imagem, ficando na memória a dificuldade de defender os pontas adversários. Há muito para trabalhar nesta seleção caso Dujshebaev queira conseguir concretizar o objetivo de vencer os Jogos de 2020.

Nem Dujshebaev no banco salvou a Polónia do fracasso (Foto: Getty Images)

MESMO SEM AS ESTRELAS A ESLOVÉNIA CHEGOU ÀS MEDALHAS

Desta seleção bem avisámos que caso tudo corresse bem poderiam chegar a um grande resultado e o seu primeiro pódio (3º lugar) da história representa isso mesmo. Mesmo sem os três jogadores de maior renome da Eslovénia (Bombac, Zorman e Gajic) outros apareceram para brilhar e conseguir levar esta seleção a uma pequena glória. Em conjunto com a Noruega devem ter jogado o melhor andebol do Mundial, pelo menos aquele que mais gozo deu de ver e que só foi travado pela França numa espetacular meia-final. Um andebol muito rápido de ataque onde Bezjak brilhou. Pouca gente dava algo por este central, mas a verdade é que foi um dos melhores jogadores do Mundial. Muito discreto no seu jogo que privilegia o jogo de equipa, optando sempre por um passe para um colega em melhor posição do que um remate seu, foi notória a importância deste jogador no andebol da Eslovénia. A defesa por vezes deixou algo a desejar, mas o ataque compensava as falhas defensivas que eram regularmente causadas pelas dificuldades de vários jogadores no 1 contra 1 defensivo. Há muito potencial nesta equipa (Blaz Janc ou Henningman) para explorar e acreditamos que Veselin Vujovic e companhia não fiquem por aqui.

Os jogadores Eslovenos celebram a medalha de bronze (Foto: Getty Images)

OS SAMURAIS QUE DESLUMBRARAM OS ADEPTOS FRANCESES

Japão. Não iremos falar desta seleção pelos resultados que conseguiu (apenas uma vitória) mas pela surpresa que causaram com a qualidade do seu andebol. Eram desconhecidos, pouco se esperava deles, mas com Antonio Ortega no banco era sabido que algo de bom podia aí vir. E assim foi, com jogadores muito limitados tecnicamente mas sem medo de atacar a baliza e ir para cima do defensor, o Japão e o seu andebol “atabalhoado” foram causando dificuldades a quase todos os seus adversários na fase de grupos. Na memória ficam os grandes contra-ataques apoiados que faziam, com o destaque aqui a ir para o ponta esquerda Doi. Quem se sobressaiu bastante neste Mundial e pode ter ganho um contrato numa equipa Europeia é Hiroki Shida, central/lateral-esquerdo. Com certeza o jogador mais evoluído da seleção, apresenta um remate exterior muito forte e com um grande leque de opções (apoiado, em suspensão, na passada). A evolução tem sido constante e agora com o novo selecionador, Dagur Sigurdsson (venceu o Europeu 2016 com a Alemanha) só parecem existir condições para melhorar.

Shida, o desconhecido Samurai (Foto: Getty Images)

CLASSIFICAÇÃO FINAL (4 PRIMEIROS)

1º Lugar: França

2º Lugar: Noruega

3º Lugar: Eslovénia

4º Lugar: Croácia

DISTINÇÕES FAIR PLAY – 7 IDEAL E MVP

Guarda-Redes: Torbjorn Bergerud (Noruega)

Ponta-Esquerda: Jerry Tollbring (Suécia)

Lateral-Esquerdo: Sander Sagosen (Noruega)

Central: Daniel Narcisse (França)

Lateral-Direito: Valentin Porte (França)

Ponta-Direita: Kristian Bjornsen (Noruega)

Pivot: Bjarte Myrhol (Noruega)

MVP: Sander Sagosen (Noruega)

Melhor Marcador: Kiril Lazarov (Macedónia) com 50 golos

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João BastosJaneiro 22, 201710min0

Decorreu no passado dia 21 de Janeiro o IX Torneio “Taça Cidade de Torres Novas”, uma organização do Clube de Natação de Torres Novas que este ano teve a parceria do Fair Play. A edição de 2017 foi pautada de um grande e equilibrado nível competitivo, cujo vencedor permaneceu indefinido até à última prova.

A cidade de Torres Novas acolheu no passado dia 21 de Janeiro, 264 nadadores, representantes de 17 diferentes clubes, provenientes de 5 diferentes Associações regionais de natação.

O IX Torneio “Taça Cidade de Torres Novas” teve até a particularidade de ser um dos poucos torneios disputados em Portugal continental que contou com a presença de uma equipa madeirense, a recentemente criada WOS Team.

No plano competitivo, esta foi uma das mais disputadas edições da Taça Torrejana, com quatro equipas sempre em disputa pelo primeiro lugar e com 10 dos 17 clubes presentes a vencerem provas individuais, o que baralhou as contas e conferiu ao Torneio um ambiente de emoção e indefinição que durou até ao cair do pano.

Foto: Clube de Natação de Torres Novas

Conheça os principais destaques da prova:

Algés conquista a Taça

O Sport Algés e Dafundo foi o grande vencedor do IX Torneio “Taça Cidade de Torres Novas” com 420 pontos. O Algés contou com a melhor equipa feminina em prova – e as quatro provas individuais que venceu foram, precisamente, no sector feminino – e com a quarta melhor equipa masculina.

Rafaela Azevedo nos 50 costas, Carolina Marcelino nos 100 mariposa, Anna Ferreira nos 50 mariposa e a estafeta 4×100 estilos (Rafaela Azevedo, Clara Pereira, Ana Branco e Sara Cruz) ocuparam o lugar mais alto do pódio, que teve ainda ocupação algesina noutras 9 ocasiões.

A prestação da equipa da linha na segunda sessão do Torneio foi determinante, já que o SAD estava no terceiro posto no final da manhã.

O Clube de Natação de Torres Novas esteve muito perto de conquistar o seu torneio pela primeira vez. Quedou-se pelo segundo lugar a escassos 12 pontos do Algés.

No sector masculino, o CNTN foi a equipa que conseguiu a amealhar mais pontos, tendo sido a quarta melhor equipa feminina.

Já em termos de vitórias individuais, o clube da casa conseguiu tantas como o clube vencedor (quatro), com Afonso Rosa em destaque ao subir ao lugar mais alto do pódio por 3 vezes (50 e 200 costas e integrando a estafeta masculina de 4×100 estilos conjuntamente com Miguel Frade, Marco Miguel e José Luz) e Carolina Neves a vencer os 100 livres.

Os nadadores de Torres Novas subiram ao pódio por mais 11 ocasiões.

Foto: Carolina Neves

O Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro fez os mesmos pontos do CNTN, mas pelo primeiro critério de desempate (número de primeiros lugares), o CIRL foi o terceiro classificado.

A equipa do Laranjeiro conseguiu três primeiros lugares individuais: Ricardo Pires nos 100 costas, Bruna Riesenberger nos 100 estilos e a estafeta feminina de 4×100 livres composta por Sofia Nunes, Catarina Belchior, Joana Varandas e Bruna Riesenberger.

Até na classificação parcial por sector, o CIRL teve pontuações próximas do CNTN. No sector masculino fez 214 pontos (o CNTN fez 218) e no sector feminino marcou 194 pontos (“contra” os 190 do CNTN), perfazendo os 408 pontos finais.

Para além dos três primeiros lugares, foram 9 os pódios obtidos pelos nadadores do Laranjeiro.

Pódio final | Fonte: Clube de Natação de Torres Novas

As restantes equipas classificaram-se da seguinte forma:

4. SFUAP;
5. Bairro dos Anjos;
6. Académica de Coimbra;
7. Natação do Tejo;
8. Estrelas de S. João de Brito;
9. Pimpões;
10. Naval Amorense;
11. Náutico da Marinha Grande;
12. A ONDA;
13. Gualdim Pais;
14. CLAC;
15. WOS Team;
16. Náutico de Abrantes;
17. Industrial Vieirense.

João Santos e Eva Carvalho levam a classificação dos pontos

A União Piedense pode ter ficado com o amargo 4º lugar geral final, mas os seus nadadores “desforraram-se” conseguindo para a equipa da Cova da Piedade as melhores classificações FINA, que davam direito a troféu.

No sector masculino, João Carlos Santos conseguiu 642 pontos com a sua prestação dos 200 livres. O tempo final na prova foi de 1:55.18 com os impressionantes parciais de 56.69/58.49.

O nadador da SFUAP superiorizou-se a Frederico Riachos do Estrelas de S. João de Brito que obteve 621 correspondentes ao tempo de 23.74 nos 50 livres e a Nuno Martins, também do Estrelas que nadou os 100 metros mariposa no tempo de 57.04, que lhe valeram 612 pontos e o terceiro lugar do pódio.

Pódio Pontuação FINA masculinos | Foto: Clube de Natação de Torres Novas

Em femininos foi Eva Carvalho, também da SFUAP e também na prova de 200 metros livres, que arrebatou o troféu dos pontos. O seu novo record pessoal – e que ficou estabelecido como novo record do Torneio – de 2:09.34 valeram-lhe 628 pontos na tabela FINA e o primeiro lugar nesta classificação no Torneio Taça Cidade de Torres Novas.

A prova de 200 livres femininos, de resto, foi a que teve o índice técnico mais elevado. A segunda nadadora mais pontuada foi também a segunda classificada desta distância com 619 pontos. Foi a nadadora da casa, Carolina Neves, que nadou no tempo de 2:09.98.

A fechar o pódio ficou a nadadora do Estrelas de São João de Brito, Catarina Sequeira, com a sua vitória na prova de 50 bruços, nadados em 33.92, correspondentes a 612 pontos.

Pódio Pontuação FINA femininos | Foto: Clube de Natação de Torres Novas

Afonso Rosa e Rafaela Azevedo foram os mais medalhados

Como já referimos, o nadador júnior do Clube de Natação de Torres Novas, Afonso Rosa, conquistou três medalhas de ouro – nos 50 e 200 costas e na estafeta 4×100 estilos.

Mas não ficou por aí. Amealhou mais uma prata – nos 100 metros costas – e dois bronzes – 50 mariposa e estafeta 4×100 livres.

O outro nadador que conseguiu três primeiros lugares foi António Carriço, do Clube Desportivo Estrelas de São João de Brito, que sempre que nadou, venceu. 50 metros bruços, 200 metros bruços e 100 metros estilos foram as provas conquistadas pelo nadador do Estrelas.

No sector feminino, a primeira do medalheiro foi a atleta juvenil do Sport Algés e Dafundo, Rafaela Azevedo. Venceu os 50 costas e a estafeta 4×100 estilos, foi segunda classificada na prova de 100 metros livres e terceira na estafeta 4×100 metros livres. Uma boa prenda de anos para atleta que estava a comemorar o seu 15º aniversário no dia da competição.

Mas a nadadora que mais medalhas levou para casa foi Bruna Riesenberger, do Laranjeiro. Venceu o mesmo número de provas que Rafaela (100 estilos e os 4×100 livres), mas conseguiu 5 medalhas no total, com os seus três terceiros lugares nas provas de 50 e 200 bruços e estafeta de 4×100 estilos (onde nadou o percurso de bruços).

Foto: Carolina Neves

7 novos recordes da Taça

A edição de 2017 da Taça Cidade de Torres Novas foi uma das mais competitivas de sempre. Prova disso são os 7 novos recordes da competição estabelecidos no dia 21 de Janeiro.

Para além disso, foram 7 recordes, da responsabilidade de 7 diferentes nadadores, representantes de 7 diferentes clubes, algo inédito na história do troféu. Nem na primeira edição tal se verificou, uma vez que as 24 provas em disputa nesse ano, apenas tiveram 6 diferentes equipas a vencê-las.

Nem mesmo na edição de 2009, que continua a ser a edição que mais recordes preserva (17), mas na qual os mesmos nadadores estabeleceram vários recordes, não havendo uma diversidade tão grande em termos de equipas e de nadadores recordistas como este ano.

Os sete novos recordes da Taça obtidos em 2017 são sintomáticos de que o nível médio da prova esteve bastante elevado e equilibrado entre todas as equipas.

Os novos recordistas são:

  • Afonso Rosa, CNTN: 50 costas – 27.53;
  • António Carriço, ESJB: 200 bruços – 2:25.36;
  • Beatriz Pereira, ANAM: 100 costas – 1:06.80;
  • Bruna Simões, DNMG: 200 mariposa – 2:24.23;
  • CIRL: 4×100 livres femininos – 4:07.46;
  • Eva Carvalho, SFUAP: 200 livres – 2:09.34;
  • Rafaela Azevedo, SAD: 50 costas – 30.23;

Confira a lista completa dos recordes da Taça torrejana:

Fonte: FairPlay

Uma organização de sucesso

Criada em 2007, por ocasião da remodelação das Piscinas Municipais Fernando Cunha, o Torneio de Natação “Taça Cidade de Torres Novas” é hoje uma competição de referência no calendário de competições nacionais.

Inserida numa altura da época competitiva em que os clubes preparam a abordagem às competições em piscina longa e em que existem vários outros torneios pelo país fora, a organização levada a cabo pelo Clube de Natação de Torres Novas tem conseguido, ainda assim, atrair os melhores clubes e nadadores de nível nacional, ano após ano.

A 9ª edição da Taça constituiu uma consolidação do estatuto da competição no panorama nacional ao ter a participação record de 17 clubes.

Para este sucesso organizativo, também contribui indelevelmente a co-organização da Associação de Natação do Distrito de Santarém e o apoio da Câmara Municipal de Torres Novas.

Uma organização à qual o Fair Play se orgulha de se ter associado. (Re)leia os artigos de lançamento e antevisão do Torneio publicados no Fair Play.

Para o ano será a 10ª edição e, certamente, podemos esperar uma forte aposta do CNTN em assinalar de forma especial esse marco no historial de uma competição que já é de referência no contexto da natação nacional.

Rui Simões, Dirigente CNTN e João Loureiro, Presidente ANDS | Foto: Clube de Natação de Torres Novas

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Victor AbussafiDezembro 28, 201610min0

Palmeiras campeão depois de 22 anos. Robinho e Diego destaques do campeonato depois de 14 anos. Internacional rebaixado pela primeira vez. Muito equilíbrio, como previsto. Algumas surpresas. Foi assim o Brasileirão 2016.

O Fair Play conta as principais histórias do Brasileirão 2016, desde a promessa de Cuca de que daria o título ao Palmeiras até ao triste grupo de salvamento do Internacional, chamado de “Swat” pelos dirigentes, e seu fracasso retumbante.

Palmeiras, 22 anos depois

Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, o Palmeiras era um esquadrão imparável. Nos tempos em que os craques do Brasil ficavam no país, o Verdão reunia Rivaldo, Edmundo, Zinho, Evair, Roberto Carlos, Antonio Carlos Zago, Mazinho, César Sampaio… todos multi-campeões pelo clube e por onde passaram nos anos que se seguiram.

Vinte e dois anos depois, não há nenhum craque. Talvez Gabriel Jesus se consagre como tal, mas hoje a “cara” do Palmeiras é um elenco voluntarioso, equilibrado e muito bem armado taticamente, como são os últimos campeões nacionais num Brasil fornecedor de artistas para o futebol europeu.

Gabriel Jesus foi um dos principais jogadores do Palmeiras (Foto: SEP)

Este Palmeiras campeão foi forjado pela obsessão de seu presidente. Paulo Nobre resgatou o clube de dois rebaixamentos em 10 anos, para revitalizar as finanças, entregar uma arena de primeiro nível e um grupo campeão. Foram 76 contratações em 4 temporadas e 3 títulos (A Série B de 2013, Copa do Brasil de 2015 e Brasileirão de 2016).

O time de 2016 fez um primeiro turno excepcional e um segundo turno eficiente. Com apenas 6 derrotas, viu as pretensões dos concorrentes caírem pelo caminho. Só esteve perto de perder a liderança, conquistada na nona rodada e recuperada pela última  vez na décima nona, perto do clássico contra o Corinhtians, mas a vitória afastou o Flamengo da briga e apontou o caminho para o título alviverde.

Muito bem armado por Cuca, que previu o título no início do campeonato, o melhor Palmeiras, mesmo oscilando durante o ano, mostrava muita agressividade na recuperação de bola e intensidade em campo, teve o segundo melhor ataque e a defesa menos vazada.

Teve Gabriel Jesus que desequilibrou no primeiro turno e foi muito participativo no segundo. Dudu em grande nível. Zé Roberto aos 42 anos. Jaílson, o herói improvável. Prass, mesmo lesionado, Mina, Moisés, Tchê Tchê e grande elenco.

Pressão na saída de bola, jogo direto e vertical. Assim foi o Palmeiras campeão. (Fonte: ESPN Brasil)

Viúvas de Tite

Campeão em 2015, o Corinthians sofreu um desmanche ao perder seus principais jogadores para a China. Mas estava tudo controlado, por que o seu maior nome permanecia: Tite. Com peças de reposição inferiores aos que deixaram o clube, a inteligência tática do treinador fazia o time manter o padrão e continuar a sonhar com o título.

Mas a saída do treinador para a Seleção Brasileira, na virada do turno, fez o time sair dos eixos. Nem Cristóvão Borges, nem Oswaldo de Oliveira, mostraram-se a altura do campeão brasileiro e o desempenho do time despencou. Para piorar, o clube vive uma das piores crises financeiras de sua história recente e não parece conseguir vencer a espiral negativa.

Oswaldo foi chamado para classificar o Corinthians para a Libertadores e falhou. No fim, ficou apenas 60 dias. (Foto: Twitter Corinthians)

No fim, ficou fora da Libertadores, mesmo com o aumento no número de vagas de 4 para 6, e terminou o ano sem o apoio do seu torcedor. Para 2017, aposta em Fabio Carrile, ex-auxiliar de Tite, depois de uma debandada geral da comissão técnica e de uma crise política intensa. No começo do ano, ninguém previa esse final trágico para o time campeão de 2015.

Vergonha internacional

Este campeonato marcou negativamente uma das maiores torcidas do país. Pela primeira vez, em 107 anos, o Internacional foi rebaixado à Segunda Divisão. Num ano que começou com a aposta nos jovens talentos e o empréstimo do ídolo D’Alessandro ao River Plate, os primeiros meses animaram a torcida Colorada.

Com o hexacampeonato e uma arrancada histórica nas primeiras rodadas do Brasileirão (Em 8 jogos, foram 6 vitórias e 1 empate, a melhor campanha da história do clube gaúcho), o Internacional parecia querer ser um dos destaques do campeonato. Argel, treinador com feitio defensivo, colocava em campo um time duro de ser batido.

Uma sequência de 14 jogos sem vitórias seguiu ao bom desempenho inicial e o time entrou numa espiral negativa sem fim. Foram 4 treinadores, sem padrão pré definido de jogo (do retranqueiro Argel, para o técnico Falcão, de volta para um treinador defensivo Celso Roth e terminando com o “maluco” Lisca).

Torcedoreas do Inter choram com o rebaixamento. (Foto: Marcos Nagelstein/Vipcomm)

Reforços, como Nico Lopez, que não vingaram, uma péssima campanha como visitante e uma fracassada tentativa de salvação ao recorrer a “velhos conhecidos”. Foram chamados ao serviço dirigentes ilustres e o treinador Celso Roth, campeão da Libertadores com o clube, mas a “Swat”, nome como se auto denominava esta força-tarefa, fracassou após cerca de 100 dias. No fim, o Inter meteu os pés pelas mãos durante a tragédia com a Chapecoense e viu os torcedores de todos os outros clubes pedirem o seu rebaixamento.

Cheirinho de hepta e Peixe em ascensão: os concorrentes ao título

Os principais concorrentes ao título foram o Flamengo e o Santos, cada um num determinado momento do campeonato. Primeiro foi a vez do rubro-negro carioca, que ouvia sua torcida cantar que já sentia um “cheirinho” de hepta. O Flamengo, embalado após o início do trabalho de Zé Ricardo, treinador que assumiu como interino após a saída de Muricy Ramalho e que terminou valorizado como um dos melhores treinadores do campeonato.

Com Guerrero, Diego e companhia, o Flamengo foi um dos destaques do campeonato (Foto: Gilvan de Souza/ CRF)

Zé Ricardo montou um time inteligente taticamente e soube aproveitar o melhor das peças do elenco. Engatou uma sequência de vitórias e esteve a uma rodada de assumir a liderança, mas viu o Palmeiras derrotar o Corinthians e nunca mais assustou o time alviverde. No fim das contas, foi um bom ano, com destaques para a chegada de Diego, o crescimento de Zé Ricardo e a promessa de um bom 2017. Pena que o “cheirinho” de hepta apenas alimentou os memes dos rivais.

Do outro lado, o Santos, que já havia disputado com o Palmeiras o título da Copa do Brasil do ano passado, foi quem brigou nas últimas rodadas. Dorival Júnior preparou uma equipe marcada pelas variações táticas e movimentos pouco usuais de seus jogadores, como nos laterais que constantemente fechavam para marcar e começar as jogadas pelo meio.

O Peixe teve grande desempenho jogando dentro da Vila Belmiro, mas perdeu pontos importantes para times da parte de baixo da tabela, como o Internacional e o América-MG. No fim do campeonato, foram esses os pontos que fizeram falta para ameaçar de verdade a tranquilidade do Palmeiras.

Botafogo bipolar

Outra surpresa do campeonato foi a brilhante campanha do Botafogo. Apontado por 99% dos especialistas como candidato ao rebaixamento, o clube de General Severiano viu, em 4 meses, sua vida mudar da água para o vinho.

Quando Ricardo Gomes, treinador que trouxe o time de volta à Série A, aceitou proposta do São Paulo, o Botafogo tinha apenas 20 pontos. Comandado pelo treinador Jair Ventura, ex-treinador do sub-20 do clube e filho do ídolo, campeão da Copa de 70, Jairzinho, o Fogão arrancou rumo à Libertadores e conquistou a vaga, na última rodada.

Ao lado de Zé Ricardo, do Flamengo, Jair Ventura foi uma das revelações do campeonato (Foto: Divulgação/Botafogo FR)

Com apenas 37 anos, fã de estatística e de contrato renovado, Jair Ventura fez o Botafogo render acima do esperado, acumulou vitórias e terminou o campeonato na quinta colocação. Com elenco limitado, o mérito do treinador foi encaixar uma tática equilibrada, que permitiu o crescimento de jogadores como Sassá e Camilo.

Domingo de homenagens

Este campeonato também foi marcado por um fato triste. O acidente com o avião da Chapecoense, rumo à Medellin para a final da Copa Sul-Americana, que vitimou 71 pessoas. Uma tragédia que chocou o mundo.

A última rodada do Brasileirão foi adiada por uma semana. O jogo Chapecoense e Atlético-MG nunca aconteceu. E nas demais 9 partidas desta rodada, os clubes fizeram questão de homenagear o clube catarinense. Minutos de silêncio, camisas especiais e muita emoção. Uma despedida melancólica do maior campeonato do Brasil.

Homenagem no jogo Vitória e Palmeiras pela última rodada do Brasileirão. (Foto: Varela Notícias)

Distinções Fair Play

Jogador do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Treinador do Ano: Cuca (Palmeiras)

Avançado do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Médio do Ano: Renato (Santos)

Defesa do Ano: Geromel (Grêmio)

Guarda-Redes do Ano: Vanderlei (Santos)

Golo do Ano:

Veja também: Galeria com os melhores jogadores do Brasileirão

Classificação final do Brasileirão 2016 (Fonte: CBF)

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Luís PereiraDezembro 27, 20167min0

Mais um ano, mais uma época de Fórmula 1, um novo Campeão do Mundo de F1. A época de F1 de 2016 teve suspense até ao final e muitas surpresas.

Foi mais um ano de sucesso para os agora tricampeões do mundo. A equipa germânica voltou a dominar a seu belo prazer esta época de F1 e conseguiu ganhar 19 de 21 corridas. Nunca houve dúvidas de que o título de construtores iria para os germânicos.

Tal como nos últimos anos, também não havia dúvidas de que o campeão do mundo seria um dos pilotos da Mercedes. A dúvida seria qual deles.

Um novo Campeão do Mundo

Apesar de Hamilton ter dominado Rosberg nos dois anos anteriores, este ano começou a verificar-se que seria possível haver uma mudança.

A época arrancou com Rosberg a ganhar 4 corridas seguidas, enquanto Hamilton enfrentava problemas. Hamilton voltou a recuperar a confiança e forma no Mónaco e a partir daí parecia que nada iria parar o inglês de chegar ao 4º título da carreira.

Quando parecia que tudo ia correr bem para o britânico, o grande vilão da F1 decidiu bater às portas do campeão do mundo, a fiabilidade.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Hamilton estava a voltar a dominar o seu colega de equipa, mas a fiabilidade do seu lado da garagem, mais uma subida de forma do alemão, tornaram a missão quase impossível.

Depois de uma categórica vitória no Japão, Rosberg sabia que o título não lhe iria fugir. Apesar de Hamilton ter vencido as 4 últimas corridas, Rosberg ficou sempre em 2º e garantiu o título de campeão do mundo.

Mas se para muitos a surpresa era Rosberg ter conseguido bater Hamilton, o verdadeiro choque ainda estava para vir. Rosberg, no dia em que foi coroado e premiado com a taça de campeão do mundo de F1 anuncia ao mundo que se ia retirar.

A notícia foi um choque para todos e a explicação bastante plausível. Rosberg explicou que durante toda a sua carreira lutou contra Hamilton, a quem definiu como “um dos melhores de sempre”, e sempre perdeu. Rosberg sabia que para finalmente conseguir bater Hamilton tinha de atingir o próximo nível, algo que conseguiu com “muito custo”.

Depois de atingir o seu sonho de criança, o de ser campeão mundial, Rosberg achou que já não tinha resistência mental para o fazer de novo. Uma vez que já cumpriu o seu sonho e não tinha capacidade de voltar a fazer os mesmos sacrifícios, o alemão decidiu terminar a carreira em grande.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

A grande questão agora é: quem vai para ocupar o lugar do campeão do mundo e enfrentar Lewis Hamilton? Uma coisa é certa, candidatos não faltam!

Red Bull: quase lá, mas não chega

Não se pode falar da época de F1 de 2016 sem também se falar da Red Bull. Depois da desilusão que foi 2015 a Red Bull tornou-se na única equipa capaz de ameaçar a Mercedes.

A equipa austríaca ainda venceu 2 corridas, uma com Ricciardo, que fez uma época excelente, e com Max Verstappen, a nova estrela da F1. Ricciardo terminou o ano em 3º lugar, merecido, por toda a época que fez, com o destaque a ser o seu regresso às vitórias, no GP da Malásia.

Já Max Verstappen teve a sua ascensão meteórica, passando da Toro Rosso para a Red Bull no GP de Espanha, com resultado imediato: vitória de Verstappen! A aposta ganha de Helmut Marko foi uma enorme bofetada para quem criticou a ida de Kvyat para a Toro Rosso, despromovido em detrimento de Verstappen.

Verstappen ainda precisa de amadurecer e ganhar uma cabeça mais fria, mas a verdade é que o jovem piloto é dos talentos mais emocionantes da F1 e já bateu o recorde de ultrapassagens feitas numa única época.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Acabou a lua de mel de Vettel com a Ferrari

A desilusão da época foi a Ferrari. A Scuderia nunca foi capaz de lutar verdadeiramente com a Mercedes e viu-se ultrapassada pela Red Bull.

Vettel fez um excelente trabalho em manter a Ferrari competitiva, mas nunca conseguiu estar perto o suficiente para chegar ao 1º lugar do pódio. os problemas de fiabilidade foram alguns, mas o pior foi mesmo a falta de competitividade.

Espera-se mais um inverno de reflexão e muita pressão para os lados de Maranello.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

McLaren Honda recupera, Alonso brilha

Depois de um desastroso ano de 2015 a McLaren melhorou imenso este ano, muito por causa das melhorias a olhos vistos da Honda. Os nipónicos conseguiram apresentar uma unidade motriz mais competitiva, que foi capaz de ajudar a McLaren a lutar por pontos.

Muitos desses pontos não vieram só da melhor prestação da McLaren-Honda, mas também das excelentes prestações de Fernando Alonso. O espanhol ainda persegue o sonho de chegar ao 3º título de campeão do mundo, mas enquanto não tem carro para tal, vai mostrando ao paddock o porquê de ele ser considerado por muitos o maior talento desta geração.

Um adeus a dois influentes pilotos da última década

Destaque ainda para a retirada dos veteranos Felipe Massa e Jenson Button. Ambos vão deixar a F1, depois de carreiras de sucesso, especialmente para o britânico, campeão do mundo em 2009 pela Brawn.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Mudanças à vista. O que esperar de 2017?

Não se pode fazer uma análise a 2016 sem falar das enormes mudanças que vêm em 2017. A F1 vai ter a maior mudança de regras desde 2009, com os carros a mudarem drasticamente.

A maior mudança vai ser a nível aerodinâmico, com carros mais agressivos, rápidos e apelativos. Uma das maiores mudanças é a nível dos pneus, que vão ser mais largos e proporcionar mais aderência e velocidade.

Também vai deixar de haver o sistema por tokens para mudanças nas unidades motriz. Esta mudança é para permitir que os construtores mais atrasados, Honda e Renault, consigam aproximar-se do nível competitivo das unidades motriz da Mercedes e da Ferrari.

Com a saída do campeão em título e mudanças radicais a níveis de aerodinâmica e pneus, espera-se uma época bastante emocionante em 2017.

Será que a Red Bull vai lutar de igual para igual com a Mercedes? Será que a Ferrari e a McLaren vão conseguir um salto suficiente para se intrometer na luta?

Muitas questões que apenas terão resposta quando a borracha voltar a queimar nas pistas mais rápidas do mundo.

Esperemos que o pelotão fique mais próximo e que estas mudanças tragam mais do que mais uma época de domínio absoluto da Mercedes, uma época com emoção e suspense até ao fim!

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António Pereira RibeiroDezembro 14, 201615min0

Os Seattle Sounders sagraram-se campeões pela primeira vez na sua história em mais uma edição da Major League Soccer que chegou ao fim. 2016 ficou também marcado pelo salto qualitativo protagonizado por grande parte dos emblemas canadianos, que chegaram a ter um representante na final. Sebastian Giovinco voltou a brilhar ao mais alto nível, os Whitecaps estrearam um jovem de 15 anos, e Landon Donovan regressou aos relvados norte-americanos, ainda que por tempo limitado. Seguem-se as principais narrativas da Major League Soccer em 2016.

LODEIRO E SCHMETZER, MILAGREIROS DE SEATTLE

No dia 24 de Julho, uma derrota por 3-0 frente ao Sporting KC colocava os Sounders no nono e penúltimo lugar da Conferência Oeste, a dez pontos e três adversários de um lugar de acesso aos Playoffs. Face a este infeliz cenário, a direcção do clube optou por dispensar o técnico ‘Sigi’ Schmid, a meio da sua oitava temporada consecutiva em Seattle. Um longo reinado pontuado por qualificações ininterruptas para os Playoffs, e ao mesmo tempo, por constantes desilusões na fase a eliminar. O treinador interino assumiu provisoriamente o cargo, e dias depois chegava o internacional uruguaio Nicolás Lodeiro. Os Sounders nunca mais foram os mesmos.

XI dos Sounders na final

Dos 14 jogos que restavam, venceram oito e apenas perderam dois, terminando a Fase Regular na quarta posição. A influência de Lodeiro tornou-se inequívoca, com quatro golos marcados e oito assistências realizadas. Pelo meio, Clint Dempsey abandonou os relvados indefinidamente devido a problemas cardíacos, e o novo técnico teve o mérito de encaixar de forma perfeita as peças que tinha à sua disposição através de um engenhoso 4x2x3x1. Já nos Playoffs, eliminaram Sporting KC, FC Dallas e Rapids no caminho rumo à final, beneficiando novamente do papel de Lodeiro, que apontou mais quatro tentos na fase decisiva na época. Disputaram o título no terreno do adversário, em Toronto, onde conseguiram levantar o troféu sem fazer nenhum remate enquadrado com a baliza. Levaram a decisão para as grandes penalidades, e aí levaram a melhor. O central panamiano Róman Torres foi o responsável por converter o derradeiro penalti.

Brian Schmetzer, ex-interino, conseguiu recuperar animicamente uma equipa perdida na classificação, e soube utilizar o talismã Lodeiro a favor do colectivo. Entre os jogadores campeões, para além do médio uruguaio, destaque obrigatório para Jordan Morris e Osvaldo Alonso. O jovem norte-americano esteve à altura das expectativas, quer na ala, quer na frente de ataque, e mereceu o reconhecimento de Rookie do Ano, ao passo que o trinco Alonso protagonizou uma das suas melhores épocas na MLS, e por isso integra o Onze do Ano do Fair Play. Nota final para a média de espectadores dos Sounders, superior a 42 mil adeptos por encontro.

A AFIRMAÇÃO DO FUTEBOL CANADIANO

Já tínhamos assistido a alguns sinais. A final da Liga dos Campeões alcançada pelo Montreal Impact em 2014/15, algo que os clubes norte-americanos não conseguem desde 2010/11, ou então os dois jogadores canadianos que foram eleitos de forma consecutiva Rookies do Ano da MLS (Tesho Akindele em 2014 e Cyle Larin em 2015). Até que chegámos a 2016 com dois semifinalistas canadianos, realidade demonstrativa da evolução qualitativa dos emblemas deste país.

Comecemos pelo Toronto FC, finalista vencido da prova. Os comandados de Greg Vanney viraram desde logo favoritos a partir do momento em que decidiram finalmente investir racionalmente no seu plantel. Reforçaram o sector mais recuado com Drew Moor e Steven Beitashour, e contrataram o guarda-redes Clint Irwin. Três movimentações determinantes para a saúde da manobra defensiva, tão sofrível nas épocas anteriores. Trouxeram Tosaint Ricketts como alternativa à dupla atacante Giovinco-Altidore, e em Agosto ainda chegou Armando Cooper, médio panamiano de valores firmados. Um plantel equilibrado que tinha tudo para ser bem-sucedido.

Assim foi. Toronto FC sagrou-se a quinta melhor equipa da Fase Regular, e obteve os primeiros triunfos da sua história em Playoffs. Derrubou Union, New York City FC (7-0 no agregado) e Impact. Contudo, após 17 golos marcados em cinco jogos a eliminar, o emblema canadiano viu-se incapaz de colocar a bola no fundo das redes durante os 120 minutos da grande final. A nível individual, temos de salientar mais uma temporada extraordinária de Sebastian Giovinco, incompreensivelmente ignorada, tanto pelo seleccionador italiano, como pelos especialistas norte-americanos que decidiram ignorá-lo na atribuição do prémio de Jogador Mais Valioso da temporada. Ao que parece, 21 golos e 19 assistências não são sequer suficientes para figurar no pódio individual oficial. Ora aqui no Fair Play, Giovinco foi o melhor de 2016.

Outro jogador que esteve entre os melhores foi o argentino Ignacio Piatti, dos Montreal Impact. Carregou às costas o peso de uma equipa irregular nas exibições e nos resultados (21 golos e 8 assistências), mas sobretudo indecisa quanto ao papel de Didier Drogba. O ano goleador de 2015 terá sido o “canto do cisne” para o avançado de 38 anos, cujo contributo se desvaneceu nos relvados na presente época. Esta transição de titular indiscutível para suplente revelou-se problemática para Drogba, que chegou inclusive a recusar viajar com os colegas quando soube que iria sentar-se no banco. De forma involuntária, abriu as portas ao italiano Matteo Mancosu, cujos golos se revestiram de um carácter determinante na recta final da época.

Contrariamente aos restantes, o terceiro clube canadiano em prova apresentou-se como uma das grandes desilusões do campeonato. Os Whitecaps pareciam, à entrada para o novo ano, candidatos a replicar ou mesmo a superar a boa prestação obtida em 2015. No entanto, a habitual consistência defensiva desapareceu, e a demanda por um verdadeiro homem-golo ficou por solucionar. Masato Kudo e Blas Pérez seriam as grandes esperanças na frente de ataque, mas os problemas físicos sucederam-se ao longo do ano. Até o jovem promissor Kekuta Manneh sofreu com as lesões, condicionando fortemente as opções ofensivas dos Whitecaps. Insucessos à parte, 2016 fica marcado pela estreia de uma versão canadiana de Freddy Adu. Chama-se Alphonso Davies, e estreou-se na MLS com 15 anos, tornando-se no segundo jogador mais jovem a pisar os relvados norte-americanos. Para que não restem dúvidas relativamente ao seu potencial, Davies totalizou oito partidas na MLS, e já marcou na Liga dos Campeões CONCACAF contra o Sporting KC, garantindo o apuramento dos Whitecaps para os quartos-de-final do torneio. Veremos o que fará com 16 anos.

RAPIDS: DE ANTEPENÚLTIMOS A SEMIFINALISTAS

Em Colorado assistimos a um dos saltos classificativos mais espectaculares da história da competição. Antepenúltimos em 2014 e 2015, os Rapids viraram a tabela do avesso, terminando a Fase Regular na segunda posição, com a mesmíssima equipa técnica. Pablo Mastroeni soube identificar as debilidades do seu conjunto, e construiu a partir daí. A contratação de figuras de peso internacional, tais como Tim Howard, Jermaine Jones e Shkelzen Gashi veio fortalecer substancialmente um grupo sem confiança.

Invencíveis no seu terreno até à segunda mão da meia-final dos Playoffs, os Rapids fecharam o ano com a defesa menos batida do campeonato (32 golos sofridos). O processo defensivo eficiente liderado no eixo pelo imperial Alex Sjöberg e acompanhado do robusto tridente de centro-campistas, revelavam-se sempre obstáculos difíceis para os adversários. Porém, a qualidade que sobejou atrás, faltou na frente. O registo obtido de 39 golos marcados foi o segundo pior da MLS. As lesões de Jones e de Marco Pappa trouxeram a lume a falta de segundas linhas para as posições mais adiantadas, e Gashi não pôde, compreensivelmente, apagar todos os fogos. Aliás, a caminhada dos Playoffs esbarrou precisamente nessa falta de dinâmica ofensiva.

ÓSCAR PAREJA E OUTROS BONS EXEMPLOS

A eleger o melhor treinador do ano, a escolha recairia no colombiano que orienta o FC Dallas, Óscar Pareja. No clube desde 2014, o técnico tem vindo a superar progressivamente a sua classificação na Fase Regular, sinal demonstrativo do crescente poderio dos texanos (sexto em 2014, segundo em 2015 e primeiro em 2016). Esta evolução deve-se sobretudo ao constante aperfeiçoamento do plantel que tem à sua disposição. Pareja reuniu em 2016 um dos plantéis mais fortes, senão o mais forte de todos os concorrentes. Foi por isso que conseguiu triunfar na Fase Regular, vencer a Taça dos EUA, apurar-se para os quartos-de-final da Liga dos Campeões CONCACAF, e manter um nível competitivo elevado durante os Playoffs, mesmo quando já não podia contar com os seus dois melhores jogadores: Fabian Castillo, emprestado em Agosto ao Trabzonspor, e Mauro Díaz, vítima de uma lesão que o afastou da fase decisiva da temporada. Também fez emergir o talento do jovem Walker Zimmerman, Defesa do Ano para o Fair Play, que terá decerto a sua chance na selecção dos Estados Unidos.

Outro bom exemplo de liderança é Ben Olsen, técnico do DC United, que continua a fazer milagres com um plantel composto sobretudo por figuras subvalorizadas. Taylor Kemp, por exemplo, é um dos melhores laterais norte-americanos, completamente desprezado pelo ex-seleccionador Klinsmann. Patrick Mullins, o suplente com a melhor média de golos por minuto em todos os clubes por onde passou, recebeu finalmente a oportunidade de ser titular, e não desiludiu. Lamar Neagle, Patrick Nyarko, Luciano Acosta, são outros jogadores que muitos colocam numa categoria secundária. Olsen tem o condão de criar um colectivo forte, sem vedetas e com uma capacidade de sacrifício notável. Cumpriu pelo terceiro ano consecutivo o objectivo de alcançar os Playoffs, e fê-lo sem grande aparato.

Peter Vermes, do Sporting KC, merece igualmente elogios. Sobreviveu à dura Conferência Oeste com uma verdadeira manta de retalhos, que encurtava constantemente ao longo do ano devido a sucessivas lesões e compromissos internacionais. No próximo ano, terá certamente o cuidado de aumentar substancialmente as opções, para que não seja surpreendido por novas infelicidades. Potenciou os jovens laterais Saad Abdul-Sallaam e Jimmy Medranda, numa época marcada pelas excelentes exibições de Benny Feilhaber e Dom Dwyer, avançado já analisado em detalhe pelo Fair Play.

O REGRESSO DE UMA LENDA NORTE-AMERICANA

Apesar dos habituais rumores incansáveis sobre possíveis reforços da MLS em alturas de mercado de transferências, a hipótese Landon Donovan nunca passou pela cabeça de ninguém. O melhor jogador norte-americano de todos os tempos havia anunciado a sua retirada no final de 2014, e tudo indicava que seria em definitivo. No entanto, ainda restava espaço para uma última aparição nos relvados. Corria o mês de Agosto quando Jelle van Damme, Steven Gerrard e Gyasi Zardes sofreram lesões graves quase em simultâneo. Para piorar a situação, Nigel de Jong rumou ao Galatasaray. O plantel dos Galaxy encontrava-se seriamente enfraquecido, com a presença nos Playoffs ainda por garantir. É aí que Donovan, aos 34 anos, decide voltar, numa missão pontual de salvar a equipa. 362 minutos, um golo, e muita mística à mistura. Os californianos acabaram eliminados nas grandes penalidades dos quartos-de-final, às mãos dos Rapids, mas o carácter épico deste regresso permanecerá para sempre na história da MLS.

AS PRINCIPAIS DESILUSÕES

Quando falamos de equipas que desapontaram este ano, torna-se inevitável referirmos os Timbers e os Crew SC. Os finalistas de 2015 falharam o acesso aos Playoffs, realidade esmiuçada previamente pelo Fair Play. Reconstrução deficitária do plantel, problemas no balneário ou a inexistência de segundas linhas fortes, foram alguns dos motivos apontados para justificar este fracasso competitivo dos dois emblemas.

Igualmente decepcionante revelou-se a prestação dos Revolution. Substituir Jermaine Jones por Xavier Kouassi à beira do arranque do campeonato foi um dos sinais do apocalipse. O médio costa-marfinense viu-se impedido de actuar durante toda a temporada devido a uma lesão grave. Do meio-campo para trás, o cenário era mais preocupante. À falta de um guarda-redes de categoria aliaram-se exibições comprometedoras de London Woodberry, e até mesmo do central português José Gonçalves. O que parecia ser um conjunto consistente, acabou por soar a acomodado, sem faísca para se reinventar.

A título individual, a desilusão do ano vai para Antonio Nocerino. Em queda livre desde a sua saída do Milan, a carreira do médio italiano bateu ainda mais fundo em 2016. Participou num total 21 partidas pelo Orlando City SC, com a sua influência a roçar o zero. O estatuto do jogador abrirá certamente espaço a uma nova oportunidade em 2017, que não se poderá dar ao luxo de desperdiçar.

AS ESTREIAS DISTINTAS DE VIEIRA E PAUNOVIC

A dupla de treinadores europeus que experimentou a MLS pela primeira vez terminou em extremos opostos na Conferência Este. Vieira fixou o New York City FC na segunda posição (quarta na classificação global), ao passo que Paunovic e os Fire ocuparam o último lugar da tabela.

No caso do treinador francês, é difícil fazer um balanço, tendo em conta os altos e baixos do ano, e a constante variância dos sistemas tácticos apresentados. Conseguiu apurar pela primeira vez os nova-iorquinos para os Playoffs, mas caíram com estrondo diante de Toronto FC, num resultado agregado de 0-7 (0-5) em casa. Marcaram mais golos do que qualquer outra equipa na Fase Regular (67), mas só três clubes sofreram mais do que os 57 golos consentidos. Venceram finalmente os Red Bulls em Julho, mas foram atropelados em Maio pelos rivais, no Yankee Stadium, por 0-7. Para desempatar a favor do Vieira, destacamos ano fantástico de David Villa, que chegou aos 23 golos.

Depois de ter conduzido a selecção sérvia à conquista do Campeonato do Mundo Sub-20, esperava-se que Veljko Paunovic pudesse inverter a onda negativa dos Fire. Começou logo mal, ao dispensar Harry Shipp, um dos jovens promissores do clube, e o mais adorado pelos adeptos. Ter-lhe-á feito falta, certamente. Ao longo do ano fomos percebendo que Paunovic utilizou 2016 para preparar 2017, como se de um grande torneio de pré-época se tratasse. Preocupou-se inicialmente em encontrar as unidades defensivas mais fiáveis, e no Verão, trouxe uma verdadeira armada ofensiva que aumentou substancialmente o poder de fogo dos Fire, passo a redundância. Michael de Leeuw, que marcou sete golos em pouco mais de meia época, David Arshakyan e Luis Solignac. Ficam a faltar as mexidas do mercado de Inverno e os acertos da pré-época, para que Paunovic tenha finalmente a equipa à sua imagem

DESTAQUES INDIVIDUAIS EM COLECTIVOS INSUFICIENTES

É mais inglório ser o herói de uma equipa derrotada, e por isso decidimos honrar algumas das figuras que fizeram tudo para contrariar o desfecho infeliz dos emblemas que representam, e que ao mesmo tempo não cabem nas estórias acima citadas. Em Orlando City SC, por exemplo, Cyle Larin e Kevin Molino lutaram sozinhos contra o mundo (e também contra Antonio Nocerino). É fácil eleger o avançado canadiano como o Jogador Jovem do Ano, após uma época de 14 golos apontados no meio de um grupo disfuncional. E o que dizer de Molino? O extremo tobaguenho foi inúmeras vezes responsável por devolver a esperança aos adeptos, mesmo nos jogos menos favoráveis. Onze golos e oito assistências mereciam outra sorte.

Nos Red Bulls, apesar da qualificação exemplar para os Playoffs, a eliminação precoce foi extremamente desapontante, tendo em conta o futebol positivo promovido pelo técnico Jesse Marsch. A história diz-nos que os Playoffs não querem nada com os Red Bulls, e 2016 foi mais um capítulo nesse sentido. Ficam as memórias das temporadas estupendas de Luis Robles (Guarda-redes do Ano para o Fair Play), Sacha Kljestan (melhor assistente) e de Bradley Wright-Phillips (melhor marcador). Kljestan fechou o ano com 20 (!) passes para golo, e o avançado inglês com 25 (!) remates certeiros.

DISTINÇÕES FAIR PLAY

XI do Ano para o Fair Play

Jogador do Ano – Sebastian Giovinco (Toronto FC)

Guarda-redes do Ano – Luis Robles (New York Red Bulls)

Defesa do Ano – Walker Zimmerman (FC Dallas)

Rookie do Ano – Jordan Morris (Seattle Sounders FC)

Treinador do Ano – Óscar Pareja (FC Dallas)

Jovem Jogador do Ano – Cyle Larin (Orlando City SC)

Jogador Confirmação – Alex Sjöberg (Colorado Rapids)

Jogador Revelação – Ola Kamara (Columbus Crew SC)

Jogador Desilusão – Antonio Nocerino (Orlando City SC)

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