19 Jan, 2018

José Duarte, Author at Fair Play

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José DuarteJulho 25, 20177min0

Jorge Jesus e o Sporting Clube de Portugal procuram redenção em 2017/2018, com novas apostas, mais contratações e outras ideias. Mas como está a decorrer a pré-época para os “leões” e que problemas subsistem no seio da equipa.

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar.

Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Doumbia, nova companhia para Bas Dost (imagem Sporting CP)

Defesa nova, problemas velhos

À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade…) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos “autorizados” a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independentemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola – o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos – a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário.  

Bruno Fernandes a contratação mais consensual (Foto: Sporting CP)

Médios que para já só parecem… médios

Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um “6” ou um “8”, não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o “6” que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados

Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder

Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior – muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o título de verdadeiros reforços – pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se a ideia se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.

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José DuarteAbril 19, 20174min0

Não há derbies com pouca importância. Ainda que o próximo, a disputar no próximo sábado, não fosse decisivo para a atribuição do titulo, haveria um sem fim de dados a compilar e adicionar à já longa história  que se vai escrevendo desde 1 de dezembro de 1907. E há sempre muito a perder e a ganhar, até mesmo para o Sporting, que já está longe do título.

Foi então, em Carcavelos, onde jogava o Sport Lisboa, que o encontro aconteceu. O facto do Sporting se ter apresentado com oito ex-jogadores do adversário seria um dos muitos pontos de ignição da combustão permanente de rivalidade em que os embates entre os dois emblemas se confundem com a história do futebol português.

Para o Sporting pouco ou nada se poderá alterar de verdadeiramente significativo no que diz respeito à história deste campeonato. O terceiro lugar é cada vez mais a linha limite que se desenha no horizonte. Mesmo a tão útil como necessária qualificação directa para Liga dos Campeões, por via do segundo lugar, parece de todo improvável, atendendo a que já não há confronto directo com o FC Porto. A possibilidade da equipa de Nuno Espírito Santo perder o conforto dos cinco pontos que ainda detém em cinco jornadas é possível mas pouco provável.

Dost no último derby (Foto: Sporting CP)

Assim, o próximo derby será acima de tudo para o Sporting um jogo pelo brio e pelo orgulho e defesa do seu próprio palmarés. Isto porque não me parece provável que haja danos ou proveitos reais que se possam estabelecer na próxima temporada a partir do resultado final deste jogo. Mas, emoção, orgulho e brio são precisamente os principais temperos destes embates. E aqui há pelo menos um castelo a defender nesta história já secular de conquistas e desaires: impedir a entrada do rival no clube exclusivo dos tetracampeões. Um lugar que durante várias décadas foi apenas do Sporting e que agora tem de compartilhar com o FC Porto.

Historicamente, o papel de demolidor de “sonhos do tetra a vermelho” tem até agora sido bem sucedido. Apesar do rival ser o clube mais titulado do nosso campeonato, o titulo de tetracampeão continua por alcançar. Até hoje o SL Benfica dispôs de cinco hipóteses de conquistar um lugar cativo nesse clube tão exclusivo e nunca o concretizou.

Na primeira oportunidade, depois de conquistar os títulos das épocas de 35/36, 36/37, 37/38, o clube da Luz nem sequer discutiu o título. Quedou-se abaixo do campeão FC Porto, e do Sporting, que daria luta até final, ficando apenas com menos um ponto.

A primeira grande disputa ombro a ombro havia de acontecer na época 65/66. O Sporting era então o único tetracampeão, por força dos campeonatos de 1950 a 1954, pelo que luta foi feroz. Ao vencer em Alvalade a sete jornadas do fim, o SLB ficou à distância de um ponto, mas os nervos de aço dos pupilos de Otto Glória e Juca acabaram por manter a tetra-exclusividade até final.

O Sporting pareceu então especializar-se na defesa dos seus pergaminhos, pois foi novamente a barreira que se ergueu aos sonhos mais rubros dos rivais em 73/74. Na até agora derradeira possibilidade, foi o FC Porto que se entrepôs aos desejos benfiquistas, quando em 77/78 ganhou finalmente o campeonato, após 19 anos de jejum.

Que papel terá Ruiz na sua estreia nos derbies? (Foto: Sporting CP)

Desenha-se agora uma nova oportunidade para o seu eterno rival. Se um derby por si só já encerra todos os ingredientes necessários para a motivação dos jogadores, o que se disputará no relvado será um novo e suculento pedaço na história de uma rivalidade secular.

Há história que se escreve em cada decisão acertada e em cada erro ou falha. Defender a porta de entrada do seu clube exclusivo de tetracampeões é a derradeira tarefa de Jesus e dos seus comandados para o que resta da época. E nestas questões de história e de palmarés jogam-se valores que rivalizam com a conquista de títulos.

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José DuarteMarço 28, 20175min0

O que faz a direcção de um clube quando precisa de contratar um treinador? Avalia o curriculum ou o potencial? Qualquer treinador com uma trajectória de sucesso pode ser feliz em qualquer clube, independentemente do seu historial e do contexto presente?

A surpreendente contratação de um técnico como Jorge Jesus por Bruno de Carvalho, com uma proposta de jogo reconhecidamente atraente e vencedora, obliterou qualquer discussão sobre a indispensável análise do perfil do treinador que se entende ser necessário para regressar à conquista de títulos.

Mas essa discussão é necessária. Podem técnicos (Jardim, Marco Silva, Jesus) de perfis, carreiras e propostas de jogo tão diferentes ser úteis à mesma causa? Pergunta que nos leva a outra também muito frequente: é o treinador que deve adaptar a sua ideia de jogo ao plantel disponível ou o contrário? E ainda outra igualmente importante: como se determina se um treinador tem o perfil adequado à filosofia, objectivos e necessidades de um clube?

A resposta a estas perguntas é importante num clube como o Sporting, mas não tanto no Real Madrid, Barcelona, Manchester ou Bayern, e outros. Isto porque todos eles têm disponibilidade financeira para oferecer ao treinador  jogadores com o perfil adequado ao modelo que o treinador deseja implementar. Não é o caso do Sporting, pelo que a escolha do técnico tem que levar sempre em linha de conta o material humano que lhe pode disponibilizar.

Como tudo quase correu muito bem no primeiro ano, as respostas a estas questões não foram necessárias. O impacto da chegada de Jorge Jesus foi tal que só por um triz não se celebrou a conquista do campeonato. Aqui Jorge Jesus cumpriu com aquilo que se esperava dele como grande treinador: adaptou as suas ideias às características do plantel disponível, mantendo-se fiel aos seus princípios de jogo, conseguindo ainda oferecer aos seus jogadores o meio ideal para exponenciar as suas qualidades, valorizando-os.

Esta estadia de Jesus no céu a verde-e-branco durou muito pouco, provando que é relativamente fácil ter êxito fortuito no futebol, embora o emprego da palavra êxito até seja excessivo. Não o é no caso de Ranieri no Leicester, um caso de sucesso imediato, que passará a ser paradigmático. Mas é mais difícil ter êxito de forma duradoura e para tal é necessário mais do que um alinhamento favorável dos astros. A ideia que na corrida para o sucesso se podem queimar etapas pode ser muito atraente mas raras vezes paga dividendos.

Quantos dos actuais titulares transitarão para a próxima época? (Foto Sporting)

O insucesso total da presente época deveria remeter a SAD a profunda reflexão, porque só percebendo as suas causas se poderá evitar a repetição de erros e equívocos. Reflexão sem dogmas e com elevada abertura de pensamento e humildade. E se há imensas questões por responder a principal é a que deveria ter sido colocada em primeiro lugar, quando se partiu para a contratação de Jorge Jesus:

Tem ele o perfil ideal para ser treinador do Sporting? E por outro lado também deve ser perguntado: tem o Sporting as condições para proporcionar o sucesso ao seu treinador na exacta forma que ele entende como condições indispensáveis para lá chegar? Não está em causa a qualidade do treinador, como certamente não estará a de Guardiola, cuja mudança para Manchester deu ainda mais força a este género de interrogações.

A redefinição por parte de Bruno de Carvalho, reafirmando a famigerada “aposta na formação” vem tornar a resposta à pergunta imperativa. O contexto que levou à contratação de Jorge Jesus – procura de títulos de forma imediata e com recurso “ilimitado” ao mercado, em nítido desfavor do recurso à prata da casa – parece ter-se alterado subitamente, tornando esta questão ainda mais actual. Mais ainda porque parecem evidentes que as consequências económico-financeiras e até psicológicas do falhanço desta época condicionarão fortemente as opções.

A próxima  época ajudará a perceber melhor como será possível o entendimento entre duas versões aparentemente conflituantes e, mais do que as declarações de circunstância, serão as decisões que serão tomadas que falarão mais alto sobre a forma como se fará o respectivo equilíbrio de forças.

Facilmente se entende que esta reconfiguração é um grande desafio para ambas as partes. E também uma excelente oportunidade para o clube e para Jorge Jesus. É que, apesar da retórica à volta da “aposta na formação” o que não tem faltado desde sempre e apesar do sucesso são medidas avulsas e mesmo contraditórias.

Quer Jorge Jesus quer o Sporting teriam muito a ganhar com uma visão integrada para a formação, com o técnico a ser importante na definição do modelo de jogo de forma transversal em todos os escalões, algo que há muito já devia estar em marcha. Seria o primeiro passo para o treinador conhecer melhor um sector que poderia ganhar maior preponderância sob o seu comando, podendo os jogadores, dessa forma, dar resposta mais precoce às elevadas exigências que o modelo do treinador costuma suscitar.

Isto claro, se quer técnico quer a actual direcção clube estiverem mais interessados em construir um legado do que apostar todas as fichas apenas no imediato.


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