23 Nov, 2017

Francisco da Silva, Author at Fair Play

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Francisco da SilvaJulho 9, 20176min0

O ténue equilíbrio que se vive no Dragão entre as finanças do clube e os resultados desportivos, colocam um enorme desafio a Luís Gonçalves e Sérgio Conceição na definição de um plantel azul e branco suficientemente competitivo para fazer sonhar os portistas. O Fair Play dá o seu contributo e faz 3 recomendações cirúrgicas perfeitamente de acordo com os padrões de qualidade exigidos e com a realidade financeira do emblema portista.

Defesa Central – Duje Caleta-Car (Red Bull Salzburg)

A principal certeza que existe nesta zona do terreno é que a dupla Marcano-Felipe continuará a ser um dos pilares defensivos do FC Porto. No entanto, apesar de bem entregue a titularidade, existe uma necessidade premente de adicionar pelo menos uma alternativa válida à aliança hispano-brasileira que mantenha os níveis exibicionais elevados. Apesar de contratualmente ligados ao clube, dificilmente Reyes e Martins Indi farão parte do atual plantel portista. Tanto o mexicano como o holandês seriam mais do que suficientes para preencher o quarteto de centrais, porém, os dois jogadores têm mercado e parecem pouco focados no FC Porto, como tal, surgindo uma proposta minimamente interessante devem sair. Neste sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Duje Caleta–Car.

Duje Caleta-Car é um central croata formado no modesto HNK Sibenik e que nos últimos 4 anos concluiu o seu processo de formação na Áustria, tendo sido contratado pelo Red Bull Salzburg em 2015. Apesar da sua última temporada em Salzburgo ter sido discreta, Caleta-Car tem demonstrado ter potencial para atingir novos patamares futebolísticos, nomeadamente, por reunir um conjunto de características fundamentais. O croata de 188 centímetros é um defesa central com uma mentalidade extremamente competitiva (e tipicamente dos Balcãs), que alia o seu enorme poderio físico a uma boa capacidade de antecipação, leitura de jogo e passe longo. Por outro lado, Caleta-Car é um defesa que desequilibra com a sua envergadura nas bolas paradas defensivas e ofensivas, tornando-se uma ameaça constante sempre que sobe à área contrária ou uma segurança adicional sempre que defende a sua grande área. No Dragão, o internacional croata teria espaço e tempo para amadurecer as suas qualidades mentais e táticas, corrigindo alguns defeitos como a excessiva agressividade e irregularidade numa escola de centrais que conseguiu “domesticar” e projetar nomes como Bruno Alves ou Pepe. Por último, Caleta-Car está avaliado em 2,5 milhões de euros*, nesse sentido, o esforço exigido aos cofres portistas estaria de acordo com a frugalidade da tesouraria do clube.

Médio Centro – Jordan Veretout (Aston Villa)

A casa das máquinas azul e branca tem sido um dos principais responsáveis pelo fiasco desportivo das últimas temporadas. A nível defensivo, o meio campo portista tem em Danilo Pereira um “polvo” de elevado quilate capaz de dar equilíbrio às transições do FC Porto. O principal problema reside na incapacidade que elementos como André André, Óliver Torres e Héctor Herrera têm em organizar o jogo ofensivo portista e em aparecer com qualidade nas zonas de finalização. Na época transata, este trio de jogadores contribuiu totalmente com apenas 6 golos e 10 assistências na Liga NOS, ou seja, o equivalente ao produzido por um único jogador do SL Benfica, Pizzi (10 golos e 9 assistências). Assim, para comandante do meio campo portista, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Jordan Veretout.

Jordan Veretout é um centrocampista de 24 anos formado nas escolas canaris do Nantes que em 2015 deu o salto para a Premier Leaguer, mas sem grande sucesso, nomeadamente, devido à enorme instabilidade institucional e técnica do clube que o recebeu, o Aston Villa. Na temporada transata, regressou em grande à Ligue 1 para confirmar novamente toda a sua qualidade. O box-to-box francês é um jogador de altíssima rotação, capaz de “comer” metros de terreno durante o jogo todo com a mesma lucidez e discernimento, ora em missões defensivas ora em tarefas mais criativas no ataque. Veretout é um médio bastante completo também no aspeto técnico-tático: a nível defensivo, sabe posicionar-se e compensar muito bem a equipa nos momentos de transição, já a nível ofensivo, é um exímio executante de lances de bola parada e um bom playmaker que sabe assistir os seus colegas e aparecer em zonas de finalização. Na equipa de Sérgio Conceição, o médio francês entraria diretamente para a formação titular no lugar de André André ou Óliver Torres, dependendo se o técnico português procurasse maior criatividade ofensiva ou maior consistência intermédia, respetivamente. Quanto a valores, atualmente o Aston Villa pede entre 8-9 milhões de euros por Veretout, ou seja, um valor comportável para o orçamento do FC Porto e desportivamente justificável.

Ponta de lança – Léo Bonatini (Al Hilal)

O “9” do FC Porto não merece contestação. Francisco Soares parte justificadamente como artilheiro-mor e indiscutível no onze portista. Contudo, as saídas de André Silva e de Laurent Depoitre abrem pelo menos uma vaga no ataque portista. Ora, Rui Pedro seria uma solução natural para funcionar como alternativa a Tiquinho, no entanto, o processo de crescimento e maturação do jovem avançado português ainda mal começou e não deve ser descurado, pelo que urge-se a contratação de um elemento desequilibrador, com margem de progressão e acessível aos cofres portistas. Nesse sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Léo Bonatini.

Léo Bonatini é um avançado que dispensa grandes apresentações aos adeptos portugueses. Formado no Cruzeiro de Belo Horizonte e com uma fugaz passagem pela formação da Juventus, Bonatini chegou a Portugal pelas mãos do Estoril Praia em 2015 e, logo na segunda temporada com a camisola dos “canarinhos”, viria a sagrar-se o 4º melhor marcador da Liga NOS (apenas atrás de Jonas, Slimani e Mitroglou) com 17 tentos apontados. Atualmente, o brasileiro de 23 anos que representa o emblema saudita do Al Hilal, é um dos avançados mais indicados para ingressar no Dragão. Avaliado em cerca de 3,2 milhões de euros*, Bonatini podia oferecer maior profundidade ao plantel do FC Porto, maior mobilidade ao ataque portista, bem como, podia ainda aumentar o raio de ação do arsenal azul e branco com o seu potente remate capaz de fazer estragos fora do limite da grande área. Habituado à realidade competitiva portuguesa e com uma boa margem de progressão, Bonatini encaixaria que nem uma luva no conjunto de Sérgio Conceição, quer sozinho no ataque quer em parceria com Tiquinho Soares, a um preço apetecível e pouco inflacionado.

*valores mencionados de acordo com a plataforma Transfermarkt.

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Francisco da SilvaJunho 30, 20175min0

Numa altura em que a globalização de ativos futebolísticos tem contribuído grandemente para a sua valorização, afastando cada vez mais talentos precoces da América do Sul, a Polónia emerge como um campo de recrutamento de excelência. Sugerimos 3 possíveis estrelas da Ekstraklasa que podiam enriquecer o plantel dos 3 Grandes de Portugal.

A relação futebolística entre Portugal e a Polónia é bastante extensa e caracterizada por altos e baixos, como já anteriormente descrito em detalhe aqui. No entanto, todos os anos surgem em solo polaco talentos capazes de dar qualidade à Liga Portuguesa, contudo, nem sempre os maiores clubes portugueses olham para a Ekstraklasa com a devida atenção, para gáudio dos seus congéneres alemães e italianos. Nesta lista incluímos 3 sugestões heterogéneas: 3 posições, 3 nacionalidades.

Vadis Odjidja-Ofoe


Posição:
Médio centro / Médio defensivo / Médio ofensivo
Idade: 28 anos (21 de Fevereiro de 1989)
Nacionalidade: Belga
Clube: Legia Warsaw

Odjidja-Ofoe, outrora um dos médios mais promissores da seleção dos Diables Rouges, não é um completo desconhecido para aqueles que seguem atentamente o futebol no coração da Europa há vários anos. Monstro, artista, sábio, muitas são as qualidades futebolísticas atribuídas ao belga formado no Anderlecht. No entanto, após prometer muito e rumar a terras de Sua Majestade sem grande sucesso, Odjidja-Ofoe aterrou em Varsóvia na tentativa de ressuscitar a sua carreira. Em boa hora o fez. O centrocampista belga foi unanimemente considerado o melhor jogador da Ekstraklasa (e logo na sua época de estreia!), somando assistências, balançando as redes adversárias e consolidando-se como o jogador mais valioso da competição (31 encontros, 4 golos e 12 assistências).

Aos 28 anos, Odjidja-Ofoe atingiu o clímax competitivo da sua carreira. Além de ter espraiado as suas qualidades físicas e técnicas de forma inquestionável, o centrocampista ganhou em Varsóvia a mentalidade e maturidade futebolística que lhe tem faltado ao longo dos anos. Neste momento, Odjidja-Ofoe é um alvo bastante apetecível para qualquer Grande português, não só pelo seu passe estar avaliado em 5 milhões de euros, como também pela presença física, sapiência tática e qualidade nos processos defensivos/ofensivos que o versátil médio belga pode oferecer.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu


Dawid Kownacki


Posição:
Avançado centro
Idade: 20 anos (14 de Março de 1997)
Nacionalidade: Polaca
Clube: Lech Poznan

Se há talento que os Grandes portugueses deviam de prestar urgentemente atenção, é definitivamente a Kownacki. O striker de 20 anos fez toda a sua formação nas escolas do Lech Poznan, tendo-se estreado com apenas 16 anos (!) na Ekstraklasa, onde rapidamente firmou créditos e chamou a atenção para os scouters internacionais. Kownacki, apesar da sua tenra idade, é um avançado evoluído em vários aspetos do jogo: sabe jogar bem de costas para a baliza, sabe quando deve recuar no terreno para iniciar o processo ofensivo, sabe estar no sítio certo e à hora certa nas imediações da área adversária. Por outro lado, Kownacki é um jogador móvel e versátil, quer por marcar golos com qualquer uma das suas munições (pé esquerdo, pé direito ou cabeça), quer por ser capaz de descair com qualidade para uma das alas do ataque.

Aos 20 anos de idade, os 9 tentos apontados e as 3 assistências acumuladas na época transata aguçam o apetite de vários tubarões europeus, que observam e concorrem pelo avançado polaco. Contudo, devido ao seu valor de mercado (1,5 milhões de euros), Kownacki seria um talento bastante aliciante para qualquer um dos Grandes portugueses que procura um striker capaz de render desportivamente no imediato e de proporcionar uma transferência milionária nos próximos anos.

Dawid Kownacki | Fonte: primocanale.it


Guti


Posição:
Defesa central
Idade: 26 anos (29 de Junho de 1991)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Jagiellonia Bialystok

Gutieri Tomelin, conhecido no mundo do futebol como Guti, é em tudo semelhante a um compatriota seu, Felipe (FC Porto). Brasileiro, alto, defesa central e com uma fabulosa capacidade de sair da sua zona de conforto e brilhar. Logo na sua primeira experiência futebolística fora do Brasil, Guti chegou a Bialystok e não demorou muito a impor-se como pedra basilar da equipa do Jagiellonia. O brasileiro, formado no Figueirense, é um belo protótipo de central moderno: rápido, fortíssimo no jogo aéreo, boa condução de bola e capacidade de liderar o setor defensivo.

Aos 26 anos, a maturidade e a qualidade deste central brasileiro tornam-no num reforço bastante interessante para um Grande português, que procure assegurar a consistência defensiva do seu reduto mais recuado. Mantendo a mesma capacidade de adaptação demonstrada na Polónia, Guti entraria facilmente nas escolhas de Vitória, Jesus ou Conceição, por tudo aquilo que pode oferecer em termos de jogo aéreo, antecipação, bolas paradas e comando na grande área. Avaliado em 700 mil euros, seria uma contratação de baixo risco financeiro e provável retorno desportivo.

Guti | Fonte: mp9sports.com

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Francisco da SilvaMaio 25, 201711min0

Num mundo do futebol em incessante globalização, recordamos uma lenda de cada continente que foi capaz de colocar a sua despretensiosa pátria no epicentro do Desporto Rei.

Os avanços significativos registados na Ciência e na Alquimia têm-se revelado insuficientes para estabelecer a fórmula mágica da replicação futebolística. Por sua vez, os deuses do Olimpo têm-se apoderado da ignorância terrestre e distribuído inequitativamente alguns magos do Desporto Rei pelos quatro cantos do Mundo. Este é o retrato de 5 lendários executantes da bola que desafiaram os desígnios celestes e que deram um rosto à sua pátria, até então desconhecida para a maioria dos mortais.

George Weah (Libéria)

Poderoso. Tecnicista. Lutador. Oportunista. Matador. Velocista. Percursor de uma nova classe de goleadores capazes de fazer o golo de todas as formas e feitios a partir de qualquer zona do terreno. Em suma, o melhor jogador africano de todos os tempos. Nascido e criado nos subúrbios da capital do país mais corrupto do mundo, George Weah foi descoberto por um tal de Arsène Wenger nos meandros de um campeonato doméstico demasiado pequeno para o seu talento inato em 1988. Em França, ao serviço do Mónaco e do PSG, Weah venceu todas as competições internas e sagrou-se o melhor marcador da Liga dos Campeões em 1994-1995.

O capítulo seguinte reporta-nos para um casamento perfeito de 5 anos entre o liberiano e o AC Milan, onde conquistou 2 scudettos e fez esquecer na íntegra um tal de Marco van Basten. Ninguém ficava indiferente ao slumdog de Monróvia, abençoado pelos deuses africanos e reconhecido pelos eruditos do futebol: Jogador africano do ano em 1989, 1994 e 1995. Melhor jogador do Mundo em 1995. Jogador africano do Século XX. Inversamente proporcional ao trajeto glorioso ao nível individual e de clubes, Weah jamais chegaria a envergar a camisola dos lone stars num Campeonato do Mundo e só em duas edições da CAN é que foi possível à estrela liberiana ouvir o “All Hail, Liberia, Hail!” numa grande competição pelo seu país.

Fado inglório e imerecido para um homem tão humilde como as suas origens e que financiava do seu próprio bolso os jogos da sua seleção. Herói nacional, bandeira de uma nação que só conhecia a Libéria pelo seu génio futebolístico, King George nunca renegou as suas origens e luta ainda hoje pela paz na sua pátria como senador e filantropo.

George Weah | Fonte: footballwhispers.com

Cha Bum-kun (Coreia do Sul)

Ainda a Coreia do Sul percorria o seu itinerário industrial rumo à família dos felídeos económicos da Ásia, já o Velho Continente tinha sido tomado de assalto por uma tecnologia de ponta sul-coreana capaz de balançar as redes como poucas armas europeias. Cha Bum-Kun começou cedo a desafiar os standards futebolísticos. Aos 17 anos já era internacional sub-20 e aos 19 anos já era internacional A pela Coreia do Sul, contudo, só viria a abandonar a sua pátria aos 25 anos.

Em 1978, quis o destino que abandonasse a sua Coreia fracionada para aterrar numa Alemanha também ela dividida pelas convicções ideológicas do Homem para jogar ao serviço do SV Darmstadt, no entanto, devido a complicações com o serviço militar obrigatório disputou apenas uma partida com os lilies antes de regressar ao seu país. No ano seguinte, seria o Eintracht Frankfurt a requisitar Cha Bum-kun. Em 4 temporadas com a camisola dos eagles, Cha Bum-kun contribuiu decisivamente para a conquistar de uma Taça UEFA e de uma DFB-Pokal, ganhando a alcunha de Cha Boom graças à sua velocidade felina e capacidade de drible estonteante capaz de fazer corar um processador tecnológico Made in Korea dos anos 80. Cha Bum-Kun abandonaria o coração financeiro alemão para se estabelecer durante 6 anos na cidade industrial de Leverkusen, onde ajudaria o Bayer 04 a conquistar a Taça UEFA.

Em 1989, Cha Boom pendurou as botas, deixando uma marca imensa e perpétua no futebol germânico, sul coreano e asiático: melhor marcador estrangeiro (à data) da história da Bundesliga, melhor marcador de sempre da seleção sul coreana e jogador asiático do Século XX. Cha Bum-Kun continua ainda hoje a ser um dos maiores embaixadores da Coreia do Sul, tendo cumprido na íntegra a premissa que o permitiu renunciar ao serviço militar obrigatório e deixar um legado no Velho Continente: tornar a sua pátria conhecida e aprender o máximo sobre futebol além fronteiras para ajudar a posteriori a Coreia do Sul no seu desenvolvimento futebolístico.

Cha Bum-kun | Fonte: iffhs.de

Dwight Yorke (Trinidad e Tobago)

Genuíno no sorriso caribenho, mortífero no olfato futebolístico. Eis Smilling Assassin, quem mais poderia ser! O soberano arquipélago de Trinidad e Tobago é um daqueles territórios transoceânicos que desafia as leis das probabilidades e multiplica em quantidades industriais talento artístico para todo o mundo. É neste contexto de evidente abundância que ilustres como Vidiadhar Naipaul ou Trevor McDonald partilham agora a fama com Dwight Eversley Yorke, um jovem de Canaan que aos 18 anos foi descoberto num périplo do Aston Villa pelas Caraíbas.

Os desígnios de Yorke estão umbilicalmente ligados ao emblema de Birmingham, pois foi aí que durante 9 longas temporadas o trinitino-tobaguense despertou a curiosidade dos deuses do futebol. O instinto matador invulgar docemente caracterizado pelo sorriso bem aberto de Yorke deram-lhe a alcunha de Smilling Assassin em Terras de Sua Majestade. Em 1998, mudou-se para o noroeste de Inglaterra, onde viria a formar a parceria mais mortífera da Premier League com outro striker implacável, Andy Cole. Durante 4 temporadas, Yorke encantou Manchester e iluminou o Teatro dos Sonhos, recheando o seu currículo com diversas consagrações individuais e coletivas, tais como, 3 Premier League’s, 1 Liga dos Campeões, 1 FA Cup e ainda o título de melhor marcador da Premier League e da Liga dos Campeões em 1998-1999.

O talento do trinitino-tobaguense era incomensuravelmente superior ao da sua seleção nacional, nesse sentido, os resultados coletivos nunca corresponderam à mais-valia individual de Yorke. Porém, o destino guardou o melhor para o fim e, já nos últimos suspiros da sua carreira futebolística, Smilling Assassin contribuiu decisivamente para a primeira qualificação da Trinidad e Tobago para um Mundial, mais concretamente, o Mundial de 2006 onde viria a capitanear e participar em todas as partidas. A principal proeza de Dwight Yorke não foi conquistada dentro das 4 linhas, o maior mérito de Smilling Assassin foi ter conseguido colocar no mapa do futebol um pequeno estado insular com pouco mais de 1 milhão de habitantes que brutou do amor pela liberdade

Dwight Yorke | Fonte: alaraiya.net

Wynton Rufer (Nova Zelândia)

Escondido no extremo oriente do hemisfério sul, num país insular onde a forma geométrica desportiva mais apreciada é oval, nasceu o melhor jogador de sempre da Oceânia. Wynton Rufer, filho de pai suíço e mãe maori, é um nome incontornável da história do futebol neozelandês, estabelecendo-se como o primeiro e o único compatriota de Russell Crowe a singrar na Europa do futebol.

Os pergaminhos futebolísticos de Rufer desenvolveram-se na capital Wellington, até este tentar a sua sorte no Velho Continente, primeiramente e sem sucesso em Inglaterra e, de seguida, na familiar Confederação Helvética. Após 7 temporadas maioritariamente em Zurique, Rufer mudou-se para o Werder Bremen onde iria brilhar a grande nível e colocar o seu nome nas bocas do mundo. Entre 1989 e 1995, o neozelandês deu definitivamente a conhecer à Bundesliga e à Europa a sua frieza goleadora, a sua técnica requintada e o seu arsenal de armas multifacetado capaz de fazer inveja a qualquer potência militar. O contributo de Wynton Rufer durante este período foi absolutamente vital para que o Werder Bremen conquistasse 1 Bundesliga, 2 DFB-Pokal e 1 Taça UEFA, o que motivou uma enorme admiração da afición pelo atacante neozelandês.

Ao serviço da sua nação, Rufer não deixou os seus créditos em mãos alheias e, além de se ter estreado com apenas 17 anos pela seleção A, o goleador neozelandês marcou o golo decisivo frente à China que qualificou a Nova Zelândia pela primeira vez para um Mundial de futebol. Os feitos de Rufer são ainda hoje um motivo de forte inspiração para milhares de jovens neozelandeses que, desafiando a forte tradição da oval no território descoberto por Abel Tasman, procuram um dia igualar ou superar as conquistas do melhor jogador neozelandês de sempre.

Wynton Rufer | Fonte: gettyimages.fr

Ryan Giggs (País de Gales)

26 anos de Manchester United. 43 anos de vida dedicados ao País de Gales. O mago galês de Canton é talvez um dos últimos rostos de uma geração de futebolistas irreplicáveis assentes em cânones como o low profile, a lealdade clubística e a entrega impreterível aos desígnios da sua seleção.

A formação de Ryan Giggs até pode ter sido segmentada entre os 2 principais emblemas de Manchester, no entanto, toda a sua carreira sénior foi desenvolvida ao serviço dos reds, o que fez com que o galês se tornasse figura de proa do sucesso desportivo recente do clube e personagem transversal a várias equipas memoráveis do Man United. Dono de um pé esquerdo puramente lírico e de uma postura em campo digna de um chevalier, Giggs foi certamente um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol mundial, algo perfeitamente ilustrado pela quantidade extraordinária de títulos, consagrações e homenagens que o galês acumulou ao longo de toda a sua longa carreira.

Dificilmente, Manchester irá encontrar alguém num futuro próximo que represente tão bem a cidade e o United como o galês criado nos arredores de Cardiff. Nem sempre o karma colabora estritamente com o mérito futebolístico e a geografia, nesse sentido, uma das ocorrências mais ingratas do futebol moderno é o facto de Ryan Giggs nunca ter pisado os relvados de uma grande competição de seleções com a camisola da sua pátria. O sadismo dos deuses do futebol só ficou definitivamente consumado quando em 2012, Ryan Giggs envergou a camisola da seleção olímpica da Grã-Bretanha em plenos Jogos Olímpicos de Londres.

Ryan Giggs | Fonte: itv.com

O futebol edificou-se como a Torre de Babel do mundo moderno, uma espécie de conferência de embaixadores não politicamente corretos disseminados pelos quatro cantos do mundo. É neste contexto “obrigatório” fazer uma menção honrosa a algumas personalidades cujo talento futebolístico catapultou o seu país para uma nova realidade desportiva, social e política, tais como, Jorge Gonzalez (o boémio e genial jogador de El Salvador), Jari Litmanen (o elegante e goleador finlandês),  Rabat Madjer (o mágico e irreverente homem golo da Argélia), George Best (o talento mais desconcertante e controverso norte irlandês), Gheorghe Hagi (o eterno ídolo e mago da bola na Roménia) ou Stéphane Chapuisat (o profícuo e assertivo avançado suíço).

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


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