20 Set, 2017

Arquivo de FP+ - Fair Play

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André CoroadoSetembro 13, 201712min0

Começa já amanhã o maior evento de selecções do futebol de praia europeu do ano: a Superfinal! Pelo segundo ano consecutivo, a prova viaja até Itália, cabendo desta vez às areias de Terracina a honra de acolher a prova que irá coroar os novos campeões europeus da modalidade. Em campo, as 8 melhores selecções do continente irão disputar o título, que será atribuído ao vencedor da grande final de Domingo. A via rumo à partida decisiva é turtuosa e repleta de obstáculos, com pouca ou nenhuma margem para erros.

Os 8 candidatos foram divididos em 2 grupos de 4 equipas cada, com base na sua classificação nas etapas da fase regular. Dentro de cada grupo, as equipas jogam todas umas contra as outras entre 5ª feira e Sábado, sendo que apenas o vencedor de cada grupo avança para a grande final de Domingo. Eis a composição dos agrupamentos (entre parênteses está indicada a classificação registada na fase regular):

Grupo 1

PORTUGAL (1º)

ESPANHA (4º)

SUÍÇA (6º)

POLÓNIA (8º)

Grupo 2

UCRÂNIA (2º)

RÚSSIA (3º)

BIELORRÚSSIA (5º)

ITÁLIA (7º)

Em face dos promissores embates que se avizinham, o Fair Play lança um olhar sobre cada um dos participantes, perspectivando aquela que se espera vir a ser a Superfinal mais equilibrada de sempre.

PORTUGAL

A selecção das quinas parte para a Superfinal da Liga Europeia como principal favorita à conquista do troféu, após se ter classificado no 1º lugar da fase regular, fruto de 6 vitórias em outros tantos encontros que lhe valeram 15 pontos (as vitórias contra Suíça e Polónia foram obtidas em prolongamento e grandes penalidades, respectivamente). Na verdade, Portugal ainda não perdeu qualquer jogo contra uma selecção europeia no ano de 2017, em que averbou apenas 3 derrotas, todas diante de selecções sul-americanas (Brasil e Paraguai). Tratam-se de motivos mais do que suficientes para poder apontar os comandados de Mário Narciso como o principal candidato à vitória em Terracina, onde o conjunto porutuguês irá procurar repetir o feito de 2015, quando se sagrou campeão europeu em Parnu (Estónia). Para tal, as cores nacionais contam com um plantel recheado de qualidade, que combina 10 elementos da temporada áurea de 2015 com 2 jovens talentos que têm vindo a integrar as convocatórias da selecção nos dois últimos anos: Pedro Vasconcelos Silva e Ricardo Baptista, este último já com 5 golos apontados nesta Liga Europeia. Numa equipa cuja versatilidade táctica é imagem de marca e que tem vindo a aprimorar rigorosamente ao longo da época os mecanismos defensivos, os desequilíbrios podem brotar de qualquer parte, desde as rápidas combinações de Jordan (melhor jogador da etapa de Siófok) com os irmãos Bê e Léo Martins até à superioridade numérica gerada pelo sistema 2:2, no qual o guardião Elinton Andrade assume um papel fundamental, passando pelos remates indefensáveis do lendário Madjer, melhor jogador da etapa da Nazaré.

UCRÂNIA

Se reconhecemos o favoritismo de Portugal no plano teórico, não podemos deixar de considerar as hostes ucranianas igualmente merecedoras desse estatuto. Campeões europeus em título, os pupilos de Varenytsia chegam a Itália enquanto cabeça de série, mercê do 2º lugar obtido na fase regular, que incluiu a conquista da etapa de Warnemunde (Alemanha). Os soldados do Mar Negro raramente deslumbraram no seu périplo rumo a Terracina, mas deram provas de grande consistência defensiva e a habitual frieza táctica que os levou à final nos dois anos anteriores, perdendo apenas um encontro, pela margem mínima, diante da Espanha. Desta vez, nomes sonantes como os irmãos Borsuk e o incontornável Medvid (fundamental na conquista do ceptro no ano transacto) não estarão presentes, à semelhança do que se verificou na fase regular, cabendo a tarefa da revalidação do título a um plantel algo renovado. A experiência dos guarda-redes Sydorenko e Hladchenki, pelos quais passa grande parte do jogo ucraniano, revela-se um ponto chave no sucesso da equipa, que conta ainda com a liderança de Pachev, a eficácia matadora do temível Zborowski e a evolução meteórica de talentos como Voitok ou Glutskyi. Todas as razões se conjugam, portanto, para que a Ucrânia seja efectivamente respeitada como uma das grandes candidatas a chegar novamente à final de Domingo.

RÚSSIA

Mesmo atravessando um momento de reestruturação profunda, a Rússia constitui sempre um obstáculo temível para qualquer selecção do velho continente, apresentando-se como crónico candidato à conquista de qualquer competição. Após ter falhado o apuramento para o mundial deste ano, a armada de Mikhail Likhatchev procurou retomar o caminho do sucesso por via de uma estratégia focada no presente e no futuro. Assistiu-se, de facto, a uma renovação da selecção russa sem precedentes, com novos rostos a surgir nas fileiras tricolores na etapa de Belgrado da fase regular e no Mundialito (caso dos irmãos Kryshanov, que deixaram boas indicações). Todavia, seria apenas na etapa de Moscovo, em solo caseiro, que a Rússia finalmente daria provas de um regresso aos índices competitivos de outrora, conquistando os 9 pontos em disputa e carimbando o apuramento para a Superfinal. A caminhada que incluiu vitórias sobre Suíça e Bielorrússia e contou com Makarov em grande plano. Em Terracina, os czares não poderão contar com o seu emblemático número 4, mas jogadores de renome como Shkarin, Romanov e Nikonorov estarão presentes numa equipa que, introduzindo pequenos ajustes tácticos, mantém o seu ADN que tantas vitórias lhe valeu no passado. O objectivo não será outro que não a conquista de um título que lhes foge desde 2014.

SUÍÇA

Campeã europeia em 2012, a Suíça é outra das formações que se apresenta em Terracina com legítimas aspirações à conquista do troféu, tendo mantido um nível exibicional muito elevado nos últimos anos. Todavia, a caminhada helvética rumo à Superfinal foi pouco brilhante, pautando-se por um modesto 6º lugar com 9 pontos. Os comandados de Schirinzi até começaram bem, com um triunfo por 4-0 diante da Itália, mas após uma derrota contra Portugal por 7-6 no prolongamento, naquele que foi o jogo mais espectacular da época até ao momento, a Suíça perdeu a consistência competitiva e começou a cometer demasiados erros defensivos que se reflectiram na conquista de apenas duas vitórias frente às mais modestas formações da França e da Grécia, ambas fora da Superfinal. O problema dos helvéticos prende-se, efectivamente, com as grandes flutuações de intensidade ao longo da época e de cada torneio, muitas vezes sem explicação aparente, bem como pelo experimentalismo excessivo em que por vezes incorre (recorde-se a derrota por 8-4 frente à Bielorrússia em que Ott jogou como guarda-redes praticamente toda a partida). Todavia, não haverá provavelmente neste momento nenhuma equipa europeia tão perigosa no sistema 2:2 como a Suíça, que conta com a técnica fenomenal de jogadores como Ott, Misev, Spacca na construção e o poder finalizador dos acrobatas Stankovic e Hodel, este último regressado após lesão.

ESPANHA

A selecção espanhola apresenta-se em Terracina no âmbito de um período de renovação que tem vindo a desenvolver nos últimos anos, buscando agora a oportunidade para voltar a conqusitar um grande título europeu (algo que não consegue desde 2012, aquando da qualificação para o campeonato do mundo do Taiti). Numa temporada que começou com a ausência no mundial de futebol de praia, a Espanha surgiu muito motivada na Liga Europeia e conseguiu empreender um percurso consistente, averbando 12 pontos e erguendo mesmo o troféu de campeão na etapa de Belgrado. O trajecto do elenco dirigido por Joaquín Alonso contou com triunfos sobre grandes nomes do futebol de praia europeu, incluindo uma vitória por 4-3 diante da Ucrânia (4 pontapés de bicicleta por parte dos atletas de La Roja) e um triunfo sólido por 3-1 frente à Rússia. Ao mesmo tempo, Alemanha e Polónia, adversários teoricamente mais acessíveis, constituíram um obstáculo intransponível para a equipa espanhola. Caracteriada pela aposta no sistema 3:1 e em modelos clássicos, a abordagem desta selecção passa pela consistência defensiva e pelo talento de jogadores de classe mundial como Llorenç Gomez, Eduard Suarez e Antonio Mayor para fazer a diferença. Integrada no grupo 1, a Espanha tem claramente uma palavra a dizer na luta pelo apuramento, que deverá ser discutido com Portugal e Suíça.

BIELORRÚSSIA

Não seria coerente considerar a Bielorrússia uma possível surpresa nesta Superfinal, atendendo às provas de qualidade dadas por esta formação ao longo dos últimos anos. A inserção gradual de mais uma potência do leste europeu na elite do futebol de praia continental incluiu vitórias contra todos os outros emblemas que agora tomam parte nesta Superfinal, num processo de crescimento que contou com o trabalho de técnicos como Gilberto Costa (actual seleccionador brasileiro), Marco Octávio e Nico Alvarado, antiga lenda do futebol de praia espanhol que já começa a deixar a sua marca. Para já, os bielorrussos atingiram a Superfinal com 12 pontos obtidos nas etapas de Moscovo e Siófok, dos quais sobressaem os triunfos expressivos por 8-4 diante da Suíça e 6-0 frente à Polónia. Ainda assim, Portugal e Rússia mostraram ter aprendido as lições do passado e neutralizaram a equipa bielorrussa em jogos nos quais o rigor defensivo foi nota dominante. A grande questão será saber se a selecção de Nico conseguirá começar a vencer as suas partidas em vez de dificultar a tarefa dos adversários ao ponto de os poder vir a surpreender. Para já, o poder físico, a consistência defensiva e o jogo directo no pivô e na subida dos alas são pontos estruturantes do jogo bielorrusso, que encontra no guardião Makarevich e no pivô Bryshtel os seus crónicos principais intérpretes. Será interessante ver como a Bielorrússia reage perante as vizinhas (e mais experientes) Rússia e Ucrânia no grupo 2.

POLÓNIA

Grande sensação do Verão passado ao vencer o torneio de apuramento para o mundial, a Polónia desiludiu já em Abril deste ano, ao abandonar a competição global nas Bahamas sem uma única vitória. No entanto, e já sem a sua grande referência (o acrobático Saganowski), as hostes do comandante Marcin Stanislawski deram provas de resiliência ao conquistarem os 7 pontos que lhes deram o acesso à última vaga na Superfinal da Liga Europeia. Incapaz de manter um caudal de jogo ofensivo tão expressivo como os principais candidatos ao título, a Polónia conta no entanto com o poderio físico da sua linha defensiva para manter a equipa adversária longe da sua baliza e revela-se profundamente letal nas transições ofensivas, criando muito perigo com base na exploração das alas e das bolas paradas. Foi assim que os polacos conseguiram levar os jogos da fase regular contra Espanha e Portugal a grandes penalidades, tendo inclusivamente alcançado 1 ponto fruto do triunfo frente aos espanhóis. As vitórias diante de gregos e azeris providenciaram à Polónia os pontos que ainda lhe faltavam para garantir a presença em Terracina, onde irá tornar a encontrar precisamente as duas selecções ibéricas. O historial polaco não deixa margem para dúvidas: jogadores como Ziober e Frizkemut devem ser vigiados de perto, da mesma forma que será preciso trabalhar colectivamente para encontrar espaços numa muralha defensiva erguida por Jesionowki, Gac, entre outros. Muito dificilmente a Polónia repetiria o feito de Jesolo há 12 meses, mas é evidente que o conjunto polaco pode roubar pontos a qualquer equipa.

ITÁLIA

O grupo 2, por seu turno, fica completo com a Squadra Azurra, equipa que, na nossa opinião, conta com menos hipóteses de chegar à almejada final de Domingo, pese embora o facto de jogar em casa. Tendo o apuramento já garantido como anfitriã de acordo com as regras da BSWW, a Itália mostrou uma pálida imagem na fase regular, conquistando 9 pontos que são lisonjeiros para uma equipa sem ideias e débil tacticamente. Os homens de Massimo Agostini lograram apenas superar (sempre pela margem mínima) as selecções da França, da Alemanha e do Azerbeijão, todas elas arredadas da Superfinal. Suíça, Portugal e Ucrânia não deram tréguas aos transalpinos, que ainda assim contarão com um elenco de luxo para tentar recuperar a sua melhor forma. De facto, o plantel italiano conta com nomes como Ramacciotti, Palmacci e Gori, melhor marcador do último mundial (em que a Itália foi a equipa europeia que obteve melhor classificação, no 4º lugar), passíveis de fazer a diferença em quaisquer circunstâncias. No entanto, será necessário uma evolução do nível de jogo colectivo apresentado nas etapas da fase regular para a Itália poder superar equipas mais organizadas e tão ou mais talentosas como são as formações de leste que irá degladiar.

CALENDARIO (horas PT)

5ª feira (14 de Setembro)

12:30 – Espanha X Suíça

13:45 – Bielorrússia X Rússia

15:00 – Polónia X Portugal

16:15 – Itália X Ucrânia

6ª feira (15 de Setembro)

12:30 – Espanha X Polónia

13:45 – Ucrânia X Rússia

15:00 – Portugal X Suíça

16:15 – Bielorrússia X Itália

Sábado (16 de Setembro)

12:30 – Suíça X Polónia

13:45 – Ucrânia X Bielorrússia

15:00 – Portugal X Espanha

16:15 – Rússia X Itália

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