17 Ago, 2017

Francisco da Silva, Author at Fair Play

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Francisco da SilvaJulho 9, 20176min0

O ténue equilíbrio que se vive no Dragão entre as finanças do clube e os resultados desportivos, colocam um enorme desafio a Luís Gonçalves e Sérgio Conceição na definição de um plantel azul e branco suficientemente competitivo para fazer sonhar os portistas. O Fair Play dá o seu contributo e faz 3 recomendações cirúrgicas perfeitamente de acordo com os padrões de qualidade exigidos e com a realidade financeira do emblema portista.

Defesa Central – Duje Caleta-Car (Red Bull Salzburg)

A principal certeza que existe nesta zona do terreno é que a dupla Marcano-Felipe continuará a ser um dos pilares defensivos do FC Porto. No entanto, apesar de bem entregue a titularidade, existe uma necessidade premente de adicionar pelo menos uma alternativa válida à aliança hispano-brasileira que mantenha os níveis exibicionais elevados. Apesar de contratualmente ligados ao clube, dificilmente Reyes e Martins Indi farão parte do atual plantel portista. Tanto o mexicano como o holandês seriam mais do que suficientes para preencher o quarteto de centrais, porém, os dois jogadores têm mercado e parecem pouco focados no FC Porto, como tal, surgindo uma proposta minimamente interessante devem sair. Neste sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Duje Caleta–Car.

Duje Caleta-Car é um central croata formado no modesto HNK Sibenik e que nos últimos 4 anos concluiu o seu processo de formação na Áustria, tendo sido contratado pelo Red Bull Salzburg em 2015. Apesar da sua última temporada em Salzburgo ter sido discreta, Caleta-Car tem demonstrado ter potencial para atingir novos patamares futebolísticos, nomeadamente, por reunir um conjunto de características fundamentais. O croata de 188 centímetros é um defesa central com uma mentalidade extremamente competitiva (e tipicamente dos Balcãs), que alia o seu enorme poderio físico a uma boa capacidade de antecipação, leitura de jogo e passe longo. Por outro lado, Caleta-Car é um defesa que desequilibra com a sua envergadura nas bolas paradas defensivas e ofensivas, tornando-se uma ameaça constante sempre que sobe à área contrária ou uma segurança adicional sempre que defende a sua grande área. No Dragão, o internacional croata teria espaço e tempo para amadurecer as suas qualidades mentais e táticas, corrigindo alguns defeitos como a excessiva agressividade e irregularidade numa escola de centrais que conseguiu “domesticar” e projetar nomes como Bruno Alves ou Pepe. Por último, Caleta-Car está avaliado em 2,5 milhões de euros*, nesse sentido, o esforço exigido aos cofres portistas estaria de acordo com a frugalidade da tesouraria do clube.

Médio Centro – Jordan Veretout (Aston Villa)

A casa das máquinas azul e branca tem sido um dos principais responsáveis pelo fiasco desportivo das últimas temporadas. A nível defensivo, o meio campo portista tem em Danilo Pereira um “polvo” de elevado quilate capaz de dar equilíbrio às transições do FC Porto. O principal problema reside na incapacidade que elementos como André André, Óliver Torres e Héctor Herrera têm em organizar o jogo ofensivo portista e em aparecer com qualidade nas zonas de finalização. Na época transata, este trio de jogadores contribuiu totalmente com apenas 6 golos e 10 assistências na Liga NOS, ou seja, o equivalente ao produzido por um único jogador do SL Benfica, Pizzi (10 golos e 9 assistências). Assim, para comandante do meio campo portista, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Jordan Veretout.

Jordan Veretout é um centrocampista de 24 anos formado nas escolas canaris do Nantes que em 2015 deu o salto para a Premier Leaguer, mas sem grande sucesso, nomeadamente, devido à enorme instabilidade institucional e técnica do clube que o recebeu, o Aston Villa. Na temporada transata, regressou em grande à Ligue 1 para confirmar novamente toda a sua qualidade. O box-to-box francês é um jogador de altíssima rotação, capaz de “comer” metros de terreno durante o jogo todo com a mesma lucidez e discernimento, ora em missões defensivas ora em tarefas mais criativas no ataque. Veretout é um médio bastante completo também no aspeto técnico-tático: a nível defensivo, sabe posicionar-se e compensar muito bem a equipa nos momentos de transição, já a nível ofensivo, é um exímio executante de lances de bola parada e um bom playmaker que sabe assistir os seus colegas e aparecer em zonas de finalização. Na equipa de Sérgio Conceição, o médio francês entraria diretamente para a formação titular no lugar de André André ou Óliver Torres, dependendo se o técnico português procurasse maior criatividade ofensiva ou maior consistência intermédia, respetivamente. Quanto a valores, atualmente o Aston Villa pede entre 8-9 milhões de euros por Veretout, ou seja, um valor comportável para o orçamento do FC Porto e desportivamente justificável.

Ponta de lança – Léo Bonatini (Al Hilal)

O “9” do FC Porto não merece contestação. Francisco Soares parte justificadamente como artilheiro-mor e indiscutível no onze portista. Contudo, as saídas de André Silva e de Laurent Depoitre abrem pelo menos uma vaga no ataque portista. Ora, Rui Pedro seria uma solução natural para funcionar como alternativa a Tiquinho, no entanto, o processo de crescimento e maturação do jovem avançado português ainda mal começou e não deve ser descurado, pelo que urge-se a contratação de um elemento desequilibrador, com margem de progressão e acessível aos cofres portistas. Nesse sentido, a sugestão do Fair Play seria que o FC Porto contratasse Léo Bonatini.

Léo Bonatini é um avançado que dispensa grandes apresentações aos adeptos portugueses. Formado no Cruzeiro de Belo Horizonte e com uma fugaz passagem pela formação da Juventus, Bonatini chegou a Portugal pelas mãos do Estoril Praia em 2015 e, logo na segunda temporada com a camisola dos “canarinhos”, viria a sagrar-se o 4º melhor marcador da Liga NOS (apenas atrás de Jonas, Slimani e Mitroglou) com 17 tentos apontados. Atualmente, o brasileiro de 23 anos que representa o emblema saudita do Al Hilal, é um dos avançados mais indicados para ingressar no Dragão. Avaliado em cerca de 3,2 milhões de euros*, Bonatini podia oferecer maior profundidade ao plantel do FC Porto, maior mobilidade ao ataque portista, bem como, podia ainda aumentar o raio de ação do arsenal azul e branco com o seu potente remate capaz de fazer estragos fora do limite da grande área. Habituado à realidade competitiva portuguesa e com uma boa margem de progressão, Bonatini encaixaria que nem uma luva no conjunto de Sérgio Conceição, quer sozinho no ataque quer em parceria com Tiquinho Soares, a um preço apetecível e pouco inflacionado.

*valores mencionados de acordo com a plataforma Transfermarkt.

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Francisco da SilvaJunho 30, 20175min0

Numa altura em que a globalização de ativos futebolísticos tem contribuído grandemente para a sua valorização, afastando cada vez mais talentos precoces da América do Sul, a Polónia emerge como um campo de recrutamento de excelência. Sugerimos 3 possíveis estrelas da Ekstraklasa que podiam enriquecer o plantel dos 3 Grandes de Portugal.

A relação futebolística entre Portugal e a Polónia é bastante extensa e caracterizada por altos e baixos, como já anteriormente descrito em detalhe aqui. No entanto, todos os anos surgem em solo polaco talentos capazes de dar qualidade à Liga Portuguesa, contudo, nem sempre os maiores clubes portugueses olham para a Ekstraklasa com a devida atenção, para gáudio dos seus congéneres alemães e italianos. Nesta lista incluímos 3 sugestões heterogéneas: 3 posições, 3 nacionalidades.

Vadis Odjidja-Ofoe


Posição:
Médio centro / Médio defensivo / Médio ofensivo
Idade: 28 anos (21 de Fevereiro de 1989)
Nacionalidade: Belga
Clube: Legia Warsaw

Odjidja-Ofoe, outrora um dos médios mais promissores da seleção dos Diables Rouges, não é um completo desconhecido para aqueles que seguem atentamente o futebol no coração da Europa há vários anos. Monstro, artista, sábio, muitas são as qualidades futebolísticas atribuídas ao belga formado no Anderlecht. No entanto, após prometer muito e rumar a terras de Sua Majestade sem grande sucesso, Odjidja-Ofoe aterrou em Varsóvia na tentativa de ressuscitar a sua carreira. Em boa hora o fez. O centrocampista belga foi unanimemente considerado o melhor jogador da Ekstraklasa (e logo na sua época de estreia!), somando assistências, balançando as redes adversárias e consolidando-se como o jogador mais valioso da competição (31 encontros, 4 golos e 12 assistências).

Aos 28 anos, Odjidja-Ofoe atingiu o clímax competitivo da sua carreira. Além de ter espraiado as suas qualidades físicas e técnicas de forma inquestionável, o centrocampista ganhou em Varsóvia a mentalidade e maturidade futebolística que lhe tem faltado ao longo dos anos. Neste momento, Odjidja-Ofoe é um alvo bastante apetecível para qualquer Grande português, não só pelo seu passe estar avaliado em 5 milhões de euros, como também pela presença física, sapiência tática e qualidade nos processos defensivos/ofensivos que o versátil médio belga pode oferecer.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu


Dawid Kownacki


Posição:
Avançado centro
Idade: 20 anos (14 de Março de 1997)
Nacionalidade: Polaca
Clube: Lech Poznan

Se há talento que os Grandes portugueses deviam de prestar urgentemente atenção, é definitivamente a Kownacki. O striker de 20 anos fez toda a sua formação nas escolas do Lech Poznan, tendo-se estreado com apenas 16 anos (!) na Ekstraklasa, onde rapidamente firmou créditos e chamou a atenção para os scouters internacionais. Kownacki, apesar da sua tenra idade, é um avançado evoluído em vários aspetos do jogo: sabe jogar bem de costas para a baliza, sabe quando deve recuar no terreno para iniciar o processo ofensivo, sabe estar no sítio certo e à hora certa nas imediações da área adversária. Por outro lado, Kownacki é um jogador móvel e versátil, quer por marcar golos com qualquer uma das suas munições (pé esquerdo, pé direito ou cabeça), quer por ser capaz de descair com qualidade para uma das alas do ataque.

Aos 20 anos de idade, os 9 tentos apontados e as 3 assistências acumuladas na época transata aguçam o apetite de vários tubarões europeus, que observam e concorrem pelo avançado polaco. Contudo, devido ao seu valor de mercado (1,5 milhões de euros), Kownacki seria um talento bastante aliciante para qualquer um dos Grandes portugueses que procura um striker capaz de render desportivamente no imediato e de proporcionar uma transferência milionária nos próximos anos.

Dawid Kownacki | Fonte: primocanale.it


Guti


Posição:
Defesa central
Idade: 26 anos (29 de Junho de 1991)
Nacionalidade: Brasileira
Clube: Jagiellonia Bialystok

Gutieri Tomelin, conhecido no mundo do futebol como Guti, é em tudo semelhante a um compatriota seu, Felipe (FC Porto). Brasileiro, alto, defesa central e com uma fabulosa capacidade de sair da sua zona de conforto e brilhar. Logo na sua primeira experiência futebolística fora do Brasil, Guti chegou a Bialystok e não demorou muito a impor-se como pedra basilar da equipa do Jagiellonia. O brasileiro, formado no Figueirense, é um belo protótipo de central moderno: rápido, fortíssimo no jogo aéreo, boa condução de bola e capacidade de liderar o setor defensivo.

Aos 26 anos, a maturidade e a qualidade deste central brasileiro tornam-no num reforço bastante interessante para um Grande português, que procure assegurar a consistência defensiva do seu reduto mais recuado. Mantendo a mesma capacidade de adaptação demonstrada na Polónia, Guti entraria facilmente nas escolhas de Vitória, Jesus ou Conceição, por tudo aquilo que pode oferecer em termos de jogo aéreo, antecipação, bolas paradas e comando na grande área. Avaliado em 700 mil euros, seria uma contratação de baixo risco financeiro e provável retorno desportivo.

Guti | Fonte: mp9sports.com

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Francisco da SilvaMaio 25, 201711min0

Num mundo do futebol em incessante globalização, recordamos uma lenda de cada continente que foi capaz de colocar a sua despretensiosa pátria no epicentro do Desporto Rei.

Os avanços significativos registados na Ciência e na Alquimia têm-se revelado insuficientes para estabelecer a fórmula mágica da replicação futebolística. Por sua vez, os deuses do Olimpo têm-se apoderado da ignorância terrestre e distribuído inequitativamente alguns magos do Desporto Rei pelos quatro cantos do Mundo. Este é o retrato de 5 lendários executantes da bola que desafiaram os desígnios celestes e que deram um rosto à sua pátria, até então desconhecida para a maioria dos mortais.

George Weah (Libéria)

Poderoso. Tecnicista. Lutador. Oportunista. Matador. Velocista. Percursor de uma nova classe de goleadores capazes de fazer o golo de todas as formas e feitios a partir de qualquer zona do terreno. Em suma, o melhor jogador africano de todos os tempos. Nascido e criado nos subúrbios da capital do país mais corrupto do mundo, George Weah foi descoberto por um tal de Arsène Wenger nos meandros de um campeonato doméstico demasiado pequeno para o seu talento inato em 1988. Em França, ao serviço do Mónaco e do PSG, Weah venceu todas as competições internas e sagrou-se o melhor marcador da Liga dos Campeões em 1994-1995.

O capítulo seguinte reporta-nos para um casamento perfeito de 5 anos entre o liberiano e o AC Milan, onde conquistou 2 scudettos e fez esquecer na íntegra um tal de Marco van Basten. Ninguém ficava indiferente ao slumdog de Monróvia, abençoado pelos deuses africanos e reconhecido pelos eruditos do futebol: Jogador africano do ano em 1989, 1994 e 1995. Melhor jogador do Mundo em 1995. Jogador africano do Século XX. Inversamente proporcional ao trajeto glorioso ao nível individual e de clubes, Weah jamais chegaria a envergar a camisola dos lone stars num Campeonato do Mundo e só em duas edições da CAN é que foi possível à estrela liberiana ouvir o “All Hail, Liberia, Hail!” numa grande competição pelo seu país.

Fado inglório e imerecido para um homem tão humilde como as suas origens e que financiava do seu próprio bolso os jogos da sua seleção. Herói nacional, bandeira de uma nação que só conhecia a Libéria pelo seu génio futebolístico, King George nunca renegou as suas origens e luta ainda hoje pela paz na sua pátria como senador e filantropo.

George Weah | Fonte: footballwhispers.com

Cha Bum-kun (Coreia do Sul)

Ainda a Coreia do Sul percorria o seu itinerário industrial rumo à família dos felídeos económicos da Ásia, já o Velho Continente tinha sido tomado de assalto por uma tecnologia de ponta sul-coreana capaz de balançar as redes como poucas armas europeias. Cha Bum-Kun começou cedo a desafiar os standards futebolísticos. Aos 17 anos já era internacional sub-20 e aos 19 anos já era internacional A pela Coreia do Sul, contudo, só viria a abandonar a sua pátria aos 25 anos.

Em 1978, quis o destino que abandonasse a sua Coreia fracionada para aterrar numa Alemanha também ela dividida pelas convicções ideológicas do Homem para jogar ao serviço do SV Darmstadt, no entanto, devido a complicações com o serviço militar obrigatório disputou apenas uma partida com os lilies antes de regressar ao seu país. No ano seguinte, seria o Eintracht Frankfurt a requisitar Cha Bum-kun. Em 4 temporadas com a camisola dos eagles, Cha Bum-kun contribuiu decisivamente para a conquistar de uma Taça UEFA e de uma DFB-Pokal, ganhando a alcunha de Cha Boom graças à sua velocidade felina e capacidade de drible estonteante capaz de fazer corar um processador tecnológico Made in Korea dos anos 80. Cha Bum-Kun abandonaria o coração financeiro alemão para se estabelecer durante 6 anos na cidade industrial de Leverkusen, onde ajudaria o Bayer 04 a conquistar a Taça UEFA.

Em 1989, Cha Boom pendurou as botas, deixando uma marca imensa e perpétua no futebol germânico, sul coreano e asiático: melhor marcador estrangeiro (à data) da história da Bundesliga, melhor marcador de sempre da seleção sul coreana e jogador asiático do Século XX. Cha Bum-Kun continua ainda hoje a ser um dos maiores embaixadores da Coreia do Sul, tendo cumprido na íntegra a premissa que o permitiu renunciar ao serviço militar obrigatório e deixar um legado no Velho Continente: tornar a sua pátria conhecida e aprender o máximo sobre futebol além fronteiras para ajudar a posteriori a Coreia do Sul no seu desenvolvimento futebolístico.

Cha Bum-kun | Fonte: iffhs.de

Dwight Yorke (Trinidad e Tobago)

Genuíno no sorriso caribenho, mortífero no olfato futebolístico. Eis Smilling Assassin, quem mais poderia ser! O soberano arquipélago de Trinidad e Tobago é um daqueles territórios transoceânicos que desafia as leis das probabilidades e multiplica em quantidades industriais talento artístico para todo o mundo. É neste contexto de evidente abundância que ilustres como Vidiadhar Naipaul ou Trevor McDonald partilham agora a fama com Dwight Eversley Yorke, um jovem de Canaan que aos 18 anos foi descoberto num périplo do Aston Villa pelas Caraíbas.

Os desígnios de Yorke estão umbilicalmente ligados ao emblema de Birmingham, pois foi aí que durante 9 longas temporadas o trinitino-tobaguense despertou a curiosidade dos deuses do futebol. O instinto matador invulgar docemente caracterizado pelo sorriso bem aberto de Yorke deram-lhe a alcunha de Smilling Assassin em Terras de Sua Majestade. Em 1998, mudou-se para o noroeste de Inglaterra, onde viria a formar a parceria mais mortífera da Premier League com outro striker implacável, Andy Cole. Durante 4 temporadas, Yorke encantou Manchester e iluminou o Teatro dos Sonhos, recheando o seu currículo com diversas consagrações individuais e coletivas, tais como, 3 Premier League’s, 1 Liga dos Campeões, 1 FA Cup e ainda o título de melhor marcador da Premier League e da Liga dos Campeões em 1998-1999.

O talento do trinitino-tobaguense era incomensuravelmente superior ao da sua seleção nacional, nesse sentido, os resultados coletivos nunca corresponderam à mais-valia individual de Yorke. Porém, o destino guardou o melhor para o fim e, já nos últimos suspiros da sua carreira futebolística, Smilling Assassin contribuiu decisivamente para a primeira qualificação da Trinidad e Tobago para um Mundial, mais concretamente, o Mundial de 2006 onde viria a capitanear e participar em todas as partidas. A principal proeza de Dwight Yorke não foi conquistada dentro das 4 linhas, o maior mérito de Smilling Assassin foi ter conseguido colocar no mapa do futebol um pequeno estado insular com pouco mais de 1 milhão de habitantes que brutou do amor pela liberdade

Dwight Yorke | Fonte: alaraiya.net

Wynton Rufer (Nova Zelândia)

Escondido no extremo oriente do hemisfério sul, num país insular onde a forma geométrica desportiva mais apreciada é oval, nasceu o melhor jogador de sempre da Oceânia. Wynton Rufer, filho de pai suíço e mãe maori, é um nome incontornável da história do futebol neozelandês, estabelecendo-se como o primeiro e o único compatriota de Russell Crowe a singrar na Europa do futebol.

Os pergaminhos futebolísticos de Rufer desenvolveram-se na capital Wellington, até este tentar a sua sorte no Velho Continente, primeiramente e sem sucesso em Inglaterra e, de seguida, na familiar Confederação Helvética. Após 7 temporadas maioritariamente em Zurique, Rufer mudou-se para o Werder Bremen onde iria brilhar a grande nível e colocar o seu nome nas bocas do mundo. Entre 1989 e 1995, o neozelandês deu definitivamente a conhecer à Bundesliga e à Europa a sua frieza goleadora, a sua técnica requintada e o seu arsenal de armas multifacetado capaz de fazer inveja a qualquer potência militar. O contributo de Wynton Rufer durante este período foi absolutamente vital para que o Werder Bremen conquistasse 1 Bundesliga, 2 DFB-Pokal e 1 Taça UEFA, o que motivou uma enorme admiração da afición pelo atacante neozelandês.

Ao serviço da sua nação, Rufer não deixou os seus créditos em mãos alheias e, além de se ter estreado com apenas 17 anos pela seleção A, o goleador neozelandês marcou o golo decisivo frente à China que qualificou a Nova Zelândia pela primeira vez para um Mundial de futebol. Os feitos de Rufer são ainda hoje um motivo de forte inspiração para milhares de jovens neozelandeses que, desafiando a forte tradição da oval no território descoberto por Abel Tasman, procuram um dia igualar ou superar as conquistas do melhor jogador neozelandês de sempre.

Wynton Rufer | Fonte: gettyimages.fr

Ryan Giggs (País de Gales)

26 anos de Manchester United. 43 anos de vida dedicados ao País de Gales. O mago galês de Canton é talvez um dos últimos rostos de uma geração de futebolistas irreplicáveis assentes em cânones como o low profile, a lealdade clubística e a entrega impreterível aos desígnios da sua seleção.

A formação de Ryan Giggs até pode ter sido segmentada entre os 2 principais emblemas de Manchester, no entanto, toda a sua carreira sénior foi desenvolvida ao serviço dos reds, o que fez com que o galês se tornasse figura de proa do sucesso desportivo recente do clube e personagem transversal a várias equipas memoráveis do Man United. Dono de um pé esquerdo puramente lírico e de uma postura em campo digna de um chevalier, Giggs foi certamente um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol mundial, algo perfeitamente ilustrado pela quantidade extraordinária de títulos, consagrações e homenagens que o galês acumulou ao longo de toda a sua longa carreira.

Dificilmente, Manchester irá encontrar alguém num futuro próximo que represente tão bem a cidade e o United como o galês criado nos arredores de Cardiff. Nem sempre o karma colabora estritamente com o mérito futebolístico e a geografia, nesse sentido, uma das ocorrências mais ingratas do futebol moderno é o facto de Ryan Giggs nunca ter pisado os relvados de uma grande competição de seleções com a camisola da sua pátria. O sadismo dos deuses do futebol só ficou definitivamente consumado quando em 2012, Ryan Giggs envergou a camisola da seleção olímpica da Grã-Bretanha em plenos Jogos Olímpicos de Londres.

Ryan Giggs | Fonte: itv.com

O futebol edificou-se como a Torre de Babel do mundo moderno, uma espécie de conferência de embaixadores não politicamente corretos disseminados pelos quatro cantos do mundo. É neste contexto “obrigatório” fazer uma menção honrosa a algumas personalidades cujo talento futebolístico catapultou o seu país para uma nova realidade desportiva, social e política, tais como, Jorge Gonzalez (o boémio e genial jogador de El Salvador), Jari Litmanen (o elegante e goleador finlandês),  Rabat Madjer (o mágico e irreverente homem golo da Argélia), George Best (o talento mais desconcertante e controverso norte irlandês), Gheorghe Hagi (o eterno ídolo e mago da bola na Roménia) ou Stéphane Chapuisat (o profícuo e assertivo avançado suíço).

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Francisco da SilvaMaio 5, 20179min0

Ao longo dos últimos 10 meses, a Ekstraklasa tem permitido formar novos talentos, consagrar profícuos veteranos e alimentar ávidos aficionados. A 6 jornadas do término da competição e por forma a evitar ser influenciado pela classificação final, o Fair Play decidiu reunir um conjunto de jogadores capazes de formar o onze mais decisivo e meritório da atual edição do campeonato polaco.

Guarda-redes: Matus Putnocky (Lech Poznan)

Dificilmente a escolha para esta posição podia ser diferente. A temporada de estreia de Putnocky em Poznan, já abordada pelo Fair Play aqui, tem sido verdadeiramente sensacional com exibições exuberantes e inúmeras nomeações para melhor jogador em campo, que contribuem decisivamente para que o Lech Poznan tenha de longe a melhor defesa da Ekstraklasa. O gigante eslovaco de 195 centímetros alia compleição física a diversos atributos técnicos como agilidade, posicionamento e jogo aéreo que fazem dele o guardião mais difícil de bater na competição. Em 24 jogos disputados, Putnocky manteve a sua baliza intacta por 15 vezes e apresenta até ao momento a admirável média de 1 golo sofrido por cada 2 jogos.

Matus Putnocky | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa Direito: Tomasz Kedziora (Lech Poznan)

O lateral polaco é um daqueles talentos que não engana e certamente irá zarpar em breve de Poznan. Se após uma desinspirada época de 2015/2016 subsistiam dúvidas sobre a real valia de Kedziora, todas estas foram dissipadas ao longo da presente temporada. Até ao momento, Kedziora falhou apenas 1 único encontro para o campeonato, assumindo-se como um dos indispensáveis para o treinador Nenad Bjelica fruto da enorme intensidade e competência que o polaco oferece ao corredor direito. A qualidade no processo defensivo e ofensivo deste talento polaco, salientada aqui na rubrica “FP Scouting”, colocam-no num patamar de excelência entre os laterais mais promissores do centro e leste europeu.

Tomasz Kedziora | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa central: Michal Pazdan (Legia Warsaw)

A segunda temporada de Pazdan ao serviço da equipa da capital polaca tem servido para demonstrar a qualidade e utilidade do polaco no eixo defensivo legionisci. Apesar dos inúmeros problemas físicos que assolaram o central na época transata e no início da temporada presente, o polaco conquistou o seu lugar no onze da formação de Jacek Magiera e é hoje dono e senhor da camisola “2” do Légia de Varsóvia. Aos 29 anos, Pazdan é um dos capitães de equipa e a voz de comando do seu eixo defensivo, sendo capaz de disfarçar o seu défice técnico e tático com a típica agressividade e tenacidade polaca.

Michal Pazdan | Fonte: sport.se.pl

Defesa central: Guti (Jagiellonia Bialystok)

Chegar, ver e vencer. Na primeira temporada fora do Brasil, Guti tem vindo a demonstrar que tem qualidade futebolística mais do que suficiente para se afirmar no continente europeu. Os argumentos do central brasileiro são diversos e incluem um fortíssimo jogo aéreo, uma boa saída e condução de bola, bem como, uma superior capacidade atlética capaz de dobrar e compensar os seus colegas defensivos com relativa facilidade. Michal Probierz, técnico do Jagiellonia Bialystok, já não prescinde do brasileiro, tornando-o numa figura basilar na segurança defensiva do atual líder do campeonato e o 2º jogador mais utilizado da equipa.

Guti | Fonte: mp9sports.com

Defesa esquerdo: Ricardo Nunes (Pogon Szczecin)

O corredor esquerdo desta formação fica entregue a um português. Apesar da excelente temporada de Piotr Tomasik, o impacto de Ricardo Nunes na sua equipa é tal que este merece estar presente no onze ideal da Ekstraklasa. Aos 30 anos, o lateral formado nas escolas do Benfica é o defesa com maior preponderância ofensiva (em igualdade com Tomasik) no campeonato fruto de 2 golos e 7 assistências em 28 partidas. Para os mais distraídos, resta sublinhar que o português de raízes sul africanas é um lateral moderno com uma enorme capacidade física, que se mostra quer na sua incorporação no processo ofensivo quer na sua competência defensiva.

Ricardo Nunes | Fonte: sport.wp.pl

Médio centro: Vadis Odjidja-Ofoe (Legia Warsaw)

Se há jogador nesta lista que não necessita de apresentações é Odjidja-Ofoe. O belga chegou à Polónia esta temporada à procura de revitalizar a sua carreira após uma passagem menos feliz por terras de sua majestade e, até ao momento, tem aproveitado da melhor forma a sua estadia por Varsóvia. Em 25 jogos disputados, o possante médio tem 3 golos apontados, 8 assistências realizadas e diversas exibições de encher o olho. Especialmente após Jacek Magiera assumir o comando técnico do Légia de Varsóvia, Odjidja-Ofoe tem voltado a demonstrar toda a sua qualidade ao nível da recuperação de bola, domínio territorial e físico do meio-campo, bem como, capacidade de aparecer em zonas de finalização.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu

Médio centro: Mateusz Matras (Pogon Szczecin)

O gigante médio defensivo da formação de Szczecin está longe de ser um desconhecido para os seguidores da Ekstraklasa, mais não seja pelos 193 centímetros do polaco que não o deixam passar despercebido. Porém, Matras é muito mais do que um monstro físico. Aos 26 anos, este “6” de passada larga é o pêndulo da sua equipa, quer pelo seu forte sentido posicional quer pela sua qualidade de passe que permite ao Pogon iniciar o seu momento ofensivo logo após a recuperação de bola. Em 2016/2017, Matras elevou o seu patamar futebolístico e, além da habitual qualidade no seu meio-campo defensivo, associou ao seu cardápio um instinto goleador anómalo: 5 golos e 3 assistências em 28 jogos, que fazem do médio defensivo polaco uma referência na sua posição.

Mateusz Matras | Fonte: sport.interia.pl

Médio ofensivo: Konstantin Vassiljev (Jagiellonia Bialystok)

A nomeação de Vassiljev para esta seleção é talvez a escolha mais unânime, parcialmente justificada pelo Fair Play aqui. Aos 32 anos, Vassiljev está a realizar a melhor temporada de sempre em termos individuais e coletivos, ao ponto de este se ter tornado a figura de proa do líder da Ekstraklasa, bem como, o jogador mais decisivo do campeonato. O camisola “5” do Jagiellonia Bialystok é um jogador de elevado recorte técnico com um arsenal ofensivo ao nível do remate e finta deveras letal. Em 26 partidas disputadas, o médio ofensivo estónio fez balançar as redes adversárias por 13 vezes e ainda realizou 14 passes para golo. Em suma, mais de 47% dos golos marcados do Jagiellonia têm carimbo deste médio ofensivo báltico.

Konstantin Vassiljev | Fonte: przegladsportowy.pl

Extremo direito: Miroslav Radovic (Legia Warsaw)

A escolha de Radovic não prima pela originalidade, contudo, era difícil ficar indiferente ao renascimento do mágico sérvio às mãos de Jacek Magiera detalhado aqui. Desde que o jovem técnico polaco ingressou no clube da capital polaca, Radovic garantiu um lugar no onze do “seu” Légia e voltou a espalhar toda a sua classe pelos relvados polacos. 10 golos (2º melhor marcador da sua equipa) e 9 assistências (jogador do Légia com mais assistências) em 23 partidas dão dimensão ao jogador mais influente do conjunto legionisci, dono de uma qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio nas alas que atemoriza os seus adversários/marcadores diretos.

Miroslav Radovic | Fonte: gazetaolsztynska.pl

Extremo esquerdo: Ádám Gyurcsó (Pogon Szczecin)

A época tranquila do Pogon tem feito emergir alguns bons valores, até então desconhecidos, na Ekstraklasa. Um desses jogadores é o húngaro Gyurcsó que na sua época de estreia tem rubricado exibições muito interessantes e acumulado golos e assistências. Gyurcsó é mesmo o único totalista no campeonato do Pogon Szczecin, o que diz bem da sua importância para o técnico Kazimierz Moskal, que já não prescinde da velocidade, facilidade de remate e qualidade nas bolas paradas do extremo húngaro. Em 31 jogos disputados, Gyurcsó soma 5 golos e 9 assistências ao seu pecúlio, abrindo imenso apetite para aquilo que este pode fazer na próxima temporada.

Ádám Gyurcsó | Fonte: 24.hu

Avançado centro: Fedor Cernych (Jagiellonia Bialystok)

A frente de ataque fica entregue a este avançado lituano bastante móvel e polivalente que tanto pode atuar sozinho na área como descair para uma das alas. Na presente temporada, Cernych até tem jogado mais vezes na ala, no entanto, a facilidade de remate, o faro de golo e a mobilidade do lituano tornam-no num avançado versátil e letal bastante útil para a equipa. Apesar de ainda faltarem 6 partidas para o término da Ekstraklasa, Cernych já superou os seus melhores registos na competição, acumulando até ao momento 12 tentos e 7 assistências em 28 jogos disputados. Assim, é seguro dizer que parte do sonho do Jagiellonia Bialystok está nas mãos do 3º jogador com maior preponderância ofensiva no campeonato.

Fedor Cernych | Fonte: sportowefakty.wp.pl

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Francisco da SilvaAbril 14, 20175min0

À medida que a Polónia reforça a sua capacidade de exportação, os seus clubes de futebol vão apostando crescente e proporcionalmente na prata da casa, dando a conhecer novos talentos à Ekstraklasa. Através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy, vamos dar a conhecer melhor o perfil de mais um talento polaco de alto quilate, Przemyslaw Frankowski.

O sonho de alcançar o trono da Ekstraklasa continua bem vivo em Bialystok, apesar da feroz perseguição do Légia de Varsóvia, e será alimentado pelo trio mais preponderante da competição formado pelo lituano Fedor Cernych, pelo estónio Konstantin Vassiljiev e polaco Przemyslaw Frankowski. Aos 22 anos, o jovem Frankowski é o mais novo deste trio e também aquele que apresenta maior potencial futebolístico.

Frankowski nasceu e cresceu junto ao Mar Báltico, mais concretamente, em Gdansk. Foi exatamente no clube da cidade, o Légia de Gdansk, que o talento polaco fez toda a sua formação futebolística. Em 2012/2013, já na fase final da temporada e 2 dias após Frankowski completar 18 anos, o técnico Boguslaw Kaczmarek estreou o petiz na Ekstraklasa. Ao segundo encontro na liga polaca, Frankowski saltou do banco e fez o seu primeiro golo com a camisola verde e branca.

A temporada seguinte foi de afirmação, como talento promissor das escolas Lechisci, mas ainda maioritariamente como suplente utilizado. Em 2014/2015, o Jagiellonia de Bialystok decidiu apostar em Frankowski e dar os minutos que o seu talento necessita para florescer. A primeira época foi razoável mas ainda de adaptação à nova equipa e à nova cidade. Na segunda temporada, já se viu mais golos, mais influência, em suma, mais Frankowski em Bialystok.

Percurso de Frankowski | Fonte: Soccerway

A presente temporada tem sido em termos individuais e coletivos a melhor de sempre do extremo polaco. Até ao momento, Frankowski já faturou por 8 vezes em 27 partidas, tendo ainda assistido os seus companheiros de equipa por 2 ocasiões. Com ainda 9 jogos por disputar até ao final da Ekstraklasa, o seu pecúlio pode ainda apresentar números mais interessantes, confirmando em pleno estarmos perante a temporada de afirmação do polaco. O seu olimpo desportivo pode estar também prestes a ser alcançado caso o Jagiellonia de Bialystok mantenha a liderança do campeonato e se sagre campeão polaco.

Przemyslaw Frankowski, baixo e compacto, não se enquadra de todo no estereótipo conservador do “jogador polaco”, porém, disfarça as suas debilidades físicas com uma tremenda capacidade de desequilíbrio fruto de um arsenal futebolístico multidisciplinar.

Se a equipa necessitar de profundidade, Frankowski é um extremo rápido capaz de explorar intensamente as costas da defesa contrária. Se a equipa necessitar de alguma criatividade, Frankowski é um jogador capaz de assumir as despesas ofensivas da sua equipa e utilizar inteligentemente a sua excelente visão de jogo e qualidade de passe. Se a equipa necessitar ainda de alguma frieza à boca da baliza, Frankowski não só aparece bem nas zonas de finalização como também tem refinado a sua compostura em frente ao keeper adversário, contribuindo para a melhoria gradual do seu registo ofensivo.

Mas não é apenas no capítulo ofensivo que o polaco se destaca, também nas tarefas mais defensivas Frankowski dá um contributo decisivo à sua equipa. O jogador oriundo de Gdansk é um elemento muito cooperante no momento defensivo da sua equipa, fechando bem o seu corredor e dando o apoio necessário ao lateral. Escusado será dizer que Frankowski é daqueles jogadores a la Polska que morde a língua o jogo todo e só desiste quando o árbitro dá o último apito.

Independentemente da capacidade atual e do potencial de Frankowski, existem algumas imperfeições que o polaco deve limar. No capítulo ofensivo, não são raros os excessos de individualismo no um para um, bem como, a sua paupérrima capacidade de cabeceamento. Já no capítulo defensivo, o polaco deve dosear a sua agressividade e melhorar ainda o posicionamento tático para que as suas debilidades físicas não sejam tão salientes.

BOA OPÇÃO PARA…

SC Braga – Face ao seu valor atual de mercado, a aposta em Frankowski exigiria um esforço financeiro significativo por parte da administração bracarense, contudo, seria uma adição capaz de elevar a qualidade ofensiva para outro patamar. Tendo em conta a proposta de jogo que Jorge Simão defende, o polaco seria a contratação ideal para dar maior irreverência e frieza ao momento de transição ofensiva do SC Braga, bem como, incrementar a qualidade do jogo interior bracarense demasiado refém das diagonais de Pedro Santos e Wilson Eduardo.

UD Las Palmas – Atendendo a que Jesé deve regressar a Paris no final da temporada e que Jonathan Viera é extremamente cobiçado, o ingresso de Frankowski no conjunto de Quique Setién seria uma situação win-win. A formação espanhola colmatava a provável saída dos seus ativos com um extremo de qualidade bem à imagem de Setién, enquanto o polaco daria o salto para uma das maiores ligas europeias onde encontraria uma equipa bem orientada e com tradição a potenciar talento ofensivo.

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Francisco da SilvaMarço 14, 20176min0

Não raras vezes os treinadores de futebol são as personagens mais bipolares do desporto rei. De herói a vilão ou de vilão a herói, multiplicam-se histórias e controversas visões da real capacidade dos técnicos. Tendo em conta o desempenho dos seus clubes atuais (ou anteriores) na Ekstraklasa, o Fair Play decidiu elaborar uma lista de 6 treinadores que engloba heróis e vilões da presente edição do principal campeonato polaco.

Os heróis

Jacek Magiera (Légia de Varsóvia)        
Já escrevemos mais detalhadamente o impacto significativo que Jacek Magiera teve quando assumiu o comando técnico do Légia de Varsóvia, contudo, não podíamos elaborar um artigo como este e deixar de fora o treinador que mais tem impressionado a crítica. Em 15 jogos para o campeonato polaco, Magiera somou 11 triunfos, 2 empates e 2 desaires. Por esta altura, o emblema da capital polaca está a apenas 3 pontos da liderança da Ekstraklasa, porém, convém recordar que quando o técnico de 40 anos assumiu o comando dos legionisci, o Légia de Varsóvia estava em 13º lugar e a 12 pontos da liderança. Com Magiera regressaram as vitórias, as boas exibições e o sonho de revalidar o título de campeão polaco.

Jacek Magiera | Fonte: pap.pl

Nenad Bjelica (Lech Poznan)
Se até há bem pouco tempo Nenad Bjelica era um perfeito desconhecido para os adeptos azuis de Poznan, aos dias de hoje o croata é um técnico idolatrado pela sua massa associativa e cada vez mais capaz de “roubar” o ceptro da Ekstraklasa para as margens do rio Varta. Bjelica chegou a Poznan em Agosto de 2016 para devolver o Lech à ribalta do futebol polaco, no entanto, aquilo que podia ser uma aposta arriscada do presidente Karol Klimczak, tornou-se numa tremenda manobra bem-sucedida que catapultou o Lech Poznan para outro patamar. Em 18 jogos, o técnico oriundo do Spezia Calcio (Série B Italiana) coleciona 12 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas. A chave do sucesso tem sido a enorme consistência defensiva e a boa dinâmica atacante, que tornam o Lech Poznan na melhor defesa, no 3º melhor ataque e a 1 mero ponto da liderança da Ekstraklasa.

Nenad Bjelica | Fonte: lechpoznan.pl

Czeslaw Michniewicz (Bruk-Bet Termalica)
O sucesso do Bruk-Bet Termalica foi retratado pelo Fair Play como uma das histórias mais interessantes e bonitas da liga polaca, assim sendo, é também mais do que justo que se saliente o ótimo desempenho do técnico Czeslaw Michniewicz. O homem de Brzozowka chegou a Nieciecza no início da presente temporada para dar tranquilidade a um dos emblemas mais modestos da Ekstraklasa e tem inclusive superado as expectativas. Nos primeiros tempos ao comando do Bruk-Bet Termalica, Michniewicz colecionou bastantes pontos e surpresas que catapultaram o emblema de Nieciecza para o topo da liga polaca. Após algumas semanas de utopia a la Leicester City, a realidade abateu-se sobre o Bruk-Bet Termalica e o clube estabilizou no meio da tabela classificativa. Em 25 jogos, 10 vitórias, 6 empates e 9 derrotas que garantem praticamente a manutenção no principal escalão.

Czeslaw Michniewicz | Fonte: przegladsportowy.pl

Os vilões

Radoslav Latal (Ex-Piast Gliwice)
A história de Radoslav Latal em Gliwice assemelha-se, com as devidas diferenças, ao percurso de Claudio Raniei no comando técnico do Leicester City. Após o checo assumir as rédeas dos nurses, a segunda temporada de Latal ao leme do Piast Gliwice culminou com a melhor classificação de sempre do clube, isto é, 2º lugar na época 2015/2016 e a escassos 3 pontos do título. Da euforia ao despedimento, foram apenas 6 meses. Em Março de 2017, Latal e Piast Gliwice colocaram um ponto final depois de 8 derrotas e 4 empates em 16 jogos disputados. Em Gliwice, a luta pela permanência vai ser longa, agora sob a batuta de Dariusz Wdowczyk.

Radoslav Latal | Fonte: sport.interia.pl

Jacek Zielinski (KS Cracóvia)
A pouco mais de 1 mês de completar 2 anos no comando técnico do KS Cracóvia, nunca a vida de Jacek Zielinski nas margens do Vístula esteve numa posição tão delicada. Até ao momento, a formação de Cracóvia é aquela que tem um menor número de vitórias (5), em igualdade com o modesto Gornik Leczna, além de ser a equipa com um maior número de empates (12). A escassez de triunfos e abundância de empates colocam Zielinski sob fogo, especialmente quando a qualidade futebolística tem estado muito abaixo do desejado e o último classificado está a apenas 5 pontos. As próximas jornadas podem muito bem definir o futuro do técnico de 55 anos, caso este não consiga retirar o histórico KS Cracóvia da zona dos aflitos.

Jacek Zielinski | Fonte: przegladsportowy.pl

Mariusz Rumak (Ex-Slask Wroclaw)
Uma reta final a bom nível em 2015/2016 com 6 vitórias em 11 jogos, garantiu ao técnico polaco de 39 anos a oportunidade de assumir as rédeas do Slask Wroclaw para a presente edição da Ekstraklasa. No entanto, aquilo que podia ter sido a época de afirmação tornou-se num verdadeiro pesadelo. Em 20 jogos, os comandados de Mariusz Rumak somaram apenas 5 vitórias, contabilizando ainda 7 empates e 8 derrotas. Tudo somado, o Slask Wroclaw passou a ocupar os lugares do fundo da tabela, lutando arduamente por fugir aos lugares de despromoção. Rumak não resistiu aos maus resultados e foi substituído por Jan Urban em Janeiro de 2017. A bem da verdade, convém ainda referir que o seu sucessor não tem feito melhor, tendo conseguido apenas 4 pontos em 5 partidas.

Mariusz Rumak | Fonte: sportowefakty.wp.pl

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Francisco da SilvaFevereiro 5, 20176min0

Os rótulos e as etiquetas nunca foram uma boa forma de averiguar a qualidade do conteúdo. No futebol, a idade continua a ser ainda um fator discriminatório, especialmente, quando se ultrapassa a casa dos 30. Estes são alguns trintões vindo da Ekstraklasa que têm desafiado preconceitos e estabelecido como figuras de proa das suas formações.

Konstantin Vassiljev (Jagiellonia Bialystok)

A liderança do Jagiellonia Bialystok na Ekstraklasa tem carimbo báltico, mais concretamente, assente no génio futebolístico de Vassiljev. Aos 32 anos, o estónio é a figura principal de uma equipa que saltou, no espaço de 12 meses, de lugares medíocres para o topo da liga polaca. Konstantin Vassiljev é um médio ofensivo, que também pode atuar como 8, de fortes recursos técnicos e táticos capazes de decidir um encontro numa fração de segundo. O craque do báltico, chegado a Bialystok em meados de 2015, é um médio que lê muito bem o posicionamento dos seus colegas atacantes, sabe aparecer oportunamente em zonas de finalização e ainda tem uma qualidade técnica e de remate que lhe permite assistir e rematar com enorme qualidade. Se as palavras podem sempre esconder alguma subjetividade, os números não deixam margem para dúvidas. Em 18 jogos na presente edição da Ekstraklasa, Vassiljev já fez balançar as redes adversárias por 10 vezes, bem como, já assistiu por 9 vezes os seus colegas de equipa para golo. Tudo somado, o estónio está presente em mais de 50% dos tentos da sua equipa.

Konstantin Vassiljev | Fonte: sport.delfi.ee

Flávio e Marco Paixão (Légia Gdansk)

Os gémeos portugueses de Sesimbra têm contribuído decisivamente para a boa temporada da formação de Gdansk. Apesar de terem chegado ao norte da Polónia há sensivelmente um ano, os manos Paixão não acusaram a mudança e têm respondido com golos e assistências aos desígnios de Piotr Nowak. Marco Paixão, um avançado centro móvel com faro para o golo, leva até ao momento 6 golos e 3 assistências em 20 jogos na Ekstraklasa. Já o seu irmão Flávio, avançado mais criativo e que gosta de descair para as alas, tem um pecúlio superior com 8 golos e 2 assistências em 17 jogos. Ao todo, Flávio e Marco estão envolvidos em 50% dos golos da sua formação. Com o Légia de Gdansk empatado na liderança com o Jagiellonia de Bialystok, os gémeos Paixão serão fundamentais para continuar a alimentar o sonho da formação de Gdansk de conquistar o ceptro da Ekstraklasa. Aos 32 anos, Flávio e Marco mostram que ainda têm muito futebol para esplanar e, sobretudo, títulos para conquistar na Polska.

Gémeos Paixão | Fonte: sport.se.pl

Miroslav Radovic (Légia Varsóvia)

O mágico sérvio tem sido o rosto principal do renascimento da formação da capital polaca, encetada sob o comando de Jacek Magiera. Após regressar no Verão de uma estadia em Belgrado no Partizan, o trintão Radovic começou a mostrar todo o seu QI futebolístico a partir de Outubro, quando começou a ser aposta regular do então novo técnico do Légia de Varsóvia. No alto dos seus 33 anos, Radovic apresenta números impressionantes na presente edição da Ekstraklasa. Em 12 partidas, o criativo sérvio já faturou por 7 vezes e já assistiu por 8 vezes os seus companheiros de equipa. A qualidade de passe, a inteligência tática e a liderança em campo dão dimensão a uma figura cada vez mais simbólica dos legionisci. Enquanto a matemática permitir, os 4 pontos que separam o conjunto de Varsóvia da liderança são suficientes para que seja ainda possível a Radovic pontificar 10 anos de Légia com um último título na Ekstraklasa.

Miroslav Radovic | Fonte: rte.ie

Matus Putnocky (Lech Poznan)

O gigante eslovaco tem sido até ao momento o melhor guardião da Ekstraklasa e um dos pilares da melhor defesa do campeonato. Chegou no Verão do Ruch Chorzow e perdeu os primeiros 4 jogos por opção técnica, contudo, Putnocky agarrou o lugar na formação de Poznan à 5ª jornada e desde então tem sido um dos trunfos defensivos de Nenad Bjelica. Em 15 jogos disputados, o guardião de 195 centímetros sofreu apenas 9 tentos, tendo mantido a sua baliza imaculada em 8 partidas. Este registo só é possível devido à enorme agilidade e reflexos de Putnocky, que aliados à sua compleição física, permitem ao eslovaco ser um keeper de grande envergadura e que sai muito bem dos postes. Outra das especialidades do guarda-redes de 32 anos é a parada de grandes penalidades. Na presente temporada, em duas tentativas adversárias, o eslovaco defendeu mesmos os dois penalties. Se o emblema de Poznan ainda sonha com algo bonito na Ekstraklasa, bem pode agradecer ao gigante que tem a guardar a sua baliza.

Matus Putnocky | Fonte: wiadomosci.onet.pl

Rafal Murawski (Pogon Szczecin)

A época tranquila do modesto emblema de Szczecin tem sido novamente catalisada pelo talento de um veterano de 35 anos, Rafal Murawski. Após uma época de estreia com o Pogon recheada de golos e assistências, a 2ª época de Murawski tem sido igualmente marcada pelo seu papel decisivo no equilíbrio defensivo, mas também na produção ofensiva da equipa. Apesar de atuar preferencialmente à frente dos centrais, o polaco pisa também com bastante qualidade terrenos mais avançados, uma vez que é mortífero na chegada à área adversária devido à sua qualidade de remate. Não é por isso de admirar que em 18 jogos, Murawski já faturou por 4 vezes na Ekstraklasa. Aos 35 anos, a forma física não é a melhor, contudo, a qualidade técnica e a leitura de jogo do capitão do Pogon Szczecin tornam-no num dos veteranos mais apreciados da liga polaca. Assim, vai agradecendo Kazimierz Moskal por ter ao seu dispor um ativo desta craveira capaz de dar tranquilidade a Szczecin no convívio dos grandes.

Rafal Murawski | Fonte: szczecin.naszemiasto.pl

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Francisco da SilvaDezembro 27, 20165min0

Longe dos olhares mais atentos do futebol português, emerge em solo polaco um dos laterais direitos mais promissores do continente europeu. Aos 22 anos, Tomasz Kedziora é uma das principais figuras do Lech Poznan e da Ekstraklasa, acumulando cada vez mais interessados nos seus préstimos. Conheça melhor o perfil deste talento polaco através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Tomasz Kedziora é o rosto perfeito de uma geração de talentos polacos que está a crescer e promete colocar a Polónia no mapa futebolístico europeu. Aos 22 anos, Kedziora já conquistou a Ekstraklasa, quer pela sua qualidade quer pela sua entrega ao jogo, tornando-se hoje um dos alvos mais apetecíveis da primeira liga polaca e o principal candidato a suceder Lukasz Piszczek na seleção da Polska.

O percurso do jovem natural de Sulechow iniciou-se no modesto Zielona Gora, onde permaneceu cerca de 10 temporadas. De seguida, veio o salto para Poznan onde viria a completar a sua formação futebolística no colosso Lech. Apesar de ter feito parte do plantel do Lech Poznan a partir de 2011/2012, a sua estreia com a camisola dos Kolejorz só aconteceu na época seguinte numa pré-eliminatória da Liga Europa. Durante a temporada 2012/2013, Kedziora foi tendo pontualmente minutos no conjunto então orientado por Mariusz Rumak, porém, sem grande evidência. O ano seguinte foi bastante complicado, nomeadamente, devido a vários problemas físicos que afetaram o homem de Sulechow, impedindo assim a sua afirmação. Contudo, apesar dos vários jogos perdidos ao longo da época, Kedziora protagonizou uma boa reta final e agarrou o lugar na equipa.

A temporada 2014/2015 iniciou e terminou com Kedziora como dono e senhor do lado direito da defensiva dos Kolejorz. Só na Ekstraklasa, o polaco esteve presente em 35 jogos, tendo somado ainda 3 golos e 5 assistências. Registo notável para um jovem com apenas 21 anos. Às performances individuais, Kedziora juntou ainda o título de campeão polaco e a supertaça da Polónia no ano seguinte. A partir daqui, o jovem lateral assumiu-se como um dos principais ativos do Lech Poznan, bastante cobiçado por clubes ingleses e alemães. A época seguinte não foi famosa, bem à imagem da época discreta do próprio clube, no entanto, Kedziora tem renascido na presente temporada.

Percurso de Kedziora | Soccerway
Percurso de Kedziora | Fonte: Soccerway

A temporada 2016/17 tem sido aproveitada por Kedziora para voltar à sua melhor forma. Até ao momento, o lateral polaco ainda não falhou um único minuto, assumindo-se como uma das figuras de proa do conjunto de Poznan na Ekstraklasa. Um dos momentos mais marcantes da presente época aconteceu no final do mês de Outubro, quando Kedziora envergou pela primeira vez a braçadeira de capitão pelo Lech Poznan.

Toda esta performance assinalável de Kedziora só é possível devido às suas características físicas. O jovem de 22 anos é um jogador bastante disponível ao longo de todo o jogo, sendo bastante habitual vê-lo a correr intensamente de lés a lés durante os 90 minutos. Em complemento à sua disponibilidade, Kedziora incorpora-se facilmente no ataque, conferindo assim dinâmica e equilíbrio ao flanco direito. Por outro lado, além de ser um jogador bastante comprometido com as tarefas mais recuadas, Kedziora pode jogar no lado direito ou esquerdo (com menor qualidade), consoante as necessidades da equipa. Ainda no aspeto defensivo, o lateral polaco é um jogador forte nos duelos aéreos, fruto da sua boa estatura, e com uma capacidade de desarme acima da média, o que o torna uma barreira difícil de ultrapassar.

Em linha com a sua idade, Kedziora ainda tem algumas arestas para limar, nomeadamente na vertente defensiva. O lateral direito do Lech Poznan precisa de domar a sua impetuosidade, própria da idade, que o torna atualmente um jogador algo faltoso. Também ao nível do posicionamento tático, Kedziora precisa de ler melhor a sua posição no terreno, quer na coordenação com os restantes elementos da linha defensiva, quer nos momentos de inferioridade numérica onde deve melhorar a sua ocupação de espaços.

BOA OPÇÃO PARA…

Sporting CP – O grande handicap da equipa de Jesus tem sido as laterais, nesse sentido, pelas suas características físicas e pelo seu potencial, Kedziora podia ser parte da solução na ala direita leonina. Ao 1,83m de altura, o polaco combina disponibilidade física e capacidade de choque, tal como JJ gosta. Uma parceria Kedziora-Gelson seria bem vista e teria todos os ingredientes para ser bem sucedida, nomeadamente tendo em conta a intensidade, cadência e juventude dos 2 elementos.

Augsburgo – A Bundesliga é um dos mercados que mais importa talento polaco, assim, tendo em vista a sucessão do veterano Verhaegh, Kedziora seria uma boa solução para o médio e longo prazo. O ritmo competitivo da Bundesliga é bem mais elevado do que a Ekstraklasa, porém, a entrega e a capacidade física do lateral de 22 anos facilitariam a sua adaptação a um grau de exigência superior.

 

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Francisco da SilvaDezembro 12, 20166min0

Guardiola, Inzaghi, Nagelsmann, van Bronckhorst, Magiera. Todos eles fazem parte de uma geração de treinadores formados nas academias dos clubes. Em Varsóvia, Jacek Magiera ressuscitou o seu Légia, após mais de 7 anos na sombra de outros técnicos. Com a Ekstraklasa ainda a meio, Magiera tem mostrado credenciais para levantar o ceptro de campeão com o emblema Legionisci.

Os últimos anos têm sido marcados pela aposta bem sucedida em jovens treinadores que, além de terem fortes vínculos emocionais a determinados clubes, iniciam mesmo a sua carreira de coach nas camadas jovens/reservas desses mesmos emblemas. Jacek Magiera, treinador do Légia de Varsóvia, é mais um bom exemplo do resultado que este tipo de apostas pode trazer a uma formação carente de resultados, qualidade de jogo e, sobretudo, dedicação durante os 90 minutos.

Aos 39 anos, o treinador nascido na cidade de Czestochowa, no sul da Polónia, está na sua “cadeira de sonho” e tudo leva a crer que se mantiver a qualidade técnica que tem evidenciado nestes 3 meses ao comando do Légia de Varsóvia, irá permanecer no Estádio Jozef Pilsudski por um bom período de tempo. Contudo, a relação entre Magiera e o emblema Legionisci não é de agora.

Jacek Magiera formou-se como jogador no clube da sua cidade, o Rakow de Czestochowa, porém, mudou-se com 20 anos para a capital polaca e aí estabeleceu uma relação contratual com o Légia de Varsóvia que durou quase uma década. Aos 29 anos de idade decidiu terminar a sua carreira como futebolista e dedicar-se ao próximo passo, ser treinador principal. Em 2006, ingressou como adjunto na equipa técnica do Légia de Varsóvia, acompanhando de perto um período bastante estéril em termos de títulos para o clube legionário. Durante 7 temporadas, Magiera esteve ao lado de vários técnicos como Dariusz Wdowczyk, Jan Urban, Stefan Bialas ou Maciej Skorza, no entanto, nunca conseguiu festejar no banco de suplente aquilo que conseguiu alcançar enquanto jogador, ser campeão da Ekstraklasa com o Légia de Varsóvia. Após uma curta passagem pela equipa de reservas entre 2014 e 2015, Jacek Magiera decidiu deixar o seu berço e tentar a sorte no 2º escalão polaco. Em Maio de 2016, assinou pelo Zaglebie Sosnowiec e não demorou muito até firmar os seus créditos: no final da 9ª jornada, a formação de Sosnowiec já liderava o campeonato após marcar 13 golos nos últimos 3 jogos. Contudo, um amor maior invocava Magiera.

Jacek Magiera

Após se ter sagrado campeão polaco ao comando do Légia de Varsóvia, Stanislav Cherchesov foi convidado pela Federação de futebol do seu país a assumir a liderança da Rússia. Para colmatar a saída do ex-guardião soviético, o presidente do Légia de Varsóvia, Bogusław Lesnodorski, confiou os destinos do clube ao albanês Besnik Hasi. Apesar de ter trazido uma série de jogadores da Jupiler League, o técnico albanês nunca conseguiu realmente convencer os exigentíssimos adeptos Legionisci. 18 jogos, 7 derrotas, 6 empates e 5 vitórias depois, Hasi foi despedido. O plantel do Légia de Varsóvia estava recheado de talento, mas era preciso alguém que reunisse as individualidades e desse maior consistência a um coletivo que sofria golos com bastante regularidade. Desta vez Lesnodorski não vacilou e elegeu o homem da casa, Jacek Magiera.

A estreia do técnico natural de Czestochowa não foi a melhor: derrota em Alvalade frente ao Sporting na 2ª Jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões (2-0). Seguiram-se mais 3 jogos que podiam ter vaticinado o fim de Magiera na sua “cadeira de sonho”, nomeadamente, depois de 2 derrotas dolorosas frente ao Pogon Szczecin (3-2) e Real Madrid (5-1). Contudo, a partir daí a equipa começou a interiorizar as ideias do novo comandante e a diferença foi abismal, deixando bem vincada a qualidade técnica e inteligência emocional de Magiera.

Desde meados de Outubro que o Légia de Varsóvia não perde na Ekstraklasa, somando 6 triunfos nos últimos 7 jogos. Face a isto, a equipa da capital polaca subiu da 14ª para o 3ª posição após 9 jornadas sob o comando de Magiera. Além disso, somaram-se exibições bastante interessantes nas competições europeias, especialmente frente ao Real Madrid (3-3) e frente ao Sporting (1-0), que permitiram aos Legionisci continuar nas competições europeias. Para se ter uma melhor perceção da qualidade do técnico polaco, o Légia de Varsóvia não vencia um encontro na fase de grupos da Champions há 21 anos (ou seja, desde Outubro de 1995)!

Miroslav Radovic ao centro de preto

Um dos encontros que melhor espelhou a filosofia de Jacek Magiera ocorreu em pleno Signal Iduna Park, quando a equipa polaca foi derrotada 8-4 pelo Borussia de Dortmund de Tuchel. Magiera é um treinador apaixonado pelo futebol atacante, rápido e incisivo. Prefere sofrer muitos, mas marcar mais: daí que em 14 jogos ao serviço do Légia, a sua formação marcou 37 golos e sofreu 28.

Ao contrário de Hasi, Magiera tem trabalhado muito bem a transição ofensiva e o aspeto psicológico dos seus jogadores, tendo “recuperado” vários jogadores que pareciam perdidos com o anterior técnico albanês. O trintão criativo Radovic renasceu (13 jogos, 8 golos e 8 assistências), o possante médio Odjidja-Ofoe confirmou créditos (14 jogos, 3 golos e 5 assistências), o matador magyar Nikolics recuperou o seu killer instinct (13 jogos, 8 golos e 1 assistência) e o rapidíssimo Guilherme tornou-se decisivo nas zonas de finalização (12 jogos, 5 golos e 3 assistências). Apesar da organização e consistência defensiva ainda serem o grande handicap deste novo Légia, o regresso de Rzezniczak ao eixo da defesa e a manutenção da dupla Moulin e Kopczynski à frente dos centrais tem permitido estabilizar o barco tricolor.

Com ainda muito campeonato pela frente, o Légia de Varsóvia promete intrometer-se na atual luta a dois entre o Légia de Gdansk e o Jagiellonia de Bialystok. 7 pontos não são nada para quem teve que esperar 7 anos para subir ao comando técnico do seu clube de sempre. Jacek Magiera promete reescrever os próximos capítulos na Ekstraklasa.

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Francisco da SilvaNovembro 1, 20166min0

Em Nieciecza, com apenas 750 habitantes, mora uma das surpresas da Liga Ekstraklasa. O Bruk-Bet Termalica é o clube de futebol das principais ligas europeias estabelecido na vila mais pequena, porém, na presente temporada tem lutado pelos lugares cimeiros e impressionado toda a crítica. Com mais de 90 anos de história, embarque neste conto de fadas e venha conhecer o percurso do outrora Ludowy Klub Sportowy Nieciecza.

O Pergaminho

O desporto rei despertou oficialmente na pequena vila de Nieciecza em 1922, quando 3 senhores regressados da I Guerra Mundial – Stanislaw Nowak, Wladyslaw Kaczówka e Kazimierz Heather – decidiram fundar nesta localidade no sul da Polónia e integrada na cidade de Zabno, o LZS Nieciecza. O pioneirismo destes 3 polacos foi tal ao ponto da formação de Nieciecza ter sido o primeiro clube do município de Zabno. Por essa altura, a equipa não tinha uniforme e cada jogador jogava com os seus próprios calções, t-shirts e botas. Nos anos seguintes, foram sendo fundados mais alguns clubes nas zonas circundantes de Zabno, o que foi estimulando timidamente o modesto LZS Nieciecza a defrontar formações conterrâneas. Só em meados da década de 30 é que o LZS saiu das fronteiras do seu município e começou a medir forças amigalvemente com equipas da cidade vizinha de Dabrowa Tarnowska

Com eclodir da II Guerra Mundial e a invasão nazi, as atividades desportivas em Nieciecza e em toda a Polónia foram suspensas. Só após o fim da guerra é que o desporto voltou a dar um ar da sua graça em Zabno, contudo, em Nieciecza mandava o LZS. Nos primeiros anos da década de 50, o clube começa a ganhar projeção regional fruto de excelentes performances nos escalões distritais que permitem ao clube ascender à 5ª divisão polaca. As décadas seguintes foram de declínio do clube que só teve fim quando no final da década de 70 o clube fechou mesmo as portas. O resistente e modesto LZS Nieciecza batia no fundo da sua própria existência. Contudo, em 1983, o clube foi finalmente reativado e durante mais de 20 anos pereceu nas divisões amadoras e regionais polacas.

Nieciecza tem apenas 750 habitantes
Nieciecza tem apenas 750 habitantes

O Olimpo

O novo milénio começou com o LZS a alterar o seu nome para LKS Nieciecza (Ludowy Klub Sportowy Nieciecza, Grupo Desportivo Popular de Nieciecza). Até então incógnito e envolto numa pobreza franciscana nas profundezas competitivas da Polónia, tudo viria a ser completamente diferente quando o clube foi adquirido pelo empresário Krzysztof Witkowska em 2005. Homem da região e dono da multinacional de pavimentos Bruk-Bet, Krzysztof Witkowska começou por nomear a sua esposa, Danuta, como presidente do então LKS Nieciecza. Sob a alçada de Danuta, o clube viria a atravessar uma profunda transformação organizacional e desportiva. Primeiramente, no decorrer da temporada 2004/2005, o clube passou a denominar-se de LKS Bruk-Bet Nieciecza, incluindo assim o nome do principal patrocinador. Ainda em 2005, o emblema de Nieciecza iniciou a construção de um novo complexo desportivo, aumentando a lotação do seu recinto de 1000 para mais de 2000 lugares. A par destas mudanças estruturais, o rendimento do clube dentro das 4 linhas foi aumentando significativamente, ao ponto de na temporada 2006/2007 o LKS Bruk-Bet Nieciecza ter assegurado a subida à 5ª divisão polaca, mais de 30 anos depois.

Seguiram-se 2 subidas de divisão consecutivas (2007/2008 e 2008/2009) que catapultaram o clube da 5ª divisão para o 3º escalão do futebol polaco. Em 5 anos de presidência de Danuta Witkowska, o LKS Bruk-Bet Nieciecza tinha sido promovido 3 vezes! Se por um lado havia uma enorme estabilidade organizacional, por outro o branding do clube continuava a saltitar de um lado para o outro: em 2009/2010, o clube perdeu o acrónimo “LKS”, mas nem isso impediu um brilharete na estreia absoluta na 3ª divisão polaca (1ª lugar e subida ao 2º escalão). Nova temporada, novo nome: Termalica, uma insígnia do grupo Bruk-Bet. O agora Termalica Bruk-Bet Nieciecza KS, registava pela primeira vez na sua história uma ficha de jogo do 2º escalão. A temporada 2010/2011 foi bastante complicada com a manutenção a ser assegurada com bastante sacrifício e sofrimento, porém, as épocas seguintes mostraram um clube mais atrevido e preparado para altos vôos. Em 2014/2015, momento histórico: o Termalica Bruk-Bet Nieciecza KS orientado por Piotr Mandrysz ficava em 2º no campeonato e ascendia assim ao principal escalão do futebol polaco. 10 anos depois de iniciar o seu projeto pessoal,  Krzysztof e Danuta Witkowska levavam o clube da sua região e da sua empresa à Ekstraklasa.

Krzysztof Witkowska | Piotr Mandrysz | Danuta Witkowska
Krzysztof Witkowska | Piotr Mandrysz | Danuta Witkowska

O Momento

A última season foi bastante complicada para o emblema de Nieciecza que teve que lutar até à última jornada pela manutenção. Apesar do profissionalismo do clube, foi notória a falta de talento da equipa para enfrentar os restantes oponentes da Ekstraklasa, claramente mais experientes e com plantéis mais profundos e completos. Para 2016/2017, novo rebranding para Bruk-Bet Termalica Nieciecza KS, com Danuta a incumbir Czesław Michniewicz de liderar a formação do sul da Polónia e a oferecer um leque de reforços interessantes para o contexto competitivo da Ekstraklasa. Os resultados não se fizeram esperar e à 14ª jornada o emblema de Nieciecza encontra-se a “apenas” 5 pontos, praticando um futebol bastante combativo e intenso que muito dignifica o outrora modesto LZS. A grande figura da equipa é o talento letão Vladislavs Gutkovskis que, com apenas 21 anos de idade, está presente em 40% dos golos da equipa (5 golos e 1 assistência) e tem despertado o interesse de vários clubes. O calcanhar de aquiles da equipa orientada por Czesław Michniewicz continua a ser o setor mais recuado, responsável maior pela quebra de forma que o Bruk-Bet Termalica registou nas últimas jornadas (2 derrotas e 1 empate). Por mais irrealista que seja, quem não gostaria de ver este modesto clube a levantar o ceptro da Ekstraklasa, numa antologia perfeita do sonho polaco? Com ainda 23 jornadas por disputar, tudo pode acontecer, tal como já aconteceu ao outrora pequeno LZS.

Vladislavs Gutkovskis
Vladislavs Gutkovskis


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