23 Out, 2017

Rui Mesquita, Author at Fair Play

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Rui MesquitaOutubro 14, 20175min0

O jovem Varela chega, aos 22 anos, ao sonho de jogar pelo Benfica. Tudo parecia bem encaminhado para o salto do guardião português, até que... 8 jogos e 8 golos depois, Varela foi relegado para suplente e há quem já fale na sua saída. Uma ascensão e queda em menos de dois meses numa casa simpática para os guarda-redes que lá passaram.

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Rui MesquitaJulho 15, 20175min0

Depois da conquista do tetracampeonato, Rui Vitória prometeu mudanças. Mudanças táticas e na forma de jogar. O mister encarnado anunciou surpresas para atacar o Penta, mas o que podemos esperar do Benfica? Uma revolução total ou apenas alguns ajustes no que vimos na época transata?

Manobra defensiva

Na última época o clue da Luz foi a defesa menos batida da Liga NOS mas, apesar disso, na Champions o registo defensivo foi assustador. 14 golos sofridos em 8 jogos demonstraram algumas das fragilidades dos encarnados na hora de defender.

Com a saída de Lindelof, Rui Vitória será forçado a mexer na forma como a equipa defende. Perdendo o central mais móvel do plantel, o confronto com avançados rápidos será ainda mais complicado. Com uma dupla Luisão-Jardel espera-se uma linha mais recuada, não permitindo muitas bolas nas costas destes trintões. A saída de Ederson, capaz de defender impecavelmente a profundidade, aponta, também ela, para essa adaptação.

Lindelof foi um dos esteios da defesa encarnada (Foto: The Sun)

A pressão ofensiva do tetracampeão foi uma das armas da época passada. Nesta época, com Jimenez a ganhar mais minutos, esta pressão à saída da construção adversária será ainda mais acutilante. Essa abordagem não será, apesar dos seus bons resultados, usada contra adversários mais fortes. Aí, principalmente na Liga dos Campeões, Rui Vitória não deverá arriscar nesse sufoco ao oponente, mas sim num posicionamento de expetativa, evitando surpresas.

No que ao meio-campo diz respeito, a história complica-se. O sistema do Benfica sempre evidenciou deficiências contra equipas fortes neste setor. Apenas com dois médios, os encarnados perdem demasiados duelos na zona crítica do jogo. Para solucionar este problema, Vitória pode acrescentar um médio ou tornar um dos extremos num apoio defensivo no “miolo” do terreno. Não acreditamos, porém, que as mudanças cheguem tão longe. E, com isso, as limitações manter-se-ão.

A construção

A construção será outro dos momentos em que se sentirá a falta de Lindelof. O sueco era o central com melhor qualidade de passe, essencial para a saída a 3 de Rui Vitória.

O mister encarnado explorou, na época passada, sair com Pizzi no meio dos centrais mas acabou com mais problemas do que soluções. Baixar Pizzi deixa muito espaço entre essa linha e a linha da decisão. Por seu turno, abdicar de Fejsa para ganhar um médio mais criativo não será opção. E, por fim, encostar Pizzi na ala para ele construir com outro “número 8” também não (já que dos 8 reforços anunciados nenhum serve esse intuito).

Pizzi foi e será o motor dos encarnados (Foto: Jornal I)

A solução mais provável para Rui Vitória passa por Jonas. O brasileiro pode baixar para ser o terceiro médio que o treinador e Pizzi precisam. As “tabelas” entre Jonas e o transmontano podem, também elas, baixar para construir com critério e perigo. Quando faltar Jonas (na gestão de esforço que o próprio Rui Vitória já falou), Krovinovic parece encaixar perfeitamente neste modelo. O croata é um “número 10” talentoso, ideal para a construção encarnada, trabalhando com Pizzi.

O ataque

As diferenças no ataque serão, forçosamente, decorrentes das mudanças na construção. Porém, se Rui Vitória falou em alterações, também falou na diversidade do ataque encarnado. 72 golos na Liga NOS espelham a facilidade do clube da Luz em fazer golos.

As alterações que Rui Vitória pode introduzir são naturais com a maior presença dos habituais titulares. Mais Jonas a aparecer em todo o lado, mais Fesja para libertar Pizzi e os laterais, etc.

Nas laterais surgem, ainda assim, as maiores mudanças. A saída de Nelson Semedo, anunciada esta semana, mudará a forma de atacar do Benfica. O novo lateral do Barcelona foi uma arma importante no ataque à baliza adversária. Com cruzamentos, entendimentos com Pizzi ou Salvio e incursões pela área rival, Nelson Semedo jogou e fez jogar. A alternativa será André Almeida, menos aventureiro e menos capaz ofensivamente.

Porém, na outra lateral prevê-se o regresso de Grimaldo a todo o gás. O espanhol será mais uma solução, compensando a saída de Nelson Semedo. Grimaldo cruza bem e é um perigo no carrossel encarnado comandado por Pizzi.

Grimaldo será uma arma importante do ataque da Luz (Foto: Mundo Desportivo)

Por mais adições ao “livro” do ataque da Luz, a maior de todas elas não depende de Rui Vitória. Depende sim do departamento médico do Benfica: manter Jonas sem problemas físicos. Ter o brasileiro a tempo inteiro é a grande mudança ofensiva que o tetracampeão precisa.

O sistema

No que ao sistema base com que o Benfica irá atacar o Penta diz respeito, Rui Vitória não deve mexer muito. O mister não abdicará de ter Jonas perto do ponta-de-lança mesmo que com diferentes funções. Não faltarão dois extremos a abrir nos corredores nem a dupla de médios caraterísticas do sistema encarnado.

O 4-4-2 de Rui Vitória será a regra e um 4-3-3 mais conservador a exceção em jogos que o exijam.

Na mente de Rui Vitória não está uma revolução no futebol ganhador do Benfica. Mas com as saídas que já se verificam, deixar tudo na mesma é impossível. Por isso, ao Benfica e a Rui Vitória, aplica-se uma nova máxima do desporto-rei: em equipa que ganha… mexe-se!

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Rui MesquitaJunho 24, 20175min0

Já está fechado o negócio por Ederson. O guarda-redes brasileiro ruma ao Manchester City por 40M€ e deixa um buraco de 7.32m por 2.44m na defesa do tetra que o Benfica fará na próxima época.

É certo que a saída de Ederson não será a única a tirar o sono aos benfiquistas. Lindelof também rumará a Manchester (mas para o United) e Nelson Semedo parece seguir-lhe as pisadas. Mas a do keeper parece ser a mais preocupante, tanto pelo seu papel neste último título como pela falta de alternativas.

O problema

Costuma dizer-se que contra factos não há argumentos, mas quando o assunto é Ederson Moraes os factos juntam-se aos argumentos. E todos a favor do brasileiro: o Benfica foi a defesa menos batida da Liga NOS e, com Ederson, mostrou-se quase sempre impenetrável. A calma do guarda-redes alastrou-se à equipa e aos adeptos tornando o tetra num passeio.

Mas a magia de Ederson não para nas defesas incríveis nem nas saídas milagrosas. O jogo de pés deu tranquilidade à construção encarnada e as suas reposições foram demolidoras. Com as mãos para contra-ataques rápidos e com os pés aproveitando os pontapés de baliza.

O Benfica perdeu, ainda com o mercado de transferências fechado, o Salvador de alguns momentos cruciais e uma poderosa arma. É preciso, neste longo e quente verão, compensar essa perda.

A segurança nas saídas é uma das suas armas (Foto: OJOGO)

A solução interna

A primeira alternativa é olhar para o plantel e procurar uma resposta. Júlio César é opção natural para a titularidade, mas os seus 37 anos não asseguram uma época completa. Para além disso há ainda o interesse do Flamengo que pode deixar ainda mais crítica a situação encarnada. Há ainda, do plantel campeão, Paulo Lopes, mas o português de 38 anos é e será uma terceira opção importante no balneário.

Por seu lado, na equipa B, Fábio Duarte, André Ferreira e Ivan Zoblin não parecem contar, no imediato, para o plantel principal. Por fim, no lote de emprestados, o Benfica não tem nenhum guarda-redes.

Sobra o mercado e um verão agitado para trazer alternativas a Júlio César ou até render a sua saída.

Júlio César é o sucessor natural (Foto: Divulgação)

O mercado

Mesmo antes da oficialização da venda de Ederson, já surgiam viam rumores sobre o seu sucessor. André Moreira, guarda-redes de 21 ano do Atlético de Madrid, foi a primeira e principal opção. O jovem português não foi opção na capital espanhola (0 jogos disputados) e parece ser uma certeza na Luz. Apesar de ser um guarda-redes diferente de Ederson (mais alto e não tão forte nas saídas), André Moreira está uns bons furos abaixo do “Deus” brasileiro. Para além da tenra idade, outras caraterísticas que unem os dois guardiões são a calma e a serenidade em campo. Na época passada (em Moreira de Cónegos) vimos um guarda-redes seguro e com uma enorme margem de progressão. Não é, ainda assim, uma aposta direta para o 11 encarnado, como não era Ederson quando chegou, ou Oblak antes dele.

André Moreira é internacional sub-21 por Portugal (Foto: golo.fm)

Outro dos nomes falos é o de Makaridze, o gigante georgiano do Moreirense. Com 27 anos, Makaridze junta alguma experiência com uma boa margem de progressão. À semelhança de André Moreira, o georgiano é frio e calmo entre os postes, mas limitado nas saídas. São ambos altos e fortes no controlo da área. Não é coincidência, este é o “tipo” de guarda-redes que a estrutura encarnada acredita ser o melhor para substituir Ederson. Se é impossível manter toda a qualidade do brasileiro procura-se o que de mais importante ele deu no tetra: a segurança e a frieza a proteger as redes benfiquistas.

Makaridze foi uma das surpresas da Liga NOS (Foto: Record)

Com este perfil e pelos valores em questão estas são das opções interessantes a que se junta Bruno Varela. O jovem português já passou pelo Benfica e tem mostrado o seu valor, inclusive nos sub-21 de Portugal.

Há ainda, fora da Liga NOS e das seleções nacionais, imensos jovens guarda-redes que cairiam que nem uma luva na Luz. São exemplos disso: Timo Horn (Colónia), Lovre Kalinic (Genk) e Thomas Strakosha (Lazio).

O primeiro é um alemão de 24 anos que preenche aquilo que os encarnados precisam. É um jovem com experiência e com imensa qualidade. Apesar disso os 12M€ que o alemão pode custar são um handicap considerável.

Tal como Horn também Kalinic encaixa no perfil que o Benfica parece procurar. Do alto dos seus 2.01m o croata é exímio entre os postes mas débil nas saídas. Ao contrário de Horn, o seu valor de mercado encaixa-se no que a SAD estará disposta a gastar.

Por fim, o albanês Strakosha é um keeper mais à imagem de Ederson (sem a imponência física do brasileiro). É bom nas saídas mas não tem um controlo e calma entre os postes que as opções já enunciadas oferecem.

Apesar de todas estas opções, caso o “Imperador” rume mesmo ao Brasil a baliza encarnada ressentir-se-á da falta de experiência que estas apresentam.

Neste momento, a única certeza é que seja quem for o próximo “número 1” da Luz, o buraco de 7.32m por 2.44m que Ederson deixa não será nada fácil de tapar.

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Rui MesquitaJunho 12, 20175min0

A época chegou ao fim e o Benfica sagrou-se tetracampeão pela primeira vez na sua História. E fê-lo, estatisticamente, de forma categórica: 6 pontos de vantagem sobre o 2º classificado, melhor ataque da Liga NOS (72 golos marcados), melhor defesa (18 golos sofridos) e tudo isto com uma avalanche de lesões durante toda a época.

Há que tirar o chapéu a Rui Vitória pela plasticidade tática e por manter o plantel unido durante estes dois anos. E tirar o mesmo chapéu a Luís Filipe Vieira por, com dois treinadores diferentes e saídas importantes, tornar o Benfica num clube vencedor. Nestes 4 anos o clube da Luz conquistou, a um FC Porto em decadência, a hegemonia do futebol português muito graças a estes dois homens.

E o que fazer agora?

A solução ideal é simples: não vender os melhores jogadores que a equipa tem, reforçar posições carentes de soluções e atacar o penta. Infelizmente, do ponto de vista financeiro, esta opção não se mostra possível: Ederson no Manchester City, Lindelof praticamente em Manchester mas nos Red Devils e no horizonte vê-se Rui Vitória a remendar um plantel e um modelo de jogo para lutar pelo já referido penta.

A despedida [Foto: Lusa]
 

Mas apesar da hegemonia é unânime que, apesar de ganhador, o futebol do Benfica foi pobre e mostrou-se, inúmeras vezes, sem soluções. Para além das 2 derrotas e 7 empates, o Benfica venceu 8 jogos pela margem mínima num campeonato com uma gritante discrepância entre os “grandes” e os “pequenos”.

Porém, mais do que os números, sobressaem as limitações na construção, andando Pizzi sozinho a tentar carregar os pianos da equipa. Há ainda a questão da falta de soluções ofensivas (nenhum dos 4 extremos usados se mostrou uma solução sólida ou eficaz) e ainda o peso da ausência de Jonas no 11. Sobressai a discrepância entre um futebol com Pizzi e sem ele (como ficou patente na eliminação da Taça da Liga caindo por terra o mito de o Benfica ter duas equipas altamente competitivas). Sobressai a passividade do futebol encarnado e falta de brilho que os adeptos desejam e exigem.

Partindo do princípio que Luís Filipe Vieira irá vender (para além do guarda-redes brasileiro), a solução não pode passar por voltar a remendar o plantel, o que significa limitá-lo. A solução tem que passar pela reinvenção do futebol de Rui Vitória, pela criação de uma identidade, de uma ideia e adaptar o plantel e cada jogador a essa ideia e não o contrário. Como o próprio Rui Vitória disse na sua mais recente entrevista: “Há espaço para a evolução (…) Estamos a pensar em algumas mudanças táticas e forma de jogar.”, é precisamente isso que é preciso: evolução e mudança.

O motor da mudança [Foto: Record]

A verdadeira solução

É altura de mudar de mentalidade, de passar de jogar como o plantel deixa para jogar como o treinador quer exigindo mais de cada atleta para que se encaixe na ideologia do mister. É o momento de deixar de se jogar com dois avançados porque Jonas o exige e exigir do brasileiro o que se precisa para um modelo “ideal” na cabeça de Rui Vitória, entre outros exemplos.

Rui Vitória tem que definir o que quer na construção já que deixar Pizzi sozinho não pode ser solução por esconder e desperdiçar o talento e a magia do transmontano. O timoneiro dos encarnados tem que definir o que quer de Jonas: se um terceiro médio ajudando Pizzi na construção (sempre a construção!) se um segundo avançado para marcar golos. Rui Vitória tem que definir o que quer de cada extremo: se dois desequilibradores se um médio interior (como um Pizzi de outros tempos). E Rui Vitória tem forçosamente que diversificar as soluções ofensivas dos encarnados e mostrar que é treinador para competir com os melhores (como fará na Champions).

Um génio escondido [Foto: SICNotícias]
 

Foi precisamente ao nível da construção que o futebol desta época mais pecou. Pizzi é um jogador fenomenal (o melhor do nosso campeonato a par de Jonas) mas ficar encarregue de queimar linhas sozinho é injusto para o médio e insuficiente para o futebol encarnado. E é, por isso, na construção que Rui Vitória terá que se reinventar mais para dar estabilidade e capacidade a essa fase do jogo.

A resposta ao que fazer quando se ganha tudo é essa! Melhora-se o futebol, cria-se uma identidade e faz-se tudo (direção, jogadores, adeptos) girar à volta dela, dando à Águia novos e maiores voos!

A nova pergunta que fica no ar é: será Rui Vitória capaz de o fazer? Só a próxima época e o treinador campeão poderão responder a isto, mas que está na altura de tanto Rui Vitória como o Benfica subirem ao próximo nível? Isso está!


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