23 Fev, 2018

Xavier Oliveira, Author at Fair Play

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Xavier OliveiraFevereiro 5, 20185min0

Foi em Berlim, no Tempodrom, que como habitualmente se jogou o German Masters, com uma final a ser jogada entre dois veteranos do circuito de entre todos os que se qualificaram. No final, saiu por cima Mark Williams, que conquistou assim o seu segundo título da época.

Selby e Allen caíram à primeira

Neste German Masters, tal como tem sido habitual houveram favoritos a cair logo na primeira ronda. Foram os casos de Mark Selby e Mark Allen.  O primeiro, campeão do mundo em título, caiu aos pés do chinês Xiao Guodong por 5-3, o que deixa cada vez mais a perceber que esta não tem sido uma época fácil para o inglês.

De quem se esperava mais e melhor era de Mark Allen, que na ressaca da sua vitória inédita no Masters deste ano, não conseguiu levar a melhor frente a Mathew Selt, perdendo por 5-4. Hawkins, que também está longe dos seus tempos aureos perdeu frente aquele que viria a ser a surpresa do torneio, Graeme Dott, por 5-3.

Na segunda ronda, de entre os jogadores presentes do top-16, só mesmo Liang Wenbo acabou por vacilar frente ao seu compatriota Xiao Guodong, onde perdeu na “negra” por 5-4.

Ding Junhui em ação na primeira ronda (Fonte: Facebook World Snooker)

Jogos de cartaz nos “quartos”

Chegado os quartos-de-final, o alinhamento foi o seguinte: Jimmy Robertson vs Mark Williams; Ding Junhui vs Judd Trump; Ryan Day vs Shaun Murphy e Graeme Dott vs Xiao Guodong. No primeiro destes encontros, o galês confirmou o seu natural favoritismo para o encontro, tendo batido Robertson por 5-3. Tendo assim marcado encontro frente a Judd Trump, que num encontro digno de cartaz bateu o chinês Ding Junhui por 5-3, deixando assim antever que poderia vir a fazer estragos neste German Masters.

Não era um encontro menos digno de cartaz, o que opôs Shaun Murphy e Ryan Day. Tudo ficou decidido apenas na “negra” onde o inglês acabou por vencer 5-4. Vinham a causar espanto desde o primeiro dia do German Masters, Xiao Guodong e Graeme Dott, sendo que apesar de arredado dos grandes palcos há já algum tempo, o escocês era o favorito para este encontro. E tal acabou por se confirmar, com Dott a recuperar de uma desvantagem considerável para levar de vencida o chinês por 5-4.

Xiao Guodong, uma dos melhores no German Masters (Fonte: Facebook Woirld Snooker)

Os campeões do mundo e a eterna promessa

Mark Williams tinha pela frente, aquele que já foi apelidado inúmeras vezes pelos especialistas do snooker como a grande promessa do snooker mundial. A verdade é que Trump mostrou mais uma vez que não passa dessa mesma promessa, já que frente a Mark Williams saiu “atropelado” pelo galês por uns expressivos 6-1. Por outro lado, Williams confirmava o bom momento que atravessa.

Já há algum tempo que não se via Graeme Dott por estas andanças, sendo que por isso a expetativa era alta para perceber o que o escocês conseguiria fazer frente a Murphy. E Dott conseguiu nada mais nada menos, que uma excelente recuperação, aliás mais uma nessa semana, onde recuperou de uma desvantagem de 3-4 para uma vitória por 6-4.

Murphy no seu encontro frente Dott (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de veteranos

O histórico de confrontos entre Mark Williams e Graeme Dott era claramente favorável ao galês. De entre os quinze encontros disputados entre ambos, Mark venceu 11 contra apenas 4 de Dott. E ao analisar ainda mais detalhadamente, vemos que a última vitória do escocês data de 2012. Apesar disso Dott vinha a mostrar um excelente snooker e por isso esperava-se uma final equilibrada.

Mas equilíbrio foi tudo o que esta final não teve, Mark Williams entrou “a matar” e depressa se colocou a vencer por 7-1, no final da primeira sessão. É verdade que Dott tinha feito boas recuperações durante a semana, nas rondas anteriores mas esta parecia longe de vir a acontecer. E foi com naturalidade que Williams confirmou a vitória na final, carimbando essa mesmo por 9-1.

Foi o segundo ‘major’ conquistado pelo galês esta época, ficando assim a ideia de que a jogar a esta nível, o galês é mais do que um sério candidato a vencer no Crucible. Uma palavra de apreço para Graeme Dott, que apesar de ter sido “dizimado” nesta final, regressou ao encontro mais importante oito anos depois, o que diz bem da importância deste torneio para o escocês.

A habitual foto de praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)

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Xavier OliveiraJaneiro 22, 20185min0

Foi em Londres, no Alexandra Palace, que como habitualmente se jogou o Masters, com uma final a ser jogada entre dois ‘outsiders’ de entre todos os que se qualificaram para a edição deste ano do Masters. No final, saiu por cima Mark Allen, que regressou assim aos títulos dois anos depois.

Selby e Ding caíram à primeira

Para este Masters, tal como é habitual, qualificou-se o top-15 do circuito profissional, mais o campeão em título. E Ronnie O’Sullivan, precisamente como campeão em título, venceu na ronda inaugural Marco Fu por 6-0, não dando qualquer tipo de hipóteses ao jogador de Hong Knng. Quem também não deixou fugir a vitória foi Mark Allen, que apesar de mais dificuldades, bateu o belga Luca Brecel por 6-3, marcando encontro com o “Rocket”.

Num duelo 100% escocês, John Higgins teve pela frente o sempre difícil Anthony McGill, com o primeiro dos escoceses a sair por cima por 6-4. Tendo marcado encontro frente a Ryan Day, que surpreendeu muita gente ao bater Ding Junhui, num encontro em que o próprio sabia que ia ter muitas dificuldades, tal como confidenciou ao Fair Play, vencendo por 6-4.

Também Judd Trump, que partia como um dos grandes favoritos a chegar à final confirmou o seu favoritismo frente ao chinês Liang Wenbo, tendo batido este por 6-4. À sua espera estava Shaun Muprhy que frente ao seu compatriota Ali Carter mostrou-se a bom nível para bater o “Capitão” por 6-4.

No duelo em que talvez se previa um maior equilíbrio, entre Kyren Wilson e Barry Hawkins, o primeiro acabou por sair por cima ao ganhar por 6-4. E acabou por não marcar encontro frente a Mark Selby porque este foi surpreendentemente batido na “negra” pelo galês Mark Williams.

Selby frustrado no seu encontro frente a Mark Williams (Fonte: Facebook World Snooker)

O’Sullivan cai com estrondo

A maior das surpresas dos quartos-de-final estava reservada para o encontro entre O’Sullivan e Mark Allen, sendo que a eliminação do “Rocket” já trouxe por si só alguma surpresa, o resultado esse é ainda mais surpreendente. O norte irlandês despachou Ronnie por uns expressivos 6-1, deixando o mundo do snooker boquiaberto principalmente pela qualidade demonstrada por este. Já John Higgins confirmou o seu favoritismo frente a Ryan Day e bateu o galês por 6-1, figurando na altura como o principal candidato a erguer o troféu do Masters.

Entre Judd Trump e Shaun Murphy era difícil apontar um vencedor claro do encontro, mas acabou por ser o primeiro dos ingleses a sair por cima. Trump despachou o “Magician” por 6-4 e marcou encontro frente ao promissor Kyren Wilson. Jogador promissor esse que ganhou ao veterano Mark Williams por 6-1, numa vitória incontestável do inglês.

Ryan Day na mesa frente a John Higgins (Fonte: Getty Images)

Para uma surpresa, surpresa e meia

Se até então Kyren Wilson vinha a mostrar todo o seu potencial, nas meias-finais teria mostrar um pouquinho mais já que pela frente estava o fortíssimo Judd Trump. A favor do primeiro estava o forte jogo mental, que é algo que não abunda em Trump. E tal veio mesmo a confirmar-se, já que o Trump esteve a vencer por 5-2, muito perto de vencer o encontro e viu o seu adversário fazer a cambalhota no marcador para vencer por 6-5.

Se a primeira meia-final já tinha tido um desfecho que poucos previam, na segunda Higgins partia sempre à partida como favorito. Mas a teoria não se confirmou e Mark Allen mostrou que estava no Masters para vencer, acabando por eliminar o escocês por 6-3.

Trump a tirar as medidas no encontro da meia-final (Fonte: Getty Images)

Uma final com uma certeza: Um campeão inédito

Foi o décimo encontro entre ambos, sendo que Kyren Wilson tinha vencido cinco encontros até então contra quatro do seu adversário. A primeira sessão não poderia ter sido mais equilibrada, com o resultado a fixar-se em 4-4. Na segunda sessão Mark Allen acabou por entrar e colocar-se a vencer por 7-5 ao intervalo. Kyren Wilson só conseguiu reagir quando Allen já vencia por 8-5, para reduzir para 8-7. Mas a partir daí, o norte irlandês puxou dos galões para levar de vencida o inglês por 10-7 e vencer a edição 2018 do Masters.

O mais histórico desta vitória de Mark Allen é o facto de desde 1987 que um norte irlandês não vencia esta prova de snooker, o último tinha sido Dennis Taylor. Mark Allen regressa assim aos títulos, e de que maneira, isto depois de dois anos de jejum.

A habitual foto da praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)

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Xavier OliveiraJaneiro 12, 201810min0

Ryan Day, 37 anos, jogador profissional de snooker. Vencedor do Riga Masters desta temporada, conseguiu o seu primeiro título após 19 anos de se ter tornado profissional. É galês e deu uma entrevista em exclusivo ao Fair Play onde fala sobre o passado e o presente do snooker, entre outros temas. Para saberem mais sobre Ryan Day e acompanhar todas as novidades sigam-no no Twitter

Já lá vão 20 anos desde que o Ryan se tornou profissional. Nota algumas diferenças, desde então até agora, na maneira como o snooker é jogado?

RD. Hoje em dia eu sinto que existe maior experiência no snooker, aprendi a competir em vez de simplesmente embolsar bolas. Percebi que muitas vezes não posso fazer simplesmente isso, tenho que aguardar por um momento melhor. Mas no geral, penso que o snooker não está muito diferente agora quando comparado com o início da minha carreira como profissional.

A sua primeira final num major, como profissional, foi em 2007, na altura perdida para Shaun Murphy, o que é que ainda recorda dessa final do Malta Cup?

RD. Tenho mais recordações do torneio em si, não me lembro assim tão bem da final. Aconteceu na altura do aniversário do meu pai e alguns dos meus amigos e família viajaram para Malta para ver o torneio e nós todos juntos fizemos o caminho até à final e por isso recordo-me mais do resto da semana do que da final em si, foi realmente há muito tempo. Mas claro que isso é um marco importante na minha carreira porque foi a minha primeira final. Agora o sistema de qualificação é diferente, tenho que vencer quatro ou cinco encontros para conseguir chegar à primeira ronda dos torneios, por isso agora é mais difícil chegar a uma final.

Ryan Day em acção no Mundial 2014 (Fonte: Getty Images)

O quadro do Masters deste ano já é conhecido e o Ryan vai defrontar o Ding Junhui. O que é que podemos esperar deste encontro? Acha que vai ser mais fácil que o habitual pela baixa forma em que o Ding se encontra?

RD. Antes de mais estou ansioso por começar a jogar os encontros do Masters, já faz algum tempo desde que eu joguei esse evento e, portanto, isso é o mais importante para começar. Sobre o Ding, ele é um jogador de classe mundial nos últimos dez ou mais anos, sendo verdade que ele não está em muito boa forma, será sempre um encontro extremamente difícil. Eu sinto que vou ter que jogar perto do meu melhor nível para conseguir fazer frente a um jogador como ele.

O Ryan qualificou-se diretamente para o mundial do ano passado muito graças à vitória de Mark Selby sobre Mark Williams na final do China Open. Alguma vez teve a oportunidade de agradecer essa ajuda do Selby?

RD. (Risos) Sim, eu enviei-lhe uma mensagem de texto, mas na altura foi apenas uma pequena piada sobre o sucedido. A mensagem era algo do género, “Obrigado Mark Selby, ficarei eternamente grato pelo que fizeste”.

O Ryan é um dos jogadores galeses profissionais de snooker. As pessoas reconhecem-no facilmente no seu país? A paixão pelo snooker no País de Gales é comparável com o futebol, por exemplo?

RD. Obviamente que o rugby é o maior desporto no País de Gales. O futebol está a crescer nesse sentido, especialmente depois de termos atingido a meia-final no Euro 2016 e claro que o Gareth Bale ajudou ao crescimento da modalidade por lá. De qualquer forma, há muitos galeses que seguem o snooker com atenção e muitas vezes há pessoas que me reconhecem na rua e dirigem-me palavras bonitas, é sempre bom ouvir isso.

Ryan Day frente a Judd Trump no Mundial em Sheffield (Fonte: Getty Images)

O Ryan esteve presente no Lisbon Open 2014, em Portugal, o que de melhor recorda desse torneio e da cidade no geral?

RD. Sim, eu lembro-me bem do Lisbon Open. Não foi um torneio bem jogado da minha parte, mas gostei muito de jogar aí. Gostei especialmente de jogar em frente aos fãs portugueses de snooker e tenho muito boas memórias do torneio e dos portugueses.

Há sérias possibilidades de na próxima época haver um major cá em Portugal, o que é que pensa dessa hipótese e quão importante isso seria para a modalidade?

RD. Penso que são muito boas notícias, porque o snooker está a tornar-se cada vez mais global e nós estamos a levar a modalidade com grandes torneios para novos lugares. Se nós voltarmos a Portugal com um novo grande evento, com certeza que eu como muitos outros jogadores queremos muito ir e jogar esse torneio aí.

O Fair Play agradece ao Ryan Day, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo da entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso a este grande profissional. Um agradecimento especial ao Vasco Simões, que em representação do Eurosport Portugal, tornou possível esta entrevista.

Ryan Day no Masters 2010 (Fonte: Getty Images)

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

Ryan Day, 37 years old, snooker professional player. Won his first major title this season, the Riga Masters 2017, after 19 years since became professional snooker player. He is welsh gave an exclusive interview to Fair Play, where talks about the past and the present of snooker, among other things. To keep update with everything about Ryan Day follow him on Twitter

So it has been twenty years since you’ve become a professional snooker player. Do you feel any difference from that time to now? Is snooker played in a different way?

RD. Now I feel that there is a bit more experience in snooker, I learned how to compete rather than just pot the balls, learned that sometimes I can’t just do that and I have to wait for it. I think that snooker is not too different now compared when I started as professional.

Your first major final was against Shaun Murphy back in 2007. Do you remember that last game of the Malta Cup?

RD. I remember more the tournament, don’t remember the final too much. It was in my dad’s birthday party and some of my friends and family travelled to Malta to watch the event and we managed all the way to the final, so I remember more of the week than the final, it was a lot of time ago. But of course it’s always an important mark in my career because it was the first final. Now the qualifying system is a bit different, I have to win four or five matches to reach first round of tournaments so it’s harder now to reach a final.

Ryan Day plays a shot against Judd Trump during their second round match in The Dafabet World Snooker Championship at the Crucible Theatre on 2014 in Sheffield, England. (Photo by Michael Regan/Getty Images)

Ding Junhui is your first opponent in this year’s Masters. What are you expecting from the match? Do you think that Ding’s poor form will give you some kind of advantage?

RD. First of all I’m looking for the Masters matches, it was a long time ago since I played the event, so it’s the most important thing to start. About Ding, he is a world class player over the last ten or more years, it’s true that he is not in good form, but it will be a very tough match. I feel have to play near of my best snooker to can compete against him.

Mark Selby’s victory over Mark Williams in the last year China Open helped you qualify for the World Championship this year. Did you ever thank him for that little “help”?

RD. (Laugh) Yes, I sent him a text message, but it was little funny joke. The message was something like, “Thank you Mark Selby, I will be grateful to you for all time”.

You are one of the most successful Welsh snooker players. Do people recognize you in the street? There’s a snooker sports culture in Wales or football/rugby are the only big sports over there?

RD. Rugby is obviously the biggest sport in Wales, football is growing in that way especially after the Wales great run in the Euro 2016 semi-final and Gareth Bale helped football to grow over there. By the way there are lot of Welsh people following snooker and sometimes some people recognize me in the street and say some nice words, that’s always good to hear.

Ryan Day and Judd Trump during their second round match in The Dafabet World Snooker Championship at Crucible Theatre on 2014 in Sheffield, England. (Photo by Gareth Copley/Getty Images)

Do you remember the Lisbon Open in 2014? Best memory of that time? Did you like play in Portugal?

RD. Yes, I remember Lisbon Open. It wasn’t so good of tournament for me, but I enjoyed playing in Portugal. I liked a lot to play in front of Portuguese snooker fans and I have good memories about that time and the people.

There are strong rumors that in next year Portugal can have a major. What do you think about it? And do you think is that important for a country to have a major?

RD. I think it’s very good news, because snooker is going worldwide and we are pushing new territories all the time for big events. If we go back to Portugal with a new big event and for sure that I, like a lot of players, really want to go and play there.

Ryan Day of Wales lines up a shot in his quarter final game against Stephen Maguire of Scotland during the PokerStars.com Masters tournament at Wembley Arena on 2010 in London, England. (Photo by John Gichigi/Getty Images)

Fair Play thanks Ryan Day, for the availability and sympathy shown throughout the interview process. Wishing all the best and greatest success to this big professional. A special thanks to Vasco Simões, who represented Eurosport Portugal and made this interview possible.

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Xavier OliveiraDezembro 18, 20174min0

Foi em Glasgow que se jogou a edição deste ano do Scottish Open, com uma final a ser jogada e decidida na “negra”, entre um ex-campeão do mundo e um ‘underdog’ do snooker. No final, saiu por cima Neil Robertson, que regressou assim aos títulos 18 meses depois.

As surpresas e as ausências

Como já vem sendo hábito de algum tempo para cá, também neste Scottish Open houveram algumas derrotas surpreendentes nas primeiras rondas. Shaun Muprhy, que vinha de uma final perdida na semana anterior para Ronnie O’Sullivan caiu aos pés de Daniel Wells. Também Barry Hawkins não fez melhor frente a Jamie Jones e saiu de cena logo na primeira ronda. De notar ainda a ausência por opção de Mark Selby e de Stuart Bingham, estando este último castigado.

A segunda ronda também acabou por ter alguns jogadores do top-16 a saírem derrotados, como foram os casos de Anthony McGill, Liang Wenbo e Ali Carter. Reforçando assim cada vez mais a sua candidatura à final Ronnie O’Sullivan, Judd Trump, John Higgins e Neil Robertson. Quem caiu com estrondo na terceira ronda do torneio foi o chinês Ding Junhui frente ao inglês Rory McLeod, desiludindo uma vez mais este asiático.

Yupeng a festejar o seu 147 da primeira ronda (Fonte: Facebook World Snooker)

Higgins em frente, O’Sullivan K.O.

Nos oitavos de final, O’Sullivan e Higgins venceram os seus respetivos encontros com relativa facilidade para marcarem encontro nos quartos-de-final. Com menos facilidade mas igualmente bem sucedidos, Judd Trump e Neil Robertson seguiram em frente, ao passo que Marco Fu caiu aos pés de Xiao Guodong por 4-3, ficando afastado de qualquer possibilidade em chegar à final.

Mas foi nos quartos-de-final que se assistiu ao encontro que muitos aguardavam, o embate entre O’Sullivan e Higgins. O Inglês tem sido mais bem-sucedido nos últimos confrontos entre ambos, mas o a verdade é que a jogar em casa, o escocês galvanizou-se para “cilindrar” O’Sullivan por 5-0. Foi na “negra” e com muitas dificuldades que o australiano Neil Robertson bateu Xiao Guodong, tendo marcado encontro com o favorito do público, John Higgins.

Já a outra meia-final iria ser disputada entre o surpreendente Cao Yupeng, que já tinha deixado toda gente de “olhos em bico” na primeira ronda, quando fez uma entrada de 147 pontos. O chinês deixou pelo caminho Ricky Walden por 5-3 e marcou encontro contra Judd Trump, que venceu o outro escocês ainda em prova na altura, Stephen Maguire, por 5-2.

Marco Fu em ação no Scottish Open (Fonte: Facebook World Snooker)

Robertson in, Trump out

O histórico de confrontos entre Robertson e Higgins mostrava uma ligeira vantagem para o escocês que contava com 11 vitórias contra 9 do australiano. No entanto, neste Scottish Open, o australiano reduziu a desvantagem entre ambos tendo vencido por 6-3.

Já entre Trump e Yupeng havia apenas um encontro registado entre ambos, ainda no decorrer deste ano no European Masters, onde o inglês saiu por cima na altura. Mas desta vez tudo foi diferente e o chinês mostrou uma enorme maturidade para bater o inglês por 6-4 e marcar presença numa final pela primeira vez na sua carreira.

Do céu ao inferno num piscar de olhos

Foi o terceiro encontro entre ambos, sendo que Robertson tinha saído por cima nos dois encontros anteriores. A final começou bastante equilibrada, tendo-se registado um uma vantagem de 5-3 favorável ao chinês no final primeira sessão. Yupeng entrou determinado a vencer a final rapidamente na segunda sessão e muito rapidamente colocou-se a vencer por 8-4, ficando apenas a um ‘frame’ do seu primeiro ‘major’ da carreira. Mas de repente aquilo que parecia estar já ali, foi-se eclipsando e depois de uma bola preta falhada por milímetros que poderia ter dado a vitória por 9-7 a Yupeng, este desmoronou-se emocionalmente e viu Robertson garantir o triunfo por 9-8, numa final em que emoção foi o prato principal.

Com esta vitória Neil Robertson levou para casa 70.000 libras e muita confiança para o ano de 2018 que estará recheado de ‘majors’. Já Yupeng mostrou que é mais um jogador com quem todos têm de contar para o resto da temporada, isto se continuar a jogar da forma que se mostrou neste Scottish Open.

Robertson na caminhada para o título (Fonte: Facebook World Snooker)

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Xavier OliveiraDezembro 12, 20176min0

Um dos maiores dos torneios da época de snooker disputou-se este mês em York, na Inglaterra. A final do UK Championship desta época teve frente a frente dois velhos conhecidos, Shaun Murphy e Ronnie O’Sullivan. O “Rocket” acabou por vencer uma vez mais a prova, pela sexta vez na sua carreira.

Surpresas e mais surpresas

Como já tem sido mais ou menos habitual nos últimos torneios disputados esta época, nas primeiras duas rondas do UK Championship houve queda de alguns favoritos à vitória final. Ding foi um deles e logo frente a um jogador que ainda não tinha somado qualquer vitória esta época, o irlandês Leo Fernandez, saindo derrotado por 6-5. Também Ali Carter não fez melhor na primeira ronda e caiu aos pés de Jimmy White por 6-2.

Acabou por não ser na primeira ronda, mas foi mesmo na segunda que mais dois jogadores do top-16 caíram aos pés de adversários menos favoritos. Selby, campeão do mundo em título perdeu com estrondo para o inglês Scott Donaldson por 6-3. Já Anthony McGill vacilou perante o iraniano Hossein Vafaei por 6-5, ficando assim pelo caminho.

Chris Totten desiludido frente a John Higgins (Fonte: World Snooker)

O passeio de O’Sullivan e as desilusões do costume

Na terceira ronda, Trump acabou por cair aos pés de Graeme Dott, num encontro onde o resultado é bem claro com um 6-2 favorável a Dott. Barry Hawkins como tem sido seu apanágio esta época caiu cedo uma vez mais, desta feita frente ao surpreendente Akani Songsermsawad por 6-0. Do lado asiático, Wenbo foi mais um dos homens do top-16 a cair nesta ronda tendo perdido frente a Stephen Maguire por 6-5.

Sendo que Marco Fu não fez melhor frente a um jogador que vem de uma meia-final inesquecível da semana passada na Irlanda do Norte, o chinês Lyu Haotian, perdendo por 6-4. Vencedor do UK Championship há duas épocas, e a defender os pontos desse mesmo torneio esta época, Neil Robertson, não aguentou a pressão e caiu aos pés de Mark Joyce por 6-5.

Akani frente a Hawkins (Fonte: World Snooker)

Murphy vs O’Sullivan na final?

Ainda estávamos a meio da quarta ronda e já havia quem perspectivasse uma final entre os dois ingleses. Isto tudo porque no dia anterior, Higgins caiu de forma surpreendente frente a Mark King por 6-5. Já na outra parte do quadro Mark Allen não fazia melhor e saía derrotado perante Joe Perry por 6-4. Estes dois resultados deixavam Murphy e O’Sullivan com o caminho algo aberto até à final, isto por estarem em partes diferentes do quadro.

Shaun Murphy não vacilou nada perante o sempre difícil Ricky Walden e venceu por 6-1, num encontro onde o inglês reforçou a sua candidatura ao título, que havia vencido em 2008. Ronnie O’Sullivan.

As vitórias dos favoritos

O alinhamento dos quartos-de-final foi o seguinte: Ryan Day vs Mark Joyce; Shaun Murphy vs Mark King; Stephen Maguire vs Joe Perry e Martin Gould vs Ronnie O’Sullivan. No primeiro encontro, Ryan Day confirmou o seu favoritismo frente ao inglês e carimbou a passagem às meias-finais, vencendo na “negra” por 6-5. Shaun Murphy não deixou os créditos por mãos alheias e despachou de forma esclarecedora Mark King por 6-1, marcando encontro com precisamente Ryan Day.

Stephen Maguire regressou neste UK Championship aos grandes palcos para se encontrar com o também ex-top 16 Joe Perry, tendo o escocês vencido a partida por 6-3. O eterno favorito em todos os torneios em que entra de seu nome Ronnie O’Sullivan, alcançou as meias-finais com uma vitória sob o compratriota Martin Gould por 6-3. Deixando antever cada vez mais uma reedição da final do Champion of Champions desta época, entre O’Sullivan e Murphy.

Joe Perry no encontro frente a Maguire (Fonte: Getty Images)

O desfecho previsível

Foi com natural favoritismo que O’Sullivan deixou pelo caminho o escocês Stephen Maguire pelo caminho, sendo que apesar de tudo o encontro não foram favas contadas para o inglês. Até então o Ronnie somava 16 vitórias em 20 encontros, sendo que este 21º acabou com o triunfo de Ronnie por 6-4, tendo “esperado no cadeirão” pelo seu adversário da final.

E como já se previa a certa altura do torneio Murphy carimbou à passagem à final com um triunfo sobre Ryan Day por 6-3, naquele que foi 22º encontro entre ambos. Nas 21 partidas anteriores, Muprhy somou 13 vitórias contra oito do galês, o que denotava um certo equilíbrio entre ambos.

Ryan Day algo pensativo no encontro frente a Murphy (Fonte: Getty Images)

Uma final com um desfecho diferente

Esta final foi a segunda da época entre ambos os ingleses, sendo que na primeira, no Champion of Champions, Murphy saiu vitorioso sobre Ronnie. No somatório dos 14 embates prévios, O’Sullivan saiu por cima em 10, contra apenas quatro vitórias do compatriota.

A primeira parte da final foi bastante equilibrada, com o resultado a fixar-se em 4-4 ao intervalo do encontro. Mas já a segunda parte acabou por ser de sentido único, com o “Rocket” a não dar grandes hipóteses a Murphy e a fixar o resultado final em 10-5.

Com mais este título do UK Championship, Ronnie soma seis conquistas no total, tendo um assim um assombroso número de troféus da Triple Crown. Apesar de ainda faltar algum tempo para o início do campeonato do mundo, a verdade é que o inglês passa de candidato a natural a favorito nº1, visto o que tem feito esta época. Já durante esta semana e até domingo joga-se o Scottish Open, a última prova a decorrer no ano civil de 2017.

Habitual foto da praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)

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Xavier OliveiraNovembro 19, 20175min0

Disputou-se durante a semana inteira em Shanghai, na China, um dos maiores torneios de snooker disputados em terras asiáticas. Para não variar do que tem acontecido ultimamente nos torneios disputados, Ronnie O’Sullivan esteve insuperável e deixou a concorrência toda pelo caminho para “cilindrar” Trump na final.

A hegemonia dos favoritos

Ao contrário do que tem sido habitual nos últimos torneios disputados esta época, nas primeiras duas rondas do Shanghai Masters não houve queda de nenhum dos favoritos à vitória final. Apenas Ding Junhui preteriu da oportunidade de jogar o torneio, sendo que Bingham também perdeu a oportunidade de jogar na China mas este por estar afastado durante três meses por suspeita de apostas na modalidade.

O’Sullivan, Selby, Higgins e Trump, que partiam como grandes favoritos à vitória chegaram assim à terceira ronda com mais ou menos dificuldade, dependendo dos casos. Ronda essa onde ambos os quatro jogadores iriam ter adversários difíceis pela frente, com destaque para o embate entre dois campeões do mundo, Selby e Mark Williams.

Luca Brecel em ação no Shanghai Masters (Fonte: Facebook World Snooker)

Selby fora, rivais dentro

Na terceira ronda, Selby acabou por cair aos pés de Mark Williams, perdendo por 5-3 e deixando assim caminho aberto para os três rivais ainda em prova. O’Sullivan venceu sem apelo nem agravo para contentamento dos seus fãs, despachando Hawkins por 5-0. Trump não ficou atrás do compatriota e eliminou o sempre complicado escocês Stephen Maguire, também por 5-0. Já John Higgins não teve tarefa tão fácil frente ao homem da casa, Liang Wenbo, mas confirmou a sua passagem à ronda seguinte com uma vitória por 5-2.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Luca Brecel vs Judd Trump, John Higgins vs Martin Gould, Ronnie O’Sullivan vs Mark Williams e Jack Lisowski vs Kurt Maflin. No primeiro destes encontros e num duelo entre duas estrelas da nova geração do snooker, Trump mostrou-se imparável vencendo o belga por 5-0! Higgins puxou de toda a sua sabedoria e experiência para deixar pelo caminho o inglês Gould por 5-1, marcando encontro com o seu eterno rival na meia-final.

Eterno rival esse de seu nome Ronnie O’Sullivan que frente ao galês Mark Williams venceu por 5-1, provando assim ao mundo do snooker que a forma que tem mostrado ultimamente não é fruto do acaso. Quem aproveitou para marcar presença na meia-final, e certamente não contaria com isso foi Jack Lisowski que deixou pelo caminho Kurt Maflin, ganhando por 5-3.

Selby no encontro frente a Mark Williams (Fonte: Facebook World Snooker)

Dois encontros, duas gerações

Na primeira das duas meias-finais, o histórico de confrontos entre Lisowski e Trump era surpreendentemente favorável ao menor dos favoritos do encontro, com Lisowski a levar uma vantagem de quatro vitórias contra três de Trump. No encontro das gerações mais novas presente na meia-final, foi o mais favorito a sair vencedor, com Trump a impor o seu jogo e carimbar a vitória por 6-3.

A outra meia-final foi entre dois eternos rivais e conhecidos dos panos verdes, sendo que aqui o histórico de confrontos estava também equilibrado, com 27 vitórias para o escocês e 33 para Ronnie. Se já recentemente O’Sullivan tinha batido Higgins, esta meia-final não foi excepção. Ronnie bateu o escocês por uns esclarecedores 6-2. para marcar presença na final frente a Judd Trump.

Higgins pensativo na meia-final do torneio (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de sentido único

A final entre Ronnie O’Sullivan e Judd Trump, foi o 21º encontro entre ambos. Até então a contenda não poderia estar mais equilibrada, tendo-se registado 10 vitórias para cada lado.

A primeira sessão foi de apenas um sentido, com Ronnie a mostrar-se a um nível elevadíssimo deixando parte do “problema” resolvido ao intervalo, onde levava uma vantagem de 7-2 sobre o compatriota. E se a primeira sessão tinha sido só de Ronnie, a segunda não foi diferente, com este a terminar de forma categórica a final, selando a vitória em 10-3. Foi sem deixar margem para dúvidas que O’Sullivan venceu este Shanghai Masters, mostrando uma frieza e um calculismo “assustadoramente bons”.

Com esta vitória O’Sullivan subiu três posições no ‘ranking’ mundial, figurando agora como nº 4, ainda algo longe daquele que foi o seu lugar durante muitos anos, o topo da hierarquia. Trump com a presença na final acabou por subir um lugar no ‘ranking’, figurando agora como segundo da hierarquia mundial.

O habitual cumprimento antes do início da final (Fonte: Facebook World Snooker)

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Xavier OliveiraSetembro 24, 20176min0

Ding Junhui venceu e convenceu, de que maneira, no World Open, numa final onde frente ao “The Warrior” Kyren Wilson, mostrou-se ao seu melhor nível frente ao seu público. Público esse que ficou ao rubro com esta vitória clara de Ding na final e que mostra que ao contrário daquilo que se pensava há duas épocas atrás, o chinês está bem e recomenda-se.

As “inevitáveis” surpresas

Já começa a ser um hábito as surpresas nas rondas iniciais dos torneios esta época e consequentemente os respectivos vencedores dos torneios, excepção feita ao Indian Open onde John Higgins acabou por triunfar no início deste mês.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender por Lee Walker, acabando eliminado com o resultado a fixar-se em 5-2. Não fez melhor o galês Michael White, campeão do Paul Hunter Classic desta época, tendo este caído logo na ronda de apuramento, num encontro onde saiu derrotado por Ma Chunmao. Nos homens da casa, o segundo favorito de entre os chineses, Liang Wenbo, também ficou pelo caminho cedo ao sair derrotado frente ao seu compatriota Li Hang por 5-4.

A segunda ronda também trouxe algumas surpresas, com a queda de Stuart Bingham frente a Cao Yupeng, com o resultado a fixar-se em 5-4. Marco Fu também acabou por não ter melhor sorte, já que perdeu frente ao inglês e ex-campeão do mundo, Peter Ebdon, por 5-3.

Mark Allen e Neil Robertson em confronto (Fonte: Facebook World Snooker)

A queda de Higgins e o favoritismo de Ding

Olhando para o quadro após a segunda, John Higgins era a par de Ding Junhui, o maior favorito a vencer o torneio, ou não estivéssemos a falar do segundo e o quarto do ‘ranking’ mundial à data do início do World Open. Mas o escocês vacilou fortemente e acabou por cair frente ao inglês David Gilbert, perdendo por 5-2.

Dos restantes duelos, destaque para a vitória de Ding Junhui frente a Joe Perry, por uns esclarecedores 5-1, confirmando ainda mais a sua candidatura a vencedor do torneio. Outro duelo de cartaz, foi o de Mark Allen frente a Neil Robertson, tendo o primeiro saído por cima, numa vitória conquistada na “negra”.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Mark Williams vs Kyren Wilson, Mark Allen vs David Gilbert, Anthony McGill vs Luca Brecel e Li Hang vs Ding Junhui. No primeiro destes encontros, Kyren Wilson mostrou o porquê de ser considerado por muitos a próxima grande estrela do snooker mundial e venceu o veterano Mark Williams por 5-1. Mark Allen confirmou o seu favoritismo frente ao sempre difícil David Gilbert, fixando a vitória em 5-1, marcando encontro com Kyren Wilson, onde viriam a decidir a passagem à final. Já tinha mostrado todo o seu enorme potencial esta época ao vencer o China Championship e voltou a fazê-lo ao carimbar o passaporte para a meia-final. O belga, Luca Brecel conseguiu deixar pelo caminho o escocês Anthony McGill, num encontro onde saiu vitorioso por 5-4. Quem não vinha a vacilar de forma alguma era Ding Junhui que em frente ao seu público, não deixou os crédito em mãos alheias e bateu o seu compatriota Li Hang por 5-3.

Mark Williams em acção no World Open (Fonte: Facebook World Snooker)

Há quem goste de brilhar na China 

As meias-finais do World Open colocaram num dos encontros frente a frente Kyren Wilson e Mark Allen e no outro Luca Brecel e Ding Junhui. Relativamente ao primeiro encontro, o norte irlandês Mark Allen era o favorito a vencer, apesar de ter tido pela frente um Kyren Wilson que vinha a crescer de forma. Mesmo pressionado pelo facto de estar a defender os pontos relativos à vitória do Shanghai Masters de 2015, Kyren Wilson não se deixou intimidar e bateu na “negra” Mark Allen, carimbando assim passagem para a final, a terceira da sua carreira.

Na outra meia-final estava de um lado, o 4º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Ding Junhui. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 15º da hierarquia, Luca Brecel. O favoritismo esse era claro e estava do lado homem da casa, mas frente a Brecel todos os cuidados eram poucos e Ding sabia bem disso. O chinês venceu e convenceu frente ao jovem belga, vencendo por 6-4, num encontro onde mostrou a sua superioridade principalmente na primeira parte.

Mark Allen descontente no encontro frente a Kyren Wilson (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de um só sentido

A final entre Ding Junhui e Kyren Wilson, foi o sétimo encontro entre ambos. Até então, o chinês tinha vencido em quatro ocasiões contra duas do inglês, sendo que o último confronto foi na temporada passada, nos quartos de final do China Open.

diferença em termos de ‘ranking’, com Ding a figurar no 4º lugar e Wilson no 13º, acabou por de alguma forma se traduzir na mesa. Na primeira sessão, Kyren Wilson ainda conseguiu de alguma forma manter o encontro equilibrado, saindo a perder por 6-3, resultado que ainda deixava o inglês com alguma esperança nesta final. Mas a segunda sessão foi ainda mais desequilibrada, com Ding a mostrar toda a sua superioridade e resolver o assunto logo na primeira parte da segunda sessão, fechando o encontro em 10-3.

Esta é o sexto ‘major’ que Ding vence no seu país e o primeiro que vence esta temporada. De salientar que com esta vitória, o chinês sobre ao segundo lugar do ‘ranking’ mundial e aproxima-se do “eterno” nº1 Mark Selby.

Ding Junhui e Kyren Wilson na final (Fonte: Facebook World Snooker)

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Xavier OliveiraAgosto 22, 20177min0

Luca Brecel venceu e convenceu no China Championship, numa final onde frente ao “The Magician” Shaun Murphy, mostrou-se com muita maturidade para servir ele próprio um “chocolate belga” bem amargo ao inglês. Foi a primeira vez que o China Championship se jogou como um torneio a contar para o ranking. Este ‘major’ foi jogado na cidade de Guangzhou, no sul da China. Fica aqui um resumo de tudo o que se passou por terras asiáticas.

O vendaval do terceiro dia

O terceiro dia do China Championship foi produtivo no que toca a surpresas. Se nos dias anteriores, nomes como Stuart Bingham, Liang Wenbo, Anthony McGill, Neil Robertson e Mark Allen já tinham caído perante adversários teoricamente mais fracos, este dia foi aquele onde praticamente caíram todos os favoritos.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender pelo jovem da casa, Zhou Yuelong, perdendo na negra por 5-4. A este seguiu-se a queda de Barry Hawkins que frente ao compatriota Mark Davis, perdeu por 5-3. Quem entre os ingleses não fez melhor foi Judd Trump, que vacilou frente ao ex-campeão do mundo Graeme Dott onde saiu derrotado por 5-3. Continuando a falar de nomes de terras britânicas, o sempre favorito John Higgins, não se mostrou ao melhor nível frente a Tom Ford, perdendo por 5-2. Mas os jogadores do continente da casa não fizeram melhor, já que Marco Fu perdeu frente ao belga Luca Brecel por 5-2 e a maior de todas as surpresas, no que toca ao público da casa, foi a derrota de Ding Junhui que foi “atropelado” pelo escocês Alan McManus por 5-0.

Feitas as contas e no que toca aos favoritos apontados no início do torneio, sobravam os nomes de Ronnie O’Sullivan, que vinha até então a fazer um percurso mais ou menos imaculado, e Shaun Murphy. A estes juntavam-se nomes de segunda linha como os casos de Mark Williams, Ali Carter e Stephen Maguire.

O’Sullivan pensativo no seu encontro frente a David Gilbert (Fonte: Getty Images)

A confirmação do favoritismo

A terceira ronda trouxe à tona o favoritismo natural dos jogadores mais fortes. Ronnie O’Sullivan venceu e convenceu o escocês Graeme Dott por 5-0, num encontro onde este último embolsou apenas 5 (!) bolas. Mark Williams bateu Mathew Stevens por 5-3 e Ali Carter o compatriota Mark Davis por 5-1. Shaun Murphy mostrava que estava em boa forma e deixou pelo caminho o escocês Stephen Maguire por uns arrebatadores 5-0.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Zhou Yuelong vs Shaun Murphy, Ali Carter vs Fergal O’Brien, Ronnie O’Sullivan vs Luca Brecel e Li Hang vs Mark Williams. No primeiro destes encontros, Murphy não se deixou surpreender pelo jovem da casa que vinha a mostrar todo o seu grande valor nas rondas anteriores. O inglês, campeão do mundo em 2005, usou toda a sua experiência para bater o chinês por 5-2. Ali Carter carimbou também a sua passagem às meias-finais deixando pelo caminho o irlandês O’Brien, também por 5-2, marcando encontro com Murphy, onde viriam a decidir a passagem à final. A surpresa do dia estava reservada para o encontro entre o “Rocket” e Luca Brecel. O belga conseguiu deixar pelo caminho o enorme Ronnie O’Sullivan, num encontro em que esteve a perder por 4-1, ou seja a apenas um ‘frame’ de ver Ronnie se apurar para a meia-final. Mas tal não aconteceu e com duas entradas centenárias pelo meio, Brecel venceu 5-4, protagonizando a surpresa do dia. Apesar de não ter sido uma surpresa tão grande como a derrota de O’Sullivan, Li Hang deixou pelo caminho um grande nome do snooker mundial, Mark Williams, por 5-3.

Li Hang “tira as medidas” às bolas (Fonte: Getty Images)

Nem sempre é preciso jogar bem para ganhar

As meias-finais do China Championship, que colocaram num dos encontros frente a frente Ali Carter e Shaun Murphy e no outro Luca Brecel e Li Hang, não foram jogadas a um grande nível. Relativamente ao primeiro encontro, esperava-se um jogo a bom nível já que estavam dois jogadores do top-16 a defrontarem-se. Mas a verdade é que tal não aconteceu, sendo que no fim acabou por vencer Shaun Murphy por 6-4. Esperava-se mais e melhor de ambos, sendo que no final de contas o que contou foi a vitória do ex-campeão do mundo, que regressou assim à final de um major, algo que já não acontecia desde Março passado, quando venceu o Gibraltar Open.

Na outra meia-final estava de um lado, o 58º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Li Hang. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 27º da hierarquia, Luca Brecel. Nenhum dos dois era favorito a chegar à final antes do início do torneio, mas após chegarem a uma fase tão adiantada da prova, havia que dar tudo para chegar à tão desejada final, algo que seria inédito para o chinês. Com uma primeira parte de sessão favorável a Brecel, onde saiu a vencer por 3-1, este viu Li regressar mais forte depois do intervalo, para se colocar a vencer por 5-4. O belga não baixou os braços e saiu vencedor do encontro por 6-5, protagonizando mais uma reviravolta, qualificando-se assim para a sua segunda final da carreira.

Murphy pouco agradado com aquilo que via no encontro frente a Ali Carter (Fonte: Getty Images)

Uma final que mais parecia um ‘thriller’

A final entre Murphy e Brecel, foi o oitavo encontro entre ambos. Até então, o inglês tinha vencido em quatro ocasiões contra três do belga, sendo que o último confronto foi já esta temporada, na primeira ronda do Riga Masters. O campeão do mundo de 2005 era o favorito a vencer a final, mas do outro lado tinha um jovem muito forte, que já tinha deixado um aviso à navegação, com as reviravoltas protagonizadas nas rondas anteriores. Certo era que se Murphy jogasse ao seu melhor nível, Luca Brecel teria poucas hipóteses, mas por outro lado se o inglês jogasse ao nível que mostrou a época passada, poderia ter grandes dificuldades frente ao belga.

Apesar da diferença clara em termos de ‘ranking’, com Murphy a figurar no 8º lugar e Brecel no 27º, isso não se traduziu dessa forma na mesa, pelo menos na primeira sessão. Na primeira parte dessa sessão, Murphy entrou melhor e colocou-se na frente por 3-1. No entanto viu Luca Brecel voltar mais forte e dar uma cambalhota no marcador, para se colocar na frente por 5-3. E foi por muito pouco que o belga não saiu da sessão a vencer por 6-3, naquele que foi um ‘frame’ digna de um verdadeiro ‘thriller’. Após vários golpes de teatro, Murphy acabou por vencer e reduzir a desvantagem para 5-4.

No regresso à mesa para a segunda sessão, o belga continuou a mostrar muita maturidade e perdeu apenas um ‘frame’, conquistando os cinco que necessitava para fixar a vitória em 10-5. Este foi o primeiro ‘major’ vencido pelo próprio Luca Brecel, que para além disso torna-se o primeiro jogador da Europa continental, ou seja, toda a Europa excepto o Reino Unido, a vencer um ‘major’.

Foto da praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)

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Xavier OliveiraAgosto 13, 201718min0
Ken Doherty, 47 anos, jogador profissional de snooker. Campeão mundial em 1997, surpreendeu tudo e todos ao bater Stephen Hendry na final, no Crucible Theatre. É um fã assumido do Manchester United e deu uma entrevista em exclusivo ao Fair Play onde fala sobre o passado e o presente do snooker, entre outros temas.

Para saberem mais sobre Ken Doherty e acompanhar todas as novidades sigam-no no Twitter

O Ken é um jogador profissional desde 1990. Nota algumas diferenças desde então até agora na maneira como o snooker é jogado?

KD: Não vejo qualquer diferença no jogo ao nível dos melhores do mundo. Penso que a principal diferença está nos jogadores abaixo do top 32, o nível standard do snooker como existia antes cresceu muito. Há muito mais torneios e com isso aparecem muito mais entradas acima de cem pontos.

Como jogador, joguei frente aos melhores de sempre, como Steve Davis (ele ainda joga bom snooker), Jimmy White e Stephen Hendry, claro. Nos anos 90 apareceram os jovens dourados como os casos de John Higgins, Ronnie O’Sullivan e Mark Williams, que como se sabe ainda jogam a um excelente nível.

O snooker está agora um nível acima, não só no top 16, mas também nos jogadores mais abaixo do ranking, o que é uma grande diferença relativamente ao passado. Nessa altura olhava-se para os quadros dos torneios e pensava-se logo nas rondas seguintes, não nas primeiras. Mas agora temos de pensar desde o nosso primeiro encontro porque todos os jogos são difíceis.

Quão incrível foi vencer o Stephen Hendry naquela mítica final do Campeonato do Mundo em 1997? A sua vitória naquela altura foi uma grande surpresa?

KD: Acho que a minha vitória foi uma grande surpresa, porque o Stephen Hendry vinha de seis títulos de campeão do mundo consecutivamente. Eu era um outsider e não estava a jogar propriamente bem nessa altura. Defrontei o Mark Davis na primeira ronda, e pensei, ele é a minha final basicamente, se conseguir ganhar a primeira ronda, consigo assegurar a presença no top 16. Quando venci esse encontro e assegurei o lugar no top 16, pensei ‘vamos ver o que vai acontecer agora’, essa foi mesmo a minha abordagem ao Campeonato do Mundo de 1997.

Nas rondas seguintes venci o Steve Davis, o John Higgins, o Alain Robidoux e claro o Stephen, na final. Senti um grande crescimento da minha confiança nesse torneio, mas o mais engraçado é que estava mais preocupado com o confronto frente ao Mark Davis na primeira ronda, do que estava quando fui jogar com o Stephen Hendry na final, e isto pode parecer estanho mas é a verdade.

Venci quatro encontros antes da final, sentia-me confiante, já tinha vencido o Stephen Hendry noutras ocasiões, não em finais, portanto é estranho mas estava realmente mais preocupado com a minha primeira ronda do que com a final.

Ken Doherty em ação (Fonte: World Snooker)

Esteve presente na meia-final do Riga Masters e qualificou-se para os próximos majors, portanto podemos assumir que tem sido uma grande temporada até agora? Recebeu algum tipo de poder mágico com aquele wild card de 2 anos no Crucible Theatre?

KD: Se fosse verdade que esse ‘wild card’ tivesse trazido algum tipo de poder com ele, gostava de já o ter recebido há alguns anos. Penso que ao receber este ‘wild card’ que tem a duração de dois anos, consegui encontrar o foco e a atitude que preciso para mais estes dois anos enquanto profissional. Prometo que vou trabalhar muito e dar cem por cento pelo jogo. Depois, se já não sentir forças, irei então dizer ‘muito bem, eu desisto’.

Neste momento está tudo a correr bem, mas ainda é cedo para retirar grandes conclusões. Estar na meia-final em Riga foi excelente, e trouxe-me boas memórias daquela final do Campeonato do Mundo de 1997. Como já disse, estou a dar tudo ao snooker, consegui vencer todos os jogos das qualificações até agora, no entanto a temporada ainda agora começou e não quero perder o controlo. A minha confiança está alta, e o nível de jogo está onde sempre quis!

O próximo torneio que irá jogar é o China Championship, quais são as suas expetativas? Veremos um Ken Doherty muito forte frente ao “The Magician” Shaun Murphy na primeira ronda?

KD: Não vou fazer nenhum esforço em especial frente ao Shaun Murphy na primeira ronda. Já o defrontei em outras ocasiões antes, ele é uma pessoa estável, ex-campeão do mundo, um dos melhores jogadores do mundo e um dos melhores com o taco em acção. A minha abordagem para esse encontro será como se fosse jogar uma final, só pretendo jogar ao meu melhor nível, dar tudo o que tenho, lutar como um tigre e ver o que acontece. Se perder, irei pensar ‘okay, ele é um jogador melhor’ , mas se ganhar será algo muito especial para mim. Será com certeza um encontro difícil, mas vou jogá-lo como se fosse realmente uma final.

Ken Doherty na mesa (Fonte: World Snooker)

O Ken é um dos três jogadores irlandeses profissionais de snooker. As pessoas reconhecem-no facilmente no seu país? Existe uma grande paixão pelo snooker na Irlanda?

KD: Em 1997 eles reconheciam-me, mas agora vinte anos depois, não tenho a certeza que isso seja assim. Ranelagh, na Irlanda, é uma pequena localidade e sinto-me um sortudo por viver lá. A Irlanda é um lindo país, as pessoas são fantásticas, elas não me deixam sentir o melhor do mundo, mas se for abaixo elas colocam-me novamente de volta com os pés na Terra.

Ao mesmo tempo que isso acontece, elas vêm ter comigo e dizem ‘Lembro-me onde estava quando o vi sagrar-se campeão do mundo’ ou ‘Lembro-me onde estava quando o vi falhar a bola preta para fazer uma entrada de 147 pontos na final’, e na verdade nunca sei muito bem o que dizer quando elas me abordam a falar sobre isso. Há muitas pessoas que ainda se lembram desse Campeonato do Mundo, não tanto os mais novos mas sim as pessoas mais velhas.

É um grande fã do Manchester United, e do José Mourinho e Cristiano Ronaldo também, espero. Pensa que seria importante para os clubes, não só em Inglaterra mas em geral, associarem-se ao snooker? Quão importante seria criar um género de Liga dos Campeões do snooker?

KD: Penso que isso seria uma excelente ideia, eles têm neste momento um género de Championship League como no passado.

Eu amo o Manchester United, vi o Cristiano Ronaldo correr o flanco do estádio Old Trafford de cima abaixo, e ele é uma das melhores visões que já vi em qualquer desporto e quando o vi jogar no United foi incrível. Espero que ele volte ao Manchester United depois de deixar o Real Madrid, penso que isso seja possível, mas não sei o que irá acontecer. Acho que ele é um grande embaixador de Portugal, e o facto de Portugal se ter sagrado campeão europeu foi excelente para ele e para o vosso país.

Sobre a criação da Liga dos Campeões, gostaria de ver algo desse género, não só em Inglaterra mas por toda a Europa, a ser jogada em diferentes cidades do continente, isso seria realmente algo muito especial.

Ken Doherty analisando o jogo (Fonte: World Snooker)

Falando um pouco do Manchester United, eles venceram a Liga Europa a época passada e irão jogar a SuperTaça Europeia dentro de alguns minutos. Quais são as suas expetativas para esta temporada no que toca ao Manchester United?

KD: Acho que o Mourinho não fez um trabalho brilhante na temporada passada, ele não fez um bom trabalho na liga inglesa, no entanto ter ganho a Liga Europa e com isso ter oportunidade de jogar a Liga dos Campeões esta temporada será fantástico. Ele fez grandes contratações para o plantel, tais como o Matic, Pogba a época passada, Lukaku e Lindelof. Eles não são tão bons jogadores como ter o Ronaldo numa ala e o Bale na outra, mas penso que isso será o suficiente para lutarmos pelo título.

Não esteve presente no Lisbon Open 2014, aqui em Portugal. Que opiniões ouviu sobre esse torneio e o que pensa sobre a possibilidade real de haver um major no próximo ano em Portugal?

KD: Penso que isso é uma notícia fantástica, Lisboa é uma cidade linda e estou triste por não ter estado presente essa última vez lá, mas desejo sinceramente que eles tragam de volta o snooker a Lisboa. É muito bom espalhar este desporto por todo lado, o snooker é uma modalidade jogada em todo mundo, por isso quanto mais países jogarem snooker, melhor será para a modalidade e a sua própria popularidade.

Desejo mesmo que o snooker esteja de regresso a Portugal, porque de todas as vezes que estive em Lisboa foi sempre muito bom. É uma cidade espectacular, um lugar muito histórico e cultural. Espero sinceramente que a World Snooker consiga um bom acordo com as entidades locais e traga de volta o snooker a Portugal.

Fair Play agradece ao Ken Doherty, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo da entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso a este grande profissional. Um agradecimento especial ao Vasco Simões, que em representação do Eurosport Portugal, tornou possível esta entrevista.

Ken Doherty no Estádio Old Trafford (Fonte: Twitter Ken Doherty)

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

To keep update with everything about Ken Doherty follow him on Twitter

Ken Doherty, 47 years, professional snooker player. World Champion in 1997, surprised everyone beating Stephen Hendry in the final, at Crucible Theatre. He is a Manchester United fan and gave an exclusive interview to Fair Play, where talks about the past and the present of snooker, among other things.

You are a professional snooker player since 1990. Did you notice some differences between then and now in the way snooker is played?

KD: I don’t see any difference at the top of the game. I think the main difference it’s down to the top 32, the standard snooker as we knew increased. There’s a lot more tournaments, a lot more century breaks. As a player, I played against the best ever, like Steve Davis (he is still playing snooker), Jimmy White and Stephen Hendry, of course.

Then appeared the young golds in the 90’s like John Higgins, Ronnie O’Sullivan and Mark Williams who, as you know, are still around. The snooker is now a level up, not only in the top 16, but in the bottom rankings and that’s a big difference.

In the past you look at the draw and you thought about the next rounds, not the first ones. But now you have to think since your first match because every match is tough match.

How incredible for you was winning Stephen Hendry in that mythic final of the World Championship in 1997? Was your victory a big surprise in that time?

KD: I think my victory was a big surprise, because Stephen Hendry was coming from Six World Championship titles in a row. And I was an outsider as I wasn’t playing very good by that time. I had Mark Davis in the first round, and I was thinking, he was my final basically, if I can win the first round, it can guarantee me the presence in the top-16. When I won that match and I ensure my top-16 spot, I thought ‘let’s see what’s going to happen now’, that was really my approach to the 1997 World Championship.

In the next rounds I beat Steve Davis, John Higgins, Alain Robidoux and of course Stephen, in the final. I saw a grow up of confidence in that tournament, but the funniest thing is that I was more afraid to play against Mark Davis in the first round than I was to play against Stephen Hendry in the final, and it can sound strange to hear it but it’s truth.

I won four matches before that final, I was feeling confident, I beat Stephen Hendry in other matches before it, not in finals, so it’s strange but I really was more afraid about my first round than about final.

Ken Doherty in action (Source: World Snooker)

You were present in the Riga Masters semi-final and you qualified for the next majors, so can we assume that it has been a big season until now? Was the 2-year card tour a kind of magic power you received that day in the Crucible Theatre?

KD: I wish it was a kind of power with it and if it was truth, I wish received it some years ago. I think to get the wild card for two years, I found the focus and the attitude that I need for this two more years as professional, I’m going to work a lot harder and give one hundred percent to the game and after these two years or then if I don’t feel it, I will say ‘very well, I give up’.

At the moment it’s all being okay, but it’s still the early days. To be in semi-final in Riga was great, it brought me good memories of the World Championship final. I’m giving everything to the game, I won every qualifying games until now, It’s early in the season and I don’t want to get carried away, my confidence is up, my game is now where I wanted to be!

The next tournament you will play is China Championship, what are your expectations for it?  Will we see a big Ken Doherty against “The Magician” Shaun Murphy in the first round?

KD: I’m not looking any effort against Shaun in the first round. I played other times against Shaun Murphy before, he is well established, a world champion, one of the best players in the world and one of the best with the cue in action. My approach for that match it would be like a final, I just want to play my best and perform well, giving one hundred percent, fighting like a tiger and see what happens. If I lose, I will think ‘okay, he is a better player’ and if I win it will be very special for me. It will be a very tough match, but I’m going to play like it was a final.

Ken Doherty on the table (Source: World Snooker)

You are one of the three actual Irish professional snooker players. Do people recognize you easily in your country? Is there a big passion of snooker in Ireland?

KD: In 1997 they did, but now 20 years later I’m not so sure about it. Ranelagh, in Ireland, is a very small place and I’m very lucky to live there. Ireland is a beautiful country, people are fantastic, they don’t let you feel very big, and if you go down that path they will put you back on earth.

But at the same time, they come to me and say ‘I remember what I was when I saw you being World Champion’ or ‘I remember where I was when you missed the black pot for the 147 break in the final’ and I never know what to say when they come to me talking about it. A lot of people mind it, not so much the kids but the older ones yes.

You are a big fan of Manchester United, and of Jose Mourinho and Cristiano Ronaldo too, I hope. So do you think it would be important that the clubs, not only in England but in general, associate to snooker? How important would it be to create a kind of snooker Champions League?

KD: I think it’s a good idea, they have a kind of Championship League now like in the past.

I love Manchester United, I saw Ronaldo run up and down the wing in Old Trafford, and he was one of the greatest sights I had ever seen in any sport and when I saw him playing in United was incredible. I hope he comes back to Manchester United after he leaves Real Madrid, I think it’s possible, but I don’t know what’s going to happen. I think he is a big ambassador for Portugal too, and Portugal being European Champion was great for him and for your country.

About Champions League I would like to see some kind of it, just not in England but around Europe, playing in different cities of the continent, it would be very special.

Ken Doherty analyzing the game (Source: World Snooker)

Speaking of Manchester United, they won the Europa League last season and they will play European Super Cup in minutes. What are your expectations for this season concerning Manchester United?

KD: I think Mourinho wasn’t top brilliant last season, he wasn’t good in the league but won Europa League and to be able to play on Champions League this season is going to be fantastic. He made great additions to the squad, like Matic, Pogba last year, Lukaku and Lindelof. They are not so good as having Ronaldo in a wing and Bale in the other but I think it will be enough to challenge the league.

You weren’t present in Lisbon Open 2014, here in Portugal. What opinions did you hear about that tournament and what do you think about the possibility of having a major next year in Portugal?

KD: I think it’s fantastic, it’s a beautiful city and I’m sorry I missed last time there but definitely I hope they will come back to Lisbon. I think it’s great to spread this sport, snooker is a world game, so the more countries play snooker, it will be better for the sport in that country and the popularity of it.

I really hope it comes a reality that snooker will come back to Portugal. Every time I was in Lisbon was always very good. It’s a great city, very historic and cultural place. I hope that World Snooker can get a good deal with them and bring back snooker to Portugal.

Fair Play thanks Ken Doherty, for the availability and sympathy shown throughout the interview process. Wishing all the best and greatest success to this big professional. A special thanks to Vasco Simões, who represented Eurosport Portugal and made this interview possible.

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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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