17 Ago, 2017

Eduardo Menezes, Author at Fair Play

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Eduardo MenezesMaio 27, 20174min0

Um abençoado campeão de volta ao lugar mais alto do pódio; um dos mais talentosos surfistas da atualidade longe da luta pelo título. Da mesma origem, mas completamente diferentes. Adriano de Sousa e Filipe Toledo, o protagonista e antagonista da última etapa no Rio de Janeiro.

Adriano de Sousa foi protagonista e venceu o CT#4 no Rio de Janeiro e encontra-se em 2º lugar na corrida pelo título do tour, empatado com o sul-africano Jordy Smith com 24,400, atrás apenas de John John Florence (HAW), 24,750 pontos.

O resiliente brasileiro, campeão mundial de 2015, parece estar voltando a sua melhor fase, sempre abençoado por Ricardo dos Santos, como Mineirinho costuma frisar em todas as suas entrevistas e dedicar todas suas vitórias – Ricardinho dos Santos, surfista brasileiro de ondas grandes,  foi assassinado em 2015, em frente ao seu avô, após uma discussão banal.

Tatuagem em homenagem a Ricardo dos Santos [Foto:ESPN.com.br]
 

Adriano, 30 anos, tendo mais de 11 anos na elite do surf, parece querer sempre mais. Se antes lhe faltavam vitórias e conquistas, isso mudou. Campeão de 2015 e primeiro vencedor brasileiro da mítica etapa de Pipeline no mesmo ano, não precisa provar mais nada a ninguém dentro e fora do tour.

Se comparado com outros surfistas brasileiros da elite, Adriano parece mais um estrangeiro, pois mesmo emotivo acaba por ser frio e calculista em suas batalhas. Aparecendo menos na mídia, tendo um surf mais focado, com mais power e talvez menos espetacular, treinando muito, mas muito mesmo, passando épocas tanto no Havaí como em Fiji, aprendendo aquilo que sabia menos e melhorando seus pontos fortes.

A sede por conquista e nunca desistir fazem com que possamos ver um protagonismo, vencedor acima de tudo. Adriano de Sousa é um exemplo que todos deveriam seguir, pois nem sua origem humilde, nem os contra-tempos da vida, o fizeram desistir. Pois soube reconhecer suas fraquezas e deficiências, fazendo disso motivação para ser melhor.

Mentalmente e tecnicamente, Mineirinho se superou e se supera a cada época. Um exemplo dentro e fora do mar, que leva consigo um irmão que o abençoa a cada heat e em todas as ondas do mundo.

[Foto: joliphotos.com]
[Foto: joliphotos.com]
 

Resiliência e humildade, características marcantes desse brasileiro devem ser notadas e aclamadas no mundo do surf. O capitão honra suas origens e seu amigo, fala menos e faz mais. Por outro lado…

O outro lado da moeda.

Filipe Toledo um dos mais talentosos e promissores surfistas do Brazilian Storm, parece às vezes estar um pouco perdido. E a pressão para que ele passe de promessa à realidade, pode estar pesando em suas performances e atitudes. Fazendo dele o grande antagonista da última etapa.

[Foto: Henrique Pinguim]
 

Se seus incríveis aéreos fazem o público e juízes ficarem boquiabertos, mas sua atitude de contestação e sua falta de controlo chamaram ainda mais atenção na última etapa. Filipinho foi penalizado por uma interferência em seu heat contra o Kanoa Igarashi (USA), tendo uma de suas notas cortadas pela metade, retirando em muito a sua chance de vencer a bateria e avançar na etapa, como também na corrida pelo título mundial.

Mesmo numa decisão delicada do juízes e até mesmo a ponto de ser contestada, o brasileiro não poderia ter a atitude que teve. Praticamente fora de si, manchando não somente a sua imagem, como também a de outros surfistas. Filipinho errou e foi punido, estando fora da próxima etapa em Fiji, retirando assim, grandes possibilidades de título ao jovem brasileiro.

Talvez, Toledo necessitasse ser um pouco mais Adriano de Sousa, se espelhar no atleta campeão, que anda a fazer muito. O perfil diferente não faz dele pior que Adriano, mas quem sabe um pouco mais de concentração, resiliência, atitudes pensadas e frias façam de Filipinho o grande surfista e atleta que tanto se espera. Se surf não lhe falta, atitudes de campeão e estrategismo devem ser acrescentados ao seu repertório, vencendo assim baterias mais complicadas mentalmente.

Tanto Adriano quanto Filipe são surfistas de elite, cabe a Filipe por a cabeça no lugar, parece que já começou quando assumiu a culpa no episódio de sua suspensão, e seguir os passos vencedores de Adriano. Dois grandes surfistas e quem sabe, dois grandes campeões.

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Eduardo MenezesAbril 28, 20178min0

Um país, três etapas, diferentes vencedores e um antigo líder. A perna australiana do WCT, da World Surf League, começou agitada e mostrando que, realmente, o campeonato de 2017 tende a ser o mais disputado dos últimos anos. Mas o domínio dos melhores, entre os melhores, tende a continuar.

Se em Gold Coast, pudemos ver a coroação da superação e do talento nato, com a vitória de Owen Wright (AUS). Em Margaret River, ficamos com exibições quase perfeitas do último campeão, John John Florence (HAW), confirmando aquilo que todos já sabiam, o Havaiano tem muito surf e está cada vez mais competitivo. Porém faltava alguém tocar o sino na última etapa da perna australiana – Bells Beach, uma das mais antigas e icónicas etapas do tour -, coube ao sul-africano, Jordy Smith, essa honraria, demonstrando que o seu vice-campeonato de 2016 não foi por acaso e que 2017 poderá ser diferente.

Os 3 primeiros e Andino

John John Florence, figura mais que carimbada em todos artigos e conversas de surf, como o surfista com mais potencial de dominar a cena mundial, começou o ano como ou melhor do que terminou  2016, surfando muito, tirando manobras improváveis, mas não impossíveis para ele. Consistente e cada vez mais estratégico, assegurou duas 3º posições e uma vitória, somando 23,000 pontos e a lycra amarela. Se assim continuar, poderá assegurar o Bi-campeonato antes da derradeira prova em sua casa, Pipeline.

Jordy Smith, o vice-campeão de 2016 parece estar cada vez mais decidido em se sagrar o novo rei do surf. Iniciou com uma 9ª colocação e pareceu estar apenas a aquecer, para a última etapa australiana em Bells Beach, onde detonou e levou o sino para casa. Já soma 19,200 pontos e está na cola do havaiano.

Owen Wright, como num enredo de cinema, o australiano iniciou o ano da melhor forma possível. Vencendo em sua casa, após um ano fora da elite, devido a uma grave lesão que o obrigou a reaprender a surfar. Nas etapas seguintes, continuou consistente, ficando com uma 5ª e 9ª colocação, empatado com Smith na 2ª posição do ranking.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

O surfista norte-americano, Kolohe Andino, merece sim um destaque nesse início do tour, o 4º colocado do ano passado, começou o ano tão bem quanto terminou a última época. Se conquistar alguma vitória nos próximo eventos, poderá chegar às últimas etapas do ano ou Pipeline com changes de título, e assim ser o underdog do ano. Andino está atualmente com 13,750 pontos e em 5º lugar.

Brazilian Storm

4 entre 12 dos melhores posicionados no ranking da WSL, são brasileiros. Com destaque a Adriano de Souza, o conhecido Mineirinho, com seu surf constante e competitivo, entretando muito potente e vistoso, chegou a dois quartos-de-final e uma 9ª posição, o que lhe garantem 14,400 pontos e a quarta posição na tabela de classificação, nada mal para quem tenciona ser campeão novamente.

Filipe Toledo em sua especialidade. [Foto: Henrique Pinguim]
 

Filipe Toledo se redimiu da péssima desclassificação logo no round 2 em Gold Coast, chegando a uma meia-final  e um 5º lugar nas etapas seguintes, dominando ondas pesadas, algo não muito comum no surf do brasileiro, caracterizado pelos seus aéreos. Sua melhora, o credencia para novamente ganhar a próxima etapa no Rio de Janeiro e lutar pela coroa ao final do ano.

O rookie de 2016, Caio Ibelli, surpreendeu em Bells Beach ao chegar a sua primeira final, após eliminar Frederico Morais (PT) nos quartos-de-final e ninguém menos que John John Florence, na meia-final. Junto com a dupla 13º colocações nas etapas iniciais, o zuca faz ótima figura em 2017, tendo o próximo evento em casa para consolidar entre os 10 primeiros, antes da ondas tubulares, que podem causar algum estrago as pretensoes do jovem surfista.

O grande expoente da geração brasileira, Gabriel Medina, aparece na 11ª colocação, muito aquém, daquilo que o surfista tupiniquim pode alcançar e da posição que costuma estar. Porém, todos já conhecem o grande potencial de Medina no tubos e na onda brasileira da próxima etapa, o que nos faz crer, que irá galgar posições no ranking nas próximas etapas.

Os novatos

Rookies 2017 – [Imagem: torcedores.uol.com.br]
 

Se assim podemos dizer, Leonardo Fioravanti (ITA) fica com o prémio de decepção nesse início de época, apesar dos resultados alcançados serem normais para um rookie, o jovem italiano e um dos primeiros classifcados pelo WQS de 2016 acostumou o mundo do surf com altas performances, quando assim competiu como wildcard no WCT 2016, por exemplo, sua 5ª colocação em Margaret River. Neste ano ainda não passou pelo round 2 e soma apenas 1,500 pontos.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Como destaques positivos temos o havaiano Ezekiel Lau, surfista que ficou com a úlitma vaga no WCT, graças a ajuda de Kanoa Igarashi (USA) que avançou a final em Pipeline e se garantiu também pelo WCT, deixando a vaga ao amigo pelo QS. Lau em Bells Beach alcançou sua primeira meia-final, perdendo apenas para Jordy Smith, campeão da etapa. O jovem já soma 8,750 e está em 11º, empatado com Medina e logo a frente de Kelly Slater.

Outro novato que iniciou o ano muito bem foi Connor O’Leary (AUS), o primeiro colocado do QS 2016, correu as três etapas em casa, uma grande vantagem nessa caminhada longa e dura que é o WCT. Logo na primeira prova do ano, chegou aos quartos-de-final, quando foi derrotado pelo campeão do evento e compatriota Owen Wright.

Não poderíamos deixar de falar dele, Frederico Morais (PT). O jovem português, caracterizado pelo seu power surf , continua muito estratégico e competitivo em todos seus heats. Alcançou um notável 5º lugar na última etapa da perna australiana, seu melhor resultado no ano, quando perdeu para o finalista do evento Caio Ibelli (BRA). O WCT é muito competitivo, mas Kikas já mostrou que tem força e mentalidade para se manter entre os melhores e se o campeonato acabasse hoje, Freferico estava na elite de 2018, uma vez que se encontra 19º lugar com 7,450 pontos.

Parece difícil e, realmente, é

Muitas vezes ao escrever um artigo sobre o WCT ou ao ler algo sobre a elite do surf, pareço estar sempre a ver os mesmos nomes. Os mesmo candidatos estão sempre lá, alternando apenas algumas peças e por assim dizer que dentro do dream tour, estar entre os melhores é uma tarefa muito difícil.

Se andarmos 2 anos atrás, quando o Capitão, Adriano de Souza (BRA) foi campeão e compararmos com a época passada, temos 5 atletas iguais nas 12 primeiras posições. E de notar que tanto Florence e Smith se lesionaram na época de 2015, Mick Fanning (AUS) não correu todas as etapas do tour de 2016 e Owen não participou da época passada, o que poderia significar 9 atletas iguais nas 12 primeiras posições.

Ao se comparar o ranking após os 3 eventos iniciais com o do final de 2016, 9 dos atletas classificados entre os 12 primeiros em 2017, estão na lista de 1 a 12 de 2016.

Ranking WCT 2016 e 2017. [Imagens: WSL]
 

Confira a classficação do WCT masculino aqui.

Podemos verificar algumas semelhanças e afirmar que estar na elite é muito difícil, mas estar entre os melhores da elite, requer muito mais. Demonstrando que no prime time, existe um domínio e para quebrá-lo, o atleta terá que dominar todos os tipos de ondas, desde de pequenas à enormes e tubulares.

Sem falar que apenas 6 surfistas, entre os 32 do WCT 2017, foram capazes de ficar no lugar mais alto do pódio.

Logo, podemos ver aqui que as prestações de Frederico Morais são muito boas e se notarem bem, ele tem os mesmos resultados que o tetra campeão, Mick Fanning. Ainda mais que pelo sistema da WSL, os heats cruzam os melhores classficados com os que vão mais abaixo da tabela, logo o Frederico está sempre a dividir ondas com àqueles acima citados. OBS.: com Fanning ocorre o mesmo nesse ano, uma vez que sua classificação em 2016 não foi a das melhores, ou alguém imaginaria um round 1 com Fanning e Slater? Ou round 2 contra Owen Wright?

Acreditar no power surf do português é uma realidade e que Kikas consiga se adaptar as mais diferentes ondas, como algumas menores que podem aparecer pelo tour e as usuais tubulares.

Ainda há muito a acontecer, 8 etapas com diferentes ondas e muitos candidatos ao posto mais alto, o WCT em seu melhor!

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Eduardo MenezesMarço 29, 20177min0

Vitória emocionante; rivalidades acirradas; rookie a despachar favoritos; tudo isso em apenas 1 etapa. O tour apenas começou, mas já demonstrou que não podemos perder nenhum minuto do surf da WSL. Agora, o que esperar no segundo evento? Muito mais…

O primeiro show, que deve continuar

Como prometido e previsto por nós, o ano da WSL começou em grande, já marcada pela emocionante conquista da primeira etapa pelo australiano Owen Wright. Após um ano de recuperação de uma grave lesão (concussão cerebral), que o impossibilitou de disputar o tour do ano passado, como também de simplesmente surfar.

Owen precisou “reaprender” a se por em pé numa prancha, dentro desse processo alguns duvidaram de sua volta, mas muitos fanáticos pela arte do surf e ouso dizer que 100% dos envolvidos no tour acreditavam e sabiam que o aussie voltaria a demonstrar seu talento ondas afora. Talvez uma vitória logo em sua volta, tenha sido inesperada, mas a emoção dessa vitória retratada pelo choro de Owen e de sua esposa ao abraçá-la juntamente com seu primogênito, é simplesmente impagável. Cenas que somente o desporto pode nos trazer.

A emoção que só o desporto proporciona [Foto: Corey Wilson]
 

A final em Gold Coast necessitava de um antagonista, este papel coube a Matt Wilkinson (AUS), que foi a surpresa do ano passado. Wilko iniciou 2017 de forma muito semelhante a 2016, com surf consistente em sua casa, vitórias a cada bateria e mais uma final. Promete novamente brigar pela coroa do surf e começar bem a perna australiana é fundamental.

Os australianos foram defrontados nas meias-finais, pelo atual campeão, John John Florence (HAW), e pelo sempre candidato ao bi campeonato, Gabriel Medina (BRA), – Wilkinson x Florence e Wright x Medina – . Demonstrando que os jovens campeões vieram, novamente, com sede de título e ser campeão pela 2ª vez é um objetivo, o qual podemos considerar plenamente atingível.

Se assim o podemos considerar, a velha guarda da elite foi representada por Kelly Slater (USA) e Joel Parkinson (AUS) nos quartos de final. Slater teve uma disputa épica, de novo, contra Medina decidindo a bateria na última onda, esperando a nota final e o vencedor do heat, já fora da água. O americano ainda questionou os juízes sobre uma possível interferência de Gabriel, o que não foi aceito pela comissão, mas essa atitude diz muito sobre o maior campeão de sempre, ele quer mais um título e vai brigar muito por isso. Já Parko foi parado pelo seu compatriota Matt Wilkinson numa bateria dominada pelo vice-campeão nas ondas de Snapper Rocks.

 

A juventude chegou e demonstrou para que veio. Connor O’Leary, rookie australiano, despachou ninguém menos que Julian Wilson (AUS) no round 3 e venceu o round 4, contra ninguém menos que Wright e Jordy Smith (ZAF), atual vice-campeão da WSL, indo diretamente para os quartos de final, onde encontrou novamente Wright que dessa vez não deu chances ao novato. (Nota: o round 4 não é eliminatório, o vencedor segue para os quartos de final, enquanto os outros 2 perdedores vão para uma repescagem – round 5).

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

Frederico Morais, o representante português, iniciou muito bem seu primeiro ano de “prime time”, vencendo sua bateria na primeira ronda, desbancando Filipe Toledo (BRA) e Adrian Buchan (AUS), porém não conseguiu repetir seu feito e bater o mito Slater no round 3. Sendo eliminado, ficando em 13º colocado no evento e acumulando 1,750 pontos no ranking. Pode parecer ruim, mas avançar baterias, se acostumar com o tour e o nível de disputa é muito difícil, Kikas segue num bom rumo e ritmo para almejar melhores posições. A prestação do português é de se aplaudir, torcer e acreditar no seu power surf é um fato que os portugueses devem levar adiante.

#2 Drug Aware Margaret River Pro

Se emoção e altas disputas não faltaram na etapa de estréia, o segundo evento do ano promete seguir a mesma linha. Pois já se inicia com um heat alucinante, Kelly Slater x Mick Fanning (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA), com os primeiros 2 nomes somam-se 14 títulos mundiais, o que significa muito surf no pé, adicione a isso a participação do estreante Leo, italiano que em 2016 fez bonito em Margaret River, saindo de wildcard a 5º colocado.

Os principais nomes em Gold Coast devem avançar rounds e acirrar a disputa pelo t-shirt amarela. Owen já demonstrou que está totalmente recuperado, logo voltar a tirar 10 perfeitos aliados a vitórias em baterias e etapas não será tão difícil assim 2017, talento não falta a esse aussie que deseja ser igualmente campeão do mundo, como sua irmã Tyler Wright, detentora do título do WCT feminino.

 

Já seu compatriota, Matt Wilkinson repete seu bom início de ano, calando muitos que disseram que o ano passado seria uma doce exceção na carreira do irreverente surfista australiano. Briga novamente pelo título dessa etapa e pela liderança do ranking.

Conheça todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

Medina, expoente do Brazilian Storm, parece ter aprendido a lição do anos anteriores e se quer ser campeão novamente, teria que arrancar o ano em melhor forma, e assim o fez em Snapper. Apesar de uma pequena lesão, Medina tem tudo, surf e estratégia, para chegar longe novamente na segunda etapa da perna australiana.

Florence parece não ter ficado sem foco ou com menos gana, após seu primeiro título. Pelo contrários, o havaiano chegou em 2017 ainda mais calmo e confiante em seu surf. Se em 2016 caiu no round 3, esse ano aparenta que vai chegar mais longe e quem sabe já começar a liderar o tour e ter de volta sua camisola (lycra) amarela.

A baixa do evento será o brasileiro Ítalo Ferreira, após se lesionar no free surf não poderá competir a segunda perna australiana. O rookie de 2015, iniciou muito bem 2017, mas essa lesão o tira de ação e esperamos que se recupere e volte logo.

Classificação 2017. [Imagem: WSL]
 

Se alguém precisa melhorar, leia-se ficar melhor colocado, para ganhar confiança e brigar pelo sonhado título, esse é Jordy Smith (ZAF), vice-campeão do WCT 2016, acumula 4,000 pontos, relativo ao 9º lugar em Gold Coast. E quem o conhece, tem a certeza que o gigante sul-africano chegará em Margaret River com muita gana para passar heats e subir na classificação.

Como sabemos, o surf sempre reserva o imprevisto a cada swell, os favoritos começaram bem e tem tudo para seguir assim. Mas nunca podemos declarar um vencedor por antecedência, por isso a única coisa de devemos fazer é não perder o segundo show do ano.

E que nesse espetáculo, tenhamos Kikas a demonstrar todo seu repertório da arte do surf. Para o português seria ideal avançar diretamente ao round 3, trazendo maior tranquilidade e confiança, dado que disputará uma vaga contra o atual rei da coroa do surf, John John Florence. Se ano passado, a vitória em cima do prodígio havaiano não veio, nem na última nota (faltou 0,01), que esse ano reserve uma melhor sorte a Frederico, pois surf, como já dissemos e gostamos de repetir, não lhe falta.

Não perca o CT #2 Drug Aware Margaret River Pro, com janela de disputas entre 29/03 e 09/04 e chamadas as 7:30 do horário local (00:30 de Portugal). Confira em direto no site da World Surf League ou pelo Facebook.

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Eduardo MenezesMarço 12, 20178min0

A bela onda de Snapper’s Rocks – Queensland, Austrália, já está pronta para receber os melhores surfistas do mundo, pela primeira etapa da World Surf League 2017. E tudo indica que será o melhor e mais disputado tour de muitos anos. Muita expectativa pela volta de Owen Wright (AUS) e Mick Fanning (AUS), e quem sabe, pela última época de Kelly Slater (USA).

A dificuldade em apostar quem será o campeão após os 11 eventos do WCT 2017 da World Surf League (WSL), é diretamente proporcional a elevada expectativa de disputas épicas heat a heat, na briga pelo título até a etapa final de Pipeline.

No tour haverá 6 campeões – Slater, Fanning, Parkinson, Medina, Adriano e Florence – , além de muitos potenciais surfistas, que quer por sua evolução quer por seu talento, são indicados aspirantes ao título inédito como Wilkinson, Julian Wilson, Bourez, Andino, Filipinho e Smith, este último vice-campeão em 2016.

Saiba quando e onde serão as 11 etapas do WCT 2017: Os 11 palcos do WCT 2017.

E não podemos descartar, que algum rookie ou atletas com menos mediatismo, com mais ou menos experiência, não possa fazer bonito e dar muito trabalho aos principais favoritos, surfistas como Caio Ibelli, Ítalo Ferreira, Nat Young, Josh Kerr, Adrian Buchan, Conner Coffin e Sebastian Zietz, por exemplo.

Tudo indica para um dos melhores e mais disputados tour da WSL nos últimos tempos. Ser regular e somar pontos em todas a etapas será necessário para chegar ao topo no final ano. 2017 promete e muito!

Alguns dos campeões

No ano em que se promete muita ação, o expoente do surf havaiano John John Florence buscará manter o troféu da liga em sua residência, tentando tornar-se bi-campeão, feito que muitos acreditam ser possível após um ano 2016 muito consistente e cheio de vitórias marcantes. John John superou-se e retirou o peso de levar o título para sua terra natal. Tudo indica, que sem esta pressão seu surf será ainda melhor e competitivo.

 

Talvez em sua última temporada no tour, Kelly Slater fará de tudo para conquistar seu 12º título, e nunca duvide do mito Slater. O qual não necessita de nenhuma explicação, para ser considerado como indicado ao título do WCT. O experiente norte americano vem forte para o tour deste ano e que seus concorrentes se preparem, pois um rei nunca perde sua coroa.

O regresso de Mick Fanning, após um ano meio sabático, já que disputou algumas etapas do WCT 2016, que o garantiram para a elite de 2017. Irá trazer de volta todo seu surf de borda, com manobras explosivas, além de toda sua estratégia e resistência de ser batido. Fanning voltará com suas energias renovadas e com muita vontade de vencer, com ele na elite, uma vaga de candidato ao título, sempre está preenchida.

Os que buscam seu sonho

Ótimas atuações e um final de época 2016 espetacular, credenciam ainda mais o gigante sul-africano Jordy Smith ao título de 2017. O vice-campeonato deixou um sabor amargo a ele, mas com certeza dará mais forças e vontade de experimentar o sabor da título mundial da WSL. Seu surf está cada vez melhor em diferentes tipos de ondas e um melhor arranque no início da época poderá ser determinante para levar o título ao continente africano.

Kolohe Andino (USA), Michel Bourez (PYF) e Julian Wilson (AUS) tentarão provar as expectativas que sempre tiveram neles, buscar o título de 2017 provará todo o talento deles. Andino se credencia pelo 4ª posição em 2016, Bourez por dominar tubos e vencer Pipeline na época passada, já Wilson um dos queridos e talentosos surfistas da Austrália precisa provar todo seu valor e ganhar a coroa da WSL.

Menção especial a Owen Wright (AUS), que volta as disputas após um ano, devido a recuperação de uma lesão ocorrida no aquecimento da etapa de Pipeline 2015, quando ainda brigava pelo título mundial. A concussão cerebral que teve, acarretou problemas em seus movimentos, tendo necessidade de reaprender a surfar. Esperamos que o título e a homenagem feita por sua irmã Tyler Wright, inspire um dos mais talentosos aussies, em sua volta as competições.

Brazilian Storm

Brazilian Storm [Foto: WSL – Kelly Cestari]
 

Na turma dos campeões, Gabriel Medina sabe que precisa iniciar o ano com mais força e melhores resultados, pois seus inícios de época demonstram-se irregulares como 2015 e 2016, apesar do último ano ter sido melhor, o mau arranque tem lhe custado estar mais próximo da briga pelo bi-campeonato, em 2014 Gabriel começou com o título em Snapper e o final já conhecemos. Adriano de Souza, por incrível que pareça sofreu do mesmo mal que Medina, após ser campeão em 2015, teve um 2016 irregular e não fez nenhuma final de etapa, porém tudo indica que o capitão virá para 2017 com toda força e foco, suas características marcantes.

Já Filipe Toledo, um dos brasileiros mais talentosos, principalmente na “arte” de mandar aéreos, apesar de ainda  não ter conquistado nenhum título da WSL,  é sempre muito bem cotado para ser um novo campeão. Na etapa de Gold Coast, onde se sagrou campeão em 2015, pode iniciar a frente na briga pela coroa de melhor surfista do ano.

Podemos assim dizer, que estes são os “zucas” favoritos a iniciar o ano com uma vitória na perna Australiana e concorrerem ao título de 2017. Mas não se esquecer dos “outros” Brasileiros na elite, Caio Ibelli, o rookie de 2016 que poderá consolidar seu surf em sua segunda época,  Ítalo Ferreira um dos brasileiros que já deu muito trabalho a grandes surfistas e do guerreiro Jadson Andre. Mesmo não sendo candidatos ao título, poderão ser uma pedra no caminhos de muitos favoritos ou mais renomados surfistas.

A Europa e o retorno de um Português a elite da WSL

Bom, Frederico Morais, dispensa apresentações ao público português. O cascalense, que detonou tudo e todos nas etapas da Tríplice Coroa Havaiana, chega ao seu ano de estréia com boas perspectivas de sucesso, dado seu ótimo final de época e por já ter disputado heats e finais contra alguns dos “monstros” como Kelly Slater e John John Florence, por exemplo. Por mais jovem que seja, Frederico apresenta certa experiência e vivência em etapas do tour principal da WSL.

Um português de volta a elite. [Foto: WSL – Poullenot]
 

Mas Kikas deve ter a consciência que o tour de elite é muito mais disputado, com ondas diferentes a cada etapa e terá que demonstrar desde a primeira etapa do ano, todo seu surf. Avançar rounds e somar pontos logo em Queensland o dará confiança e tranquilidade para os próximos desafios. As previsões para o jovem lusitano são boas, pois seu power e rail surf se encaixam com as direitas de Snapper. É torcer e esperar que suas performances do final de 2016 continuem e a sorte esteja ao seu lado.

Conheça os outros europeus e os todos os rostos que disputarão o título de melhor surfista do mundo, na nossa galeria: Os 34 candidatos ao título da WSL 2017.

A Europa conta com mais 5 surfistas, tendo maior destaque o Italiano Leonardo Fioravantti, que em 2016 ficou em 3º lugar em Margaret River – AUS e em 13º em mais 2 outras etapas, todas elas participou com wildcard. Essas boas atuações o credenciam a ser uma ótima aposta a rookie do ano de 2017.

Quiksilver Pro Gold Coast

A primeira etapa do ano. [Imagem: WSL]
 

O evento inicial em ondas Australianas, num  banco de direitas que continua mágico e com ondas bastante compridas, propícia para regular surfers, em manobras velozes e fortes. Segue na mesma linha de imprevisibilidade, sem um favorito disparado. Se Matt Wilkinson (AUS) surpreendeu ao vencer a etapa de Gold Coast em 2016, por que não teremos surpresas nessa época?

A aposta de Palex Ferreira, surfista da Costa da Caparica e autor no Fairplay, “Esta etapa inaugural do circuito, em 2016 foi vencida pelo Matt Wilkinson, que teve um início de temporada genial. Torna-se difícil de prever o que vai acontecer, porque o nível está cada vez mais alto, e os surfistas melhores preparados, logo não se consegue afirmar quem será o favorito a vencer o primeiro evento do ano. Atreveria a meter um Mick Fanning que teve um ano sabático, ou o regresso do Owen, depois de uma longa recuperação… Não é fácil prever como vai ser, apenas enquanto portugueses, queremos que o Frederico “Kikas” Morais se dê bem, por Snapper”.

O Quiksilver Pro Gold Coast tem janela de competições entre 14 e 25 de Março.

Esperemos que as previsões de ondulação sejam perfeitas, com altas disputas e muito surf a todos.

Artigo com co-autoria de Palex Ferreira.

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Eduardo MenezesMarço 5, 20171min0

A World Surf League (WSL) tem início em Março e o FairPlay apresenta os 34 surfistas que disputarão a coroa de melhor do mundo.  John John Florence(HAW) defenderá seu título e Portugal está de volta a briga, com Frederico Morais.

Cada vez mais abrangente, o tour de 2017 contará com atletas de várias partes do globo. A Europa será bem representada por 4 atletas, enquanto o Brazillian Storm não perde sua força, com 9. Já os 3 Havaianos lutarão para manter o título em seu arquipélago; porém os 12 Aussies querem por novamente seu país no topo do pódio, do mesmo modo que Kelly Slater (USA), em sua possível última temporada, contará com a ajuda de 3 compatriotas e tentará levantar seu 12º para os Estados Unidos. Um Sul-africano e um nativo da Polinésia Francesa completam o mapa de candidatos ao título de 2017 da WSL.

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Eduardo MenezesFevereiro 25, 20178min0

“Ondas artificiais”, um modelo muitas vezes defendido como futuro e evolução do surf; igualmente criticado por sua falta de essência, daquilo que é o surf e a relação com a natureza. Então, por que imitar a natureza instiga tanto o ser humano? Se há tanto mar e ótimas ondas, por que razão “inventar” ondas?

Em muito para a atenuar necessidades geográficas e climatéricas necessárias para esse desporto, possibilitando a prática dessa modalidade ao longo do todo o ano, 24 horas por dia e em qualquer ponto do mundo. Aumentando a inclusão e disseminação dessa modalidade desportiva.

E se partimos para um foco comercial, essas tais piscinas seriam atrações turísticas em parques aquáticos para aqueles que gostariam de experimentar essa modalidade sem o risco do mar e acompanhada por profissionais. Como até mesmo levar a locais “sem ondas” campeonatos de surf ou acabar com imprevisibilidade dos dias de competição, podendo ser um produto mais fácil de vender aos medias e a organizadores de eventos desportivos. Competições com horário e ondas agendadas vão ao encontro da tendência de venda de broadcasting e patrocínios, dado a certeza de um evento com ondas boas, com horário fechado para transmissão, sendo um produto sem grandes margens de imprevistos.

Wadi Adventures – Abu Dhabi- [Imagem: amatraveller.com]
Já em âmbito profissional e de formação, as ondas artificiais poderiam ser o complemento do treino, para aperfeiçoamento de detalhes, com uma constância maior e sem o desgaste das longas viagens além do já falado “surf no ano todo”. Construções de centros especializados em diferentes regiões – mesmo que afastadas do mar – e métodos-padrão de treino poderiam ser replicados. Com isso, muito provavelmente o mundo profissional se desenvolveria de outra forma e mais talentos poderiam surgir.

Motivações diversas sempre incitaram o desenvolvimento da indústria de ondas artificiais e sempre trazem à tona alguma polémica ao universo do surf.

Então nesses casos, a piscinas seriam uma solução? Talvez, o surf em locais artificiais apresenta uma maior segurança, inclusão e disseminação do desporto, organização na “ordem de prioridade”, menor esforço para chegar ao pico, além de ondas praticamente iguais – apesar da elevada velocidade e de algumas variações -. Acrescente a isso, um ano completo de surf e água mais quentinha. Em competições teríamos provas com horários marcados sem necessidade de dias de espera, chamadas, day off e em locais de mais fácil acesso. Parece o mundo perfeito, tanto para profissionais como para amadores.

Ondas artificiais pelo mundo

Há muitas ondas artificiais ao redor do mundo, algumas melhores que outras, em semelhança às naturais. Como no deserto da cidade Al Ain, em Abu Dhabi, o Wadi Adventure, um gigantesco parque aquático que compreende diversas piscinas e rios, com atividades como surf, rafting e kayak por exemplo. A Europa não fica de fora, com “ondas” no Reino Unido e Espanha, Surf Snowdonia Adventure Park e Wave Garden, respetivamente, atraindo surfistas a tais regiões na busca por ondas e diversão.

Mesmo que piscinas com ondas já existissem, nunca foram algo que trouxesse muitas atenções ao mundo do surf, porém muitíssimo se falou quando o mito Kelly Slater lançou ao mundo vídeos em ondas longas e tubulares, numa piscina de ondas artificiais localizada na Califórnia. Estava aí, um paradigma quebrado, ondas que satisfaziam atletas de elite, com ótima formação, velocidade e constância.

A Kelly Slater Wave Company (KSWC), já adquirida pela World Surf League (WSL), demonstrou que o surf artificial é mais que uma realidade. Muitos atletas da elite fizeram testes a convite de Slater e patrocinadores, produzindo otimos vídeos, drops e tubos. Podendo ser verificado nos vídoes e declarações, que surfar uma onda artificial aplica um grau, até certo ponto, elevado de dificuldade, dada a velocidade da onda. Estaria aí o produto perfeito para o surf ou aperfeiçoamento do surf profissional?

A tendência de ondas artificiais em campeonatos profissionais seria uma mais valia para candidaturas a jogos e outros eventos de desporto radical, como ocorreu em propostas e possibilidades de viabilizar a inclusão do surf no Jogos Olímpicos.

O mar e suas nuances

Apesar da massificação da prática e, de certo modo, da cultura do surf, surfar consiste em muitos detalhes, para além de dropar uma onda, encaixar um aéreo ou sair no spray de um tubo. A arte de surfar, desde um begginer (just like me), é conseguir “ler” e interpretar o movimento do mar, as marés, a formação das ondas, o sentido delas, encontrar e chegar ao pico correto e muitos outros desafios que Netuno te impõe numa surfada. Para além do vento e suas alterações (que já é uma outra história) e Deus.

O surf no mar consiste em muitos desafios que são tão grandes quanto ficar em pé e deslizar onda abaixo, e um novato sempre sofre mais, ainda mais para aqueles que começaram tardiamente nesse desporto. A técnica pode ser aprendida em escolas, com dicas de internet ou amigos, mas a leitura e sabedoria do mar…bom isso só com feeling, muitas horas de surf e ondas na cabeça para aprender.

Riscos e desafios. [Imagem: surfexperience.blogspot.com]
Além disso, quem nunca sentiu aquela dificuldade em chegar ao outside ou se arriscar mais do que deveria? Tomar ondas na cabeça, remar, remar, remar e ir para trás, fazer bico de pato, cair e rolar ondas abaixo, ir contra as rochas, pisar em pedras, mariscos e por aí vai…Fora o facto de que quando chegam ao pico, tem que estar no local certo, na hora certa e digamos assim na sua “prioridade” de onda. Surfar é muito mais do que se colocar em cima da prancha!

Mas fique calmo, essas dificuldades do surf e a sabedoria de ler o mar, não é um “privilégio” de surfistas não profissionais ou de fim-de-semana, pois no circuito mundial é muito fácil presenciarmos situações arriscadas e de acidentes seguidos de lesões, as vezes graves. E casos de leitura perfeita e espera pela onda certa para um nota perfect 10, ou um erro de interpretação, uma ansiedade de pegar uma onda, mesmo com a prioridade, ocasionando uma derrota num heat ou numa etapa na onda a seguir, que teu oponente pegou.

O mar e suas mudanças, muitas vezes em questões de minutos, são um dos factores principais do surf profissional, distinguindo um ótimo de um bom surfista. Por que acham que Kelly Slater domina as etapas de Pipeline (HAW) ou os Wildcards locais acabam por muitas vezes surpreender nas etapas em seus quintais?

Numa piscina ou tanque, a leitura do mar não é mais precisa, as ondas são basicamente iguais, o ponto para dropar é sempre o mesmo, o cansaço é menor, já que não há repuxo, nem onda na cabeça para chegar ao outside. A radicalidade se perde, como também a emoção, o medo do fundo de corais, aquela onda única e, claro, muito do espectáculo.

Então qual a graça?

Quase nenhuma, pois apenas dropar um onda nunca é o suficiente.

A paz do outside. [Imagem: Liquidsaltmag.com]
Por mais que uma onda artificial possa ser perfeita, tanto para profissionais como para amadores, nada irá chegar perto daquilo que o surf traz de melhor e como muitos dizem, não é água com açúcar que acalma, é água com sal.

O surf, por si só, é um estilo de vida, sendo muito mais que um simples desporto. É a paz do outside, é ver um amigo surfar a melhor onda da tua vida, é se assustar com teus wipeouts, é verificar o swell e torcer por condições épicas para seu surf, é ter contacto com a natureza. E com certeza é sonhar em viajar o mundo com uma prancha, por locais paradisíacos e radicais; que te traz paz e adrenalina. É ir atrás de sua onda (natural) perfeita.

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Eduardo MenezesFevereiro 17, 20171min0

Após 2016 cheio de emoções, com o retorno do título mundial ao Hawai, pelas mãos de John John Florence. A elite do surf mundial masculino prepara-se para mais um ano de grandes batalhas, reviravoltas, polémicas, emoções e altas ondas. As disputas iniciam-se no mês de Março, com a “perna” Australiana, passando por mais 7 países, inclusive Portugal, em 11 etapas que definirão o melhor surfista do mundo.

11 etapas, 8 países e apenas 1 sonho! Conheça os palcos do WCT 2017, da World Surf League – WSL:

 

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Eduardo MenezesDezembro 11, 20164min0

Chegou a hora da etapa mais esperada do ano, o Billabong Pipe Masters. Na mítica praia de Banzai Pipeline – Havaí, local onde costuma-se separar os grandes protagonistas da multidão do surf mundial.

A prova de Pipeline não perde sua importância no cenário do surf, mesmo com o campeão da World Surf League 2016 já definido. John John Florence (HAW) sagrou-se campeão mundial na etapa Portuguesa de Peniche, fazendo o título do WCT retornar ao Havaí, após 12 anos da vitória de Andy Irons em 2004.

Pipeline tem em seus tubos, tanto para direita como para esquerda, o poder de coroar apenas os grandes surfistas. Sendo assim, conquistar uma vitória nessas ondas Havaianas significa muito mais que 10,000 pontos no ranking, mas o respeito de dominar um dos maiores, mais perfeitos e temidos tubos do mundo.

Se, por um lado a briga pelo título 2016 está terminada, a guerra por uma das 22 vagas no WCT 2017 está mais que viva. Muitos surfistas, como Keanu Asing (HAW), Nat Young (USA), Wiggolly Dantas (BRA) e Miguel Pupo (BRA), por exemplo, entrarão para sua última batalha, sendo essa de vida ou morte. Estar até a 22º colocação significa ter o privilégio de surfar as 11 etapas de 2017, enquanto, estar para além dessa posição fará cada um desses atletas disputar o QS do ano que vem e tentar sua volta à elite.

Para além da emoção e importância na corrida por uma vaga do WCT 2017, o Billabong Pipe Master é o último evento do Vans Triple Crown, a Tríplice Coroa Havaiana. Competição composta por 3 etapas disputadas no Havaí, sendo elas dois eventos QS10,000, o Hawaiian Pro e o Vans World Cup.

Essa competição, paralela ao tour mundial, determinará o rei das ondas Havaianas, sendo o Português Frederico Morais o atual líder, com a soma de 16,000, após 2 segundas colocações nas etapas do QS. Kikas é seguido de perto por Florence e Jordy Smith (ZAF), vencedores do Hawaiian Pro e do Vans World Cup, respectivamente.

Confira a classificação da Tríplice Coroa Havaiana 2016.

Tendo em conta a importância da última etapa do tour, para a cena do surf mundial, além do que está em disputa. O Fairplay separou 11 fatos a saber sobre o Billabong Pipe Masters:

1 – Adriano de Souza (BRA) é o atual campeão de Pipe Masters, além de ser o campeão mundial de 2015;

2 – Andy Irons foi o último local a vencer essa etapa, no ano de 2006;

3 – Nenhum goofy footer ganhou em Pipeline nos últimos 15 anos, última vitória foi de Rob Machado (USA);

4 – São os possíveis nomes das meias-finais e favoritos ao título do Pipe Masters 2016 : John John Florence (HAW), Kelly Slater (USA), Jordy Smith (ZAF) e Gabriel Medina (BRA);

Backdoor e Pipeline [Imagem: WSL]
5 – A onda tubular que quebra para a direita chama-se Backdoor, enquanto a que vai para a esquerda é nomeada de Pipeline;

6 – É o número de nacionalidades que venceram em Pipeline, sendo vitórias do Havaí (16), da Austrália (16), Estados Unidos (10), África do Sul (1), França (1) e Brasil (1);

7 – Kelly Slater é o maior vencedor, sendo campeão 7x nos tubos Havaianos (1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013);

8 – Frederico Morais será o representante Português na etapa de 2016 e briga pelo título da Tríplice Coroa Havaiana;

9 – É a última prova do ano e definirá os 22 surfistas que terão acesso ao WCT 2017;

10 – Apesar de mágica, é a mais temida, sendo umas das mais mortíferas do mundo, senão há mais;

11 – É a 11ª do tour e tem janela de competição entre 08/12 e 20/12, com chamadas diárias as 7:30 do horário local, 17:30 no horário de Portugal.

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Eduardo MenezesDezembro 7, 20163min0

Se uma frase pode resumir os últimos dias de surf do WQS de 2016. Ela seria, Kikas e mais 9 se classificam para o WCT de 2017. O surfista Português, Frederico Morais, assombrou o mundo do surf nas duas últimas etapas do WQS 2016, chegando em 2º em ambas competições, além de liderar a Tríplice Coroa Havaina.

Se, antes das competições no Havaí, o sonho de ter um Português no tour principal parecia muito distante, Kikas fez esse sonho se tornar realidade. O surfista de Cascais apresentou um surf muito agressivo, tanto no Vans World Cup quanto no Hawaiian Pro, vencendo baterias emocionantes e muito disputadas. Chegando a duas finais, somando 16,000 pontos no ranking, colocando Portugal, novamente, na elite do surf, depois de contar com Tiago Saca Pires no WCT, durante os anos de 2008 a 2014.

No Vans World Cup, Frederico viu alguns de seus adversários caindo, heat pós heat, como Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA) e Evan Geiselman (USA), porém outros avançando, caso dos classificados para o tour 2017, Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS), por exemplo. Mas, Kikas não se deixou levar pela pressão, continuou focado e surfando muito, para fazer mais uma final de WQS 10,000.

Na meia-final, a classificação para o WCT 2017 parecia mais que assegurada, porém um heat contra 3 surfistas, Tanner Gudauskas (USA), Jack Freestone (AUS) e Ezekiel Lau (HAW), que brigavam diretamente com Kikas por uma vaga no mundial 2017, serviu para consolidar e ratificar a presença do Português no tour principal do ano que vem. O surfista de Cascais deu mais um show e avançou para a grande final.

Classificação WQS 2016 - [Imagem: WSL]
Classificação WQS 2016 – [Imagem: WSL]
 

Saiba mais sobre a disputa do WQS e o modelo de classificação para o WCT. 

Parecia que nada parava o surfista Português, contudo, de novo, um dos seus adversários no próximo ano, retirou de Kikas a vitória da etapa, pelo menos dessa vez não seria a nota 7,33. O Sul-africano, Jordy Smith, confirmou sua ótima fase e com o total de 15,06 venceu o Vans World Cup, deixando Frederico em segundo lugar e precisando de uma nota 6,84 para vencer.

Frederico ficou, mais uma vez, na 2º colocação de uma etapa do WQS, atrás de um surfista do tour principal, mas isso já pouco importava. A classificação para a elite de 2017 estava mais que garantida, como também a liderança do Triple Crown e uma vaga no Billabong Pipe Masters 2016.

Se não faltou emoção para o povo Português, os nossos coirmãos Brasileiros podem dizem o mesmo. Num dia muito emocionante para Jadson Andre, um dos surfistas mais queridos do Brazilian Storm. Que passou por um ano dificílimo em 2016, uma vez que não tem um main sponsor  e está em 25º do WCT, posição que não lhe garantia na elite em 2017.

A beira de sair do WCT, o guerreiro Jadson Andre, chegou as meias-finais e conseguiu sua classificação para a elite, ficando em 8º na classificação geral do WQS. Outro Brasileiro classificado é Ian Gouveia.

Já a Europa tem muito por comemorar, pois para além de Morais, os Franceses Joan Duru e Jeremy Flores, como o Italiano Leonardo Fioravanti estarão no tour da World Surf League 2017.

#GoKikas

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Eduardo MenezesNovembro 25, 20163min0

Após a 2º colocação no Hawaiian Pro 2016, penúltima etapa do WQS do ano, o surfista Português, Frederico Morais, está a uma etapa de ser o mais novo Português a desbravar a elite do surf Mundial.

A final do Hawaiian Pro 2016, para além de Frederico Morais, contou com a presença de John John Florence (HAW), Marc Lacomare (FRA) e Adrian Buchan (AUS), sendo que Frederico empatou com Florence, 15.66 no somatório, mas perdeu o título por não ter a maior nota da bateria, primeiro critério desempate. O título bateu na trave por mais de uma vez, pois o surfista de Cascais precisava de 7.34 para virar a bateria final, porém obteve a nota 7.33 em suas duas últimas ondas.

Melhores momentos do último dia de competição do Hawaiian Pro 2016.

A soma de 8,000 pontos, na classificação do WQS do Havai, fez com que Kikas assumisse o 10ª lugar na corrida de acesso ao WCT de 2016. Posição que lhe garante na elite em 2016 e o consagra como o segundo atleta lusitano a estar presente no tour mundial, após o desbravador Tiago Saca Pires.

Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
Classificação do WQS 2016 [Imagem: WSL]
 

Ranking completo do WQS.

Infelizmente ou felizmente ainda resta uma última etapa, o Vans World Cup WS 10,000, também pertencente a Tríplice Coroa Havaiana e ao circuito de acesso, evento que confere ao vencedor a pontuação máxima de 10 mil pontos.

Resta a Frederico desempenhar, novamente, um grande papel na ondas mágicas do Havaí e manter-se, no mínimo, em sua posição de número 10. Para tal, algumas previsões dizem que a soma de 2,000 pontos, 17º lugar ou um avanço até o round 4, seria o suficiente para Kikas subir de divisão.

Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Faceebok | Vasco Ribeiro)
Vasco Ribeiro (PRT) em ação no Hawaiian Pro 2016. Fechou sua participação na 17ª posição. [Imagem: Facebook | Vasco Ribeiro)
 

A diferença de 0.01 é de se lamentar, porém não há tempo para tal. A próxima etapa do WQS tem janela entre 25/11 e 06/12. A Vans World Cup definirá 10 surfistas que estarão no tour de elite em 2016 e Federico Morais apresenta chances reais de cravar um lugar onde, até hoje, somente Saca esteve.

No próximo evento, Kikas terá ao seu lado outro surfista Português, Vasco Ribeiro, que chegou ao round 4, 17ª colocação, na primeira era da Tríplice Coroa Havaiana. Uma ajuda de Vasco, com eliminações de concorrentes de Frederico, será com certeza uma ajuda muito bem vinda.

Entenda como funciona a classificação para a elite do WCT.

Vale lembrar que Frederico Morais já disputou uma final do Vans World Cup, no ano de 2013.

Agora é torcer pelos atletas portugueses! E que as ondas Havaianas os levem para mais uma descoberta: o tour do WCT 2017.

Fique esperto:

Principais concorrentes da elite, que ainda não garantiram sua vaga pelo WCT: Jadson Andre (BRA) e Jack Freestone (AUS).

Concorrentes do WQS: Thomas Hermes (BRA), Jesse Mendes (BRA), Evan Geiselman (USA) e Ezekiel Lau (HAW).

Acompanhe a competição em direto, no site da World Surf League.


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