21 Nov, 2017

Rafael Ribeiro, Author at Fair Play

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Rafael RibeiroAgosto 30, 20175min0

Campeão cinco vezes do Campeonato Brasileiro, com passagens bem sucedidas pelo futebol paulista e carioca, além de experiências internacionais como no Real Madrid em 2005 e, mais recentemente, no chinês Tianjin Quanjian, Vanderlei Luxemburgo estava rotulado como um técnico ultrapassado, que se sustentava por glórias e títulos passados, mas que não poderia render a frente de um grande clube pela falta de atualização de novos métodos de trabalho e de estudo.

A verdade é que recentes campanhas ruins desprestigiaram o técnico, que tenta agora se reinventar tentando levar o Sport de volta a Taça Libertadores da América. A campanha razoável do clube, até então dirigido por Ney Franco, levara o time a disputar a final da Copa do Nordeste (o time perderia a final para o Bahia), e a disputar com o Botafogo as oitavas da Copa do Brasil. Vanderlei chegou com a missão de classificar o time para as quartas de final, já com o primeiro jogo definido em 2×1 para os cariocas. Bastava uma vitória simples em casa, porém com apenas um treino no comando da equipe, que mais demonstrou raça e vontade durante os 90 minutos do que um padrão técnico do recém contratado, o empate em 1×1 deu o tom do início de sua trajetória, uma eliminação.

O foco no Brasileirão

Mesmo tendo comandado o time na eliminação pela Copa do Brasil, Luxemburgo sabia que seus resultados teriam de vir no Campeonato Brasileiro. Ainda na 4ª rodada do nacional, e com somente 4 pontos conquistados, a missão não era das fáceis, enfrentar o Avaí, fora de casa. A derrota por 1×0 só mostrou o que já era previsto: times brasileiros sem planejamento a longo prazo, e que trocam de técnicos como quem troca de chuteiras a cada vez que uma nova é lançada. Sabendo do risco, e desde então ostentando sua capacidade de comando, o técnico tratou de entender o elenco que possuía, e trabalhar em cima de suas qualidades e limitações. E foi assim que o próximo resultado deu o pontapé inicial de bons resultados ao time de Recife: 2×0 sobre o postulante ao título Flamengo.

Luxemburgo foi Campeão Carioca em 2011 com o Fla de Ronaldinho Gaúcho. Os dois tiveram problemas ao final daquele ano.

As mudanças que surtiram efeito

O Sport já chegou a alcançar a zona de classificação para a Taça Libertadores da América, e luta para voltar a esse ponto da tabela. Se individualmente falta o bom futebol de Diego Souza, Rithely e André (Ex-Sporting), coletivamente o time vem acertando. Boas atuações do elenco, chefiado por Durval e o goleiro Magrão, dão condições para o time se manter na primeira metade da tabela. O grande acerto do “professor” Vanderlei foi acertar o que ele mesmo costuma dizer em suas entrevistas: o “projeto” está acertado para o nível do elenco e para as condições técnicas de cada um. Sabendo dessas limitações, Luxa tem a cada dia ajudado o Sport em uma briga por posições não imaginadas no começo da temporada. Já o Sport, ao apostar no técnico, antes sondado por outros grandes clubes como Vasco, Palmeiras e recentemente o São Paulo, mas sem nenhuma proposta real de qualquer um desses, mostra que também quer ajudar o técnico a recuperar o prestígio nacional.

Luxemburgo em treino com André e Diego Souza; treinador tenta nova ascensão. (Foto: Rômulo Alcoforado).

A realidade e a expectativa para a sequência

A sequência de quatro jogos sem vitória (dois empates e duas derrotas) já liga o alerta. Passado o primeiro turno do campeonato, Luxemburgo terá que colocar em prática os conhecimentos que se gaba ter. Para isso, o jogo contra o Grêmio pode ser decisivo para uma retomada. Se de um lado o time gaúcho quer ganhar para se aproximar do líder Corinthians, o Sport também não quer se afastar do chamado G6 para estar entre os que disputarão vaga para competição continental. Aliado a isso, em Setembro estará de volta a Copa Sul Americana e o Sport terá vida dura contra a Ponte Preta pelas oitavas de final. Aí então poderemos ver o rendimento da equipe em duas competições simultâneas. Quando isso ocorreu neste ano, os resultados foram abaixo do esperado.

Luxemburgo tem capacidade para mostrar que pode render mais como profissional. Nenhum conhecimento se perde, assim como nenhum aprendizado se esquece, desde que exercitado. Antes parado por quase um ano, desde que saiu da China com maus resultados, Vanderlei preferiu o descanso ao desafio, o anonimato ao protagonismo, sempre dizendo que sua capacidade era suficiente. Em tempos modernos, talvez não tenha sido a melhor das decisões, mas caso sua empreitada com o Sport renda bons frutos, teremos mais uma vez que fazer uma análise produtiva sobre o embate entre medalhões como Luxa e a nova safra de técnicos brasileiros.

Luxemburgo e Zidane a beira do campo Vicente Calderon. Foto: Javier Soriano (AFP). Poderá o treinador voltar ao auge?

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Rafael RibeiroJulho 25, 20173min0

Cria das categorias de base do Corinthians, não é pela falta de laterais com bom rendimento que Guilherme Arana se destaca. A sólida campanha do jogador junto ao plantel corintiano nesse Campeonato Brasileiro de 2017 faz com que diversos grandes europeus voltem seus olhares para este jovem promissor. Acompanhe este artigo, feito em parceria com a Talent Spy, para conhecer este jogador que, em breve, poderá figurar no velho continente.

Guilherme Antonio Arana Lopes, nascido em 14 de Abril de 1997 (20 anos), está chamando a atenção por suas excelentes apresentações com o Corinthians nesse Campeonato Brasileiro. O que pode-se afirmar é que o lateral esquerdo possui um rendimento ascendente desde que se tornou profissional. A conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2015 foi o pontapé desta caminhada, que continua nos tempos atuais com o jogador sendo um dos destaques do Brasileirão, após ser eleito o melhor lateral esquerdo do Campeonato Paulista de 2017, vencido pelo próprio Corinthians.

As primeiras chances com os profissionais já tinha acontecido em 2014, quando Mano Menezes o chamou para completar o banco de reservas em jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão do ano. No ano seguinte é que, com a conquista da “Copinha” pelos juniores, ganhou novas chances na fase final do Paulista. Depois disso, uma rápida passagem por empréstimo no Atlético Paranaense até que, com a venda do lateral titular Fábio Santos ao México (hoje já jogando no Atlético-MG), retornou antecipadamente para começar sua escalada no Timão.

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Arana está longe de ser um lateral completo, ofensiva e defensivamente falando, porém pela idade é compreensível. O destaque é pela via ofensiva, característica principal e que permite ao jovem demonstrar suas principais habilidades: o um contra um, a arrancada, a boa chegada ao fundo para encontrar atacantes na grande área. O toque refinado e a visão de jogo ampliada fazem com que o jogador tenha uma boa leitura de jogo, apesar de abusar de jogadas individuais em certos momentos. Fato é que o iminente crescimento do jogador ao longo desta época tornam o jogador um dos mais visados nesta janela de transferências, mesmo que a diretoria do clube paulista diga constantemente que não vai liberá-lo tão facilmente.

BOA OPÇÃO PARA…

Sevilla – As últimas notícias dão conta de que o time espanhol pode acenar com esta contratação, que vem a calhar tanto para o time quanto para o jogador, que já disse abertamente sonhar em jogar na Europa, e que acha ter qualidades parecidas com o estilo de jogo espanhol. Os próprios jornais espanhóis já chegaram a comparar o jovem com o experiente e bem sucedido Marcelo, multi-campeão pelo Real Madrid.

Bordeaux – Especulações sobre a compra em definitivo do zagueiro Pablo pelo Corinthians fazem com que parte dos direitos econômicos do lateral Arana sejam envolvidos na negociação. O time brasileiro tenta segurar o lateral até o fim do ano, mas sabem do desejo dos franceses em contar com o futebol de Guilherme. Fato é que ele tem talento para completar a equipa francesa.

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Rafael RibeiroJunho 28, 20175min0

Palco de grandes promessas, o Campeonato Brasileiro sempre se torna garimpo de jovens que podem, a qualquer momento, despontar em seus clubes nacionais, chamarem atenção de grandes da europa e serem grandes reforços. O Fair Play seleciona três jogadores que podem fortalecer FC Porto, SL Benfica e Sporting CP.

 

O Brasileirão caminha para chegar a sua metade. Depois dos campeonatos estaduais e quase um turno completo do nacional, já pode-se ver com mais clareza quais jogadores estão se firmando como promessas que podem render grandes transferências a Europa. Se por um lado esta janela de transferências desfalca muitos times ao longo do campeonato, para os jogadores é a chance de construir uma carreira internacional. E Portugal sempre foi um destino muito bem quisto. Grandes nomes do futebol português têm sangue verde e amarelo em suas veias, como Pepe, Deco e mais recentemente David Luiz. E novos nomes podem pintar como alvos dos grandes portugueses.

 

LUAN

Posição: Avançado lateral / Avançado centro / Falso 9 / Extremo
Idade: 24 anos (27 de março de 1993)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Grêmio

 

(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

 

Luan Guilherme de Jesus Vieira, 1,80 m, destro, é o destaque do Grêmio nas últimas competições nacionais. O maior artilheiro da Arena do Grêmio, Luan se destacou em seu primeiro Brasileirão, em 2015, após completar sua formação na base do tricolor gaúcho. Foi campeão da Copa do Brasil em 2016 pelo Grêmio, e participou na conquista do Ouro Olímpico pela seleção brasileira no Rio-2016, crescendo durante a competição e se tornando titular ao longo dos jogos, com 3 gols e 2 assistências na competição, e um excelente entrosamento com Neymar.

Luan tem por características principais a velocidade e o controle da bola. Com isso, suas arrancadas podem ser decisivas para quebrar as linhas de marcação. Joga com mais destaque pelos lados do campo, principalmente o esquerdo, mas pode atuar centralizado ou como falso nove. Sua batida na bola é precisa, e tais qualidades o fazem aparecer como alvo de grandes clubes. Mesmo sondado por clubes chineses e da Premier League, Luan pode ser destaque em qualquer grande português. De nossa lista de reforços vindo do campeonato brasileiro, Luan pode despontar como o principal jogador, com mais chances de se tornar uma das maiores vendas do ano, tendo seu passe estipulado em 12 milhões de euros.

 

GUSTAVO SCARPA

Posição: Médio ofensivo / Médio centro
Idade: 23 anos (5 de janeiro de 1994)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Fluminense

 

(Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)

 

Gustavo Henrique Furtado Scarpa, 1,76 m, canhoto, é o organizador tático do meio de campo do Fluminense. Das categorias de base do Flu, Scarpa foi emprestado ao Red Bull Brasil no início de 2015, onde atuou inclusive como lateral esquerdo improvisado. Após o Paulista daquele ano, retornou ao Fluminense e teve mais chances ao longo do Brasileiro com o técnico Enderson Moreira. Foi suficiente para que se tornasse titular e um dos pilares do time. Em 2016, foi campeão da Primeira Liga e o líder em assistências no Brasileirão, com 10 passes.

Típico camisa 10, Gustavo Scarpa é um exemplo de técnica, bons passes e chute preciso. Pensa o jogo, cadencia e vê espaços onde muitos não enxergam. Com aparições na seleção brasileira sub-23 em 2015/16, e uma convocação este ano para a seleção principal por Tite, Scarpa mostra que tem potencial para galgar novos horizontes, e o futebol português seria uma ótima oportunidade. Mesmo depois de sondagens de times italianos e de ter tirado o passaporte comunitário, o Benfica inclusive já teria demonstrado interesse em contar com seu futebol.

 

ROGER GUEDES

Posição: Avançado lateral / Extremo
Idade: 20 anos (2 de outubro de 1996)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Palmeiras

 

(Foto: Cesar Greco/Estadão Conteúdo)

 

Roger Krug Guedes, 1,84 m, destro, joga pela beirada do campo, usualmente aberto pela direita, e demonstra explosão, rapidez e controle de bola necessários para criar boas chances de gol. Formado nas bases do Grêmio, teve destaque pelo catarinense Criciúma, até que o Palmeiras o contratou como promessa do futebol brasileiro. Ao lado de Gabriel Jesus e Dudu, formou o trio de ataque Campeão Brasileiro em 2016. Foi o ano em que mais atuou como profissional (34 partidas, 4 gols e 5 assistências). Em 2017, na metade do ano, já ultrapassou o número de gols do ano passado, com 6, e empatou no números de assistências, com 5.

Excelente driblador, Roger Guedes tem atualmente sido utilizado como arma surpresa ao longo da partida, principalmente após um início com baixo rendimento em 2017 (tanto dele quanto do próprio Palmeiras, reforçado e um dos candidatos a títulos no ano). O início de 2017 foi conturbado devido a problemas com o elenco palmeirense, o que deixou a situação do jogador próxima de um fim. O retorno do técnico Cuca foi bom para que Roger voltasse a ganhar novas chances, porém ele mesmo não esconde a vontade de se transferir. É cotado como uma das próximas grandes transferências do time paulista, que já recebeu contatos de times europeus e inclusive já havia recusado oferta de 8 milhões de euros do Spartak Moscow (RUS).

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Rafael RibeiroMaio 27, 20176min0

A segunda maior venda da história de um jogador brasileiro. Apenas atrás de Neymar, Vinícius Júnior se apresenta ao mundo no top 10 de jogadores mais caros do Real Madrid (em sétimo, ao lado de Ronaldo Fenômeno). Se em números ele está posicionado entre os melhores jogadores do mundo, resta saber se em campo a posição será a mesma. O que já podemos concluir sobre a recente contratação desta jóia?

Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior, ou somente Vinícius Jr. como é conhecido, nasceu em 12 de Julho de 2000, e está prestes a completar 17 anos. Aos 6, já havia sido inscrito pelo pai nas escolinhas do Flamengo, como lateral esquerdo. Aos 10, já fazia parte das categorias de base do clube. Considerado diferente dos demais garotos de sua idade, Vinícius Jr. despontava nos campeonatos da base, sendo o destaque da conquista do título do Campeonato Carioca Sub-17 em 2016, mesmo estando um ano abaixo do limite da categoria.

A ascensão no Fla e na Seleção Brasileira

Não haveria competição melhor para que ele se tornasse destaque nacional. A Copa São Paulo de Futebol Júnior, palco de grandes jóias como Lucas, Neymar e Gabriel Jesus, abrigou em 2017 mais uma promessa. Com excelentes atuações, o Flamengo já se precaveu e assinou seu primeiro contrato profissional, com multa estipulada em 30 milhões de euros, principalmente pelo seu potencial, mas também pelo assédio europeu, que crescia a cada jogo. O Barcelona chegou a enviar um olheiro, inclusive, para acompanhar a trajetória do garoto na competição.

Pela seleção brasileira, Vinícius Jr. também era figura constante. Participou ativamente das equipes sub-15 (onde conquistou o Sulamericano sub-15 sendo vice artilheiro com 6 gols) e sub-17 (onde também conquistou o Sulamericano sub-17 e, desta vez, sendo artilheiro com 7 gols e considerado o melhor jogador da competição).

Em ação pelo Brasil sub-17 (Foto: CBF/Divulgação)

A contratação pelo Real Madrid

Mesmo com o assédio do principal rival, o Real Madrid contratou o jogador por 45 milhões de euros (aproximadamente 164 milhões de reais). Neymar foi contratado pelo Barça por 88,2 milhões de euros. Lucas, pelo PSG, por 40. Vinícius Jr. fica entre estes dois jogadores na lista de mais caros da história do futebol brasileiro, porém não sabemos em que patamar ficará o futebol que irá apresentar. Isto porque até agora Vinícius Jr. praticamente tem sua carreira pautada nos jogos por categorias de base. Mesmo se destacando perante jogadores de mesma idade e até mais velhos, a aposta é realmente alta se pensarmos como o jogador irá produzir a partir de agora.

Pensando nisso é que o jogador permanece no Flamengo até 2019, podendo ir à Madrid já em Julho de 2018 caso esta seja a vontade do Real. O jogador já foi integrado ao elenco profissional do Fla e espera-se que tenha oportunidades neste campeonato brasileiro, para jogar mais e se estruturar física e psicologicamente.

Para apresentar o jogador ao torcedor madridista, o Real soltou a seguinte nota:

Vinicius de Oliveira Júnior (São Gonçalo, Rio de Janeiro, 12/07/2000) vem do Flamengo. Aos 16, o atacante brasileiro é uma das grandes promessas do futebol mundial. Este ano foi a estrela do Sul-Americano Sub-17, que venceu com o Brasil. Apesar de sua juventude, já faz parte da equipe principal do Flamengo e fez sua estreia no Campeonato Brasileiro.
Habilidoso, rápido e objetivo, Vinicius Junior se destacou nas categorias de base do Flamengo e Seleção Brasileira. Em 2015, foi campeão do Sul-Americano sub-15 na Colômbia, na qual marcou seis gols. Em março deste ano, ele repetiu o sucesso no sub-17 no Chile, onde ele também foi o melhor jogador e artilheiro (7 gols). Em 13 de maio, ele fez sua estreia profissional no Flamengo em um jogo do campeonato contra o Atlético Mineiro.

A estréia pelo profissional do Flamengo

Minutos de estréia contra o Atlético Mineiro (Gilvan de Souza/Flamengo)

Depois da contratação, o técnico Zé Ricardo se viu praticamente obrigado a considerar a hipótese de estréia do jogador. Já treinando com os profissionais, Vinícius Jr. jogou os últimos minutos da partida contra o Atlético Mineiro, válido pela 1ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2017, sendo muito aplaudido ao entrar. Com pouco tempo em campo, Vinícius não fez nada magistral, mas conseguiu superar a ansiedade da estréia. Se a estréia pode ter sido precipitada, a idéia agora é que o jogador passe a ser relacionado mais vezes, porém sendo colocado aos poucos em jogo.

De fato, não será do dia para a noite que Vinícius Jr. será protagonista no elenco profissional do Flamengo. Com jogadores de peso, o Rubro-negro já tem titulares praticamente assegurados e briga pelo título. Vale a tentativa de trabalhar o garoto, e sem precipitação colocá-los nos jogos da sequência do Brasileirão. O principal é fazer com que ele jogue sem pressão de torcida, diretoria ou mesmo da mídia. Qualquer uma dessas pode se tornar pequenos obstáculos em sua trajetória, e que convenhamos, ele deve ultrapassar, pela expectativa que se tem de seu potencial.

O futuro de Vinícius Jr. no futebol

Foco no Flamengo e preparação fora dos campos (Gilvan de Souza/Flamengo)

Que o futuro da jóia é promissor, podemos notar. O valor pelo qual foi adquirido mostra que o próprio Real Madrid acredita que ele possa ser o futuro de um time que está ganhando tudo nesta temporada, mas que deve se reformular em breve. E Vinícius cairia bem nesta característica. Porém mais do que talento, o valor da compra também revela que os merengues não quiseram dar chance aos rivais europeus, e ter que ver o jovem virar protagonista em outro clube. Já vimos que em muitos casos se paga caro por algo que não vinga, porém este não deve ser o caso, se ambos (Flamengo e Real Madrid) tratarem bem de sua evolução dentro e fora dos campos.

A precipitação que inicialmente assusta deverá ser acalmada ao longo dos jogos do campeonato brasileiro. Eles serão o termômetro do que deve ser feito no futuro da carreira do jogador. Com o Flamengo sendo um dos favoritos ao título brasileiro, é de se esperar que Vinícius Jr. apareça como um dos personagens do campeonato, mas para o bem do futebol, que seja com paciência, preparação e muito trabalho.

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Rafael RibeiroMaio 13, 20179min0

O Brasileirão 2017 começa sem grandes certezas para a maioria dos clubes. Dos grandes, poucos tiveram nos estaduais um desempenho inquestionável. Os favoritos parecem ser os mesmos do ano passado, mas isso não garante o surgimento de um inesperado desafiante. Essa é a principal virtude do Campeonato Brasileiro, sua imprevisibilidade.

Palmeiras, Flamengo e as altas expectativas

O atual campeão brasileiro se preparou fortemente para defender o título em 2017. Porém, a eliminação no Campeonato Paulista (perdeu para a Ponte Preta nas semifinais) e a instabilidade nos jogos da Libertadores fizeram com que o técnico Eduardo Baptista deixasse o cargo e o retorno de Cuca aos trabalhos deverá atrasar o Palmeiras. Para seu alento, reforços também chegaram. Felipe Melo já se mostrou o símbolo de entrega nos campos. Guerra e Borja, que formaram a dupla sensação na Libertadores 2016 pelo Atlético Nacional (Colômbia), continuam juntos dessa vez no alviverde brasileiro. William, vindo do Cruzeiro, aumenta a briga no ataque, além de Michel Bastos, que revigorou-se após desgastes no São Paulo.

Assim como no ano passado, Cuca chega ao Palmeiras com altas expectativas (Foto: Tossiro Neto / GloboEsporte)

O saldo de tudo isso ainda é um sentimento de otimismo pelo que vem a seguir. Se sobra esperança ao torcedor, também sobra desconfiança por parte dos rivais e da imprensa. Afinal, o trabalho de Cuca pode ser considerado um recomeço, uma mudança que pode custar o campeonato se as engrenagens não se encaixarem rapidamente. A verdade é que o favoritismo continua, e o clube é sem dúvidas um forte candidato ao título.

O Flamengo, campeão carioca de 2017, manteve suas bases e promete briga dura. Zé Ricardo continua no comando do time, e os principais jogadores continuam desequilibrando. Pelas laterais, Rodinei desponta e conta com a chegada do companheiro Miguel Trauco. Diego e Conca, ao voltarem de lesão, irão comandar o meio de campo, para que o recém chegado Berrió possa marcar muitos gols ao lado de Leandro Damião e Guerrero.

Diego é um dos candidatos a craque do Campeonato (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

É fato que o Brasileirão se mostra muito mais competitivo que o Campeonato Carioca, que não pode ser tomado 100% como mostra de potencial do rubro negro. Irá enfrentar desafios muito maiores, vindos de outros estados, e só assim saberá onde terá que melhorar. É importante ressaltar que a falta de critérios da CBF na construção da tabela beneficia o Fla: terá uma sequência de 11 jogos em casa e 1 fora, em dois períodos distintos de 12 rodadas ao longo do campeonato. Se souber administrar esta “vantagem”, inegavelmente o Fla estará na frente da tabela. Na teoria, é simples. Na prática, nem tanto.

Outros possíveis desafiantes ao título

Atlético Mineiro e Cruzeiro podem desafiar o poderio de Palmeiras e Flamengo. A dupla de Minas Gerais fez a final do Campeonato Mineiro e apesar do bom momento do Atlético, campeão estadual e com elenco de ponta, da queda de rendimento do Cruzeiro, após perder o título e ser eliminado da Sulamericana, ambos estão em pé de igualdade para brigar pelo título nacional ao final do ano.

Robinho é um dos destaques do Galo. (Bruno Cantini/Atlético-MG)

O técnico do Atlético Mineiro, Roger Machado, ganhou estabilidade e tirou a pressão do início da temporada ao fazer boa campanha em Minas e sagrar-se campeão. Mesmo perdendo Lucas Pratto para o São Paulo, Fred está dando conta do recado e a titularidade absoluta sempre faz dele um dos candidatos a artilharia da competição. A experiência do goleiro Victor, do volante Elias, de Robinho e Fred, aliado à juventude de Cazares e Otero são a mescla perfeita para uma campanha sólida.

Do lado do Cruzeiro, Mano Menezes começou muito bem o ano, aliando boas atuações no estadual com a sequência na Copa do Brasil e Sulamericana. Até que a final do estadual e logo em seguida a eliminação na competição continental tornaram o clima mais tenso. Nada que possa abalar o elenco em uma competição de pontos corridos e que pode trazer surpresas ao longo do ano. O Cruzeiro pode roubar a cena, e um ambiente mais tranquilo poderá mostrar isso em breve. Conta com um bom plantel liderado por Thiago Neves e Rafael Sóbis, dois jogadores acostumados com o Campeonato.

As novidades no banco

Se no ano passado, Jair Ventura e Zé Ricardo surpreenderam com o bom futebol apresentado por Botafogo e Flamengo, respectivamente, em 2017 é a vez de outros clubes se juntarem a eles na aposta em novas caras no banco de reservas.

Os treinadores da nova geração ganham espaço e terão a sua prova de fogo no equilibrado campeonato nacional. Em São Paulo, apesar de Eduardo Baptista não ter sobrevivido no Palmeiras, Corinthians e São Paulo continuam com seus treinadores de primeira viagem.

Jadson e Jô levaram o Paulistão. (Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians)

Campeão Paulista, o Corinthians apostou em Fabio Carille, treinador da sua formação e antigo assistente de Tite, após a recusa de alguns nomes mais conhecidos. Carille, após alguns questionamentos iniciais, parece ganhar a confiança da torcida e diretoria com a evolução de uma equipe que segue os ensinamentos do treinador da Seleção Brasileira. Segurança em primeiro lugar, aproximação das linhas, time compacto, valente e pronto para agredir o adversário em contra-ataques. Com essa receita, levou o Campeonato Paulista, deu confiança a jogadores que estavam em baixa e revelou jovens com potencial para o primeiro time. Chega, agora, ao Brasileiro com confiança para tentar surpreender, num ano que começou com a imprensa apontando o clube como apenas a quarta força do estado.

No São Paulo, o cenário é outro. Rogério Ceni, maior ídolo da história do clube chegou cercado de expectativas e com direito a auxiliar importado do Liverpool. Começou o ano com um time ousado e ofensivo, mas que tomava muitos gols. Mesmo assim, parecia sair da mesmice tática dos outros clubes e atraia torcedores esperançados ao estádio. Uma sequência de mal resultados, culminando numa derrota para o Palmeiras, fez Rogério buscar o equilíbrio defensivo e o time nunca mais foi o mesmo. Eliminado no Paulista, Copa do Brasil e Sulamerica em menos de um mês, elenco e treinador chegam pressionados para o Brasileirão.

Rogério Ceni começa o campeonato sob pressão (Foto: Marcos Bezzera – Futura Press)

No Vitória, Petkovic, ídolo do clube e também do Flamengo, acumulou as funções de diretor técnico e treinador. Milton Mendes, no Vasco, apesar de ter mais experiência pode ser considerado uma aposta, em sua primeira passagem por um clube do eixo Rio-SP. Jair Ventura terá seu segundo ano à frente do Botafogo, Pachequinho começa pela primeira vez um campeonato nacional no comando do Coritiba e Marcelo Cabo é a novidade na primeira divisão, com o Atlético Goianiense.

Previsões Fair Play

Rafael Ribeiro:

“Flamengo e Palmeiras são os postulantes ao título. Atletico Mineiro e Cruzeiro podem quebrar este paradigma. Sem dúvidas teremos um dos campeonatos mais equilibrados dos últimos anos, característica dó Brasileirão. A briga pelas vagas na Libertadores está acirrada, podem ser oito ao fim do campeonato. Grêmio, Santos, São Paulo, até Corinthians brigam. Da mesma maneira, pelo menos seis times brigam para continuar na Série A.”

Victor Abussafi:

“Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG brigarão até o final. O São Paulo, sem outras competições, pode ter tempo para se arrumar e brigar por Libertadores. Santos, muito forte no ano passado, deve perder jogadores importantes no meio do ano e não conseguirá mais do que o meio da tabela. Na parte de baixo é onde está a maior indefinição, mas acho que o Vasco escapa, mas o Coritiba não.”


O  Fair Play preparou uma série de artigos com curiosidades, histórias e o que esperar de um dos campeonatos mais disputados do mundo. Para saber mais:
Os maiores artilheiros do Campenato Brasileiro
Por onde andam os últimos craques do Brasileirão?
Balanço do Campeonato Brasileiro de 2016
Os melhores jogadores do Brasileirão 2016

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Rafael RibeiroMaio 10, 20171min0

O Campeonato Brasileiro de 2017 se aproxima e o Fair Play preparou uma série de artigos com curiosidades, histórias e o que esperar de um dos campeonatos mais disputados do mundo.


Para saber mais:
Por onde andam os últimos Craques do Brasileirão?
Balanço do Campeonato Brasileiro de 2016
Os melhores jogadores do Brasileirão 2016

De Washington “Coração Valente” com a melhor marca de artilharia, até ídolos que marcaram época como Careca, Edmundo e Romário, veja os 10 maiores artilheiros de uma edição do Campeonato Brasileiro, que não só marcavam mais gols como também encantavam gerações.

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Rafael RibeiroMarço 9, 201710min0

O maior clássico do Brasil e um dos maiores do mundo marcou a final do primeiro turno do Campeonato Carioca. O Fla-Flu deste domingo foi muito mais do que um simples jogo, ilustrou a evolução das equipes em começo de temporada e foi um marco no posicionamento dos clubes na luta por seus interesses. Ah! E ainda foi um jogo cheio de emoções.

O Flamengo, considerado um dos melhores elencos do Brasil, com Diego e Guerrero comandando o ataque, além das contratações de Trauco (que chamou a atenção por boas atuações pelo Universitario e pela seleção Peruana) e Berrió (colombiano com sólida participação pelo Atlético Nacional), disputa este campeonato carioca para consolidar o bom trabalho comandado por Zé Ricardo, um dos treinadores da nova geração brasileira.

O Fluminense, em plena reconstrução, antagonicamente apostando em um treinador já consagrado e conhecido da torcida tricolor, Abel Braga, inicia o ano de 2017 para encontrar a confiança e a estabilidade para a temporada que se inicia, apostando também em jovens promissores, como Gustavo Scarpa, Wellington Silva e Richarlison.

O anti-futebol

O dérbi entre Flamengo e Botafogo, já na semifnal do campeonato que detalharemos, se tornou destaque pelas confusões. Com uma greve envolvendo policiais do Rio de Janeiro, quase não havia policiamento ao redor do estádio momentos antes da partida começar. A FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) confirmou a partida, e de última hora, a guarda municipal e policiais deslocados da segurança das praias cariocas chegaram ao estádio Engenhão (chamado atualmente de Nilton Santos), mas não a tempo de conter problemas, como objetos arremessados, briga generalizada e até tiros de armas de fogo. A polícia tentou conter os torcedores com disparos de bala de borracha e gás de pimenta. Resultado: oito pessoas feridas. Uma não resistiu e faleceu no mesmo dia.

Falta de policiamento ao redor do estádio Nilton Santos (Imagem: Raphael Zarko)

“Cada cena que vejo dessa realmente dói no coração porque o futebol não tem nada a ver com isso”, disse o jogador Diego, do Flamengo. Após o jogo, a Justiça determinou em decisão liminar que os clássicos teriam torcida única na cidade do Rio, daquele que fosse o mandante do jogo, assim como já ocorre há um ano em São Paulo. Os presidentes dos clubes logo se posicionaram contrários à medida. Aqui vale o destaque para o alento que o futebol teve: os dirigentes dos clubes se uniram para que os clássicos continuassem a ter torcida mista, e envidaram esforços para tentar revogar esta decisão e colaborar com tentativa de diminuição das brigas.

O TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) acatou uma decisão de Flamengo e Fluminense jogarem com portões fechados, como forma de protesto, na futura final. Horas depois, a decisão de liberar a participação das duas torcidas foi tomada, já que a Polícia Militar do Estado se posicionou a favor da decisão. Se esta união se estendesse para várias outras questões, com certeza já teríamos indícios de um futebol melhor no país.

A Taça Guanabara

Apesar de campanhas distintas no ano anterior, o que se viu no começo da Taça Guanabara (primeiro turno do campeonato carioca) foi um domínio claro dos dois clubes perante os adversários de menor expressão. Na fase de grupos, as campanhas foram iguais: cinco jogos e cinco vitórias, 100% de aproveitamento e o passe carimbado para as semifinais. Se serve para apimentar a discussão, a única diferença é que o Fluminense nestes cinco jogos não tomou gols, e teve 14 de saldo, enquanto o Flamengo sofreu dois gols (em um tranquilo 4 a 1 contra o Boavista, e na vitória contra o Botafogo, fora de casa, por 2 a 1) e fez 17.

O Fla

Os jogos até a semifinal traduziram a tranquilidade demonstrada pela equipe ao longo do começo de ano. No primeiro jogo, 4 a 1 contra o Boavista, e um panorama que, como citamos acima, destacou Diego (com um gol) e Guerrero (com dois) comandando o ataque rubro-negro. O segundo jogo foi contra o Macaé, que ao final da fase de grupos teria cinco derrotas em cinco jogos, e o resultado foi um 3 a 0, com Diego marcando novamente, de pênalti. Depois, um 4 a 0 contra o Nova Iguaçu fora de casa, o clássico contra o Botafogo (com vitória por 2 a 1), marcado pelas diversas confusões fora de campo, que abordarmos anteriormente, e o jogo final contra o Madureira (4 a 0).

Guerrero disputa bola no clássico contra o Botafogo (Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo)

A semifinal (entre Flamengo e Vasco) ocorreu em Volta Redonda, cidade próxima, para abrigar torcedores de ambos os clubes, já que a liminar de torcida única só seria quebrada para a final. Menos de 7 mil pessoas compareceram, não houve incidentes com as torcidas (campanhas dos clubes pediram paz antes dos jogos) e em campo o Flamengo levou a melhor, e se classificou para a final, 1 a 0 com gol de Diego, sempre ele, de pênalti.

Faixa exibida antes da semi: “Somos rivais, não somos inimigos. #PazNoFutebol”

O Flu

A campanha sólida comandada por Abel Braga de certa forma contrariou céticos e suas más previsões. No primeiro jogo, contra o Vasco, já um clássico para colocar o tricolor carioca à prova. E o destaque foi para Sornoza. O equatoriano estreou pelo campeonato estadual sendo essencial em dois dos três gols do Flu. Vitória por 3 a 0, com gols de Wellington Silva, Marcos Júnior e Henrique Dourado. Depois, 1 a 0 contra o Resende, 3 a 0 contra a Portuguesa-RJ (detalhe para o gol de Léo, lateral que, com 21 anos, fez seu primeiro gol pelo Fluminense, e se emocionou na comemoração), e por fim 4 a 0 contra o Bangu, e 3 a 0 contra o Volta Redonda, este com a maioria do time composto por reservas, e show de Richarlison, dois gols do camisa 70.

Richarlison arrisca de longe contra o Volta Redonda (Imagem: Mailson Santana/Fluminense FC)

A semifinal, contra o Madureira, mostrou aquilo que seria o tom das comparações entre Fla e Flu na final. O empate em 0 a 0, que deu a classificação ao Flu, foi de pouco futebol do time grande. Já o Madureira criou muito, perdeu diversas chances de gol, e ficou com um gostinho de que poderia ir a final. O Flamengo se tornou favorito diante desta situação, principalmente pela boa atuação na semifinal contra o Vasco. Já o Fluminense ainda era visto com olhos de desconfiança, principalmente ao perder Gustavo Scarpa, lesionado neste jogo, mas os torcedores sabiam que, como diz a frase popular, clássico é clássico, e vice-versa.

A decisão

Como citamos anteriormente, a liminar expedida pela Justiça para determinar torcida única foi revogada, e as duas torcidas puderam comparecer ao Nilton Santos. O que eles no estádio e os telespectadores, em suas casas, não sabiam, era que o clássico traria mais tensão do que o esperado. As reviravoltas contaram com muito ataque no primeiro tempo, duas viradas, e um empate quase no final, para determinar o campeão nos penais.

Fluminense x Flamengo pela final do Taca Guanabara 2017, realizado no Estadio Nilton Santos no Rio de Janeiro. (MoWA Press)

Fluminense x Flamengo pela final do Taca Guanabara 2017, realizado no Estadio Nilton Santos no Rio de Janeiro. (MoWA Press)

O começo do jogo foi alucinante. Logo aos quatro minutos, aproveitando falta mal batida pelo Fla, Wellington Silva arrancou em contra-ataque e, cara a cara com Julio César, fez 1 a 0. A alegria durou pouco, e o Flamengo empatou aos oito, com William Arão aproveitando rebote da zaga. Ficamos sabendo, a partir dali, que o jogo deria mais dinâmico e aberto do que o esperado. A apreensão. Aos 23, depois de parada técnica, Everton aproveitou rebote de Julio César em cabeçada de Guerrero, e virou a partida (de ponta cabeça, para os que assistiam). Mas a calma que faltava ao torcedor, apareceu no time tricolor. Sornoza começou a aparecer mais para o jogo, e uma bola alçada na área flamenguista encontrou a mão de Guerrero (ou teria sido a mão de Guerrero que encontrou a bola?). Fato é que o juiz não teve dúvidas, pênalti. Henrique Dourado tratou de empatar a partida. Antes do primeiro tempo acabar, mais emoção. Não é que o Fluminense conseguiu outra virada? Sim. Passe na medida de Wellington Silva para Lucas, que desempata. 3 a 2 e, ufa, fim da primeira etapa.

A segunda etapa começou mais lenta. Pela intensidade do primeiro tempo, era de se esperar. Muitos passes laterais, alguns sem encontrar um companheiro de equipe. Mas se engana quem acha que o resultado não mudaria. Willian Arão (irritado ao sair) deu lugar à Berrió, que levou o Fla um pouco mais ao ataque. Tanto que, aos 39 minutos, Guerrero voltou a dar esperança ao torcedor rubro negro. Bela cobrança de falta, suficiente para paralisar Julio César, 3 a 3 no placar, e decisão nos pênaltis.

Nas cobranças, Réver e Rafael Vaz desperdiçaram para o Flamengo, enquanto o Fluminense não errou, e lavou a alma dos tricolores levantando a Taça Guanabara. Uma “revanche” se considerarmos que em oito decisões anteriores da taça entre Fla x Flu, em seis vezes o Flamengo foi campeão, e em duas o Fluminense levou a melhor. Agora, em três. Mesmo valendo a taça, o primeiro turno valeu para Flamengo e Fluminense aspirarem por bons resultados no futuro. Para o Flu, os jovens estão demonstrando bom futebol, e trabalhar o equilíbrio entre os setores é a tarefa de Abel. Já para o Fla, talentos individuais como Diego e Guerrero fazem a diferença. O desafio de Zé Ricardo será encaixar todos os bons nomes em uma equipe sólida. Por enquanto, ambos têm do que se animar.

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Rafael RibeiroFevereiro 18, 20178min1

Da Vila Peri para Manchester. Das categorias de base do Palmeiras para a titularidade do Manchester City. De aposta de Oswaldo de Oliveira, à alento de Pep Guardiola. Como Jesus encantou palmeirenses, brasileiros, ingleses e amantes do futebol como um todo?

Com carisma, humildade e muita bola, Gabriel Fernando de Jesus se consolida entre jovens jogadores com potencial para serem protagonistas na Europa e em suas seleções. Ainda que todos respirem fundo aguardando notícias sobre sua mais recente lesão (uma fratura no pé direito), é possível acreditar que ainda veremos muitos feitos do jogador pelo City e pelo Brasil.

O início

Na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2015, o Palmeiras e sua torcida estavam diante de uma promessa a ser consolidada, Despontava para o futebol brasileiro, o menino Jesus. 1,75m de altura, 17 anos à época, e 5 gols em 6 jogos na competição. Menos conhecido para os outros, que ainda não voltavam os olhos ao garoto da base, que tinha feito 16 gols no Campeonato Paulista sub-17 de 2013 e incríveis 37 gols em 22 jogos do Paulista sub-17 do ano seguinte, artilheiro em ambos, sendo este último número recorde da competição.

Fato é que a ascensão de Gabriel Jesus veio a calhar. No período em que brilhava pelas categorias de base, o time principal penava para se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Já em 2015, bancado pelo técnico Oswaldo de Oliveira no time principal, fez seu primeiro jogo no Campeonato Paulista, contra o Bragantino, em vitória por 1 a 0. Entrou aos 24 minutos do 2º tempo, já com a torcida gritando por seu nome.

Após boas aparições no campeonato nacional que iniciara, fez seu primeiro gol profissional pela Copa do Brasil,  numa vitória também por 1 a 0 contra o ASA de Alagoas, em 15 de julho de 2015. Copa que ganharia ao final do ano,  numa final contra o Santos de Gabriel Barbosa, o Gabigol (o Fair Play já sabia qual dos dois era o melhor), e Lucas Lima, sendo este seu primeiro título profissional. Destoando das inconstantes apresentações do Palmeiras no Brasileirão, o clube foi bem na competição que Gabriel Jesus ajudara a conquistar, com três gols e uma assistência.

Golaço de Jesus contra o Cruzeiro, nas oitavas de final da Copa do Brasil. (Fonte: Giphy)

Jesus seguia firme em sua ascensão. E o ano de 2016 foi divino, individual e coletivamente. O Palmeiras espantou a má fase, acertou em pontos importantes fora de campo, como a boa administração do Presidente e torcedor Paulo Nobre, a consolidação de uma arena que continua atraindo bons públicos (e consequentemente boa renda) e junto com um dos maiores investimentos em patrocínio do país. Dentro de campo, o camisa 33 fazia seu segundo campeonato Paulista profissional, anotando cinco gols em 12 jogos, e mesmo sem o título, os torcedores já tinham uma canção a entoar: “Glória glória aleluia, é o Gabriel Jesus!”.

O Campeonato Brasileiro

Na estreia do Brasileirão 2016, um início arrasador. Vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-PR, dois destes gols anotados por Gabriel Jesus. E aos poucos os adversários iam sofrendo na mão (ou pés) do atacante que, se não devidamente apresentado na temporada anterior, desta vez driblava desconfianças e zagueiros, corria de repórteres e marcações, e mostrava um futebol vertical, objetivo, livre de manias, mas cheio de habilidades. Outros dois jogos de destaque do Gabriel Jesus nesta campanha de título palmeirense foram na 12ª e 22ª rodadas do Brasileirão:

Contra o Figueirense, em vitória por 4 a 0, com dois gols do menino, Jesus ficou com a artilharia isolada do campeonato no momento (já com nove gols), mantendo 100% de aproveitamento do time como mandante, e deixando o time na liderança isolada do Brasileirão; e contra o Fluminense, uma vitória por 2 a 0 fora de casa. Este jogo marcou o retorno de Gabriel Jesus após o ouro olímpico, (o qual falaremos em breve). Mesmo sem marcar, foi um dos melhores em campo, em partida onde foi extremamente caçado, curiosamente saindo com sua chuteira rasgada por um carrinho adversário.

Um detalhe bastante comentado a partir de então foi que Gabriel Jesus já havia sido comprado pelo Manchester City, em 2 de Agosto, e ainda assim deu o máximo que podia em campo até o final do campeonato, não “tirou o pé” em nenhuma dividida, e mesmo sendo menos eficaz que no primeiro semestre, foi fundamental na conquista do campeonato brasileiro, terminando a competição com 12 gols.

Gabriel foi eleito o craque do Brasileirão. (Foto: Youtube)

O ouro olímpico inédito

Após dois empates em 0 a 0 nas duas primeiras rodadas da fase de grupos da competição, o sentimento não era de muito entusiasmo. Individualmente destaques em seus clubes, coletivamente o Brasil não empolgava. Precisando de um resultado positivo para avançar as quartas, o Brasil reagiu bem, e Gabriel Jesus desencantou.Aberto pela esquerda, executou tais qualidades citadas anteriormente, e guardou um gol na goleada de 4 a 0 sobre a Dinamarca, pela última rodada da fase de grupos. Voltou a brilhar já na meia final, contra Honduras, num passeio da seleção brasileira, 6 a 0, com direito a dois gols de Jesus, substituído sob aplausos por Felipe Anderson.

O segundo golo de Jesus contra Honduras (Fonte: Giphy)

Na final, contra a Alemanha, após muita aplicação tática, cobrindo espaços, tenso como os companheiros, viu o cansaço tomar conta de suas pernas na prorrogação. Sorte é que pôde comemorar a vitória nos pênaltis por 5 a 4, e colocar no peito uma medalha que, para os jogadores, foi resposta à críticas de pessimistas.

Welcome to Manchester, Gabriel Jesus!

Para completar sua escalada na carreira, Jesus escolheu o Manchester City para o próximo passo e muitos ainda analisam o que foram as primeiras apresentações de Jesus pela equipe. Nem os mais otimistas cravariam que o jogador rapidamente seria titular e goleador do time, ainda que soubessem que isso seria uma questão de tempo. Mas, quanto tempo? Exatamente 13 minutos:

21 de Janeiro – vs Tottenham – Premier League:

Entrou aos 37 minutos do 2º tempo, substituindo Sterling. Na primeira jogada, uma cabeçada muito próxima do gol. Na segunda, uma arrancada pela esquerda, recebendo um cruzamento rasteiro, e o gol. A glória. Segundos mágicos, interrompidos pela sinalização de fora de jogo. O jogo continuara 2 a 2, e a tal glória fora adiada. Mas a impressão? Das melhores, suficientes para ganhar a titularidade no jogo seguinte.

28 de Janeiro – vs Crystal Palace – Copa da Inglaterra:

Titular,  atuando durante os 90 minutos, Jesus obteve a rápida redenção que lhe cabia. Uma bela assistência para Sterling marcar o primeiro, e depois sofrendo falta para Yaya Touré marcar o terceiro, Gabriel Jesus foi saudado com a chuva de Manchester; eram as boas vindas.

1 de Fevereiro – vs West Ham – Premier League:

Titular pela primeira vez na Premier League, na vitória por 4 a 0 fora de casa, Jesus comandou o time, deu assistência para De Bruyne aos 16 do 1º tempo, e fez seu primeiro gol aos 38 após assistência de Sterling. As câmeras não sabiam se focavam no sorriso de Guardiola, ou no olhar incrédulo de Aguero (do banco de reservas). O técnico tentou minimizar qualquer polêmica colocando Aguero para jogar junto com o brasileiro, deslocando-o para a ponta esquerda. Fim de papo, e o brasileiro caía de vez nas graças dos citizens.

5 de Fevereiro – vs Swansea City – Premier League:

Não contente com um gol e uma assistência, Jesus resolveu logo marcar dois na mesma partida, e garantir a vitória por 2 a 1 em casa. Um dos gols aos 11 do 1º tempo, e outro já nos acréscimos. Se a torcida do Palmeiras já havia criado música para o menino, os citizens não ficaram atrás: “Gabriel Jesus! Eu acho que vocês não entendem! Ele é o número 33, ele é melhor que o Rooney, nós temos Gabriel Jesus!”

E agora?

Depois dos “milagres” contados aqui, fica a nota de pesar. Gabriel Jesus foi substituído logo aos 14 minutos do 1º tempo do jogo contra o Bournemouth, em 13 de Fevereiro, após sentir uma lesão. Exames confirmariam uma fratura no quinto metatarso do pé direito. Após uma estimativa de 3 meses parado, perdendo jogos da Champions League e Eliminatórias da Copa de 2018, Gabriel Jesus foi a Barcelona se consultar com um médico indicado por Guardiola, e já foi rapidamente operado. A tentativa é diminuir ao máximo o tempo de recuperação, para quem sabe 8 semanas. Guardiola sabe que, se quiser brigar por título ainda nesta temporada, só Jesus salvará. Pelo bem do futebol, rezemos por uma rápida recuperação.

Gabriel e a esperança de uma boa recuperação. (Foto: Divulgação/Facebook Manchester City)


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