24 Ago, 2017

Filipe Coelho, Author at Fair Play

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Filipe CoelhoJulho 26, 201713min0

Depois de um 2016/17 muito positivo, a nova época na Holanda traz consigo, por diferentes e diversos motivos, desafios de sobra. A Feyenoord, Ajax e Utrecht de nada valerá gozar os triunfos passados; antes, terão de se readaptar face a novos contextos, para que 2017/18 seja uma época ainda mais saborosa do que aquela que tão boas recordações deixou.

FEYENOORD

Kampioen van Nederland! Finalmente o enguiço foi quebrado, e, dezoito anos depois, o Feyenoord voltou a provar o doce sabor da conquista, coroando-se como o rei do território holandês. O bom arranque da época foi fundamental para o sonho ser alimentado e, enfim, para a concretização de um objectivo há tanto tempo adiado.

A travessia no deserto foi longa e contou com momentos verdadeiramente humilhantes, como seja a hecatombe às mãos do PSV, em 2010/11, numa derrota por 10-0! Os primeiros sinais de ressurgimento haveriam de aparecer na época seguinte – Ronald Koeman assumiu o comando técnico da equipa e foi o responsável por uma certa mudança de mentalidade em Roterdão, conseguindo, por exemplo, um 2º lugar em 2013/14.

Depois de bons indícios em 2015/16 – e da conquista da Taça da Holanda –, 2016/17 foi a época da suprema redenção. Mas não foi, de todo, fácil, tendo em conta que os pupilos de Giovanni van Bronckhorst somaram 3 derrotas nas últimas 10 jornadas, sendo que, aqui, a curiosidade prende-se com o facto de duas dessas derrotas terem sido às mãos dos rivais citadinos – Sparta e Excelsior.

Na corrida para a conquista do título, é fundamental falar em vários nomes que se revelaram decisivos (sobretudo na recta final). Botthegin (central algo inestético no seu jogo mas eficaz), VilhenaEl-Ahmadi (dupla equilibradíssima no miolo) e Jorgensen (trouxe classe e killer instinct, acabando como o maior goleador da prova) fizeram épocas notáveis, sem esquecer nomes como Berghuis (muito forte no drible interior, como que fazendo lembrar Robben), Toornstra (elemento sempre ligado ao jogo e com um pontapé de meia-distância temível) ou o keeper Brad Jones, que assinou, quiçá, o mais importante momento da época quando fez uma defesa monstruosa, no último suspiro do jogo de Eindhoven (vitória do Feyenoord por 1-0, diante do PSV), aumentando assim a vantagem pontual para 5 pontos, face ao então bicampeão em título, à passagem da 6ª jornada. O Feyenoord foi, aliás, o único conjunto a vencer a turma de Eindhoven por duas vezes em 2016/17.

Mesmo permanecendo durante toda a temporada como líder da Eredivisie, o libertar do champagne por parte dos homens do Feyenoord só pôde ser consumado na última jornada. E que bonito congregar de emoções! 3-0 no Heracles Almelo com um hat-trick de Dirk Kuyt, ele que, volvidas algumas horas, anunciava a sua despedida do futebol profissional. O homem que volvera a Roterdão com um objectivo bem definido na sua mente, dava, assim, numa bandeja, a maior alegria aos (seus) adeptos sedentos.

Foto: Goal.com

2017/2018

O desafio para o agora campeão holandês passa pela capacidade de ultrapassar um defeso extremamente movimentado e, sobretudo, pelo regresso à Champions, uma competição que o Feyenoord não frequenta desde 2002/03.

Kongolo (Mónaco), Karsdorp (Roma), Elia (Basaksehir), Berghuis (regresso ao Watford) e Kuyt (fim de carreira) são todos nomes de elementos muito importantes na fantástica campanha de 2016/17. Mas todos eles acabam de abandonar Roterdão. A verdade é que, ainda assim, Giovanni van Bronckhorst pode dar-se por satisfeito. Primeiro, porque os substitutos destes chamam-se Haps (AZ), Diks (empréstimo da Fiorentina), Boetius (Basileia), Amrabat (Utrecht) e St. Juste (Heerenveen) – todos muito jovens (o mais velho é Haps, com 24 anos) mas igualmente com rendimento comprovado e potencial ainda por descobrir.

E na categoria dos reforços podem ainda encaixar-se os nomes de Vermeer (um dos melhores guarda-redes da Eredivisie em 2015/16) e – ainda que não no imediato – Van Beek (central de 22 anos), dois elementos que sofreram graves lesões e que estão há muito arredados da competição. A esta boa noticia ainda se podem juntar as renovações dos contratos de Van der Heijden e Toornstra, dois jogadores bem mais experientes e tão utilizados quanto utilíssimos na época transacta.

Com a saída de cena de Kuyt, há a possibilidade de o Feyenoord deixar um pouco de lado o seu 4231, ensaiando uma aproximação ao 433, com o trio El-Ahmadi, Vilhena e Amrabat no miolo. E (ainda) sem uma alternativa válida a Berghuis do lado direito do ataque, deriva Toornstra para essa zona, ele que sabe vir para espaços interiores, robustecendo o meio-campo – uma opção sobretudo a considerar em jogos de maior dificuldade, como seja os da liga milionária.

De qualquer forma, se há sector a que os homens de Roterdão deverão acudir através de reforços é o sector mais atacante. Só Jorgensen é um elemento claramente acima da média; e, talvez por isso, Van Bronckhorst já tenha assumido que decorrem conversas em forma de sondagem a Robin van Persie. Será um remake do que foi feito com Dirk Kuyt na busca de um desfecho igualmente feliz…?

Foto: MySoccer HQ

AJAX

2016/17 não trouxe títulos para Amesterdão mas o Ajax terá de ser considerado como um vencedor. Primeiro porque voltou a ser extremamente competitivo internamente; depois porque retornou a uma final de uma competição europeia, enquanto culminar de uma campanha grandiosa na Liga Europa; e, sobretudo, porque voltou a ver-se um Ajax fiel a um estilo cruyffiano, com um futebol ofensivo, atractivo, enfim, apaixonante, e que fez a Europa do futebol voltar a olhar para a Holanda como palco a considerar.

O grandioso mérito pertencerá a Peter Bosz, treinador que pegou na turma ajacien e que a retirou de um certo carácter amorfo em que se havia envolvido nas últimas épocas. Bosz mudou e inovou, ainda que isso tenha custado alguns pontos na 1ª volta da última Eredivisie, até que todas as suas ideias ganhassem corporização no relvado. Fiel a um estilo de jogo cativante, vários foram os jogadores que se catapultaram – Onana, Sánchez, De Ligt, Sinkgraven, Schone, Ziyech, Younes, Kluivert ou Dolberg – numa equipa que viu o título fugir-lhe por um ponto e enfrentou um Manchester United minuciosa e estrategicamente montado para anular as suas virtualidades na final da Liga Europa.

Seja como for, o orgulho foi restaurado em Amesterdão, com a equipa a expressar-se num 433 muito ofensivo, assente num trio de meio-campo completamente virado para a frente e com unidades no último sector tecnicamente muito habilitadas. Para além disso, a marca Ajax ficou bem vincada igualmente no aspecto da média de idades – um conjunto tremendamente jovem, mas que, inevitavelmente, em alguns momentos, também revelou ingenuidade.

Se os indícios eram bons e 2016/17 se encarava como uma óptima base para o futuro, rapidamente essa percepção mudou. Bosz foi convidado pelo Borussia Dortmund e esse foi o rastilho suficiente para se perceber que nem tudo ia eram rosas em Amesterdão. Tornaram-se públicos os desentendimentos entre Bosz (e o seu adjunto Kruzen) e a outra facção da equipa técnica, encabeçada por Dennis Bergkamp. O comboio do Borussia passou na hora certa e o competente técnico holandês deixou a (hoje) Arena Johan Cruyff rumo ao Signal Iduna Park.

Foto: NRC.nl

2017/2018

O enorme desafio por que passa hoje o Ajax traduz-se na forma como irá ultrapassar a saída do seu treinador (Bosz), a transferência do seu capitão (Klaassen) e o trauma provocado pelo drama vivido por um dos mais talentosos elementos da sua base (Nouri).

O sucessor de Bosz foi encontrado em casa – trata-se de Marcel Keizer, ex-técnico do Ajax B, para além de ser também sobrinho de Piet Keizer, lendário extremo do Ajax e da selecção holandesa na década de 70. Também calvo como Bosz, Keizer destacou-se pelo trabalho na equipa secundária na época passada, ao terminar a 2ª divisão holandesa no 2º lugar, depois de passagens pelo Telstar, Emmen e Cambuur (este último já na Eredivisie). Não é crível que altere substancialmente a forma como o Ajax se apresentou na última época, até tendo em conta o bom legado deixado por Bosz.

Diferentemente será se o mercado lhe levar os seus diamantes. Dolberg tem sido associado ao Real Madrid, Sánchez ao Barcelona e Younes já teve abordagens da Bundesliga. Até ver, porém, ‘apenas’ Davy Klaassen saiu rumo ao Everton – um ‘apenas’ enganador, que o loiro médio era a voz de comando em campo, para além de ser um elemento preponderante na manobra ofensiva, com grande chegada na área adversária –, e deixando assim a braçadeira de capitão a Joel Veltman (também ele com aproximações de Inglaterra, mais propriamente do Tottenham). De regresso está Huntelaar – e aqui reside um ponto importante, que Kaizer poderá sentir-se tentado a buscar uma compatibilização entre Dolberg e o veterano avançado. Se avançar para isso, terá, necessariamente, de mexer na estrutura e nos comportamentos colectivos da equipa, o que comportará um risco considerável.

Finalmente, será decisivo perceber como, colectivamente, o conjunto de Amesterdão superará a tragédia que se abateu sobre Nouri. O médio de 20 anos era um dos elementos mais queridos da cúpula ajacien, pelo facto de ter feito toda a sua formação no Ajax e de ter sido eleito o melhor jogador do 2º escalão na temporada passada, revelando-se um dos maiores talentos da nova geração. Por tudo isto, eram-lhe reservadas enormes expectativas para a nova época na equipa principal . Que terão de ser digeridas e ultrapassadas por um balneário que, naturalmente, sentiu (e ainda sente) emocionalmente um episódio desta natureza. Fazer do trauma o combustível é aqui indispensável.

Foto: De Telegraaf

UTRECHT

Tal como em Portugal, na Holanda, há os 3 e “os outros”. E o vencedor dos “outros”, nas últimas duas épocas, foi o Utrecht. Em 2015/16, ficou em 5º na Eredivisie e chegou à final da taça; na época passada, terminou em 4º e caiu nos quartos de final da segunda competição do país. Em qualquer destas épocas chegou ao playoff interno de acesso à Liga Europa (mini-campeonato entre as equipas que ficam no 4º, 5º, 6º e 7º lugares da classificação) – no primeiro ano, perdeu na final diante do Heracles Almelo; agora em 2016/17 ultrapassou na eliminatória decisiva o AZ Alkmaar e chegou, finalmente, à Liga Europa.

O obreiro chama-se Erik ten Hag. Proveniente das camadas jovens do Bayern de Munique – já depois de uma passagem bem sucedida pelo Go Ahead Eagles –, Ten Hag construiu uma equipa de autor, com um modelo muito bem definido, logrando, em 2016/17, a 2ª melhor prestação do Utrecht num período de mais de 20 anos. O que lhe terá valido, inclusivamente, a cogitação para o comando técnico do Ajax e até uma alegada indicação para o assumir do cargo de seleccionador nacional holandês.

Jogando estruturalmente de forma diferente em relação à maioria das equipas da Eredivisie, o Utrecht dispõe-se num 442 losango, com demonstrada aptidão para privilégio de um jogo construído de forma mais pausada, ou variando, em alguns momentos, para um jogo mais directo, surgindo Haller como jogador-alvo, com aproximações imediatas da linha intermédia, para, assim, surgirem ligações e combinações com Kerk ou com o ex-sportinguista Labyad, atacando a baliza do opositor rapidamente.

Com um plantel tendencialmente equilibrado, torna-se indispensável, no entanto, destacar o papel fundamental de elementos como Janssen (capitão e elemento fulcral ao nível da bola parada) Ayoub, Brama, Amrabat, Haller, para além do jovem Troupée (lateral de grande propensão ofensiva) e do entretanto reabilitado Labyad.

Foto: voetbal.com

2017/2018

A nova época é um teste de fogo para os utregs: pelas importantes baixas que o plantel já sofreu e pela oportunidade de voltar a disputar uma competição europeia (com a inerente necessidade de gestão do esforço que esse contexto implica).

Perder o melhor marcador estrangeiro da história do clube não é um bom sintoma; porém, segurar Haller tornou-se uma missão impossível. O francês era muito mais do que um matador, sendo elemento vital nas últimas duas épocas de sucesso, pela forma como jogava e fazia jogar os companheiros que com ele coabitavam. E as saídas de Amrabat (Feyenoord) e Barazite (Malatyaspor) possivelmente também deixarão mossa. Caberá a Ten Hag recuperar a fórmula utilizada há cerca de um ano, quando então partiram Letschert, Ramselaar e Boymans.

Todavia, a abordagem ao mercado aparenta ter sido cirúrgica e com padrões interessantes de qualidade, com o recrutamento de elementos interessantes de plantéis de equipas menores (Twente, NEC, Cambuur ou NAC), para além das oportunidades dadas ao renomado Urby Emanuelson e ao ex-Benfica Bilal Ould-Chikh. Resta saber se Simon Makienok (Palermo) terá capacidade para fazer esquecer Haller. Em termos fisionómicos, dir-se-ia que sim; em termos técnicos, os primeiros apontamentos deixaram muito mais dúvidas do que certezas.

Depois de, na 2ª eliminatória de acesso à Liga Europa, ter ultrapassado o Valletta (Malta), segue-se, de imediato, o medir de forças diante de um adversário bem mais robusto como é o caso do Lech Poznan (Polónia). Muito daquilo que será a época do Utrecht terá uma definição já nas próximas duas semanas, o que apela a que haja uma rápida integração dos elementos que agora chegam. E quão bom seria se chegasse também… Wesley Sneijder? Ten Hag não confirma contactos, mas, na Holanda, garante-se que já houve aproximações na tentativa de persuadir o jogador mais internacional de sempre pela Laranja a jogar pelo clube da terra onde nasceu.

Foto: nrc.nlrd

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Filipe CoelhoMarço 30, 20178min0

Já distante vai a epopeica campanha no Mundial do Brasil, em 2014. Então, a Laranja materializou na perfeição o plano gizado pelo seu estratega – e Van Gaal era muito isso. Depois, de Hiddink a Blind, toda a projecção ruiu que nem um castelo de cartas. Não houve Europeu’2016 e o Mundial’2018 parece irremediavelmente condenado. A Laranja há muito deixou de ser mecânica – e agora sepultou o seu carácter suculento.

A ressaca de Van Gaal

O Mundial de 2014 esteve à beira de ser um sonho. A forma clara como os holandeses ‘limparam’ o grupo e a maneira meticulosa como sempre surgiram em campo – como se Van Gaal já tivesse jogado aqueles jogos noutra vida –, assente num 532 preparado para potenciar a genialidade de Robben, Van Persie ou Sneijder, deu sempre a ilusão de que a Holanda poderia finalmente chegar ao maior dos ceptros. Tal fantasia chocou com a realidade nas meias-finais, perdida nas grandes penalidades às mãos da Argentina de Messi.

Louis Van Gaal saiu para Manchester e a Selecção ficou entregue a Hiddink. O plano era claro: o veterano técnico conduziria a Laranja até ao França’2016, para depois a deixar nas mãos de Danny Blind, que já o acompanhava como treinador-adjunto. Quase três anos depois, todo o esboço saiu gorado. A qualificação para o último Europeu roçou o risível (4º lugar no grupo, a 5 pontos do 3º lugar!) – e Hiddink saiu, até de forma antecipada. Blind assumiu o lugar que lhe estava destinado, mas apenas 7 pontos em 5 jogos (atrás de França, Suécia e Bulgária) precipitaram um desfecho que nunca aparentou ser o final mais improvável. A hecatombe, em Sófia, na passada 6ª feira foi tão-só o paradigma daquilo que tem sido a realidade holandesa dos últimos anos.

Não, a Holanda já não é a super selecção que venceu o Euro’1988 ou que ofereceu ao mundo, pela mão de Rinus Michels, uma forma inovadora de pensar e o jogo, instituindo o ‘futebol total’ (a ponto de a FIFA o ter eleito como o Treinador do século XX). Outrora, mesmo quando perdia, a Holanda fazia-o com estilo, com uma identidade muito própria, deixando um odor a bom futebol. Actualmente, nem os resultados honram o passado, nem, sobretudo, o perfume futebolístico replica o que se vira com Cruyff, Van Basten, entre vários outros.

Não obstante, não sendo a melhor selecção do mundo, a Holanda está muito longe de poder aceitar o destino que lhe vem sendo traçado – há já quem tenda a esboçar paralelismos com a Hungria, que depois dos anos 50, não mais se voltou a reerguer, quer ao nível da selecção quanto a nível de clubes. Um cenário demasiado catastrofista; mas que acaba por encontrar um mínimo traço justificativo naquilo que tem sido o trajecto desde 2014.

Danny Blind e Louis Van Gaal (Foto: Daily Mail)

(Des)Confiança Blind

Se a opção por Hiddink não foi feliz, a continuação do projecto com Blind foi um verdadeiro tiro no pé. À excepção de uma curta passagem pelo comando técnico do Ajax, há mais de 10 anos, o antigo internacional holandês nunca demonstrou ter o pedigree e a capacidade desejáveis para ser o timoneiro da Laranja, ainda mais numa fase tão periclitante. A deslocação à Bulgária limitou-se a ser a gota de água que fez transbordar o copo. Mantendo a face táctica do 433 (recuperada depois da partida de Van Gaal), os holandeses voltaram a fazer uma partida lamentável a todos os títulos. O agora ex-seleccionador deu a titularidade ao central Matthijs de Ligt, jovem de apenas 17 anos do Ajax com pouquíssimos minutos que pudessem justificar tal convocatória e, ainda mais, uma aposta para titular – e que acabou em desastre, pela forma como o jovem sucumbiu à pressão e foi protagonista nos dois golos sofridos pelos holandeses; colocou Wijnaldum e Strootman lado a lado, como que funcionando num duplo pivot demasiado amarrado e sem conseguir potenciar as melhores vertentes do jogo de cada um deles, deixando Klaassen sem capacidade de criar jogo ofensivo; e na altura de correr atrás do prejuízo, retirou o malogrado De Ligt e o irreverente Promes (o extremo do Spartak de Moscovo foi dos menos maus) para lançar Sneijder pelo corredor esquerdo(!) e Luuk de Jong (elemento chamado à última da hora e claramente em má forma); e tudo isto com elementos como Viergever, Veltman, Vilhena e Depay, que, pela época que têm vindo a realizar, mereciam outra consideração e ponderação. Resultado: um conjunto de opções erróneas, e que tiveram o condão de transformar o jogo holandês em algo completamente desgarrado, sem ligação possível e pejado de apelo às disputas aéreas, como que traindo tudo aquilo em que Cruyff acreditava (e pregava) e que durante muito tempo foi o ADN dos holandeses.

Os números são ainda crus e duros: em 17 jogos, Blind somou 7 vitórias, 3 empates e 7 derrotas. E restringindo apenas a jogos oficiais, são 5 derrotas em 9 partidas, com apenas 3 vitórias, diante de Cazaquistão, Bielorrússia e Luxemburgo. Manifestamente pouco. Ainda que não conte com a qualidade de outrora, a Holanda tem toda a capacidade para criar um onze inicial isento de qualquer desconfiança e perfeitamente equiparável ao de outras selecções que, por ora, lideram os seus grupos de qualificação, como sejam os casos da Suíça, Polónia, Croácia ou Sérvia. Tem é de colocar as unidades devidas nos lugares/funções onde mais possam oferecer ao jogo, sem esquecer o imperativo resgate que há a fazer em relação a alguns princípios do seu jogo – esta Holanda parece ter-se esquecido de saber o que fazer com bola.

Para futuro

É inevitável pensar que nomes como Robben, Sneijder, Van Persie e Huntelaar contam já com 32 ou mais anos, estando prestes a fechar-se aqui uma geração que – não esqueçamos! – levou a Holanda a uma final (2010) e a um 3º lugar (2014) em Mundiais consecutivos. Tempos idos e que se ameaçam abafados se a ausência no Rússia’2018 se concretizar, naquele que seria o igualar do registo de 1982-1984, quando os holandeses ficaram de fora de Mundial e Europeu (época em que a fase de qualificação era, ainda assim, bem mais ‘apertada’, na medida em que se qualificavam muito menos selecções do que actualmente).

Não havendo um leque de jovens talentosos em quantidade assinalável (os sub-21 holandeses, por exemplo, não se qualificaram para o Europeu da categoria deste ano), a regeneração da equipa holandesa e a introdução paulatina de elementos com potencial – que Blind nem sempre soube gerir da melhor forma, como comprovado agora pelo caso de De Ligt, e antes, num episódio semelhante com Jairo Riedewald – terá de passar pelos nomes de Jetro Willems (PSV), Riechedly Bazoer (Wolfsburgo), Bart Ramselaar (PSV) ou Tonny Vilhena (Feyenoord), entre outros. Mas possivelmente também terá de encontrar-se um núcleo duro que sirva de ground zero a partir do qual seja possível evoluir, assente num plano de jogo convicto e ajustado.  

Sem jogos oficiais até Junho, a Federação Holandesa procura, agora, cortar com o passado Hiddink-Blind, optando por um nome que “ajude a reerguer o futebol holandês” (palavras de Jean Paul Decoussaux, director da KNVB). Entre as várias possibilidades aventadas, a mais desejada passa por Ronald Koeman. Todavia, o técnico do Everton terá já afirmado a sua indisponibilidade para tomar as rédeas da Laranja (tal como Frank de Boer), quiçá ainda ressentido pela opção de 2014 quando, após demonstrar interesse em suceder a Van Gaal, a KNVB nomeou… Hiddink. Há, pois, a hipótese Van Gaal (pouco provável que aceite regressar pela 3ª vez), Gullit (já demonstrou vontade), Ron Jans (técnico do PEC Zwolle, que tem feito um trabalho meritório neste clube agora sustentado na liga holandesa) e Jurgen Klinsmann (recentemente saído da selecção norte-americana).

Sob pena de o fundo ir baixando, a Holanda não pode voltar a errar. Ou a cometer constantes lapsos na escolha de quem os comanda em campo e, por consequência, de quem veste a malha laranja. Uma malha carregada de simbolismo, que, outrora, fora já exemplo de um futebol cativante e de resultados imensamente respeitáveis. E a Europa futebolística necessita dessa Holanda.

Holanda, rainha da Europa em 1988 (Foto: Fox Sports)

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Filipe CoelhoFevereiro 7, 201710min0

Oito meses depois da conquista do bicampeonato, são também oito os (muito) pontos de distância face ao líder Feyenoord. Sem outra competição para disputar que não a Eredivisie, a época ameaça ser amarga para Cocu e companhia. As causas da crise são várias mas a porta não está totalmente fechada – como pode ainda reerguer-se o PSV?

Depois de diagnosticadas as causas para uma campanha bastante abaixo do expectável, é altura de perceber por onde pode o PSV crescer para encurtar as distâncias para os dois primeiros – 8 pontos face a Feyenoord e 3 relativamente a Ajax – e, assim, sonhar com a intromissão na luta pelo título.

Balança de mercado

O mercado de inverno trouxe duas noticias relevantes. Por um lado, o retorno de Marco van Ginkel, emprestado pelo Chelsea, tal e qual como havia sucedido há um ano atrás. O médio holandês traz outra capacidade de chegada à área adversária, destacando-se pela notável veia goleadora.

Por outro lado, o PSV deixou partir Narsingh (Swansea) e Jozefzoon (Brentford). Ambos extremos, se o segundo pouca relevância e minutos apresentava na equipa principal, já o primeiro era figura constante e importante no onze titular. Estranha-se, por isso, que os Boeren, tendendo a canalizar uma importante fatia do seu jogo pelos corredores laterais, tenham deixado sair dois elementos que actuam nessa zona do terreno. Ainda mais porque Locadia continua a recuperar de uma grave lesão, não havendo ainda uma data definitiva para o seu regresso.

Da nuance ao dilema

Em virtude destas saídas, o próprio modelo do PSV tem sofrido, nas últimas semanas, algumas nuances. Se era relativamente expectável que fosse Steven Bergwijn – um jovem extremo puro de 19 anos, ainda mais rápido e imprevisível do que Narsingh, mas com notórios e naturais problemas ao nível da decisão, sobretudo no momento (ou não) de finalização – a assumir o papel interpretado, até então, pelo agora jogador do Swansea, Cocu tem optado por colocar Ramselaar na ala esquerda (com Pereiro na direita).

E isto apresenta implicações claras na forma como o PSV se predispõe a jogar. Contratado ao Utrecht no inicio desta temporada, Ramselaar tem sido, possivelmente, o jogador mais constante e consistente da turma de Eindhoven, destacando-se no centro do terreno pela forma como é capaz de acelerar o jogo com e sem bola, e quase sempre pelo chão. Um autêntico dínamo, que busca, dá, acelera e volta para dar linha de passe.

Colocar o pequeno médio holandês na ala e esperar que ele apareça em velocidade (à semelhança do que fazia Narsingh) é contra-producente. E é o próprio jogador que, pela sua intuição, procura o espaço central, não se deixando fixar na ala. Isto leva a que o PSV acabe por viver um dilema. Não pode estar tão dependente de um jogo directo, ainda para mais quando não tem extremos puros para ganhar as costas das defesas em profundidade.

Ramselaar a perceber as dificuldades da equipa e a ter sensibilidade para recuar. É neste espaço que pode realmente fazer a diferença.

Por outro lado, cambiar uma matriz de jogo tão enraizada não é fácil. Ainda para mais quando Luuk de Jong é o ocupante do espaço #9, destacando-se pela sua imponência física e pela forma elogiável como vence praticamente todos os duelos aéreos. Há, pois, um instinto natural de colocar a bola na frente de forma rápida e pelo ar, não se promovendo um jogo de conexões e apoios.

Isto leva a situações algo discutíveis em termos de eficácia. Tomando por referência a partida do Heerenveen, e numa altura em que o PSV se encontrava em desvantagem (2-3), a partir do minuto 79, os Boeren despejaram autenticamente 8 bolas directamente da defesa para o ataque, em menos de 10 minutos! Uma enormidade de passes longos, com um critério pouco racional, num momento em que não havia grande capacidade de largura no jogo da equipa, já que, depois de mexer, Cocu deixou Ramselaar e Van Ginkel nas alas. É certo que o conjunto de Eindhoven ainda consumou a reviravolta, mas não como consequência directa da opção por esse estilo de jogo mais primitivo.

Vejamos alguns lances que ilustram plenamente a forma como o PSV tenta atacar.

Sem grandes linhas de passe, Daniel Schwaab vai fazer um passe mal medido. O Heerenveen recuperará a bola e terá espaço e capacidade para ‘meter’ o ataque rápido.

Um minuto depois, idêntica situação: na zona central do terreno, onde há 4 jogadores do Heerenveen, um vazio de elementos do PSV.

Jogada-tipo do PSV. Passe longo (aqui de Moreno), disputa aérea, (neste caso de Pereiro), e recuperação para remate de Luuk de Jong (sinalizado a amarelo, tal como Propper). Situação de 3×2 em função de um mau posicionamento dos homens do Heerenveen.

Mais um lance da mesma estirpe, que acabará por redundar em golo. Passe longo de Moreno, três homens a atacar a profundidade e vai ser Propper a cabecear a bola na linha limite da grande área do Heerenveen (aproveitando um erro do keeper Mulder).

A circunstância do costume. Aqui haverá passe de Ginkel com a bola a perder-se pela linha de fundo.

De facto, muitas das dificuldades sentidas pelo PSV nesta temporada decorrem desse perfil de jogar. Perante blocos recuados e relativamente coesos, a reiterada opção pelo passe longo e directo tem uma eficácia tremendamente discutível. Assim, se os Boeren não pretendem uma mudança na forma preferencial como atacam, é pelo menos evidente que a 2ª linha tenha de estar mais avançada e mais junta, mais preparada para a recuperação da 2ª bola, não permitindo que o esférico ‘fuja’ do último terço ofensivo.

Por outro lado, e recuperando uma ideia atrás expressa, o recente arrastamento de Ramselaar para a esquerda – em Almelo, até começou à esquerda e acabou à direita – e a afirmação de Pereiro na direita, ambos com pés trocados em relação à faixa ocupada, acaba por levar a que aconteçam com mais assiduidade movimentos interiores destes dois elementos, o que, inadvertidamente ou não, torna a equipa mais ligada entre si.  

Comportamento e conexões estabelecidas entre os jogadores do PSV em três partidas recentes. Da esquerda para a direita, do mais recente para o menos recente, nota-se uma evolução, com os jogadores mais próximos entre si e suscitando, assim, maior número de ligações. (Fonte: 11tegen11)

A rectaguarda

Finalmente, o PSV, habitualmente uma equipa que sofre poucos golos, tem, nas últimas semanas, visto a sua baliza ser violada de forma reiterada. São 6 golos sofridos nos últimos 3 jogos, e ainda a sensação de que a equipa de Cocu é facilmente desmontável, pela frequência com que surgem espaços no corredor central (diante do Heerenveen isso foi recorrente).

No fundo, nota-se uma equipa que, em organização defensiva, tem problemas na coordenação na linha defensiva mais recuada, com distância excessiva entre os elementos que a compõem e um controlo nem sempre competente da profundidade. Por outro lado, até pela opção de fazer de Guardado médio-defensivo, vários são os momentos em que a cobertura do espaço central do terreno não é feita da melhor forma, surgindo clareiras evidentes. O mexicano é elemento fundamental na forma como inicia o processo ofensivo dos de Eindhoven, mas a amplitude da sua acção em termos defensivos está longe de ser o garante de noites tranquilas ao reduto mais recuado.

Evidentes duas situações. A fraca cobertura do espaço central, bem como uma distância desmesurada entre os elementos da linha mais recuada (sobretudo entre Arías, defesa direito, e Schwaab).

Uma equipa pouco fechada em si para melhor controlar os movimentos do adversário. Mais gritante ainda: o controlo deficiente da profundidade por parte da última linha defensiva, dando possibilidade ao jogador do AZ Alkmaar de surgir isolado diante da baliza.

Para diante

Em suma, a chegada de Van Ginkel aporta consigo mais um elemento de inegável qualidade ao meio-campo do PSV, hoje com maior capacidade de fogo e de … golo. Tem ainda o condão de possibilitar a derivação de Ramselaar para a ala esquerda. E aqui pode estar o maior dilema para Cocu. Tornar a equipa mais versátil e ligada no seu jogo, com outra capacidade de se espraiar em campo através de um jogo posicional mais evidente ou manter a opção pelo chamamento de Guardado como primeiro homem de potenciação de um jogo mais directo e de apelo à disputa aérea, mas já sem a velocidade de Narsingh para explorar. E finalmente o acerto dos mecanismos defensivos colectivos, algo que pode sofrer um input com a ansiada total recuperação de Jorrit Hendrix.

Os oito pontos de atraso face ao Feyenoord podem parecer uma distância demasiado longínqua, mas são ainda recuperáveis. Até porque o PSV terá de visitar a Banheira de Roterdão ainda este mês, tendo a oportunidade de relançar todo o campeonato. Para aquele que é possivelmente o plantel mais robusto da Eredivisie, ainda há tempo. Mas Cocu tem de fazer por potenciar algum talento que, por motivos vários, tem estado oculto ou negligenciado.

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Filipe CoelhoJaneiro 31, 201711min0

Três grandes utilizam último dia para arrumar a casa; Rio Ave surpreende; Vários regressos a Portugal; China faz mais ‘vítimas’; Hull City e Lille muito activos; Bayer Leverkusen recruta promessa; Jesé retona a Espanha; Adebayor garante regresso.

OFICIAL

Benfica

  • Filipe Augusto é o reforço final neste mercado de inverno. O brasileiro, com passagens por Braga e Valência, estava no Rio Ave, e vai agora para o emblema da Luz, assinando até 2022.
  • Pelé (Feirense), Gilson Costa (Arouca), João Carvalho (Vitória de Setúbal) e Óscar Benítez (Boca Juniors) seguem emprestados.
  • Também Celis abandona o plantel comandado por Rui Vitória, reforçando o Vitória de Guimarães a título de empréstimo.
  • Luís Felipe rescinde e é também reforço dos sadinos.

FC Porto

  • Alberto Bueno  troca de clube em La Liga – deixa o Granada e assina pelo Leganés.

  • Sérgio Oliveira deixa os dragões e ruma ao Nantes até ao final da temporada.
  • Sami regressa a Portugal para representar o Arouca até ao término da época.
  • Haykeul Chikhaoui emprestado ao Varzim, e Sérgio Ribeiro ruma à cidade-berço para representar o Vitória.
  • Suk esteve a um passo de representar o Bastia mas a submissão dos documentos necessários à transferência não foi feita dentro do limite temporal. Até ver, o coreano deverá continuar ao serviço do Trabzonspor (Turquia).

Sporting

  • Destinos cruzados entre Alvalade e Moreira de Cónegos. Daniel Podence e Francisco Geraldes regressam à casa-mãe, enquanto Ary Papel é emprestado pelos leões ao Moreirense até ao final da presente temporada. Para o mesmo clube segue Wallyson, a título definitivo.
  • Radosav Petrovic segue para empréstimo ao Rio Ave.

Outros

  • Luther Singh, jovem sul-africano, assina pelo Sporting de Braga até Junho de 2018, com os minhotos a garantirem ainda o empréstimo de Fede Cartabia (rescindiu com o Valência no mesmo dia em que assinou pelo Deportivo). Em sentido contrário, Marko Bakic foi cedido ao Alcorcón.
  • Com passagens por União de Leiria, Académica e Vitória de Setúbal, Moudou Sougou está de regresso a Portugal. Emprestado pelo Sheffield Wednesday, o extremo senegalês vai representar o Moreirense até ao final da temporada, clube que irá também contar com Alex (emprestado pelo Vitória de Guimarães).

  • Fernando Aristeguieta, avançado internacional venezuelano, deixa o Nantes e assina pelo Nacional da Madeira. Os insulares recebem ainda Zequinha, proveniente do Arouca.
  • Jorginho deixa o Arouca para rumar ao Saint-Etiénne.
  • Tondela recebe Batista (Grémio) e Amido Baldé (Marítimo), ambos por empréstimo.
  • Rio Ave garante Adama Traoré, emprestado pelo Mónaco até ao final de 2016/2017.  O maliano foi o melhor jogador do Mundial de Sub-20 de 2015. Porém, é mais um caso típico de um futebolista africano que se destaca pela selecção mas que tem dificuldades para se afirmar pelos clubes. Joga como médio ofensivo, esquerdino, tendo boa técnica e facilidade de remate. No entanto, é, neste momento, uma incógnita. Se retomar o nível apresentado no passado, pode, de facto, ser uma solução de qualidade para o emblema de Vila do Conde.
  • Hugo Seco (ex-Cherno More) regressa a Portugal para ingressar no Feirense.
  • Vinculado ao Nottingham Forest, Licá é reforço do Estoril até ao fim da temporada.
  • Robert Persson, médio defensivo sueco ex-Orebro, ingressa no Belenenses.
  • Victor Massaia (central brasileiro) deixa o Santa Clara e assina pelo Chaves até 2020.

Internacional

  • Jesé Rodríguez confirmado no Las Palmas por empréstimo do PSG.  Interessante recrutamento do Las Palmas relativamente a um jogador que terá capacidade para se encaixar como uma luva no estilo de jogo ofensivo da turma de Quique Setién. Para o jovem espanhol, depois da experiência falhada no colosso francês, este pode ser um passo atrás necessário para reconfirmar as boas indicações que chegou a deixar no Real Madrid. Se for inteligente, saberá aproveitar a forma como a sua nova equipa se dispõe em campo e oferecer um upgrade em termos de qualidade individual.

  • Hans Hateboer deixa o Groningen e assina pela Atalanta.
  • Hamit Altintop (Galatasaray) regressa à Alemanha para ajudar o Darmstadt na luta pela manutenção. Ao mesmo clube chegam ainda Wilson Kamavuaka (Panetolikos) e Patrick Banggaard (Midtjylland).
  • Odion Ighalo deixa o Watford rumo à China.  O avançado nigeriano assina pelo Changchun Yatai por quatro temporadas num negócio avaliado em mais de 23M€. Mais uma contratação de peso para o ataque do Changchun Yatai que já conta com Marinho e com o regresso de Marcelo Moreno. Lee Jang-soo terá que manusear bem o seu plantel que conta com excesso de extra-comunitários. Por outro lado, com tantas opções ofensivas, fica a ideia de que a equipa sai desfalcada nos sectores defensivo e intermédio.
  • Reece Oxford emprestado pelo West Ham ao Reading até ao final da temporada.
  • Flavio Adauto, director desportivo do Corinthians, confirma chegada de Jadson ao Timão, depois de o médio ter rescindido contrato com o Tianjin Quanjian (China).
  • Depois de um empréstimo mal sucedido em Sevilha, Sirigu (PSG) segue, nos mesmos moldes, para o Osasuna.

  • Haris Medunjanin, médio centro internacional bósnio, assina pelo Philadelphia Union por duas temporadas.
  • Ouasim Bouy (Juventus) de regresso ao PEC Zwolle até ao final da temporada.
  • 15M€ (por 80% do passe) fazem David Neres trocar o São Paulo pelo Ajax de Amesterdão.  David Neres surgiu com muita expectativa no ano passado. De uma geração que ganhou tudo na formação, era apontado como o mais talentoso. No entanto, a sua entrada na equipa principal foi retardada devido a lesões. Quando subiu, no fim do ano passado, logo virou titular e seguia em grande crescimento. O São Paulo teve que vender devido à sua crise financeira, ficando um sentimento amargo de ver o jogador partir antes de “explodir” no elenco principal. É um dos talentos com mais potencial que surgiu no Brasil recentemente e, na Holanda, terá espaço no Ajax para evoluir tendo em conta a saída de El-Ghazi.
  • Internacional português Lucas João emprestado pelo Sheffield Wednesday ao Blackburn Rovers.
  • Leicester garante Molla Wague (Udinese) até ao final da época.
  • Jonas Svensson deixa o Rosenborg e assina pelo AZ Alkmaar. O internacional pela Noruega de 23 anos chega à Eredivisie depois de 228 aparições com a camisola do clube norueguês.
  • Hull City garante contratação de Kamil Grosicki (Rennes) e acerta empréstimos de Andrea Ranocchia (Inter) e de Alfred N’Diaye (Villarreal).
  • Jordan Ayew troca o Aston Villa pelo Swansea a título definitivo.
  • Para além de Bueno, Léganés garante ainda Nabil El Zhar, que havia deixado o Las Palmas a custo zero.
  • Dia animadíssimo em Lille! O emblema gaulês oficializa seis reforços: Awnar El-Ghazi (Ajax), Júnior Alonso (Cerro Porteño), Gabriel (Avaí), Farès Bahlouli (Mónaco), Ricardo Kishna (emprestado pela Lazio) e o jovem português Xeka (emprestado pelo SC Braga).

  • Ashley Westwood deixa o Aston Villa pelo Burnley a troco de 5,8M€.
  • Norwich confirma empréstimo de Mitchell Dijks (Ajax) até ao final da temporada, garantindo ainda outro holandês: o avançado Yanic Wildschut (Wigan).
  • Contratualmente ligado ao Newcastle, Tim Krul troca de clube na Holanda – deixa o Ajax e reforça o AZ Alkmaar até ao final da temporada.
  • Trent Sainsbury segue para o Inter emprestado pelo Jiangsu Suning.  Transferência um pouco inesperada. Trent Sainsbury foi um dos pilares da equipa do Jiangsu Suning em 2016. Defesa-central muito assertivo na marcação, boa saída de bola e com um jogo de cabeça razoável. Será o substituto de Andrea Ranocchia e assumirá o papel de reserva à dupla Murillo-Miranda. O Internazionale e o Jiangsu são ambos clubes do mesmo dono, a Suning Group, daí que estes negócios se possam vir a concretizar com mais frequência.

  • Lucas Silva regressa a casa – o Real Madrid empresta o médio brasileiro ao Cruzeiro até Junho de 2018.
  • Burnley despende mais de 15M€ para recrutar o lateral esquerdo irlandês Robbie Brady ao Norwich. O jogador assinou até 2020.
  • Romain Alessandrini (Marselha) oficializado nos LA Galaxy.
  • Emmanuel Adebayor, sem contrato desde o Verão passado, assina pelo İstanbul Başakşehir, actual 2º classificado do campeonato turco.

  • Omar El Kaddouri deixa o Napoli pelo Empoli por cerca de 1,2M€.
  • Internacional por Cabo Verde, Ryan Mendes deixa o Lille e segue para a Turquia – vai representar o Kayserispor.
  • Lacina Traoré (Mónaco) emprestado ao Sporting Gijón até ao final da temporada.
  • Demba Ba regressa ao Besiktas, num empréstimo do Shanghai Shenhua até ao término da época.
  • Sereno deixa a Índia e assina pelo Almería.
  • Luka Milivojevic troca o Olympiakos pelo Crystal Palace por cerca de 13M€.
  • Josip Brekalo, jovem extremo croata, emprestado pelo Wolfsburgo ao Estugarda até ao fim de 2016/2017.
  • Juan Carlos Paredes segue para o Olympiakos por empréstimo do Watford.
  • Wout Faes, jovem promissor belga, chega ao Heerenveen emprestado pelo Anderlecht.
  • Um dos jovens mais entusiasmantes do contexto europeu, Leon Bailey, troca o Genk pelo Bayer Leverkusen. O jamaicano assina até 2022 num negócio a rondar os 14M€.
  • Gustav Svensson deixa o Guangzhou R&F e assina pelos Seattle Sounders.
  • Aos 37 anos, David Pizarro assina pela Universidade do Chile.

  • Jean-Paul Boetius deixa o Basileia rumo ao Genk por empréstimo do emblema suíço.
  • Liverpool cede Mamadou Sakho ao Crystal Palace até ao final da temporada.
  • Fiorentina empresta Kevin Diks ao Vitesse. O jovem lateral regressa, assim, a uma casa que deixou há cerca de meio ano.
  • Elderson, ex-Sporting de Braga e ligado até agora ao Mónaco, assina pelo Sporting Gijón.
  • Filipe Oliveira deixa Videoton a custo zero e assina pelo Anorthosis (Chipre).
  • Manolo Gabbiadini deixa o Napoli para assinar pelo Southampton. Os Saints pagam mais de 16M€ pelo internacional italiano.
  • Yangel Herrera, jovem promessa venezuelana, assina pelo Manchester City.

RUMORES

  • Groningen rejeita proposta do Newcastle por Mimoun Mahi. (Football Oranje)
  • Luís Filipe Vieira está em Madrid para tentar garantir o keeper André Moreira junto do Atlético. A ideia passa por recrutar o jovem guardião com vista à próxima temporada. (AS)
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Filipe CoelhoJaneiro 30, 20175min0

No clube com um dos equipamentos mais icónicos da Holanda actua um jovem loiro e sardento. Bastava esta mescla de imagens para suscitar interesse. Mas Sam Larsson, do Heerenveen, tem bem mais para mostrar – como tem mostrado. Aos 23 anos, é um dos jovens valores da Suécia e tem encantado na Eredivisie 2016/2017. Nada como conhecê-lo no Fair Play através do software da Talent Spy.

Portugal pode não conhecer Sam Larsson. Mas Sam Larsson certamente sorrirá de cada vez que ouve o nome do nosso país. O extremo sueco foi, afinal, um dos carrascos da selecção das quinas no último Europeu sub-21, em 2015. Ainda que não tenha sido utilizado na grande final, Larsson fez parte do lote que os suecos levaram até à República Checa, conquistando o troféu naquela categoria. É, aliás, esse, até ver, o grande momento da carreira de Sam Larsson.

Mas, com efeito, outros importantes momentos poderão estar à porta. O jovem loiro, alto e sardento tem apresentado demasiado rendimento para se poder continuar a encarar o Abe Lenstra Stadion (reduto do Heerenveen) como sua casa-mãe por muito mais tempo. É, no entanto, no clube dos trevos vermelhos que Sam tem vindo a destacar-se. Foi lá que, em 2014, aterrou proveniente do IFK Gotemburgo – clube da sua terra natal e onde fez parte da sua formação, a que se junta ainda uma passagem pelo modesto IK Zenith.

No Heerenveen, só as lesões atrapalharam o seu arranque; depois de ultrapassadas, Sam Larsson rapidamente se afirmou na equipa, tornando-se uma das figuras mais relevantes da mesma. Depois de épocas positivas em 2014/2015 e 2015/2016, tem sido nesta nova temporada que o jovem sueco tem confirmado, inquestionavelmente, todo o potencial que lhe era reconhecido.

Partindo o Heerenveen de uma estrutura a roçar o 433 (ou mais próximo do 4231 quando Schaars está ausente), Sam Larsson ocupa primordialmente o corredor esquerdo do ataque. No entanto, está muito longe de ser um extremo com um raio limitado de acção. Pelo contrário, a forma como surge, com grande frequência, em espaços interiores confere grande dose de imprevisibilidade ao seu jogo. Sobretudo, porque não se prende nos movimentos com bola do exterior para o interior – da esquerda para a direita, potenciando o seu carácter destro –, mas surgindo também no inicio das jogadas no corredor central, armando jogo e afirmando-se como municiador do ataque da equipa de Jurgen Streppel. No fundo, emergindo como o falso elemento do 433, com capacidade para desestabilizar as organizações defensivas contrárias, através do passe ou mesmo do remate.

Mas Sam também detém características típicas de um extremo. Destaca-se pela qualidade no drible, pela capacidade de acelerar (mesmo não sendo propriamente rápido) e pela habilidade na hora de cruzar. Tem vindo, ainda, a assumir preponderância na marcação das bolas paradas, designadamente na cobrança de livres directos.

A belíssima campanha do Heerenveen nesta temporada tem muito a ver com a performance de Sam Larsson individualmente, mas também pela forma como o sueco se conecta com os companheiros da frente de ataque Arber Zeneli e Reza Ghoochannejhad, dando génese a uma tríade de respeito. Aos 23 anos, o extremo também já envergou a camisola da equipa principal da Suécia, tendo marcado no seu jogo de estreia (2-0 diante da Hungria, em Novembro último).

De recorte técnico requintado, e com grande serenidade no seu jogo, Larsson peca apenas pela forma como transforma essas características numa certa dormência na sua acção, quase se alheando do jogo em certos momentos. Num contexto competitivo mais exigente, isso poder-lhe-á ser fatal. Se limar tais arestas, e pela forma inteligente e assertiva como joga e faz jogar, o jovem sueco poderá, a breve trecho, voltar a escrever um novo capítulo na sua prometedora carreira.

BOA OPÇÃO PARA…

Ajax – Com El-Ghazi na porta de saída, a equipa de Peter Bosz conta apenas com Younes e Traoré como verdadeiras e imediatas soluções para as faixas laterais. Pelo seu estilo de jogo, de toque e passe, com ligações constantes, e promovendo os movimentos interiores dos extremos no clássico 433, Sam Larsson não teria problema algum em encaixar na equipa, mantendo-se, ainda, numa realidade competitiva que conhece perfeitamente.

Sporting – Se, no actual 4132 do Sporting, há Gelson do lado direito, do lado esquerdo poderia haver Sam Larsson, replicando o perfil de actuação e movimentação de Bryan Ruiz, o costa-riquenho que tem rubricado uma época abaixo do seu nível habitual. Sendo diferente do standard de extremo, o sueco teria possibilidade de oferecer mais algum cérebro e qualidade na decisão à turma de Alvalade.

 

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Filipe CoelhoJaneiro 27, 20176min0

Oito meses depois da conquista do bicampeonato, são também oito os (muito) pontos de distância face ao líder Feyenoord. Sem outra competição para disputar que não a Eredivisie, a época ameaça ser amarga para Cocu e companhia. As causas da crise são várias mas a porta não está totalmente fechada – como pode ainda reerguer-se o PSV?

Era pouco expectável que, à entrada para o inicio da 2ª volta, e ultrapassado o interregno invernal, oito pontos separassem PSV de Feyenoord. Pelo menos da forma como a tabela está montada, com o bicampeão tão atrás do rival de Roterdão.

Mas vários factores parecem contribuir para uma época perfeitamente abaixo das expectativas. Com efeito, para além da distância a separar da liderança, o conjunto de Eindhoven está já fora da Liga dos Campeões (e não conseguiu sequer a repescagem para a Liga Europa, quedando-se pelo último lugar do grupo D da Champions, com apenas 2 pontos) e viu-se afastado da Taça da Holanda às mãos do Sparta de Roterdão (derrota contundente por 3-1 em Outubro passado).

A performance do PSV na actual Eredivisie. (Fonte: statoo.com)

A culpa certamente se poderá repartir por várias aldeias. É certo que o bicampeão holandês, mesmo ostentando tal estatuto, nunca foi o protótipo de equipa apaixonante, com um jogo ofensivo, dominador, agressivo ou enleante. Pelo contrário, a sua coesão, pragmatismo, versatilidade e profundidade do plantel foram fulcrais para o sucesso das temporadas transactas.

As coisas parecem ter-se alterado em Eindhoven. Não em termos tácticos – de sistema, princípios ou modelo de jogo. Cocu continua fiel às suas ideias, optando invariavelmente por um 433 com jogo tendencial pelas alas, com ataques lestos e sem privilegiar uma posse de bola muito elaborada (diferentemente do Ajax).

Assim, ainda que, da espinha dorsal, apenas Jeffrey Bruma tenha deixado Eindhoven – rumo ao Wofsburgo da Alemanha –, o PSV tem sofrido imenso com uma dupla incapacidade num duo relevantíssimo. A saber, Andrés Guardado – hoje em dia a jogar no espaço #6 à frente da defesa – tem sido propenso a lesões, apresentando, ainda, um rendimento bastante inferior ao que lhe é habitual nas vezes em que tem sido opção. De grande municiador do ataque dos de Eindhoven, o mexicano apresenta-se hoje mais lento na execução e aparentemente com mais dúvidas na hora da decisão, com efeitos imediatos na sua principal arma: o passe.

Por outro lado, outro dos elementos com uma queda abrupta no seu rendimento é Luuk de Jong. O capitão de equipa e melhor marcador da Eredivisie em 2015/2016 mantém intactas as valências ao nível do jogo aéreo (é fortíssimo na impulsão). Contudo, apenas conheceu o doce sabor do festejo por 5 ocasiões esta época, atravessando uma grave crise de confiança e com uma nítida incapacidade em ser o serial killer que a sua equipa tanto necessitava. E que estava habituada, diga-se. Está é, aliás, a principal pecha do PSV na actual temporada. Se os Boeren continuam a ter capacidade de criar oportunidades de golo – ainda que em menor número do que em 2015/2016 –, têm sido gritantes as lacunas na finalização.

E é a partir daqui que se conseguem explicar empates poucos admissíveis, como os cedidos diante de Groningen (em casa), Willem II e Roda – todas estas partidas terminaram 0-0 (número ‘assustador’, se pensarmos que, nas anteriores cinco temporadas, o PSV apenas tinha concedido um 0-0). E tal trauma adensa-se, que nem mesmo as grandes penalidades escapam. Nas últimas 21 ocasiões em que pôde converter um penalty, o PSV desperdiçou 13, num problema que, em abono da verdade, se arrasta já desde a última temporada.

Por outro lado, para além de Guardado, elementos importantes na caminhada para o bicampeonato têm também sido alvo de infortúnios ao nível das lesões, como são os casos de Jorrit Hendrix (unidade relevante no meio-campo) e Jürgen Locadia (veloz extremo esquerdo). Ao que se pode aliar, ainda, os nomes de Siem de Jong e Oleksandr Zinchenko – ambos centrocampistas, emprestados por Newcastle e Manchester City, respectivamente, mas também eles atrapalhados por lesões sem conseguirem, até ver, afirmar-se como verdadeiros reforços na nova temporada.

Quanto a Siem, aliás, a expectativa era grande, pela forma como o médio poderia vir a interligar-se com o seu irmão Luuk. Todavia, tal conexão tem-se ficado sobretudo pelos intentos. Uma das raras excepções viu-se na partida da Arena de Amesterdão, frente ao Ajax (1-1), em que a entrada do jogador do Newcastle a meio da segunda parte foi fundamental para a equipa capitalizar um estilo de jogo mais directo. Com ele em campo, o PSV forjou uma aproximação a um 442 clássico, com maior presença na área e, por conseguinte, maior perigo. E Siem marcou mesmo, num lance em que a reconhecida visão de jogo de Pereiro foi essencial.

A forma como o PSV se comportou em campo diante do Ajax. (Fonte: 11tegen11)

Seja como for, as dificuldades do PSV esta temporada têm sido recorrentes. Poucas são as vitórias inequívocas, e as perdas de pontos sucedem-se. Dentro do terreno de jogo, perante blocos baixos, compactos e minimamente organizados, os pupilos de Cocu revelam uma imensa imperícia, optando grosso modo por um jogo carrilado pelas bandas laterais e/ou através de passes por alto na busca da profundidade. É raro ver os Boeren com um jogo mais ligado, através de um futebol mais apoiado, com soluções entre linhas e com uma maior dose de racionalidade.

Não obstante, o timoneiro Cocu não atira a toalha ao chão. Ainda há dias referiu-se à experiência que o PSV tem na disputa e conquista por títulos, por comparação com o Feyenoord, há muito tempo arredado das grandes decisões. E não teve papas na língua ao afirmar que a não conquista do título significará o falhanço da época desportiva.

A porta não está totalmente fechada para a equipa de Eindhoven. Mas para que o tricampeonato seja uma realidade há um claro upgrade a fazer no jogo da equipa, com várias unidades que podem dar mais de si e com outras a poderem surgir, encaminhando o conjunto para uma maior consistência, fiabilidade e qualidade ao nível exibicional. É esse o objecto da parte II.

Odds actuais relativamente à conquista da Eredivisie (Fonte: 11tegen11)

Evolução das odds relativamente à conquista da Eredivisie. (Fonte: 11tegen11)

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Filipe CoelhoJaneiro 16, 20176min0

Sporting sonda AC Milan por lateral esquerdo; Paulo Bento resgata ex-FC Porto; Vimaranense com muitos interessados; Van Gaal aponta à reforma; Ex-Gil Vicente deixa Schalke 04; Turcos querem extremo do Dragão; Depay mais perto de França; Demichelis regressa a antigo clube.

OFICIAL

  • Aly Cissokho ruma à Grécia e ao Olympiakos, de Paulo Bento. Trata-se de uma cedência até ao final da temporada por parte do Aston Villa.
  • O médio austríaco Florian Grillitsch deixará o Werder Bremen no final da época, rumando ao Hoffenheim.
  • Elderson, ex-Sporting de Braga, regressa ao Mónaco depois de o Standard Liège ter antecipado o final do empréstimo.
  • Também no final da temporada Phil Neumann deixará o Schalke 04, reforçando o Ingolstad.  O jovem lateral direito alemão deixou boas indicações no último Europeu Sub-19. Protótipo do jogador germânico – imponência física (1.91) e um jogar muito inteligente, com bom perfil de decisão e técnica interessante. No entanto, não teve oportunidades no plantel principal do emblema de Gelsenkirchen, acabando por ser uma saída encarada com naturalidade.
  • Arjen Robben renova o seu contrato com o Bayern até 2018.

  • Bruno Zuculini, médio que pertence ao Manchester City, emprestado ao Hellas Verona, da Serie B italiana, até ao final da temporada.
  • Depois de ter rescindido com o Spartak Moscovo, Rômulo é apresentado no Flamengo.
  • Marinho deixa o Vitória para assinar pelo Changchun Yatai.  O poderio financeiro chinês mais uma vez a pesar em detrimento da escolha desportiva. Pretendido por Flamengo e Santos, Marinho, um dos melhores jogadores da recta final do último Brasileirão, foi seduzido pela oferta dos chineses. No seu auge, possivelmente, não terá outra chance tão boa para chegar a um grande clube brasileiro.
  • De empréstimo em empréstimo: Kyriakos Papadopoulos passou metade da temporada emprestado ao RB Leipzig, seguindo agora para o Hamburgo. O central grego pertence ao Bayer Leverkusen.

  • David Barral, que havia terminado contrato com o Granada, assina pelo Apoel (Chipre).
  • Carlos Adriano, avançado brasileiro de 29 anos, deixa o FC Seoul e reforça o Shijiazhuang.  Trata-se de um dos melhores avançados da Liga dos Campeões Asiáticos de 2016. Rápido, forte nas movimentações e com faro de golo. Óptimo upgrade para o Shijiazhuang que procurará subir o mais rápido possível à Super Liga Chinesa.
  • Aleksandar Prijovic, avançado sérvio-suíço, deixa o Légia de Varsóvia e assina pelo PAOK.
  • O lateral direito Júnior Caiçara, que já representou o Gil Vicente, deixa o Schalke 04 e assina pelo Istanbul Basaksehir, líder do campeonato turco, por 3M€.

  • Aleksrand Samedov troca de clube em Moscovo: sai do Lokomotiv rumo ao Spartak. O negócio fez-se por cerca de 3,5M€.
  • Gershon Koffie, ex New England Revolution, reforça o Hammarby (Suécia).
  • Aos 65 anos, Louis Van Gaal aponta à retirada. O renomado treinador holandês afirma que não se vê a voltar ao futebol como treinador, invocando razões familiares para essa decisão.

RUMORES

  • West Ham está no mercado à procura de um central e Joel Veltman (Ajax) é um dos mais sérios candidatos a reforço dos Hammers. (Mirror)
  • Radamel Falcao é o próximo alvo chinês. O Tianjin Quanjian está muito interessado no avançado colombiano e parece na disposição de despender 60M€ para contar com o capitão do Mónaco. (L’Equipe)
  • Silvestre Varela pode estar a um passo de sair do FC Porto. O Kayserispor, da Turquia, apresentou uma proposta para a transferência definitiva do extremo, faltando saber se o jogador aceita a mudança. (O Jogo)
  • Leonel Vangioni interessa ao Sporting e os leões já abordaram o AC Milan para saber da disponibilidade dos rossoneri para libertar o lateral esquerdo internacional argentino. (Tuttomercato)
  • O Vitória rejeitou uma proposta de cerca de 6M€ por Soares, avançado do emblema vimaranense. Um dos clubes mais interessados no concurso do brasileiro de 25 anos é o Villarreal. (O Jogo)
  • O Lyon subiu a parada por Memphis Depay, chegando aos 15M€. No entanto, para libertar o jogador, o Manchester United exige 17M€. (Le Parisien)
  • Jadson está de saída do Tianjin Quanjian (China) e o Corinthians é o principal interessado nos préstimos do internacional brasileiro. (Globo)
  • Mauro Zárate, avançado argentino da Fiorentina, está a caminho do Watford. (Daily Mail)
  • Jonathan Cafú, que representa o Ludogorets (Bulgária) interessa ao FC Porto. O avançado brasileiro é ainda pretendido pelo Olympique de Lyon, com os búlgaros a exigirem 10M€ para libertar o jogador. (A Bola)
  • Marcelo Meli deverá deixar o Sporting para rumar ao Racing Avellaneda (Argentina), afirma o seu representante Fernando Hildalgo. (La Red)
  • Ainda em Alvalade, o médio Elias é o grande foco do Atlético Mineiro, mas o emblema brasileiro não estará na disposição de desembolsar 6M€. (Radio Itatiai)
  • Vinícius Júnior, grande promessa do Flamengo de apenas 16 anos, não sairá para o Barcelona, garante Rodrigo Caetano, director executivo do ‘Fla’. (Globo)
  • O mesmo Flamengo está atento à situação de Kenedy, avançado do Chelsea que esteve emprestado ao Watford até há bem pouco tempo. (ESPN)
  • Ricardo Kishna pode deixar a Lazio nesta janela de transferências, sendo que o Galatasaray já apresentou uma proposta pelo extremo holandês. (Calcio Mercato)
  • Depois de ter rescindido com o Espanhol, Martín Demichelis deve prosseguir a carreira no Lo Rosaleda, regressando, assim, ao Malága. (Cadena Cope)
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Filipe CoelhoJaneiro 13, 20175min0

Marco Silva oficializa ex-portista; Bruno Teles de regresso a Portugal; Prodígio francês assina pelo RasenBallsport Leipzig; Lyon “só” quer jogador do United; Krychowiak com mercado em Inglaterra; Ex-Benfica com um pé fora do Valência; Chelsea ataca em dose dupla; Internacional brasileiro rescinde com o Spartak Moscovo.

OFICIAL

  • Duas épocas e meias de contrato para Evandro no Hull City, no dia em que os Tigers apresentaram ainda Oumar Niasse (jogador emprestado pelo Everton). : O agora ex-médio do FC Porto teve uma passagem discreta pelo Dragão. Deixou boas indicações em alguns momentos mas nunca foi capaz de dar continuidade a esses pequenos frames de qualidade exibicional. Marco Silva conhece-o bem dos tempos do Estoril e poderá ver no médio brasileiro um garante de qualidade técnica e inteligência para agarrar o meio-campo do último classificado da Premier League.
  • Jeffrey Schlupp, médio do Leicester, anunciado como reforço pelo Crystal Palace, numa transferência avaliada em 13M€.
  • Tjaronn Chery deixa o Queen Park Rangers e ruma à China para assinar pelo Guizhou Hengfeng Zhicheng.
  • Ahmet Çalik deixa o Gençlerbirligi e ruma ao Galatasaray. O negócio fez-se por 2,5M€.
  • Jozabed Sánchez chega ao Celta de Vigo emprestado pelo Fulham até ao final da temporada.
  • Dayot Upamecano troca o Red Bull Salzburg (Áustria) pelo RasenBallsport Leipzig. O defesa francês de apenas 18 anos assinou contrato até 2021, tendo custado 10M€ ao emblema germânico.
  • Depois de passar pelo Vitória de Guimarães, Bruno Teles está de regresso a Portugal, assinando pelo Rio Ave. : O lateral esquerdo que aterra agora nos Arcos deixou uma bela imagem na sua passagem pela cidade-berço. Se mantiver os predicados de então, poderá ser uma mais-valia para Luís Castro em função da sua capacidade técnica, propensão ofensiva e consistência. Depois da chegada de Gonçalo Paciência, os rioavistas acrescentam ainda mais profundidade a um plantel muito interessante.
  • Raúl Rodríguez (Houston Dynamo) assina pelo Shanghai Shenxin.
  • Néris (Santa Cruz) é reforço do Internacional de Porto Alegre.
  • Ilie Sánchez, médio espanhol que representava o Elche, por empréstimo do 1860 Munich, foi apresentado como reforço do Sporting Kansas City.
  • O internacional paraguaio Cecilio Domínguez (Cerro Porteño) chegou a acordo com o Club América.
  • Iraniano Karim Ansarifard troca o Panionios pelo Olympiakos.
  • Depois de ter deixado o River Plate em Setembro, o argentino Leonardo Pisculichi é reforço do Vitória.
  • Caner Cavlan (Heerenveen) emprestado ao Sanliurfaspor até ao final da temporada.

RUMORES

  • Memphis Depay é a prioridade do Lyon nesta janela de transferências mas a proposta de 13M€ não convence os responsáveis do Manchester United. (Sky Sports)
  • Lille apresenta proposta de 7M€ por Awnar El-Ghazi, extremo do Ajax. (Sky Italia)
  • Gervane Kastaneer (ADO Den Haag) é alvo do Mainz. (Voetbal International)
  • A AS Roma está interessada em garantir de forma definitiva os préstimos de Wojciech Szczesny. O guardião polaco está emprestado pelo Arsenal aos homens da capital italiana mas a Roma prepara-se para avançar com 16M€ para contratar o keeper de 26 anos. (Tuttomercato)
  • Arsenal e Manchester City estão atentos à situação de Grzegorz Krychowiak, médio do PSG. (The Sun)
  • Enzo Pérez é carta fora do baralho em Valência e o clube ‘ché’ está na disposição de o deixar sair em Janeiro desde que surja uma proposta minimamente aceitável. (Deporte Valenciano)
  • Vinicius Júnior, avançado de apenas 16 anos do Flamengo, está a despertar grande interesse do Barcelona. (AS)
  • Luís Fabiano está perto de trocar o emblema do Tianjin Quanjian (China) para regressar a casa. O Vasco da Gama é o principal interessado no ‘Fabuloso’. (Globo)
  • Fernando Llorente (Swansea) é o predilecto de António Conte para servir de concorrência a Diego Costa. Os londrinos têm, ainda assim, que contar a concorrência do PSG, que também manifestaram interesse no avançado espanhol. (The Sun)
  • Bracali é o desejo da Chapecoense para o reforço da baliza. (O Jogo)
  • Tiémoué Bakayoko (Mónaco) tem dois sérios pretendentes em Inglaterra: Arsenal e Liverpool estão muito atentos à evolução do jovem francês. (le10sport.com)
  • Depois de se ter recusado a jogar pelo West Ham e de uma proposta de cerca de 20M€ do Marselha ter sido recusada, Dimitri Payet tem no Chelsea o seu mais recente interessado. (The Sun)
  • O internacional brasileiro Rómulo rescindiu com o Spartak Moscovo e estará muito próximo de se juntar ao Flamengo, sendo mais um reforço para a nova época. (Globo)
  • Simone Zaza muito perto de ser reforço do Valência. O internacional italiano deverá assinar pelo clube espanhol até ao final da época – empréstimo da Juventus no valor de 2M€ – mas poderá ficar de forma definitiva caso se verifiquem alguns pressupostos. (Marca)
  • Steve Clark (Columbus Crew SC) poderá assinar pelos dinamarqueses do AC Horsens (Nordicbet)
  • Jermaine Jones muito perto de ser oficializado nos Los Angeles Galaxy (ESPNFC)
  • Patrice Evra poderá estar próximo de trocar a Juventus pelo Crystal Palace. (Sky Italia)
  • O Atlético Mineiro está muito interessado no médio sportinguista Elias. Todavia, os leões exigem cerca de 3M€ para libertar o brasileiro, sendo que a equipa de Minas Gerais procura apenas garantir o empréstimo do jogador. (UOL Esporte)
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Filipe CoelhoDezembro 30, 201614min0

Girando o calendário, tal e qual como a bola, o que fica do que passa do (memorável) ano que agora termina? Uma revisão sumária; e ei-los – os 366 dias de 2016 a partir das 23 letras.

André

De repente, parece que foi há muito tempo. Mas André Silva apenas se estreou com a camisola do FC Porto três dias antes do arranque de 2016. Depois disso, afirmou-se nos dragões, agarrou o dorsal ‘10’ dos portistas, confirmou todo o potencial que lhe era creditado e somou já 4 golos em 4 jogos com as cores da selecção principal de Portugal. Um ano marcado por uma ascensão meteórica e que termina com o jovem avançado de 21 anos como melhor marcador da Liga NOS, totalizando 10 golos. Possivelmente, a melhor notícia do FC Porto em 2016.

Brasil

2016 bem pode ter sido o ano do renascimento do escrete. A medalha de ouro no Torneio Olímpico de Futebol era um objectivo há muito tempo perseguido e foi atingido, sobretudo à custa de uma notável performance defensiva (apenas 1 golo sofrido em toda a competição). Por outro lado, se a Copa América correu de forma negativa (afastamento nos quartos de final perante o Paraguai), a saída de cena de Dunga e a escolha de Tite permitiram aos brasileiros recuperar algum do seu orgulho perdido nos últimos anos, terminando 2016 com 6 vitórias consecutivas (inclusive um triunfo expressivo sobre a Argentina) e com o passaporte para o Rússia’2018 a caminho de ser carimbado.

Chapecoense

Os heróis da pequena Chapecó, no Brasil, já haviam encantado o país do futebol e preparavam-se para conquistar a América do Sul. A equipa viajava para a Colômbia para disputar a sua primeira final internacional – a da Copa Sul-Americana – quando o avião que transportava a comitiva ficou sem combustível e acabou por se despenhar. Com ele, foi-se o sonho de um plantel que, da pior maneira possível, acabou por conquistar um lugar na eternidade. E agora, por entre as lágrimas vertidas em razão da perda dos intérpretes do (até agora) sonho, também o mundo será fervoroso adepto da reconstrução da Chape.

Despedimento

Parece estar na moda mas é um facto indesmentível – ainda não cumpridos 50% da Liga NOS e já 10 treinadores (mais de metade dos 18 totais) ficaram sem emprego! Uma autêntica razia, que vem mais uma vez demonstrar a muita impaciência dos dirigentes face aos técnicos que … escolheram. Não se pense, porém, que é um ‘virus’ que ataca apenas em Portugal: na espetcacular Bundesliga, em pouco mais de um trimestre, contam-se 8 mudanças no comando técnico das equipas alemãs.

Éder

O herói improvável. O homem que, na ponta daquela bota, foi cada um de nós no pontapé rasteiro e colocado que bateu Lloris. Aposta (sempre) contestada de Fernando Santos, o camisola 9 assinou o golo mais importante da história do futebol português. À custa disso viverá como ícone futebolístico da nação – ele traçou a história e da História já não se livrará. Correu mesmo tudo bem!

O momento do ano; o pontapé para a História (Foto: allsoccerplanet.com)

Fernando

Portugal nunca foi brilhante ao longo do seu percurso no Euro’2016. Mas se a um treinador cabe dar todas as ferramentas que aproximem a sua equipa do sucesso, dificilmente se poderá dizer que Portugal poderia ter tido melhor estratega no seu comando. Fernando Santos foi o catalisador de um sonho julgado impossível. “Já disse à minha família que regresso a casa no dia 11” – o que pareceu uma fezada era, afinal, a maior das profecias. O ‘Engenheiro do Penta’ é, hoje, o ‘Engenheiro do Euro”. Que obra, Mister!

Griezmann

O pequeno loirinho quase viveu o ano que sempre idealizou. Foi peça fundamental nas campanhas de Atlético de Madrid e da França nas maiores competições europeias de clubes e de selecções, respectivamente, mas viu a vitória fugir-lhe em qualquer dos casos. Não houvesse Ronaldo e Messi e estaria perfeitamente dentro da discussão para melhor jogador do Mundo de 2016. Resta-lhe a consolação do prémio de melhor jogador do Euro 2016 (e do título de máximo marcador, com 6 golos), naquela que foi a primeira vez que um jogador acabou designado o melhor desta competição sem ter conquistado o título colectivo.

Higuain

90M€ de Turim para Nápoles tornaram Gonzalo Higuaín no nome mais badalado do Veráo de 2016. O matador argentino era figura de proa no conjunto de Sarri mas cedeu à tentação do campeão italiano – mudou-se para a Juventus e espoletou uma série de criticas pela falta de lealdade para com o seu anterior clube. Seja como for, mais a norte ou mais a sul em Itália, ‘Pipita’ Higuain tem sempre correspondido com um killer instinct fora de série: foi o melhor marcador da Serie A em 2015/2016 (36 golos) e soma já 13 golos na presente temporada.

Islândia

A par do País de Gales, foi a história mais improvável do último Europeu. Uma nação recôndita, estreante em competições deste nível e com pouquíssimo relevo futebolístico surpreendeu tudo e todos pela sua capacidade de superação, pela força motriz chamada crença e por uns adeptos que deram colorido extra às bancadas francesas. Caíram apenas nos quartos-de-final da competição já depois de traumatizarem (e enviarem para casa) os ingleses.

Juventus

O domínio na bella Itália continua e estende-se. Os homens de Turim não se coibiram, em 2016, de demonstrar o seu poderio. Seja fora de campo, com contratações como as de Pjanic ou de Higuain aos seus mais directos rivais (AS Roma e Napoli), como dentro dele, atingindo o marco histórico de duas dobradinhas consecutivas – a primeira vez que tal sucedeu na história deste emblema. Se internamente não parece haver competidor à altura, à ‘Juve’ falta apenas a confirmação europeia – e com um plantel deste nível, é bem provável que o novo ano complemente o já muito feliz exercício de 2016.

Uma imagem normal nos dias actuais do Calcio (Foto: inquisitr.com)

Leicester

Discuta-se a forma ou o conteúdo; não se renegue o mérito e a dimensão. Na era dos multimultimultimilionários, a equipa de Ranieri logrou, talvez, o maior feito dentro das maiores Ligas das últimas largas décadas. Apontado como candidato à descida, o Leicester vulgarizou a concorrência, passou o Boxing Day na frente e chegou a Maio com 10 pontos de vantagem sobre o 2º classificado, Arsenal. Um verdadeiro conto de fadas, inaudito na sua essência, e assente nas notáveis performances de Kanté, Mahrez e Vardy.

Messi

Começou o ano a ser coroado como melhor jogador do Mundo e manteve a bitola elevada, ainda que os títulos colectivos não tenham tido correspondência com as inúmeras brilhantes prestações individuais (pese embora o campeonato e a taça vencidos pelo Barcelona). Voltou a conduzir a Argentina à final da Copa América mas tornou a ver o título fugir, num ano em que, pela primeira vez, falhou algumas partidas por condicionantes relacionadas com lesões. Vai somando números e batendo recordes, e 2016 foi mais uma base temporal para se testemunhar a leveza, genialidade e classe com que joga futebol.

Nacional

Se os anos passados já demonstravam um interessante crescimento deste emblema colombiano, 2016 revelou-se um ano brilhante. Sob o comando de Reinaldo Rueda (antigo seleccionador de Honduras e Equador), o Atlético Nacional conquistou a Taça da Colômbia, chegou à final da Copa Sul-Americana (abdicando do troféu em favor da Chapecoense) e, 27 anos depois, voltou a erguer a Copa Libertadores. É, pois, uma das maiores potências futebolísticas da América do Sul – com o ‘plus’ de, neste ano que agora termina, ter ‘deixado voar’ pérolas como Marlos Moreno (Manchester City), Davinson Sánchez (Ajax) ou Sebastián Pérez (Boca Juniors).

Oriente

É um autêntico furacão que assola o panorama futebolístico como até aqui o conhecíamos. A China decidiu virar-se para o desporto-rei e o investimento parece não ter fim à vista, com o ano que agora termina a ser marcado por um êxodo de grandes jogadores rumo a este destino oriental: Tevez, Oscar, Pellè, Hulk, Ramires, Lavezzi, Jackson Martínez, Gervinho, Guarín, Alex Teixeira, Renato Augusto, ou Zahavi. Para não falar em treinadores como Manuel Pellegrini, André Villas Boas ou Felix Magath. A tendência é para que o fluxo continue e 2016 poderá ter sido o primeiro ano do resto da história futebolística chinesa.

Palmeiras

Zé Roberto já jogava futebol em termos profissionais quando o Palmeiras fora, pela última vez, campeão. Mas desenganemo-nos – foi já há muito, muito tempo! 22 anos passaram até que o ‘Verdão’ voltasse a provar o doce sabor da conquista do Brasileirão. Pois bem, o veterano de 42 anos (!) ainda foi peça importante neste trajecto, mas os nomes de Dudu, Moisés e, sobretudo, Gabriel Jesus revelaram-se os destaques maiores da vitoriosa equipa liderada por Cuca.

Gabriel Jesus foi fundamental na conquista do Brasileirão pelo Palmeiras. (Foto: maisfutebol.iol.pt)

Quaresma

Não teve a prestação de um Rui Patrício, de um Pepe, de um João Mário ou de um Renato Sanches. Mas, aos 32 anos, Quaresma renasceu para a Selecção pela mão de Fernando Santos e tornou-se uma verdadeira arma secreta para a turma das Quinas na campanha triunfal em Paris (para além de ter brilhado em jogos de caracter particular). Tudo isto num ano em que sorriu também no seu clube: foi campeão turco com a camisola do Besiktas.

Ronaldo

Se Griezmann sonhou e quase logrou, então CR7 teve, de facto, o seu ano de sonho! Campeão Europeu por clube e selecção, sendo figura de proa no Real Madrid e em Portugal, Ronaldo atingiu o topo do topo em termos colectivos. Talvez já se lhe tenha sido visto melhores e mais fulgurantes anos em termos de rendimento individual mas o certo é que os golos continuam a surgir como ketchup – foram mais de 50 em 2016 – e os recordes batidos acumulam-se. A Bola de Ouro da France Football já consta do seu museu e não deixará de ser natural que o prémio da FIFA tenha o mesmo destino.

Sánchez

O 2º semestre de 2016 foi fabuloso para o avançado chileno! Figura de proa no Chile que conquistou a Copa América pela segunda vez consecutiva, a Alexis Sánchez foi ainda atribuído o prémio de melhor jogador da competição. No Arsenal vive o seu melhor momento, afirmando-se como figura de destaque (com os seus 12 golos em 18 jogos, por exemplo), e catapultando os Gunners para uma candidatura ao título aparentemente para ser mais levada a sério do que em épocas anteriores.

Tri

O tricampeonato confirmou a superioridade do Benfica em território nacional – nenhuma outra equipa conquistou mais pontos (95), marcou mais golos (86), obteve mais vitórias (30) e sofreu menos golos (20) do que a equipa da Luz, na Liga NOS, em 2016. Para além disso, a chegada aos quartos-de-final da Champions da época passada e a manutenção em todas as provas no final do ano civil marcam um 2016 repleto de objectivos atingidos (e superados) para a turma liderada por Rui Vitória.

UEFA

Não foi um ano fácil para a entidade que rege o futebol europeu. O contexto relacionado com Michel Platini redundou na suspensão do francês, por quatro anos, de toda a actividade ligada ao futebol. Como seu sucessor foi eleito Aleksander Ceferin. Porém, o esloveno foi já apanhado a meio caminho, depois de aprovadas diversas alterações às competições europeias, que parecem apontar no sentido de uma cada vez maior monopolização das mesmas por parte dos clubes das grandes ligas e potências futebolísticas.

Ceferin é o homem ao leme da UEFA (Foto: espnfc.com)

Vitória

Faz jus ao nome, o técnico do Benfica. Depois de um arranque muito complicado, Rui Vitória teve o mérito de não estragar o que estava bem e de solucionar sempre com mestria os problemas que lhe foram surgindo. Dentro do campo – com apostas várias e consolidadas em diversos jovens –, tal como fora dele, com um discurso quase sempre sóbrio, racional e fugindo do confronto pelo confronto. Mais do que um supra-sumo táctico, afirmou-se pela capacidade de leitura dos acontecimentos, pela forma sábia como mexeu a partir do banco, logrando, para além dos títulos colectivos, a fabulosa marca de 44 vitórias num ano – nunca nenhum outro treinador português havia atingido tal registo num ano civil.

Xavi

Aos 36 anos, o pequeno génio espanhol vive a sua pré-reforma no Qatar. Porém, longe dos holofotes, o catalão continua a requisitar as atenções para si. De ideias firmes e grandemente resultantes da cultura de que sempre bebeu, ao longo de 2016, várias foram as declarações com grande repercussão mediática, envolvendo (muitas vezes) Cristiano Ronaldo, o estilo de jogo do Atlético de Madrid, a possibilidade de uma eventual selecção da Catalunha ter potencial para ser top-10 mundial e até a ligação entre redes sociais e futebol.

Zidane

Chamado de urgência, no início de Janeiro, após a debacle madrilena com Benítez ao comando, ‘Zizou’ uniu as pontas e conduziu o Real Madrid à conquista da Champions. Com uma liderança mais próxima dos jogadores e com um estilo bastante pragmático, o técnico francês potenciou (e de que forma!) o melhor que os seus jogadores lhe poderiam dar. Resultado: termina 2016 com apenas duas derrotas em todo o ano civil e com Champions, Supertaça europeia e Mundial de Clubes na vitrina.

Depois de a vencer como jogador, Zidane ergueu a ‘Orelhuda’ enquanto técnico (Foto: ochute.com.br)

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Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

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(Foto: zimbio.com)

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(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

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(Foto: fgc.it)

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(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

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(Foto: lequipe.fr)

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(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

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(Foto: wdr.de)

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(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

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(Foto: uefa.com)

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(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

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(Foto: parisfans.fr)

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(Foto: butfootballclub.fr)


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