19 Jan, 2018

Arquivo de Balanços - Fair Play

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Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final

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Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]
 

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]
 

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]
 

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO

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Ao constatar que o número de rondas da Ledman LigaPro equivale ao número de quilómetros de uma maratona, percebemos de imediato que estamos perante uma analogia perfeita. A meta foi cortada este fim-de-semana, e está na hora de contar o que aconteceu ao longo deste percurso espinhoso.

PORTIMONENSE E DESP. AVES: NÃO DEIXES PARA A SEGUNDA VOLTA O QUE PODES FAZER NA PRIMEIRA

A partir do momento em que Vítor Oliveira foi anunciado oficialmente em Portimão, a probabilidade de voltarmos a ter um emblema algarvio no escalão principal do futebol português aumentou drasticamente. Aqui inclusive, chegámos a escrever o prólogo desta bela narrativa. A possibilidade acabou por se confirmar, e Vítor Oliveira garantiu o título e a sua nona subida ao primeiro escalão. Em 2016/17, conseguiu a promoção mais folgada de sempre do currículo, com quatro partidas por disputar, batendo a anterior marca alcançada no Paços de Ferreira (três jornadas), em 1990/91.

Tudo começou a ficar bastante encaminhado por via de um outro recorde, o de mais pontos somados na primeira metade da competição (52 em 63 possíveis), feito que deixou os perseguidores a 17. Esta vantagem confortável foi importante para manter os adversários à distância no decurso de uma segunda volta menos extasiante. Lumor Agbenyenu e Amilton Silva, dois dos melhores jogadores da competição, mudaram-se para o 1860 Munich no Mercado de Inverno, ao mesmo tempo que as lesões se alastraram pelo plantel, sobretudo no quarteto defensivo. Os resultados da segunda volta espelharam um pouco estes obstáculos inesperados, enfatizados pela dureza do calendário, com oito derrotas em 21 encontros. Ainda assim mantiveram-se no topo até final, e puderam celebrar a conquista do campeonato. Entre os protagonistas da subida, é imperioso destacar Paulinho, médio criativo cujo talento surge cada vez mais como um dado adquirido, e Pires, o homem com mais golos da história da prova, que voltou a sagrar-se melhor marcador da época.

Também o Desp. Aves se esmerou na primeira metade, só que a quantidade de tropeções que seguiu, colocou os corações dos adeptos avenses em estado de sítio, e motivou a saída de Ivo Vieira do comando técnico, substituído por José Mota. Tudo parecia estar a correr pelo melhor, e o veterano guarda-redes Quim até bateu o seu recorde pessoal de minutos sem sofrer golos (568), mas o período entre a 24ª e a 31ª jornada ameaçou seriamente uma queda ao terceiro posto. Foram cinco derrotas em oito jogos, responsáveis por esbater a vantagem de 15 pontos para 4 num ápice. Felizmente para os avenses, José Mota revelou engenho suficiente para recuperar animicamente o grupo, e devolvê-lo à Primeira Liga, dez anos mais tarde.

UM PELOTÃO RECHEADO MAS DEMASIADO DISTANTE

Apesar das vicissitudes acima referidas que afectaram os conjuntos promovidos, tanto o Portimonense como o Desp. Aves acabaram por ser demasiado fortes para os restantes competidores. Os perseguidores formaram na tabela classificativa um pelotão bastante alargado que se estendeu ao décimo lugar, mas cuja distância pontual era impeditiva. O União da Madeira, que arrebatou discretamente o terceiro posto, fixou-se a 17 (!) pontos do Desp. Aves.

Durante a temporada, houve alguns elementos deste grupo que conseguiram colocar os agora primodivisionários em alerta. O Santa Clara (10º), por exemplo, protagonizou um excelente arranque, sendo posteriormente vítima da instabilidade no comando técnico que se verificou após a saída de Daniel Ramos. Já na segunda volta, Académica (6º) e Varzim (9º) pareciam capazes de aproveitar os deslizes inesperados do Desp. Aves, só que isso não passou de uma miragem. Penafiel (5º) e Sp. Covilhã (8º), as boas surpresas deste campeonato, completaram o grupo do pelotão, juntamente com algumas equipas B.

O CASO PREOCUPANTE DO OLHANENSE

Os rubro-negros afundaram-se rapidamente na classificação, enquanto direcção e SAD continuaram a trocar publicamente acusações de ingerência. Isidoro Sousa, presidente do clube, começou por escrever uma carta aberta aos sócios, onde denunciava a dimensão do passivo criado pela SAD em apenas 36 meses. Em resposta, o presidente da SAD Luigi Agnolin assumiu alguns dos erros ‘na escolha da estratégia desportiva’, sem deixar de atacar a direcção, acusando-a de populismo e de incitamento dos sócios contra a SAD. Anunciou também um investimento de 300 mil euros já para a próxima época, com o objectivo de regressar ao segundo escalão de imediato. Será o Olhanense capaz de o conseguir, tendo como pano de fundo esta guerra aberta entre clube e SAD?

AS JOVENS ESPERANÇAS DAS EQUIPAS ‘BÊS’

Pese embora alguns sustos passageiros, a generalidade das equipas B denotou qualidade no decurso da temporada, e várias individualidades estão prontas para dar o salto. Os casos mais evidentes são os de Dénis Duarte (V. Guimarães B), central possante com auspiciosa margem de progressão, e de Diogo Gonçalves (Benfica B), extremo que se encontra a representar a selecção nacional Sub-20 no Campeonato do Mundo. Outra figura do conjunto encarnado que também está presente na competição, e que deverá ficar às ordens de Rui Vitória é o centrocampista Pedro Rodrigues. Mais a Norte, o lateral belga Anthony D’Alberto (Sp. Braga B) liderou o campeonato das assistências (9), e merece igualmente um olhar atento. Ficam a faltar as reservas de Porto e Sporting, onde o eixo defensivo despertou curiosidade. O já conhecido Chidozie reclama por uma segunda oportunidade, ao passo que nos ‘leões’, o central Ivanildo Fernandes chama pela equipa principal.

Ac. Viseu e Leixões (15º e 16º) ainda não têm o seu destino decidido, e vão lutar pela permanência na Ledman LigaPro no Playoff, frente aos pretendentes do Campeonato Nacional, Merelinense e Praiense. Os encontros estão agendados para os próximos dias 27 de Maio (1ª Mão) e 3 de Junho (2ª Mão).

A EQUIPA IDEAL

CLASSIFICAÇÃO

Fonte: Soccerway


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