17 Ago, 2017

Gonçalo Melo, Author at Fair Play

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Gonçalo MeloAgosto 13, 201727min0

Vem aí mais uma edição da Bundesliga e, como sempre, será altamente disputada e imprevisível. Será difícil alguma equipa conseguir chegar ao poderoso Bayern de Munique no que toca a chegar ao ceptro de campeão da Bundesliga, apenas uma parece poder estar em condições de discutir este objetivo, e mesmo este clube está alguns passos abaixo do que poderá fazer. Quais as previsões do FairPlay para 2017/2018?

O Bayern é o maior candidato a vencer a Bundesliga, todos os anos, pelas mais diversas razões. O maior poderio da equipa, o maior poderio financeiro, o maior número de sócios… poder-se-ia continuar a lista, mas, essencialmente, o Bayern é eterno candidato pelo domínio que vem exercendo desde sempre no campeonato alemão, com maior foco nos últimos cinco anos. O clube é pentacampeão alemão e não tem dado a mínima hipótese aos concorrentes.

Do plantel saíram dois elementos nucleares: Philipp Lahm e Xabi Alonso. Será interessante acompanhar como a equipa reagirá à sua ausência. Saiu ainda Douglas Costa, um elemento de pouca importância para Carlo Ancelotti, estranhamente. Entraram Rudy, Sule, Tolisso e James Rodriguez. Todos parecem poder ser elementos úteis, recaindo o maior ponto de interrogação sobre o colombiano, por ter mais holofotes recaídos sobre si e porque não tem estado na sua melhor forma. Curiosidade para ver o que elementos como Renato Sanches e Kimmich, como substituto de Lahm, podem oferecer esta época e ver se Robben e Ribéry conseguem ainda ser fiéis escudeiros da estrela Lewandowski. A idade não perdoa, mas o Bayern também não.

Veremos se Ancelotti recairá maior consenso junto dos adeptos, depois da eliminação nos quartos de final da Champions, de não ter ganho a Taça da Alemanha e de ter feito uma má pré-época. A conquista da Supertaça, no entanto, pode dar um necessário aumento de confiança ao plantel.

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O andar calmo para mais um título?

A equipa do Borussia de Dortmund será a candidata a poder eventualmente disputar o título com o campeão. Depois de um terceiro lugar em 16/17, o Dortmund pretende escapar à ascensão do Leipzig e lutar afincadamente com o Bayern pelo título, algo que não fez na passada temporada.

Alguns acontecimentos marcantes têm vindo a marcar o defeso do Dortmund. Primeiro, e mais importante, a mudança de treinador. Peter Bosz, depois de alcançar a final da Liga Europa, foi recrutado para o clube, isto depois da saída de Thomas Tuchel em diferendo com a direção. Será certamente um futebol diferente aquele que veremos do Dortmund, mas o elenco pouco mudou, saindo dois jogadores (Matthias Ginter e Sven Bender), sendo substituídos por Omer Toprak e Mahmoud Dahoud, chegando ainda Maximilian Phillip e Dan-Axel Zagadou. Assim, o plantel parece ter mais uma ou outra opção de qualidade, destacando-se ainda a permanência do melhor marcador do último campeonato Pierre-Emerick Aubameyang e do crónico lesionado Marco Reus e a indefinição quanto a Ousmane Dembelé.

O Dortmund perdeu a Supertaça para o Bayern, num jogo em que talvez até merecesse outro resultado, mas mostrou que pode ombrear com a equipa bávara. Para tal, precisa de começar bem a liga, devendo por todas as fichas em recuperar os inúmeros lesionados que tem, pois fazem-lhe muita falta. Quanto mais rápido o conseguir, mais rápido conseguirá assumir-se como candidato. Fica a curiosidade de ver qual o cunho pessoal que Peter Bosz dará à equipa.

Peter Bosz traz novas ideias para Dortmund. Será capaz de destronar o todo poderoso Bayern?

A acesa luta pelos milhões!

A luta pelo 3º e 4º lugares da tabela é das lutas mais disputadas e mais difíceis de prever da atrativa Bundesliga. Nesta batalha, decidimos incluir 4 equipas. RB Leipzig, Hoffenheim, Bayer Leverkusen e Schalke 04. Os dois primeiros foram, no ano passado, 2º e 4º, respetivamente, e têm responsabilidade de fazer parecido ou melhor esta época. Os dois últimos tiveram campanhas medíocres na época passada, mas têm a história e o poderio financeiro/futebolístico para voltar a estar na mó de cima.

O Leipzig, grande surpresa da última edição da Bundesliga, vai, certamente, querer repetir a prestação, ou, pelo menos, aproximar-se dela. O plantel é muito semelhante ao da época transata, que apenas perdeu ate à data o avançado Davie Selke (Naby Keita ainda deve sair para o Liverpool) e ainda viu chegar o promissor avançado francês Jean-Kevin Augustin proveniente do PSG, o talentoso extremo português Bruma e o jovem guarda-redes suíço Yvon Mvogo.

O obreiro do excelente segundo lugar Ralph Hasenhüttl mantém-se no comando técnico, e vai apoiar-se nas estrelas Emil Forsberg (19 assistências na ultima edição da Bundesliga!), Marcel Sabitzer, Timo Werner e Diego Demme para realizar uma época a lutar pelos 4 primeiros lugares. Espera-se um ano mais difícil para a turma do Este da Alemanha, num ano em que o fator surpresa já não estará presente, a acrescentar à exigência de que a equipa estará sujeita na Liga dos Campeões.

Outra das surpresas o ano passado foi o Hoffenheim, juntamente com o seu timoneiro Julian Naggelsmann, o mais jovem do campeonato. Com o playoff da Champions League à porta a equipa tem garantido alguns reforços interessantes como o central/médio defensivo Havard Nordveit, o médio centro Florian Grillitsch e o talentoso extremo alemão Serge Gnabry, cedido pelo Bayern.

A equipa perdeu duas peças importantes, Rudy e Sule, mas manteve outras importantes figuras da campanha do ano passado, como os laterais Pavel Kaderábek e Jeremy Toljan, os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay, os homens-golo Sandro Wagner e Andrej Kramaric e o muro da baliza Oliver Baumann, o que deve garantir mais uma bela classificação para a turma da cidade de Sinsheim. A possível entrada na Liga Milionária será determinante para as aspirações da turma de Naggelsmann, pois, com a prova europeia, o desgaste será muito maior e poderá pôr em causa um lugar cimeiro na Bundesliga.

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Julian Naggelsmann é uma das novas coqueluches do futebol alemão, e todos esperam mais um grande ano do seu Hoffenheim

O Bayer Leverkusen foi uma das desilusões da época passada, mas está apostado em fazer melhor este ano. Com um dos melhores plantéis da liga, que, apesar de ter visto sair Chicharito e Çalhanoglu, tem nomes como Karim Bellarabi, Charles Aránguiz, Kevin Kampl, Jonathan Tah, Wendell, Julian Brandt, Kevin Volland, Admir Mehmedi e os irmãos Bender, os “farmacêuticos” agora guiados por Heiko Herrlich vão lutar pelo quarto lugar novamente, beneficiando do facto de não terem competições europeias para se concentrarem no campeonato.

A equipa ainda deverá ir ao mercado por um atacante, pois Chicharito deixou a posição “9” entregue a Stefan Kissling e ao jovem finlandês Pojahnpalo, e o meio campo ofensivo ficou órfão da criatividade e qualidade de remate de Çalhanoglu, sendo necessária uma alternativa de qualidade, a menos que o adolescente Kai Havertz acabe por explodir definitivamente este ano.

Na luta pelos lugares de Champions League estará também o Schalke 04. Os mineiros vêm igualmente de uma época abaixo do esperado, onde ficaram em 10º (tal como o Leverkusen vão beneficiar da ausência das provas europeias), e vão certamente querer fazer melhor. A equipa mudou de treinador, estando agora entregue ao jovem Domenico Tedesco, e viu sair algumas figuras como Kolasinac, Choupo Moting e Huntelaar.

No entanto a base manteve-se, com Benedikt Howedes, Naldo, Johannes Geis, Leon Goretska, Nabil Bentaleb, Max Meyer e Guido Burgstaller a transitarem para esta época, aos quais se juntam as estrelas ainda por assumir Yevhen Konoplyanka e Breel Embolo (que no ano passado não deixaram a sua marca) e os interessantes reforços Bastian Oczipka, Pablo Insúa e Amine Harit, este último uma das novas coqueluches das seleções jovens francesas. O problema dos mineiros reside sobretudo no ataque, uma vez que na época passada faltou um goleador na ausência de Huntelaar, e Burgstaller não parece ser suficiente para uma época inteira, podendo o jovem campeão europeu sub21 Felix Platte ganhar algum protagonismo e ajudar na luta pelos lugares cimeiros da tabela. Esperemos que o novo técnico coloque de novo Max Meyer na sua posição de origem, ele que é um médio criativo e o ano passado foi obrigado a jogar muitas vezes na frente devido à ausência de opções de ataque.

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Leverkusen e Schalke 04 têm uma imagem a repor nesta temporada, após o falhanço em 2016/2017

Na luta pelos lugares na Liga Europa (5º e 6º, possível 7º dependendo dos finalistas da Taça da Alemanha), vários clubes se podem incluir, incluindo alguns que terão como objetivo mais claro a chegada à Champions. Apenas existem 2 ou 3 lugares disponíveis, mas vários candidatos.

O Borussia Monchengladbach parte com aspirações bem reais à conquista de um lugar na Liga Europa, visto que tem um plantel que o merece jogar e tem capacidades para tal. Para a Champions, parece curto.

Andreas Christensen, Nico Schulz, André Hahn e, principalmente, Mahmoud Dahoud, saíram do clube, este último com uma importância acrescida, era realmente o destaque da equipa na temporada pesada. Veremos o que Denis Zakaria pode trazer à equipa, bem secundado por Christopher Kramer. Já Christensen é substituído por Matthias Ginter, uma opção de qualidade num setor recheado de talento (Kolodziejczak, Vestergaard, Elvedi).

O meio campo ofensivo e as alas são os setores mais fortes da equipa. Possuem uma profundidade bastante assinalável, com jogadores como Thorgan Hazard, Herrmann, Ibrahima Traoré, Fabian Johnson (pode também jogar a lateral, dos dois lados), Hofmann e ainda Vincenzo Grifo, contratado ao Friburgo por 6 milhões de euros e considerado uma autêntica pechincha face à sua qualidade demonstrada na temporada passada. Já no ataque, a base é a mesma, com a dupla StindlRaffael a fazer estragos. Não sendo dois pontas de lança, são dois avançados bastante móveis que se complementam bastante bem.

O clube possui alguns dos melhores adeptos da Alemanha e bem orientado pelo experiente técnico Dieter Hecking, que muito sabe sobre esta liga. Certamente que menos que a luta pela Liga Europa será também um fracasso.

Outra das equipas que pode sonhar é o Colónia. Depois do excelente quinto lugar em 16/17, a equipa parte para 17/18 com confiança face às suas capacidades de fazer boas performances. Assim, o clube parte com legítimas esperanças de alcançar novamente a Liga Europa na próxima temporada.

Face à temporada passada, saiu Anthony Modeste por 35 milhões de euros, um espetacular negócio depois do francês de 29 anos ter chegado ao clube por meros 4.5 milhões de euros. A sua saída era inevitável face aos 25 golos marcados pelo jogador na passada época, um marco incrível que lhe deu o pódio na lista dos melhores marcadores. Destacamos a contratação de jovens jogadores como Jorge Meré, central espanhol, Jannes Horn, lateral esquerdo, e João Queirós, central português, este contratado ao Braga, sem nenhum jogo pela equipa principal, por 3 milhões de euros, algo que mostra a força do scouting do clube. A principal contratação foi, no entanto, o ponta de lança Jhon Córdoba ao Mainz, tendo este a missão de substituir Modeste, tarefa aparentemente árdua.

O plantel base sai assim quase incólume, ainda que sem a sua maior estrela, mas com mais soluções para a próxima época. A equipa tem jogadores fortes em todas as posições, como Timo Horn, Dominique Heintz, Frederik Sorensen, Jonas Hector (o mais consagrado), Marco Höger, Leonardo Bittencourt, Marcel Risse e Yuya Osako, jogadores fundamentais numa equipa muitíssimo bem orientada por Peter Stöger há já quatro temporadas. O futuro parece risonho para o clube, e os seus fervorosos adeptos certamente guiarão o clube a mais uma boa temporada.

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Borussia Monchengladbach e Colónia vão tentar tudo para chegar à Europa

O Hertha BSC é outra equipa que pode aspirar a uma presença na Liga Europa. Depois de duas qualificações consecutivas, é possível que tenhamos um caso de “não há 2 sem 3”. O clube é agora estável, bastante bem orientado por Pál Dardai e, não tendo um grande conjunto de estrelas, o plantel é equilibrado e tem profundidade.

O plantel tem um misto de juventude, jogadores em “ponto rebuçado” e jogadores mais experientes. Jogadores mais jovens como jogadores como Karim Rekik, Mitchell Weiser, Niklas Stark, Ondrej Duda e David Selke permitem a irreverência. Vejamos o que este último poderá trazer à equipa e o que tal poderá significar em termos de mudança de sistema de jogo ou de nuances na forma de jogar. Jogadores como Marvin Plattenhardt (muito pretendido), Fabian Lustenberger, Vladimir Darida, Valentin Stocker, Alexander Esswein e Haraguchi permitem que a equipa avance para o próximo nível, oferecendo-lhe maturidade e maior qualidade. Por fim, jogadores como Peter Pekarik, Skjelbred e os avançados Kalou e Ibisevic oferecem a sua experiência e capacidade de decisão à equipa. De saída da equipa, destaque-se apenas a venda de John Anthony Brooks, um antigo central talismã, devido aos seus decisivos golos.

Com as suas poucas alterações no plantel e com o aumento da profundidade do mesmo, com a chegada de Mathew Leckie, por exemplo, o Hertha promete batalhar por uma nova qualificação para a Liga Europa e continuar o seu processo de ganho de notoriedade, honrando o nome da mais importante cidade alemã.

A última equipa que poderá possivelmente lutar pela Liga Europa é o Wolfsburgo. Depois de uma desastrosa época em 16/17, em que a equipa lutou até à última para não descer de divisão (safou-se no Playoff, contra o Eintracht Braunschweig), a equipa está obrigada a fazer bem melhor esta época. Com os jogadores que tem, tudo menos que a luta pela Liga Europa e a respetiva qualificação será um fracasso, ainda para mais sem competições europeias na presente época.

Do plantel base, saíram três jogadores bastante importantes: Ricardo Rodriguez, Luiz Gustavo e Diego Benaglio. Maior destaque para a saída de Ricardo Rodriguez, que vinha sendo uma das principais figuras do clube e dos poucos jogadores que não teve um péssimo desempenho na temporada passada.

Contratações dispendiosas foram feitas: Ignacio Camacho (15 Milhões de euros), Nany Landra Dimata (10 milhões de euros), John Anthony Brooks (17 milhões de euros) e William (5 milhões de euros). Foram 47 milhões gastos em quatro jogadores com muito a provar, esperando-se muito deles e estando aqui refletida a ambição de fazer bem melhor esta época.

Com a defesa comandada pelo americano Brooks e por Jeffrey Bruma, jogadores nas laterais e nas alas como Yannick Gerhardt, Vieirinha, Blaszczykowski e Paul-George Ntep, craques no meio campo como Bazoer, Max Arnold, Yunus Malli e Daniel Didavi e um ataque comandado por Mario Gómez, secundado pelo jovem Dimata, que marcou 14 golos na sua primeira época como sénior e chega bem rotulado da Bélgica, muito se pode esperar dos lobos em 17/18. Veremos se a época anterior foi uma lição a não repetir.

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Na passada temporada, o português Vieirinha marcou um golo decisivo que ditou a permanência dos lobos na Bundesliga. Nesta temporada, ele e os restantes jogadores do plantel estão obrigados a um rendimento bem superior

 

Nem todos os clubes lutam por objetivos mais altos, como competições europeias, ou estão sujeitos a lutar pela despromoção. Existem determinados clubes que estão designados a figurar a meio da tabela, sendo que destacamos três clubes nessa situação: Eintracht Frankfurt, Friburgo e Werder Bremen.

Uma das equipas dificilmente conseguirá subir mais acima do que um nono/décimo lugar será o Werder Bremen. A equipa perdeu a sua maior estrela, Serge Gnabry, não a substituindo de forma adequada. Por outro lado, adquiriu duas opções de qualidade para a lateral esquerda e para a baliza, Ludwig Augustinsson e Jiri Pavlenka, respetivamente, que podem dar a segurança necessária à equipa na hora de defender as suas redes. Jiri Pavlenka será titular face às saídas de Felix Wiedwald e Raphael Wolf, enquanto que Augustinsson chega para substituir Santiago Garcia. De destacar também a saída dos históricos Claudio Pizarro e Clemens Fritz (este acabando a carreira) e ainda a ida a custo zero de Florian Grillitsch para o Hoffenheim.

Na passada temporada, o Werder Bremen conseguiu fazer uma temporada segura, ficando-se pelo oitavo lugar, mas não será fácil repetir o feito, pois a equipa perdeu mais jogadores que aqueles que contratou. Veremos o que pode dar a equipa do Norte da Alemanha, sendo que será agora Max Kruse a assumir o papel de estrela da equipa, certamente secundado pelo extremo Fin Bartels, pelo médio ofensivo Zlatko Junuzovic, pelo médio centro Thomas Delaney e bem protegidos na retaguarda pelo esteio defensivo Lamine Sané.

O seu jovem técnico Alexander Nouri já mostrou serviço, e espera-se mais uma época de sucesso para este promissor treinador, com um lugar tranquilo mas sem incomodar os mais endinheirados.

Quanto ao Eintracht Frankfurt, será curioso perceber o que poderá fazer na próxima temporada. Saíram nove jogadores e entraram outros nove, concretizando-se assim alterações profundas no plantel. Destaquem-se a entrada do lateral holandês Jetro Willems para colmatar a saída de Bastian Oczipka, de Sebastian Haller, para colmatar a saída de Seferovic para o Benfica, e ainda a chegada de outros jogadores importantes como Gelson Fernandes ou Jonathan de Guzmán, jogadores experientes que podem oferecer qualidade à equipa. Além das saídas já destacadas, saíram também jogadores como Jesús Vallejo, de regresso ao Real Madrid, Guillermo Varela e Ante Rebic, entre outros.

Em balanço, o plantel parece que fica a ganhar opções de maior qualidade e experiência, mas dificilmente será suficiente para garantir mais que o meio da tabela ao clube histórico, muito por culpa da subida de nível dos adversários que se poderiam considerar mais diretos.

Destaque-se ainda que a equipa é bem orientada por Niko Kóvac e que é tipicamente forte na Commerzbank Arena, o seu reduto, pelo que poderá causar muitas dificuldades às equipas mais acima na tabela.

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Ambiente tipicamente espetacular na Commerzbank Arena. O Eintracht muito beneficia do apoio dos seus adeptos, criando muitas dificuldades aos seus adversários quando lá jogam

Uma das surpresas da última época foi o Friburgo. A equipa do experiente Christian Streich inicia esta época com duas baixas de peso, uma vez que Vincenzo Grifo saiu para o Gladbach e Maximilian Philipp saiu para o Borussia de Dortmund. Ainda assim, a maior parte das figuras permanecem no sudoeste alemão, como por exemplo o recente campeão europeu sub21 Marc-Oliver Kempf, o ofensivo defesa esquerdo Christian Gunter, os influentes médios Nicolas Hofler, Amir Abrashi e Janik Haberer, e os avançados Nils Petersen e Florian Niederlechner.

A nível de reforços, a equipa mantém a mesma política de sempre, aquisições cirúrgicas e a baixo custo ou empréstimos de mais-valias reais com opção de compra, como sucedeu com Niederlechner e Pascal Stenzel já este verão. Este ano os destaque vão para Phillip Lienhart que chega do Real Madrid Castilla, Barkosz Kaputska cedido pelo Leicester e Marco Terrazino, extremo italiano que foi importante na ponta final da última época do Hoffenheim. Espera-se uma época traquila para os homens de Streich, que deverão manter a coesão e coletividade, características que o ano passado permitiram o 7º lugar.

 

A aflitiva luta pela continuação na mais competitiva liga da europa!

Na época passada a luta pela manutenção revelou-se muito pouco disputada, uma vez que cedo se verificou que Darmstadt e Ingolstadt não tinham capacidade para acompanhar as restantes equipas e o fosso ficou demasiado acentuado deste bem cedo. Este ano, contudo, deverá ser bem diferente. Os históricos Estugarda e Hannover estão de regresso ao convívio dos grandes, e não vão querer certamente abandoná-lo. Mas a tarefa não se afigura fácil, uma vez que Mainz, Ausburgo e Hamburgo também devem estar nesta luta, e nos últimos anos têm conseguido campanhas que lhes têm permitido a manutenção.

O Hamburgo é um caso estranho. A equipa da segunda cidade mais populosa da Alemanha insiste em safar-se sempre à última, ano após ano. Mas a verdade é que se vai mantendo, nunca tenho falhado uma edição da Bundesliga. O plantel este ano, tal como nos outros, é limitado para o que já se viu no Hamburgo, mas está longe de ser fraco. Uma defesa com elementos como Douglas Santos, Kyriakos Papadopoulos e Gotoku Sakai, um meio campo com o brasileiro Wallace, Lewis Holtby, Aaron Hunt e Albin Ekdal e um ataque com Filip Kostic, Nicolai Muller e Bobby Wood não pode estar sucessivamente na luta pela manutenção.

A juntar a estes a equipa garantiu alguns nomes interessantes, como o titular da seleção alemã de sub21 Julian Pollersbeck e o potente e veloz avançado Andre Hahn vindo do Gladbach. Apesar da saída do patrão da defesa Johann Djourou, prevemos uma época semelhante às últimas, onde o Hamburgo vai andar entre o 16º e o 13º lugar.

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Bobby Wood vai tentar dar aos adeptos do Hamburgo uma época mais tranquila

O Mainz tem tido um decréscimo nas suas últimas prestações na Bundesliga. Há duas épocas garantiu o apuramento para a Europa, neste ultimo ano ficou-se pelo 15º lugar. Acreditamos que o plantel perdeu um pouco de qualidade, mas que ainda assim deverá ser superior aos concorrentes diretos, sendo por isso provável um lugar mais confortável na tabela do que os rivais, sem no entanto se livrar de alguns sustos.

O grupo é quase o mesmo que acabou a época passada, já sem a estrela Yunus Malli, também sem o ponta de lança colombiano Jhon Córdoba nem o criativo Bojan Krkic que estava emprestado. Ainda assim o novo técnico Sandro Schwarz viu chegar reforços para todos os setores, como o experiente internacional alemão René Adler para a baliza, o jovem francês Abdou Diallo para a defesa, o talentoso romeno Alexandru Maxim para o meio campo e Viktor Fischer e Kenan Kodro para o ataque, que chegam de Middlesbrough e Osasuna, respetivamente. Será por isso um ano em que o Mainz é candidato à luta pelos lugares da segunda metade da tabela, podendo sempre surpreender e realizar uma época semelhante à de 2015/2016.

O Augsburgo é sempre uma incógnita. A equipa tem muitos altos e baixos ao longo da época, mas o facto é que se vem mantendo na elite há alguns anos. O plantel perdeu apenas o capitão Paul Verhaegh, mantendo nomes como Marvin Hinteregger e Kostas Stayfilidis na defesa, Daniel Baier e o coreano Koo no meio-campo, os extremos Jonathan Schmid e Takashi Usami e os avançados Raul Bobadilla e Alfred Finbogasson.

A estes nomes, juntam-se ainda os interessantes reforços Rani Khedira, Marcel Heller e Michael Gregoritsch, que juntando à base da época passada vão tentar levar a formação de Manuel Baum a uma época descansada, tarefa que nos parece, ainda assim, bastante árdua.

O Estugarda e o Hannover estão de volta ao lugar que merecem, a primeira divisão. Depois de uma época em que dominaram a segunda liga, os dois históricos têm adotado a mesma medida para abordar a nova época. Manter o núcleo e juntar alguns reforços de qualidade.

O Estugarda do ex-Sporting Emiliano Insúa optou pela manutenção de grande parte das principais figuras, com Tim Baumgartl, o próprio Insúa e Benjamin Pavard na defesa, o experiente capitão Christian Gentner, e os jovens Ebenezer Ofori e Berkay Ozcan no meio campo e Carlos Mané, Julian Green, Takuma Asano e Simon Terodde no ataque.

A este núcleo juntaram-se alguns reforços interessantes, com destaque para o guarda-redes campeão do mundo pela Alemanha em 2014 Ron-Robert Zieler. Para além do ex-Leicester, chegaram para a defesa o brasileiro Ailton vindo do Estoril, o polivalente Dennis Aogo e o crónico lesionado Holger Badstuber, ambos internacionais alemães. Para o meio campo e ataque foram contratados o jovem promissor congolês Chadrac Akolo, o jovem belga Orel Mangala e o internacional grego Anastosis Donis, que estava ligado à Juventus.

O Hannover conseguiu manter todos os principais jogadores, verificando-se apenas as saídas dos centrais Andre Hoffman e Carlos Strandberg, do extremo Marius Wolf e do avançado polaco Artur Sobiech, nenhum deles titular regular a época passada. As principais figuras, como o gigante Salif Sané, Oliver Sorg, Manuel Schmiedebach, Felix Klaus, Martin Harnik, entre outros, mantêm-se no clube e vão ser certamente peças fundamentais para o timoneiro Andre Breitenreiter, que volta ao ativo após ter sido despedido do Schalke em 2015.

A estes nomes, o novo treinador junta algumas importantes adendas, como o keeper Michael Esser que não acompanha o Darmstadt à segunda divisão, os laterais Julian Korb e Matthias Ostrzolek e o médio defensivo Pirmin Schwelger, todos vindos de equipas que já estavam na Bundesliga. Será, ainda assim, um ano de muita luta e muitas dificuldades para este Hannover, que tem o plantel menos valioso do campeonato até à data, esperando-se ainda mais um ou outro ajuste até 31 de Agosto, tal como no Estugarda.

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Hannover e Estugarda estão de volta ao convívio dos grandes, e vão lutar com unhas e dentes para não o deixar

Será certamente mais um ano fantástico no campeonato alemão, onde a probabilidade de lutar por um lugar de Liga dos Campeões é quase igual à probabilidade de se encontrar em lugares próximos da zona de aflição (Vieirinha que o diga). O titulo esse, parece estar entregue, podendo sempre aparecer um super Dortmund. Os candidatos a novo Leipzig são alguns, e quererão certamente agigantar-se e realizar épocas acima do normal. É já no próximo fim de semana que o campeonato mais imprevisível da Europa começa, seguindo-se fins de semana consecutivos agarrados ao apaixonante e atrativo futebol alemão.

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Gonçalo MeloAgosto 7, 201720min0

A menos de uma semana do começo da Premier League, analisamos as possibilidades dos 20 clubes ingleses para esta época e com tanto dinheiro envolvido, a expectativa não podia ser maior. O Fair Play faz a antevisão para a temporada 17/18 da melhor liga do mundo.

 

Dinheiro ao Poder! (1º ao 6º)

Com os direitos televisivos a reinarem em Inglaterra, os clubes ficam com imenso dinheiro para esbanjar, época após época. Posto isto, o atual campeão, o Chelsea já gastou 155 milhões de euros, o Manchester City 246 milhões e o Manchester United 165 milhões. Sendo estes os 3 clubes que mais gastaram até agora, são estes os candidatos ao título. Obviamente, o dinheiro não é a única fundamentação, mas é algo a ter bastante em conta. Salientar que, apesar da excelente qualidade de treinadores existente por toda a Premier League, estes 3 clubes terão os melhores técnicos no comando.

Os blues, depois de terem sido os piores campeões de sempre, na temporada 15/16 ficando em 10º lugar, reforçaram-se agora para manterem o título. Com algumas saídas do onze inicial, foram obrigados a comprarem bem para conseguirem revalidar o título e com uma tática já familiarizada, os novos recrutas Antonio Rudiger, Timoué Bakayoko e Alvaro Morata não deverão demorar muito a entrar na equipa, que tem em Eden Hazard, Ngolo Kanté e Pedro Rodriguez as principais figuras. Os blues serão a equipa que partirá na pole position para a conquista do campeonato, uma vez que são os detentores do título e mantém a espinha dorsal formada por Cahill, David Luiz, Azpilicueta, Fabregas, Willian, Courtois, etc.

O Chelsea vai tentar repetir o feito da época passada

Vai começar, então, a 2ª época de José Mourinho ao comando dos red devils, tendo já ganho na sua primeira temporada, a F.A. Community Shield, a EFL Cup e a Liga Europa, tendo entrado diretamente na Champions League. O Special One terá agora, depois de uma época com um misto de emoções, que corresponder às altas expectativas de um clube histórico e habituado a ganhar. Apenas com Wayne Rooney como saída de peso e contratações direccionadas para entrarem já no onze inicial, como Victor Lindelof, Nemanja Matic e Romelu Lukaku, o United terá boas hipóteses de voltar ao tão desejado título, uma vez que se apresenta com uma dos melhores planteis da europa, onde se destacam Ander Herrera, Henrikh Mkhitaryan, Marcus Rashford, Eric Bailly, David De Gea e Paul Pogba.

O mesmo se passa com Guardiola que, na sua segunda época, deu uso ao dinheiro que está à sua disposição. Com um novo sistema, os citizens jogam de maneira diferente; mais juntos, muito mais dinâmicos na frente e a sair com bola na defesa. Não obstante, não terão ainda, nem a mentalidade de campeão, nem a coesão de equipa necessárias para conseguir tirar o melhor de todos os seus jogadores. Assim, as tropas de Guardiola estarão na luta, mas será difícil ganharem o campeonato. Para lutar pelo almejado primeiro lugar, o City já contratou para quase todos os setores, Ederson, Mendy, Walker, Danilo, Bernardo Silva juntam-se aos craques que transitam da época passada. Kevin De Bruyne, David Silva, Sergio Aguero, Yaya Touré, Vicent Kompany, John Stones e o jovem prodígio paulista Gabriel Jesus.

Ederson é um dos reforços milionários do Machester City de Guardiola

Com uma equipa de grande qualidade e de grande coesão já apresentada na época que passou, o Tottenham poderá arrepender-se em não comprar jogadores pois poderá ser ultrapassado pelos novos jogadores dos seus rivais que trarão qualidade a esses mesmos, coisa que os spurs poderão não ter. Não retirando qualidade à equipa, ao não contratar, Pochettino mostra que a sua equipa não tem lacunas, algo que poderá não ser verdade. A preparar também um sistema novo com 3 defesas, veremos algo diferente do Tottenham que fará com toda a certeza um bom campeonato, mas onde ainda faltará alguma coisa para serem campeões. As estrelas Christian Eriksen, Dele Alli e Hary Kane mantém-se no norte de Londres, bem como os centralões belgas Toby Alderweireld e Jan Vertonghen. No entanto, um substituto para Walker seria bem-vindo, bem como uma alternativa a Alli e Eriksen (fala-se em Ross Barkley).

Arsène Wenger vai entrar na sua 21º época seguida como treinador do Arsenal e parece querer ir de mal a pior. Com apenas uma contratação sonante, por 60 milhões de euros e nenhuma venda que fará mossa no onze inicial, as mudanças serão quase nulas. Alexandre Lacazette entrará nas contas para começar de inicio e teremos também mais um novo sistema com 3 defesas. Um jogador e um sistema novos, portanto; mas será que isso chega para fazer melhor do que o passado? A juntar ao facto de pela primeira vez fora da Champions, Alexis Sánchez e Mesut Ozil podem perfeitamente sair uma vez que têm apenas mais um ano de contrato. 20 anos depois será difícil fazer pior do que se tem feito, mas… a era de Wenger tem de acabar!

A acabar em 4º e com apenas uma grande contratação está o Liverpool que, semelhantemente ao Tottenham poderá ver-se ultrapassado pelos adversários diretos, ainda mais se Coutinho sair. Com o mestre da psicologia ao comando, os reds poderão fazer uma temporada boa e estarão com toda a certeza nos lugares cimeiros, mas será difícil fazer algo melhor do que a época passada. De referir que estarão presentes no play-off da Champions League e se chegarem a participar na liga milionária, será ainda mais difícil conjugar, não tendo opções de alto nível para todas as posições. Klopp irá apoiar-se nas figuras da época passada, mas Sadio Mané, Adam Lallana, Gio Wijnaldum e Roberto Firmino, aos quais se junta o supersónico Mohamed Salah poderão não chegar para todas as “encomendas”.

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Os spurs tentarão manter-se na luta pelos lugares cimeiros, tal como o Manchester United

A vontade de chegar ao topo! (7º ao 9º)

 Com uma capacidade de atacar o mercado superior à maioria, mas inferior à dos 6 primeiros, e sempre tentando intrometer-se na luta pelos lugares europeus estão neste momento três equipas.

O Everton de Ronald Koeman tem contratado muito e bem, destacando-se o central Michael Keane, o todo-o-terreno holandês para o meio campo Davy Klaassen, e os avançados Sandro Ramírez e Wayne Rooney. O capitão da seleção dos três leões regressou a casa, e vai tentar fazer esquecer Lukaku, que saiu para o Man United por 85 milhoes. Quem também poderá estar de saída é Ross Barkley, que não parece querer renovar o contrato. No entanto o Everton parece estar acautelado, pois o islandês Gylfi Sigurdsson parece estar perto dos toffees. Será uma época em que os azuis de Liverpool tentarão intrometer-se na luta pelos seis primeiros lugares, tarefa aparentemente utópica.

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Um bom filho a casa torna. Rooney regressa para fazer esquecer Lukaku, que fez o caminho inverso para Manchester

Quem faz sempre questão de ocupar a primeira metade da tabela é o Southampton. A equipa agora orientada por Mauricio Pellegrino quererá certamente manter a mesma toada, e para isso mantém até agora a mesma equipa que o tem conseguido fazer nos últimos anos. Apenas um reforço até à data, o central polaco Jan Bednarek. O grande problema dos saints poderá ser a situação de Virgil van Dijk, que entrou num diferendo com a direção por querer sair para o Liverpool, ele que é um dos melhores defesas centrais da atualidade. Jay Rodriguez saiu para o West Brom, mas as principais figuras, Dusan Tadic, Oriol Romeu, Ryan Bertrand, Nathan Rodmond, Cédric Soares e Manolo Gabbiadini, e o muro de 2 metros Fraser Forster permanecem no sul de Inglaterra, havendo motivos para o antigo treinador do Alavés sorrir.

Juntamente com os toffees e os saints está o West Ham de Slaven Bilic. Com grande capacidade financeira, a turma de Londres teve uma época muito abaixo do esperado no ultimo ano, mas quer voltar a lutar pela europa este ano. Apesar de já não ter Dmitri Payet, os hammers mantêm até agora os craques Lanzini, Ayew, Cresswell e Antonio, aos quais se juntam quatro reforços bombásticos. Para a baliza chegou o guardião titular da seleção inglesa, Joe Hart, cedido pelo Manchester city. Na defesa, Arbeloa arrumou as chuteiras, mas chegou para o seu lugar o experiente argentino Mauro Zabaleta. Para a frente, a equipa garantiu o extremo Marko Arnautovic por cerca de 23 milhoes de euros, e o craque mexicano Chicharito Hernández junto do Bayer Leverkusen por 18, valores muitíssimo aceitáveis tendo em conta o mercado atual e que tornarão os londrinos uma ameaça a ter em conta.

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O sorriso do novo goleador dos hammers

Nem sim, nem sopas! (10º ao 14º)

Nem a despromoção, nem a Europa. Alguns clubes apenas não têm a capacidade de contratar ou de sequer fazer jogar tão bem para ir à Europa e estão bem com isso. O dinheiro não é problema, mas isso não chega. Pode haver surpresas como o caso do Leicester, mas as equipas na metade inferior da tabela ainda estão uns degraus abaixo daqueles que lutam sempre pelas competições europeias.

A surpresa da época 15/16, foi ainda um pior campeão, na época transata, do que o Chelsea nessa mesma época, ficando em 12º lugar. Ficou sem a peça fundamental do meio-campo, mas estrelas Vardy e Mahrez ficaram e ainda chegaram mais jogadores. Ranieri foi despedido e o adjunto, Craig Shakespeare assumiu o comando dos foxes. Para já, reforçou-se com a jovem estrela, Iheanacho do City, Maguire e Jakupovic do Hull e Iborra do Sevilla, não saindo jogadores de grande importância. Prevê-se, então, uma época calma, semelhante à que passou. A possível saída de Mahrez para a Roma poderá ser determinante no rendimento da equipa.

Depois do inédito título, o Leicester tem almejado apenas a parte superior da tabela

Com um lugar bastante razoável na época que passou, o West Bromwich Albion, vai tentar repetir o feito da época passada e afastar-se ao máximo da despromoção, fazendo uma temporada tranquila, a fim de afirmar-se na Premier League. De referir que a grande contratação foi Jay Rodriguez ao Southampton, sendo que de resto não houve grandes mudanças no plantel. Com um dos melhores lugares dos últimos anos, os baggies farão mais uma temporada sossegada, sob o comando do fantástico Tony Pullis. Nacer Chadli tem sido muito cobiçado, ele que foi um dos melhores da equipa na época passada.

Entre a indecisão da Europa e a metade superior da tabela está mesmo o Stoke City, pois parecendo que têm uma boa equipa e suficiente para ficar nos 10 primeiros, ninguém diria que ficariam em 13º lugar em 16/17. Em Stoke-on-Trent já saiu para o West Ham, uma das suas estrelas maiores, o extremo Marko Arnautovic, bem como o ponta de lança marfinense Wilfried Bony, cedido pelo Man City; entre mais algumas saídas como Martins Indi, e outras entradas como Kurt Zouma e Darren Fletcher, não parece ter chegado ninguém para substituir no imediato o austríaco. Prevê-se, então que os potters façam mais uma temporada serena, sem almejar a Europa.

Depois de um final de temporada positivo, ainda que não tenha conseguido salvar o Hull, Marco Silva foi contratado para comandar o Watford, que ficou no primeiro lugar acima da linha de água. Já com algumas mexidas no plantel, tanto nas entradas como nas saídas, há que destacar Will Hughes, a jovem promessa vinda do Derby County, Tom Cleverley que chegou do Everton a titulo definitivo após ter estado cedido pelos toffees o ano passado, Kiko Femenía que chegou do Alavés para a lateral direita e o médio defensivo inglês ex-Chelsea Nathaniel Chalobah. Ighalo e Mario Suarez saíram para a China e Marco Silva tem, assim, um trabalho árduo pela frente para conseguir, para já, solidificar o Watford nesta Premier League, uma vez que já pediu mais reforços para além destes, mas os mesmos ainda não chegaram. Os grandes destaques desta equipa serão provavelmente o avançado Troy Deeney, o internacional holandês Daryl Janmaat e o médio defensivo francês Etienne Capoue, aos quais ainda terão, obrigatoriamente, de se juntar mais alguns reforços. O talento de Marco Silva deverá levar a equipa a uma época de qualidade.

Marco Silva terá novo desafio no Watford

A tentar solidificar o seu lugar na Premier League, está o Crystal Palace que já contratou o jovem central holandês, de quem muito se espera, Jairo Riedewald, sendo que em termos de saídas, pouco podemos falar sem ser de Mandanda, tendo ainda Wayne Hennessey para o substituir. Com um plantel onde podemos observar tanto a experiência como a juventude, os eagles tentarão realizar uma temporada que não lhes dê muitos problemas quanto à manutenção e distanciar-se o mais cedo possível disso. Para isso o novo timoneiro Frank De Boer irá apoiar-se nas suas maiores figuras, os habilidosos e rápidos extremos Wilfried Zaha e Andros Townsend, o experiente francês Yohan Cabaye e o potente goleador belga Christian Benteke.

 

A aflitiva luta pela permanência! E pelos milhões! (15º ao 20º)

 A luta pela permanência é muito provavelmente a mais entusiasmante luta da liga inglesa, até mais que a luta pelo título. A paixão sentida naquelas jornadas finais cativam o mais desligado adepto, e as reviravoltas e mudanças de cenário acontecem a toda a hora. A juntar aos três novos primodivisionários, juntamos nesta luta o Bournemouth, o Burnley e os galeses do Swansea.

Os swans não são um habitué nestas posições, no entanto o seu plantel tem vindo a decrescer de qualidade. A defesa não tem a qualidade de outrora, tanto a nível central como lateral, pois Rangel parece envelhecido e não há um patrão no centro (será Alfie Mawson?). O meio campo, pese a contratação do brilhante espanhol Roque Mesa( é muito forte no passe e na pressão, um medio completíssimo), poderá ficar seriamente enfraquecido se o islandês Sigurdsson sair para o Everton. No ataque, Jefferson Montero é muito inconstante, Dyer e Routledge parecem ultrapassados, e Luciano Narsigh não se impôs desde que chegou em Janeiro. Conseguirá Fernando Llorente marcar golos suficientes para salvar novamente o Swansea? Contará para isso com a ajuda de Tammy Abraham, jovem prodígio cedido pelo Chelsea.

O Burnley possui novamente um dos planteis mais fracos da Premier League, mas isso não impediu a turma de Sean Dyche de se manter na primeira divisão. O fator casa será fundamental, uma vez que a época passada a equipa fez 33 dos seus 40 pontos no Turf Moor. Os reforços para esta época são poucos, destacando-se Phil Bardsley e Jonathan Walters vindos do Stoke. As principais figuras são o guarda-redes internacional inglês Tom Heaton, o ex-Porto Steven Defour, os irlandeses Robbie Brady e Jeff Hendrick e o talentoso avançado Andre Gray.

Fernando Llorente e Jeff Hendrick vão ser fundamentais nas suas equipas

Outra das equipas que começa o campeonato com um dos planteis mais fracos na teoria é o Bournemouth. A equipa orientada por Eddie Howe, talvez o mais promissor técnico inglês do momento, tem muitas limitações, com exceção do ataque onde existem nomes como Callum Wilson, Joshua King, Max Gradel, Ryan Fraser e o veterano goleador Jermaine Defoe contratado ao Sunderland. No meio campo a equipa sentirá falta de Jack Wilshere, que regressou ao Arsenal, cabendo a Harry Arter e ao jovem talento Lewis Cook, de quem muito se espera, assumirem-se como motores do meio campo. Na defesa, dois belos reforços poderão fazer crescer a equipa, o holandês Nathan Aké chegou proveniente do Chelsea, bem como o guardião bósnio Asmir Begovic, duas das contratações mais caras da turma do sudoeste inglês.

Quanto às equipas que subiram, o Newcastle tanto pode fazer um campeonato a lutar por lugares mais cimeiros como pode ver-se aflito. O plantel tem lacunas, como as alas do ataque, o centro e a lateral esquerda da defesa e o meio campo defensivo. Estas falhas deverão ainda ser colmatadas com uma ida ao mercado, mas a presença de jogadores como Jonjo Shelvey, Ayoze Pérez, Aleksandar Mitrovic e Chancel Mbemba que são jogadores de grande nível podem deixar Rafael Benítez dormir melhor. Os principais reforços ate ao momento são Florian Lejeune, Javier Manquillo e Jacob Murphy, este último um dos destaques no último europeu de sub 21.

Brighton e Huddersfield terão muitas dificuldades para garantir a permanência. Os primeiros mantém uma base da época passada, à qual juntam bons reforços como o guarda-redes Mathew Ryan, a contratação mais cara do clube, e os dois jogadores provenientes do Ingolstadt da Alemanha, o austríaco Markus Suttner e o alemão Pascal Gross, melhor jogador dos alemães na época passada. O melhor jogador do Championship do ano passado, Anthony Knockaert é um dos jogadores a seguir nesta equipa, que tenta ainda juntar ao melhor jogador do Championship, o melhor goleador, Chris Wood do Leeds.

O Huddersfield tem contratado vários jogadores de modo a rechear a equipa de qualidade para tentar a permanência. Naquela que é a estreia desta formação, o destaques da equipa são os reforços Jonas Lossl e Zanka Jorgensen, guarda redes e central dinamarqueses, Aaron Mooy, médio australiano que chega em definitivo após uma época emprestado pelo Manchester City, o talentoso extremo Tom Ince e os avançados Steve Mounié, contratado ao Montpellier, e Laurent Depoitre, adquirido ao Porto. Apesar de todos estes nomes, o plantel é limitado e a tarefa é árdua, sendo provável a descida de uma equipa tão inexperiente.

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Huddersfield e Newcastle chegam do Championship e vão tentar permanecer entre os grandes

O melhor campeonato do mundo começa já no próximo fim de semana, e como podemos constatar, há desafios para todos os gostos. A luta vai ser acesa em todas as partes da tabela, e mal podemos esperar para que a bola comece a rolar. Bring it lads!

Previsão Fair Play

Campeão: Chelsea

Melhor Jogador: Eden Hazard (Chelsea)

Melhor Marcador: Romelu Lukaku (Manchester United)

Melhor Jovem: Dele Alli (Tottenham)

Jogador Revelação: Sandro Ramírez (Everton)

Equipa Revelação: Watford

Jogador Desilusão: Alvaro Morata

Equipas Desilusão: Newcastle e Arsenal

 

 

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Gonçalo MeloJulho 30, 20175min0

O mercado está louco! É a melhor e mais rápida forma de descrever os últimos dois meses no mundo do futebol, com transferências estratosféricas e, muitas delas, absurdas. Vamos neste artigo abordar as mudanças de James Rodríguez e Álvaro Morata, ambos do Real Madrid, para Bayern e Chelsea respetivamente, comentando as possibilidades que ambos têm de se afirmar.

Comecemos pelo criativo e imaginativo colombiano. Contratado em 2014 pelo Real Madrid ao Mónaco, por 75 milhões de euros el bandido, como é conhecido, protagoniza a terceira grande transferência na carreira, depois de já ter movimentado 45 milhões quando saiu do FC Porto para os monegascos. Este verão transferiu-se para o colosso alemão, num empréstimo de dois anos, pelo valor de 10 milhões de euros. No fim destes dois anos o Bayern tem uma cláusula obrigatória no valor de aproximadamente 50 milhões de euros, o que à priori irá tornar James num dos jogadores que mais dinheiro movimentou no mundo do futebol.

James Rodríguez é um craque, ninguém dúvida do seu valor, mas poderá na Baviera encontrar o mesmo problema que o atormentou em Madrid. Concorrência com demasiado qualidade. No real, Luka Modric e Toni Kroos fecharam-lhe sempre as portas do 11 no meio campo, tal como Bale e Ronaldo nas alas. A juntar a estes, apareceram ainda em grande forma os talentosos espanhóis Isco e Marco Asensio, o que reduziu ainda mais o tempo de jogo do colombiano.

No Bayern, habituado a jogar num 4-2-3-1, na posição dez vai encontrar um Thiago Alcântara perfeitamente adaptado ao futebol de toque e jogo apoiado do Bayern, sendo mesmo o jogador mais criativo e mais influente na criação de jogo da equipa, aliando a isso uma extraordinária cultura tática e capacidade de recuperação em zonas altas (é um dos médios mais completos do futebol atual).

Nas alas a concorrência é igualmente feroz, com os veteranos Robben e Ribéry a continuarem em alta apesar da idade (mantêm intactas a velocidade e capacidade de desequilíbrio), juntando aos dois experientes craques o emergente e explosivo francês Kingsley Coman, que é sempre uma dor de cabeça para qualquer lateral. A estes junta-se aquele que é “apenas” campeão do mundo e o principal candidato a melhor marcador de sempre em fases finais de mundiais, o polivalente Thomas Muller, um dos jogadores mais inteligentes do futebol alemão e mundial.

James terá, na nossa opinião uma situação no Bayern muito semelhante à que tinha em Madrid, cabendo ao colombiano de 26 anos tentar suplantar a concorrência e ganhar um lugar ao sol com Carlo Ancelotti, o técnico que também o levou para o Real Madrid. Para o conseguir, o médio ofensivo terá de contrariar também a sua baixa confiança e fraca força mental, bem como aceitar que muitas vezes poderá ficar no banco, algo que não sucedeu na sua primeira época no Real, onde era sempre titular e demonstrou o seu melhor rendimento.

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James tem no Bayern algo a provar

O caso de Álvaro Morata deixou perplexa a maioria dos entendidos. O espanhol parece ter quase todas características necessárias para vingar na sua posição. Velocidade, técnica, força, capacidade de pressão, jogar de costas para a baliza, etc. No entanto os seus números não são abonatórios a seu favor. Em 188 jogos que disputou pela equipa principal do Real Madrid e pela Juventus, Morata marcou 58 golos, o que perfaz uma média de aproximadamente 0,3 golos por jogo, números quase ridículos para um ponta de lança que custou 80 milhões de euros(!).

Este negócio faz ainda menos sentido quando dentro de casa o Chelsea tem dois pontas de lança com médias superiores à do ex-Real. Diego Costa foi muitas vezes o abono de família de Antonio Conte, tendo sido juntamente com Hazard e Kanté o melhor jogador dos londrinos, não fazendo sentido esta “embirração” do timoneiro italiano com o hispano-brasileiro que em 2016/17 apontou 22 golos em 42 jogos.

A outra alternativa para o ataque é o jovem belga Michy Batshuayi, que parece fazer justificar uma maior aposta pois já revelou estar num nível semelhante ao do espanhol contratado ao Real Madrid. Se Diego Costa vai provavelmente sair, o belga vai certamente dar muita luta a Morata, e, caso o espanhol não eleve consideravelmente os seus registos, nem os estratosféricos 80 milhões pagos pelo Chelsea vão garantir a titularidade ao “delantero”  de 24 anos, ele que por alguma razão nunca teve estatuto de indiscutível por onde passou.

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O “senhor 80 milhões” com a nova camisola

São mais duas mediáticas transferências de um animado e inflacionado mercado de verão, dois negócios que tanto podem resultar em sucesso como em fracasso, pois não é garantido que James Rodríguez e Álvaro Morata acrescentem algo transcendente às suas novas equipas. Os milhões envolvidos vão criar ainda mais pressão e responsabilidade em ambos, que têm nesta época verdadeiros testes para se tentarem afirmar entre os melhores jogadores da atualidade, algo que no Real Madrid não conseguiram.

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Gonçalo MeloJulho 20, 20174min0

No paradigma do futebol atual verificamos cada vez mais uma acesa e muitas vezes concorrência desleal pelos direitos televisivos. Neste mundo vivido fora das quatro linhas, os milhões movimentados são muitos, promovendo cada vez mais negócios estratosféricos e transferências por valores outrora considerados impeditivos e utópicos. Neste caso analisamos as transferências de Antonio Rudiger para o Chelsea e de Romelu Lukaku para o Manchester United.

Se no caso de Romelu Lukaku, o investimento é parcialmente justificável (Ibra e Rooney saíram, e atacar uma época apenas com Rashford e Martial era demasiado arriscado) no caso do alemão ex-Roma nem tanto. Apesar da qualidade inegável do central de 24 anos, faz sentido que um investimento de 35 milhões de euros num central seja efetuado devido a uma necessidade evidente ou uma lacuna no plantel, algo que não se verifica, o que comprova a loucura do atual mercado de transferências.

O Chelsea de Conte joga no sistema de três centrais, com David Luiz, Gary Cahill e Azpilicueta a formarem esse trio na maior parte das vezes, não sendo fácil para Rudiger entrar no onze. Ainda assim, apesar da saída do lendário John Terry, a equipa tinha ainda três soluções de grande qualidade e margem de progressão para aquela zona, para renderem o trio titular quando necessário.

O dinamarquês Anders Christensen, fortíssimo na saída de bola parece fazer parte das escolhas, mas Kourt Zouma, que envolveu um investimento semelhante ao de Rudiger, já foi emprestado ao Stoke City. Já fora do clube também, está o holandês Nathan Aké, vendido ao Bournemouth. São os 35 milhões pagos por Rudiger justificáveis? Um central que não esta num nível assim tão superior à maioria dos centrais vendidos ou emprestados pelo Chelsea? Só o tempo o dirá, tendo o jovem alemão formado no Estugarda, a velocidade, leitura tática, agressividade e saída de bola para vingar na Premier League, tendo no entanto o exemplo de Zouma para se reger, que apesar do elevado investimento não teve lugar no plantel esta temporada (a grave lesão sofrida há um ano para isso contribuiu).

Foto: espn.com

O caso do belga ex-Everton é inteiramente diferente. Mourinho precisava de uma referência no ataque, e Lukaku é um craque. Além disso está completamente identificado com o campeonato, e pode render muito mais golos se for bem municiado e tiver o apoio necessário (no Everton muitas vezes jogava muito sozinho na frente). O valor pode ser sempre colocado em causa, mas valores destes pagos por um homem que garante mais de 25 golos por época tem de ser pelo menos ligeiramente aceite.

O belga é muito diferente de Zlatan, mas até tem um estilo que se adequa melhor à forma de jogar de Mourinho, que privilegia os contra golpes e as transições rápidas. E Lukaku vai ser um complemento perfeito para as “motas” que Mourinho já tem no plantel (Mkytharyan, Lingard, Rashford, Martial, etc.)

À velocidade Lukaku alia uma enorme capacidade física e força, capaz de desgastar defesas e de aumentar os níveis de agressividade e pressão alta da equipa do United. Não é um primor técnico, mas revela capacidade de ir para cima do defesa e desequilibrar com o seu pé esquerdo e a sua velocidade.

Foto: football365

Antonio Rudiger e Romelu Lukaku têm nesta época os seus verdadeiros primeiros testes nas  carreiras clubísticas (a nivel de seleção já têm alguma experiência), pois apesar de serem grandes clubes, Roma e Everton não apresentam a exigência dos dois gigantes ingleses. Os dois craques vão ter de se agigantar e justificar os milhões investidos, o que em vésperas de campeonato do mundo vai tornar essa missão ainda mais interessante e exigente.

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Gonçalo MeloJulho 2, 20174min0

A Bundesliga é um dos campeonatos mais poderosos do futebol europeu, a nível de qualidade futebolística mas também a nível financeiro. Por esta razão, contratar jogadores neste campeonato é tarefa árdua, como o Wolfsburgo fez ver ao Sporting há um ano atrás aquando do elevado investimento em Bas Dost (contratação mais cara da história dos leões).

Ainda assim, deixamos aqui três possíveis reforços para os grandes portugueses, aqueles que têm capacidade financeira para os trazer do campeonato mais equilibrado da europa a seguir ao inglês, (tirando o Bayern, as restantes equipas pautam-se pelo equilíbrio entre si, podendo uma equipa lutar pela Champions numa época, e lutar para não descer na época seguinte, como sucedeu com o Wolfsburgo) algo que torna a Bundesliga fascinante e cativante.

Timo Horn

Posição: Guarda-Redes
Idade: 24 anos
Nacionalidade: Alemã
Clube: Colónia

Numa altura em que o sucessor de Ederson no Benfica parece não estar ainda encontrado (parece ser André Moreira mas ainda não foi oficializado) e com as permanências de Casillas e Rui Patrício a serem motivos de desconforto para os grandes portugueses devido às notícias bastante recorrentes sobre as suas possíveis saídas, dificilmente qualquer um dos clubes portugueses ficaria melhor servido. Timo Horn, que fez toda a sua ainda curta carreira no Colónia, e que é internacional sub 21 pela Alemanha, faz valer os seus 192 cm entre os postes, sendo uma barreira quase intransponível devido aos seus apuradíssimos reflexos e à sua impressionante agilidade para um guarda-redes com a sua estatura.

Aos reflexos apurados junta ainda uma rapidez notável a sair da baliza, bem como um à vontade grande com a bola nos pés (tem um belo pé esquerdo, que coloca a bola onde quer, à semelhança de toda a nova geração de guarda redes alemães) e muita confiança nas bolas pelo ar, bolas que raramente não agarra com segurança. Contudo, contratar um dos melhores e mais jovens guarda-redes da Bundesliga  implicaria sempre um investimento avultado, nunca inferior a 10 milhões de euros, quantia elevada até para os grandes portugueses. Até porque Horn tem na próxima época, o aliciante de se estrear nas competições europeias, devido ao 5º lugar do Colónia.

Marc-Oliver Kempf

Posição: Defesa Central
Idade: 22 anos
Nacionalidade: Alemã
Clube: Friburgo

Recentemente campeão europeu de sub 21 pela Alemanha Marc-Oliver Kempf foi uma das grandes afirmações da ultima edição da Bundesliga, o que lhe valeu a chamada para o europeu. Dotado de um excelente pé esquerdo, duma boa capacidade de passe, construção e progressão com bola, o jovem do Friburgo foi um dos principais obreiros da boa época dos homens do sudoeste da Alemanha, que terminaram num fantástico 7º lugar.

À elegância e capacidade na saída de bola, Kempf alia uma leitura de jogo e cultura tática elevada para um jovem da sua idade. O timing de entrada à bola e capacidade de desarme fazem dele um jogador pouco faltoso, característica sempre interessante e rara num defesa central. O jovem podia ser um excelente substituto para Victor Lindelof, ou o parceiro ideal para Coates, não sendo de estranhar se o promissor defesa estiver nas cogitações dos grandes lisboetas, uma vez que a sua transferência se poderia realizar por valores comportáveis para os cofres de Benfica e Sporting.

Filip Kostic

Posição: Extremo Esquerdo
Idade: 24 anos
Nacionalidade: Sérvia
Clube: Hamburgo

Numa altura em que diariamente se fala no interesse do Sporting em Gonzalo Martinez e Marcos Acuña, o antigo jogador do Estugarda, atualmente no Hamburgo, é igualmente uma boa opção para o lado esquerdo do ataque leonino. Outrora associado aos verdes e brancos, quando ainda representava o Groningen, o sérvio era neste momento um reforço bomba em Portugal, tanto para Sporting como para FC Porto, que irá certamente precisar de um extremo caso se confirme a saída de Yacine Brahimi, que tem sido associado a clubes ingleses e franceses.

Filip Kostic foi muitas vezes uma espécie de oásis no deserto de ideias que foi a equipa do Hamburgo, provocando estragos com a sua técnica, velocidade e explosão. Uma autêntica locomotiva pelo lado esquerdo, capaz de tirar excelentes cruzamentos ou de procurar zonas mais interiores para finalizar com o seu potente pé esquerdo. O sérvio iria ver certamente uma transferência para Portugal com bons olhos, que lhe permitiria disputar as competições europeias, o que em época que antecede o campeonato do mundo poderia ser vital para garantir a presença de Kostic nos eleitos sérvios, onde tem forte concorrência de elementos como Zoran Tosic, Dusan Tadic, Lazar Markovic e Andrija Zivkovic.

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Gonçalo MeloJunho 7, 20176min0

Após analisados os destaques de mais uma edição da Bundesliga é tempo de analisar e comentar as desilusões ou, como de diz na gíria futebolística, os “flops”. Numa lista composta por algumas surpresas, algumas delas jogadores já internacionais, salta à vista um nosso bem conhecido, o campeão europeu Renato Sanches.

É pelo jovem internacional português formado no Seixal que começamos. Contratado por 35 milhões de euros com apenas 18 anos, Renato chegava à Baviera em alta após ter sido campeão português pelo Benfica e campeão europeu por Portugal.

No entanto, fruto da forte concorrência e inadaptação ao estilo de jogo do Bayern, Renato foi pouco utilizado, sem nunca conseguir expor o futebol apresentado no anterior clube e na seleção, tornando-se provavelmente no maior flop do ano na Alemanha, devido ao que custou e à qualidade e esperança que nele depositavam (explicamos melhor a sua situação no artigo dedicado ao jovem prodígio).

Mas, para alem dos vários flops individuais, como Douglas Costa que não deu seguimento à qualidade apresentada na primeira época, ou Marco Reus que não consegue jogar dois meses seguidos sem se lesionar (podia ser o melhor jogador alemão da atualidade, não fosse ele de cristal) os principais flops desta edição da Bundesliga foram coletivos.

O Bayer Leverkusen, que se propunha a disputar o terceiro lugar, terminou num paupérrimo 12º lugar a uma longa distância de 23 pontos do seu objetivo. Um ano para esquecer para os farmacêuticos, com vários jogadores a realizarem épocas abaixo do esperado.

O capitão Lars Bender teve um ano fustigado por lesões, o turco Hakan Çalhanoglu nunca conseguiu expor a qualidade técnica e visão de jogo a que nos habituou, Karim Bellarabi parece ter estagnado (foi ultrapassado por Julian Brandt e Leon Bailey nas alas, para alem de ter perdido o comboio da seleção) e os avançados Stefan Kiessling, Kevin Volland e Admir Mehmedi foram pouco produtivos a nível de golos, sendo muitas vezes Chicharito o abono de família da equipa, com a sua finalização e sobretudo abnegação a trabalhar em prol da equipa.

A nível defensivo, Jonathan Tah e Aleksandar Dragovic nunca deram a segurança necessária, e os laterais ofensivos Wendell e Benjamin Henrichs deixaram muitas vezes espaço para os oponentes, revelando dificuldades a fechar os corredores. Valeu muitas vezes o inspirado guarda redes Bernd Leno, que já pede voos mais altos. A dececionante campanha levou ao despedimento do técnico Roger Schmidt, algo que não fez subir a produção da equipa, bem pelo contrário.

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Foto: Der Bild

Outra grande desilusão foi o histórico Schalke 04. Com um defeso movimentado e cheio de aquisições que prometiam, como Breel Embolo, Yehven Konoplyanka, Nabil Bentaleb, Coke ou Baba Rahman, previa-se uma época a lutar pelos lugares de Champions League, algo que não sucedeu.

Com um novo timoneiro, Markus Weinzierl, que tinha realizado um bom trabalho ao serviço do Augsburgo, o Schalke nunca conseguiu ser uma equipa coesa e constante (as lesões não ajudaram, Embolo e Huntelaar quase não jogaram, e o lateral direito Coke só realizou a ponta final da época para alem dos jogos iniciais de Agosto).

O craque ucraniano Konoplyanka eclipsou-se, nunca sendo uma mais valia nem apresentando o talento que demonstrou no Dnipro e na seleção e sendo suplente a maior parte dos jogos, Baba Rahman nunca consegui destronar Kolasinac, Johannes Geis teve uma temporada abaixo do esperado, tal como Benjamin Stambouli que chegava do PSG com rótulo de craque, e os avançados Choupo Mouting e Di Santo que nunca conseguiram suplantar a ausência do goleador Huntelaar.

Por outro lado, valeram a Weinzierl o talentoso Leon Goretzka, os experientes defesas Naldo e Benedikt Howedes e os reforços de inverno Guido Burgstaller e Daniel Caligiuri, que conseguiram que a equipa terminasse num menos mau 10º lugar.

Max Meyer conseguiu por pouco escapar ao rótulo de flop nesta temporada (jogou muitas vezes fora da sua posição, a descair para a esquerda ou demasiado na frente de ataque) devido ao talento individual demonstrado muitas vezes, sem grande constância no entanto.

Apesar destes dois flops, nada bate a péssima época dos novos ricos do futebol alemão. O Wolfsburgo do português Vieirinha escapou à despromoção apenas no playoff diante do Eintracht Braunschweig, realizando a pior época dos últimos anos.

Numa anarquia tática constante, os lobos nunca pareceram ter uma ideia e forma de jogar definidas, vivendo à base de rasgos de Julian Draxler na primeira metade da época, e dos golos de Mario Gomez na segunda.

É portanto fácil identificar vários flops desta dispendiosa equipa, como o lateral esquerdo Ricardo Rodriguez que baixou muito o rendimento que o tornou num dos mais apetecíveis laterais esquerdos da europa, os médios defensivos Josuha Guilavogui e Luiz Gustavo, os criativos Maximilian Arnold e Daniel Didavi, os contratados em Janeiro Paul-George Ntep (que nunca apresentou o nível e qualidade que levaram o clube patrocinado pela Volkswagen a desembolsar 18 milhões na sua aquisição) e Riechedly Bazoer, ou até o guarda redes Diego Benaglio que perdeu o lugar para Koen Casteels. Salvaram-se os jovens Yannick Gerhardt, Vieirinha e Yunus Malli.

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Foto: Martin Rose / Getty Images

Nas restantes equipas, o Mainz e o Hamburgo podem também ser consideradas flops desta temporada que agora findou, devido à dificuldade em manter-se acima da linha de água.

No Mainz, o suíço Fabian Frei teve uma época num nível baixo, tal como o jovem promissor Kevin Oztunalli e o defesa central/trinco André Ramalho.

No Hamburgo, que mais uma vez se consegui manter na primeira liga, destaque negativo para o central Yohan Djourou, para o avançado Pierre Lasogga que marcou apenas 1 golo na temporada, e para o jovem trinco brasileiro Wallace Silva que denotou alguns problemas de adaptação a uma nova realidade fora do Brasileirão.

Num ano de descida para Darmstadt e Ingolstadt, que nem podem ser considerados flops devido ao baixo nível da maioria dos seus jogadores em relação a jogadores de outras equipas rivais na luta pela permanência (salvo alguns casos como Dario Lezcano, Matthew Leckie, Pascal Gross, Jerome Gondorf ou Marcel Heller), estes foram os principais destaques negativos de um campeonato disputado e atrativo até à ultima ronda.

Na próxima época, estas desilusões vão certamente querer dar a volta por cima e esquecer esta má temporada. Em Agosto começa tudo novamente, e tudo pode acontecer.

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Gonçalo MeloJunho 2, 20177min0

Nova moedinha, nova voltinha. Mais uma época se passou na Bundesliga, com o mesmo desfecho. Título na Baviera. Mas, fora a luta pelo título, que desde cedo parecia entregue, as restantes equipas pautaram-se por um equilíbrio assinalável, tendo havido algumas surpresas/destaques e algumas desilusões.

Nos destaques de mais uma edição da Bundesliga era impossível não falar no Leipzig. A equipa orientada por Ralph Hasenhüttl estreou-se esta temporada na primeira divisão alemã, com um fantástico segundo lugar. Com um meio campo fortíssimo, onde Naby Keita, Diego Demme e Stefan Ilsanker se destacaram, alas criativos e rápidos como Marcel Sabitzer e Emil Forsberg (19 assistências no campeonato!) e uma dupla de ataque móvel e mortífera formada por Yuray Poulsen e Timo Werner, o RB Leipzig fez um campeonato imaculado que lhe permite estar na próxima edição da Liga dos Campeões. Ainda em lugares de prova milionária ficou o extraordinário Hoffenheim do jovem Julian Nagelsmann, melhor lugar da história do clube. Individualmente, destaque para as épocas Nicklas Sule e Sebastian Rudy que lhes valeu a transferência para o campeão Bayern, bem como os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay e os avançados Andrej Kramaric e Sandro Wagner.

A luta pela Europa foi renhida ate final com Colónia, Friburgo, Hertha de Berlim e Werder Bremen a proporcionarem um atractivo espectáculo até à ultima jornada. No Colónia o destaque tem de ser dado a Anthony Modeste. O francês apontou 25 golos no campeonato, mais de metade do total de golos da equipa, sendo esta de longe a melhor época do ponta de lança que já passou pelo Bordéus e pelo Hoffenheim . Para alem do francês, épocas positivas da maioria dos elementos, com destaque para o médio-defensivo/lateral esquerdo titular da selecção alemã Jonas Hector e para o defesa central Dominic Heintz. No Friburgo, destaque para o italiano Vincenzo Grifo, grande municiador do ataque dos homens do sudeste, com 13 assistências (já se comprometeu com o Borussia de M’gladbach para as próximas temporadas), para Maximilian Philipp, avançado fundamental na forma de jogar da equipa e que deve ser um dos eleitos para os sub-21 alemães e para o lateral-esquerdo Christian Gunter, jogador mais utilizado na Bundesliga da equipa do Friburgo, sempre com uma regularidade impressionante.

No Hertha, menção para Vladimir Darida, Peter Pekarik e John Anthony Brooks, os mais regulares e sempre em nível superior da equipa, mas também para os abonos de família Solomon Kalou e Vedad Ibisevic, os goleadores da turma do húngaro Paul Dardai. No Werder Bremen, o destaque vai para o jovem técnico Alexander Nouri, responsável pela subida incrível de produção da equipa na segunda metade da época, apoiado nas figuras Zlatko Junozovic,  Serge Gnabry, Max Kruse, Fin Bartels e Thomas Delaney (o dinamarquês chegou em janeiro para se tornar talvez no melhor jogador da equipa).

Foto: The World Game

Nas restantes equipas (todas elas desilusões pois todas as restantes ficaram abaixo dos objetivos a que se propuseram) houve também jogadores que se destacaram. Ousmane Dembelé chegou, viu e venceu em Dortmund, justificando plenamente os 15 milhões pagos ao Rennes, fazendo estragos com a sua técnica individual e velocidade. Pierre Emerick Aubameyang teve mais uma época brutal (31 tentos), que lhe valeram o prémio de melhor marcador. Marcel Schmelzer, Julian Weigl e Rapha Guerreiro protagonizaram também boas épocas. No Gladbach que ficou longe do seu objectivo (Champions League), o maior destaque vai para o jovem Mahmoud Dahoud, adquirido entretanto pelo Dortmund, que com a sua qualidade técnica e energia elevou a equipa para um nível que sem ele nunca se verificou, para o talentoso belga Thorgan Hazard e para o capitão Lars Stindl.

Nas duas grandes desilusões da Bundesliga, Bayer Leverkusen e Schalke, os destaques são poucos, podendo salientar apenas a regularidade do central Omer Toprak, a entrega de Kevin Kampl e os golos de Chicharito nos Farmacêuticos. Nos mineiros, o grande destaque vai para Guido Burgstaller, que chegou em Janeiro proveniente do histórico Nuremberga mas conseguiu ser o melhor marcador da equipa na Bundesliga. Os jovens Leon Gorestka  e Sead Kolasinac (pode estar a caminho do Arsenal) protagonizaram épocas de bom nível, tal como o guarda-redes Ralf Fahrmann, muitas vezes o salvador da formação de Markus Weinzierl. No Eintracht Frankfurt, o mexicano Marco Fabián jogou e fez jogar, fazendo jus à fama que trazia do seu país (muita qualidade técnica e visão de jogo). O jovem sueco Benjamin Hrgota e o capitão Bastian Oczipka foram também protagonistas da época tranquila dos comandados de Nico Kovac, que tiveram uma descida grande na segunda metade da época (estiveram em lugares de Champions em Dezembro),

Na parte de baixo da tabela, Augsburgo, Mainz e Hamburgo tiveram épocas atribuladas, conseguindo por pouco escapar aos lugares de despromoção. No Augsburgo, destaque para o goleador Alfred Finnbogasson, o criativo coreano Koo, o médio-defensivo Dominic Kohr e o lateral esquerdo Philip Max, que foram os melhores da equipa. No Mainz houve muitas épocas abaixo do esperado, destacando-se Yunus Malli que em janeiro se transferiu para o Wolfsburgo, Jhon Córdoba que foi o melhor marcador da equipa a par do japonês Yoshinori Muto e o potente lateral Daniel Brosinski. No Hamburgo, que insiste em “safar-se” sempre à ultima, o norte-americano Bobby Wood foi muitas vezes o abono da equipa, com Lewis Holby e  Filip Kostic a serem dos jogadores mais utilizados e regulares, e Gotoku Sakai a ser a fonte de rendimento e trabalho da equipa, tanto a médio defensivo como a lateral direito.

Numa época em que consagrou mais uma vez o crónico campeão BayernAlaba, Thiago Alcântara, Lewandowski (mais golos que o polaco só Auba) e Robben voltaram a fazer das suas e a protagonizarem belíssimas temporadas, na época de despedida dos lendários Xabi Alonso e Philip Lahm que voltaram a fazer o que nos habituaram nas ultimas duas décadas, espalhar charme e qualidade pelos relvados que pisam. Numa época disputada e aguerrida foram estes os destaques daquele que é para muitos o campeonato com melhor e mais atractivo futebol do velho continente. Na próxima época a pressão para estes será maior, uma vez que a expectativa dos adeptos será por consequência mais elevada. Agora, será que alguns destes destaque terão capacidade para inverter a tendência de domínio bávaro? 2017/2018 está já ao virar da esquina, e mal podemos esperar.

Foto: dw.com

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Gonçalo MeloMaio 25, 20174min0

O que vale um momento numa época para mudar o rumo dos acontecimentos para melhor ou pior? Uma vitória, uma derrota, um golo marcado ou sofrido, um remate no último segundo falhado ou empate conseguido no último suspiro. Este é o Momento da Época do SL Benfica, não pelo golo ou empate, mas pela qualidade que apresentou em casa frente ao FC Porto em Abril de 2017.

Há momentos decisivos ao longo duma época, momentos em que se nota uma evolução, uma atitude, ou se nota algo diferente e marcante numa equipa, momentos esses que vão contribuir marcadamente para o desenrolar dos acontecimentos da época.

Num ano de tetracampeonato para o Benfica, a escolha do momento mais marcante ou importante da época não era fácil. Podendo ir desde a vitória em casa perante o Sporting, ou o golo tardio em Vila do Conde. Para nós, o momento não foi uma vitória ou um golo, mas sim uma exibição. A exibição contra o FC Porto no Estádio da Luz.

Numa altura em que o que mais se falava era a quebra de forma e rendimento da equipa de Rui Vitória, contrastando com a subida de forma e bons resultados da turma de Nuno Espírito Santo (antes do clássico a diferença era de apenas um ponto) o Benfica entrou para o jogo sem qualquer nervosismo e pressão, realizando aquela que foi provavelmente a melhor exibição do Benfica em derbys e clássicos desde que Vitória chegou ao clube.

Com uma agressividade poucas vezes vista ao longo da época, os homens de Rui Vitória dominaram o jogo quase na sua plenitude, tendo apenas tremido no início da segunda parte com o golo de Maxi Pereira e com Soares a aparecer na cara de Ederson (exibição valorosa e de alta qualidade no clássico).

Esta exibição personalizada foi um ponto de viragem numa equipa que estava cada vez menos confiante até então, coleccionando exibições fracas e vitórias tangenciais, notando-se após este empate um maior à vontade e tranquilidade nos jogos até ao final do campeonato.

No jogo contra o FCP, o medo dos adeptos era grande uma vez que a perda da liderança serviria como um boost enorme para o rival do norte, não só pela liderança mas sobretudo porque essa liderança significava uma vitória azul na Luz. No clássico, mesmo sem o ladrão de bolas sérvio Fejsa, o na altura tricampeão nacional fez uma exibição quase categórica. Samaris apareceu a um nível elevadíssimo neste jogo, fazendo jus à alcunha de “Bombeiro Grego”, fartou-se de jogar e de dificultar a tarefa aos médios do Porto, colocando Óliver no bolso com a ajuda de Pizzi e obrigando Danilo Pereira e André André a jogarem muito atrás e a apostarem no futebol direto.

Para além do domínio no meio campo, o Benfica conseguiu anular quase na totalidade  criatividade de Corona e Brahimi (Eliseu e Semedo a grande nível, com o jovem lateral direito a aliar a coesão defensiva a raides consecutivos pela direita que faziam tremer Alex Telles e Brahimi), para além de ter feito com que Soares não aparecesse na partida, mérito de Luisao e Lindelof, que formaram uma dupla quase impenetrável ao longo da temporada.

No ataque assistiu-se a um Jonas em melhor forma do que o habitual nesta época, jogando e fazendo jogar, mesmo sem ter um Mitroglou muito inspirado ao seu lado, faltando-lhe claramente a competitividade de Jiménez para não se acomodar (as lesões tiraram protagonismo ao mexicano), um Salvio a aparecer nos jogos grandes como é habitual e um Rafa a utilizar a sua velocidade para causar calafrios na defesa e na bancada azul (ainda longe de ser o fantasista do Braga, poderá ser uma chave-mestra para a próxima temporada).

Após o jogo no dragão assistiu-se a uma equipa mais calma e tranquila na forma de abordar os jogos que restavam na Liga Nos , conseguindo que as coisas saíssem com mais naturalidade. Este jogo foi um ponto de viragem do ponto de vista anímico, porque para além de manter a liderança, Rui Vitória e o Benfica mataram o borrego de não se conseguirem impor nos jogos grandes, algo que trouxe paz e tranquilidade ao técnico e à equipa, que caminhou sem grandes sobressaltos para o inédito tetra da sua história.

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Gonçalo MeloAbril 30, 20175min0

O futebol alemão vive dias saudáveis em relação à sua formação, sendo cada vez mais os jovens a conseguirem ser mais valias nas suas equipas desde tenra idade. O Fair Play, juntamente com a Talent Spy, dá-lhe a conhecer um dos mais recentes projetos futuros da escola alemã, o médio ofensivo do Eintracht Frankfurt, Aymen Barkok.

Olhando para o paradigma atual do futebol germânico podemos constatar que a maioria dos clubes tem evoluído e investido fortemente na formação, procurando criar melhores condições para os seus atletas crescerem a todos os níveis e poderem ser mais-valias nas equipas principais. Na atrativa e renovada equipa do Eintracht Frankfurt, orientada pelo antigo capitão da seleção croata Niko Kovac, tem surgido mais um jovem valor do futebol alemão, internacional pelos sub 17 e sub 19 da Mannschaft. Falamos de Aymen Barkok, médio ofensivo de apenas 18 anos.

Tendo começado a jogar aos 15 anos ao serviço dos juvenis do Kickers Offenbach, na época seguinte iria chegar ao Eintracht ainda com idade de juvenil, onde iria ter o seu primeiro impacto com uma maior competitividade e exigência. Jogou duas épocas nos juvenis do clube até completar 16 anos, altura em que chegou à equipa de juniores, onde na época seguinte viria a ser uma das principais figuras da equipa. O protagonismo que foi ganhando valeu-lhe a ascensão à equipa principal do Eintracht esta temporada, onde Barkok já realizou 17 jogos e apontou 2 golos, sendo um dos responsáveis pela boa época da equipa e pela chegada à final da taça onde vão defrontar o Borussia de Dortmund.

Fonte: Soccerway

Barkok é um médio ofensivo que se destaca pela sua estampa física (tem 1,88m), que lhe permite ganhar bastantes duelos com os seus adversários. A esta estatura o jovem médio destaca-se também pela capacidade de drible e de progressão com bola, algo que o faz ter semelhanças com Anderson Talisca, com a exceção de ser destro. A sua velocidade de ponta é também assinalável (não é muito forte no arranque mas após os primeiros 5 metros é um jogador muito rápido) bem como a capacidade no 1×1, algo que lhe permite também jogar a partir de uma ala, onde pode privilegiar movimentos interiores e passes de rotura para os companheiros ou até disferir perigosos remates quando aparece em diagonais da esquerda para o meio.

No entanto, o jovem alemão com dupla nacionalidade (é descendente de marroquinos) denota ainda várias lacunas e debilidades próprias de um jovem da sua idade. Barkok peca bastante ao nível da decisão e do último passe, demorando muitas vezes demasiado tempo a soltar a bola e tomando muitas vezes decisões que não são as mais indicadas (passa quando deve finalizar e tenta finalizar quando deve passar), algo que um jovem de 18 anos irá certamente melhorar.

Do ponto de vista defensivo, Barkok permuta muito entre uma agressividade excessiva em busca dos adversários com um desligar-se do jogo quando a equipa não tem a bola, algo visível quando apareceu nos primeiros jogos mas que Nico Kovac já conseguiu corrigir minimamente, sendo o jovem Barkok um jogador bem mais maduro nesta fase da época.

BOA OPÇÃO PARA…

Wolfsburgo – Após a saída de Julian Draxler para o PSG, existe falta de criatividade e irreverência no meio campo ofensivo dos lobos, algo que Yunus Malli e Daniel Didavi não conseguiram até agora acrescentar. O jovem internacional alemão sub-19 do Eintracht poderia acrescentar algo mais ao meio campo da ex equipa de Julian Draxler e Kevin De Bruyne, sendo mais um criativo a brilhar pela turma patrocinada pela Volkswagen.

RB Leipzig – Com a boa época realizada e a presença assegurada nas competições europeias a turma de Ralph Hasenhüttl vai ter de elevar o nível do plantel e garantir mais reforços para atacar as várias frentes, e numa equipa que prima pela enorme quantidade de jovens promissores e talentosos, Barkok poderia ser uma mais valia, tanto como alternativa a Emil Forsberg e Marcel Sabitzer como opção para jogar com ambos no apoio a Timo Werner.

SC Braga – Apesar de quase impossível de se realizar esta transferência iria acrescentar criatividade e irreverência a uma equipa que parece muitas vezes presa a um 4-4-2 clássico com pouco imaginação, algo que se tem tentado mudar com o avançar de Battaglia e a aposta no 4-3-3.

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Gonçalo MeloAbril 16, 20177min0

Renato Sanches vive dias atribulados em Munique, provavelmente os mais atribulados da sua ainda curta carreira. Opção de banco na maioria dos encontros (foi apenas titular em 10 ocasiões esta época), o antigo jogador do Sport Lisboa e Benfica estará numa situação problemática? Mas quais as razões para um jovem talento, campeão nacional, campeão europeu e Golden Boy não se conseguir impor num colosso como o Bayern?

Orientado por Carlo Ancelotti, o Bayern tornou-se uma equipa mais incisiva na forma como aborda os jogos, mudando um pouco o chip que existia na era Guardiola, em que a posse de bola era altamente elevada em todos os jogos, passando, agora, para uma forma de jogar mais pragmática e calculista, bem ao jeito italiano.

No entanto, os ensinamentos de Guardiola ainda perduram, notando-se uma preocupação por parte de todos os jogadores em ter muita bola e em produzir jogadas elaboradas em que a mesma passa por grande parte dos elementos.

Com laterais de topo mundial e centrais fortes na saída de bola torna-se mais fácil a implementação de um estilo de jogo que preze a posse de bola, podendo os médios pegar o jogo em zonas mais adiantadas do terreno, não precisando de baixar excessivamente.

Aqui reside um dos principais problemas para o menino da Musgueira. Habituado a enorme liberdade quando jogava no Benfica (aparecia em todas as zonas do campo, quer a atacar quer a defender), no Bayern essa liberdade é reduzida. O jogo de posse de bola constante não permite ao internacional português aqueles raides a que ele habituou às bancadas, sendo por isso obrigado a tornar-se um jogador mais de toque curto, na linha dos restantes médios do Bayern como Thiago Alcântara, Xabi Alonso ou Joshua Kimmich.

Mas deve um jogador, selvagem como Renato Sanches, (que com o seu estilo rebelde e irreverente conquistou um lugar a titular na seleção campeã europeia e conquistou o prémio de Golden Boy) ser obrigado a mudar a sua forma de jogar? Ou a única solução será a equipa moldar-se ao jovem craque? A resposta pode parecer impossível de dar, mas estará algures no meio das duas hipóteses.

Renato Sanches não é um médio altamente eficaz no passe, não o era no Benfica (colocava a equipa em dificuldade muitas vezes com passes errados ou perdas de bola, tendo no entanto grande parte dessas vezes a capacidade física e a velocidade para ir apagar o fogo que o próprio tinha ateado) e continua a ter esse problema em terras Bávaras.

Um dos problemas é que na Bundesliga a exigência é bastante superior em comparação com a da Liga Nos, uma vez que um erro contra o Arouca ou o Tondela não vai causar as mesmas repercussões que um erro ou uma perda de bola contra um Hoffenheim ou um Bayer Leverkusen.

Outra das contrariedades que o campeão europeu enfrenta é a exigência dos adeptos. Quando na Luz tudo lhe era perdoado, fruto de ser a pérola da formação que os adeptos tanto ansiavam ver impor-se na equipa principal, em Munique a paciência e o carinho dos adeptos para com o médio é manifestamente inferior. Cada passe errado ou cada perda de bola é mais uma forma de criticar o jovem português, e mais uma forma de pôr em causa o valor e o preço de Renato Sanches. Cabe ao portento da Musgueira dar a volta à situação.

Foto: TransferNews

O que se segue? Qual a melhor solução? Moldar-se a uma nova forma de jogar ou manter a irreverência e o futebol de rua puro que tantos apaixonou e cativou?

Na opinião de muitos o melhor para Renato é mesmo mudar de ares, pois o colosso bávaro não é a equipa ideal para o crescimento do jovem. Para outros, onde nos incluímos, o problema prende-se no timing da transferência (mais uma época com a camisola encarnada do Tricampeão Nacional teria sido o ideal, onde teria tempo e compreensão para melhorar as suas debilidades continuando a ser uma referencia no 11 e a ter muito tempo de jogo).

Ora, não sendo possível recuar no tempo só resta olhar para o futuro, e Renato tem razões para olhar sorridente para o mesmo. Sendo um jovem, tem tudo para se poder afirmar na segunda época onde já não vai ter os típicos problemas de ambientação, tanto ao estilo de jogo da nova equipa como a toda a realidade envolvente a que é sujeito um jogador de 19 anos quando se muda do seu bairro e cidade de sempre para uma cidade nova, a falar uma língua completamente diferente e a ganhar 5 vezes mais do que ganhava (para muitos a questão monetária é vital para um bom rendimento, e muitas vezes ganhando mais vai levar a um descurar da competitividade e empenho no treino e no jogo).

A juntar a isto, na próxima época Renato tem um novo aliciante. Com a reforma de Xabi Alonso, abre-se uma vaga no trio do meio campo de Ancelotti, juntamente com Arturo Vidal e Thiago Alcântara. E agora? Sanches ou Kimmich? A favor do português tem a sua força e capacidade física, podendo recuar Vidal e entrar Renato para o seu lado.

Porém, Kimmich está mais identificado com o estilo de jogo bávaro, sendo mais evoluído tacticamente e evidenciando uma considerável maior qualidade de passe. No meio destas duas hipóteses está outra que nos parece menos plausível, mas que para os alemães pode ser possível.

E se Renato Sanches assumir o lugar de Xabi Alonso? Poderá um irreverente e selvagem menino assumir um lugar (e mais que um lugar, uma forma de jogar) ocupado por um dos jogadores mais elegantes e inteligentes das últimas duas décadas? Um jogador com uma qualidade de passe tremenda, tanto curto como longo?

Renato Sanches tem várias lacunas, sobretudo ao nível do passe, embora já se note uma clara melhoria neste aspeto, sobretudo no passe longo. Mas daí a assumir o lugar do bicampeão europeu e campeão mundial por Espanha vai uma enorme distância. Para além da enorme melhoria que tinha de evidenciar ao nível do passe e do posicionamento tático, o prodígio teria de abandonar o seu estilo irreverente e de rua para assumir o papel do craque espanhol, algo que poderá tornar Renato num jogador banal.

Será o Benched Boy, que tão criticado tem sido pelo pouco que tem apresentado e pelo que custou, capaz de dar a volta às criticas e de assumir uma posição de destaque no meio campo bávaro, ainda para mais na posição 6? Ou o melhor será manter o seu estilo esperando que o mesmo resulte e que isso o leve a garantir a titularidade? Ou o melhor será mudar de ares para onde possa assumir livremente o seu futebol? Seja qual for a solução, Renato terá na próxima época uma tarefa, decidir que tipo de jogador quer ser.

E a sua decisão irá influenciar para sempre a sua carreira, podendo tornar-se num dos melhores de sempre do nosso país ou tornar-se um jogador banal como aconteceu a várias promessas. Para os adeptos portugueses, é preferível a primeira e acreditamos que o Benched Boy de 2016/17 vai saltar dessa condição para se afirmar como um dos melhores médios da Europa. É que o Bayern não liberta 35 milhões por um jovem de 18 anos recorrentemente, e vai querer provar que os gastou bem.

Foto: L’Equipe


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