21 Ago, 2017

Francisco Cabrita, Author at Fair Play

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Francisco CabritaMarço 20, 201718min0

O Fair Play esteve à conversa com João Meira, ex-jogador do Clube de Futebol “Os Belenenses”, e que joga atualmente no Chicago Fire, da Major League Soccer. Foi presença assídua na temporada de 2016, e estatisticamente o jogador com maior percentagem de desarmes (89,4%, segundo a ‘Opta’). Em terras outrora de Al Capone, é um português que põe os adversários em sentido.

fpOlá João! Muito obrigado por teres aceitado o convite do Fair Play! Vamos começar pelo início. Sempre quiseste, desde criança, ser jogador de futebol?

J.M. Olá Fair Play! Antes de mais queria agradecer o vosso convite e congratular-vos pelo sucesso até aqui obtido. Sim, felizmente tenho um irmão mais velho que desde criança jogava futebol e passou-me o “bichinho”. Penso que mais de metade das crianças portuguesas sonha um dia em ser como o seu jogador preferido, ou jogar no clube do seu coração. Eu felizmente não fui exceção e consegui cumprir o meu sonho de menino.

fp. Fazes a tua formação no Vitória de Setúbal, aí ficas uma época, a primeira de seniores, na equipa B, e rumas ao Cova da Piedade. Do Cova da Piedade vais para o Mafra e rumas ao Atlético de Portugal. Conta-nos como viveste este teu inicio de carreira.

J.M. Fiz um percurso bastante interessante na formação do Vitória de Setúbal e penso que na primeira época de seniores, podia ter sido aproveitado/rendido muito mais, mas são situações que por vezes não conseguimos controlar, e para ser sincero, nessa altura o Vitória tinha uma equipa B que na minha opinião não tinha a organização desejada, vindo a terminar no ano seguinte. Volto depois ao Cova da Piedade, um clube que me diz muito e que me abriu portas quando eu já perdia a crença de outrora. É o clube da minha cidade e que tem um lugar vitalício nas minhas recordações. O Mafra foi o clube que me fez voltar a acreditar que era possível chegar novamente ao patamar desejado, e por fim o Atlético. Na Tapadinha, na primeira época, faço os 26 jogos e na segunda ainda fui mais regular fazendo 33 jogos, onde acabamos por colocar o Atlético na 2ª Liga. Por fim, foi quando aconteceu o castigo e na terceira época joguei apenas quando me levantaram do castigo provisoriamente que foram 7 ou 8 jogos.

Foto: “Bluebox Belenenses”

fpComo lidaste, na tua última época no Atlético de Portugal, com a situação do controlo anti-doping positivo e a consequência dos 8 meses de suspensão? Pensaste em desistir da carreira de futebolista?

J.M. Foi talvez dos momentos mais complicados da minha vida desportiva e pessoal. Penso que quando estamos de consciência tranquila com as decisões que tomamos tudo se torna mais fácil, portanto, quando soube do castigo e expliquei tudo o que tinha acontecido sabia que as pessoas com competência para tal me ajudariam a resolver da melhor maneira e assim foi. Dizer que não me passou pela cabeça encerrar a carreira estaria a mentir, mas felizmente tenho uma família espetacular e o apoio deles foi gigantesco. Quando pensei que pudessem desacreditar em mim, foi ai então que recebi uma força enorme para que pudesse continuar.

fpQuando parecia que a tua carreira de futebolista tinha tudo para começar em fase descendente, é quando acontece o contrário. Vais para um dos grandes do futebol português. Como foi chegar ao Clube de Futebol “Os Belenenses”?

J.M. È verdade. Na altura em que fui contactado pelo Belenenses tinha praticamente tudo acertado com um clube estrangeiro e viagem marcada. Quando estava nesse mesmo país, recebi uma última chamada que me fez pensar muito e voltar com a palavra atrás, acabando por assinar com o Belenenses. Na verdade, por tudo o que me tinha acontecido, só queria sair de Portugal para respirar um ar diferente, e quando surgiu o nome Belenenses e o projeto vencedor que era (e acabou por ser), fez-me tomar a decisão mais acertada da minha vida.

Foto: Jornal “Abola”

fpNuma entrevista que vimos tua, na tua primeira época no Belenenses, afirmaste que o clube era um “gigante adormecido”. Em que te baseaste para fazeres essa afirmação?

J.M. O tal “gigante adormecido” já acordou mas penso que ainda falta um pouco para estar completamente desperto. Expressei-me dessa forma pelo facto de quando era miúdo, estar habituado a ver o Belenenses a ser uma das maiores equipas em Portugal, a ter muitos adeptos no estádio e uma equipa muito difícil de bater, e quando lá cheguei era praticamente o oposto. Felizmente quando saí, penso que conseguimos deixar o Belenenses num nível que dificilmente encontraremos daqui a um par de anos.

fpO Belenenses deu-te um voto de confiança, porque embora estando tu castigado, o clube acreditou em ti e nas tuas capacidades. Achas que o clube foi importante para o relançamento da tua carreira?

J.M. Posso afirmar que hoje em dia sou quem sou devido ao Belenenses claro, porque foi o clube que me proporcionou a oportunidade de jogar no mais alto nível mas, sem dúvida alguma, grato principalmente a duas pessoas importantíssimas no projeto: Rui Pedro Soares e Mitchell Van der Gaag. Costuma-se dizer que os treinadores, dirigentes e jogadores passam e o clube fica, mas neste caso concreto estarei grato eternamente a estas duas pessoas por terem confiado em mim.

fpTu chegas ao Belenenses e logo no teu primeiro ano sobes de divisão, num ano em que foram batidos todos os recordes. Como foi essa época?

J.M. Foi talvez a melhor época da minha vida. Com mais ou menos esforço as coisas acabavam por surgir naturalmente. Vivíamos praticamente como uma familia.

fpSentes-te orgulhoso de teres pertencido ao grupo que devolveu o Belenenses ao seu único lugar, a primeira divisão portuguesa?

J.M. Bastante orgulhoso, mas mais ainda em ter podido estrear-me na 1ª Liga com a cruz de Cristo ao peito.

fpComo era o balneário nessa época?

J.M. Como já referi, vivíamos como uma irmandade. Quando havia um problema com alguém do grupo éramos bastante solidários e procurávamos rápida solução. Tenho várias histórias e recordações que vou levar para a vida, mas o melhor exemplo que vos posso dar deste grupo é a excelência com que tudo foi feito.

fpComo viveste a subida de divisão, depois daquele jogo em Penafiel, em que a confirmação da subida de divisão chegou via rádio?

J.M. Depois da derrota, e de um jogo menos bem conseguido da nossa parte, veio um pouco de tristeza por não termos conseguido fechar ali o campeonato nos 90 minutos, como os adeptos que se deslocaram até Penafiel mereciam. Contudo, ainda antes de voltar ao balneário no fim do jogo recebemos a informação que estava tudo em aberto para carimbarmos a subida minutos depois. Depois do apito final do jogo de que estávamos dependentes ficou um sentimento de êxtase. Algo inexplicável com praticamente todo o grupo abraçado e a chorar. Lembro também que logo depois fizemos a viagem para Lisboa, que normalmente dura 4 a 5 horas e nesse dia parecia ter sido apenas 30 minutos.

fpA tua segunda época no Belenenses foi mais tremida em termos coletivos. O clube só conseguiu na última jornada obter o seu objetivo (manutenção na primeira divisão). A situação esteve bastante negra durante grande parte da época. Como achas que conseguiram dar volta a esta situação?

J.M. Infelizmente na época seguinte tivemos bastantes problemas, mas sem dúvida alguma que depois de termos perdido o nosso líder, em quem tanto confiávamos, tudo ficou mais complicado. Falo do ‘mister’ Van der Gaag. Não começámos bem, mas tinha a certeza absoluta que iríamos conseguir chegar ao objetivo final, a manutenção na primeira liga.

fpComo defines a massa adepta do Clube de Futebol “Os Belenenses”?

J.M. É uma massa adepta bastante especial. Apaixonada por natureza e que vive ainda um pouco com os êxitos do passado. Sinto que estão um pouco desacreditados, mas é do tipo de massa que quando se precisa dizem presente e empurram a equipa para a vitória. Tive 3 anos maravilhosos e consegui sentir o que isso é.

fpNa tua última época de Belenenses consegues uma ida à Europa, na última jornada, em que o Belenenses não dependia só de si. Qual foi a chave do sucesso? Nunca deixar de acreditar?

J.M. Nesse jogo tinha perfeita consciência que tínhamos de ganhar para conseguir o apuramento. Tentámos que não houvessem informações para que não desse espaço para distrações, mas isso foi impossível e quando soubemos que havia grande possibilidade de nos apurarmos, houve uma crença ainda maior.

Foto: Jornal “Record”

fpPassas três anos no Belenenses. No final do contrato não aceitas a renovação que te apresentaram. És sondado por vários clubes, entre os quais o Sporting Gijon, que só não te contrata devido às regras apertadas do Fair Play financeiro. Devido a esse percalço ficas cerca de 8 meses sem competir, embora treinasses com a equipa do Belenenses, até à saída de Sá Pinto. Como foi esse período?

J.M. Foi naturalmente um período em que desacreditei muito nas pessoas do futebol que me rodeavam. Nunca esperei que isso me pudesse acontecer e quando dei por mim estava sem clube e a treinar sozinho com chuva, na estrada, e a pensar para mim mesmo o que fazia ali naquele momento, quando poderia estar a descansar depois de um treino. Mais uma vez entrou em campo a minha família que são extraordinários e sempre me ajudaram a superar os lamentos diários. Tenho uma mulher fantástica que só tenho que agradecer tudo o que fez e faz por mim. Entretanto fui convidado pelo ‘mister’ Sá Pinto para voltar a treinar com o plantel. Foi uma sensação indescritível, parecendo mesmo que estivesse a jogar a bola pela primeira vez. Mais uma pessoa que nunca me vou esquecer, mesmo não me conhecendo!

fpSurgiram-te, na altura, fantasmas do passado?

J.M. Neste caso, já não estava tanto de consciência tranquila porque acabei mesmo por confiar em pessoas que não mereciam. Acabei por ficar na situação que fiquei por culpa própria.

fpChega então o convite do Chicago Fire. Como foi trocar a primeira liga portuguesa pela MLS?

J.M. Era uma liga onde eu gostaria de jogar no futuro. Quando surgiu o interesse fiquei agradado e logo consegui ingressar numa das ligas mais atrativas do momento.

fpQue principais diferenças existem entre as duas ligas?

J.M. Há bastantes diferenças. Qualidade/Competitividade, paixão, condições de treino, data de pagamento dos salários, seriedade, etc. Umas melhores em Portugal, outras piores.

fpHabituaste-te depressa ao estilo de vida norte-americano? Quais as principais diferenças com o estilo de vida português?

J.M. Penso que entendi rapidamente o estilo de vida americano mas custou-me um pouco a adaptar. Não é fácil quando vivemos num país imensamente apaixonado por futebol e chegamos a outro em que o “Soccer” não é de todo o desporto rei. O Americano está sempre ou quase sempre bem disposto enquanto o Português quando está bem disposto é motivo para festejar algo. Realidades completamente diferentes.

fpComo é a cidade de Chicago? Nunca dorme, como Nova Iorque?

J.M. Costumo dizer que Chicago talvez seja a melhor cidade nos EUA para se viver. Classifico-a como uma pequena Nova Iorque mas com praia. No Inverno bastante fria, mas chegando a Abril e até meados de Novembro, o tempo é espetacular. O único problema é mesmo o vento que por vezes se faz sentir.

Foto: Jornal “Record”

fpO custo de vida é muito mais elevado do que em Portugal ?

J.M. Bastante mais elevado. Não temos ideia como se gasta facilmente o dinheiro aqui.

fpQuais as principais diferenças entre o adepto português e o adepto norte-americano?

J.M. O adepto português sendo latino, é um adepto fervoroso e apaixonado, que faz de tudo para ver o seu clube ganhar. Por outro lado o adepto Americano vai mais ao estádio para se divertir. Por vezes nem conhecem os jogadores.

fpJá te cruzaste com grandes estrelas da NBA?

J.M. Sim. Já tive a felicidade de conhecer alguns jogadores da NBA.

fpComo é ser futebolista num país em que o “soccer” não é rei?

J.M. Basicamente é viver sem pressão. Como já disse, na maioria das vezes andamos na rua e ninguém nos conhece. Cheguei a ter situações em que colegas preferiam ver um jogo de Futebol Americano a um jogo grande de Liga Espanhola ou Inglesa.

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fpDo que tens mais saudades de quando vivias e jogavas em Portugal?

J.M. Sem dúvida alguma das exigências e da pressão do jogo a que éramos expostos durante a semana. A comunicação social que todos os dias falava um pouco da equipa e claro, do dia de jogo. Ouvir os adeptos e as claques durante o jogo.

fpPensas em regressar a Portugal?

J.M. Sim, penso em regressar, mas não para já.

fpExiste alguma liga onde sonhes vir a jogar?

J.M. Liga Italiana é a minha preferência e depois a Espanhola e Inglesa por ser quase obrigatório.

fpQuais os objetivos dos Chicago Fire para esta época?

J.M. Este ano, sem dúvida que queremos fazer melhor que o ano passado. Temos melhor equipa e pelo que tenho sentido penso que podemos fazer algo interessante este ano. Esperamos atingir os Playoffs.

Foto: Jornal “Ogol”

fpQuais são os teus objetivos pessoais para esta época ?

J.M. Pessoalmente desejo jogar o maior número de jogos possível e com saúde. Tentar fazer um pouco mais e melhor este ano para que seja uma referência no futuro.

fpA época passada foste o jogador com maior percentagem de desarmes na Major Soccer League, com 89,4%, segundo a “Opta”. O que achas que contribuiu para o teu grande sucesso logo na época de estreia na MLS?

J.M. Apesar da época ter corrido menos bem coletivamente, pessoalmente foi bom e mereci essa distinção. Quem me conhece sabe o tipo de pessoa/profissional que sou e tento dar o melhor de mim em tudo em que estou relacionado. Sem esperar, felizmente consegui com que os meus objetivos pessoais fossem atingidos.

fpPara terminarmos, uma última pergunta: embora ainda tenhas muitos anos pela frente, quais são as tuas intenções, em termos profissionais, depois de acabares a tua carreira?

J.M. Na verdade já começo a pensar um pouco no meu futuro. Gostaria de ficar relacionado com o futebol, talvez como dirigente ou na parte do agenciamento, mas continuo bastante focado na minha carreira.

fpMuito obrigado João. A equipa do Fair Play deseja que atinjas os teus objetivos pessoais e coletivos!

J.M. Obrigado Fair Play pelo convite, continuação de bom trabalho e muito sucesso!

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Francisco CabritaMarço 6, 201710min1

Patrick Morais de Carvalho fez três grandes promessas, quando assumiu o cargo de Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses”, em 2014: o regresso às Salésias, duplicação do número de sócios e um título nas modalidades. A esta acrescenta-se uma posterior: a recompra da SAD. E esse é o seu maior desafio.

Como tudo começou

Patrick Morais de Carvalho, advogado de profissão, anunciou a sua candidatura a presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses” no dia 24 de Julho de 2014, na altura prometia, nas palavras do próprio, “entregar aos sócios um clube maior, mais vivido e mais participado”.

Em 2011, Patrick Morais de Carvalho já tinha pertencido à lista de João Barbosa como candidato para a mesa da assembleia geral.

Em Outubro de 2014, votaram 1.470 sócios do Belenenses, cujos votos deram a Patrick Morais de Carvalho uma vitória por 52,4% sobre o antigo presidente, António Soares.

Patrick Morais de Carvalho traçou, na altura, como três grandes objetivos fazer o Belenenses regressar às Salésias, duplicar o número de sócios e ganhar um título para o clube.

O caminho traçado para duplicar o número de sócios

Para realizar o objetivo de duplicar o número de sócios, a direção do Clube de Futebol “Os Belenenses” anunciou o novo cartão de sócio, que vem dentro de uma caixa – a bluebox.

A Bluebox começou a ser comercializada no dia 1 de Setembro de 2015 e inclui informação comercial dos parceiros do Clube com todas as vantagens protocoladas, cartão Repsol, o novo cartão de sócio e um Cachecol. Tem um custo de 10€ para sócios, de 20€ para antigos sócios que solicitem a sua readmissão (com duas quotas incluídas) e de 30€ para novos sócios (com três quotas incluídas). Nos dois últimos casos, aplica-se um desconto de 50% para estudantes e reformados. Todos os associados do clube poderão optar pelo pagamento através de débito direto.

Com o lançamento da bluebox, a Direção aproveitou a ocasião para proceder à renumeração de sócios , que não era feita há mais de 20 anos. Na altura, Patrick Morais de Carvalho disse , justificando a recontagem do número de sócios, que “em termos de marketing, um dos principais argumentos que faz com que os sócios não deixem de pagar as suas quotas é manter a sua antiguidade, vendo o seu número de sócio descer, pelo que se decidiu que pela oportunidade e pela estratégia de marketing que uma ação destas incorpora, era este o momento de atuar nesta área”.

A atual direção do Clube de Futebol “Os Belenenses” chegou ao Clube com 2700 sócios contribuintes, querendo aumentar, pelo menos para o dobro, até ao final do seu mandato.

Se irá conseguir, ou não, atingir esses valores, ninguém sabe. Ter-se-á de esperar até outubro de 2017, data de fim de mandato, mas, seguramente, ninguém pode tirar o mérito a esta direção de ter lançado um novo e revolucionário cartão de sócio, mais virado para o século XXI e o primeiro no Clube a utilizar tecnologia RFID – Identificação por Rádio Frequência.

Entre outras iniciativas para aproximar os adeptos do clube destaca-se a criação, a par da bluebox, do cartão das modalidades, uma espécie de passe de época para as quatro modalidades desportivas realizadas no pavilhão Acácio Rosa (andebol, basquetebol,voleibol e futsal). Este cartão veio contribuir muito para as bancadas bem compostas que se têm visto, este ano, no pavilhão.

Foto: Jornal “Abola”.

O regresso às Salésias

Para compreender a importância das Salésias para o Clube de Futebol “Os Belenenses” é importante recuar ao passado, a um dos capítulos mais tristes da história do clube.

O Campo das Salésias foi inaugurado no dia 29 de Janeiro de 1928. Ao longo de muitos anos reconhecido como o melhor estádio de Portugal, com uma lotação que ultrapassava as 20.000 pessoas. Foi o primeiro recinto desportivo português a dispor de bancada coberta e também, a partir de 1937, o primeiro a proporcionar um campo relvado. Era lá que a Seleção Nacional disputava os seus compromissos internacionais, que ali se mantiveram até à inauguração do Estádio Nacional em 1944, tendo o recinto recebido igualmente o 1º jogo internacional de Andebol realizado em Portugal.

Em 1956, o Clube de Futebol “Os Belenenses” foi forçado pelos poderes públicos a abandonar aquele espaço para o qual alegadamente existiam grandes projetos, tendo sido a partir daí votado ao mais profundo abandono.

Há quem diga que o Clube de Futebol “Os Belenenses” nunca mais foi o mesmo.

A 26 de Maio de 2016 o Clube de Futebol “Os Belenenses” regressou às Salésias. Para o grande objetivo ser possível, o parceiro escolhido foi a EDP e, depois de um investimento ligeiramente acima dos 200 mil euros, o sonho transformou-se em realidade.

Possibilitar o regresso às Salésias a um adepto azul é como pagar uma viagem a Jerusalém a um católico praticante, é voltar a um lugar sagrado, onde as histórias contadas pelos mais velhos ganham vida.

Foto: C.M.L.

Dar um título ao Clube

Em termos desportivos, como é conhecimento público, a gestão do futebol profissional do clube azul está entregue à SAD, mas as camadas jovens são responsabilidade do Clube. 

No escalão visto como mais importante no futebol de formação, os Juniores A, o Clube de Futebol “Os Belenenses” encontra-se na fase de apuramento de campeão como segundo classificado em igualdade pontual com o primeiro classificado, o Sporting CP, contabilizando, ambas as equipas, 3 vitórias e 1 empate nesta fase da prova.

Em futsal feminino, o Clube de Futebol “Os Belenenses” segue imparável, contabilizando em 13 jogos… 13 vitórias. Tudo indica que a subida de divisão é um sonho tornado realidade.

Em futsal masculino, está-se a assistir ao ressurgimento do grande Clube de Futebol “Os Belenenses” de outrora, depois de campeonatos tremidos, onde a descida de divisão pairava, eis que a equipa segue em quarto lugar no campeonato, tendo assinado lugar na já disputada final da taça da liga.

Em voleibol feminino o clube segue em quinto lugar, em rugby em sexto.

No cômputo geral das principais modalidades, o panorama é bastante animador. Patrick Morais de Carvalho conseguiu, outra vez, incutir a mentalidade ganhadora dos rapazes da praia que abandonara o clube.

E não é loucura nenhuma afirmar que, no escalão de Juniores A de futebol, o título é uma realidade bem presente. 

Foto: Site Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Um novo objetivo: A recompra da SAD

A direção do Belenenses anunciou publicamente, a 22 de Julho de 2016, ter apresentado um requerimento para a criação de um tribunal arbitral para ver restituído e reconhecido o direito do clube em exercer a recompra da SAD, que tem a gestão do futebol profissional.

“No dia 18 de junho de 2016, fizemos um requerimento no Tribunal do Comércio de Lisboa, para que seja constituído um tribunal arbitral, para ver restituída e reconhecida a opção de compra da SAD e a fixação do preço“, afirmou o presidente Patrick Morais de Carvalho, reforçando, desta forma, o que já tinha antecipado em abril de 2016.

O líder do clube do Restelo, criticou a resolução unilateral do acordo parassocial por parte da Codecity Sports Management, de Rui Pedro Soares, considerando que se tratou de um ato “ilegal, com o objetivo de impedir o clube de acionar a opção de compra“.

“A opção de compra era condição essencial para assinar o contrato de compra e venda entre clube e Codecity [em 2012]. Não temos dúvidas de que a razão está do nosso lado. O próximo campeonato será o último em que este acionista estará à frente do nosso futebol profissional“, referiu.

À data, Patrick Morais de Carvalho referiu ainda que a SAD devia 45 meses de pagamento de eletricidade, água e gás ao Clube.

Recuperar a gestão do Futebol profissional do Clube de Futebol “Os Belenenses” é o grande desafio de Patrick Morais de Carvalho, que prometeu fazê-lo entre outubro de 2017 e Janeiro de 2018.

Recuperar a SAD mais do que uma imposição feita por grande parte dos sócios é , sem dúvida , recuperar o próprio clube, dando um grande sinal de vitalidade.

Foto: Jornal “A Bola”

Patrick Morais de Carvalho prometeu o regresso às Salésias: cumpriu; prometeu um kit de sócio mais virado para o século XXI: cumpriu; prometeu um título nas modalidades, mais cedo ou mais tarde, acabará por cumprir a promessa; quanto à recompra da SAD? Temos de esperar por outubro de 2017, mas o compromisso de Patrick Morais de Carvalho com a promessa cumprida faz-nos antever um desfecho bonito para o clube.

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Francisco CabritaFevereiro 27, 201711min0

C.F. “Os Belenenses” é sinónimo de futebol, mas não só. O clube lisboeta, um dos grandes de Portugal, tem tradição noutras modalidades. Destaca-se aqui, sem dúvida, pelos seus troféus e pela sua importância histórica, o rugby. Mas não podemos deixar de falar do futsal, uma modalidade que no panorama nacional está em franco crescimento. 

É importante assinalar que este desporto tem tido uma evolução constante, visto que em Portugal só em 1985 se deram os primeiros passos com as provas distritais de futebol de salão.

Em 1986 constituiu-se a FPFS – Federação Portuguesa de Futebol Salão que regulava as Provas Nacionais e em 1991 dá-se a fundação da Federação Portuguesa de Futsal que por sua vez se integra em 1997 na Federação Portuguesa de Futebol com o propósito de supervisionar e regular o Futsal interno e de seleções nacionais.

O futsal do C.F. “Os Belenenses” quando foi criado, em 2003, beneficiou muito da conjuntura social e desportiva da altura: o euro-2004 serviu como publicidade ao desporto em geral e, acompanhando esta linha, o futsal na primeira metade do século XXI teve o seu grande boom, afirmando-se como o segundo desporto nacional, atrás do Futebol.

Foto: Arquivo do C.F.”Os Belenenses”

A criação da equipa de futsal do Clube de Futebol “Os Belenenses” 

A secção de futsal do Clube de Futebol “Os Belenenses” é criada em 2003, quando o clube adquire os direitos desportivos do Chelas.

Logo na sua criação, a secção já nasceu grande: o objectivo era, começando na III divisão nacional, conseguir atingir a I divisão em duas épocas.

As expectativas para as épocas que se seguiam eram altas, a fasquia elevada e o medo de desiludir os associados era enorme, mas o C.F.”Os Belenenses” não fraquejou e conseguiu o que muitos duvidavam: dois títulos de campeão nacional em dois anos, um da III divisão nacional e outro da II divisão nacional. Resultado? Subida à primeira divisão dentro do prazo estipulado, o que parecia, à vista de (quase) todos, impossível.

Por esta ascensão meteórica, os adeptos chamavam os seus jogadores de “conquistadores”.

A modalidade foi bem aceite por parte da massa associativa azul, que via no futsal o sucesso que o futebol profissional não conseguia ter, na altura. O pavilhão Acácio Rosa, um pavilhão mítico, enchia de 15 em 15 dias, em que as equipas adversárias sentem muitas dificuldades, muito por culpa da pressão dos adeptos azuis que é possibilitada pela proximidade das bancadas ao recinto de jogo.

É de salientar que nas épocas de ouro do futsal azul, o Pavilhão Acácio Rosa era o pavilhão que tinha melhor média de assistências da primeira liga de futsal, por época: 10 000 adeptos.

A era de ouro do futsal azul

O futsal do C.F.”Os Belenenses” conheceu a sua era de ouro assim que se instala na primeira divisão: conseguiu sempre o apuramento para o grupo que discute o título (play-off), tendo chegado à final do Campeonato por 2 vezes, sagrando-se Vice-Campeã em 2007/08 e 2008/09.

Não é loucura dizer que, durante o referido período, as duas grandes potências do futsal nacional eram o C.F.”Os Belenenses” e o S.L.”Benfica”, e o que diferenciava uma e outra era, sem dúvida alguma, uma ter Ricardinho e a outra não.

Ricardinho foi o grande desequilibrador nos derbys disputados entre as duas equipas.

O facto de o C.F.”Os Belenenses” não ter ganho nenhum Campeonato Nacional de Futsal muito se fica a dever a Ricardinho, que nos momentos chave, em que o título parecia pender para o lado azul, tirava sempre um coelho da cartola.

O C.F.”Os Belenenses” tinha, nesta era, uma equipa de sonho: Marcão, Caio Japa, Marcelinho, Jardel, Paulinho, Pedro Cary, Drula, Diego Sol, entre outras estrelas, lideradas pelo então treinador Alípio Matos. É importante salientar que grande parte destes jogadores continua a brilhar, atualmente no S.L.Benfica e no Sporting C.P.

O auge do futsal azul

O auge, o ponto mais alto, do futsal azul deu-se a 8 de Maio de 2010, na final da taça de Portugal, frente ao S.L.Benfica.

A equipa do quase, como os jornalistas na altura gostavam de apelidar, podia, finalmente, vencer um título.

Pairava para os lados do Restelo um certo pessimismo e não era para menos: na semana anterior à final da taça de Portugal, a um minuto do fim da última jornada da 1ª Fase do Campeonato Nacional, a equipa tinha perdido o 1º lugar, que detivera durante quase toda a prova. Foi em Pombal, frente ao Instituto D. João V. Mesmo com este percalço, ninguém podia negar o brilhantismo de uma carreira em que o clube registou 20 vitórias, 5 empates e apenas 1 derrota; mas tratou-se de um golpe duro, ao deixar essa posição privilegiada para, na 2ª fase, atacar um título que, ano após ano, perseguia.

A final da taça de Portugal teve lugar no Entroncamento, o pavilhão estava esgotado, a quantidade de adeptos azuis e encarnados dava empate técnico.

O jogo foi equilibrado e intenso, como todos os confrontos anteriores entre os dois emblemas fazia prever. Foi, no entanto, o S.L.Benfica o primeiro a marcar, chegando ao intervalo a ganhar por 1-0. 

No segundo tempo o C.F.”Os Belenenses” consegue empatar e levar o jogo para prolongamento .

E é aqui, no prolongamento, que surge aquela estrelinha, que tinha faltado em tantos momentos decisivos: a cinco segundos do fim do prolongamento o C.F.”Os Belenenses” num contra ataque muito rápido de Marcelinho marca o golo da vitória, levando à loucura os adeptos azuis presentes.

Foi o coroar de várias épocas em que o sucesso esteve à distância de uma estrelinha.

A partir daqui a queda foi grande e a pique.

Foto: Twitter Os Belenenses

A queda tão rápida como a sua ascensão

O C.F.”Os Belenenses” chegou ao céu em duas temporadas, subiu da III divisão para a I divisão, mas a sua queda ao inferno foi igualmente rápida: em 2012, dois anos depois de conquistar a Taça de Portugal, desce de divisão. 

O Clube, quando a equipa desce de divisão, assina um protocolo com o Núcleo de Amigos do Futsal (NAF), que se legalizou como entidade jurídica e autónoma e que à qual foi concedida a responsabilidade e autonomia nos direitos de administração e gestão nas áreas administrativa, financeira e desportiva da sua equipa sénior de futsal, ficando o Clube com a responsabilidade de proporcionar a utilização das instalações e custos inerentes à respectiva utilização. 

O principal objectivo do NAF era, sem dúvida, o regresso do Clube à primeira divisão.

A secção de futsal do C.F.”Os Belenenses” passava uma crise financeira profunda, onde as dívidas se acumulavam. A solução do NAF foi simples, mas inédita em Portugal: arranjar um main sponsor. Nesta óptica, assinou-se um protocolo com a empresa Expressglass, imprescindível para assegurar a necessária auto-suficiência e sustentabilidade económica.

A primeira época de II Divisão foi tremida, mas o Clube volta ao convívio entre os grandes no ano de 2013.

A (re)conquista da primeira divisão 

A segunda passagem do C.F.”Os Belenenses” pela primeira divisão, que começou em 2013, não começou mal. Em três anos o clube conseguiu ir a dois playoffs, embora eliminado logo na primeira fase de disputa de campeão.

Para fortalecer economicamente a secção, o NAF celebra com a empresa ElPozo, um acordo em que a referida empresa passa a ser “Main Sponsor and Naming Rights” do Clube de Futebol ” Os Belenenses”.

A melhor época

A melhor época desta fase de renascimento do C.F.”Os Belenenses” dá-se na presente temporada, onde a equipa se encontra em terceiro lugar. 

A equipa foi a semana passada à final da taça da liga de futsal e ainda se encontra em prova na taça de Portugal, onde vai defrontar o Sporting C.P. 

As expectativas são altas e este sucesso vem na base do que tem sido o mandato do Presidente Patrick Morais de Carvalho, onde as modalidades têm tido bastante sucesso.

Foto: Jornal “Abola”.

Toda a história do futsal do Clube de Futebol “Os Belenenses” centra-se num princípio basilar: com paixão, dedicação e amor a uma causa consegue-se tudo. O NAF, acreditando no valor do futsal dos azuis do Restelo, ano após ano e com bastante esforço, tem conseguido garantir a estabilidade financeira da secção de futebol e aos poucos e poucos o Clube de Futebol “Os Belenenses” começa a ganhar outra vez, progressivamente, o protagonismo de outrora.

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Francisco CabritaJaneiro 9, 20173min0

Paul-Georges Ntep oficial no Wolfsburg; Ilori ruma a Inglaterra, para alinhar pelo Reading; André Silva dado como quase certo no Real Madrid; Petit, treinador que salvou heroicamente o Tondela da descida de divisão o ano passado, pede a demissão depois de mais uma derrota na primeira Liga portuguesa.

OFICIAL

  • Ntep, ex-Rennes, assina pelo Wolfsburg, por 5M€ com um contrato de 3 anos de duração. fp: São apenas três os pontos que separam o Wolfsburgo da linha de água, motivo suficiente para os Lobos realizarem uma mini-revolução no plantel. Para ajudar a colmatar a saída de Draxler, entra agora Ntep. Vindo do Rennes, o extremo de 25 anos já mostrou lampejos de qualidade na Ligue 1, embora seja um pouco inconsistente. Procura relançar-se na Alemanha e ajudar o Wolfsburgo a fugir à zona vermelha;
  • Ilori, antigo jogador do Sporting Clube de Portugal e internacional jovem português, troca o Liverpool pelo Reading;
  • Nemanja Maksimovic, campeão sérvio sub-20, assina um contrato válido por cinco temporadas pelo Valência;
  • Aldo Kalulu emprestado pelo Lyon ao Rennes até ao final da época;
  • Pablo Hernandez emprestado ao Leeds;
  • Palermo fecha contratação de Stefan Silva, 26 anos, avançado sueco;
  • Benfica transfere Diego Lopes para a Grécia, em específico para o Panetolikos. O empréstimo termina em 2018, com os gregos a possuírem opção de compra no final dessa temporada;
  • Carl Medjani , internacional argelino , é dispensado pelo Léganes;
  • Middlesbrough arruma a casa e cede, até ao final da temporada, David Nugent ao Derby County da Championship. O avançado de 31 anos tem poderá no final da temporada seguir para outro clube;
  • Novo reforço para o Schalke 04, com a chegada de Guido Burgstaller do Nurembrega;

RUMOR

  • André Silva dado quase como certo no Real Madrid. Pelo que consta o negócio pode estar por horas. A ser verdade , mais um grande passo, em tão pouco tempo, na carreira do jovem internacional português (AS);
  • Petit pode estar de saída do Tondela, depois de pedir à direção do clube a sua demissão (Ojogo);
  • Jesé Rodriguez pode estar de saída do PSG e a caminho do Valência (L’Equipe);
  • Rakitic está muito perto do Manchester City. É quase certo que o croata troque Espanha por Inglaterra, dando um novo rumo à sua carreira (Mundo Deportivo);
  • Álvaro Pereira, ex- FC Porto, oferece-se nas redes sociais ao Corinthians (Fichajes);
  • Javi Martinez, actual jogador do Bayern Munique, é oferecido ao Real Madrid (Der Bild);
  • Calleri muito perto de sair de Inglaterra, do West Ham, e retornar ao São Paulo, do Brasil (ESPN);
  • Cristiano Figueiredo está a negociar o regresso a Portugal, mais concretamente para assinar pelo C.F. “Os Belenenses “, apresentando-se como o substituto de Joel Pereira, resgatado pelo Manchester United (A Bola);
  • Morgan Schneiderlin já tem tudo acertado com o Everton, de acordo com a imprensa inglesa (Daily Mail);
  • Possível regresso de Drogba ao Marselha por uma temporada (L’Equipe);
  • Feghouli não terá vida facilitada pelo West Ham, já que uma suposta proposta da Roma foi vetada (Tutto Mercato);
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Francisco CabritaDezembro 16, 201621min0

Diogo Domingos, um dos jogadores nucleares e com maior amor à camisola da equipa de andebol do Clube de Futebol “Os Belenenses” contou-nos as suas experiências , ideias e opiniões em relação ao Andebol em Portugal. Entre galões e pastéis, no frenesim habitual de entrada e saída de turistas, encontrámos-nos com o Diogo, num dos sítios emblemáticos da cidade de Lisboa, nos “Pasteis de Belém” – onde mais poderia ser? Uma entrevista do Fair Play.

fp: Diogo Domingos, como começou este teu percurso no Andebol? Quando percebeste que querias ser profissional da modalidade?

DD: O meu percurso no Andebol começou aos sete anos de idade, através do pai de um amigo meu que me incentivou a experimentar a modalidade. 
Na altura, entrei para a equipa de minis e comecei assim a minha formação no Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Até chegar ao último ano de Juvenis não tinha a expectativa de me poder tornar profissional de Andebol, embora sonhasse, claro, com isso.
O que me fez mudar de opinião e perceber que, de facto, tinha qualidade e capacidade para poder chegar ao Andebol sénior foi o meu treinador nos juvenis, João Florêncio Junior, que curiosamente, é agora o nosso treinador nos seniores, que me fez evoluir muito, inclusive, nesse ano fui treinar com a equipa principal do Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Nesse momento percebi que os horizontes se podiam alargar e poderia tornar-me profissional da modalidade.

fp: Ao mesmo tempo estudaste na área de hotelaria?

DD: Sim, ao mesmo tempo, estudei. Após o ensino secundário tirei um curso, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, que funcionou basicamente, como o ano zero da faculdade e que me deu a carteira profissional de Director de Restauração e Bebidas.
Após esse curso andei um ano e meio na faculdade, sempre na área da hotelaria, faltando-me poucas cadeiras para terminar a licenciatura, que congelei entretanto, pois comecei há pouco tempo um projecto de restauração e conciliá-lo com o andebol e faculdade tornou-se insustentável. Mas tenho como objectivo acabar essa licenciatura.

fp: É fácil ser-se jogador de Andebol, num país em que o futebol é rei ? Consegue-se viver só do Andebol?

DD: Não é fácil. É muito complicado, porque o Andebol não tem a mesma visibilidade do Futebol. Por exemplo, o Andebol já foi a 2ª modalidade do país e agora está a ser ultrapassado pelo Hóquei em patins, pelo Basquetebol, pelo Futsal.
Actualmente, o Andebol não tem pujança nenhuma a nível televisivo, o que faz com que a modalidade fique cada vez mais retrógrada.
No Andebol, em Portugal, consegue-se viver da modalidade se se jogar nas três principais equipas do campeonato. Caso contrário é impossível.

Diogo Domingos sentado no banco onde foi fundado o Clube de Futebol “Os Belenenses”

fp: Tu sais da formação do Clube de Futebol “Os Belenenses” e vais para os juniores do Sporting Clube de Portugal e já em sénior jogas na equipa principal dos verde e brancos durante um ano e meio, a seguir és emprestado ao Boa Hora em Janeiro de 2016, e em Julho de 2016 és emprestado ao Clube de Futebol “Os Belenenses”. É difícil para um jogador andar sucessivamente de empréstimos em empréstimos?

DD: Para mim é fácil. Depende da perspectiva de cada um. Para mim é muito bom ser emprestado, quando sabemos que não há outra solução, porque consigo jogar e evoluir mais. Na minha opinião, é melhor estar emprestado do que ficar estagnado num clube em que, à partida , sabes que vais ter poucos minutos de jogo.
Os dirigentes, incluindo o treinador,  do Sporting Clube de Portugal foram sempre muito frontais e sinceros comigo e chegámos à conclusão que o melhor para mim, para evoluir como atleta, seria ser emprestado para ter mais minutos de jogo.
O meu primeiro empréstimo foi ao Boa-Hora, em Janeiro de 2016, onde fui muito feliz, pois conseguimos a subida de divisão e fomos também campeões nacionais da segunda divisão.
Actualmente, estou emprestado ao Clube de Futebol “Os Belenenses”, que para mim é duplamente bom: se por um lado é bom porque tenho a possibilidade de ter mais tempo de jogo, por outro é óptimo regressar a uma casa que conheço bem e ao clube do meu coração, como nunca escondi de ninguém.

fp: Todos sabemos como é a rivalidade entre S.L. Benfica, Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto.
Quando jogavas no Sporting, como era o ambiente no pavilhão e dentro da cabine, antes desses clássicos?

DD: Esses jogos têm, claro, uma mística especial. Primeiro são jogos que toda a gente gosta e anseia jogar e à volta deles há uma magia tremenda, há mais pessoas no pavilhão, é bastante diferente, só quem lá está é que percebe o que realmente digo. Há uma ansiedade enorme por parte dos jogadores, sabemos que são sempre jogos mais difíceis e que toda a gente quer ganhar.

fp: Fala-se muito do Pavilhão João Rocha, tendo sido uma das bandeiras eleitorais da presidência de Bruno de Carvalho, que está a ser construído para ser o forte das modalidades. Sentiste, em algum momento, quando jogavas no Sporting Clube de Portugal, que vos fazia falta um pavilhão do clube?

DD: Faz muita falta ao Sporting Clube de Portugal um pavilhão. Não é indiferente competir num pavilhão nosso ou competir num pavilhão arrendado. Penso que o Pavilhão João Rocha pode ser o impulsionador para encher a sala de troféus do Sporting Clube de Portugal, porque nós, no meu primeiro ano de seniores, fomos jogar ao Dragão Caixa, na final do campeonato nacional, e sentíamos um ambiente fervoroso, uma pressão enorme sobre a arbitragem e sobre os jogadores das equipas adversárias, coisa que não acontecia no Pavilhão de Odivelas onde, inclusivamente, chegámos a ter jogos , a meio da semana, em que só estavam cerca de 20 a 30 pessoas no pavilhão. Ir jogar a um pavilhão arrendado, longe de Alvalade, é descaracterizar completamente o clube.

fp: Com o Sporting Clube de Portugal vieste jogar ao Pavilhão Acácio Rosa, frente ao Clube em que passaste 13 anos da tua vida. Foi especial?

DD: Eu joguei contra o Clube de Futebol “Os Belenenses”, cerca de 5 a 6 vezes. Foi muito difícil, senti um ambiente diferente, senti que as pessoas do Clube de Futebol “Os Belenenses”, apesar de me falarem, não me olhavam da mesma maneira. De certa forma é compreensível. Mas quando há uma maneira profissional de fazer as coisas, não se pode olhar a clubismos, o que não invalida que me tenha custado imenso marcar um golo ao Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Diogo Domingos , na sua primeira época como sénior, ao serviço do Sporting Clube de Portugal (arquivo pessoal)

fpFoi fácil sair de um clube, Sporting Clube de Portugal , que luta para ser campeão nacional de andebol para outro que , embora a sua rica história no Andebol Português, lutava , na altura , para subir de divisão?

DD: É uma redefinição de objetivos completamente diferente. O Boa-Hora foi uma oportunidade que apareceu, que desde o princípio que começámos as conversações eles demonstraram sempre grande interesse por mim e fizeram-me crer que eu podia ser uma peça importante naquele projeto.
Foi uma época inesquecível, em que fomos campeões. Para o campeonato tivemos apenas uma derrota e na taça caímos nos quartos de final frente ao Futebol Clube do Porto no Dragão Caixa. Foi espetacular a minha passagem pelo Boa-hora.

fpSabemos que quando eras Júnior do Sporting Clube de Portugal, jogavas também os jogos da taça pelos seniores. Ganhaste uma taça pelo Andebol Sénior do Sporting Clube de Portugal. Para ti, qual foi o troféu mais importante? Essa taça ao serviço do Sporting Clube de Portugal ou o título de campeão da segunda divisão, com o Boa-Hora?

DD: Para mim, o título mais importante foi o título de campeão da segunda divisão pelo Boa-Hora. Nessa época em que o Sporting Clube de Portugal ganhou a taça de Portugal, eu ainda era Júnior, sendo convocado somente para os jogos da taça da equipa sénior. Acontece que quando chega à final da taça de Andebol sénior, eu estava a disputar a final do campeonato pelos juniores, não tendo sido convocado para os seniores. Daí dizer que esta conquista pelo Boa-Hora foi mais especial: vi, de certa forma, o meu trabalho e o meu esforço a serem recompensados.

A festejar o titulo de campeão da segunda divisão pelo Boa-hora (arquivo pessoal)

fp: Depois, no teu percurso profissional, segue o Clube de Futebol “Os Belenenses”, como foi regressar ao teu clube do coração, onde passaste tanto tempo da tua vida?

DD: Foi fácil regressar ao Clube de Futebol “Os Belenenses”, é uma casa que conheço muito bem, onde já estou muito habituado às pessoas, foi muito mais difícil a minha saída que este meu regresso.
Tive uma adaptação muito rápida justamente por já ter uma grande cultura de clube e, mais que isso, uma grande cultura de sócio.

fp: Sentes que o pavilhão Acácio Rosa é a tua segunda casa?

DD: Não, sinto que a minha primeira casa é o pavilhão Acácio Rosa. E a segunda? o Estádio do Restelo!
O pavilhão Acácio Rosa é um lugar mítico, tive colegas meus tanto no Sporting Clube de Portugal como no Boa-Hora, que me diziam que é sempre uma grande dificuldade vir jogar ao Restelo, pelo ambiente dentro do pavilhão e pela pressão que os adeptos fazem sobre a equipa visitante.
Uma das maiores desilusões que tenho é saber que o pavilhão brevemente será destruído e reconstruído no novo projecto de requalificação do Restelo. Perder-se-á uma parte da história do Clube de Futebol “Os Belenenses”.

fp: Como vês o estado do Andebol em Portugal?

DD: O Andebol está um bocado apagado no panorama desportivo português o que reflecte o estado da nossa selecção nacional, que não consegue, anos após anos, qualificar-se para os Mundiais e Europeus da modalidade .
Este “apagão” do andebol dá-se também por haver poucas transmissões televisivas, não há uma televisão pública que transmita os jogos e os patrocinadores são cada vez menos. Tudo isso faz muita falta para a divulgação da modalidade, da marca Andebol e, em última instância, dos próprios clubes.

fpEm termos desportivos, quais têm sido as tuas metas traçadas? 

DD: A minha primeira grande ambição, o meu maior objectivo, foi chegar a sénior. Posteriormente, era e é ser campeão nacional, que me escapou na “negra” no Dragão Caixa, frente ao Futebol Clube do Porto, no meu primeiro ano de seniores no Sporting Clube de Portugal, um dos dias mais tristes da minha vida.

fp: Objectivos do andebol do Belenenses para a presente época desportiva?

DD: Este ano, os objectivos do Andebol do Clube de Futebol “Os Belenenses “, são a permanência na primeira divisão, visto termos uma equipa bastante jovem, com pouca experiência de grandes competições e uma média de idades entre os 21 e os 22 anos. Temos um dos orçamentos mais baixos da primeira liga de Andebol, que vale o que vale, mas vale sempre alguma coisa.
A verdade é que a maior parte de nós estuda e tem os seus empregos. Seria bom chegar aos 6 primeiros, para ter acesso ao playoff, mas está cada vez mais difícil, mas vamos, mesmo assim, lutar por isso.

fp: Nunca pensaste em ir jogar para o estrangeiro?

DD: Já, já pensei ir jogar para o estrangeiro, nomeadamente para Espanha. Mas neste momento, estou muito bem aqui em Portugal, até porque além do Andebol, tenho aqui alguns negócios, nomeadamente um restaurante em Belém, “Sabores de Belém “.

fp: Como vês o atual estado do CF “Os Belenenses”, nomeadamente a questão do diferendo SAD – Clube?

DD: Sinto uma grande mágoa . Eu acima de tudo sou do Clube de Futebol “Os Belenenses” . E é uma grande tristeza, porque nós, há três ou quatro anos, tivemos uma direção incompetente que não conseguiu aguentar a gestão do futebol profissional do Clube de Futebol “Os Belenenses” e tivemos de vender a nossa maioria na SAD do Clube de Futebol ” Os Belenenses”. O que é certo é que as pessoas responsáveis pela SAD, particularmente Rui Pedro Soares, têm feito um trabalho a nível financeiro de estruturação e recuperação que se tem de dar o devido valor, porque eu vi um Clube de Futebol ” Os Belenenses” no passado , com dificuldades em se manter na primeira divisão, com dificuldades em pagar aos seus atletas e credores e o que é facto é que hoje em dia, eu vejo um Clube de Futebol “Os Belenenses” diferente e que apesar de tudo, conseguimos voltar a ter uma equipa estável . E o próprio Clube , sem ter o peso do futebol profissional às costas, também se conseguiu reestruturar com esta nova direção, tem as modalidades mais equilibradas , pagando a  horas a credores e atletas . Na minha opinião, é pena não haver uma boa relação entre o clube e a SAD, perdemos todos.

fp: Acompanhas com regularidade o Futebol do Clube de Futebol ” Os Belenenses “?

DD: Claro que sim, infelizmente não consigo ir a mais jogos fora, porque também tenho os jogos do andebol, mas tento não perder nenhum jogo e sei sempre o que se passa a nível de resultados. Sempre que posso, vou ao estádio. Ainda agora há pouco tempo fui ao Estoril , com um grupo de amigos, ver o jogo . Estou sempre atento a tudo o que se passa no Clube de Futebol “Os Belenenses”.

fp: Como analisas a prestação do Belenenses na presente época , em Futebol ?

DD: O Clube de Futebol “Os Belenenses ” está a fazer uma época tranquila, apesar da mudança de treinador. O treinador adaptou-se bastante bem, a equipa está a praticar um futebol tranquilo e seguro. Defensivamente , está a léguas , para a positiva , da prestação do ano passado. Estão a dignificar o emblema da Cruz de Cristo .

Em Julho de 2016 volta , por empréstimo, ao clube do seu coração, o Clube de Futebol “Os Belenenses”,(arquivo pessoal)

fp: Sei que também enveredaste pelo ramo da hotelaria, tens um restaurante em Belém, “Sabores de Belém”. Fala-me desse projeto.

DD: O” Sabores de Belém” começou há cerca de dois anos, é um espaço em Belém , que nasceu com uma ideia minha, depois de ter constatado uma falha de mercado na zona e então decidi apostar e tem corrido muito bem.

fp: Após terminares a tua carreira no Andebol, vês-te mais a trabalhar como dirigente ou treinador de andebol ou como gerente de hotelaria?

DD: Eu acho que, como ainda frisei há um bocado, o Andebol está cada vez menos para ser profissional. É só olhar para a nossa equipa este ano e constatamos que mesmo os treinadores e dirigentes têm empregos além do Andebol e olham para a modalidade em certa medida como um hobbies. 
Embora ainda falte muito tempo, para acabar a carreira, eu penso que quando chegar esse momento, eu estarei sempre ligado tanto ao andebol como à hotelaria, conciliando as duas áreas, como, basicamente, faço agora.

fp: Que melhor memória tens do Clube de Futebol “Os Belenenses “, como adepto?

DD: Tenho várias. Vem-me logo à memória, a final da taça de Portugal, em 2007, contra o Sporting Clube de Portugal , pois apesar de termos perdido esse jogo esse ano fizemos uma grande época. Lembro-me também das meias-finais da taça contra o Sporting de Braga , nesse ano, em que foi uma loucura , no Restelo, os festejos de ida ao Jamor. Lembro-me das competições europeias no ano seguinte, o jogo em que o Bayern de Munique veio jogar ao nosso estádio. Lembro-me do Andebol do Clube de Futebol “Os Belenenses” ganhar uma taça presidente da República. Mais recentemente, recordo com muita alegria, a ida  à Liga Europa em futebol, em que fizemos uma grande prestação , indo para o último jogo dos grupos, frente à Fiorentina, a discutir olhos nos olhos a passagem à fase a eliminar.

fp: O teu maior sonho?

DD: Tenho um sonho muito grande de ser Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses”.

fp: Objetivos para 2017?

DD: O nosso grande objetivo  para 2017 , e aqui estou a falar pela equipa, pelo Clube de Futebol “Os Belenenses “, é voltarmos das férias, depois das festas, e termos um campeonato mais tranquilo, mais seguro e meter o Clube de Futebol “Os Belenenses ” num lugar mais confortável, sem o sufoco de uma possível descida de divisão.

FP: Muito obrigado Diogo, pela disponibilidade demonstrada e boa sorte para os desafios, tanto no Andebol como na hotelaria,  que tens pela frente. Boas festas!

O Clube de Futebol “Os Belenenses”, obteve, na passada quarta-feira, dia 14 de Dezembro , a sua quinta vitória, frente ao Maia-ISMAI. O clube da cruz de Cristo encontra-se na nona posição do Andebol 1 e está a 6 pontos do Avanca, atual 6o classificado, primeiro lugar de acesso ao playoff de apuramento de campeão. Segue-se o jogo fora de portas, importantíssimo, frente ao Avanca.
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Francisco CabritaDezembro 9, 20168min4

Em 2013, altura em que o Clube de Futebol “Os Belenenses” passava uma das maiores crises da sua história, com o seu maior ciclo de sempre na segunda divisão, a CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA, empresa de capital e responsabilidade limitada a 10.000,00€, detida maioritariamente por Rui Pedro Soares, torna-se o maior accionista da BELENENSES SAD.
O resumo de uma história de resultados desportivos que se podem adjectivar felizes.

A CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA, assim que entra como principal accionista na SAD do Clube de Futebol “Os Belenenses”, consegue o que mais se desejava: o clube sobe de divisão. E sobe com ousadia, facilidade e rapidez. Basta mencionar que o Clube de Futebol “Os Belenenses” carimbou a subida a 9 jornadas do fim do campeonato, algo inédito.

Na época seguinte, o Clube de Futebol “Os Belenenses” sente imensas dificuldades para permanecer na primeira divisão. Basta relembrar que a sua primeira vitória fora de portas foi a quatro jornadas do final, em Barcelos, junto a um Gil Vicente, que lutava também pela manutenção .

Só na última jornada o Clube de Futebol “Os Belenenses” assegurou a permanência, em casa , numa vitória à tangente, 1-0, frente ao Arouca.

Segue-se a época 2014/2015, a época que se pode apelidar de época de ouro da gestão da CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA, o Clube de Futebol “Os Belenenses” consegue uma presença europeia, algo que já não acontecia há cerca de 8 anos.

Na época passada, o Clube de Futebol “Os Belenenses”, até certo ponto, faz boa presença na Europa, até à última jornada europeia poderia passar à próxima fase, mas em termos internos foi bastante oscilante. Os números falam por si: 66 golos sofridos, pior defesa do campeonato, apesar do nono lugar conquistado.

A época que segue, a actual, que vai mais ou menos a meio, vai decorrendo até agora medianamente , típica de uma equipa , que chegará , possivelmente, ali aos três quartos de campeonato já realizado, já com o conforto de ter assegurado a permanência e com a frustração de não conseguir chegar aos lugares europeus.

Todos estes factos levam-nos a crer que , estando nós a falar somente , em termos de resultados, esta nova gestão da SAD do Clube de Futebol “Os Belenenses” está de parabéns.

O pior é o resto.

Rui Pedro Soares (Foto: Lusa)

O cemitério de treinadores

Durante a gestão da CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA, da SAD do Clube de Futebol “Os Belenenses” , em quatro épocas a equipa teve sete treinadores, que dá quase dois treinadores para cada época .

Apenas dois treinadores tiveram razões claras para sair : Marco Paulo , razões desportivas (o Clube de Futebol “Os Belenenses” estava numa posição na tabela bastante crítica ) e Mitchell Van Der Gaag , com problemas cardíacos .

Tudo o resto, ou seja , 4 treinadores , Lito Vidigal, Jorge Simão, Sá Pinto e Júlio Velasquez saíram por razões extra-desportivas , por entrarem em rota de colisão com a “estrutura” da SAD do Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Tanto treinador em tão pouco tempo vai contra as palavras de Rui Pedro Soares , que sempre afirmou que todos estes treinadores eram excepcionais e que ficariam durante muito tempo no comando.

Ora vejamos :
Em Janeiro de 2014, Rui Pedro Soares afirmava : “Marco Paulo vai-nos dar muitas alegrias “.

Em Março de 2014, na apresentação de Lito Vidigal dizia : ” Lito é o Homem certo para liderar o Belenenses”.

Em Agosto de 2015 , altura em que já tinha demitido Jorge Simão afirmava :” Sá Pinto vai mostrar que é um dos melhores treinadores portugueses.”

Em Abril de 2016 afirma , sobre Júlio Velasquez que é “excepcional e que vai ter uma carreira brilhante”.

Em Agosto de 2016 elogia, outra vez, Velasquez dizendo que o clube vive a “melhor fase dos últimos 25 anos”.

A semana passada, diz, sobre Quim Machado : ” temos um treinador extraordinário , uma grande equipa e um excelente grupo.”.

Depois disto, penso que não é pecado ou heresia , constatar que os treinadores que saem constantemente do Clube de Futebol “Os Belenenses” , não saem pelo seu comportamento desportivo, mas sim por outras razões.

Velasquez, antigo treinador do Belenenses (Foto: O Jogo)

O futebol não é só negócio, resultados desportivos animadores e viagens de autocarro 

O problema da gestão da CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA , não é o plano dos resultados desportivos . É o problema da componente humana.

Normalmente os investidores que aparecem ao acaso num clube de futebol , onde não há paixão pelo mesmo clube , esquecem-se da vertente humana do futebol, Rui Pedro Soares não é Belenenses desde pequenino, não nasceu a ouvir histórias de Matateu e Vicente nem cresceu a ir pela mão do pai ver os jogos ao Restelo .

Todos sabemos isso , até o próprio não o nega.

No futebol a satisfação dos adeptos, dos verdadeiros, talvez seja tirada por 25% em resultados desportivos e 75% na parte humana do futebol.

Então e o que é a parte humana do futebol ? A parte humana é os adeptos sentirem -se parte de algo, sentirem que são valorizados e acarinhados . O que actualmente , no Clube de Futebol “Os Belenenses” SAD, não acontece.

Por exemplo, ter de pagar as quotas na loja azul, e depois ter de sair da loja azul e andar uns cem metros para ir às instalações da SAD para se comprar os bilhetes para um jogo.

Há quem não meta na cabeça que não é por se oferecer viagens grátis e lanches aos jogos fora que as pessoas se esquecem que o gestor de redes sociais da SAD faz questão de afirmar publicamente que o futebol dos azuis do Restelo está entregue à Belenenses SAD não ao Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Há quem não meta na cabeça que não é por se oferecer bilhetes para os jogos que se esquecem que há menos de um ano houve sócios impossibilitados de entrar no estádio, na bancada dos sócios, com cachecóis alusivos ao Clube de Futebol “Os Belenenses” ou que a Comunidade Azul , principal e quase único site desportivo só com notícias do Clube de Futebol “Os Belenenses “, foi impossibilitado pela SAD de ir às conferências de imprensa quando começou a relatar os seus atos de má gestão.

Há quem não meta na cabeça que o amor dos sócios , não se compra, preserva-se .

Tudo uma questão de timing …

No futebol , como também acontece com a política, é tudo uma questão de timing, de entrar e sair no tempo certo.

Assim aconteceu com a CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA no Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Dá-se-lhe o mérito de ter assumido a gestão, quando mais ninguém quis chegar-se à frente, mas dá-se-lhe o demérito de não ter sabido ou querido sair a tempo.
Faço o paralelo político: Fidel Castro tornou-se no que se tornou, ditador, por causa do questão de timing, não soube sair, logo após a revolução cubana, depois de ter libertado o seu povo.

Salazar tornou-se no que se tornou, ditador, por causa , mais uma vez, da questão de timing, não soube sair, logo após ter endireitado as finanças e cofres do estado, depois de ter posto Portugal no caminho certo.

Assim está a CODECITY SPORTS MANAGEMENT, LDA, não soube ou não quis sair, no tempo certo, ou seja, logo após a promoção do Belenenses para a primeira divisão. Se assim tivesse acontecido essa gestão era vista como salvadora e vital para o clube. Só que não.

O Jogo propriamente dito

Em termos de jogo propriamente dito, o Clube de Futebol “Os Belenenses ” é inconstante, muito por culpa, de uma única razão: a mudança, a par dos treinadores, de jogadores de época para época.

Ora vejamos: dos 24 jogadores que integram a equipa este ano, só 8 transitaram do ano passado, ou seja, 16 jogadores novos formam a equipa.

Como é possível a equipa ter estabilidade época após época, quando todo o seu miolo, toda a sua base, muda de ano para ano ? É impossível.

E isso nota-se : ano após ano o sistema tático muda.

Passa de um sistema tatico-suicida do ano passado, em que se privilegiava um futebol de ataque continuado sem grandes preocupações na defensiva, para um sistema, este ano, em que se joga e se forma jogo assente na defesa e privilegia-se muito mais o contra-ataque.

Não é de certeza, assim , que se faz uma boa gestão de uma Sociedade Anónima Desportiva, não é a mudar constantemente de Jogadores e treinadores que se tem sucesso num projecto que carece e muito de parte humana e emocional.

Um projecto, em futebol , tem de ter duração mínima , talvez 3-5 anos para se catapultar , que não é conseguida com dois treinadores por época e a transitarem, constantemente , só um terço dos jogadores de um ano desportivo para o outro.

Que futuro para o Belenenses? (Foto: Lusa)


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