23 Nov, 2017

Xavier Oliveira, Author at Fair Play

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Xavier OliveiraNovembro 19, 20175min0

Disputou-se durante a semana inteira em Shanghai, na China, um dos maiores torneios de snooker disputados em terras asiáticas. Para não variar do que tem acontecido ultimamente nos torneios disputados, Ronnie O’Sullivan esteve insuperável e deixou a concorrência toda pelo caminho para “cilindrar” Trump na final.

A hegemonia dos favoritos

Ao contrário do que tem sido habitual nos últimos torneios disputados esta época, nas primeiras duas rondas do Shanghai Masters não houve queda de nenhum dos favoritos à vitória final. Apenas Ding Junhui preteriu da oportunidade de jogar o torneio, sendo que Bingham também perdeu a oportunidade de jogar na China mas este por estar afastado durante três meses por suspeita de apostas na modalidade.

O’Sullivan, Selby, Higgins e Trump, que partiam como grandes favoritos à vitória chegaram assim à terceira ronda com mais ou menos dificuldade, dependendo dos casos. Ronda essa onde ambos os quatro jogadores iriam ter adversários difíceis pela frente, com destaque para o embate entre dois campeões do mundo, Selby e Mark Williams.

Luca Brecel em ação no Shanghai Masters (Fonte: Facebook World Snooker)

Selby fora, rivais dentro

Na terceira ronda, Selby acabou por cair aos pés de Mark Williams, perdendo por 5-3 e deixando assim caminho aberto para os três rivais ainda em prova. O’Sullivan venceu sem apelo nem agravo para contentamento dos seus fãs, despachando Hawkins por 5-0. Trump não ficou atrás do compatriota e eliminou o sempre complicado escocês Stephen Maguire, também por 5-0. Já John Higgins não teve tarefa tão fácil frente ao homem da casa, Liang Wenbo, mas confirmou a sua passagem à ronda seguinte com uma vitória por 5-2.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Luca Brecel vs Judd Trump, John Higgins vs Martin Gould, Ronnie O’Sullivan vs Mark Williams e Jack Lisowski vs Kurt Maflin. No primeiro destes encontros e num duelo entre duas estrelas da nova geração do snooker, Trump mostrou-se imparável vencendo o belga por 5-0! Higgins puxou de toda a sua sabedoria e experiência para deixar pelo caminho o inglês Gould por 5-1, marcando encontro com o seu eterno rival na meia-final.

Eterno rival esse de seu nome Ronnie O’Sullivan que frente ao galês Mark Williams venceu por 5-1, provando assim ao mundo do snooker que a forma que tem mostrado ultimamente não é fruto do acaso. Quem aproveitou para marcar presença na meia-final, e certamente não contaria com isso foi Jack Lisowski que deixou pelo caminho Kurt Maflin, ganhando por 5-3.

Selby no encontro frente a Mark Williams (Fonte: Facebook World Snooker)

Dois encontros, duas gerações

Na primeira das duas meias-finais, o histórico de confrontos entre Lisowski e Trump era surpreendentemente favorável ao menor dos favoritos do encontro, com Lisowski a levar uma vantagem de quatro vitórias contra três de Trump. No encontro das gerações mais novas presente na meia-final, foi o mais favorito a sair vencedor, com Trump a impor o seu jogo e carimbar a vitória por 6-3.

A outra meia-final foi entre dois eternos rivais e conhecidos dos panos verdes, sendo que aqui o histórico de confrontos estava também equilibrado, com 27 vitórias para o escocês e 33 para Ronnie. Se já recentemente O’Sullivan tinha batido Higgins, esta meia-final não foi excepção. Ronnie bateu o escocês por uns esclarecedores 6-2. para marcar presença na final frente a Judd Trump.

Higgins pensativo na meia-final do torneio (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de sentido único

A final entre Ronnie O’Sullivan e Judd Trump, foi o 21º encontro entre ambos. Até então a contenda não poderia estar mais equilibrada, tendo-se registado 10 vitórias para cada lado.

A primeira sessão foi de apenas um sentido, com Ronnie a mostrar-se a um nível elevadíssimo deixando parte do “problema” resolvido ao intervalo, onde levava uma vantagem de 7-2 sobre o compatriota. E se a primeira sessão tinha sido só de Ronnie, a segunda não foi diferente, com este a terminar de forma categórica a final, selando a vitória em 10-3. Foi sem deixar margem para dúvidas que O’Sullivan venceu este Shanghai Masters, mostrando uma frieza e um calculismo “assustadoramente bons”.

Com esta vitória O’Sullivan subiu três posições no ‘ranking’ mundial, figurando agora como nº 4, ainda algo longe daquele que foi o seu lugar durante muitos anos, o topo da hierarquia. Trump com a presença na final acabou por subir um lugar no ‘ranking’, figurando agora como segundo da hierarquia mundial.

O habitual cumprimento antes do início da final (Fonte: Facebook World Snooker)

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Xavier OliveiraSetembro 24, 20176min0

Ding Junhui venceu e convenceu, de que maneira, no World Open, numa final onde frente ao “The Warrior” Kyren Wilson, mostrou-se ao seu melhor nível frente ao seu público. Público esse que ficou ao rubro com esta vitória clara de Ding na final e que mostra que ao contrário daquilo que se pensava há duas épocas atrás, o chinês está bem e recomenda-se.

As “inevitáveis” surpresas

Já começa a ser um hábito as surpresas nas rondas iniciais dos torneios esta época e consequentemente os respectivos vencedores dos torneios, excepção feita ao Indian Open onde John Higgins acabou por triunfar no início deste mês.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender por Lee Walker, acabando eliminado com o resultado a fixar-se em 5-2. Não fez melhor o galês Michael White, campeão do Paul Hunter Classic desta época, tendo este caído logo na ronda de apuramento, num encontro onde saiu derrotado por Ma Chunmao. Nos homens da casa, o segundo favorito de entre os chineses, Liang Wenbo, também ficou pelo caminho cedo ao sair derrotado frente ao seu compatriota Li Hang por 5-4.

A segunda ronda também trouxe algumas surpresas, com a queda de Stuart Bingham frente a Cao Yupeng, com o resultado a fixar-se em 5-4. Marco Fu também acabou por não ter melhor sorte, já que perdeu frente ao inglês e ex-campeão do mundo, Peter Ebdon, por 5-3.

Mark Allen e Neil Robertson em confronto (Fonte: Facebook World Snooker)

A queda de Higgins e o favoritismo de Ding

Olhando para o quadro após a segunda, John Higgins era a par de Ding Junhui, o maior favorito a vencer o torneio, ou não estivéssemos a falar do segundo e o quarto do ‘ranking’ mundial à data do início do World Open. Mas o escocês vacilou fortemente e acabou por cair frente ao inglês David Gilbert, perdendo por 5-2.

Dos restantes duelos, destaque para a vitória de Ding Junhui frente a Joe Perry, por uns esclarecedores 5-1, confirmando ainda mais a sua candidatura a vencedor do torneio. Outro duelo de cartaz, foi o de Mark Allen frente a Neil Robertson, tendo o primeiro saído por cima, numa vitória conquistada na “negra”.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Mark Williams vs Kyren Wilson, Mark Allen vs David Gilbert, Anthony McGill vs Luca Brecel e Li Hang vs Ding Junhui. No primeiro destes encontros, Kyren Wilson mostrou o porquê de ser considerado por muitos a próxima grande estrela do snooker mundial e venceu o veterano Mark Williams por 5-1. Mark Allen confirmou o seu favoritismo frente ao sempre difícil David Gilbert, fixando a vitória em 5-1, marcando encontro com Kyren Wilson, onde viriam a decidir a passagem à final. Já tinha mostrado todo o seu enorme potencial esta época ao vencer o China Championship e voltou a fazê-lo ao carimbar o passaporte para a meia-final. O belga, Luca Brecel conseguiu deixar pelo caminho o escocês Anthony McGill, num encontro onde saiu vitorioso por 5-4. Quem não vinha a vacilar de forma alguma era Ding Junhui que em frente ao seu público, não deixou os crédito em mãos alheias e bateu o seu compatriota Li Hang por 5-3.

Mark Williams em acção no World Open (Fonte: Facebook World Snooker)

Há quem goste de brilhar na China 

As meias-finais do World Open colocaram num dos encontros frente a frente Kyren Wilson e Mark Allen e no outro Luca Brecel e Ding Junhui. Relativamente ao primeiro encontro, o norte irlandês Mark Allen era o favorito a vencer, apesar de ter tido pela frente um Kyren Wilson que vinha a crescer de forma. Mesmo pressionado pelo facto de estar a defender os pontos relativos à vitória do Shanghai Masters de 2015, Kyren Wilson não se deixou intimidar e bateu na “negra” Mark Allen, carimbando assim passagem para a final, a terceira da sua carreira.

Na outra meia-final estava de um lado, o 4º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Ding Junhui. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 15º da hierarquia, Luca Brecel. O favoritismo esse era claro e estava do lado homem da casa, mas frente a Brecel todos os cuidados eram poucos e Ding sabia bem disso. O chinês venceu e convenceu frente ao jovem belga, vencendo por 6-4, num encontro onde mostrou a sua superioridade principalmente na primeira parte.

Mark Allen descontente no encontro frente a Kyren Wilson (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de um só sentido

A final entre Ding Junhui e Kyren Wilson, foi o sétimo encontro entre ambos. Até então, o chinês tinha vencido em quatro ocasiões contra duas do inglês, sendo que o último confronto foi na temporada passada, nos quartos de final do China Open.

diferença em termos de ‘ranking’, com Ding a figurar no 4º lugar e Wilson no 13º, acabou por de alguma forma se traduzir na mesa. Na primeira sessão, Kyren Wilson ainda conseguiu de alguma forma manter o encontro equilibrado, saindo a perder por 6-3, resultado que ainda deixava o inglês com alguma esperança nesta final. Mas a segunda sessão foi ainda mais desequilibrada, com Ding a mostrar toda a sua superioridade e resolver o assunto logo na primeira parte da segunda sessão, fechando o encontro em 10-3.

Esta é o sexto ‘major’ que Ding vence no seu país e o primeiro que vence esta temporada. De salientar que com esta vitória, o chinês sobre ao segundo lugar do ‘ranking’ mundial e aproxima-se do “eterno” nº1 Mark Selby.

Ding Junhui e Kyren Wilson na final (Fonte: Facebook World Snooker)

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Xavier OliveiraAgosto 22, 20177min0

Luca Brecel venceu e convenceu no China Championship, numa final onde frente ao “The Magician” Shaun Murphy, mostrou-se com muita maturidade para servir ele próprio um “chocolate belga” bem amargo ao inglês. Foi a primeira vez que o China Championship se jogou como um torneio a contar para o ranking. Este ‘major’ foi jogado na cidade de Guangzhou, no sul da China. Fica aqui um resumo de tudo o que se passou por terras asiáticas.

O vendaval do terceiro dia

O terceiro dia do China Championship foi produtivo no que toca a surpresas. Se nos dias anteriores, nomes como Stuart Bingham, Liang Wenbo, Anthony McGill, Neil Robertson e Mark Allen já tinham caído perante adversários teoricamente mais fracos, este dia foi aquele onde praticamente caíram todos os favoritos.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender pelo jovem da casa, Zhou Yuelong, perdendo na negra por 5-4. A este seguiu-se a queda de Barry Hawkins que frente ao compatriota Mark Davis, perdeu por 5-3. Quem entre os ingleses não fez melhor foi Judd Trump, que vacilou frente ao ex-campeão do mundo Graeme Dott onde saiu derrotado por 5-3. Continuando a falar de nomes de terras britânicas, o sempre favorito John Higgins, não se mostrou ao melhor nível frente a Tom Ford, perdendo por 5-2. Mas os jogadores do continente da casa não fizeram melhor, já que Marco Fu perdeu frente ao belga Luca Brecel por 5-2 e a maior de todas as surpresas, no que toca ao público da casa, foi a derrota de Ding Junhui que foi “atropelado” pelo escocês Alan McManus por 5-0.

Feitas as contas e no que toca aos favoritos apontados no início do torneio, sobravam os nomes de Ronnie O’Sullivan, que vinha até então a fazer um percurso mais ou menos imaculado, e Shaun Murphy. A estes juntavam-se nomes de segunda linha como os casos de Mark Williams, Ali Carter e Stephen Maguire.

O’Sullivan pensativo no seu encontro frente a David Gilbert (Fonte: Getty Images)

A confirmação do favoritismo

A terceira ronda trouxe à tona o favoritismo natural dos jogadores mais fortes. Ronnie O’Sullivan venceu e convenceu o escocês Graeme Dott por 5-0, num encontro onde este último embolsou apenas 5 (!) bolas. Mark Williams bateu Mathew Stevens por 5-3 e Ali Carter o compatriota Mark Davis por 5-1. Shaun Murphy mostrava que estava em boa forma e deixou pelo caminho o escocês Stephen Maguire por uns arrebatadores 5-0.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Zhou Yuelong vs Shaun Murphy, Ali Carter vs Fergal O’Brien, Ronnie O’Sullivan vs Luca Brecel e Li Hang vs Mark Williams. No primeiro destes encontros, Murphy não se deixou surpreender pelo jovem da casa que vinha a mostrar todo o seu grande valor nas rondas anteriores. O inglês, campeão do mundo em 2005, usou toda a sua experiência para bater o chinês por 5-2. Ali Carter carimbou também a sua passagem às meias-finais deixando pelo caminho o irlandês O’Brien, também por 5-2, marcando encontro com Murphy, onde viriam a decidir a passagem à final. A surpresa do dia estava reservada para o encontro entre o “Rocket” e Luca Brecel. O belga conseguiu deixar pelo caminho o enorme Ronnie O’Sullivan, num encontro em que esteve a perder por 4-1, ou seja a apenas um ‘frame’ de ver Ronnie se apurar para a meia-final. Mas tal não aconteceu e com duas entradas centenárias pelo meio, Brecel venceu 5-4, protagonizando a surpresa do dia. Apesar de não ter sido uma surpresa tão grande como a derrota de O’Sullivan, Li Hang deixou pelo caminho um grande nome do snooker mundial, Mark Williams, por 5-3.

Li Hang “tira as medidas” às bolas (Fonte: Getty Images)

Nem sempre é preciso jogar bem para ganhar

As meias-finais do China Championship, que colocaram num dos encontros frente a frente Ali Carter e Shaun Murphy e no outro Luca Brecel e Li Hang, não foram jogadas a um grande nível. Relativamente ao primeiro encontro, esperava-se um jogo a bom nível já que estavam dois jogadores do top-16 a defrontarem-se. Mas a verdade é que tal não aconteceu, sendo que no fim acabou por vencer Shaun Murphy por 6-4. Esperava-se mais e melhor de ambos, sendo que no final de contas o que contou foi a vitória do ex-campeão do mundo, que regressou assim à final de um major, algo que já não acontecia desde Março passado, quando venceu o Gibraltar Open.

Na outra meia-final estava de um lado, o 58º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Li Hang. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 27º da hierarquia, Luca Brecel. Nenhum dos dois era favorito a chegar à final antes do início do torneio, mas após chegarem a uma fase tão adiantada da prova, havia que dar tudo para chegar à tão desejada final, algo que seria inédito para o chinês. Com uma primeira parte de sessão favorável a Brecel, onde saiu a vencer por 3-1, este viu Li regressar mais forte depois do intervalo, para se colocar a vencer por 5-4. O belga não baixou os braços e saiu vencedor do encontro por 6-5, protagonizando mais uma reviravolta, qualificando-se assim para a sua segunda final da carreira.

Murphy pouco agradado com aquilo que via no encontro frente a Ali Carter (Fonte: Getty Images)

Uma final que mais parecia um ‘thriller’

A final entre Murphy e Brecel, foi o oitavo encontro entre ambos. Até então, o inglês tinha vencido em quatro ocasiões contra três do belga, sendo que o último confronto foi já esta temporada, na primeira ronda do Riga Masters. O campeão do mundo de 2005 era o favorito a vencer a final, mas do outro lado tinha um jovem muito forte, que já tinha deixado um aviso à navegação, com as reviravoltas protagonizadas nas rondas anteriores. Certo era que se Murphy jogasse ao seu melhor nível, Luca Brecel teria poucas hipóteses, mas por outro lado se o inglês jogasse ao nível que mostrou a época passada, poderia ter grandes dificuldades frente ao belga.

Apesar da diferença clara em termos de ‘ranking’, com Murphy a figurar no 8º lugar e Brecel no 27º, isso não se traduziu dessa forma na mesa, pelo menos na primeira sessão. Na primeira parte dessa sessão, Murphy entrou melhor e colocou-se na frente por 3-1. No entanto viu Luca Brecel voltar mais forte e dar uma cambalhota no marcador, para se colocar na frente por 5-3. E foi por muito pouco que o belga não saiu da sessão a vencer por 6-3, naquele que foi um ‘frame’ digna de um verdadeiro ‘thriller’. Após vários golpes de teatro, Murphy acabou por vencer e reduzir a desvantagem para 5-4.

No regresso à mesa para a segunda sessão, o belga continuou a mostrar muita maturidade e perdeu apenas um ‘frame’, conquistando os cinco que necessitava para fixar a vitória em 10-5. Este foi o primeiro ‘major’ vencido pelo próprio Luca Brecel, que para além disso torna-se o primeiro jogador da Europa continental, ou seja, toda a Europa excepto o Reino Unido, a vencer um ‘major’.

Foto da praxe antes do início da final (Fonte: Getty Images)

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Xavier OliveiraAgosto 13, 201718min0
Ken Doherty, 47 anos, jogador profissional de snooker. Campeão mundial em 1997, surpreendeu tudo e todos ao bater Stephen Hendry na final, no Crucible Theatre. É um fã assumido do Manchester United e deu uma entrevista em exclusivo ao Fair Play onde fala sobre o passado e o presente do snooker, entre outros temas.

Para saberem mais sobre Ken Doherty e acompanhar todas as novidades sigam-no no Twitter

O Ken é um jogador profissional desde 1990. Nota algumas diferenças desde então até agora na maneira como o snooker é jogado?

KD: Não vejo qualquer diferença no jogo ao nível dos melhores do mundo. Penso que a principal diferença está nos jogadores abaixo do top 32, o nível standard do snooker como existia antes cresceu muito. Há muito mais torneios e com isso aparecem muito mais entradas acima de cem pontos.

Como jogador, joguei frente aos melhores de sempre, como Steve Davis (ele ainda joga bom snooker), Jimmy White e Stephen Hendry, claro. Nos anos 90 apareceram os jovens dourados como os casos de John Higgins, Ronnie O’Sullivan e Mark Williams, que como se sabe ainda jogam a um excelente nível.

O snooker está agora um nível acima, não só no top 16, mas também nos jogadores mais abaixo do ranking, o que é uma grande diferença relativamente ao passado. Nessa altura olhava-se para os quadros dos torneios e pensava-se logo nas rondas seguintes, não nas primeiras. Mas agora temos de pensar desde o nosso primeiro encontro porque todos os jogos são difíceis.

Quão incrível foi vencer o Stephen Hendry naquela mítica final do Campeonato do Mundo em 1997? A sua vitória naquela altura foi uma grande surpresa?

KD: Acho que a minha vitória foi uma grande surpresa, porque o Stephen Hendry vinha de seis títulos de campeão do mundo consecutivamente. Eu era um outsider e não estava a jogar propriamente bem nessa altura. Defrontei o Mark Davis na primeira ronda, e pensei, ele é a minha final basicamente, se conseguir ganhar a primeira ronda, consigo assegurar a presença no top 16. Quando venci esse encontro e assegurei o lugar no top 16, pensei ‘vamos ver o que vai acontecer agora’, essa foi mesmo a minha abordagem ao Campeonato do Mundo de 1997.

Nas rondas seguintes venci o Steve Davis, o John Higgins, o Alain Robidoux e claro o Stephen, na final. Senti um grande crescimento da minha confiança nesse torneio, mas o mais engraçado é que estava mais preocupado com o confronto frente ao Mark Davis na primeira ronda, do que estava quando fui jogar com o Stephen Hendry na final, e isto pode parecer estanho mas é a verdade.

Venci quatro encontros antes da final, sentia-me confiante, já tinha vencido o Stephen Hendry noutras ocasiões, não em finais, portanto é estranho mas estava realmente mais preocupado com a minha primeira ronda do que com a final.

Ken Doherty em ação (Fonte: World Snooker)

Esteve presente na meia-final do Riga Masters e qualificou-se para os próximos majors, portanto podemos assumir que tem sido uma grande temporada até agora? Recebeu algum tipo de poder mágico com aquele wild card de 2 anos no Crucible Theatre?

KD: Se fosse verdade que esse ‘wild card’ tivesse trazido algum tipo de poder com ele, gostava de já o ter recebido há alguns anos. Penso que ao receber este ‘wild card’ que tem a duração de dois anos, consegui encontrar o foco e a atitude que preciso para mais estes dois anos enquanto profissional. Prometo que vou trabalhar muito e dar cem por cento pelo jogo. Depois, se já não sentir forças, irei então dizer ‘muito bem, eu desisto’.

Neste momento está tudo a correr bem, mas ainda é cedo para retirar grandes conclusões. Estar na meia-final em Riga foi excelente, e trouxe-me boas memórias daquela final do Campeonato do Mundo de 1997. Como já disse, estou a dar tudo ao snooker, consegui vencer todos os jogos das qualificações até agora, no entanto a temporada ainda agora começou e não quero perder o controlo. A minha confiança está alta, e o nível de jogo está onde sempre quis!

O próximo torneio que irá jogar é o China Championship, quais são as suas expetativas? Veremos um Ken Doherty muito forte frente ao “The Magician” Shaun Murphy na primeira ronda?

KD: Não vou fazer nenhum esforço em especial frente ao Shaun Murphy na primeira ronda. Já o defrontei em outras ocasiões antes, ele é uma pessoa estável, ex-campeão do mundo, um dos melhores jogadores do mundo e um dos melhores com o taco em acção. A minha abordagem para esse encontro será como se fosse jogar uma final, só pretendo jogar ao meu melhor nível, dar tudo o que tenho, lutar como um tigre e ver o que acontece. Se perder, irei pensar ‘okay, ele é um jogador melhor’ , mas se ganhar será algo muito especial para mim. Será com certeza um encontro difícil, mas vou jogá-lo como se fosse realmente uma final.

Ken Doherty na mesa (Fonte: World Snooker)

O Ken é um dos três jogadores irlandeses profissionais de snooker. As pessoas reconhecem-no facilmente no seu país? Existe uma grande paixão pelo snooker na Irlanda?

KD: Em 1997 eles reconheciam-me, mas agora vinte anos depois, não tenho a certeza que isso seja assim. Ranelagh, na Irlanda, é uma pequena localidade e sinto-me um sortudo por viver lá. A Irlanda é um lindo país, as pessoas são fantásticas, elas não me deixam sentir o melhor do mundo, mas se for abaixo elas colocam-me novamente de volta com os pés na Terra.

Ao mesmo tempo que isso acontece, elas vêm ter comigo e dizem ‘Lembro-me onde estava quando o vi sagrar-se campeão do mundo’ ou ‘Lembro-me onde estava quando o vi falhar a bola preta para fazer uma entrada de 147 pontos na final’, e na verdade nunca sei muito bem o que dizer quando elas me abordam a falar sobre isso. Há muitas pessoas que ainda se lembram desse Campeonato do Mundo, não tanto os mais novos mas sim as pessoas mais velhas.

É um grande fã do Manchester United, e do José Mourinho e Cristiano Ronaldo também, espero. Pensa que seria importante para os clubes, não só em Inglaterra mas em geral, associarem-se ao snooker? Quão importante seria criar um género de Liga dos Campeões do snooker?

KD: Penso que isso seria uma excelente ideia, eles têm neste momento um género de Championship League como no passado.

Eu amo o Manchester United, vi o Cristiano Ronaldo correr o flanco do estádio Old Trafford de cima abaixo, e ele é uma das melhores visões que já vi em qualquer desporto e quando o vi jogar no United foi incrível. Espero que ele volte ao Manchester United depois de deixar o Real Madrid, penso que isso seja possível, mas não sei o que irá acontecer. Acho que ele é um grande embaixador de Portugal, e o facto de Portugal se ter sagrado campeão europeu foi excelente para ele e para o vosso país.

Sobre a criação da Liga dos Campeões, gostaria de ver algo desse género, não só em Inglaterra mas por toda a Europa, a ser jogada em diferentes cidades do continente, isso seria realmente algo muito especial.

Ken Doherty analisando o jogo (Fonte: World Snooker)

Falando um pouco do Manchester United, eles venceram a Liga Europa a época passada e irão jogar a SuperTaça Europeia dentro de alguns minutos. Quais são as suas expetativas para esta temporada no que toca ao Manchester United?

KD: Acho que o Mourinho não fez um trabalho brilhante na temporada passada, ele não fez um bom trabalho na liga inglesa, no entanto ter ganho a Liga Europa e com isso ter oportunidade de jogar a Liga dos Campeões esta temporada será fantástico. Ele fez grandes contratações para o plantel, tais como o Matic, Pogba a época passada, Lukaku e Lindelof. Eles não são tão bons jogadores como ter o Ronaldo numa ala e o Bale na outra, mas penso que isso será o suficiente para lutarmos pelo título.

Não esteve presente no Lisbon Open 2014, aqui em Portugal. Que opiniões ouviu sobre esse torneio e o que pensa sobre a possibilidade real de haver um major no próximo ano em Portugal?

KD: Penso que isso é uma notícia fantástica, Lisboa é uma cidade linda e estou triste por não ter estado presente essa última vez lá, mas desejo sinceramente que eles tragam de volta o snooker a Lisboa. É muito bom espalhar este desporto por todo lado, o snooker é uma modalidade jogada em todo mundo, por isso quanto mais países jogarem snooker, melhor será para a modalidade e a sua própria popularidade.

Desejo mesmo que o snooker esteja de regresso a Portugal, porque de todas as vezes que estive em Lisboa foi sempre muito bom. É uma cidade espectacular, um lugar muito histórico e cultural. Espero sinceramente que a World Snooker consiga um bom acordo com as entidades locais e traga de volta o snooker a Portugal.

Fair Play agradece ao Ken Doherty, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo da entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso a este grande profissional. Um agradecimento especial ao Vasco Simões, que em representação do Eurosport Portugal, tornou possível esta entrevista.

Ken Doherty no Estádio Old Trafford (Fonte: Twitter Ken Doherty)

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

To keep update with everything about Ken Doherty follow him on Twitter

Ken Doherty, 47 years, professional snooker player. World Champion in 1997, surprised everyone beating Stephen Hendry in the final, at Crucible Theatre. He is a Manchester United fan and gave an exclusive interview to Fair Play, where talks about the past and the present of snooker, among other things.

You are a professional snooker player since 1990. Did you notice some differences between then and now in the way snooker is played?

KD: I don’t see any difference at the top of the game. I think the main difference it’s down to the top 32, the standard snooker as we knew increased. There’s a lot more tournaments, a lot more century breaks. As a player, I played against the best ever, like Steve Davis (he is still playing snooker), Jimmy White and Stephen Hendry, of course.

Then appeared the young golds in the 90’s like John Higgins, Ronnie O’Sullivan and Mark Williams who, as you know, are still around. The snooker is now a level up, not only in the top 16, but in the bottom rankings and that’s a big difference.

In the past you look at the draw and you thought about the next rounds, not the first ones. But now you have to think since your first match because every match is tough match.

How incredible for you was winning Stephen Hendry in that mythic final of the World Championship in 1997? Was your victory a big surprise in that time?

KD: I think my victory was a big surprise, because Stephen Hendry was coming from Six World Championship titles in a row. And I was an outsider as I wasn’t playing very good by that time. I had Mark Davis in the first round, and I was thinking, he was my final basically, if I can win the first round, it can guarantee me the presence in the top-16. When I won that match and I ensure my top-16 spot, I thought ‘let’s see what’s going to happen now’, that was really my approach to the 1997 World Championship.

In the next rounds I beat Steve Davis, John Higgins, Alain Robidoux and of course Stephen, in the final. I saw a grow up of confidence in that tournament, but the funniest thing is that I was more afraid to play against Mark Davis in the first round than I was to play against Stephen Hendry in the final, and it can sound strange to hear it but it’s truth.

I won four matches before that final, I was feeling confident, I beat Stephen Hendry in other matches before it, not in finals, so it’s strange but I really was more afraid about my first round than about final.

Ken Doherty in action (Source: World Snooker)

You were present in the Riga Masters semi-final and you qualified for the next majors, so can we assume that it has been a big season until now? Was the 2-year card tour a kind of magic power you received that day in the Crucible Theatre?

KD: I wish it was a kind of power with it and if it was truth, I wish received it some years ago. I think to get the wild card for two years, I found the focus and the attitude that I need for this two more years as professional, I’m going to work a lot harder and give one hundred percent to the game and after these two years or then if I don’t feel it, I will say ‘very well, I give up’.

At the moment it’s all being okay, but it’s still the early days. To be in semi-final in Riga was great, it brought me good memories of the World Championship final. I’m giving everything to the game, I won every qualifying games until now, It’s early in the season and I don’t want to get carried away, my confidence is up, my game is now where I wanted to be!

The next tournament you will play is China Championship, what are your expectations for it?  Will we see a big Ken Doherty against “The Magician” Shaun Murphy in the first round?

KD: I’m not looking any effort against Shaun in the first round. I played other times against Shaun Murphy before, he is well established, a world champion, one of the best players in the world and one of the best with the cue in action. My approach for that match it would be like a final, I just want to play my best and perform well, giving one hundred percent, fighting like a tiger and see what happens. If I lose, I will think ‘okay, he is a better player’ and if I win it will be very special for me. It will be a very tough match, but I’m going to play like it was a final.

Ken Doherty on the table (Source: World Snooker)

You are one of the three actual Irish professional snooker players. Do people recognize you easily in your country? Is there a big passion of snooker in Ireland?

KD: In 1997 they did, but now 20 years later I’m not so sure about it. Ranelagh, in Ireland, is a very small place and I’m very lucky to live there. Ireland is a beautiful country, people are fantastic, they don’t let you feel very big, and if you go down that path they will put you back on earth.

But at the same time, they come to me and say ‘I remember what I was when I saw you being World Champion’ or ‘I remember where I was when you missed the black pot for the 147 break in the final’ and I never know what to say when they come to me talking about it. A lot of people mind it, not so much the kids but the older ones yes.

You are a big fan of Manchester United, and of Jose Mourinho and Cristiano Ronaldo too, I hope. So do you think it would be important that the clubs, not only in England but in general, associate to snooker? How important would it be to create a kind of snooker Champions League?

KD: I think it’s a good idea, they have a kind of Championship League now like in the past.

I love Manchester United, I saw Ronaldo run up and down the wing in Old Trafford, and he was one of the greatest sights I had ever seen in any sport and when I saw him playing in United was incredible. I hope he comes back to Manchester United after he leaves Real Madrid, I think it’s possible, but I don’t know what’s going to happen. I think he is a big ambassador for Portugal too, and Portugal being European Champion was great for him and for your country.

About Champions League I would like to see some kind of it, just not in England but around Europe, playing in different cities of the continent, it would be very special.

Ken Doherty analyzing the game (Source: World Snooker)

Speaking of Manchester United, they won the Europa League last season and they will play European Super Cup in minutes. What are your expectations for this season concerning Manchester United?

KD: I think Mourinho wasn’t top brilliant last season, he wasn’t good in the league but won Europa League and to be able to play on Champions League this season is going to be fantastic. He made great additions to the squad, like Matic, Pogba last year, Lukaku and Lindelof. They are not so good as having Ronaldo in a wing and Bale in the other but I think it will be enough to challenge the league.

You weren’t present in Lisbon Open 2014, here in Portugal. What opinions did you hear about that tournament and what do you think about the possibility of having a major next year in Portugal?

KD: I think it’s fantastic, it’s a beautiful city and I’m sorry I missed last time there but definitely I hope they will come back to Lisbon. I think it’s great to spread this sport, snooker is a world game, so the more countries play snooker, it will be better for the sport in that country and the popularity of it.

I really hope it comes a reality that snooker will come back to Portugal. Every time I was in Lisbon was always very good. It’s a great city, very historic and cultural place. I hope that World Snooker can get a good deal with them and bring back snooker to Portugal.

Fair Play thanks Ken Doherty, for the availability and sympathy shown throughout the interview process. Wishing all the best and greatest success to this big professional. A special thanks to Vasco Simões, who represented Eurosport Portugal and made this interview possible.
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Xavier OliveiraMaio 28, 20175min0

Miguel Silva é o novo campeão nacional de snooker, depois de um percurso imaculado que culminou com uma vitória na final frente a Luís Alves, da Free Ball. A experiência do madeirense foi fulcral para deixar pelo caminho todos os seus adversários, naquele que foi um fim de semana com muito público e uma excelente organização.

Encontros de cartaz a abrir

Logo nos 16 avos-de-final, houve um jogo de cartaz, com Diogo Badalo e Henrique Correia a encontrarem-se nesta espécie de ronda de qualificação antes do quadro final. O mais experiente dos dois e jogador do FC Porto até entrou melhor e colocou-se na liderança por 2-0, mas acabou por ver o prodígio da Cue Action fazer a reviravolta para vencer por 3-2. Com esta vitória Diogo Badalo marcou encontro frente a António Rosas, num encontro tranquilo para o jovem lisboeta onde venceu por 3-0. No outro encontro dos 16 avos, Miguel Sancho, comentador do Eurosport e jogador do FC Porto caiu aos pés do madeirense Miguel Silva por 3-1, numa verdadeira maratona para aquela que viria a ser uma caminhada triunfal para este último.

Nos encontros dos oitavos de final, Luís Alves, sempre um favorito a vencer, deixou pelo caminho o atleta do Sporting, Sérgio Almeida, por 3-1. Pedro France, campeão nacional em 2015, deixou pelo caminho Jorge Oliveira por 3-1. Rui Santos, outro ex-campeão nacional em prova, bateu o atleta da 4Team Edgar Sampaio por 3-1. O jovem jogador do FC Porto e grande promessa do snooker nacional, Tiago Teixeira venceu de forma clara Sérgio Guiné por 3-1. João Grilo, atleta do Sporting e outro grande favorito a vencer o campeonato, não desiludiu e venceu o jovem de Coimbra, Guilherme Lemos por 3-1. O madeirense Nélio Nóbrega mostrou-se em boa forma para deixar pelo caminho o semi-finalista da época passada, Rui Florindo por 3-1. O encontro mais sonante desta ronda coube a Tiago Silva, vice campeão nacional em título e jogador da AAC, frente a Miguel Silva, atleta da AB Miguel Silva. Esperava-se um encontro equilibrado e tal acabou por acontecer. Mas infelizmente para as cores da Briosa, Tiago Silva acabou por vacilar mentalmente frente à experiência do madeirense, perdendo por 3-0.

Pespectiva de uma das mesas (Fonte: Facebook Miguel Sancho)

A experiência a falar mais alto

Se o tónico das primeiras rondas já tinha sido o da experiência ter muita importância no desfecho dos encontros, os encontros dos quartos-de-final não foram diferentes. E num encontro muito equilibrado entre Diogo Badalo e Luís Alves, acabou por ser o último a levar de vencida o campeão nacional em título por 3-2. Antevia-se equilibrado e foi isso mesmo que se passou, no encontro entre Pedro France e Rui Santos, com o atleta da K1ck, distrito de Coimbra, a vencer o campeão de 2015, marcando encontro com Luís Alves na meia-final do campeonato. João Grilo teve pela frente Nélio Nóbrega, o atleta da Madeira, com o jogador do Sporting CP a impor a sua maior experiência e qualidade e apurar-se para a ronda prévia à final, com uma vitória por 3-0. Quase se pode dizer que foi um duelo de gerações, o confronto entre o “miúdo graúdo” Tiago Teixeira e Miguel Silva. Foi um encontro em que a batalha táctica foi constante e onde a vitória acabou por cair por lado do madeirense, muito devido aos nervos de aço que Miguel Silva mostrou. Uma derrota por 3-1 de Tiago Teixeira, mas que deixa antever um futuro brilhante para o jovem do FC Porto.

Perspetiva geral do espaço da prova (Fonte: Facebook Miguel Sancho)

O coroar do “Homem de Ferro”

Se há algo que pode caracterizar Miguel Silva, é alguém que demonstra uma calma e uma serenidade enorme, mesmo sob enorme pressão. Os encontros até à meia-final não tinham sido nada fáceis para o madeirense e neste encontro não teve maior facilidade. João Grilo esteve a vencer por 2-0, a três bolas de selar o triunfo por 3-0, acabou por falhar e ver o seu adversário “reerguer das cinzas” para vencer por 3-2. Uma vitória da categoria e da excelência, daquele que é o verdadeiro “Ronaldo do Snooker”. Na outra meia-final, Luís Alves, em representação da comitiva nortenha tinha pela frente o representante conimbricense ainda em prova, Rui Santos. O jovem atleta da zona do Porto venceu por 3-1, marcando presença na final frente ao mais temível de todos os jogadores até então.

E a verdade é que o embalo que Miguel Silva trazia das rondas anteriores foi fulcral para sagrar-se campeão nacional, batendo por 3-0 na final Luís Alves. Esta foi a terceira final perdida pelo atleta da Free Ball, naquele que foi o somar de mais um título ao vastíssimo palmarés do madeirense. E por toda a categoria, experiência e nervos de aço que demonstrou durante o fim-de-semana, não há melhor apelido encontrado pelo Fair Play, do que apelidar Miguel Silva de “Homem de Ferro”.

Os dois finalistas, Luis Alves e Miguel Silva (Fonte: Jornal A Bola)

A excelente organização

Uma palavra de agradecimento e de parabéns para toda a organização deste fim-de-semana de snooker, onde se incluem atletas, dirigentes federativos, árbitros, espectadores, que entre todos sem excepção, mostraram que o snooker está bem e recomenda-se em Portugal.

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Xavier OliveiraMaio 21, 20176min0

O FC Porto revalidou o título de campeão nacional de snooker por equipas, tornando-se assim bicampeão nesta vertente. Derrotou na final a Académica de Coimbra por 3-1, num encontro onde o frame de pares acabou por ser decisivo. Esta mesma equipa acabou também por vencer a Taça de Portugal, fazendo assim a dobradinha.

A supremacia dos “dragões” e da Briosa

O campeonato nacional e a Taça de Portugal por equipas realizou-se este fim-de-semana no Fórum Viseu. Foi sem aparente grande dificuldade que a equipa do FC Porto chegou à final, onde alinharam Pedro France, campeão nacional snooker em 2015, Nuno Santos, comentador Eurosport de snooker e vencedor da Taça de Portugal em 2016, Tiago Teixeira, jovem promessa do snooker nacional e Henrique Correia, um dos jogadores nacionais com créditos mais firmados do bilhar em Portugal. Começaram por derrotar a equipa oriunda de Lisboa, Cue Action 2, por 3-1 marcando assim presença na meia-final frente à outra equipa da Cue Action, desta feita a equipa principal. Nas meias-finais repetiram a dose da ronda anterior e venceram também por 3-1, garantindo vaga na final.

Já a equipa da AAC, que alinhou à partida para o campeonato com Tiago Silva, vice campeão nacional de snooker e finalista da Taça de Portugal em 2016, Bruno Sousa, jogador com muitas credenciais no panorama bilharista nacional, Ricardo Salgado, presidente da Federação Portuguesa de Bilhar e Pedro Neves. Tiveram pela frente nos quartos-de-final uma formação que tão bem conhecem, a K1ck, de Cantanhede, distrito de Coimbra. Com Rui Santos como grande estrela da equipa K1ck, não conseguiram fazer frente a uma poderosa Académica, saindo derrotados por 3-0. Nas meias-finais, a AAC derrotou a equipa nortenha da Free Ball, que em abril passado deu uma entrevista exclusiva ao Fair Play, por 3-1.

Cue Action 1 vs FC Porto (Fonte: Facebook Nelson Batista)

A final que muitos antecipavam

Esta foi uma final que de alguma forma se antevia nos bastidores do snooker nacional, já que pela supremacia que mostraram nas fases regionais era de antever que ambas as equipas atingissem a final do campeonato nacional. Final essa que começou com o encontro entre Bruno Sousa e Henrique Correia, e que foi discutido praticamente até à última bola, tendo a experiência do jogador azul e branco vindo ao de cima para colocar o FC Porto na frente por 1-0. No frame seguinte Tiago Silva da AAC venceu Nuno Santos, fixando o resultado em 1-1. O jogo de pares como seria de esperar foi decisivo, sendo que tal acabou mesmo por se verificar. Nuno Santos e Henrique Correia mostraram toda a sua experiência, acabando por cometer menos erros que a dupla da Briosa, composta por Tiago Silva e Bruno Sousa, para vencer e se colocarem na frente do marcador por 2-1. No quatro frame, o FC Porto embalado pela vitória no encontro de pares venceu esse mesmo frame para selar a vitória por 3-1, revalidando o título de campeão nacional por equipas.

Equipa da Académica de Coimbra e Académica C (Fonte: Facebook Tiago Silva)

A festa da taça

Os quartos-de-final da taça, tiveram o seguinte alinhamento: Leixões SC vs Free Ball; Cue Action 1 vs Cue Action 2; Académica C vs Académica de Coimbra; CB Coimbra 1 vs FC Porto. No primeiro encontro desta ronda, a equipa da Free Ball acabou por bater na “negra” a  formação de Matosinhos, por 3-2, num duelo que se antevia renhido face aos encontros entre ambas as equipas na fase regional. Num encontro de duas formações que tão bem se conhecem, a equipa principal da Cue Action bateu a equipa B por 3-1, marcando encontro com a Free Ball nas meias-finais. Os outros encontros acabaram por ter a confirmação do favoritismo natural de FC Porto e AAC, que venceram os respectivos adversários por 3-0. Destaque aqui para o encontro da AAC, onde Tiago Silva venceu o seu respectivo frame num tempo fantástico de apenas 7 minutos!

No encontro das meias-finais entre Free Ball e Cue Action 1, a equipa oriunda da zona do Porto acabou por vencer por 3-1. Já na outra meia-final houve uma reedição da final do dia anterior, com a vitória a sorrir novamente à equipa portista. Após uma vitória para cada lado nos dois primeiros frames, a dupla portista acabou por vencer no jogo de pares para se colocar na liderança por 2-1. No quarto frame, e com uma vantagem de 60 pontos, Henrique Correia viu Bruno Sousa dar a volta ao marcador e oferecer o empate à equipa de Coimbra. No frame decisivo Tiago Silva e Nuno Santos protagonizaram uma excelente partida, com o encontro a decidir-se na bola preta, tendo este frame acabado por cair para o lado de Nuno Santos, que carimbou a vitória do Porto por 3-2.

A final teve novamente a confirmação do favoritismo incontestável do FC Porto, que frente à academia Free Ball, vencendo por 3-0. Com esta vitória na taça e juntando a vitória do campeonato nacional de ontem, com a vitória da supertaça do início da época, a equipa azul e branca consegue o pleno em termos de equipas.

Equipa do FC Porto com o troféu de vencedores (Fonte: Facebook Miguel Sancho)

A fase individual está ao “virar da esquina”

Se a fase final por equipas teve encontros muito interessantes e renhidos, não se espera outra coisa da fase final individual. Esta fase final vai contar com 18 jogadores a disputar o campeonato nacional e 16 a jogar a Taça de Portugal. Esta fase final irá jogar-se entre os dias 25 e 28 de maio, também no Fórum Viseu. O quadro da fase final do campeonato nacional segue abaixo.

Quadro fase final individual (Fonte: FP Bilhar)

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Xavier OliveiraMaio 2, 201713min0

Com o término do mundial, importa fazer um balanço não só daquilo tudo o que se passou em Sheffield, destacando o melhor e o pior, mas também antever e prognosticar um pouco do que se irá passar já na próxima época. A nova temporada começa já no final do próximo mês de junho e por isso não há tempo a perder no que toca a preparar os torneios que se avizinham.

Anthony McGill: O escocês marcou presença pelo terceiro ano consecutivo no mundial em Sheffield. Mas a competição acabou por não correr bem, já que ficou pela primeira ronda onde perdeu frente a um soberbo Stephen Maguire, num ano que tinha pontos a defender relativos aos quartos-de-final alcançados em 2015. Com este resultado cai para fora do top-16, não começando da melhor maneira a nova época que aí se avizinha.

Barry Hearn: O homem forte da World Snooker merece o destaque neste mundial, não só por mais uma vez ter organizado um mundial de excelência mas também pelo facto de ter oferecido um ‘tour card’ válido por 2 anos a dois dos grandes nomes do passado da modalidade, Jimmy White e Ken Doherty. Ambos tinham perdido o direito de competir na próxima época mas tal não vai acontecer, e bem, com Barry Hearn e a World Snooker a lembrarem-se destes dois veteranos dos panos verdes.

Centenárias: Foram 72 centenárias, ou entradas superiores a 100 pontos, feitas este mundial. Encabeçadas por um dos maiores nomes do snooker, Ronnie “The Rocket” O’Sullivan que só não fez uma tacada máxima por achar as 17 mil libras oferecidas por tal feito um valor muito baixo, tendo por isso feito “apenas” uma entrada de 146 pontos.

Decepções: Mais do que decepções acabaram por ser a confirmação de épocas longe do seu melhor. São os casos de Shaun Murphy e Neil Robertson, dois ex-campeões do mundo que não foram além da segunda ronda, tendo perdido para Marco Fu e O’Sullivan, respectivamente. Quem acabou por falhar, mas aqui de forma mais escandalosa, foram Mark Williams e Joe Perry que nem sequer se conseguiram apurar para este mundial.

Eurosport: Uma palavra de apreço para esta estação televisiva que mais uma vez nos brindou de forma espantosa com as transmissões deste mundial, onde os comentários de Nuno Miguel Santos e Miguel Sancho foram uma vez mais a cereja no topo do bolo. De destacar ainda as “aulas” de O’Sullivan que através do Eurosport Player explicou como mais ninguém algumas jogadas que houveram no Crucible.

Marco Fu: Era apontado por vários especialistas da modalidade, inclusive o vice-campeão nacional de snooker Tiago Silva, que em entrevista ao Fair Play, confidenciou que achava que o asiático iria ser a surpresa deste mundial e o apontava como candidato à vitória. A verdade é que tal não aconteceu, sendo que Fu deu bem conta de si e teve o azar de apanhar um Mark Selby intransponível nos quartos-de-final, onde acabou por perder por 13-3 e ficar arredado da vitória.

Marco Fu no encontro frente a Luca Brecel (Foto: Facebook World Snooker)

Gary Wilson: Qualificou-se para o mundial como poucos provavelmente esperariam, mas mais do que isso conseguiu a proeza de fazer uma entrada de 147 pontos nas qualificações. No mundial acabou por cair aos pés de O’Sullivan, tendo ainda dado algum trabalho ao compatriota, já que perdeu por 10-7.

Barry Hawkins: Tal como o Fair Play já tinha dito na sua antevisão a este mundial, é sempre difícil saber o que esperar de Hawkins e a verdade é que este tornou a não ser o ano da “águia” do circuito. Conseguiu uma excelente prestação ao atingir as meias-finais, mas acabou por vacilar frente a John Higgins, perdendo por 17-8, num encontro que esteve longe de ser bem jogado de parte a parte.

Império do Snooker: O império do snooker é inevitavelmente dependente do dinheiro. Um jogador por conseguir estar presente no mundial, mesmo que oriundo das qualificações, arrecada qualquer coisa como 16.000 libras, algo que para muitos jogadores que jogam as qualificações é mais do que conseguem ganhar em toda uma época. Quem consegue o feito de alcançar a final recebe a “módica quantia” de 160.000 libras, sendo que o vencedor recebe “apenas” 375.000 libras!

Ding Junhui: O chinês que arrasta multidões no seu país natal e que vai coleccionando fãs por onde passa, esteve mais uma vez perto de fazer história. Não chegou à final como no ano passado, onde perdeu para Selby, mas ficou-se pelas meias-finais numa reedição dessa mesma. Ding perdeu por 17-15 para o inglês, mas deliciou todos os amantes da modalidade com um snooker de alto nível e a certeza que nos próximos será ele a erguer o tão desejado troféu.

Kyren Wilson: É apontado por O’Sullivan como uma das próximas estrelas do snooker mundial e a verdade é que tem tudo para o ser. Termina a época no top-16 e caiu apenas nos quartos-de-final do mundial para John Higgins. Vai cimentando a sua posição dentro do circuito e criando o estatuto para numa das edições futuras do mundial ser um dos candidatos maiores a brilhar mais alto em Sheffield.

Liang Wenbo: O “mais latino” de todos os chineses do circuito profissional ficou pela segunda ronda frente ao seu compatriota e amigo Ding Junhui. Foi na “negra” que tudo ficou decidido, num encontro em que as emoções estiveram à flor da pele, quer em Sheffield quer em qualquer outra parte do mundo, mas principalmente na China onde milhões de pessoas acompanharam esse encontro.

Liang Wenbo em acção no mundial (Foto: Facebook World Snooker)

Stephen Maguire: Ganhou o ‘boost’ que precisava nas qualificações e mostrou ao mundo o seu melhor snooker. “Atropelou” na primeira ronda McGill por 10-2, “passeou” frente a McLeod na segunda ronda e caiu apenas aos pés de Barry Hawkins nos quartos-de-final por 13-9, tendo dado muita luta ao inglês. Foi bom ver o escocês a brilhar novamente nos grandes palcos, numa fase da carreira onde os bons resultados não têm acontecido com frequência.

Noppon Saengkham: Esteve em Sheffield a representar todo um país com tradição no snooker, a Tailândia. Não foi muito feliz com o sorteio, já que logo na primeira ronda teve pela frente o australiano, campeão do mundo em 2010, Neil Robertson. Ainda assim merece uma nota destaque não só pela sua qualificação para o mundial, mas acima de tudo por ao conseguir tal feito ter garantido o passaporte para o circuito profissional na próxima época, ao terminar no top-64.

Ronnie O’Sullivan: Dispensa qualquer tipo de apresentação, não fosse ele um dos maiores embaixadores do snooker por todo o mundo. Este mundial falhou novamente o objectivo de alcançar o seu sexto título mundial, algo que já procura desde 2013. Protagonizou um dos momentos mais altos do torneio ao fazer uma tacada de 146 pontos, que só não foi de 147 por “birra”. Ficou pelo caminho frente a Ding Junhui, por 13-10, onde no final do encontro houve um cumprimento pleno de desportivismo e amizade, que tanto honra o snooker.

O’Sullivan e o sentido abraço a Ding Junhui (Foto: Facebook World Snooker)

Portugal: Novamente este cantinho à beira mar plantado mereceu honras de destaque em Sheffield, já que Portugal está numa ‘short list’ onde se incluem a Bélgica e Malta para a realização do European Masters de 2018, torneio que se realizou na Roménia a época passada. É preciso “mexer os cordelinhos” e angariar patrocínios necessários para trazer novamente os magos do taco a terras lusas, depois de estes terem cá estado em 2014, no Lisbon Open.

Quarenta: São quarenta anos de mundial no Crucible. Desde 1977 que lá se realiza o mundial e mais 10 anos virão com o contrato a ser assinado ao vivo e a cores entre Barry Hearn e a Senhota Denise Fox, a ‘mayor’ de Sheffield. Está por isso garantido a continuação desta prova no Crucible pelo menos até 2027.

Rory McLeod: O inglês, nascido na Jamaica, protagonizou a maior surpresa no mundial deste ano. Deixou pelo caminho um dos maiores favoritos à vitória do mundial deste ano, Judd Trump, por 10-8. Dificilmente haveria alguém no mundo do snooker que acreditasse ser possível tal façanha por parte deste, mas a verdade é que tal aconteceu. Jogasse sempre aquilo que mostrou frente a Trump e certamente estaria uns bons lugares acima no ‘ranking’.

Mark Selby: Tinha pela frente a difícil tarefa de revalidar o título de campeão mundial, para juntar-se ao restrito lote de três jogadores (Steve Davis, Stephen Hendry e Ronnie O’Sullivan) de vencer dois anos consecutivos no Crucible. Um a um, foi “tombando” os seus adversários ronda após ronda neste mundial, para na final bater um dos seus maiores adversários da modalidade, John Higgins. Na final chegou a estar a perder por 10-4, mas reergueu-se como só os grandes campeões o fazem, acabando por vencer por 18-15. Foi uma final com todos os ingredientes à mistura com Selby a subir ao lugar mais alto do pódio, pela terceira vez em quatro anos consecutivos.

Judd Trump: Foi provavelmente a maior desilusão deste mundial, já que foi eliminado logo na primeira ronda frente ao ‘underdog’ Rory McLeod. Era apontado por muitos como o maior candidato a vencer o mundial juntamente com Selby. No entanto o inglês falhou e a entrevista dada em exclusivo ao Fair Play, em Sheffield, dava conta de um Trump com o ego muito em cima e a “atacar” sem razão jogadores como Mark Williams e Ronnie O’Sullivan. Passa assim mais um ano sem que Trump consiga vencer o mundial e tal não irá se suceder até que Trump tenha a maturidade suficiente para conseguir tal feito.

Alexander Ursenbacher: O jovem luso-descendente não conseguiu a qualificação para o mundial, por pouco, já que perdeu apenas na última ronda da qualificação frente ao jovem chinês Yan Bingtao. Mas do que mostrou nas qualificações, importa salientar o facto deste suíço ter sido campeão europeu sub-21 este ano e com isso garantir um lugar no circuito profissional nas próximas duas épocas.

Hossein Vafaei Ayouri: O iraniano caiu apenas aos pés do experiente Tom Ford, na última ronda das qualificações. Este excelente resultado, que lhe permitiu amealhar algum ‘prize money’ interessante para o ‘ranking’, aliado à excelente época que protagonizou permitiu que o asiático garantisse um lugar no top-64 e a consequente permanência no circuito profissional na próxima época.

John “Wizard of Wishaw” Higgins: Só perdeu frente aquele que é o homem do momento, e que tem dominado a modalidade nos últimos anos, Mark Selby. Na maioria dos encontros jogou sempre um snooker de alto nível, tendo estado com uma vantagem de 10-4 na final, onde acabou por perder por 18-15. Ainda assim merece uma enorme salva de palmas porque no alto dos seus 41 anos ainda tem qualidade de sobra para vencer o mundial, algo que já fez por quatro vezes. Higgins está como o “Vinho do Porto”, quanto mais velho melhor!

Foto da praxe antes do inicio da grande final (Foto: Facebook World Snooker)

Xiao Guodong: Outro dos chineses em prova que fez boa figura, já que na primeira ronda deixou um dos cabeças de série pelo caminho, Ryan Day neste caso. Já na segunda ronda foi outro dos jogadores que caiu aos pés de Selby, num encontro em que as hipóteses de Xiao Guodong eram algo diminutas.

Yan Bingtao: Mais do que uma surpresa, uma confirmação. Este “jovem do milénio” como foi apelidado pelo ‘speaker’ do Crucible, Rob Walker, mostra que tem tudo para vir a ser um grande nome do snooker num futuro próximo e quem sabe chegar ao nível do seu compatriota, Ding Junhui. Não conseguiu ir além da primeira ronda, tendo sido eliminado por Shaun Murphy, sendo que ainda deu uma excelente réplica ao inglês.

Zhou Yuelong: Mais um jovem oriundo do país da “muralha”, a China. Com apenas 19 anos conseguiu fazer a sua estreia no mundial este ano e já ocupa o 32º lugar do ‘ranking’ neste momento. Na primeira ronda calhou-lhe em sorte o seu compatriota Ding Junhui, com a vitória a cair para o lado do mais experiente dos chineses por 10-5. É juntamente com Yan Bingtao, a maior promessa do snooker da China, dando assim garantias para um futuro risonho daquele país.

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Xavier OliveiraAbril 26, 20179min2

Free Ball – Academia de Snooker, um excelente espaço ligado ao snooker na zona do Porto. Este local destaca-se pela elevada qualidade que apresenta, com três mesas de snooker de excelência, torna-se assim bastante diferenciador daquilo que demais existia na região. O Fair Play esteve à conversa com Ricardo Couto, um dos fundadores e também gerente da Free Ball.

fpA zona do Porto e arredores tem um historial forte ao nível do bilhar. Foi por isso que decidiram abrir este espaço? Sentia que era necessário algo deste género que ligasse ainda mais esta região ao bilhar e especialmente ao snooker?

FB. Acima de tudo este espaço surgiu da paixão que eu (Ricardo Couto) e o meu pai (António Couto) sentimos pelo snooker. Queríamos criar um espaço exclusivamente dedicado ao snooker, que proporcionasse condições de nível profissional a atletas de todos os níveis e idades. Deixa-nos muito felizes poder contribuir para tal, aumentando a ligação da região ao snooker e por termos tido a oportunidade de aqui construir a maior academia de snooker do país.

fpA afluência à Free Ball tem estado dentro das expectativas? Como tem sido a afluência desde a abertura do espaço?

FB. Até agora tem cumprido com as expectativas. O snooker é um desporto em desenvolvimento em Portugal, pelo que ainda há muito pouco conhecimento da modalidade. Por isso, o primeiro passo está a ser dado no sentido de sermos mais um meio de divulgação deste desporto, incentivando as pessoas que não o conhecem a experimentar.

fpQual é a sua opinião em relação ao crescimento do bilhar/pool e do snooker em Portugal nos últimos anos? A presença do Diogo Badalo e do Tiago Teixeira no Europeu de snooker de 2016 nos escalões mais jovens podem ser um bom prenúncio para ter um português no circuito profissional a médio/longo prazo?

FB. Sem dúvida que é muito positivo termos jovens atletas a competir a um nível bastante elevado. É um bom começo, que deve ser acompanhado de um apoio constante a estes e outros atletas, quer a nível de condições de treino, que ao nível de competição e formação. O talento de ambos é evidente e por isso merecem o apoio de todas as entidades ligadas ao snooker.

Perspetiva geral da Free Ball (Fonte: Ricardo Couto)

fpO que o levou a si a apaixonar-se por uma modalidade como o snooker, visto que só de alguns anos a esta parte se tem verificado um crescimento significativo em Portugal?

FB. O meu pai jogava frequentemente pool, e eu comecei a jogar com ele. Já tínhamos um gosto enorme pelo pool quando vimos pela primeira vez snooker na televisão, há cerca de 10 anos atrás, e foi quando o “bichinho” despertou. A partir daí, sempre que podíamos jogávamos snooker, por ser para nós um desporto mais difícil, tático e interessante. O snooker tem ainda a aliciante de ser um desporto jogado num ambiente de extremo cavalheirismo, desportivismo e fair play, o que nos atraiu ainda mais para esta modalidade.

fpO snooker como inúmeras modalidades em Portugal não tem a mesma expressão que o futebol. Tendo em conta este facto, o que pensa que poderia ser feito para alterar o rumo dos acontecimentos? E inclusive para tornar finalmente a modalidade uma disciplina olímpica?

FB. Na minha opinião, se temos atletas de elite em modalidades como o hóquei em patins, triplo salto, judo, todos desportos com uma expressão menor do que o futebol, porque não o podemos conseguir no snooker? Quem sabe se um dia não teremos um Campeão Europeu de Snooker, e esse será o incentivo que o snooker necessita? São desafios que todas as entidades ligadas ao snooker têm que unir esforços para os superar, apoiando-se mutuamente, e apoiando todos os espaços e atividades que promovam a modalidade.

fpComo apaixonado do snooker que é, o que tem a dizer às pessoas que acham a modalidade algo parada e desinteressante? O que lhes diria para as convencer a acompanhar a modalidade com regularidade?

FB. Dir-lhes-ia para experimentar! Aqui na Free Ball organizamos regularmente Workshops de Iniciação ao snooker, onde damos a conhecer este desporto a pessoas que nunca tiveram contato com ele. O feedback que temos tido é muito positivo, por isso acreditamos que esta é a melhor maneira de despertar o “bichinho” no público que desconhece a modalidade.

fpO vosso atleta Luís Alves já teve oportunidade de jogar o Lisbon Open em 2014 e inclusive defrontar um jogador irlandês que agora é profissional, Josh Boileau, que recordações guarda ele desse encontro e torneio?

FB. Segundo o próprio: “A participação no Lisbon Open acabou por ser uma grande oportunidade para defrontar um excelente jogador, que acabaria no ano seguinte por se tornar profissional. O objetivo nunca foi ganhar esse jogo, dado que claramente o adversário era de um nível bem superior, mas sim aproveitar ao máximo para aprender e vivenciar um verdadeiro ambiente de snooker. Aconselho a todos a participação nesse tipo de eventos, pois só competindo com os melhores é que se evolui.”

fpQuais são as reais expectativas depositadas para a fase final do campeonato nacional, nos atletas que praticam regularmente na Free Ball, o Luís Alves, como atleta da casa e o Tiago Teixeira, como atleta do FC Porto?

FB. Tanto o Luís como o Tiago tiveram prestações muito consistentes durante a 1ª fase do circuito. São atletas de elite a nível nacional, e por isso muito nos orgulha que façam parte da família Free Ball. Há atletas muito fortes nas outras regiões, mas acredito que se mantiverem o nível de jogo que têm vindo a demonstrar, tanto um como outro têm condições para chegar à final. Quem sabe até um deles ser campeão nacional! Deixou-nos também bastante orgulhosos que a nossa equipa, da qual faz parte o Luís e o Humberto Barbosa, se apurou invicta para a fase final, pelo que temos também grandes esperanças para esta prova.

Humberto Barbosa (esquerda) e Luís Alves (direita), ambos jogadores da Free Ball (Fonte: Ricardo Couto)

fpAo nível do circuito profissional esta época está mesmo a terminar, quem na sua opinião esteve em melhor forma esta época? Por outro lado, quem foram as maiores desilusões?

FB. Para mim, o jogador em melhor forma é Mark Selby. Não podemos ignorar o facto de se encontrar desde Fevereiro de 2015 como nº 1 do mundo, e gostamos particularmente da sua postura no snooker. Por outro lado, Ricky Walden começou o ano no top-10, mas não tem conseguido obter resultados ao nível do ano passado.

fpO mundial está a decorrer, e como todos os amantes do snooker, tem de certeza um favorito à vitória. Quem para si e depois de vários jogos já disputados, quem está em melhores condições para erguer o troféu no final?

FB. O último jogo do “Rocket” contra Shaun Murphy convenceu-me. Espero que volte a ser o ano do Ronnie e que ele possa ser o vencedor deste mundial.

fpFaça um apelo para as pessoas se deslocarem à Free Ball, e assim poderem perceber toda o esplendor que existe no snooker e ficarem a conhecer as magníficas instalações deste espaço.

FB. Fazemos tudo para que a Free Ball seja um espaço de eleição para praticantes de todos os níveis e idades. Desde os curiosos que estão a dar os seus primeiros passos no snooker, aos melhores jogadores do país, queremos que todos se sintam bem-vindos e desfrutem de equipamento de qualidade profissional. Visitem a nossa página de facebook, o nosso website, vejam fotos do espaço e contactem-nos. Os apaixonados pelo snooker vão aqui encontrar uma segunda casa!

O Fair Play agradece ao Ricardo Couto, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo de pré e pós entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso também à Free Ball e a todos os atletas e praticantes do clube.

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Xavier OliveiraAbril 16, 20179min0

Tiago Silva, vice-campeão nacional e da Taça de Portugal de snooker em título. O Fair Play esteve à conversa com aquele que é indiscutivelmente um dos maiores talentos dos panos verdes em Portugal. É ainda co-proprietário de um espaço excelente em São João da Madeira, onde é possível jogar snooker ao mais alto nível e com uma qualidade digna de profissionais. Não perca por isso mais uma excelente entrevista do Fair Play. 

fp. Quando estive à conversa consigo há cerca de um ano, era atleta da Sanjoanense. Esta época alinha por um dos clubes mais acarinhados em Portugal, a Académica de Coimbra, conte um pouco como se deu essa mudança.

TS. O convite da AAC surgiu após ter sido vice-campeão nacional. A Académica como clube todos os anos tenta criar equipas competitivas nas diversas modalidades que incorporam o clube e foi essa ideia para esta época na secção de bilhar, daí ter surgido a minha contratação.

fp. Atendendo à maior dimensão da Académica, sente uma pressão maior quando vai jogar os torneios?

TS. Os objectivos são os mesmos de sempre, que é ganhar os open’s em que participo. Sinto sim uma maior pressão na hora de jogar pelo facto de terem acreditado no meu valor e me terem contratado. Essa pressão é criada por mim próprio, já que a equipa em si é muito competitiva, existindo um grande espírito de camaradagem entre todos. Eu pessoalmente quero obter sempre os melhores resultados possíveis para ter sempre o nome da Académica associado a bons resultados.

Tiago Silva com o seu companheiro de equipa Pedro Neves (Fonte: Facebook Pedro Neves)

fp. Como é que está a correr a aventura por terras conimbricenses, quer em termos de equipas quer em termos individuais?

TS. Por equipas não poderíamos estar melhor, sendo que todos os jogos que eu disputei ganhamos todos, contabilizando apenas uma derrota na primeira jornada frente à equipa B, na qual eu não participei. Tive oportunidade de jogar com o Pedro Neves e um dos melhores jogadores do pool nacional, o Bruno Sousa, fazendo sempre uma excelente parelha com qualquer um dos dois e excelentes breaks nos jogos disputados em pares. Em termos individuais, tive um excelente arranque de época onde venci 3 open’s consecutivamente e um quarto onde fui finalista. Quase coloquei a presença na fase final nacional em causa com um boicote que fiz ao quinto open, como forma de protesto devido a algumas falhas existentes no sistema. Mas no fundo o mais importante foi conseguido, que é o meu apuramento para a fase final individual.

fp. Em Junho do ano passado perdeu duas finais em apenas um fim-de-semana, foi difícil digerir essas derrotas? Olhando agora para trás, o que é que faltou naquela altura para o desfecho ter sido diferente?

TS. Na altura não me abri com muita gente sobre o assunto, mas penso que os moldes de competição não contemplaram o cenário de que um jogador se poderia apurar nas duas frentes (Campeonato Nacional e Taça de Portugal). Devido a isso houve uma má gestão dos horários por parte da federação, onde dei por mim a jogar várias horas de forma ininterrupta, inclusive as duas finais, com várias rondas a serem disputadas durante a tarde e a final do campeonato a ser apenas concluída na madrugada de domingo para segunda. Esse foi para mim o principal factor para ter falhado a vitória na final do campeonato nacional. Na Taça de Portugal joguei com um Nuno Santos muito forte, sendo que não esperava chegar a essa final e principalmente disputá-la apenas na tarde de domingo, onde joguei outras rondas do campeonato, o que também não ajudou nada para vencer esse encontro da taça.

fp. E para esta época quais são os objectivos para a fase final tanto a nível individual como por equipas?

TS. Eu gostava de este ano terminar o que deixei por fazer o ano passado, ou seja vencer o Campeonato Nacional individual pela primeira vez. Após perder duas finais num fim-de-semana quase acabei por me sentir um “Jimmy White português”, algo que eu apelidei a mim próprio. Nunca disputei uma fase final por equipas, e por isso quero muito ajudar a AAC a ser campeã nacional, fazendo valer o valor que depositaram em mim. Somos claramente uma das equipas favoritas a vencer a fase final, a par de outros conjuntos fortes que lá vão estar presentes.

fp. Explique aos nossos leitores como é que alguém como o Tiago, conseguiu atingir o nível técnico a que está no snooker sem nunca ter sido treinado por alguém.

TS. Eu penso que seja o facto de ser perseverante e ser um autodidacta, sendo que o sou desde que me conheço em várias áreas da minha vida. Desde uma leitura exaustiva de livros à visualização de muitos vídeos e também o facto de ter uma boa capacidade e facilidade em treinar sozinho, algo que para a maioria dos jogadores é extremamente difícil, são para mim os principais factores que determinaram a minha escalada no snooker, fazendo com que a minha evolução seja constante.

Tiago Silva a festejar a vitória do 3º Open individual (Fonte: Tiago Silva)

fp. Em Fevereiro passado, no decorrer do 5º Open individual de snooker, recorreu à rede social Facebook para tecer duras críticas à forma como alguns atletas não estavam a lidar da forma mais profissional com a modalidade. O que é que se passou efectivamente para que tal tenha acontecido?

TS. Na minha opinião quando as pessoas se inscrevem num campeonato federado, os atletas têm de encarar a competição com compromisso e profissionalismo. Esses jogadores têm de entender que existem casas que investiram muito dinheiro para poder ter mesas de snooker disponíveis ao púbico e à competição, em vez de usarem esse dinheiro para outro tipo de entretenimento que poderiam ocupar nesse mesmo espaço. Daí a minha revolta aquando dessa publicação no Facebook, muito por culpa da falta de responsabilidade desses jogadores.

fp. O mundial está aí ao virar da esquina, e como todos os amantes do snooker, tem de certeza um favorito à vitória. Quem para si está na “pole position” para erguer o troféu no final?

TS. Eu arrisco em dizer o Marco Fu. Atendendo à consistência que mostrou durante a época e pela calma que demonstra em competição, é ele a minha aposta para vencer o mundial deste ano. Mesmo não tendo vencido vários torneios em que participou, penso que por aquilo que fez esta temporada é um espelho daquilo que pode fazer em Sheffield.

fp. Já lá vai mais de um ano desde a abertura da British Avenue, qual é o balanço que faz desde a abertura do espaço?

TS. Como qualquer projecto, é algo evolutivo, vai conquistando clientes mês a mês. O snooker continua em grande destaque desde a abertura da casa, sendo que temos alguns projectos em mente para fomentar a modalidade. O próprio espaço físico já sofreu remodelações, menos de um ano depois da sua inauguração, tendo agora também um espaço de bar.

British Avenue em São João da Madeira (Fonte: Facebook British Avenue)

fp. Em jeito de finalização faça um apelo para as pessoas se deslocarem à British Avenue durante o mundial, e não só, para conhecer mais de perto a realidade de uma mesa de snooker e experimentarem todas as outras actividades disponíveis no espaço.

TS. Como um dos gestores da casa, faço o apelo às pessoas para virem cá acompanhar o mundial de snooker. Estando aqui presentes podem inclusive esclarecer algumas dúvidas que possam surgir ao ver alguma jogada na televisão e com isso ter a oportunidade de eu próprio explicar como se sucedeu essa tacada, exemplificando na mesa que cá dispomos. Ao mesmo tempo e aproveitando a vinda desses clientes aqui, podem também experimentar os nossos simuladores automóveis de última geração.

O Fair Play agradece ao Tiago Silva, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo de pré e pós entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso à British Avenue, e ao Tiago Silva como um dos responsáveis do espaço, e também como atleta de snooker.


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