17 Ago, 2017

Nélson Silva, Author at Fair Play

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Nélson SilvaMaio 31, 20176min0

O tetracampeonato conquistado pelo Benfica intensificou o interesse dos grandes tubarões europeus e é agora tempo de avançar na caça às melhores presas. Sem grandes surpresas, vários foram os jogadores a confirmar o seu valor. Afastadas as lesões, com a forma recuperada, os atletas mais promissores que foram o rosto desta conquista estão na iminência da saída. Entre muitos milhões de euros e muita cobiça, chegou a hora de apontar os principais alvos à saída.

Ederson

A contagem é já decrescente, calcula-se apenas quando se fechará o negócio. Ederson teve “só” mais uma época para se afirmar como um dos melhores e mais promissores guarda-redes da atualidade. Implacável dentro dos postes, mostra também um à vontade fora do comum no momento de sair aos cruzamentos. No “1 para 0” defensivo, o guardião brasileiro já conseguiu também, por várias vezes, salvar o Benfica. Quem não se lembra da defesa aos pés de Arnold (V. Setúbal) na época passada e a saída aos pés de Soares (FC Porto) no último clássico?

Como se estas qualidades não fossem suficientes, Ederson tem ainda uma arma secreta, talvez aquela que mais tem impressionado: o seu pontapé é tão forte que consegue bater um pontapé de baliza com a bola a cair na área contrária. Um “dom” que até valeu uma assistência decisiva no jogo de confirmação do título, bem como obrigou várias defesas a desorganizarem e reajustarem-se para não serem apanhadas de surpresa.

Manchester City deve ser o clube a seguir, uma vez que a equipa de Guardiola superou a concorrência pela contratação do brasileiro e o Benfica já confirmou as negociações à CMVM.

Foto: Globoesporte

Nélson Semedo

Do adeus às lesões à confirmação do que era também expectável. Uma técnica invulgar, aliada a uma velocidade impressionante, que muitas vezes permite ao lateral ganhar vários lances em que faz questão de “dar o corredor” aos extremos contrários. Ninguém estranha que o jogador atuava como “10” quando chegou para jogar na equipa B dos encarnados. A falta de laterais levou a Hélder Cristóvão adaptar Nélson à direita e a escolha não podia ser mais acertada. Quis o destino que as portas da equipa A se abrissem para o português, por força da saída do dono do lugar durante várias épocas – Maxi Pereira. Semedo teve a capacidade de dissipar quaisquer saudades que o uruguaio podia ter deixado aos adeptos encarnados e não fosse a lesão que contraiu na primeira chamada à seleção​.

Sondado pelo Bayern de Munique, surge agora o forte interesse por parte do Barcelona, que pretende reforçar uma posição onde os catalães se encontram debilitados, ao ponto que até André Gomes foi forçado a atuar a lateral direito na final da Taça do Rei. Nélson Semedo é um dos laterais mais cotados do mercado e certamente trará aos cofres da luz uma quantia bem avultada pelo seu passe.

Foto: Rádio Renascença

Foto: Taiwan News

Victor Lindelof

Provavelmente o elemento menos regular dos até agora falados. Ainda assim, em pouco ou nada esse aspeto retira valor às qualidades apresentadas pelo central sueco, que foi melhorando com o regresso do “velho patrão” Luisão. Aprendiz, Lindelof adquiriu competências táticas e complementou as debilidades do seu “professor”. Com velocidade e  grande capacidade na saída de bola/  primeira fase de construção ofensiva, não se privou de fazer passes e dribles entre-linhas.

A época não podia terminar de melhor forma para Lindelof, que na fase decisiva e em pleno Estadio de Alvalade, teve nos pés a oportunidade de garantir um precioso ponto na luta pelo título, executando de forma exemplar um livre direto. O “Iceman” tratou de fazer jus à sua alcunha e foi um dos maiores responsáveis por proteger a curta vantagem com que o Benfica seguia na frente do campeonato.

A versatilidade do sueco não fica por aqui. Quem o segue há algum tempo não estranhou a facilidade com que joga com a bola nos pés, uma vez que este até se destacou na conquista do ultimo título europeu de sub-21 como lateral direito.

O interesse do Manchester United é já de longa data e este será, provavelmente, o único jogador que a equipa de Mourinho conseguirá desviar do rival City, que parece já ter ganho o concurso por Ederson.

Foto: Rádio Renascença

Foto: Red Devil Armada

Dos demais culpados pelo tetracampeonato encarnado, existem vários nomes sondados para seguirem a outras paragens. Será o caso de, por exemplo, Pizzi e Mitroglou, mas numa perspectiva de negócio diferente. Estes são jogadores já mais experientes, cuja margem de progressão é mais curta em relação aos três nomes mais sonantes já falados, em que os clubes estão mais reticentes a pagar valores muito altos. Jonas não escondeu que o “tetra” abriu portas para muitos atletas serem agora sondados por clubes com outro poderio financeiro, das ligas mais competitivas da Europa. Não excluindo qualquer interveniente desta caminhada gloriosa dos encarnados, onde caberia Grimaldo não fosse a sua lesão que o fez parar grande parte da época, parece certo que os maiores negócios terão como grandes protagonistas os 3 jovens promissores: Ederson (Man. City), Nélson Semedo (Barcelona/ Bayern de Munique) e Victor Lindelof (Man. United/ Man. City).

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Nélson SilvaFevereiro 25, 20171min0

Da presença na Taça de Portugal, à conquista da Supertaça da AF Porto – o Barrosas surpreendeu, subiu ao céu mas teve de descer à terra. Um 2016 com muita história para contar naquela que é a maior associação de futebol distrital do país, a AF Porto. A terminar a fase regular, a equipa do concelho de Felgueiras continua a fazer pela vida e a tentar afirmar-se como um conjunto a ter em conta na divisão que separa o futebol distrital do nacional.

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Nélson SilvaFevereiro 12, 20175min0

Enterrados no fundo da tabela, desmotivados pela sequência de maus resultados e pela consequente impaciência dos adeptos – quem assume o grande desafio de contrariar o rumo dos acontecimentos e tentar uma manutenção quase milagrosa do Hull City? De entre várias propostas, Marco Silva escolheu a missão mais espinhosa, mas aquela da qual sabe que pode colher mais frutos na sua projeção.

Se há jogadores que insistem numa carreira até perto dos quarenta anos, Marco Silva não é um deles. Com apenas trinta e nove anos, já é treinador há seis temporadas e tudo começou no último clube por onde passou na sua carreira como jogador. Com o Estoril a disputar a Segunda Liga e numa situação complicada, a direção decidiu dar um voto de confiança àquele que havia sido um jogador que mostrou grandes conhecimentos para assumir o cargo. O resultado? Subiu a equipa à Primeira Liga. A estrear no topo do futebol português, as equipas que sobem habitualmente se focam em garantir a manutenção, mas o técnico foi ainda mais ambicioso. O Estoril alcançou o quinto lugar e o consequente acesso inédito à Liga Europa. Na época seguinte, Marco justificou que não se tratava de um milagre. Conseguiu melhorar a marca histórica e terminou o campeonato em quarto lugar.

Foto: MaisFutebol

Com o Sporting a precisar de um substituto para Leonardo Jardim, a escolha foi óbvia e Marco Silva voltou a mostrar serviço. Uma Taça de Portugal e uma época em que se voltou a assumir um Sporting candidato ao título, como só acontecera com Jardim nos últimos anos. Contudo, esta terá sido a fase mais conturbante da carreira de Marco Silva. Sem alcançar o tão desejado título pelos leões, com Jorge Jesus na calha para assumir o cargo, foi empurrado para fora do clube e seguiu para o Olympiacos. Por lá bateu o recorde de vitórias de uma equipa no campeonato grego e cedo se tornou campeão. Se o clube grego já era quase crónico campeão da Grécia, Marco deu-lhe ainda um toque especial, com a aliciante de ter vencido no terreno do Arsenal para a Champions, o que obrigou os gunners a suarem para depois garantirem a passagem à fase seguinte. Terminada a temporada, para surpresa de todos e por falta de entendimento com a direção, Marco Silva deixou o clube e fez a primeira pausa desde que começou a ser treinador. Propostas certamente não lhe faltaram, mas Marco procurava um desafio especial, algo que o pudesse colocar ainda mais alto, nas bocas da elite do futebol europeu.

Foto: Rádio Renascença

O desesperado Hull City, ao deparar-se com meia época desastrosa e “condenado” à descida pelo andar da carruagem, decidiu abordar o técnico e o português não temeu. O calendário assustava, com desafios à cabeça com Man. United, Chelsea, Liverpool e Arsenal. De cabeça levantada, depressa colocou mãos ao trabalho, seguiu com a sua equipa técnica e logo com um reforço de peso: Hugo Oliveira, o prestigiado técnico de guarda-redes que havia terminado uma longa ligação ao Benfica no final da temporada passada. Aqui depressa se viu um trabalho quase invisível mas muito importante: Jakupovic passou a titular indiscutível na baliza, algo que os adeptos há muito pediam. Os resultados não demoraram a aparecer, principalmente a nível exibicional, dado a que os adversários lutam por objetivos bem diferentes. Arredado da Taça da Liga pelo Man. United, ainda venceu o compatriota Mourinho na segunda mão, conseguindo depois tirar-lhe pontos no campeonato. A eliminação da FA Cup aos pés do Fulham terá sido o momento mais atribulado até agora, mas o português começava a conquistar os críticos da Premier League, pois já havia complicado a vida ao poderoso Chelsea. A afirmação de Marco Silva dá-se com o empate em Old Trafford e a surpreendente vitória em casa, frente ao Liverpool. O mais recente jogo dos Tigers voltou a mostrar que Marco não se vai render a qualquer adversário. No Emirates Stadium, seguia em desvantagem na segunda parte, mas assumiu as rédeas do encontro e esteve muito perto de surpreender. Tudo isto com uma mudança brusca, um novo conceito, uma equipa à sua imagem e com os reforços possíveis, mas sempre escolhidos com critério.

Foto: Hull City @Twitter

O caso mais flagrante é mesmo o de Markovic. O técnico não tem memória curta, recorda-se das capacidades do sérvio quando este passara pelo Benfica e agora resgatou-o, conseguindo desde já começar a potenciar o jogador novamente. Mas a revolução não se ficou por aqui, tendo outros reforços já se destacado recentemente. Desde Niasse, N’Diaye, Ranocchia, Grosicki, Mason, Elabdellaoui e até Evandro, todos eles possuem qualidades apreciadas pelo treinador português, que mostra estar cada vez mais preparado para qualquer eventualidade e para uma segunda volta histórica, bem ao seu estilo. O calendário passa agora a ser mais “amigo” dos Tigers, os ossos mais duros de roer tranformaram-se num reforçar da confiança da equipa e por vezes isso vale tanto ou mais do que uma vitória. Ninguém adivinha o futuro, não se pode garantir que se confirme o tão desejado objetivo da manutenção, mas Marco Silva já descolou o Hull City do fundo da tabela e de garras cada vez mais afiadas para se lançar na luta.

Foto: SkySports

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Nélson SilvaNovembro 18, 20167min0

Da monotonia de um ritmo aborrecido ao impacto frenético do “heavy metal”. O gigante há muito adormecido vai começando a reerguer-se, o “You’ll never walk alone” é agora empurrado por uma crença que parecia perdida no tempo. O tempo, esse que Klopp pediu e que vai justificando, esse que poderá, quem sabe, ditar o regresso ao trono. Não há títulos antecipados, mas é um facto que o Liverpool assume a liderança da Premier League, com uma alma renovada, em que a união e a entrega primam entre os valores mais altos.

É verdade, já chega de ficar a falar da história, de uma conquista épica da Liga dos Campeões frente ao AC Milan, ou até das vitórias morais da “era Suárez”. Benítez passou tempo a mais a tentar aquilo que parecia cada vez mais impossível. Brendan Rodgers era o sangue novo que entusiasmou embalado pelo talento assumido de Suárez e uma época inesquecível de Sturridge. No entanto, nada se conquistou. A “escorregadela” de Gerrard acabou por culminar, de uma forma muito injusta até para o capitão, o desastre de uma época que parecia prestes a pôr fim ao jejum. Ao longo deste largo período sem triunfar, uma carrada de tiros no escuro, investimentos absurdos e um leque de deceções onde os 41 milhões por Andy Carroll explicam muito do que estava errado nesta casa. Era o desespero, a sede de ganhar suplantava a necessidade de criar uma base sustentável, ia-se investindo “à toa” e logo se via se resultava.

Anos depois, chegou a oportunidade que o colosso inglês não podia deixar fugir. Dinheiro continuava a faltar, alguns bons jogadores e outros desaproveitados também não. Faltava um timoneiro à altura, alguém ambicioso, capaz de acreditar no projeto e levantar a equipa, com a paciência e motivação necessária. Jurgen Klopp estava disponível, depois de conseguir o impensável pelo Borussia de Dormund, relançando o clube à glória, com um título na Bundesliga e uma final da Liga dos Campeões. O alemão voltou a demonstrar o seu apetite por desafios e agarrou a vaga no Liverpool na temporada passada, em outubro, após um início dececionante dos Reds na temporada.

Foto: SkySports
Foto: SkySports

Rapidamente as coisas começaram a mudar. Aos poucos, aqueles suspiros de desespero em Anfield Road desapareciam. Por muito que lhe faltassem os “ovos”, Klopp ia fazendo omoletes e impondo a sua filosofia de jogo. O perfeito exemplo da sua “mão” no clube foi a afirmação de Roberto Firmino, a quem muitos já torciam o nariz, por ser mais um senhor 40 milhões desperdiçados. Apesar de não conseguir os resultados quantitativos necessários para a corrida ao título, a atmosfera ganhava outra vida. Os adeptos sabiam que era preciso tempo, um tempo agora precioso, para que o técnico alemão justificasse o seu talento. A grande prova de que Klopp merecia a paciência aconteceu numa reviravolta épica frente ao seu anterior clube, o Borussia de Dortmund. Klopp nunca deitou a toalha ao chão, ensinou os seus jogadores a levarem a crença até ao último lance da partida e conduziu a equipa à final da Liga Europa. Após a vitória frente ao antigo clube, uma ordem do alemão: ninguém toca no mítico quadro “This is Anfield” à entrada para o túnel, até que o clube ganhe alguma coisa. O Sevilha tirou a primeira tentativa ao vencer a Liga Europa, mas ficou bem patente a presença de novos ares, a confiança renovada, uma perspetiva risonha de um futuro onde Jurgen Klopp podia finalmente reforçar a equipa à sua maneira.

Foto: Mirror
Foto: Mirror

A presente temporada confirma, até então, todas as expectativas. Da baliza até à frente, Klopp não esqueceu nenhum setor e com um investimento ponderado (extremamente ponderado, se olharmos a Manchester City e Manchester United), montou um plantel equilibrado, capaz de lhe dar as garantias necessárias. Klopp não dorme, bem viu como o setor defensivo estava debilitado. Um simples Mignolet, para começar, não inspirava a confiança necessária e chegou Loris Karius para assumir a despesa, confirmando o seu talento. Daí para a frente, houve Matip e Klavan para o centro da defesa, Wijnaldum para o miolo e um Sadio Mané para o apoio a Firmino nas ofensivas a todo o gás do Liverpool. Da prata que havia em casa, se alguns jogadores já justificavam a sua preponderância, com o alemão colocam-se a um nível brutal. Clyne assume-se como um dos melhores laterais da Premier League, Henderson vive o seu momento mais alto da carreira, capitaneando a equipa e com uma preponderância nunca antes vista. Da mesma forma, o experiente médio James Milner parece rejuvenescido e a sua entrega delicia Klopp e as suas exigências para cada partida. Lallana, Emre Can, entre outros, são uma amostra que a mais valia está num plantel poderoso, capaz de se completar com diferentes soluções. Daí para a frente já nem há palavras. O nome Coutinho diz tudo. O brasileiro enche todas as medidas, alia a capacidade técnica à velocidade, visão de jogo e remate de meia distância. À sua frente, um Mané endiabrado. Se o senegalês já deixava os adeptos do Southampton com água na boca, o seu momento de forma em Liverpool coloca-o nos lugares do topo da lista de grandes sensações da liga. Frieza na finalização, velocidade e capacidade técnica e tática invejáveis, uma caixinha de surpresas de quem abusa da antecipação aos defesas contrários. Tão determinante que até caem no esquecimento outras soluções também muito utilizadas, como Divock Origi e o azarado Daniel Sturridge, que ainda assim vai deixando a sua marca no clube de Merseyside.

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Foto: Liverpool Echo

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Foto: Liverpool Echo

O conto de fadas até pode não ter o final mais feliz, há muito para jogar e inúmeros serão os fatores que ditarão quem levantará o tão desejado e disputado troféu de campeão inglês. Certo é que, nesta altura, o Liverpool comanda a liga, contrariando as expectativas em torno da chegada de Mourinho e Guardiola ao comando dos rivais de Manchester. Jurgen Klopp gosta de ver os focos virados para outros lados, os “outros” é que são favoritos e o Liverpool está apenas a tentar dar o seu melhor. Só quem não acompanha podia deixar passar despercebida a valia de Klopp, o seu incessável sorriso reflete sabedoria, ao passo que as suas lições de moral e motivação permitem unir um balneário de meter inveja a qualquer equipa. Aqui não há tensão, se uns se viram a tudo e mais alguma coisa para justificar os maus resultados, Klopp relativiza e aponta a um futuro risonho, porque o que virá será melhor. A alma está devolvida, o hino da casa entoa com uma paixão ainda mais intensa e se há candidato embalado pela euforia, este mora em Anfield. Os Reds estão à espreita, sem pressas e a mostrar que o futebol também se joga muito de sorriso no rosto.

Foto: Empire of the Kop
Foto: Empire of the Kop

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Foto: SkySports

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Nélson SilvaOutubro 17, 20165min0

José Mourinho, Manchester United e Premier League – um suposto mix explosivo para a temporada 2016/2017. Os resultados passaram do entusiasmo puro às dúvidas e questões. Terá, ainda, o Special One o que é preciso para ser um vencedor?

O momento não podia ser mais indicado. Após uma fase entusiasmante, bem no início da caminhada de Mourinho no Manchester United, a coisa começou a mudar de figura com vários pontos cruciais a fugirem num curto espaço de tempo. É aqui que tudo muda – o mar de rosas dá lugar à tempestade, o barco abana e o timoneiro Mourinho não consegue guiar a embarcação rumo ao regresso às vitórias.

O carismático técnico português, fiel à sua personalidade, não tem meias medidas em apontar o dedo ao que quer que seja. O problema é que os resultados ficam, a instabilidade é evidente, a qualidade de jogo não impressiona e chega o momento de questionar se as qualidades de Mourinho são suficientes para ofuscar a arrogância e irritação com que digere a falta de vitórias. Os créditos vão escasseando e está na hora do primeiro clássico contra o maior rival, embalado pela excelente fase que passa a turma de Klopp. A diferença entre o panorama atual de cada um destes clubes é abismal. O Liverpool vai ganhando notoriedade aos poucos, começa a entusiasmar os adeptos, há esperança no regresso aos títulos, mas sem promessas. Mais que isso, o técnico alemão solidificou a alma e o espírito de equipa, a alegria com que encaram as partidas é notória e todos os jogadores vão à luta pelo seu treinador. Se a forma de motivar os jogadores é exemplar, então com as vitórias cada vez mais constantes é ainda mais fácil alimentar o ego. Neste aspeto, o Liverpool terá mesmo o grupo de jogadores que terá mesmo a maior confiança no seu mestre da tática.

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(Foto: Premier League @Facebook)

Já os encarnados de Manchester não podem gabar-se da mesma situação. As contratações sonantes, a começar no treinador e a acabar na chegada de Paul Pogba, despertaram o entusiasmo para depois dar lugar à frustração dos adeptos. De repente, com uma inesperada perda abruta de pontos, já nada está tão bem como aparentava. As opções de Mourinho começam a ser questionadas, a “teimosia” da aposta em certos jogadores tende a não produzir os efeitos desejados e o português não esconde a sua desilusão. Se o técnico até pode ter razões para o fazer, esta tem sido uma postura muito criticada pelo clima tenso que se gera no balneário, a começar a fazer lembrar o ano negro no comando do Chelsea.

Foto: NewsWeek
(Foto: NewsWeek)

A poucas horas do grande clássico, há grande interesse em tentar perceber se os jogadores esquecem a fase menos boa e avançam para uma nova cavalgada rumo aos lugares do pódio. A grande motivação será mesmo a recente perda de pontos dos rivais diretos, só que do outro lado estará alguém a pensar exatamente da mesma forma, com uma mente bem mais limpa. Será Mourinho capaz de transmitir a confiança necessária para alcançar o tão desejado sucesso? Quem desilude? Quem impressiona? Há muitas conclusões a tirar perante este grande clássico e ingredientes não faltam para uma noite empolgante de Premier League.

Se em tempos (e duradouros) houve o “Fergie Time”, agora vai havendo a “Rash Hour” – os golos decisivos de Rashford são oxigénio puro para Mourinho respirar neste início atribulado. Contudo, haverá paciência dos Red Devils para aceitar uma temporada aquém das expectativas do técnico português, ou a cadeira mais apetecida do Teatro dos Sonhos continuará a abanar e a catapultar treinadores para o desemprego? Terá o “Special One” um “ano zero” para construir uma equipa com a sua identidade? Uma coisa é certa, Mourinho teve tudo o que exigiu e nem os reforços sonantes torceram o nariz apesar da ausência da Liga dos Campeões. Em dia de grande clássico com o eterno rival Liverpool, frente ao atual treinador do mês que tem feito renascer a esperança dos Reds, chegou o momento mais decisivo até então na temporada para Mourinho. A plateia prepara-se para um verdadeiro espectáculo, há “You’ll never walk alone” para a entrada e o resto é sentar para apreciar – haverá Heavy Metal de Klopp, com um toque de samba de Coutinho? Um golpe de artes marciais de “Ibracadabra”? Ou um “late drama” com direito a “Rash Hour”? Para qualquer adepto de futebol espetáculo, este será certamente mais um dia memorável na história da Premier League.

O registo do Manchester United neste início de época:

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Nélson SilvaSetembro 28, 20166min0

Atribulado, nem sempre convincente, mas eficaz – assim tem sido o início de época dos encarnados. O Benfica segue embalado pelos bons resultados ao passo que as enchentes de adeptos se demonstram também determinantes para empurrar a equipa rumo às vitórias. De Rui Vitória, chega um novo leque de apostas para colmatar as ausências e, como sempre, há surpresas boas e outras que tardam a encher o olho.

Sem Renato Sanches e Gaitán no plantel, aliado a uma praga de lesões que afetou vários titulares, o técnico encarnado viu-se obrigado a encontrar soluções, algumas internas, outras adquiridas no mercado. Das más experiências salta à vista as apostas no miolo, na tentativa de garantir um suplente à altura do preponderante médio defensivo Fejsa. Samaris continua a deixar muito a desejar, está longe de conseguir “lavrar o terreno” que o sérvio lavra sempre que joga, para além de que o grego acumula imensos passes errados quando chamado ao onze. Da América do Sul chegou Celis, desviado da rota do Braga, passou de incógnita a fracasso nos poucos momentos que se apresentou em campo. Demasiado impetuoso, agressivo, arrisca o drible em zona proibida. Culminou o mau início de temporada sendo o responsável por conceder, de forma imprudente, o livre que deu no golo do empate do Besiktas para a Liga dos Campeões, já ao cair do pano. O que mais deixa frustrados os adeptos é o facto de Rui Vitória ter inscrito Celis na liga milionária, em detrimento de Danilo Barbosa, que chegou do Valência com rótulo de craque.

Ainda assim, há muito mais e melhor para contar acerca das novidades do experimentado onze encarnado. Desde reforços do mercado internacional a novas caras da formação do Seixal, certo é que as águias possuem já vários atletas para potenciar e continuar a encher os cofres da Luz.

O pequeno adepto à solta em campo

Sangue novo, bem encarnado, talento e muita mestria, a fazer lembrar o mito encarnado Rui Costa. A classe passa-lhe dos relvados para os pavilhões da Luz, onde é adepto assíduo das modalidades, numa mostra da sua dedicação ao clube, na representação máxima daquilo que é um adepto conseguir chegar ao sonho de vestir o “manto sagrado”. André Horta não dececionou, deu o grande salto para o tricampeão nacional e desde logo agarrou a titularidade. O novo diamante em bruto do Seixal traz características distintas de Renato Sanches, mas ninguém se pode queixar de falta de intensidade. A envergadura está longe de ser a mesma, mas a entrega está lá, há qualidade acrescentada no capítulo defensivo e ainda no passe, para além de um tão ou mais delicioso drible, que já lhe valeu um belo golo de estreia. Dono e senhor do lugar, o nº 8 encarnado saltou diretamente para o colo dos adeptos, de onde saíra Renato Sanches.

Foto: MaisFutebol
(Foto: MaisFutebol)

A reafirmação da surpresa

Veloz, “na raça”, tecnicista e o verdadeiro pulmão que se exige a um lateral. Quem não esqueceu Maxi depois do aparecimento de Nelson Semedo na temporada passada? Foi a grande surpresa do início da época transata, tendo até o reconhecimento de Diego Simeone antes do embate onde os encarnados viriam a bater os “colchoneros”, em pleno Vicente Calderón. Semedo volta a impressionar, principalmente pela qualidade a atacar e pela intensidade que impõe em cada partida. Resta-lhe corrigir algum posicionamento defensivo e não se excitar demasiado na fase de construção ofensiva. As combinações entre toques curtos e a capacidade de dar profundidade do português fazem com que neste momento seja André Almeida a ter que se esforçar para recuperar o lugar. Não restam dúvidas de que, melhorando algumas das suas debilidades, o lateral é mais um dos ativos que mais dinheiro pode fazer entrar nos cofres encarnados.

Foto: ntvsport.net
(Foto: ntvsport.net)

O resgate certeiro à La Masia

Da fornada de ’95, de onde o produto transpira sempre qualidade, Grimaldo foi o escolhido da “cantera blaugrana” para colmatar uma lacuna que ia sendo remendada por Eliseu. O Benfica já “namorava” o menino espanhol há algum tempo. Ele, por sua vez, sentiu que lhe faltaria espaço no plantel principal do Barcelona e aceitou o convite do Benfica para ter mais possibilidades de potenciar o seu talento. Paciente, teve uma primeira época na sombra de Eliseu, dono e senhor do lugar, apesar das deficiências defensivas que lhe eram reconhecidas. Sempre que foi chamado respondeu à altura, aguardou serenamente a sua oportunidade e não a deixou fugir quando Eliseu perdeu a pré-época devido a férias, após a conquista do campeonato europeu por Portugal. Grimaldo é um exemplo perfeito da insistência que é aplicada na formação catalã a nível tático. Toque curto, “toca e vai”, cria desequilíbrios com tabelas entre colegas e ainda demonstra rasgos individuais capazes de desmontar a defesa contrária, à medida que delicia os adeptos. Peca essencialmente por algum desacerto defensivo, para além de alguns momentos em que arrisca demais na saída para o ataque, à semelhança do novo colega da ala contrária. Incontestável é o talento do espanhol, tem confirmado as expectativas e é já cobiçado por grandes emblemas europeus, como é o caso do Manchester City de Guardiola.

Foto: Record
(Foto: Record)

O melhor Tango é tocado com “la zurda”

Trata-se de “só” mais um pé esquerdo (“la zurda”, como dizem os argentinos) a prometer fazer muitos estragos, proveniente da terra do Tango – Argentina. O Benfica parece estar a acertar em cheio na sucessão de extremos esquerdos e neste caso trata-se mesmo da maior esperança formada no Rosario Central, desde o ex-benfiquista Ángel Di Maria. A um ritmo frenético, com um drible curtíssimo e impressionantes rasgos individuais, chegou e logo fez a diferença frente ao Sporting de Braga na Supertaça. A sua aposta por parte de Rui Vitória tem sido intermitente, mas o argentino vai respondendo da melhor maneira sempre que é chamado e até foi o primeiro a marcar pelos encarnados na presente edição da Liga dos Campeões, quando fora adaptado a jogar na frente ao lado de Gonçalo Guedes. Extremos não faltam no plantel encarnado, mas Cervi tratou de corresponder e depressa, justificando que é uma mais-valia a manter e evoluir no futuro.

Foto: pbs.twimg.com
(Foto: pbs.twimg.com)

São estes os diamantes que mais reluzem, neste momento, a Rui Vitória. Contudo, espera-se o aparecimento de outros jogadores que o técnico procura evoluir, como é o caso de Zivkovic, Danilo Barbosa e os já conhecidos André Carrillo e Rafa. Assim que terminada a onda de lesões no plantel encarnado, serão mais do que boas as dores de cabeça do treinador encarnado, que continua a surpreender pelos resultados positivos e potencialização de ativos no plantel.

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Nélson SilvaAgosto 17, 20163min0

Central argentino quer voltar ao Benfica e aceita baixar o salário; Hernanes apontado como possível reforço das águias; Bendtner na rota de Alvalade; Mario Gómez no Wolfsburgo; Atl. Madrid pede 46 milhões de euros ao Arsenal por Giménez; Diego López apontado ao Chelsea; Mario Suárez apresentado em Valencia; Dante pode rumar ao Nice; Mahrez renova pelo Leicester City.

OFICIAL

  • Mario Suárez oficialmente apresentado no Valencia. O médio espanhol vai assim reforçar a vaga deixada por André Gomes e Danilo Barbosa no meio campo. O médio, de características defensivas, procura reafirmar-se numa equipa a titular, uma vez que passou a última temporada entre Fiorentina e Watford, sendo que os ingleses compraram o seu passe e emprestaram agora o jogador à turma de Ayestarán. Este é o segundo médio a reforçar o clube ché, depois de Álvaro Medrán, ex-Real Madrid.
  • Mario Gómez, avançado ex-Besiktas, confirmado como reforço do Wolfsburgo. O alemão regressa ao seu país de origem para defender novas cores, numa transferência que poderá significar a saída de Bas Dost, ponta-de-lança holandês que tem sido associado ao interesse do Sporting CP. Gómez dispensa apresentações, mostrou na Turquia e no Europeu de França 2016 que os seus 31 anos são um posto. A veia goleadora continua em evidência e o Wolfsburgo garante mais um reforço de peso para o seu plantel.
  • Mahrez, a maior estrela do Leicester a par de Jamie Vardy, acaba de renovar contrato, conforme anunciado pelo clube nas redes sociais. Acalmam os rumores em torno da sua saída, embora possam haver clubes dispostos a bater a cláusula.

RUMORES

  • Ezequiel Garay, central argentino de 29 anos, pode regressar ao emblema da Luz. A saída iminente de Luisão abre portas ao regresso do defesa, que vê com bons olhos a possibilidade de voltar a vestir de águia ao peito, aceitando mesmo baixar o salário para facilitar a conclusão das negociações. (Record)
  • Hernanes, médio brasileiro da Juventus, não entra nas contas de Massimiliano Allegri para a nova temporada e a imprensa italiana que o Benfica pode ser o seu destino. O experiente médio de 31 anos é até um jogador ao estilo de Renato Sanches, com um poder físico evidente e forte na condução de bola. (Gazzetta dello Sport)
  • Nicklas Bendtner é o mais recente nome associado ao Sporting CP. Os leões procuram um reforço para o ataque e são agora dados como concorrentes diretos do Anderlecht, que está também interessado no internacional dinamarquês. (voetbalnieuws.be)
  • Dante pode deixar o Wolfsburgo para rumar ao Nice. (L’Équipe)
  • José Giménez é o grande alvo do Arsenal para reforçar a defesa, mas o Atlético de Madrid pede 46 milhões para avançar com o negócio. (AS)
  • Roberto Pereyra (Juventus) na calha para reforçar o Watford. (SkySports)
  • Koulibaly (Nápoles) pode reforçar o Chelsea. (SkySports)
  • Benteke (Liverpool) na órbita do Crystal Palace. (SkySports)
  • Diego López sondado pelo Chelsea.(zerozero.pt)
  • Joe Hart, guardião que não está nas contas de Pep Guardiola para a temporada, pode ser emprestado ao Everton.(Corriere Dello Sport)
  • Diego Alves (Valencia) na mira do Sevilha. O guardião é também associado ao interesse do Barcelona, caso se confirme a saída de Claudio Bravo para o Manchester City. (Mundo Deportivo)
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Nélson SilvaAgosto 13, 20169min1

Na melhor fase dos últimos anos, o Benfica avança para a temporada 2016/2017 embalado pelo tricampeonato e tentará agora um feito inédito – o “tetra”. Rui Vitória mantém-se no comando, com a serenidade que se lhe reconhece, mesmo após a saída de Nico Gaitán e Renato Sanches. Os encarnados não se deixaram adormecer, agitaram o mercado e as soluções são agora tantas que nem todos podem ficar. Transferências, pré-época e tudo sobre a nova época, num voo sobre aquilo que se pode esperar deste Benfica 16/17.

Transferências

Entradas: André Carrillo (Sporting), Franco Cervi (Rosario Central), André Horta (V. Setúbal), Mitroglou (Fulham), Kalaica (Dínamo de Zagreb), Guillermo Celis (Junior Barranquilla), Óscar Benítez (Lanús), Andrija Zivkovic (Partizan de Belgrado) e Danilo Barbosa (Braga – emp).

Saídas: Bebé (Eibar), Renato Sanches (Bayern de Munique), Nico Gaitán (Atlético de Madrid), Cristante (Pescara – emp), Victor Andrade (TSV Munique – emp), Nuno Santos (V. Setúbal – emp), Candeias (Alanyaspor – emp), Derley (Chiapas – emp), César (Nacional – emp), Mukhtar (Brondby – emp), Djuricic (Sampdoria – emp), Hélder Costa (Wolverhampton – emp), Ola John (Toulouse – emp) e Luis Fariña (Asteras Tripolis – emp).

Pré-época | Perfil

Com altos e baixos, a pré-época das águias fica marcada pelas várias experiências de Rui Vitória, principalmente para colmatar as saídas de Gaitán para o Atlético de Madrid e Renato Sanches para o Bayern de Munique. O momento alto terá sido mesmo o jogo frente ao Wolfsburgo, em que já apareceu Jonas e companhia para se juntarem ao “sangue novo” que chegara aos encarnados. Já em modo oficial, o Benfica superiorizou-se ao Braga na Supertaça por 3-0 e os adeptos puderam verificar que a eficácia transitou da época anterior.

Daquilo que os encarnados mostraram ao longo da pré-temporada, saltam à vista alguns pontos importantes. Seja com Júlio César ou Ederson, a segurança na baliza não é problema. Na defesa, Luisão deixa claras as dificuldades em liderar a defesa como já conseguiu noutros tempos. Os tempos mudaram mesmo de tal maneira que agora é Lindelof o dono e senhor do lugar a central, faltando apenas saber se será Jardel ou Lisandro quem melhor companhia faz ao sueco. Jardel fez uma grande época, é “certinho” a defender, mas a bola nos pés não é de todo o seu forte. Já Lisandro é “bom de bola”, mais agressivo, embora apenas uma aposta mais frequente como aconteceu em certo momento da época passada podem garantir o ritmo necessário para o argentino singrar de águia ao peito. Sem falhas de concentração, é candidato sério ao lugar. Kalaica é claramente uma opção de futuro, pois pouco tempo jogou. Nas alas, Rui Vitória lançou os seus suplentes da temporada passada e ganhou poder ofensivo, mas há que ter em conta o processo defensivo. Grimaldo ganhou pontos perante a chegada tardia de Eliseu, é forte no drible e pode muito bem tirar o lugar ao português. Falta, tal como a Nélson Semedo, maior acerto na defesa. Semedo já havia sido a sensação do início da temporada passada, mas a lesão ao serviço da seleção hipotecou as suas hipóteses de voltar ao onze, perante o acerto de André Almeida no seu lugar. Esta será uma boa dor de cabeça para Vitória e será interessante ver quem fica com o lugar.

No miolo está aos olhos de todos que Fejsa é o dono e senhor do meio campo defensivo, Samaris está muito longe de conseguir bater-se com o sérvio e o reforço Celis mostrou também dificuldades de adaptação. Para o pesado lugar de nº 8 chegou o menino da casa André Horta, que agarrou o lugar e deixou boas indicações, embora em alguns jogos também tenha pecado no capítulo do passe. Falta ver se Danilo Barbosa rouba o lugar ao português, o médio emprestado pelo Braga e ex-Valencia chegou e desde logo assumiu que quer ocupar essa posição. Talento não lhe falta, mas terá de esperar pela sua oportunidade e agarrá-la com unhas e dentes. A dar largura, Cervi chegou e desde logo encantou, foi figura na Supertaça e parece estar encontrado o novo Gaitán, embora ainda seja cedo para lhe atribuir tal rótulo. São vários os extremos que o Benfica fez chegar e alguém vai ter de sair. Pizzi disse “presente” na Supertaça e entre Salvio, Carrillo, Benitez, Zivkovic alguém terá de sair. Para além de que Gonçalo Guedes voltou a dar boas indicações e provavelmente ficará no plantel, até pela versatilidade entre jogar na ala ou na dupla mais ofensiva com um dos pontas-de-lança.

No ataque é novamente “Jonas e outro”, seja ele Mitroglou ou Jiménez. Independentemente do que custou o mexicano, é Jonas que, com o 10 às costas, terá o lugar cativo. O grego parte na linha da frente por toda a preponderância na época passada, mas Jiménez entra sempre com a corda toda e quer justificar o preço que os encarnados pagaram pelo seu passe. Também aqui há muito que se lhe diga, Jovic está longe de estar contente com a falta de oportunidades, para já não falar de Saponjic que apenas atua pela equipa B.

Foto: slbenfica.pt
Foto: slbenfica.pt

Jogador-Chave

Como não podia deixar de ser, vincando a sua importância até com a passagem do mítico nº 10 para as suas costas, Jonas é a figura de proa deste Benfica. Mal o brasileiro entrou em campo nos jogos de pré-época e o caso mudou de figura. Trata a bola como poucos, faz o elo de ligação entre o meio campo e o ataque como ninguém. Jonas é classe, é experiência e sobretudo, o essencial – golos. Pólvora não falta ao maior artilheiro do campeonato transato, que por várias vezes desmonta as defensivas e também assiste os companheiros. Sentirá a falta de Gaitán? Duvida-se, pela forma como Cervi entrou no onze e pela qualidade que ainda resta no banco. A grande dúvida estará no box-to-box, mas o brasileiro estará preparado para apoiar o novo dono do lugar, seja ele Danilo Barbosa ou André Horta. Jonas está de corpo e alma no Benfica, é o ídolo principal da massa associativa benfiquista e nem os milhões da China convenceram o “matador” a deixar o clube onde exprime a sua felicidade. Faz 2 anos que o Benfica resgatou, a custo zero, aquele que agora escreve uma página de história no clube, com golos para todos os gostos e um tal rejuvenescimento que o levou de volta à seleção canarinha.

Foto: MaisFutebol
Foto: MaisFutebol

Jovem Jogador a seguir

A aposta nos jovens por parte de Rui Vitória marca a tão desejada missão de aproveitar os talentos do Caixa Futebol Campus e é mesmo dessa formação que chega a nova atração apontada ao onze – André Horta, que ainda júnior rumou do Benfica para o Vitória de Setúbal, regressa à casa para a oportunidade que tanto desejara para a sua vida. Entrega não faltará, foram evidentes as lágrimas de alegria no jogo da Supertaça, o Benfica está-lhe na pele até por uma tatuagem que o próprio fez com o ano de fundação do clube. A nível físico e tático, André é um jogador bem diferente de Renato Sanches. Há muito trabalho pela frente, o médio precisa de ganhar essencialmente poder de choque, algo que não faltava com a robustez de Sanches. André Horta tem no passe um dos seus pontos mais fortes, mas é também preciso ultrapassar a ansiedade que o levou a cometer alguns erros na pré-época. Bom no drible, não se esquece também das tarefas defensivas e é, tal como era Renato, um jogador que não dá uma bola como perdida. A grande dúvida é se o jovem seguirá firme no onze perante a concorrência de Danilo Barbosa, que vem para o seu lugar e cuja valia é também inquestionável. É mais uma das várias lutas interessantes por um lugar no onze, sendo que Danilo chegou mais tarde e André Horta deve continuar a agarrar o lugar no onze nas primeiras partidas.

Foto: MaisFutebol
Foto: MaisFutebol

Expectativas

O Benfica quer cimentar uma hegemonia que há muito não era vista no campeonato português. O tetracampeonato é o feito inédito que Luís Filipe Vieira tanto ansia, agora que conseguiu terminar com a hegemonia de um FC Porto irreconhecível pelos 3 anos consecutivos sem vencer qualquer competição. Não obstante, os portistas são sempre sérios candidatos e as duas vitórias frente ao Benfica na época passada demonstram que há muito que se lhe diga neste campeonato. O Sporting, a manter os melhores jogadores do plantel, é à primeira vista o rival mais forte na corrida ao título. Cabe ao Benfica demonstrar a regularidade que apresentou na segunda metade da época anterior e tentar apostar na revalidação do título, nunca esquecendo a glória europeia. Não esquecer que este Benfica traçou finalmente um percurso notável na última Liga dos Campeões, naquela que foi mais uma grande montra para os craques do plantel e um verdadeiro “abono” para os cofres encarnados como há alguns anos não se via.

Foto: MaisFutebol
Foto: MaisFutebol

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Nélson SilvaAgosto 13, 201627min0

A febre da Premier League está de regresso e a temperatura subiu como não se via há algum tempo. Mourinho, Guardiola, Klopp, Conte avançam no comando dos grandes candidatos para ver quem sucede ao campeão em título Leicester City. O conto de fadas ficou em 2015/2016, Ranieri afasta-se da candidatura ao título, um segundo milagre não é impossível mas tudo aponta para que a luta se vire para as equipas dos novos e carismáticos técnicos dos tubarões ingleses. Intensidade e entusiasmo não faltará e surpresas da parte dos “pequeninos” são um prato habitual. 20 clubes com objetivos diferentes, ao detalhe. “Welcome to the Premier League 2016/2017″.

Leicester City

2015/2016: Campeão
Estrela: Jamie Vardy
A seguir: Ahmed Musa
Treinador: Claudio Ranieri
Estádio: King Power Stadium (32262 espectadores)
Títulos: 1

O inédito campeão em título inglês iniciou a época 2016/2017 com a mesma filosofia que o levou ao estrelato na época transata: pés bem assentes no chão, longe de assumir favoritismos, com Ranieri a insistir na missão “sobreviver”, com o reconhecido estilo de jogo pragmático onde reina a intensidade. “A meta são os 40 pontos e depois logo se vê o que falta jogar”, voz da experiência do italiano, bem modesto nas suas aspirações. A Supertaça Inglesa acabou por fugir para o “novo” Manchester United de Mourinho, embora a própria margem mínima e o golo alcançado por Ibrahimovic perto do final demonstrem que, uma vez mais, o Leicester será sempre um osso duro de roer para qualquer adversário. A interrogação sobre a continuidade de alguns elementos chave da época passada irá manter-se até ao fecho do mercado já que, até ao momento, apenas N’Golo Kanté mudou de ares, protagonizando uma saída mediática para o Chelsea. As “raposas” estavam preparadas para a saída do médio francês e desde logo fizeram chegar Nampalys Mendy (médio-defensivo do Nice), que terá de tomar conta de uma herança bem pesada. Contudo, são as chegadas para o ataque que despertam maior curiosidade em relação ao Leicester. Bartosz Kapustka, médio ofensivo que alinha também pelas alas, é uma promessa polaca que Ranieri tentará catapultar. A verdadeira atração a seguir dá-se pelo nome de Ahmed Musa, o supersónico avançado de 23 anos, proveniente do CSKA, mostrou desde logo na pré-época grande potencial para fazer a diferença ao lado de grandes nomes como Vardy e Mahrez, cuja montra no mercado pode levar ainda à saída das grandes figuras do título. A história já foi feita, se há muita coisa que pode mudar, não será de todo a abordagem de Ranieri para o futuro, onde se manterá fiel ao 4-4-2. O técnico italiano mantém a humilde palavra de que procurará a manutenção, mas todos os adversários estão conscientes de que a intensidade e o pragmatismo dos comandados de Ranieri estará bem vincado em cada partida, pronto para continuar a surpreender.

Players of Leicester City pose for a group photo before their International Champions Cup (ICC) game against Paris Saint Germain at StubHub Center in Carson, California on July 30, 2016. / AFP / RINGO CHIU (Photo credit should read RINGO CHIU/AFP/Getty Images)
Foto: foxesofleicester.com

Arsenal

2015/2016: 2º
Estrela: Alexis Sánchez
A seguir: Granit Xhaka
Treinador: Arsène Wenger
Estádio: Emirates Stadium (60365 espectadores)
Títulos: 13

Nova época, a mesma questão: será desta? Os adeptos dos gunners estão fartos de apoiar uma equipa que tanto excita como desilude. A fórmula de Wenger parece falhar sempre nos momentos-chave e, no final de contas, de pouco ou nada serve ter apresentado um futebol de grande qualidade. A época passada foi uma das melhores provas do fracasso deste Arsenal há várias temporadas. Com os rivais diretos a não convencerem, os londrinos conseguiram estar no topo da tabela, com exibições convincentes e um estatuto de candidato cada vez mais vincado. A verdade é que a irregularidade dos comandados de Wenger voltou ao de cima e as sucessivas perdas de pontos ditaram a sua sentença. O segundo lugar alcançado é areia para os olhos dos mais distraídos, pois este lugar foi conquistado já depois do título estar entregue ao Leicester, com o Tottenham (único sobrevivente na corrida ao título) a perder sucessivamente pontos até final. Para a temporada que se segue, o clube londrino fez chegar uma nova atração para o miolo, com Granit Xhaka a ser contratado ao Borussia Mönchengladbach. Resta perceber a preponderância que o suíço pode ou não ter, uma vez que a concorrência é extremamente forte, não fosse esse o setor de maior qualidade da equipa. Muito se fala na possibilidade do argelino Mahrez se juntar ao plantel, mas até ao momento não existem novidades para o ataque. De resto, este é um setor muito dependente do chileno Alexis Sánchez que vai dando conta das despesas sempre que pode, sendo que Olivier Giroud é mesmo o único ponta-de-lança de referência da equipa e mesmo assim se vê suplantado muitas vezes por Alexis. Joel Campbell nunca encheu as medidas do técnico francês, muito menos Yaya Sanogo. Seja em 4-2-3-1 ou em 4-3-3, qualidade não faltará para preencher o onze e fundamentalmente descobrir a fórmula para alcançar o tão desejado sucesso que leve ao título

Foto: zimbio.com

Tottenham

2015/2016: 3º lugar
Estrela: Harry Kane
A seguir: Dele Alli
Treinador: Mauricio Pochettino
Estádio: White Hart Lane (36337 espectadores)
Títulos: 2

Finalmente um candidato a ter em conta desde o início da temporada. 2015/2016 foi o ano de afirmação do Tottenham na corrida ao título, pelo que a qualidade demonstrada e o facto de ser o último sobrevivente à concorrência do Leicester acabaram por elevar o nome do clube londrino. Depois de várias épocas de grandes investimentos, os Spurs atingiram a coesão e qualidade necessária para se baterem por objetivos maiores. Pochettino beneficia da saúde financeira do clube que assim não tem necessidade de vender e ainda fez chegar um dos “meninos bonitos” do técnico a Londres. Wanyama chega para solidificar o miolo, claramente uma aposta pessoal e que será aposta recorrente, podendo substituir Dier ou até partilhar de um duplo pivô com o ex-Sporting. Harry Kane é o matador de serviço, muito do sucesso é também fruto da sua inspiração e eficácia, bem como do apoio das suas “sombras” no terreno. Dele Alli explodiu para o futebol inglês, conquistando um lugar cativo no onze e sendo fundamental em várias partidas, tanto a marcar como a assistir. Os Spurs são candidatos muito pela consistência demonstrada (excetuando a reta final) na época transata, em que foram capazes de conquistar vários pontos em terrenos que os rivais diretos não o conseguiram fazer.

Foto: wakamag.com
Foto: wakamag.com

Manchester City

2015/2016: 4º
Estrela: Sergio Aguero
A seguir: Oleksandr Zinchenko
Treinador: Pep Guardiola
Estádio: Etihad Stadium
Títulos: 4

A partir do momento em que anunciaram a contratação de Pep Guardiola para o comando técnico, desde logo demonstraram que o regresso aos títulos é assunto sério para quem tanto “brinca” com dinheiro. O grande dilema é: será Guardiola capaz de implementar a sua filosofia de jogo com sucesso em Inglaterra, ou terá o espanhol de apostar numa nova abordagem a um campeonato bem diferente dos que competiu anteriormente? Uma coisa é certa, qualidade não falta no plantel e há vários jogadores que podem agora ver as suas qualidades “espremidas” por um treinador extremamente dedicado e focado. Guardiola apressou-se a garantir o reforço da defesa e John Stones acaba de chegar para uma posição onde o caríssimo Mangala deixa muito a desejar. Com Kompany na liderança da defesa, caso não surjam as lesões que têm complicado a vida do belga, será certamente entre Otamendi e Stones a luta pela vaga no centro da defesa. Kevin De Bruyne e David Silva partem na linha da frente para ocupar as vagas no miolo, perante tal qualidade com a bola nos pés e a criatividade essencial para o sistema de Pep. Para esta zona chega ainda a maior promessa ucraniana no ativo, o menino Zinchenko, com um drible notável, agilidade e muita técnica que Pep quererá de todo potencializar para o futuro. Na frente, há um talentoso Aguero, cujas desmarcações podem agora ser ainda melhor servidas, baixando desde logo as odds para o argentino em relação a quem poderá ser o melhor marcador do campeonato. Ainda faltam mais de duas semanas para o fecho do mercado e se há equipa que pode ainda adquirir reforços de peso é o Manchester City, o que reforça ainda mais a sua posição de grande favorito à conquista do título.

Foto: zimbio.com
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Manchester United

2015/2016: 5º
Estrela: Paul Pogba
A seguir: Marcus Rashford
Treinador: José Mourinho
Estádio: Old Trafford
Títulos: 20

O rival de Manchester convenceu Guardiola e perante tal aviso de concorrência o United tratou de responder à altura. Chega de Van Gaal e investimentos “absurdos”. O Special One terá a tarefa de conseguir ser o primeiro sucessor à altura do legado de Alex Ferguson. A postura, o palmarés e a experiência na liga são o prato forte para que Mourinho possa ombrear na luta pelo título com o rival da cidade. Ibrahimovic voltou, finalmente, a juntar-se ao seu técnico de eleição, cimentando ainda mais como a coisa ficou séria a partir de agora. O sueco já deixou a sua marca na Supertaça Inglesa, marcando o tento decisivo, numa amostra daquilo que poderá trazer à equipa no futuro. Para não baixar a “excitação” em torno deste novo United, eis que Pogba regressa a casa, com o rótulo de jogador mais caro da história do futebol. Um jogador de verdadeiros “highlights”, com um potencial inegável e que pode melhorar e muito sob o comando do técnico português. Mourinho não brinca em serviço e vai juntando elementos que possam equilibrar a equipa, como é o caso da chegada de Bailly para a defesa, o já falado Pogba no miolo e ainda o talentoso médio arménio Mkhitaryan, de características ofensivas e faro pelo golo. Perante este cenário, o capitão Rooney vê-se obrigado a dar no duro e a tentar voltar à ribalta, para convencer o técnico português. De um modo geral, se há equipa que pode complicar as contas do título ao City é o United, com a vantagem ainda de não ter de se preocupar com a Liga dos Campeões nesta temporada.

Foto: Mirror
Foto: Mirror

Southampton

2015/2016: 6º
Estrela: Shane Long
A seguir: Pierre-Emile Hojbjerg
Treinador: Claude Puel
Estádio: St. Mary’s Stadium (32689 espectadores)
Títulos: 0

Os Saints terminaram a temporada transata num agradável sexto lugar, vincando uma vez mais a sua valia na Premier League. Ninguém fica indiferente a esta equipa, capitaneada pelo homem mais acarinhado pelos adeptos, o central que acompanhou o Southampton desde as divisões inferiores e recentemente campeão europeu – José Fonte. O português continuará a vestir as cores do clube, mas viu sair peças muito importantes do sucesso alcançado até ao momento. Ronald Koeman deixou o comando técnico rumo ao Everton, pelo que será o francês Claude Puel o responsável por manter os Saints em alta rotação. Tarefa difícil perante as saídas de Sadio Mané para Liverpool, Wanyama para o Tottenham e de Graziano Pellè para o Shandong Luneng. O sucessor de Wanyama vem com rótulo de futura promessa – Hojbjerg, 21 anos, formado no Bayern de Munique – embora o holandês Clasie possa ainda dar conta do recado também. Para o ataque chega o portentoso Charlie Austin, para fazer esquecer Pellè e tentar acompanhar Shane Long no fluxo ofensivo necessário para alcançar novamente o estrelato. Transições rápidas, coesão defensiva e eficácia, são muito provavelmente os princípios a manter por uma equipa que sofrerá necessariamente mudanças na era pós-Koeman.

Foto: zimbio.com
Foto: zimbio.com

West Ham

2015/2016: 7º
Estrela: Dimitri Payet
A seguir: André Ayew
Treinador: Slaven Bilic
Estádio: Olympic Stadium (60000 espectadores)
Títulos: 0

Os hammers tiveram uma prestação honrosa na última temporada, as escolhas para o plantel não podiam ter sido mais acertadas, ou não tivesse o clube londrino resgatado Dimitri Payet ao Marselha. O francês foi figura maior da equipa e a sua preponderância na equipa era tal que o extremo chegou ao Europeu como titular e um dos rostos a ter em conta nos gauleses. Ao que tudo indica, Bilic poderá contar com as mesmas figuras de proa de 2015/1026, com a aliciante de ter chegado Sofiane Féghouli do Valencia e André Ayew do Swansea, ambas soluções para o ataque. Da época transata há ainda o “fenómeno” Michail Antonio, jogador que foi assumindo preponderância no onze e que decidiu alguns jogos, marcando a sua presença pela enorme disponibilidade física, quer a atacar, quer a defender. O objetivo será novamente um lugar europeu, não faltarão “bubbles in the air” e um ambiente fervoroso para quem tiver de defrontar os Hammers em sua casa.

Foto: WorldFootball
Foto: WorldFootball

Liverpool

2015/2016: 8º
Estrela: Philippe Coutinho
A seguir: Sadio Mané
Treinador: Jurgen Klopp
Estádio: Anfield Road
Títulos: 18

Chegou a hora de Jurgen Klopp meter literalmente mãos à obra. Chegado com a época anterior em andamento, sem grande margem de manobra para intervir no mercado, o irreverente técnico alemão ainda alcançou a final da Liga Europa. As melhorias foram evidentes, mas faltavam as peças que Klopp tanto necessitava para equilibrar o plantel e lutar por objetivos maiores. Este verão foi animado, da lista do alemão chegaram nomes interessantes para todas as posições – Karius para a baliza, Matip para a defesa, Wijnaldum para o miolo e ainda Sadio Mané para o ataque, com destaque ainda para a promessa sérvia Grujic que tentará singrar num meio campo bem recheado com Coutinho e companhia. Sem saídas de maior impacto, os Reds chegam à temporada atual para bater o pé à concorrência, com um dos treinadores da elite que se “juntaram” para atacar a Premier League 2015/2016. Há ainda alguns dossiers por fechar principalmente no ataque (se Markovic é um caso eminente, então o que dizer de Mario Balotelli) – são 8 os atacantes que o “King of the Kop” tem para gerir, depois de uma época em que foi mesmo Firmino o mais utilizado na dianteira. O Liverpool é a grande incógnita em relação ao enquadramento na corrida ao título, pois não parte com o favoritismo dos rivais de Manchester, mas com Klopp tudo é possível e o alemão tudo fará do que estiver ao seu alcance para chegar ao tão ansiado título.

Foto: zimbio.com
Foto: zimbio.com

Stoke City

2015/2016: 9º
Estrela: Xherdan Shaqiri
A seguir: Marko Arnautovic
Treinador: Mark Hughes
Estádio: Britannia Stadium (28383 espectadores)
Títulos: 0

“But can they do it on a cold rainy night in Stoke?” – uma expressão que ganhou tom ao longo do tempo, que retrata a dificuldade dos adversários em vencerem no Brittania Stadium. Mesmo que não haja frio ou chuva, há uma equipa de qualidade, com jogadores como Shawcross, Imbula, Shaqiri, Arnautovic e Bojan Krkic. Mark Hughes é um velho conhecido da Liga Inglesa, consciente da realidade do campeonato e dos seus adversários. O galês faz-se valer também pelo pragmatismo, conta com boas opções para os diversos setores e estará nesta época novamente apostado em conseguir terminar no top-10, tentando sempre alcançar os lugares europeus. Apesar das expectativas menos elevadas, este é um clube que já mostrou ter poderio financeiro. O resgate de Imbula ao FC Porto por 24 milhões de euros é um bom exemplo, tal como a contratação de Shaqiri ao Bayern de Munique. Arnautovic, tal como Bojan Krkic, serão as setas apontadas à baliza e se há equipa boa para “estragar apostas” é este Stoke, que é realmente capaz de tudo. Uma época tranquila e quem sabe sonhar com um lugar europeu, será a abordagem a tomar pelos Potters.

Foto: zimbio.com
Foto: zimbio.com

Chelsea

2015/2016: 10º
Estrela: Eden Hazard
A seguir: N’Golo Kanté
Treinador: Antonio Conte
Estádio: Stamford Bridge (41,663)
Títulos: 5

Sai Guus Hiddink e chega uma mão forte, um rosto irreverente – Antonio Conte chega com o palmarés que dispensa apresentações ao serviço da Juventus (tricampeão) e ainda com o reconhecimento público de quem o viu levar uma seleção italiana bastante alternativa, surpreendendo pela qualidade apresentada. Roman Abramovich precisava de um novo líder para a equipa, alguém ao estilo de Mourinho, algo que encontrou no técnico italiano. Conte vai arrumando a casa à sua maneira, o verniz desde logo estalou com Diego Costa, para pouca surpresa de quem conhece o avançado hispano-brasileiro. Mercado não lhe falta e para o técnico até abre portas para a chegada de outra referência atacante, embora tenha já ao seu serviço o belga Michy Batshuay e até Loic Remy, que já militara no clube anteriormente. Para já chegou o recém-campeão inglês N’Golo Kanté e será difícil o magnata russo ficar por aqui no mercado. O grande desafio de Antonio Conte passa também por “ressuscitar” o verdadeiro Eden Hazard, ele que se eclipsou completamente na desastrosa época 2015/2016 do Chelsea. Sem grandes invenções, o 4-2-3-1 será o esperado esquema lançado pelo italiano, com um duplo pivô defensivo partilhado entre Matic e Kanté, fomentando a coesão defensiva, aspeto tão importante na escola italiana. Fabregas é outro dos elementos cuja preponderância será importante avaliar, pela época totalmente irregular que concluiu. Os Blues partem para esta época como candidatos ao título, certamente capazes de voltar a “estacionar o autocarro” quando necessário e com uma intensidade elevada que Antonio Conte exigirá em todos os jogos.

Foto: Telegraph
Foto: Telegraph

Everton

2015/2016: 11º
Estrela: Romelu Lukaku
A seguir: Shani Tarashaj
Treinador: Ronald Koeman
Estádio: Goodison Park (40410 espectadores)
Títulos: 0

Bastante discreto e surpreendentemente abatido, o Everton de Roberto Martínez esteve longe das expectativas na época passada e desta forma o clube voltou a mudar de abordagem. Koeman chega para o comando, de modo a recuperar a valia de um Everton que é sempre visto por todos os rivais como uma equipa difícil de vencer. O Goodison Park tem tradição de ser um terreno difícil e foi em Koeman que o clube viu os requisitos necessários para voltar a ter a clássica capacidade de intimidar o adversário e não o deixar levar os três pontos. Para já, a grande missão passa por tentar manter Lukaku e Barkley, os elementos mais preponderantes no plantel. O técnico holandês não se apressa em fazer chegar reforços, de nome apenas Stekelenburg para garantir um bom substituto para Joel na baliza e ainda Ashley Williams, central ex-Swansea que chega para colmatar a saída de Stones para o Manchester City. O plantel é equilibrado, há qualidade em todos os setores e no meio-campo surge um novo nome: Shani Tarashaj – o prodígio suíço de 21 anos explodiu ao serviço do Grasshoppers, contribuindo com vários golos, assistências e grande criatividade, já tinha sido comprado no último mercado de inverno e surge como opção direta para substituir Ross Barkley. Os Toffees surgem no lançamento da temporada como candidatos sérios aos lugares europeus que se foi habituando a ocupar.

Foto: The Sun
Foto: The Sun

Swansea

2015/2016: 12º
Estrela: Gylfi Sigurdsson
A seguir: Borja Bastón
Treinador: Francesco Guidolin
Estádio: Liberty Stadium (20532 espectadores)
Títulos: 0

O Swansea perdeu gás na última época, com uma série de resultados bastante irregulares, o que levou à saída de Gary Monk do comando técnico em dezembro. Guidolin assumiu o cargo em janeiro e procurou garantir a estabilidade necessária para se manter na Premier League, terminando a época de forma tranquila. Os swans parecem não estar para brincadeiras, perante o investimento que fizeram para atacar a época. Desde logo chegou Fernando Llorente para a vaga de Gomis e entretanto, perante a saída de Andre Ayew para o West Ham, chegou Borja Bastón do Eibar por uns surpreendentes 18 milhões de euros. Falta perceber agora se Guidolin deixará o 4-3-3 para apostar na dupla de ataque espanhola, ou se um dos reforços veio para segunda opção. Assegurar a tranquilidade no campeonato e bater o pé aos tubarões, será o objetivo principal deste Swansea, numa equipa que não parece ter o estofo necessário para garantir um lugar europeu junto da concorrência.

Foto: The Guardian
Foto: The Guardian

Watford

2015/2016: 13º
Estrela: Odion Ighalo
A seguir: Isaac Success
Treinador: Walter Mazzari
Estádio: Vicarage Road (17477 espectadores)
Títulos: 0

Promovido na temporada passada, o Watford começou por surpreender tudo e todos com excelentes resultados, embalados por um Ighalo a um ritmo frenético. À medida que o tempo foi passando e com o decorrer do intenso campeonato inglês, o Watford não resistiu e foi dececionando, embora com algumas luzes de presença pelo caminho. Contudo, esta é uma equipa que possui a sua valia, onde atuam jogadores rodados no futebol europeu como Behrami, Mario Suárez e Capoué e onde chegam ainda dois reforços interessantes. Zuniga chega para a lateral defensiva, ágil e duro, elementos que ajudam a prever uma boa adaptação ao campeonato. Para a frente chega a promessa Success Isaac, possante, com 1,86m, proveniente do Granada, para tentar impor o seu talento e ajudar o compatriota Ighalo no que diz respeito à eficácia. De resto, o craque Odion Ighalo acaba de renovar por 5 anos, afastando a concorrência e realçando que o Watford estará neste campeonato para surpreender novamente, tentando uma consistência que não teve na estreia.

Foto: performgroup.com
Foto: performgroup.com

West Bromwich Albion

2015/2016: 14º
Estrela: Salomón Rondón
A seguir: Saido Berahino
Treinador: Tony Pulis
Estádio: The Hawthorns (26500 espectadores)
Títulos: 1

Discreta e pouco aliciante, assim foi grande parte da época do WBA na última temporada. O melhor aspeto a retirar desta equipa é mesmo a coesão defensiva. Os 48 golos sofridos apenas, ao longo de toda a época, falam mesmo por si. É preciso olhar para o top-6 para encontrar algum clube que tenha sofrido menos golos que o West Brom. Como saber defender só não chega, o WBA demonstra grandes dificuldades no processo ofensivo, muitas das vezes “aliviando” para Rondón ou Berahino conseguirem resolver. Não se prevê vida fácil para os comandados de Pulis, mas o técnico com a sua persistência numa defesa coesa acaba por deixar a responsabilidade mais para o ataque. Está nos pés do venezuelano Rondón e do parceiro de ataque Berahino novamente a grande esperança do WBA em conseguir uma prestação melhor que a da época anterior.

Foto: wall.wba.com.uk
Foto: wall.wba.com.uk

Crystal Palace

2015/2016: 15º
Estrela: Yanick Bolasie
A seguir: Andros Townsend
Treinador: Alan Pardew
Estádio: Selhurst Park (26,309)
Títulos: 0

O Crystal Palace foi uma das maiores decepções da temporada passada, muito por culpa das boas indicações que foi dando nos jogos grandes, que não se vieram a confirmar ao longo da época. Há muito talento, Bolasie é a grande figura, mas há mais potencial no plantel, com elementos experientes como Cabaye, médio francês que quererá à força toda fazer valer a mudança que teve do PSG para Londres na época anterior. Para a frente chega Townsend, o extremo inglês terá mais um ano para tentar voltar a impressionar, com uma confiança evidente de Alan Pardew que o resgatou ao Newcastle e ainda afirma que neste clube Andros pode voltar à seleção inglesa. O técnico em boa altura mudou de ares, uma vez que deixara o comando do próprio Newcastle, que viria a descer, militando agora no Championship. Espera-se um Crystal Palace mais combativo, capaz de voltar a surpreender os clubes maiores e procurando somar muitos mais pontos em casa, depois de uma época em que só em 6 dos 19 jogos em casa conseguiu vencer.

Foto: DailyMail
Foto: DailyMail

Bournemouth

2015/2016: 16º
Estrela: Joshua King
A seguir: Jordon Ibe
Treinador: Eddie Howe
Estádio: Vitality Stadium (11700 espectadores)
Títulos: 0

Depois de uma temporada que se confirmou como complicada, o Bournemouth foi somando os pontos necessários para se segurar na Premier League, cenário que não deverá ser muito diferente na nova temporada. Jordon Ibe chega do Liverpool para tentar dar mais alento ao processo ofensivo, que muitas das vezes ficara à responsabilidade de Joshua King. Contudo, poucas mexidas e é desta forma que se avista mais uma temporada de luta pela manutenção, tentando melhorar o registo dos jogos em casa, uma vez que na última época este Bournemouth ganhou mais vezes fora do que em casa.

Foto: ESPN
Foto: ESPN

Sunderland

2015/2016: 17º
Estrela: Jermain Defoe
A seguir: Fabio Borini
Treinador: David Moyes
Estádio: Stadium of Light (49000 espectadores)
Títulos: 0

Grão a grão – expressão ideal para o enorme “galo” que o Sunderland “sacou” ao conseguir manter-se na Premier League, mesmo até ao fim. Estranho é que esta equipa até tem elementos interessantes, principalmente do meio-campo para a frente. Os “Black Cats” contam com nomes de grande experiência na europa, bem como com alguns atletas formados nos grandes que procuram neste tipo de equipas singrar no futuro (caso de Borini, Jack Rodwell, etc.). O objetivo passa por não levar os adeptos ao desespero, tentar garantir a manutenção bem cedo e entretanto procurar acabar mais longe da zona de descida. A criatividade ofensiva passará agora também pelo mais recente reforço Januzaj, que chega para relançar a sua carreira, com o talento que lhe é reconhecido e que não convenceu Mourinho.

Foto: Twitter @SunderlandAFC
Foto: Twitter @SunderlandAFC

Burnley

2015/2016: Championship
Estrela: Andre Gray
A seguir: Johan Gudmundsson
Treinador: Sean Dyche
Estádio: Turf Moor (22,546)
Títulos: 0

Depois do que se passou na Premier League no último ano, vários foram os fanáticos da bola a apostar no Burnley campeão no ano de subida. Impossíveis continua a não haver, mas era preciso quase um milagre e os próprios candidatos habituais reforçaram fortemente. A realidade do Burnley é outra, depois do brilharete no Championship, ninguém se pode admirar que este conjunto consiga a manutenção. Contudo, a exigência é outra, pelo que é importante somar o máximo de pontos em casa, não vacilando frente a rivais diretos na luta pela permanência. Andre Gray, máximo goleador da equipa, é a figura de proa e a grande esperança para aproveitar toda e qualquer oportunidade arrancada aos adversários. Johan Gudmundsson chega do Charlton, onde era titular indiscutível, procurando agora apoiar a estrela Gray quer jogue pelas alas ou por espaços mais interiores.

Foto: DailyMail
Foto: DailyMail

Middlesbrough

2015/2016: Championship
Estrela: Álvaro Negredo
A seguir: Adam Clayton
Treinador: Aitor Karanka
Estádio: Riverside Stadium (34,742)
Títulos: 0

Karanka saiu da sombra de Mourinho e passou o “teste Boro”. Conduziu a equipa à subida, potenciou os seus atletas, viu-se privado de jogadores preponderantes mas mesmo assim alcançou o objetivo. A música agora é outra, aumentou a exigência mas o Middlesbrough tem-se reforçado devidamente. Negredo chegou para assumir as contas do ataque, tal como Gastón Ramírez que chega do Southampton, Barragán chega do Valencia e Fábio da Silva do Cardiff para assumir as laterais. Experiência também não falta a este Boro e da equipa do ano passado é Adam Clayton a principal figura a observar, depois de um ano em grande nível, em que terminou na equipa do ano do Championship. Manutenção é a palavra-chave, mas o Boro quer mostrar que vem para ficar e estará sempre disponível para roubar pontos quanto menos se espera.

Foto: SkySports
Foto: SkySports

Hull City

2015/2016: Championship
Estrela: Abel Hernández
A seguir: Sam Clucas
Treinador: Mike Phelan
Estádio: KCOM Stadium (25,586)
Títulos: 0

O Hull City nem sempre foi consistente ao longo da temporada passada no Championship, algo que se explica com a necessidade de decidir a subida em playoff frente ao Sheffield Wednesday. A valia dos Tigers esteve e provavelmente vai continuar a estar na coesão defensiva. Já no Championship foram uma das melhores defesas, algo que permite balancear as expectativas e atirar a responsabilidade dos golos ao irreverente Abel Hernández. O uruguaio mostrou-se a grande nível e empurrou a equipa para a subida, a passo que será igualmente fundamental que apareça em bom plano nesta temporada para tentar assegurar a manutenção de um clube que é dos que, à partida, terá maiores dificuldades. Ainda assim, a Premier League é uma caixinha de surpresas e ninguém se admire que esta equipa roube pontos a clubes de maior dimensão, principalmente a jogar em casa.

Foto: Telegraph
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