18 Dez, 2017

João Negreira, Author at Fair Play

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João NegreiraNovembro 13, 20176min0

O Liverpool já não ganha um título desde a época 2011/2012, e já não consegue alcançar a Premier League desde a época 1989/1990. Como é que um clube com tanta história, com uma massa associativa tão grande e um ataque tão poderoso, estagnou desta maneira, ao ponto de já não ver um título à 6 anos?

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João NegreiraAgosto 28, 201710min0

Nova temporada, alguns treinadores novos com ideias novas, alguns treinadores na sua 2ª época a tentar mudar e vingar e alguns já com alguma experiência no clube a tentar mudar o rumo do que aconteceu no passado. Falamos dos sistemas que alguns treinadores adotaram nesta nova época. Mas o que têm eles em comum? 3 centrais. O Fair Play apresenta-lhe as equipas da Premier League que passaram a jogar com 3 centrais.

Arsenal

Os gunners são a única equipa, daquelas que vamos falar, que começou a utilizar um sistema com 3 centrais já na temporada passada. Após a derrota fora de portas com o Crystal Palace no início de abril por 3-0, Arsène Wenger decide mudar o sistema. Na jornada seguinte, 7 dias depois, o Arsenal já vinha com uma “pele nova”, acabando por ganhar o jogo ao Middlesbrough no Riverside Stadium. Num total de 8 jogos até ao final da temporada (jogou dois jogos que estavam em atraso), o Arsenal conseguiu alcançar 7 vitórias, sendo que a única derrota foi frente ao Tottenham.

Apesar da má classificação, os londrinos fizeram um bom final de temporada com este sistema. Assim, com a continuidade do francês no comando da equipa, o Arsenal voltou a utilizar o sistema na pré-época, na Supertaça Inglesa e já nos primeiros 3 jogos do campeonato. Com a vitória na Supertaça, a motivação era alta para o início do campeonato, tendo até começado com uma vitória suada sobre o Leicester, garantida com dois golos a darem a volta ao marcador, já nos minutos finais. No entanto, o Arsenal já tem 2 derrotas em 3 jogos (Stoke e Liverpool) ficando, por agora, num modesto 16º lugar.

A jogar num 3-4-3, com 2 homens muito móveis atrás do ponta de lança, o Arsenal tem obrigação de fazer muito mais, tendo em conta o seu plantel, que tem Sanchéz, Ozil e Lacazette. Será Wenger o problema? A verdade é que já são 21 anos e apenas 1 campeonato e já a começar tão mal, será desta que o francês sai dos gunners?

O Arsenal ainda ganhou a Supertaça esta época, mas já começa a escorregar. (Foto: RTP)

Crystal Palace

Não são só as equipas ditas “grandes” que utilizam este sistema. Algumas equipas como é o caso dos Eagles também mudaram de sistema. Com poucas mexidas no plantel, esperava-se que o Crystal Palace se afastasse da manutenção, o mais cedo possível, mas isso parece não estar a acontecer, sendo uma das equipas com 3 derrotas em 3 jogos. O 1º jogo foi em casa contra o recém-promovido Huddersfield, em que sofreram uma derrota por 3-0. Seguiram-se jogos com o Liverpool e Swansea, e 2 derrotas vieram com eles. Sem ainda terem marcado golos, parece haver algum problema na equipa de Frank De Boer.

Também a jogar num 3-4-3, o ataque do Crystal Palace parece estar, no mínimo, enferrujado e a defesa não parece coesa o suficiente para aguentar o poderio atacante dos adversários. Será preciso tempo para os jogadores assimilarem as ideias do novo treinador para a nova tática? Mas quanto mais tempo terá o Palace? O tempo, e principalmente, o campeonato estão a contar e não esperam!

Everton

O Everton comprou muito e bem. Gastou 167 milhões de euros em 5 jogadores e não parecem estar para brincadeiras. Com o apuramento para as provas europeias, os toffees precisavam de mais qualidade no plantel e de mais profundidade. No entanto, saiu a estrela de maior nome do plantel, Romelu Lukaku. Ainda assim, parecem estar a aguentar-se, tendo em conta o seu calendário. Começaram com uma vitória caseira frente ao Stoke, mas nos 2 jogos a seguir, contra City e Chelsea, conseguiram apenas um empate e uma derrota; para ficarmos com a certeza que o Everton está à altura do desafio, seguem-se Tottenham e Manchester United. Os toffees tiveram que jogar as pré-eliminatórias da Liga Europa frente ao Hadjuk Split da Croácia, sendo que nesses jogos, o sistema com 3 centrais não foi utilizado.

O sistema de 3 centrais que o Everton usa é, também, o 3-4-3, (usou o 3-5-2 apenas no jogo contra o Manchester City; Gylfi Sigurdsson ainda não tinha chegado) sendo que os 3 homens da frente têm muita mobilidade, havendo várias trocas entre eles; destaque para o reforço Michael Keane que pode dar muita segurança na defesa. Apesar do calendário difícil que tem, o futuro parece estar do lado do Everton, tendo tudo para conseguir fazer a época que quer.

Manchester City

Pep Guardiola vai entrar para a sua 2ª época, tendo agora implementado um novo sistema. Com 246 milhões de euros gastos, espera-se que esta seja a época do treinador espanhol em Inglaterra. Mais uma vez, o City entra bem no campeonato, com uma vitória, sendo que nos dois jogos seguintes, assegurou um empate e uma vitória frente a Everton e Bournemouth, respetivamente. Com uma enorme qualidade no plantel, espera-se que os cityzens, alcancem grandes feitos esta época, também na Europa.

Guardiola parece ter posto o City a jogar como nos habituou. Num 3-5-2, a equipa da cidade de Manchester parece já poder jogar de olhos fechados e como o seu treinador quer (sempre com algumas falhas como é óbvio); com “tabelinhas” simples e imensa mobilidade e dinâmica ofensiva; com a pressão alta e organizada (um dos médios centrais ajuda a pressionar); com as bolas paradas muito bem treinadas também; e o que faz muitas vezes a diferença: jogam muito perto uns dos outros, que com um guarda redes como Ederson, é muito seguro jogar com as linhas muito subidas.

Na pré-época, Guardiola começou por testar o novo sistema com 3 centrais. (Foto: 90Min)

Stoke City

Em Stoke-on-Trent, o sistema também mudou. Saíram alguns jogadores importantes, mas também entraram outros que podem fazer a diferença. Jesé, Tymon e Zouma chegaram para substituir Arnautovic, Bardsley e Muniesa, respetivamente e as esperanças não são assim tão baixas. No entanto, o Stoke, já parece ser inconstante, sendo que começou com uma derrota forasteira contra ao Everton; seguiu-se uma vitória surpreendente frente ao Arsenal; e na 3ª jornada acabou por empatar com o WBA.

À semelhança das primeiras equipas que vimos, os potters jogam em 3-4-3, também com os 3 homens muito móveis no ataque. De destacar Jesé, que no seu primeiro jogo, deu a vitória à sua equipa e pode ser uma grande mais valia durante a época. Sempre com plantéis a poder sonhar com a Europa, o Stoke acaba quase sempre por ficar apenas na primeira metade da tabela; será devido à instabilidade, que até já foi mostrada nestas 3 primeiras jornadas? É esperar para ver se o Stoke se aguenta neste sistema.

Swansea City

Como já foi dito, não são só as equipas a aspirar à Europa e ao título que utilizam o sistema de 3 centrais, também as mais pequenas procuram este sistema, a fim de tentarem algo diferente na presente época. Ao começar com um resultado menos positivo frente ao Southampton, a equipa do País de Gales quis logo mudar o sistema, sendo que no primeiro teste contra o poderoso Manchester United, foram goleados por 4-0. Não obstante, no jogo seguinte alcançaram a sua primeira vitória no campeonato frente ao Crystal Palace. De mencionar que Sigurðsson saiu para o Everton, mas espera-se que jogadores que foram contratados para o meio-campo como Sam Clucas e Roque Mesa (que não são, de todo, jogadores iguais ao islandês) o façam esquecer.

A jogar num 3-5-2, o Swansea vai sempre lutar pela manutenção, sendo que quer o mais cedo possível, afastar-se da zona de despromoção. Apesar de ainda estar lesionado, os swans contam com Llorente para lhes dar muitas alegrias.

Tottenham

Apesar de ter contratado pouco e nenhuma das contratações ter sido sonante, há que colocar os spurs na órbita do título. Com Pochettino a formar uma equipa desde há vários anos, o Tottenham parece ser uma equipa coesa e solidária. Apesar da equipa já estar habituada a jogar entre si e com a sua própria tática, o argentino decidiu aderir, também, ao sistema de 3 centrais apesar de ainda parecer indeciso. Ao contrário de algumas equipas aqui referidas, os londrinos obtiveram uma vitória no seu primeiro jogo do campeonato. Não obstante, perderam o segundo contra o Chelsea e empataram o terceiro contra o Burnley. Apesar das qualidades já referidas, os spurs podem ver-se ser ultrapassados pelos rivais, tendo em conta que não compraram quase ninguém.

Só utilizaram o sistema com 3 centrais frente ao Chelsea, mas esse, foi o jogo em que perderam e por isso, é questionável se Pochettino vai continuar, ou não, a usar o sistema. Com grandes estrelas na equipa como Kane, Alli e Eriksen, o Tottenham pode ser perigoso na época que agora começou.

Van Gaal bem que tentou, mas…

Estava a caminho a época 2014/2015, aquando da chegada de Louis van Gaal ao Manchester United. O holandês veio substituir Moyes que não conseguiu corresponder às expectativas. E é então na primeira jornada que nos surpreende com um sistema de 3 centrais, jogando num 3-4-3. As coisas não correram muito bem para van Gaal que nas primeiras 3 jornadas teve 1 derrota e 2 empates. Na jornada seguinte, muda o sistema e goleia por 4-0 o QPR. Durante a época voltou ao sistema com 3 defesas, mas nunca se saiu muito bem, acabando a sua primeira época em 4º lugar. Acaba por ficar apenas mais uma época no clube, não voltando a utilizar o sistema e sem ter ganho nada de importante.

Van Gaal caiu ao utilizar o sistema de 3 centrais. (Foto: Globoesporte)

… foi Conte quem descobriu a fórmula secreta

Como sabemos o sistema com 3 centrais é maioritariamente utilizado pelas equipas italianas; a própria seleção usa o sistema. Desde as camadas jovens que os jogadores são ensinados a jogar nesses sistemas, numa maneira própria de jogar. Na época passada, chega ao Chelsea, um treinador italiano, acabado de vir da seleção transalpina e surpreende tudo e todos por começar a jogar com um sistema de 3 centrais e muitos até chegaram a pensar que poderia ser um “flop” como van Gaal. Mas Antonio Conte faz um trabalho fantástico e acaba por ganhar o campeonato com 7 pontos de diferença para o segundo classificado, o Tottenham. Na temporada 2016/2017, o italiano contou com jogadores como Kanté, Diego Costa e Hazard, que permitiram que o grande feito acontecesse. Este Chelsea joga em 3-4-3, sendo que Kanté, é imperial no roubo de bola e Hazard e Willian são autênticas setas apontadas à defesa adversária.

Posto isto, será que Conte descobriu a fórmula secreta e agora muitos querem copiá-la? Alguns deles estão a tentar…

Conte foi bem sucedido ao utilizar o sistema de 3 centrais. (Foto: Globoesporte)

 

Não obstante, nenhumas destas equipas que usa o sistema de 3 centrais está a deixar por terra os seus adversários, sendo que, com 3 jornadas jogadas, quem vai na frente isolado, é o Manchester United de José Mourinho.

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João NegreiraAgosto 26, 20176min0

O mercado de transferências é sempre imprevisível e a 5 dias do fecho da janela de transferências, ainda existem algumas transferências que merecem a nossa atenção. O Fair Play conta-lhe os pormenores das transferências de Jesé para o Stoke City, de Matuidi para a Juventus e de João Cancelo para o Inter.

Jesé Rodríguez

O avançado espanhol de 24 anos, que fez a sua formação júnior no Real Madrid, foi transferido para o Stoke City. Já com 3 épocas completas nos madrillenos, o espanhol foi vendido para os franceses do Paris Saint Germain, na temporada 16/17, por 14 milhões de euros. No seu novo clube fez 14 jogos, sendo que no final do mercado de transferências de inverno foi emprestado ao clube da cidade que o viu nascer, Las Palmas. Acabou por voltar aos gauleses com esperanças de finalmente vingar nesta temporada 17/18, mas com a entrada de Neymar para o plantel ficou sem espaço e foi, novamente, emprestado, mas desta vez, ao Stoke City.

Ao fazer a sua formação e já ter bastantes minutos na equipa principal do Real Madrid, esperava-se que Jesé se afirmasse numa grande equipa europeia, mas não que fosse emprestado duas vezes. Contudo, com a saída de Arnautovic para o West Ham, o espanhol tem aqui uma boa oportunidade de relançar a sua carreira para um novo patamar, podendo ter várias oportunidades na equipa dos potters.

Numa liga tão competitiva e longa como a inglesa, Jesé não jogará sempre e não estará sempre a render o seu máximo, tendo que contar ainda que terá a concorrência de jogadores como Sobhi, Choupo-Moting, Xaquiri e Krkic. Apesar de tudo, o espanhol não tremeu no seu primeiro jogo, tendo feito o golo solitário da vitória do Stoke sobre o poderoso Arsenal. Já a começar tão bem, Jesé parece querer ficar com o lugar e aproveitar ao máximo o que este empréstimo poderá ter para lhe dar. No entanto, será sempre melhor para o Stoke valorizar e, por conseguinte, colocar em jogo, os jogadores que tem em sua posse definitivamente, o que poderá estar contra o espanhol.

O Paris Saint Germain não sentirá muito a falta de Jesé, justificando o empréstimo anterior sendo que tem várias opções para aquela posição. Ainda menos oportunidades teria, com a chegada do astro brasileiro, portanto Jesé tem nova oportunidade para relançar a carreira e os gauleses sempre conseguirão alguma valorização do seu jogador, recebendo ainda algo por ele.

Jesé, chegou, viu e marcou (Foto: Terra)

Blaise Matuidi

O internacional francês com dupla nacionalidade que fez 52 jogos na temporada passada pelos franceses do Paris Saint Germain, foi vendido a preço de saldo para a Juventus por 20 milhões de euros. Após 6 épocas a representar sempre os gauleses ao mais alto nível, o centrocampista muda agora de ares passando a jogar em terras transalpinas pela hexacampeã, La Vecchia Signora.

Os bianconeri têm contado sempre, desde há vários anos com um meio-campo de luxo, tendo jogadores como Andrea Pirlo, Paul Pogba e Arturo Vidal, e este ano não foi exceção. Juntando-se a Marchisio, Pjanic e Khedira (que também chegaram a jogar com os jogadores acima referidos), Matuidi entra para uma equipa que está habituada a ganhar em Itália e a chegar longe na Champions.

Contudo, com o italiano e o bósnio de pedra e cal no onze de Massimiliano Allegri, o francês terá dificuldade em impor-se e começar já a jogar de início. Será, sempre, uma boa opção aos 2, tendo ainda a concorrência de Khedira. Contando já com a sua vasta experiência e reconhecida qualidade, o médio terá, rapidamente, que perceber o que o seu novo treinador quer de si, comprovando o investimento. Será também uma mais valia sendo um jogador que consegue pegar no jogo e assumi-lo, tendo sempre um outro jogador a cobri-lo, mas sendo também um jogador com características defensivas importantes, conseguindo, em jogo, desempenhar as duas; o típico box-to-box, portanto.

Outra saída do plantel do PSG, talvez para cobrir o FairPlay Financeiro, após a compra astronómica de Neymar, mas que não fará grande diferença. O jogador foi o único a sair do plantel daquela posição, mas mesmo assim os franceses contam com uma boa profundidade no seu meio-campo não sendo preciso contratar mais ninguém para o substituir.

Matuidi vai passar a jogar com as cores da Juventus. (Foto: FourFourTwo)

João Cancelo

O lateral ofensivo português foi emprestado até junho de 2018 ao Inter de Milão. Num acordo em que os italianos ficam com a opção de compra, João Cancelo inicia a sua 2ª passagem fora de Portugal.

No Valência, foi sempre um jogador de grande importância tendo, na última época, feito 38 jogos, ajudando a equipa nas suas subidas vertiginosas para ajudar o ataque espanhol. O português que é um lateral direito de origem, jogou muitas vezes como extremo direito na temporada transata, tendo aqui a mais valia de ser polivalente, conseguindo jogar num par de posições. Com boas exibições na equipa Ché, foi chamado, pela primeira vez, à seleção nacional tendo marcado logo um golo na estreia; seguiram-se mais 2 golos num total de 5 jogos.

Todavia, contará com imensa concorrência para a lateral direita. Com D’Ambrosio, Nagatomo, Ansaldi e Santon (este último está lesionado) a poderem jogar nos dois lados da defesa, será difícil para João Cancelo entrar já na equipa inicial. Será, então, hipótese para jogar a extremo direito e lutar pelo lugar com Candreva (que pode estar de saída) uma posição que, como já foi dito, não lhe é estranha e que dá garantias ao seu treinador.

Um jogador como Cancelo, fará sempre falta a uma equipa como o Valência, sendo que para a lateral direita conta com Montoya, que está lesionado, e Nacho Vidal, que foi quem jogou o 1º jogo dos Ché da La Liga; para extremo direito, os espanhóis contam com Orellana e ainda Nani, que ainda está lesionado. De referir que este negócio de empréstimos foi uma troca de jogadores entre o Valência e o Inter, com o jogador luso a rumar a Itália e Kondogbia e Murillo a rumarem a Espanha.

João Cancelo, já com a sua nova camisola. (Foto: zerozero.pt – FC Internazionale)

 

O mercado é sempre especial! Traz novas oportunidades para os jogadores relançarem as suas carreiras, novos desafios depois de já terem uma carreira formada e também novas experiências para os mais inexperientes. Resta aos jogadores, comprovarem o investimento neles feito (seja ele pouco ou muito), e aproveitarem as oportunidades que lhes vão ser dadas ao longo da época.

 

 

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João NegreiraAgosto 21, 20174min0

Em Portugal, cerca de 90% dos adeptos são apoiantes do Benfica, do Sporting ou do Porto. No entanto, tem havido um enorme crescendo de adeptos a apoiarem o clube da sua terra, motivando um movimento em querer deixar de apoiar os clubes que só ganham, apoiando também os clubes mais pobres, quer desportiva, quer financeiramente.

Tendência ou Amor?

Num país como Portugal, somos educados a gostar de futebol e por conseguinte, a gostar de um dos três grandes. É quase inevitável isso não acontecer. Mas isso tem vindo a mudar; cada vez mais vemos um D. Afonso Henriques repleto de adeptos do Vitória S.C., mesmo sem estar a jogar contra um dos grandes, e quem não gosta de ver isso?

No entanto, o tópico do artigo refere-se àquilo que esses adeptos, por vezes, pensam ou dizem. Ouvimos falar que os adeptos do Benfica, Sporting e Porto só o são, não por amor, mas, devido às vitórias que o clube alberga; que são adeptos desse clube porque ele tem reconhecimento internacional; que apoiam o clube por causa dos grandes jogadores que são transferidos para lá; mas isso nem sempre é verdade, aliás nem metade dos adeptos são assim.

Mas e os adeptos dos clubes mais pequenos? É moda criticar os outros adeptos? Serão apenas eles os verdadeiros “fiéis” aos seus clubes? Questiono se só porque nasci em certo sitio tenho que ser adepto do clube dessa terra; questiono se só porque um clube tem menos dificuldades do que o outro, já não posso ser apoiante desse clube e tenho na verdade que apoiar o clube com mais dificuldades. Não descuro que possam querer apoiar esse clube, mas porque não pode o outro apoiar outro clube? Gostos são gostos e gostos não se discutem.

O desprezo dos media e a (falta de) competitividade

Não sendo aqueles que mais vendem jornais, os clubes mais pequenos e claro os seus adeptos, queixam-se também do desprezo que lhes é dado pela imprensa.  Muito raramente é-lhes dada importância e quando é dada, por vezes, é errada e pouco útil ou interessante. Ou seja, os noticiários só dão peso aos clubes grandes, e os outros ficam a um canto sem ser-lhes dada a relevância que, na verdade, por vezes, merecem. É, ainda, normal que a opinião e gosto das pessoas seja influenciada pelos media, e o leque de diferenças entre o clube de cada adepto é cada vez maior. E com isso é obrigatório falar da falta de competitividade que se vive na Liga; citando Manuel Machado numa conferência de imprensa: “Isto conta é o campeonato dos 3, o resto é carne para canhão.”. Referindo-se à hegemonia dos clubes grandes em termos de títulos. E o mesmo se pode aplicar aos adeptos, a maioria é dos três grandes, o resto são minorias.

Os clubes mais pequenos têm menos apoio das bancadas. (Foto: MF)

Apoio às minorias

Façamos uma analogia para com a politica. Por vezes, os partidos mais pequenos solicitam o voto múltiplo para com aqueles que não votam. Tendo em conta que esses partidos têm pouca relevância, o voto múltiplo, ajuda-os a ganharem importância, neste caso, em assembleias. Cruzando com a parte futebolística, os adeptos, têm vindo a dar cada vez mais importância aos clubes mais pequenos, na maior parte dos casos, os da sua terra. É normal um cidadão português já ter clube, mas apoiar um clube com pouca massa associativa, pouco orçamento e poucos ou nenhuns títulos, é pouco usual e de dar valor.

Fanatismo?

Mas com tudo contra eles, creio que os adeptos das minorias, criticam mais os outros do que apoiam o seu próprio clube. Acredito que esses adeptos não permitem que se goste de outros; acredito que esses adeptos só vejam o seu clube à frente; acredito que esses adeptos sejam fanáticos!

A questão principal é que esses adeptos, por vezes, gostam mais do seu clube do que futebol, e é isso que está errado. Todos temos o direito de gostar de um clube, mas não temos o direito de inferiorizar o outro, ainda mais sem fundamentos viáveis. Os clubes mais pequenos são inferiorizados, e não conseguem competir com os outros, começando por uma simples comparação de orçamentos. É também verdade que existem este tipo de adeptos nos clubes grandes, mas parece-me que os adeptos dos clubes mais pequenos estão irritados pelo valor que não lhes é dado e acabam por ser radicais e fanáticos.

A discussão que se mantém nas várias redes sociais é, por vezes, inútil, pois todos temos o direito de gostar de um clube, e se o outro gosta de um clube, eu como adepto de outro clube, apenas tenho que respeitar.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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