23 Nov, 2017

Pedro Couñago, Author at Fair Play

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Pedro CouñagoOutubro 4, 20177min0

O Inter, nos últimos anos, tem sido um gigante adormecido, com o cúmulo a chegar na passada temporada. No entanto, este parece ter sido o clique necessário para a mudança, e esta época temos uma equipa com um espírito renovado, com algumas mudanças fulcrais, e que, em maio, pode concretizar um ano de rejuvenescimento.

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Pedro CouñagoAgosto 19, 201717min0

Que seria do futebol sem a emoção que o mercado dá todos os anos? As novas contratações fazem os adeptos sonhar, as principais saídas das equipas fazem os adeptos soluçar e desesperar. Em Itália, como em qualquer outro país, destacam-se determinadas transferências das restantes, e não são necessariamente as mais sonantes ou com maior notoriedade, pois as equipas ditas mais pequenas podem também conseguir excelentes pechinchas ou jogadores de excelente nível a baixo custo. O FairPlay deixa aqui a visão sobre aqueles que considera, até agora que o campeonato começa, os quinze melhores negócios deste Verão. 

15 – Jordan Veretout – 7 milhões de euros, Aston Villa – Fiorentina

Começamos esta nossa viagem pelo mercado de Itália referindo o caso de um jogador que já falhou e já sucedeu, mas que, em Itália, tem tudo para se dar muito bem. A equipa viola teve uma primeira metade de defeso bastante atribulada, com a perda de jogadores fulcrais como Bernardeschi, Borja Valero, Matias Vecino e Josip Ilicic, alguns inclusivamente nesta lista. O francês é um médio de transição de bastante qualidade que pode dar sangue novo à equipa de Florença, fazendo esquecer principalmente Borja Valero. Não se deu bem em Inglaterra, mas estava num Aston Villa em declínio e que chegou a um buraco, fazendo uma péssima época em 2015/2016 e descendo de divisão. Assim, o centrocampista fez uma boa escolha e voltou à sua liga natal, relançando a sua carreira num estável Saint Étienne e numa liga onde já anteriormente se havia destacado. Pelo preço que custou, parece ser um bom negócio para os viola, sendo que se falou que, em Portugal, houvesse também quem estivesse interessado, nomeadamente o Futebol Clube do Porto. O que interessa é que a Fiore garante um jogador que ainda promete ter o melhor para vir mediante a sua relativa juventude (24 anos). Se se destacar, o francês pode no futuro gerar um lucro considerável ao clube, pois ele tem as qualidades necessárias para ter sucesso ao mais alto nível, precisa é de fortalecer mentalmente.

14 – Salvatore Sirigu – custo zero, PSG – Torino

É pena o rumo que Sirigu conheceu enquanto jogador do PSG, poderia ter acabado de uma melhor forma, ainda para mais quando o italiano discutia a titularidade com jogadores de um nível questionável, como Trapp e Areola. Jogou emprestado a uma equipa condenada como o Osasuna na segunda metade da passada temporada, sendo que a única vantagem foi a de ter tempo de jogo e não ficar parado durante 6 meses. No Torino, Sirigu pode regressar à sua melhor forma quando figurava no Palermo e nos primeiros tempos no Parque dos Príncipes. É um excelente substituto para Joe Hart, guarda redes principal na passada temporada, e para Padelli, principal guarda redes do Torino nos últimos anos. Não nos parece que tenha perdido as suas melhores qualidades, pelo que, a custo zero, representa um bom investimento e de baixíssimo risco para a equipa de Turim. Esta mudança poderá também fazer com que o guarda-redes possa ainda sonhar com um regresso à seleção, ainda que sempre como terceira opção (Buffon e Donnarumma à sua frente).

13 – Timothy Castagne – 6 milhões de euros, Genk – Atalanta

O lateral belga é o substituto ideal de Andrea Conti, transferido para o AC Milan, para os pupilos de Gasperini. Por apenas 6 milhões de euros, a Atalanta garante um lateral direito de larga margem de progressão, que já tem 59 jogos de futebol sénior na competitiva liga belga e também nas principais competições europeias, além de que vem subindo a pulso nas seleções jovens belgas. Aos 21 anos, será certamente um elemento de destaque em Bérgamo nos próximos tempos. Será mais um jovem que certamente Gasperini conseguirá moldar à sua maneira, de forma a potenciá-lo e retirar o seu melhor rendimento. A qualidade do jovem é inegável, pelo que, no futuro, poderá gerar um lucro bastante significativo à Atalanta. Assim, os 6 milhões de euros pagos pelo clube são inteiramente justos.

O jovem proveniente do Genk será um jogador a observar nas próximas edições da Série A (Foto: Goal.com)

12 – Marco Benassi – 10 milhões de euros, Torino – Fiorentina

Para substituir Matias Vecino, era preciso alguém que estivesse bem por dentro da realidade do campeonato italiano e que conseguisse acrescentar a mesma qualidade que o uruguaio acrescentava. A verdade é que dificilmente se poderia arranjar melhor substituto do que Benassi dentro do preço pago, sendo que a Fiorentina já havia também garantido o francês Veretout, procedendo assim a uma grande mudança no centro do terreno. Marco Benassi tem sido o capitão sub-21 da seleção italiana e é um médio muito completo, com uma qualidade inegável e ainda grande margem de progressão, além de ter já bastante experiência competitiva de Série A, o que faz com que seja uma adição de grande nível e que pode fazer esquecer Vecino de forma bastante satisfatória. No longo prazo, poderá ser uma das principais figuras do clube. 

11 – Lucas Biglia – 17 milhões de euros, Lazio – Milan

O experiente médio argentino de 31 anos representa uma excelente contratação da parte do AC Milan, uma das mais importantes face às muitas feitas pelo clube milanês. É um médio com alguma capacidade de marcar golos, mas que se destaca essencialmente pelo seu forte posicionamento à frente da defesa, pela sua capacidade de passe e pela sua classe dentro de campo, um pouco na linha do que Pirlo fazia nos seus tempos áureos na equipa milanesa, com as devidas diferenças. Aos 31 anos, parece que o médio está no seu auge da carreira, pelo que a mudança para Milão é natural, dando-lhe oportunidade de explanar o seu melhor futebol por algumas épocas. Não caminhando para novo, o argentino conseguirá, no entanto, ter algumas épocas de grande nível restantes em si, pelo que os 17 milhões são justos pela sua qualidade.

10 – Borja Valero – 5.5 milhões de euros, Fiorentina – Inter Milão

Como já mencionado, a equipa da Fiorentina tem tido um Verão bastante atribulado, com bastantes mudanças na coluna vertebral da equipa. Um dos jogadores mais importantes que saiu foi o espanhol Borja Valero, por valores bastante baixos e para uma equipa que poderia ser um adversário direto, mas que não o será esta época, a equipa muito mudou. A verdade é que quem ganha são os nerazurri, excelente negócio. Até se poderia desculpar esta venda pelo facto do espanhol ter 32 anos, mas não se o poderá fazer quando se analisa a sua importância no meio campo da Fiore nos últimos anos. O criativo vem trazer novas ideias ao meio campo da equipa de Milão, sendo mais uma alternativa extremamente válida, garantindo qualidade e inteligência dentro de campo. Pelo valor pago, o Inter bem se pode dar por contente, ganhando mais um alternativa de muito bom nível. Gagliardini, Brozovic e o português João Mário que estejam atentos, sendo que Kondogbia parece já nem contar para as contas.

9 – Andrea Poli – custo zero, Milan – Bolonha

O internacional italiano de 27 anos foi um jogador bastante utilizado nas últimas temporadas no clube milanês, mas perdeu importância na última temporada com o aparecimento de Locatelli e o desabrochar definitivo de Bonaventura. Além do Milan, o italiano jogou também na Sampdoria e no Inter de Milão, tendo assim uma carreira bastante razoável, sendo sempre um elemento bastante útil. No seguimento da reformulação de plantel imposta para a presente temporada, o médio não tinha lugar no plantel de 2017/2018, pelo que o clube não renovou com o jogador e deixou-o sair a custo zero. Assim, o Bolonha aproveitou para ir buscar o futebolista sem qualquer custo base, uma excelente contratação para a sua realidade de clube de meio de tabela e que se revelará uma excelente jogada na próxima temporada. Vai acrescentar grande nível de experiência competitiva e certamente vai ser um upgrade na nova equipa. 

8 – Alessio Cerci – custo zero, Atlético Madrid – Hellas Verona

É seguro que o extremo tem estado em baixa de rendimento nas últimas temporadas, muito devido à falta de tempo de jogo, mas não se pode deixar de considerar esta contratação como sendo de peso para o recém-promovido à Série A e uma das melhores contratações do campeonato em termos de impacto imediato que o jogador pode ter no clube. Foi um jogador que formou uma dupla temível com Immobile no Torino em 2013/2014, tendo descido o seu rendimento a partir daí, com passagem falhada pelo Atlético de Madrid e AC MIlan. Ainda assim, pode ser uma excelente oportunidade para o italiano de 30 anos relançar a sua carreira para os restantes anos da sua carreira. Com bom toque de bola, um bom remate, bem como a excelente capacidade nas bolas paradas, o Hellas Verona fica a ganhar bastante em termos ofensivos. A custo zero, é uma tremenda adição ao ataque da equipa, dando um fiel escudeiro ao ponta de lança Giampaolo Pazzini. A dupla Pazzini-Cerci promete dar problemas às defensivas contrárias, principalmente dos clubes ditos mais pequenos e do nível do Hellas.

7 – Douglas Costa – empréstimo (opção de compra de 40 milhões de euros), Bayern Munique – Juventus

É sempre discutível se os empréstimos podem ser considerados como alguns dos melhores negócios, pois o jogador não está ligado definitivamente ao clube que o recebe. Mas a verdade é que o empréstimo de Douglas Costa à Juventus por parte do Bayern Munique é uma autêntica bomba neste mercado de Verão e dá uma capacidade de explosão ainda maior ao ataque bianconeri. A ida para Turim dá a oportunidade ao brasileiro de voltar a “partir a loiça toda”, um pouco como o fez em 2015/2016. O empréstimo, neste caso, servirá para aferir se o brasileiro realmente consegue voltar à melhor forma e, se o conseguir, facilmente a Juventus pagará os 40 milhões de euros da cláusula de compra, um preço até irrisório face à qualidade do brasileiro nos seus melhores dias. Quando tal acontece, o originário de Rio Grande do Sul é quase imparável, uma autêntica locomotiva de grande capacidade técnica e de alta rotação. 

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Douglas Costa irá certamente fazer bem melhor esta temporada, com mais oportunidades (Foto: Globoesporte)

6Blaise Matuidi – 20 milhões de euros, PSG – Juventus

Uma super contratação por parte dos campeões italianos. Ficam com um meio campo de luxo, complementado pelo francês que possui uma qualidade enorme e que foi vendido por tostões num mercado inflacionado, talvez devido à necessidade de seguir o FairPlay Financeiro por parte do PSG depois da contratação de Neymar. A verdade é que quem aproveita é a Juve, que recebe exatamente o tipo de médio de que precisavam, um box-to-box de enorme classe, com uma capacidade física fora do normal, além de uma excelente capacidade de passe. Com jogadores como Khedira, Marchisio e, principalmente, Pjanic, o francês pode fazer maravilhas, parecendo encaixar muito bem para algumas épocas a grande nível. Apesar dos 30 anos, o jogador tem totalmente a capacidade de manter o seu desempenho a nível alto. 

5Josip Ilicic – 5.5 milhões de euros, Fiorentina – Atalanta

Mais uma das muitas mudanças em Florença. Já se sabia que o craque esloveno estava de saída da Fiorentina, mas nunca se pensou que pudesse ser por valores tão baixos, os 10 milhões pareciam ser um razoável preço mínimo a alcançar, pelo menos. No entanto, o jogador de 29 anos transferiu-se mesmo pelo valor mencionado, e vem trazer um tremendo aumento de qualidade ao meio campo ofensivo da equipa de Bérgamo, além da equipa garantir um exímio jogador nas bolas paradas. Promete ser um jogador com os holofotes em si na Atalanta e que poderá guiar o clube a mais uma época de grande rendimento. Encaixa que nem uma luva nas ideias que Gasperini pretende consolidar na sua equipa, veremos magia do esloveno certamente.

4Maxime Gonalons – 5 milhões de euros, Lyon – Roma

É um dos melhores “negócios pechincha” deste Verão, em toda a Europa. Como um jogador capitão de equipa como Gonalons saiu do Lyon por apenas 5 milhões de euros permanece um mistério, ainda para mais quando se pensa no quanto o mercado está inflacionado.  A verdade é que a Roma ganhou um jogador que colmata a saída de Leandro Paredes, e de que maneira, ficando inclusivamente a ganhar no que toca a retenção de bola, qualidade de passe e inteligência dentro de campo. Veremos como encaixará no centro do meio campo com De Rossi e Nainggolan. Certo é que será um jogador que passará despercebido dentro de campo, mas poderá ser uma das principais figuras do conjunto romano nos anos para vir. 

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5 milhões de euros é quase um valor para sorrir por parte da estrutura romana, que bela contratação (Foto: AS Roma)

3Federico Bernardeschi – 40 milhões de euros, Fiorentina – Juventus

O craque italiano protagonizou uma das transferências do defeso em Itália. É um craque que vinha brilhando nas últimas épocas na Fiorentina, tendo uma capacidade goleadora bastante interessante, grande técnica e a finesse necessária para ser a estrela de uma equipa grande e da seleção italiana. Neste caso, Bernardeschi terá de partilhar o foco com jogadores como Dybala, Higuain, Cuadrado ou Douglas Costa, sendo mais um elemento do temível ataque bianconeri a aterrorizar as defensivas do campeonato italiano. Os 40 milhões gastos, valor da cláusula de rescisão, terão de ser justificados, mas não existe nenhuma razão para que tal não aconteça, e a Juve garante um jogador que se poderá tornar uma grande figura do clube, mostrando o seu poderio face às restantes equipas italianas e que não se pretende deixar ficar para trás.

2Ricardo Rodriguez – 18 milhões de euros, Wolfsburgo – Milan

Nunca se pensou ser possível o lateral suíço sair por estes valores do clube alemão, mas a verdade é que aconteceu. É fácil de perceber o motivo, que se relaciona com a baixa de rendimento do jogador, bem como de toda a anterior equipa, na passada temporada, em que o Wolfsburgo, sendo uma equipa que luta pelas competições europeias, lutou para não descer. Tal não quer dizer que esta contratação não seja bastante barata e que, na realidade, está um pouco abaixo do real valor do jogador, ainda por cima quando este era muito pretendido pelos principais tubarões europeus, a sua qualidade não engana. Um lateral moderno, com grande estampa física, capacidade ofensiva e exímio marcador de bolas paradas. Em resumo, tudo o que o Milan mais podia desejar para a sua lateral esquerda, e por um preço muito acessível. Desta forma, uma das grandes necessidades e pontos fracos da equipa ficou colmatado.

1Leonardo Bonucci42 milhões de euros, Juventus – Milan

Chegamos ao número 1, e só poderia haver uma hipótese por nós considerada. Como não destacar a contratação de Bonucci? Não só é a melhor contratação deste defeso, como também a mais importante, por tudo aquilo que representa e pela onda de choque que originou por esse mundo do futebol fora. Jamais se pensou que o internacional italiano pudesse trocar a Juventus por um rival, mas a verdade é que tal aconteceu, de forma absolutamente bombástica. É uma adição de peso à defesa do Milan, e 42 milhões de euros é um preço mais que justo para a qualidade que o jogador de trinta anos oferece à equipa milanesa. Sem dúvida, o melhor negócio do mercado em Itália, a contratação mais cara na lista mas também a que merece mais destaque. Se resultar, pode levar o Milan a ter uma capacidade defensiva superior e a Juventus a ficar inferiorizada de forma importante. 

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Bonucci representa a contratação mais mediática, mais cara e mais inesperada deste mercado (Foto: Squawka)

É bem sabido que poderiam estar aqui outros nomes, alguns mais conhecidos e outros menos, passando pela contratação de João Schmidt pela Atalanta, de Gianluca Gaudino pelo Chievo Verona, de Adam Marusic pela Lazio ou de Martin Cáceres, a custo zero, para o Hellas Verona. Com outra notoriedade, podemos referir a ida a custo zero de Rodrigo Palacio para o Bolonha, de Tomás Rincón e de N´Koulou pelo Torino, a contratação de João Cancelo e de Milan Skriniar por parte do Inter, de Kessié pelo Milan (aqui haviam muitas hipóteses), de Hector Moreno e de Kolarov pela Roma, de Mattia de Sciglio por parte da Juve ou de Pezzella e Valentin Eysseric por parte da Fiorentina. Consideremos estes casos como menções honrosas, dentro dos melhores negócios feitos ao longo deste Verão, no que diz respeito à entrada de jogadores nos clubes italianos.

De qualquer forma, apenas 15 nomes poderiam figurar neste top, e assim o FairPlay deixa a sua perspetiva sobre quais as transferências mais importantes monetariamente, qualitativamente e em termos de impacto na nova equipa do jogador em questão.

 

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Pedro CouñagoAgosto 15, 201724min0

Em Itália, mora um dos campeonatos mais notáveis em toda a Europa, com grandes equipas a comporem-no. Nos últimos anos, no que toca à luta pelo título, a equipa da Juventus tem tido sempre vantagem sobre os adversários, não lhes dando a mínima hipótese, partindo, portanto, como favorita para a época 17/18. No entanto, existem duas ou três equipas que pretendem subir o seu nível. Ao mesmo tempo, a luta pelas competições será longa e dura, não havendo espaço para muitos erros, existindo algumas hipóteses plausíveis sobre quem poderá ocupar essas posições. Como poderá ser a próxima época?

Juventus

Não existe maior candidato a liderar a Série A e a conquistar o campeonato de Itália do que a Vecchia Signora. Nos últimos seis anos, foram seis campeonatos ganhos pela Juventus, sem qualquer tipo de oposição minimamente tangível. Clubes como Roma e Nápoles ainda têm tentado ombrear com a Juventus, mas simplesmente não conseguem porque não têm os mesmos argumentos, principalmente financeiros.

Os adeptos da Juve estão mais que habituados a festejar, já vão no hexacampeonato (Foto: Jornal de Noticias)

A época de 2017/2018 será, ainda assim, certamente bastante interessante de seguir para os lados do clube de Turim, principalmente depois da saída de um dos ídolos do clube, como era Bonucci. A sua saída para o rival Milan foi uma surpresa para todos os tiffosi da Juve, resta ver se tem algum impacto dentro de campo na mística que a equipa apresentará. Deste lado, tal não se espera, pois a restante espinha dorsal do clube (Buffon, Chiellini, Marchisio, Barzagli) continua aí para as curvas. No entanto, tal não durará muito mais tempo, começando por Buffon, que fará o último ano da carreira de jogador esta temporada, e em 2018/2019 será, em princípio, substituído na titularidade por Sczeszny, chegado neste defeso ao clube.

Dani Alves saiu também do clube após uma época realizada, mas uma em que foi uma das estrelas da equipa e uma das melhores da sua carreira. Certamente fará falta, e será uma das poucas posições para as quais faria falta uma solução. Fala-se no português João Cancelo, que poderia ser uma boa solução para a equipa, mas já chegou De Sciglio, que certamente é também uma boa solução.

Pelo restante poderio individual (Higuain, Dybala, Mandzukic, Pjanic, Cuadrado, por exemplo), a Juventus acaba por se sobrepor às restantes equipas da Série A, ainda por cima quando tão bem estes jogadores jogam juntos. A estes cinco principais juntaram-se agora Douglas Costa e Federico Bernardeschi, duas “bombas” de mercado que prometem dar uma vasta panóplia de soluções ao ataque bianconeri. Só estes talentos já chegam para continuar a levar a Juventus aos títulos, não existe nenhuma equipa em Itália com esta profundidade no seu ataque.

A Juventus pode chegar a um histórico heptacampeonato, mas deve ter cuidado para não se desleixar com as restantes conquistas. Na passada época, chegou à final da Liga dos Campeões catorze anos depois da última, mas acabou por perder por 4-1 para o Real Madrid. Veremos se esse não poderá ter sido um momento de viragem para aquilo que será o futuro. A época não começou da melhor forma, depois de uma derrota por 3-2 diante da Lazio, que deixa algumas reticências sobre aquilo que pode ser o início da campanha, ainda por cima depois de uma má exibição da equipa, em que realmente se notaram as falhas defensivas. No entanto, foi o primeiro jogo da época, e a Juventus certamente consolidará melhor os seus processos e conseguirá recuperar.

O campeonato vem ficando cada vez mais competitivo, não só devido a Roma e Nápoles, já destacados, mas também graças ao possível renascimento dos clubes de Milão, que têm investido muito forte para a próxima temporada. Como tal, a Juventus deve-se precaver, dar sempre tudo dentro de campo e utilizar a sua mestria e inteligência a si associadas. Se tal acontecer, muito dificilmente não chegará ao sétimo campeonato consecutivo.

Possíveis candidatos a lutar com a Juventus

O Nápoles será, em teoria, a equipa mais capaz de poder lutar abertamente com a Juventus, ainda que a tarefa seja bem difícil. A nível individual, a equipa do Sul de Itália será, talvez, aquela que mais se aproxima dos valores individuais da Vecchia Signora (o Milan parece querer reduzir a distância). Com jogadores como Insigne, Hamsik, Callejón e, principalmente, Mertens, o espetáculo a nível técnico é garantido, tanto que a equipa napolitana tem sido recorrentemente considerada como aquela que melhor joga em Itália. Nos últimos anos, tem conseguido crescer de forma sustentável, com bons resultados todos os anos, mas não tem conseguido chegar ao nível da Juve.

É uma equipa muitíssimo bem orientada por Maurizio Sarri, técnico elogiado principalmente por causa do futebol rendilhado e bonito que as suas equipas praticam, algo que se reflete no estilo de jogo implementado no San Paolo. A equipa pouco mudou em relação ao ano passado, destacando-se a chegada de Adam Ounas, mais uma excelente opção para os corredores, jovem e com grande margem de progressão. Também o lateral esquerdo português Mário Rui chegou ao clube, que é uma excelente alternativa a Ghoulam, que é muito pretendido mas que parece que irá ficar no San Paolo. Além disso, a equipa manteve Nikola Maksimovic e Marko Rog, dois jogadores que estavam emprestados ao clube na temporada passada e que ficam agora em definitivo.

Nenhum jogador relevante do plantel principal saiu do clube, algo que abona a favor da equipa, que assim ganha estabilidade e, com os novos reforços, ganha uma maior profundidade no plantel. Por aqui se verifica o maior poder poder que o clube tem nos dias de hoje. Veremos se Arek Milik consegue justificar a sua contratação feita no passado Verão e se faz esquecer Higuain, visto que esteve meia época lesionado na passada temporada. Talvez o que possa faltar ao clube seja um guarda-redes de maior valia, visto que Reina já não vai para novo.

De resto, se a equipa, até ao final de Agosto, resistir ao assédio que vem sido feito aos seus principais jogadores, como Insigne, Koulibaly e Ghoulam, parece-nos que o Nápoles tem tudo para não só se qualificar para a Liga dos Campeões, como também dar mais luta à Juventus na corrida pelo título. A segundo classificado, pelo menos, o Nápoles é forte candidato.

Quem também tem esperanças de poder subir um pouco mais é a Roma. O clube romano vem crescendo de rendimento nos últimos anos, mas nunca o suficiente para realmente perturbar a Juventus na corrida pelo título. Aliás, o seu último Scudetto chegou há já longínquos dezasseis anos, em 2000/2001. O clube romano tem poucos campeonatos para a sua real valia: apenas três.

Há muito tempo que o clube pretende dar o próximo passo, chegar finalmente ao cume da montanha, mas tem sido sistematicamente relegada, nos últimos anos, para uma luta com o Nápoles pelo segundo lugar. Face à descida de rendimento dos clubes de Milão, esta tarefa tem estado mais facilitada, e tem feito com que o clube esteja presente com frequência na Liga dos Campeões. O clube tem-se cimentado no pódio das equipas mais poderosas da Série A, mas tal não será tão fácil este ano, o campeonato está cada vez mais competitivo.

Vamos por partes. Esta época será a primeira da era Pós-Totti. O craque italiano representa um legado de vinte e cinco anos de uma das histórias mais bonitas de real amor a uma camisola. É certo que o jogador foi perdendo importância nas últimas temporadas, a idade não perdoa, mas continuava a ser o grande comandante no balneário romano. Será que a equipa conseguirá reagir à perda do seu comandante? Parece-nos que sim, principalmente através de Daniele De Rossi, outro dos jogadores mais carismáticos do clube.

O clube ficou ainda órfão de quatro dos seus principais pilares da passada temporada: Szczesny, Rudiger, Paredes e Salah. O último, principalmente, representa uma enorme perda para o conjunto romano, pois o egípcio era o principal motor do ataque da equipa, era sinónimo de golo ou assistência em quase qualquer jogo. Para o seu lugar, tem-se falado com frequência em Riyad Mahrez, que seria certamente uma boa alternativa, ainda que com menos capacidade de aceleração que Salah. Essa era uma das principais características do jogo da Roma, também muito por culpa de Luciano Spalletti, que é conhecido por privilegiar o ataque rápido.

No entanto, Spalletti saiu para o Inter, chegando para o seu lugar Eusebio di Francesco. Este será mais um dos motivos que gera curiosidade para a próxima época. Será interessante perceber se o jovem treinador consegue ter o mesmo sucesso que teve no Sassuolo e que estilo de jogo implementa na equipa. Tem todo o potencial para o conseguir, e, no que toca a reforços, até não se pode queixar. Do seu anterior clube, trouxe dois: Lorenzo Pellegrini e Grégoire Defrel. Além destes, alguns outros chegaram, muito por culpa de um homem.

Monchi, o emblemático diretor desportivo espanhol, chegou ao clube para esta nova época, e consigo chegaram os negócios “pechincha”. Assim, o clube contratou jogadores como Hector Moreno, Gonalons, Fazio (após empréstimo ao clube) e Kolarov por cerca de 19 milhões de euros. São quatro elementos que garantem qualidade e experiência à equipa. Monchi é ainda conhecido pela sua capacidade de scouting e de encontrar jogadores apetecíveis em territórios menos esperados. É nesse sentido que chegam Rick Karsdorp, Cengiz Under e também Rezan Corlu, provenientes de Feyenoord, Istambul Basaksehir e Brondby, respetivamente, sendo estes elementos mais wildcards face àquilo que podem oferecer à equipa, mas, se vêm com o selo de Monchi, só podem ter qualidade assegurada.

Monchi pode vir a ser o melhor reforço da Roma para as próximas temporadas, garantindo os melhores negócios (Foto: asroma.com)

De resto, todos os jogadores destacados, na companhia das estrelas como Manolas, Strootman, Nainggolan, Florenzi e Dzeko, podem dar cartas. O plantel é bastante completo, com excelentes soluções, estando preparado para, mais uma vez, chegar à Liga dos Campeões de forma direta. Será, no entanto, que o clube conseguirá alcançar o próximo nível e realmente lutar até ao fim pelo Scudetto? Sem Totti nem Salah e com Di Francesco, veremos o que nos reserva a próxima temporada.

Candidatos ao quarto lugar, se possível algo mais

Como quarto maior candidato, surge o Milan. O clube milanês será o grande wild-card da próxima edição da Série A. Tanto pode tudo correr tudo muito bem como muito mal, mas uma coisa é certa: há muito tempo que não se esperava tanto dos rossoneri e agora a equipa está sob real pressão de alcançar resultados no imediato.

Tem sido uma chuva de contratações por parte do clube, algo que se deve à compra do clube por Lin Yonghong em abril deste ano. O poderio financeiro da equipa subiu drasticamente, e com ele foi possível contratar os defesas Bonucci, Musacchio, Ricardo Rodriguez e Andrea Conti, os médios Biglia, Késsie e Çalhanoglu e os avançados André Silva e Fabio Borini. De todas as contratações, é obrigatório destacar a aquisição de Leonardo Bonucci à rival Juve, algo que se pensava impensável e que apenas foi possível não só devido ao maior poderio financeiro mas também ao projeto ambicioso que o clube tem para implementar no imediato. Outro dos “reforços” é Gianluigi Donnarumma, que pareceu com um pé fora do clube mas que viu a sua situação devidamente resolvida. Além disso, poderá estar ainda para chegar um ponta de lança, que ocupará a vaga de Carlos Bacca, que parece de saída.

É estranho ver Bonucci com a camisola dos rossoneri. Que impacto poderá ter o central no Milan? (Foto: Goal.com)

Todas estas contratações têm de levar o clube a resultados, não só na Série A como a nível europeu. O clube está de volta às competições europeias, participando na Liga Europa. Sendo apenas a segunda competição mais importante de clubes, a equipa tem obrigação de chegar longe na competição. Certamente menos que os quartos de final, no mínimo, será um fracasso.

Mais que isso, o clube tem de lutar pela qualificação para a Liga dos Campeões. Será algo ilusório poder afirmar que o clube lutará pelo título, existem muitos mecanismos táticos em fase de implementação, e o clube não pode ter ambições desmedidas depois das más épocas que tem feito. Demorará o seu tempo até tudo carburar a cem por cento, portanto a luta pela qualificação para a Liga dos Campeões parece um objetivo realista. Um quarto lugar, no mínimo, é a obrigação do Milan depois das contratações efetuadas. 

Foram dadas as melhores condições possíveis a Vincenzo Montella, que, se tudo correr bem, pode levar o clube a um nível que não alcançou nos últimos cinco anos. Tem feito um razoável trabalho, pode fazer bem melhor agora. Com as contratações efetuadas, mais a base de jogadores italianos como Donnarumma, Bonaventura, Abate, Calabria, Locatelli ou Montolivo e a permanência de jogadores decisivos como Suso, tudo parece poder correr bem para os pupilos do antigo avançado.

Quem não quer que tal aconteça é o rival do Milan, o Internazionale. A equipa nerazzurri, bem como o seu rival de Milão, tem feito investimentos significativos com vista a melhorar a performance da época 16/17, em que tudo correu mal, desde a eliminação da Liga Europa logo na fase de grupos, a chegada apenas aos quartos de final da Taça de Itália e o mau sétimo lugar no campeonato.

Afinal de contas, o Inter não joga nenhuma competição europeia esta temporada, algo que se pode revelar uma vantagem, na medida em que os jogadores estarão exclusivamente focados no campeonato e, assim, podem lutar pelos lugares de Champions, pelo menos o quarto lugar, portanto. Com uma Roma que poderá ser imprevisível este ano, veremos se o Inter, juntamente com Milan também, não poderá dar mais trabalho na luta pelo terceiro lugar, inclusivamente.

O Verão foi marcado pela contratação de Vecino e Borja Valero, excelentes opções para o meio campo da equipa, além das aquisições de Milan Skriniar e Dalbert, o lateral que, no Verão passado, saía de Portugal para França por 2 milhões de euros e agora sai por um valor dez vezes mais alto. Foram contratações sonantes para lugares certamente necessitados, em que se aumenta a quantidade e qualidade das opções da equipa. A lateral esquerda tem estado debilitada nos últimos anos e o meio campo teve performances bem abaixo do esperado no ano passado, com Kondogbia, principalmente, a ser candidato à saída, sendo assim contratações bastante cirúrgicas as feitas pelo clube. Com a contratação dos dois médios mencionados, João Mário pode ganhar mais preponderância como médio mais avançado. Skriniar vem substituir Gary Medel, que foi vendido de forma duvidosa (apenas 3 milhões de euros) para a Turquia.

É mais importante mencionar a chegada de Luciano Spalletti ao comando técnico do clube. É um treinador com muita pedalada nestas andanças, que tem capacidade de liderança e um mestre tático, com bastante sucesso ao longo da carreira. Certamente será um upgrade àquilo que vinha sendo uma “dança das cadeiras” na liderança da turma nerazurri. Com Spalletti, os primeiros resultados foram animadores, tendo a equipa feito uma boa pré-época. Se conseguir iniciar bem a liga, fazendo um bom trajeto até dezembro, em que a taça, aí, se intrometerá, o Inter pode estar destinado a uma grande melhoria face à temporada passada.

Com a manutenção de jogadores como Perisic, Candreva e o próprio João Mário, acrescentando-se a segurança que Handanovic e Miranda dão à defensiva, em conjunto com a juventude de Skriniar, a mestria no meio campo de Vecino, Borja Valero e outros como Brozovic e o nosso português João Mário, acrescentando-se o faro de golo de Icardi, bem secundado por Éder, a equipa tem tudo para fazer um bom desempenho na próxima edição da Série A.

A luta pela Liga Europa

Num patamar mais abaixo, candidata a uma presença na Liga Europa, chega a Atalanta. Será muito curioso ver o que pode fazer a equipa de Bérgamo na ressaca de uma das suas melhores épocas de sempre. A equipa conseguiu um brilhante quarto lugar, catapultando-se para um tão aguardado regresso às competições quase 30 anos depois, mas esse mesmo quarto lugar parece difícil este ano.

Muito se pode agradecer a Gian Piero Gasperini, que fez um fantástico trabalho na época passada, lançando jogadores como Kessié, Mattia Caldara, Andrea Conti ou Gagliardini, todos vendidos por valores acima dos 15 milhões de euros, depois de uma primeira época num nível mais elevado na Série A.

Gasperini, o grande obreiro da Atalanta que agora conhecemos (Foto: Goal.com)

No caso de Caldara, o negócio foi especialmente apetecível porque contará com o jogador até ao final da próxima temporada, rumando depois à Juventus com uma outra bagagem e experiência competitiva. A equipa perdeu também um dos pontas de lança, Alberto Paloschi, este emprestado com cláusula de compra obrigatória à SPAL. A equipa perdeu alguns elementos de extrema importância, algo que se aceita tendo em conta a salvaguarda financeira do clube para os próximos anos.

No entanto, o clube tem uma academia reconhecida tanto a nível nacional como internacional que lhe permite sempre gerar novos craques de qualidade inegável que podem jogar futuramente na primeira equipa. Além disso, desengane-se se pensa que a equipa não tem estado ativa no mercado.

Com efeito, a equipa tem feito movimentos magníficos no presente defeso. Além de segurar em definitivo o guarda-redes Berisha, a equipa já foi buscar João Schmidt a custo zero, Timothy Castagne, um potencial grande lateral direito, por 6 milhões de euros, Andreas Cornelius por 3.5 milhões, garantiu a jovem estrela Riccardo Orsolini por empréstimo, conseguiu o regresso de Marten de Roon por 13 milhões e, por último, garantiu o craque esloveno Josip Ilicic pela modesta quantia de 5.5 milhões de euros. Não parece que a equipa fique a perder, bem pelo contrário. Não só consegue estabilidade financeira, como vai buscar elementos que não garantem imensa qualidade no imediato e no futuro. A contratação de Ilicic não vem nessa filosofia mas sim numa de oferecer magia ao meio campo ofensivo da equipa.

Não será fácil a equipa repetir o quarto lugar da passada temporada quando as principais equipas do campeonato estão a fazer uma forte aposta. Além disso, o clube jogará a Liga Europa, algo que gerará mais cansaço nos jogadores. Ainda assim, com a chegada dos reforços e a manutenção dos restantes esteios da equipa, como Alejandro Gómez, Andrea Petagna, Leonardo Spinnazola, Jasmin Kurtic e Rafael Tolói, pode-se esperar mais uma boa época dos pupilos de Gasperini, possivelmente a lutar novamente pelas competições europeias. Talvez um sexto, sétimo lugar esteja mais ao alcance do clube.

A Lazio entra com vontade de passar à frente da Atalanta em 2017/2018. A equipa romana fez uma boa época em 16/17, conseguindo chegar ao quinto lugar da Série A e garantindo a Liga Europa. Era difícil exigir mais ao clube depois de tamanha boa época da Atalanta e a diferença de qualidade para Nápoles, Roma e Juventus. Foi uma época estável, com a equipa a chegar também aos oitavos de final na Liga Europa e chegando à final da Taça de Itália, perdendo para a Juventus. No entanto, já conseguiu a sua vingança, começando muito bem a época e conquistando a Supertaça italiana, vencendo por 3-2 frente à Vecchia Signora.

O clube contratou alguns jogadores importantes para a próxima temporada, com principal destaque para Adam Marusic e Lucas Leiva, dois jogadores que parecem ter garantida a entrada direta no onze da equipa. Lucas Leiva vem compensar a grande perda do clube neste defeso: Lucas Biglia, que saiu para o AC Milan.

Começou bem esta nova etapa de Lucas Leiva, com a conquista da Supertaça de Itália. Veremos que pujança traz o brasileiro ao meio-campo dos romanos (Foto: 101 Great Goals)

De resto, entraram ainda Davide de Gennaro a custo zero e Filipe Caicedo, que vai servir de cobertura à estrela Ciro Immobile. Destaque ainda para o regresso de empréstimo de Ricardo Kishna, que pode ser o substituto de Keita Baldé caso o jogador saia, ou poderá ser inclusivamente contratado outro jogador, como Brahimi.

Assim, o plantel não mexeu muito, sendo garantidas alternativas que podem dar mais profundidade a um plantel de qualidade, em que existem ainda jogadores como Marco Parolo e Felipe Anderson que fazem a diferença. Prevê-se mais uma época a lutar, pelo menos, pelo sexto lugar para a equipa romana. Simone Inzaghi tem condições para continuar o seu bom trabalho ao leme do clube.

Por fim, surge uma equipa que poderá tentar fazer uma gracinha na próxima edição da Série A: o Torino. Tem vindo sempre a fazer campeonatos estáveis, figurando na primeira metade da tabela. É um clube que tem vindo a recuperar, aos poucos, um pouco da mística daquilo que era o grande Torino de há 5 décadas atrás, tendo disputado a Liga Europa na passada temporada. Com essa experiência adquirida e sem a ter de jogar este ano, parece-nos possível que o Torino melhore o seu nono lugar e possa andar a disputar lugares superiores, intrometendo-se numa possível luta pela Liga Europa, dependendo também da possível vaga aberta ao sétimo lugar, dependendo dos finalistas da taça.

É certo que não será fácil, tendo em conta a cada vez maior competitividade do campeonato. Da equipa que acabou a temporada, saíram quatro jogadores mais importantes: os guarda-redes Joe Hart e Daniele Padelli, o defesa Gastón Silva e o médio Marco Benassi. O médio será, certamente, a saída mais notável, devido à sua preponderância no meio campo. Para as saídas, a equipa encontrou soluções, e bastante boas até.

Os centrais Lyanco e N´Koulou, este principalmente, são excelentes contratações da parte do Torino, traduzindo-se num claro upgrade no centro da defesa com a experiência competitiva do camaronês e o “sangue na guelra” de Lyanco. Para a saída de Benassi, o clube foi buscar Tomás Rincón à Juventus, não ficando, neste aspeto, a perder muito no imediato, a não ser num potencial encaixe futuro, porque Benassi ainda não está num nível acima de Rincón. E, para a baliza, chegaram Vanja Milinkovic-Savic, uma aposta de futuro, e Salvatore Sirigu, um excelente guardião que andou nos últimos dois anos perdido e que chega agora a custo zero a Torino, podendo voltar à seleção italiana e tendo hipótese de relançar a carreira.

O clube foi ainda buscar Álex Berenguer ao Osasuna, que pode ser um excelente backup de Adem Ljajic. O esloveno, em conjunto com Iago Falqué e, principalmente, Andrea Belotti, formam uma tripla de ataque possivelmente mortífera, que, com o upgrade da linha defensiva, pode significar a melhoria da equipa. Se Belotti permanecer no clube, será também uma grande vitória para Sinisa Mihajlovic, que não sendo um fantástico técnico, tem muito conhecimento do futebol italiano enquanto jogador e parece estar a assentar bem no clube de Turim. Ainda que não seja o candidato mais forte aos lugares europeus, o Torino tem uma boa hipótese de se tentar intrometer na luta, ainda para mais com uma Fiorentina que não parece destinada a tais voos.

Assim, ficam os dados lançados no que toca às equipas mais poderosas da Série A. Veremos se as previsões quanto à luta pelo título, Champions e Liga Europa se confirmam. Está lançada a luta pelos lugares cimeiros do campeonato italiano. 

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Pedro CouñagoJulho 24, 201714min0

Quem analisa o decorrer dos últimos anos no Hamburgo SV percebe que o mesmo é, hoje em dia, um clube bastante diferente do que poderia e deveria ser. O FairPlay deixa aqui a análise ao que foi o passado, o que é o presente e o possível futuro de um dos maiores clubes da Alemanha.

O Hamburgo SV é o único clube que disputou as 54 edições da Bundesliga, é o único que está na primeira divisão desde que a liga foi criada no ano de 1963. Ser o único clube a disputar sempre a Bundesliga é, por si só, um símbolo daquilo que é a essência do Hamburgo. No entanto, nos últimos tempos, não têm faltado ocasiões para o clube cair no abismo. 

Uma história rica e de glória

O Hamburgo SV, como é regularmente designado em português, é um clube que representa a segunda maior cidade da Alemanha. Tem uma história riquíssima que inclui a conquista de seis campeonatos, três Taças da Alemanha, duas Taças da Liga, e ainda quatro taças europeias: a Taça dos Campeões Europeus, a Taça das Taças e duas Taças Intertoto. É uma das três equipas alemãs a conquistar o principal troféu europeu de clubes (mais o Bayern de Munique e Borussia de Dortmund), tendo perdido uma outra final.

Ambas as finais da Taça dos Campeões Europeus que o clube disputou tiveram lugar nos anos 80, os gloriosos anos do clube, sendo que a conquista dessa prova e da última Bundesliga coincidem, em 1983. A conquista da Taça das Taças surgiu no ano de 1977, pelo que se demonstra o poderio do clube na altura, com uma final perdida nove anos antes, em 1968.

Assim, conclui-se que o clube, entre 1968 e 1983, surgiu em quatro finais das principais provas europeias, tendo também conquistado os seus três títulos da Bundesliga (os restantes três surgiram antes da era Bundesliga), um período dourado que nunca mais se voltou a repetir na história do clube.

A falta de títulos, o início da decadência

O último título de real relevo foi a Taça da Alemanha, há exatamente trinta anos atrás, em 1987, não contando com duas conquistas da extinta Taça Intertoto e da também extinta Taça da Liga Alemã, que funcionava como uma espécie da atual Supertaça. Ainda que a Taça da Liga Alemã e da Taça Intertoto sejam títulos válidos e oficiais, não são títulos ao mesmo nível que os restantes, nunca foram títulos com tanto significado como os restantes.

Esta falta de títulos proporciona a decadência em que o clube foi lentamente mergulhando, sem nunca realmente cair no abismo, mas sempre em risco de tal acontecer. A última década tem sido o maior exemplo.

Com efeito, a equipa tem sido muito inconstante nos últimos dez anos, principalmente. Fixou-se como um clube de meio da tabela e, ao longo dos anos, tem cada vez mais estado em maiores dificuldades para se manter na primeira divisão. Nas últimas seis épocas, apenas uma delas ficou acima do décimo lugar (7º, em 2012/2013).

Nas épocas 13/14 e 14/15, o clube precisou de disputar o Play-off entre o 16º classificado da Bundesliga e o 3º classificado da 2.Bundesliga (a segunda divisão), frente a Greuther Fürth e a Karlsruher, conseguindo ter sucesso duas vezes consecutivas, embora com muitas dificuldades (1-1 e 2-1, respetivamente, no agregado das duas mãos).

Um dos craques da equipa, Lewis Holtby, após a vitória sobre o Karlsruher (Foto: Eurosport)

As duas idas ao playoff fizeram com que a equipa, em 15/16 e 16/17, melhorasse um pouco o seu desempenho, com uma subida ao 10º lugar e uma descida posterior ao 14º lugar. Mas a dúvida paira sobre a equipa, e prende-se com quantas mais épocas o clube aguentará se se mantiver com classificações medianas. Desde 08/09 que o clube não disputa as competições europeias, época em que até foi às meias finais da Liga Europa. E muita falta faz o clube aos palcos de decisões.

Um clube grande com grandes motivos de orgulho

O Hamburgo tem muito que se lhe diga para além do seu glorioso histórico. Possui o sexto maior estádio da Alemanha, o Volksparkstadion, que está sempre cheio com adeptos muito fervorosos. Nos últimos anos, muito têm dado o impulso e a força necessária para o clube conseguir manter-se na Bundesliga. Os adeptos têm feito a vez dos jogadores, que não têm sido da qualidade desejada, já que os recentes plantéis têm escasseado em qualidade e profundidade.

Os adeptos do Hamburgo são verdadeiramente incansáveis (Foto: Trivela)

Não será certamente por acaso que o clube tem cerca de 76 mil sócios e está no top 5 dos clubes com mais apoiantes na Alemanha. Tal significa que existe uma tradição por parte do clube, um clube que arrasta massas. Essas massas fazem-se notar nos jogos com St. Pauli e com Werder Bremen, os principais rivais do clube. Contra o St. Pauli, joga-se o Hamburger stadtderby pela supremacia da cidade, com clara vantagem para o Hamburgo; contra o Werder Bremen, joga-se o Nordderby pela supremacia no Norte da Alemanha, um duelo mais apetecível. 

O que pode fazer o clube numa liga cada vez mais competitiva?

Com o treinador Markus Gisdol ao leme, um treinador experiente e com muita “tarimba”, a equipa pode começar uma espécie de renascimento e almejar à metade superior da tabela. Se o fizer, a médio prazo, acreditamos que o clube possa regressar às competições europeias. Mas tal não se afigura fácil, tal é a competitividade do campeonato alemão, a qualidade dos plantéis, o crescimento do investimento e o nível mais alto das equipas ditas pequenas. Além disso, a liga é pródiga em surpresas, excluindo as equipas que dominam o campeonato (Bayern), portanto nenhuma se encontra totalmente a salvo. Bons exemplos recentes deste facto são o próprio Hamburgo, o Estugarda (desceu em 2015/2016, para agora voltar à elite) e o Wolfsburgo (jogou playoff de despromoção na passada época).

Até ao momento, o plantel proposto para a época 2017/2018 parece ser um pouco mais equilibrado, com algumas boas alternativas para os três terços do campo, mas existem ainda algumas lacunas. Esperar-se-ia que os patrocínios da Fly Emirates e da Adidas pudessem trazer algum investimento sólido ao clube, principalmente o primeiro. Aqui esperamos para ver o que poderão ser as novas adições ao plantel. Veja-se.

Guarda-redes

Aqui, o Hamburgo fez uma excelente contratação sob a forma de Julian Pollersbeck, proveniente do Kaiserslautern, a quem cabe a missão de fazer esquecer um dos maiores símbolos do clube nos últimos anos: René Adler. O experiente guarda-redes saiu para o Mainz, deixando uma grande herança que ficará a cargo de Pollersbeck, que certamente tem a qualidade para corresponder. Este setor parece estar bem entregue, com Christian Mathenia, chegado na passada temporada, e Tom Michel a preencherem as restantes vagas.

Defesa

O defesa tem sido o calcanhar de Aquiles do clube nos últimos anos. A equipa, principalmente nos jogos com os denominados “grandes”, sofre muitos golos. Analisando apenas os últimos 4 anos, os duelos com o Bayern têm sido aterrorizadores para a equipa, tendo sido realizados 11 jogos, com 10 vitórias do Bayern e apenas 1 empate. Mas o mais grave não é isso. O mais grave é a quantidade de goleadas neste intervalo de tempo (duas vezes 8-0, duas vezes 5-0, 9-2). Tal traduz-se em 48(!) golos sofridos nos últimos 11 jogos com o Bayern, uma média de quase 4,5 golos por jogo, com apenas 6 marcados por parte do Hamburgo. Este é apenas um exemplo daquilo que tem sido reconhecido à equipa nos últimos anos. Poderiam ser dados outros exemplos, mas pensamos que este é o mais relevante e aterrador.

Aqui estarão as maiores lacunas, que devem ser preenchidas ainda neste mercado. Deve ser contratado um central que faça parelha com Kyriakos Papadopoulos, resgatado ao Bayer Leverkusen, com Mavraj a funcionar como principal alternativa, mas que não parece ter traquejo para ter titular semanalmente. Como tal, será importante recrutar um central mais móvel e rápido, que possa complementar com o estilo mais físico do grego. 

Quanto às laterais, parecem estar bem entregues, pelo menos do lado direito. Gotoku Sakai e Dennis Diekmaier são duas alternativas bastante boas para o lugar. O japonês, capitão de equipa, parte em vantagem, tendo uma qualidade ligeiramente superior e sendo mais franzino, mas o alemão é também um jogador muito útil e com maior capacidade física, sendo, neste momento, o jogador com mais tempo de balneário e alguém muito respeitado no seio da comunidade do clube. 

O lateral alemão permanece com a mesma camisola há sete anos (Foto: Zimbio)

Na lateral esquerda, temos Douglas Santos, um bom lateral brasileiro que chegou ao clube na época passada e que deve continuar a evoluir para fazer esquecer Marcel Jansen, outro dos maiores símbolos do clube e que acabou a carreira há um ano. Ainda assim, na ala esquerda, faz falta uma alternativa que possa servir de backup ao brasileiro.

Meio Campo

No que toca à sala de máquinas, o Hamburgo tem algumas boas opções, principalmente para o meio campo ofensivo, em que Lewis Holtby e Aaron Hunt prometem fazer as despesas criativas da equipa, destacando-se o primeiro pela sua técnica e capacidade de passe e o segundo pela sua capacidade finalizadora, ainda que tenha uma grande propensão a lesões. Como tal, Lewis Holtby, até pela sua notoriedade ganha ao longo do tempo, continuará a ser o principal motor da equipa. A sua falhada passagem pelo Tottenham não lhe retirou as qualidades que o destacam.

No que toca ao meio campo mais recuado, deve-se destacar o médio defensivo brasileiro Walace e ainda o sueco Albin Ekdal, com também uma menção a Gideon Jung, ainda que seja num papel mais secundário. Quanto a Walace, esta poderá ser a época de afirmação do jovem de 22 anos na Europa, ele que já conta com três chamadas à seleção canarinha. É um jogador muito possante, com 1.88m, mas que é muito bom com bola, devendo apenas moderar o seu temperamento em campo. Se o fizer, promete ser um alvo de grandes clubes europeus em próximos defesos.

Já Albin Ekdal é um elemento extremamente útil, em qualquer circunstância a que esteja sujeito, destacando-se pela sua inteligência em campo e pela sua polivalência na ocupação dos espaços no meio campo. Gideon Jung pode ser outra alternativa, principalmente ao vértice mais recuado do meio campo, ocupado por Walace.

Neste meio campo, faltará talvez um médio todo-o-terreno, que possa complementar com o poderio físico de Walace e a técnica de Holtby (previsivelmente titulares), isto num possível meio campo a três e porque Albin Ekdal não é jogador capaz de ser totalista nesta equipa. Este médio deve ser capaz de encurtar os espaços, mas também de sair com critério, acrescentando uma capacidade de pressão que, certamente, daria muito jeito a uma equipa que necessita de se afirmar no contexto do campeonato em que está inserido e que deve dar uma melhor imagem do que é o seu futebol. 

Ataque

No que diz respeito aos avançados da equipa, existem boas alternativas, principalmente no eixo de ataque, mas falta contratar, pelo menos, um extremo esquerdo. Filip Kostic, um belo esquerdino, de fino corte e um dos melhores jogadores da equipa, inclusivamente já apontado aos grandes clubes portugueses, tem o lugar de extremo esquerdo mais que assegurado, mas não existe ninguém que o possa substituir de uma forma satisfatória. Do lado direito, Nicolai Muller parece também ter a ala direita a si assegurada, com o jovem gambiano Bakary Jatta a prometer despontar na próxima edição da Bundesliga.

Tal como dito, o centro de ataque parece bem preenchido com Bobby Wood e André Hahn, até agora a melhor contratação do clube para a próxima temporada. O norte americano foi dos melhores da equipa na última temporada. Embora só tendo marcado 5 golos, Wood fez uma época consistente, que lhe permitiu chegar à seleção e ser uma das suas maiores figuras. Será outro jogador que poderá saltar para outros voos com uma boa temporada.

Espera-se muito de Wood, veremos se será o seu ano de explosão e se levará o Hamburgo para voos mais altos (Foto: Bundesliga.com)

Quanto a Hahn, é uma excelente contratação por parte do clube. Foi uma grande promessa do futebol alemão, tendo perdido um pouco de fulgor na sua passagem pelo Borussia Mönchengladbach. Ainda assim, num patamar ligeiramente inferior, como em Hamburgo, este avançado pode dar muito à equipa, não como ponta de lança fixo, mas como um avançado móvel.

Existe ainda Pierre-Michel Lasogga, a quem é reconhecido poderio físico mas também inconsistência (nas últimas 3 épocas pelo clube marcou 15 golos), e Sven Schipplock, que nunca realmente se conseguiu destacar depois de mostrar o seu valor quando era mais jovem e que vem de um empréstimo falhado. Veremos o que estes dois jogadores podem dar à equipa.

O Hamburgo pode ambicionar e não apenas relembrar

Esta é uma análise àquilo que vem sido o Hamburgo ao longo do tempo, principalmente a sua decadência, mas também aquilo que pode ser o futuro do clube e ainda os destaques do plantel que poderão começar a tentar reverter o que vem sido feito. É um clube atrativo, que certamente tem o apoio de muitos adeptos fora da Alemanha, não só por representar uma bela cidade como por representar uma dinastia como nenhuma outra na Bundesliga.

É um clube com história, que deve tentar alterar a imagem que vem deixando de clube mediano na última década. Tem capacidade para isso, mas é preciso mais que capacidade, é preciso luta e persistência. No dia 13 de agosto, começa uma nova época para o Hamburgo, com o jogo da primeira eliminatória da taça, e dia 19 ocorre o primeiro duelo para a Bundesliga. Aí se ficará a ter uma melhor oportunidade de perceber o que este grande clube quer para o seu futuro.

O futuro pode ser mais risonho para o Hamburgo SV, é preciso que quem sente o clube internamente o queira tanto como quem está de fora e o apoia incondicionalmente. Essencialmente, espera-se que os correntes e futuros intérpretes deste grande clube tenham sempre como objetivo honrar o seu glorioso passado e solidificar a dinastia na principal liga alemã, bem como renascer nas competições europeias.

 

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Pedro CouñagoJulho 4, 201712min0

Sendo um dos clubes mais titulados e importantes em Itália, bem como em toda a Europa, o Milan parece querer sair da sua travessia no deserto e voltar a ser uma equipa de respeito, que honra tudo aquilo que foi o seu passado. Neste artigo, o FairPlay explora o possível renascimento do adormecido colosso italiano.

A descida de nível do colosso

De uma equipa que tem 18 Scudettos, a segunda com mais campeonatos em Itália, e que tem 7 Ligas dos Campeões, a segunda com mais títulos da principal competição europeia de clubes, seria de esperar uma luta constante pela manutenção e superação da honra a si associada. Seria de esperar mais do Milan nas últimas temporadas.

Sempre foi um clube que teve uma aura de acolher lendas futebolísticas, como Maldini, Baresi, Nesta, Gattuso, Ambrosini, Seedorf, Shevchenko, Kaká, Pirlo, Inzaghi, o nosso querido Rui Costa, entre outros. Todos estes foram elementos que corresponderam à grandeza do clube e tinham uma vontade constante de vencer, sempre foram essenciais para a manutenção da coesão da equipa milanesa ao longo dos anos. Eram autênticos líderes dentro de campo. A verdade é que, a partir de 2013, nenhum destes jogadores sobrou no plantel, todos se haviam reformado, brilhavam por rivais (Pirlo) ou já não eram os mesmos (Kaká).

Perdeu-se a aura de grande equipa, de colosso. O Milan passou a ser um gigante adormecido, tal passou a ser a mediocridade dos desempenhos da equipa, com um oitavo lugar em 2013/2014, um décimo (!) em 2014/2015, um sétimo em 2015/2016 e, de mal o menos, um sexto em 2016/2017. Esta última época permitiu, na próxima época, um ansiado regresso à Europa, ainda que seja à Liga Europa, a segunda liga mais importante, e não à principal competição de clubes, isso terá ainda de esperar. Para lá chegar, o clube ainda tem passos a dar.

A crise geral no clube

A mediocridade instalou-se no clube porque não houve uma capacidade de renovação da equipa, de acompanhar aquilo que são as novas tendências no futebol e de adaptação. Muita da culpa terá de ser colocada em Sílvio Berlusconi e Adriano Galliani, que se decidiram por um tremendo desinvestimento na manutenção de uma equipa base e pela manutenção de ideias que haviam sucedido nos anos noventa e na primeira década deste milénio, ideias essas que são obsoletas no futebol atual. Na verdade, foi um desinvestimento no clube em geral, que o deixou numa grave crise financeira que se manteve ao longo dos últimos anos e pôs até em causa a questão do FairPlay financeiro.

A verdade é que o futebol evoluiu, e ao contrário de um Milan que desinvestiu, surgiu uma panóplia de equipas que acabou por se sobrepor ao conjunto rossoneri. Nos últimos anos, clubes como a Roma e o Nápoles, essencialmente, vêm cimentando a sua posição nos primeiros lugares do campeonato italiano, com uma gestão positiva das suas filosofias e a capacidade de criar plantéis bastante competitivos, sendo que o único ponto menos positivo poderá ser considerado a sua participação nas competições europeias. Quanto à Juventus, a conversa é completamente diferente, com o diferencial para o Milan a ser absolutamente abismal, nem é preciso fazer comparações.

O clube passou a estar à deriva, com plantéis medíocres, com uma constante mudança de treinadores (cinco treinadores entre 2013/2014 e 2015/2016), algo que se traduziu em quatro épocas consecutivas sem pisar grandes palcos europeus, em prestações catastróficas no campeonato italiano, repletas de resultados humilhantes, no desinteresse por parte de jogadores de renome em ingressarem no conjunto milanês e no protesto por parte dos apaixonados tiffosi. Afinal de contas, estes adeptos não esperavam que o clube fosse cair a pique de forma tão resoluta, sem que ninguém tivesse qualquer ideia de como o evitar.

Muita falta faz o Milan e os seus mais fiéis adeptos à Europa do futebol (Foto: Lapresse)

Muitos dos jogos nas últimas épocas tiveram muito poucos adeptos, isto num estádio histórico como o San Siro, com lugar para 80000 espetadores. Foram raros os jogos em que a assistência foi superior a 40000 espetadores. O apoio nunca poderia permanecer igual visto que os desempenhos da equipa não traduzem a grandeza do clube. Destaque-se, ainda assim, que foram muitas vezes as claques a manter o clube vivo e a não descer ainda mais.

A luz ao fundo do túnel

Na última época, no entanto, viu-se uma certa evolução, em comparação com as 3 anteriores. A equipa possui uma base de jogadores italianos que começou a destacar-se e a guiar o clube a resultados mais condizentes com a grandeza do mesmo, promovendo um regresso à Europa em 2017/2018, que se espera traduzir-se numa boa prestação na Liga Europa e num possível regresso à Liga dos Campeões, mas cada passo a seu tempo.

Jogadores como Mattia de Sciglio, Giacomo Bonaventura, Alessio Romagnoli, Davide Calabria e Manuel Locatelli, em conjunto com os mais velhos Montolivo e Bertolacci, podem constituir a base daquilo que será a construção de uma nova mística de clube grande por parte do Milan, traduzindo-se ainda na construção de algumas possíveis lendas do conjunto milanês que se tentem aproximar daquilo que foi a importância dos seus antepassados, algo que não se revelará fácil.

O drama de nome Donnarumma

No entanto, o jogador de quem mais se fala é Gianluigi Donnarumma, devido a toda a sua polémica nas últimas semanas acerca da sua renovação. Tudo parecia perdido para o clube quando o jogador afirmou que não renovaria o seu contrato, com fim em 2018, algo que, se não se traduzisse numa saída neste defeso de Verão, se poderia transformar numa saída a custo zero em 2018, havendo quem especulasse que poderia ser para a Juventus, como possível sucessor de Gianluigi Buffon. A verdade é que Buffon não poderia ter melhor substituto a longo prazo.

O jovem guardião que é já uma jovem estrela (Foto: Getty Images)

Para o Milan, seria uma grande desilusão perder o jovem guarda-redes, talvez a maior promessa a sair das escolas do clube na última década. Durante o último campeonato europeu de Sub-21, foi divulgada uma notícia que garantia a renovação de Donnarumma, mas tudo não passou de um ato de pirataria, como confirmado pelo jogador. Nessa altura, parecia mesmo que não existia volta a dar.

No entanto, surgem agora novas notícias a confirmar a continuidade de Donnarumma no clube, tendo ele direito a um ordenado altíssimo para a sua idade (6 milhões de euros por época), algo que mostra o quanto o futebol mudou nos últimos anos. Será de questionar se a sua decisão teve por base a vontade de continuar no clube por ser aquele que tudo lhe tem dado ou apenas por causa do chorudo salário que lhe espera. Veremos como se desenrola toda esta questão e quando é que a notícia se torna oficial, mas, sem dúvida alguma, que a manutenção do jogador no clube seria uma excelente notícia para os rossoneri (em termos desportivos) e daria a garantia de segurança às redes milanesas.

A importância de Montella

A filosofia incutida por Vincenzo Montella veio criar uma espécie de sentimento de renascença no clube, não só através do lançamento de alguns jovens na equipa principal, como através de uma melhoria nos resultados da equipa. O regresso às competições europeias e a conquista da Supertaça de Itália, o primeiro título em cinco anos, atestam isso mesmo.  Verificou-se uma melhoria das ideias de jogo e uma maior união do grupo em torno dos objetivos do clube, algo que valeu a Montella a manutenção no comando técnico para a próxima temporada, contrariando aquilo que vinha sido a instabilidade nas anteriores épocas.

Ex-estrela da Roma, Vincenzo Montella está a tentar reerguer o Milan (Foto: Italian Football Daily)

A manutenção do técnico oferece-lhe um maior grau de credibilidade junto dos jogadores, demonstra a confiança no trabalho por si realizado por parte da direção e dá-lhe a possibilidade de criar um legado, de dar continuidade ao início do trabalho feito na passada época. As condições oferecidas serão superiores a 2016/2017, pelo que existe esperança para os lados milaneses.

O fator “dinheiro chinês”

Algo que contribuiu muito para este fator foi a compra do clube por parte de Lin Yonghong e do seu grupo de investimentos, em abril, por 740 milhões de euros, que veio trazer um sentimento de esperança cada vez maior aos adeptos rossoneros. Esta compra do clube acabou por introduzir uma nova era no clube e resolveu um dos grandes problemas do clube, em conjunto com a crise desportiva: a dramática crise financeira pela qual o Milan vinha passando, graças ao desinvestimento por parte de Silvio Berlusconi.

Destes 740 milhões de euros, 200 milhões serviram apenas para pagar dívidas a longo prazo que os rossoneri mantinham, o que revela o fundo buraco em que o clube se encontrava a nível financeiro. Com a recapitalização por parte do investidor chinês e do seu grupo, o Milan resolve estes problemas e pode, agora, atacar a época 2017/2018, com outros argumentos e sem o medo de falhar o FairPlay financeiro.

A entrada de Lin Yonghong no clube veio resolver alguns dos problemas do Milan, sobretudo a nível financeiro (Foto: Goal.com)

Cá estaremos para ver aquilo que Lin Yonghong poderá oferecer aos rossoneri, mas a verdade é que os primeiros passos e as primeiras decisões tomadas parecem acertadas. A nível financeiro, os problemas estão certamente resolvidos. 

A nova cara para 2017/2018

O Milan chega à próxima época com ambições redobradas. As ambições tornam-se tangíveis através das contratações feitas, prioritárias, de renome (dependendo dos casos) e que permitem adicionar qualidade à equipa. São os casos de Ricardo Rodríguez, Mateo Musacchio, Franck Kessié, Fabio Borini, Hakan Çalhanoglu, e, essencialmente, o nosso bem português André Silva. Estas contratações não vieram baratas, mas o dinheiro não é agora problema e, como tal, o clube está a reforçar-se, e bem, para que o clube tenha um grupo de jogadores capazes de lutar por títulos.

Veremos se o jovem português corresponde face às altas expetativas criadas sobre si (Foto: MaisFutebol)

Com estes novos jogadores, o Milan consegue um upgrade àquilo que era o passado plantel, consegue jogadores que podem realmente fazer a diferença e que oferecem um maior leque de opções, essencialmente na transição entre defesa e ataque e na hora de fazer o golo. Do plantel da passada época, a saída que se pode realmente lamentar é a de Gerard Deulofeu (regressou ao Barcelona), que poderia ser um elemento importante num Milan mais ambicioso como aquele que teremos na próxima temporada.

Convém, depois, que os reforços não sejam apenas isso, mas que se insiram na cultura do clube e sejam capazes de formar um conjunto forte com o grupo de jogadores italianos acima destacados. Além disso, a manutenção de alguns jogadores como Cristián Zapata, Juraj Kucka, Suso e Carlos Bacca (quanto ao avançado colombiano, depende da tática a ser usada, com um ou dois pontas de lança), entre outros, seria bastante positiva, de forma a manter a qualidade do grupo no seu geral e a possuir alguma cultura de clube.

Além disso, o Milan está ainda bem ativo no mercado, sendo-lhe reconhecido interesse em jogadores como Lucas Biglia, Emil Forsberg ou até James Rodríguez, pelo que, até setembro, muito pode ainda acontecer. Faltará aos rossoneri encontrar jogadores que permitam uma maior segurança a nível defensivo e, provavelmente, um extremo. O eixo do ataque e o meio campo já foram reforçados de forma significativa, de forma bastante satisfatória.

O projeto a ser implementado

A verdade é que se perspetiva uma subida do rendimento desportivo por parte da equipa rossoneri, uma recuperação já começada na época passada. Seria muito positivo, não só para o futebol italiano como também para o futebol europeu e mundial, contar com um Milan de respeito e a impor a sua força face aos seus adversários, algo que parece ser finalmente possível. Ainda assim, espera-se a implementação de um projeto a médio prazo, pois não será fácil a equipa retomar o seu estatuto de colosso de forma imediata.

Este deve ser um projeto construído de forma sustentada, começando por uma tentativa de qualificação para a Liga dos Campeões na próxima época, uma consolidação nos lugares do pódio do campeonato italiano e depois sim, se possível, uma tentativa de luta pelo Scudetto, algo tremendamente difícil face à máquina que é a Juventus, que tem um domínio incontestável nos últimos anos, para o qual também contribuiu o desaparecimento do Milan, entre outros fatores.

Veremos o que 2017/2018 reserva ao Milan. Nada tem a perder o clube, veremos se consegue retomar o hábito de ganhar.

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Pedro CouñagoJunho 18, 201712min0

Explorar o Tondela é explorar uma história de sonho, que implica a ultrapassagem de diversos obstáculos e contém múltiplos acontecimentos emocionantes ao longo dos últimos anos. Nos últimos três anos, as emoções no clube têm estado num máximo histórico, com este artigo a contar tudo sobre o que tem sido uma viagem atribulada, mas bem-sucedida.

A subida

24/05/2015. Esta foi a data do acontecimento que mudou a vida do CD Tondela e da cidade de Tondela. Há muitos anos que não havia um clube na Primeira Liga proveniente da Beira Alta. O maior clube da região sempre foi o Académico de Viseu por estar sediado na capital de distrito, o que sempre lhe conferiu maior notoriedade. Contudo, o Tondela, desde 2005 até 2015, foi subindo de forma meteórica de divisão, desde as Distritais, até que, em abril de 2015, o sonho estava muito próximo.

Faltava um mês para o término da época e a equipa auriverde tinha a possibilidade de subir de divisão.  A verdade é que o Tondela acusou a pressão e ficou a sofrer até ao último jogo, sofrendo inclusivamente uma pesada derrota por 3-0 em casa com o Desportivo das Aves, algo que colocou em causa a subida. O duelo com o Freamunde, na última jornada da época, era decisivo. Três equipas disputavam os dois lugares de subida: Desportivo de Chaves, Tondela e União da Madeira.

Com a vitória do União da Madeira, ficava a subida do Tondela garantida, mas o União não subia, algo que se alterou radicalmente com um golo ao cair do pano, passados já quase 4 minutos dos 90 regulamentares, que não só garantiu a subida de União e Tondela, como ainda deu o título da Segunda Liga ao conjunto beirão. Aquele momento foi muito ansiado ao longo de largos anos, e ainda teve o condão de acabar com o sonho do Chaves em regressar à Primeira Liga (sonho concretizado no ano seguinte, e, curiosamente, mais um caso de sucesso ao longo dos últimos anos).

Cedo se anteciparam vários cenários e vários desafios. Era uma equipa desconhecida, que muitos consideravam não ter estofo para uma primeira divisão, devido a nunca ter passado pela experiência. E a verdade é que o fantasma da primeira época na Primeira Liga e o cenário de descida imediata pairou durante bastante tempo na equipa. 

O primeiro milagre

Os dois primeiros grandes desafios passaram pela construção de um plantel competitivo e pela renovação do estádio. Ambos se refletiram diretamente no desempenho dos beirões na primeira volta da temporada 2015/2016. Apenas na 13ª jornada pôde o Tondela jogar no seu estádio, já a meio de dezembro, e jogar tantos desafios longe do seu reduto traduziu-se em derrotas, muitas derrotas. A equipa apenas conquistou 5 pontos em 12 jornadas, resultando em duas chicotadas psicológicas: Vítor Paneira, à 5ª jornada, e Rui Bento, ao fim de mais sete.

O plantel era mediano para aquilo que eram as pretensões da equipa, comparado com as restantes equipas em luta direta. O onze tipo continha poucos elementos de real destaque, tirando Jhon Murillo (prodígio emprestado pelo Benfica), Nathan Júnior (melhor marcador da equipa com 13 golos, o autêntico salvador da equipa), Wagner (experiente extremo direito) e os capitães Pica e Kaká, dois centrais de rijos rins, mas de uma entrega inigualável no clube. A contratação de Zubikarai, ex-guardião da Real Sociedad, por exemplo, prometia alguma segurança à necessitada baliza tondelense, mas a verdade é que fracassou e teve de ser Cláudio Ramos, já há muitos anos na equipa, a defender as redes da equipa na segunda volta, e a verdade é que acabou por ser um dos grandes heróis. Podia ser-lhe feita uma estátua dada a monstruosidade das suas exibições, tanto em 2015/2016, como em 2016/2017. 

A grande transformação do Tondela passou pela entrada para o comando técnico de Petit. É inegável reconhecer este fator, já que o técnico conseguiu incutir na equipa uma raça e determinação na equipa que até aí não eram vistos. Após a viragem do ano, com a entrada de Petit, deu-se uma transformação quase milagrosa nos resultados do clube, que resultou na conquista de 22 pontos na segunda volta, e de uns incríveis 17 nas últimas 8 jornadas.

Tal como no ano da subida, o Tondela necessitava de um bom resultado no último jogo para alcançar os seus objetivos, e a verdade é que o conseguiu, vencendo um histórico do futebol português que acabou por descer de divisão, a Académica. Em conjunto com a derrota do União da Madeira, as estrelas alinharam-se e o milagre aconteceu: o Tondela havia sobrevivido a uma intensa batalha pela manutenção e estava na Primeira Liga para contar a história.

O primeiro salvador do Tondela (Foto: Lusa)

Uma época salva por Petit e com alguns resultados de destaque, como a vitória no Dragão por 1-0 ou o empate nos últimos minutos frente ao Sporting por 2-2, em pleno Estádio de Alvalade, que colocou muita pressão nos leões e, de certa forma, os arredou do título. Muito se especulou sobre se havia sido um golpe de sorte, se alguma vez o Tondela teria a mesma sorte no ano seguinte. O que acontece no ano seguinte é ainda mais incrível.

O milagre a dobrar!

A época 2016/2017, para o Tondela, pode ser descrita por uma palavra: destino. É verdade, teve de ser o destino a ditar um desfecho incrivelmente semelhante àquele da época anterior. A verdade é que os dois primeiros jogos (frente a Benfica, em casa, e Desportivo de Chaves, fora) pareciam indicar uma maior consistência de jogo, uma equipa mais predisposta a lutar pelo resultado e com mais possibilidades de lutar firmemente pelos seus objetivos. Mas depois tudo voltou ao panorama anterior, da primeira volta da época anterior, com apenas 2 vitórias nas primeiras 12 jornadas. Os resultados vinham a conta gotas, algo que, mais uma vez, se pensou não ser suficiente para uma equipa da dimensão do Tondela.

Mais uma vez também, o plantel era insuficiente. Convém notar que existiram algumas boas adições ao mesmo, pelo menos à primeira vista, como os laterais David Bruno e Jailson, os médios Claude Gonçalves e Pité (que desiludiu), e o atacante Miguel Cardoso, que, com a permanência de jogadores como Murillo e Wagner, permitiam alguma esperança. Mas a verdade é que o centro da defesa e o ataque ressentiam-se da construção desequilibrada do plantel, pois Kaká e Pica não chegavam para todas as batalhas e saiu Nathan Júnior, o principal abono de família na época anterior, sem que algum outro jogador o substituísse convenientemente. Apenas Murillo chegou à marca dos 5 golos durante toda a época.

Murillo, um dos elementos mais importantes nas últimas duas épocas (Foto: Maisfutebol)

Quem sofreu as consequências? Petit. A 9 de janeiro, 13 meses depois de chegar ao comando técnico da equipa, o treinador pediu a demissão devido ao mau momento da equipa, que permanecia no último lugar do campeonato. Pediu a demissão depois de uma derrota caseira por 2-1 com o Arouca, derrota irrelevante no final do campeonato, mas excelente do ponto de vista da necessidade de mudança. O mais curioso? O jogo com o mesmo Arouca, em casa deste, revelou-se capital na história da época do Tondela.

Não seria fácil para qualquer treinador assumir o cargo numa altura tão delicada. A direção apostou em Pepa, uma opção arriscada tendo em conta que o treinador havia sido anteriormente despedido do Moreirense devido a maus resultados. Petit, o anterior técnico do Tondela, foi, dois meses depois, treinar o Moreirense, algo que reflete a dança das cadeiras existente no futebol português no que a treinadores diz respeito.

A adaptação de Pepa não foi nada fácil. O técnico começou por fazer uma boa leitura e trazer alguns reforços necessitados, como o caso de Osorio (central), Pedro Nuno (médio atacante, emprestado pelo Benfica) e Heliardo (ponta de lança), que, entre eles, marcaram 7 golos importantíssimos na segunda volta. Mas a verdade é que o poderio das novas aquisições demorou a traduzir-se em pontos.

É reconhecido a Pepa um estilo de jogo positivo, com bastante apetência pela posse de bola, mas a verdade é que os erros individuais dos seus jogadores se sucediam, transformavam-se em derrotas e o Tondela parecia não conseguir reagir. A primeira vitória de Pepa surgiu a 28 de janeiro, frente ao Desportivo de Chaves, por 2-0, mas a segunda apenas surgiu a meio de abril, frente ao Rio Ave. Pelo meio, 9 jogos em que a equipa conquistou apenas 4 pontos, estando assim cada vez mais condenada à descida. A equipa chegava à 29ª jornada, ao jogo com o Rio Ave, com apenas 17 pontos, um registo claramente insuficiente para a salvação e o cenário da despromoção adensava-se.

O jogo com o Rio Ave mudou tudo. Essa vitória caseira, sofrida, por 2-1, pareceu dar o clique de que a equipa precisava para, pelo menos, continuar ligada às máquinas e sonhar com a permanência. E a verdade é que o Tondela conseguiu mais uma vitória, frente ao Nacional, mantendo a esperança viva. Depois, surgiu um percalço no Bessa, com uma derrota inglória, corrigida com uma vitória caseira frente ao Vitória de Setúbal. Do nada, 3 vitórias em 4 jogos davam alento e esperança ao grupo auriverde para a real final, que podia (e, na realidade, iria) decidir tudo: Arouca-Tondela.

O Arouca, se vencesse, garantia a manutenção e atirava o Tondela para a Segunda Liga. Se o Tondela ganhasse, adiava tudo para a última jornada. Este jogo pode-se considerar como um dos mais importantes e históricos do clube tondelense, e principalmente para Pedro Nuno, já que o jovem médio apontou dois excelentes golos que deram a volta ao jogo e garantiram a única vitória fora de portas da equipa, por 2-1. E que altura para vencer!

Chegava a última jornada, e 3 equipas estavam em disputa por dois lugares na Primeira Liga: Arouca, Moreirense e Tondela. Aquele que poderia parecer ter o jogo mais acessível, frente ao Estoril, perdeu, com as duas outras a vencerem Porto e Braga, respetivamente. Ou seja, o Tondela, mais uma vez, na derradeira jornada, conseguiu evitar a descida de divisão na última jornada, ganhando a uma das mais fortes equipas do campeonato por 2-0.

A massa adepta do Tondela a festejar com os seus heróis (Foto: Maisfutebol)

Esta recuperação teve um sabor ainda mais especial que a da época transata, com a conquista de 15 pontos nas últimas 6 jornadas. O destino sorriu ao Tondela dois anos seguidos, e acabou por atirar o Arouca (lembram-se da saída de Petit?) para a Segunda Liga, quinto classificado em 2015/2016 e que, durante a época, disputou uma eliminatória bastante renhida com o heptacampeão grego Olympiacos. Naturalmente, a festa foi rija na Beira Alta, e ninguém pode discutir que os jogadores auriverdes mereceram tudo aquilo que alcançaram.

À terceira é de vez, a vez da consolidação ou “Não há duas sem três”?

Já se percebeu que o Tondela é uma equipa imprevisível, que nunca se pode nem deve descartar em qualquer ocasião. Tal faz com que não seja fácil prever como se comportará o Tondela versão 2017/2018.

Levantam-se três cenários: a possibilidade do ditado “À terceira é de vez” se concretizar e, depois de dois milagres, a equipa acabar por descer à Segunda Liga; a equipa se consolidar no panorama da Primeira Liga e conseguir realizar um campeonato tranquilo; ou, por fim, a equipa acabar por operar um terceiro milagre e fazer uma má primeira metade de campeonato, acabando-a de forma espetacular e a evitar a descida no último suspiro. As respostas ficam todas para a próxima edição da Liga NOS, sendo que, daqui, fica um desejo de que a equipa continue a fazer história em termos internos, de clube, e em termos regionais, já que a Beira Alta merece ter um clube na Primeira Liga.

Já começaram a ser dados alguns bons passos na consolidação, com a garantia da manutenção de David Bruno e Pité (de quem se espera mais) a nível definitivo, e as contratações de Joãozinho e Ricardo Costa, dois defesas bastante experientes e boas aquisições para a realidade do clube. Mais importante ainda, a renovação de Pepa, que sugere uma confiança da direção no seu trabalho e vem trazer um maior grau de segurança ao técnico e à sua equipa.

O segundo salvador do Tondela. Que fará ele a seguir? (Foto: Maisfutebol)

Por outro lado, nota-se também uma espécie de renovação de almas em Tondela, com as saídas de Pica e Kaká, que muito deram ao clube, mas que agora saem para rumar a outras paragens, deixando assim um espaço aberto ao que necessita de ser um reforço do centro da defesa, além de Ricardo Costa.

Existe muita curiosidade para ver o que faz o Tondela na sua terceira época consecutiva na Primeira Liga e espera-se que o clube continue a dar cartas no panorama nacional, de forma a honrar todo o esforço e dedicação que tem sido posto em campo nas últimas três temporadas.


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