23 Out, 2017

Diogo Alves, Author at Fair Play

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Diogo AlvesSetembro 21, 20178min0

Um ano depois Moussa Marega volta a estar na boca de todos. O maliano repete o inicio da época passada, mas agora, ao serviço do FC Porto, clube que já tinha representado durante meia época em 2015/16. Sem sucesso seguiu para o Vitória, onde apontou golos e foi a grande sensação entre Agosto e Outubro. Um ano depois volta a repetir o êxito diante das balizas portuguesas.

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Diogo AlvesAgosto 11, 20178min0

Está prestes a ter inicio mais um campeonato argentino e, como não podia deixar de ser, o Fair-Play fará uma antevisão a preceito. Um campeonato que conta com algumas novidades. Além do regresso do Chacharita Juniors sete anos depois, há também o regresso do clube de Juan Román Riquelme e Diego Armando Maradona: Argentino Juniors. A Primera División agora terá a designação de Superliga, e, passará a contar com menos duas equipas. Passam das 30 equipas para 28. A redução será ano após ano até voltar a ter 20 equipas no máximo. Esta época também não haverá a jornada especial, aquela onde só havia os superclássicos; Boca vs River este ano só se jogará por uma ocasião. Uma liga recheada de talento individual e colectivo que está quase a começar e promete uma luta renhida entre os dois gigantes de Buenos Aires.

Boca Juniors e River Plate: Os crónicos candidatos ao título

O Boca Juniors reforçou-se muito bem para defender com unhas e dentes o campeonato conquistado em 2017. Os xeneize não terão durante uma grande parte da época azáfama da Libertadores (nem Sul-Americana), o que poderá ajudar – e muito – a ganhar vantagem sobre os rivais mais directos (River Plate à cabeça do pelotão).

Sem perdas significativas no plantel, Schelotto poderá assim somar os reforços que chegaram a uma equipa já muito bem oleada e com a máquina muito bem afinada. Os reforços mais sonantes vieram do México (exactamente como há 1 ano com Benedetto), com a vinda do defesa-central Pablo Goltz (América) e do médio-ofensivo Edwin Cardona (Monterrey) que vestirá a mítica camisola 10.

Os novos reforços do Boca Juniors [Foto:tn.com]
Vindo do Uruguai Nahitan Nández é o substituto de Ricardo Centurión, que envolto em polémica, acabou por não ficar no Bairro da Ribera. Para dar ainda mais potência ofensiva, chegou vindo do Villarreal, o extremo Cristian Espinoza por empréstimo de uma temporada.

O River Plate procura o tão almejado título, e, nesta próxima temporada tentará recuperar a hegemonia do futebol argentino. Naquela que poderá ser a última época de Gallardo, os milionários reforçaram-se a preceito para atacar campeonato e Libertadores.

Perderam o avançado Driussi para o Zenit, uma baixa de peso, mas, conseguiram – para já – segurar o extremo Pity Martínez que é muito pretendido na Europa (apontado a Sporting CP). Da Europa chegou o reforço com mais hierarquia do plantel, Enzo Pérez, o ex-Benfica conseguiu desvincular-se do Valência e somar-se assim ao plantel do River.

Enzo Pérez já às ordens de Marcelo Gallardo [foto: riverplate.com]
 

Também do velho-continente chegou Germán Lux, guarda-redes há muito desejado em Nuñez. Internamente contrataram Javier Pinola (Rosário Central) e Ignacio Scocco ao Newell’s Old Boys, jogadores experientes e de qualidade. O reforço mais jovem acaba por ser Santos Borré que chega emprestado pelo Atlético de Madrid. Maioritariamente o River Plate reforçou-se com jogadores experientes, conseguindo assim uma mescla entre juventude e experiência no seu plantel.

O trio perseguidor…

Estudiantes, Racing e San Lorenzo poderão desafiar o poderio dos gigantes de Buenos Aires. O conjunto Pincha agora orientada por Gustavo Matosas terminou em 3º na época anterior e promete dar luta para a nova época, tendo mantido grande parte do plantel, para já Foyth e Ascacibar vão começar a época no Ciudad La Plata. As incorporações do veterano Mariano Pavone e de Gastón Fernández ajudarão a garantir mais qualidade e profundidade ao elenco platense.

O Racing Avellaneda garantiu bastante estabilidade com a entrada de Darío Conca a meio da época passada. O último treinador campeão por La Academia poderá agora ter uma época inteira ao serviço do clube, e, assim preparar melhor a formação de Lisándro Lopez para o campeonato. A perda de Acuña foi colmatada com a entrada do virtuoso Andrés Ibarguen, o colombiano ex-Atlético Nacional. Egídio Arevalo Ríos e Augusto Solarí são outros dois reforços do conjunto azul y blanco.

Em Almagro o San Lorenzo não terminou bem a época, tendo findado em 7º, contudo será sempre uma das equipas a ter em conta. Perderam o seu capitão Nestor Ortigoza, mas voltaram a contar nos seus quadros com o defesa-central Gonzalo Rodríguez que vem da Fiorentina. Diego Aguirre mantém-se no cargo e o objectivo é voltar a colocar o San Lorenzo de novo na rota os títulos, algo que já foge desde 2014.

Gonzalo Rodriguez regressa à “casa-mãe” [Foto: diariopopular.com.ar]

Equipas com futebol de autor

Independiente de Avellaneda e o Lanús são as equipas que praticam o futebol mais atractivo e entusiasmante da Argentina. Com a chegada de Ariel Holan, os rojo y blanco, melhoraram substancialmente e conseguiram terminar a época num honroso 6º lugar e por muito pouco (2 pontos) que não acabavam em 4º lugar que lhes valia a Libertadores. Já o Lanús, que continua com Jorge Alimirón terminou no 8º lugar e evidentemente perdeu o estatuto de campeão para o Boca.

Para esta época o Independiente reforçou-se com um dos meninos bonitos de Holan dos tempos do Defensa Y Justicia, um grande guerreiro, Jonas Gutiérrez. O jogador que lutou contra o cancro há um par de anos, revitalizou-se e está de novo na alta-roda do futebol aos 34 anos. Além do ex-Defensa Y Justicia, chegou ainda Fernando Amoriebieta, o defesa-central basco vem dar outra segurança ao sector defensivo – que pode perder Tagliafico – e chegou também Gastón Silva, central italo-uruguaio de 23 anos vindo do Torino. Por fim, chegou Nicola Domingo, ex-River. Jogadores experientes e com passagens pelo velho continente. Plantel que ainda conta com os virtuosos Barco (18 anos, somente), Emiliago Rigoni e Martín Benítez que dinamitaram a frente de ataque no último campeonato.

[Foto: independiente.com]
 

Já o antigo campeão, o Lanús, não sofreu ainda qualquer alteração de relevo no plantel. Continuam em forma na Copa dos Libertadores – apurados para os Quartos-de-final – e a praticar um futebol harmonioso, vistoso e de muita organização. Espera-se ainda um ataque ao mercado agora que conseguiram o tão almejado apuramento para os 8 melhores da Libertadores.

O regresso do Argentinos Jrs. e do Chacarita Juniors

O Argentinos Juniors, clube que viu nascer Diego Armando Maradona, está de regresso ao escalão máximo do futebol argentino. Liderados por Gabriel Heinze, o antigo jogador argentino conseguiu montar um bom plantel, e, acima de tudo deu-lhes uma identidade e personalidade. Dominaram a Primera B e foram algo de rasgadíssimos elogios por toda a crítica desportiva especializada no país. Um futebol harmonioso, de toque, privilegiar a bola e alegre. 25 Vitórias, 13 empates e seis derrotas, terminando com 88 pontos em 46 jornadas, mais onze que o 2º classificado.

Para a nova época, o Argentinos perderam o seu timoneiro. El Gringo Heinze já avisou a navegação que não irá continuar ao serviço do clube. Assumindo agora Alfredo Berti os destinos do clube. Para já, chegou ao clube Leonardo Pisculichi vindo do Vitória da Bahia. O médio-ofensivo de 33 anos está de regresso ao futebol argentino onde brilhou ao serviço do River Plate.

O Chacarita Juniors acompanhou o Argentinos até a Primera División. O 2º classificado da Primera B conseguiu a promoção numa das últimas jornadas, acabando o campeonato com mais dois pontos que o Guillermo Brown, o 3º classificado.

Sete anos depois o pequeno clube dos arredores de Buenos Aires está de regresso ao escalão principal do futebol argentino. Uma autêntica odisseia pelo que este clube passou nos últimos anos. Felizmente para o emblema El Funebrero, e seus apoiantes estão de regresso ao convívio entre os grandes. German Ré e Diego Rivero são os jogadores com mais destaque do plantel, o defesa alinhou durante vários anos no Estudiantes e no Newell’s Old Boys, enquanto Diego Rivero – médio – teve passagens pelo Pachuca, Cruz Azul, San Lorenzo, Boca e está agora de regresso ao clube de formação. Walter Coyette é o timoneiro da subida e permanecerá ao leme do clube tentando que o pequeno clube se mantenha no convívio entre os grandes durante as próximas épocas.

Para finalizar, um compacto dos 30 melhores golos do último campeonato.

 

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Diogo AlvesAgosto 10, 201716min0

Os portistas depositam bastante confiança no novo timoneiro dos Dragões, Sérgio Conceição. Com um plantel construído com base na época passada, o ex-Nantes, Braga e Vitória SC, quer voltar a dar ao Dragão a alma de outros tempos.

Artigo feito em parceria com Francisco Isaac

COMPRAR OU NÃO COMPRAR, EIS A QUESTÃO…

Dos verões menos animados que existiram para o Reino do Dragão, com a realização de apenas uma entrada: Vaná (CD Feirense). O guarda-redes brasileiro, que deu várias “dores de cabeça” no empate a zeros na época passada, foi o único reforço fora-de-portas para o FC Porto. Porém, desenganem-se quem pensa que isto é sinal de fraqueza, fragilidade ou “morte anunciada” dos portistas… os “novos” reforços estavam nos empréstimos de anos anteriores.

Depois de várias épocas a esbanjar euros em jogadores que pouco ou nunca jogaram no Dragão, o FC Porto de Sérgio Conceição recuperou uma série de activos que podem dar outra profundidade ao plantel, não gastando qualquer valor no processo.

Vejamos: Aboubakar, Diego Reyes, Hernâni, Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira, Bruno Indi (por esta altura a negociar uma hipotética saída para Inglaterra) e Marega. Ou seja, ao todo foram sete os retornos à equipa principal do FC Porto com duas a ganhar uma dimensão bem relevante para o 11 dos Dragões.

Falamos de Ricardo Pereira e Vincent Aboubakar. O lateral/extremo português regressou ao FC Porto após dois anos no Nice e tem sido uma das grandes surpresas durante a pré-época, dando outra profundidade ao corredor direito, apetrechado de um belo poder de cruzamento, boa visão de jogo e um ritmo bem mais alto do que Maxi proporcionava.

Aboubakar foi um autêntico matador na pré-época, com 7 golos, munindo-se de uma grande confiança, poder de choque e capacidade de moer a defesa a cada investida. Depois de um empréstimo ao Besiktas e de problemas com a anterior equipa técnica do FC Porto, o camaronês mereceu confiança de Sérgio Conceição e tem respondido com golos, golos e golos. Mas será só pólvora de pré-época?

Por outro lado, as saídas de André Silva e Rúben Neves poderão fazer-se sentir a médio prazo. O avançado, que deixou quase 40M€ nos cofres dos azuis-e-brancos, dava outras “armas” ao ataque, naquela que poderia ser uma época de total afirmação.

Já Rúben Neves poderia ter encaixado com qualidade no 4-4-2 de Sérgio Conceição, mas os quase 20M€ do Wolves parecem ter convencido a SAD do FC Porto a desfazer-se do médio. E se a saída de Danilo Pereira ainda se verificar, ficará um “buraco” por tapar no meio-campo… problemas antes do início da época?

Outras saídas a destacar foram os empréstimos de Boly (Wolves) e Mikel Agu (Bursaspor) e as vendas de Laurent Depoitre (Huddersfield), Andrés Fernández (Villareal) e potencialmente Josué (em negociações com o SC Braga). Ao todo o FC Porto somou 63M€ em transferências, apresentando um saldo positivo que agradará à Troika da UEFA, uma vez que o FC Porto está sob avaliação do Fair Play financeiro até 2020 (se considerarmos que a transferências de Óliver Torres só entra nas despesas de 2017/2018, o FC Porto conseguiu 43M€ positivos em transferências, não mencionando aqui os salários).

Vendo bem o FC Porto suprimiu a vaga de Boly com a inclusão de Indi e Reyes, a posição de lateral direito com Ricardo (com Layun a ficar o suplente directo de Telles), Sérgio Oliveira por Neves (não sendo uma troca directa, mas garante mais um “cérebro” para o miolo do terreno), Aboubakar, Marega e Hernâni por André Silva e Depoitre (o belga quase nunca foi opção nos Dragões) acrescentando mais uma opção para a frente de ataque ou extremidades do campo, o que perfaz um plantel mais audacioso, com mais escolhas e com outras soluções para os momentos mais intensos da época.

Todavia, um aviso aos mais esperançosos… a inclusão de Diogo Dalot (o lateral direito pode estar na calha para substituir Maxi ou Layun no plantel principal) e Rui Pedro não serão sinais que há alguma falta de recursos para ter opções mais experientes no plantel principal? Não faltará um ponta-de-lança suplente para entrar por Soares e Aboubakar? E não teria sido proveitoso chamar de volta Quintero, tendo um 10 “puro” como solução a Brahimi?

Vaná Alves a única contratação do FC Porto 2017/18 [Foto: fcporto.pt]

QUEM SAI NA FRENTE

A Pré-época é aquele período de trabalho das equipas que proporciona uma reviravolta na carreira de alguns jogadores… que o diga Vincent Aboubakar ou Ricardo Pereira, dois dos melhores jogadores do FC Porto durante todos os jogos da pré-época.

Ricardo Pereira encantou por completo as bancadas, com um futebol de classe, bem pautado, onde as investidas no ataque fizeram-se sentir, apresentando uma assertividade bem superior a Alex Telles no apoio aos extremos ou avançados dos Dragões. Para além disso, Ricardo traz velocidade, ritmo e resistência, ficando agora por confirmar a sua capacidade emocional para aguentar com o Tribunal do Dragão.

Aboubakar teve com Sérgio Conceição uma espécie de renovação aos olhos dos adeptos dos azuis-e-brancos… se os golos não foram os suficientes para agradar, o futebol aguerrido polvilhado com algum perfume (a fazer lembrar os primeiros tempos com a camisola do FC Porto) e raça na entrega acabaram por sanar o conflito com as bancadas, entrando numa nova reconciliação.

Sérgio Oliveira não tendo sido fantástico, fez o suficiente para agradar tanto o treinador como uma boa parte dos adeptos, denotando-se a capacidade para lançar jogo ao passe, comunicação intensa e boa capacidade de colocação (a velocidade e ritmo de jogo continuam a ser problemas no internacional sub-21 português).

Não deu para observar Diego Reyes com os “olhos” que todos queriam, mas o central mexicano parece ter amadurecido após dois anos de empréstimo na La Liga. Mais confiante, “raçudo” e competente, o central pode ser a solução para Marcano ou Felipe e durante os poucos jogos que fez cumpriu sempre com as suas obrigações.

Depois Soares voltou a deixar a sua marca com golos e entrega (continua a faltar visão de jogo mas já tem outra capacidade de ajuda na defesa). Brahimi com a classe do costume e sempre sob um bom certame, dominando bem as ingressões no meio-campo adversário, aplicando-se isto também a Corona.

Contudo, também houve lugar para desencantos com alguns jogadores nomeadamente com Hector Herrera (cada vez mais longe do jogador que foi em 2014/2015), Maxi Pereira e Miguel Layún.

O mexicano nunca demonstrou o porquê de ser um dos capitães no FC Porto durante os jogos de pré-época, realizando apenas um bom jogo em toda a pré-época (Cruz Azul). Falta de posicionamento, o ritmo nunca foi ideal e a sua participação no ataque foi longe da que Sérgio Conceição aprecia… para além disso, está atrás de Otávio e André André para opções no meio-campo. Estará o tempo do mexicano a terminar?

Maxi Pereira já não tem a intensidade de outrora e a perda de lugar para Ricardo Pereira prova, em parte, essa teoria. Para além disso, quando entrou em campo o lateral nunca foi a unidade mais competente, comprometendo o ataque em alguns momentos e a ter dificuldades em aguentar com adversários mais exímios a explorar as suas costas (pela qualidade mais baixa dos adversários, o FC Porto nunca teve um teste de fogo durante este início de época).

Por fim, Miguel Layún está definitivamente relegado para o banco de suplentes ou para a “equipa de reservas”, já que só pela sua polivalência irá convencer Sérgio Conceição a inclui-lo nos 18 convocados de cada semana. Layún está longe do lateral de 2015/2016 e uma hipotética transferência poderá estar para acontecer num futuro próximo.

Estes foram os jogadores a destacar por cima e por baixo da pré-época do FC Porto, com os retornados a ganhar um papel de destaque nos convocados do novo treinador dos Dragões.

Regressou, viu e venceu. A estrela da pré-época, Vincent Aboubakar [Foto: noticiasaominuto.com]

«Ardente voz»

Sérgio Conceição espelha na perfeição uma das frases marcantes do hino do FC Porto, com uma voz ardente e flamejante. Um homem íntegro, honesto, directo e frontal, sem medo de assumir riscos e de dizer o que lhe vem à alma no preciso momento. Transparente e igual a si mesmo em todas as conferências de imprensa ou flash-interview. Não deixa passar nada, não deixará nada por dizer.

Do discurso melancólico, monótono e monossilábico, os dragões agora têm um treinador com um discurso inflamado, directo e com imenso conteúdo. Conteúdo que deixou bem claro desde o primeiro dia, avisando desde logo toda a navegação que com ele sentirão pressão desde o dia 1, com processos de treino de qualidade e não esperem paninhos quentes nas horas mais duras.

Emocionado pela chegada ao seu lugar, à sua cadeira e ao seu Dragão, Sérgio Conceição tem sempre uma ponta emocional em todos os momentos. De lágrima no olho e voz algo embargada, procura fugir à emoção, até porque, como o próprio diz, a emoção retira-lhe a razão e no banco do Dragão a razão tem de estar acima de qualquer emoção.

Falou sempre do jogo, dos aspectos do jogo, do que pretende e do que não gostou e quer “afinar”. Não procurou os lugares comuns ou chavões da praxe em época onde tudo é treino, tudo é uma questão física. Não se refugia nos 20 remates conseguidos, não aponta a ineficácia como o mal para o empate ou derrota. Procura logo focar-se no que esteve menos bem, os 15’ minutos finais, do que os 75’ onde a equipa esteve realmente bem. Perfeccionista vai ao detalhe e não deixa escapar nada.

No banco de suplentes já vimos alguma da sua azia e da sua ginástica habitual. Não para nunca, gesticula, assobia, chama pelo jogador e se for preciso mandar um berro ele fá-lo. De garrafa de água na mão e com a mirada atenta no relvado, não deixa escapar um detalhe que seja, pede para a linha defensiva subir mais ou menos, questiona o jogador porque não deu cobertura ou porque “fugiu” da jogada. Nem os auxiliares e árbitro escapam ao novo timoneiro do Dragão.

Foi visível no jogo de apresentação, diante do Deportivo La Coruña, questionando Jorge Sousa (de forma respeitosa) se não havia um penalti. «Jorge, mão ali, não?». No México não deixou que o árbitro fizesse farinha com ele e ordenou que os jogadores não batessem as grandes penalidades, saindo assim de campo após o apito final.

[Foto: noticiasaominuto.com]

Porto à Porto

Na vertente mais técnica e táctica, o novo timoneiro prometeu um Porto diferente, nem melhor, nem pior mas diferente dos últimos 4 antecessores. Quer um Porto mais à imagem dos bons velhos tempos, agressivo, a jogar com bola, a sufocar o adversário desde o apito inicial até o final. Sem medo de assumir riscos para obter o resultado pretendido, procura um Porto mais à imagem do Porto. Determinado, ambicioso e de vertigem.

Em campo já se vê a imagem do treinador, a forma como ele quer que o Porto jogue, ainda não ao máximo, mas os jogos de pré-época deram para limpar a vista e elevar as expectativas, até mesmo dos mais pessimistas. Agressivos com bola e sem bola, a querer procurar baliza desde o primeiro instante, assim que há perda de bola o objectivo é logo recuperá-la com uma pressão muito sui generis e que não se via há algum tempo no Dragão. Alta, sufocante e até por vezes desordenada. O objectivo é atacar quando se tem bola, sem bola passa por recuperá-la para voltar atacar.

Ainda que do ponto de vista mais da organização o processo defensivo ainda terá de sofrer ajustes, de forma a torna-lo mais efectivo, já vemos coisas interessantes, e que, dentro de portas poderão funcionar muito bem. O Porto ainda sofre quando a 1ª linha de pressão é batida e quando começa a defender no seu próprio meio-campo, faltando melhores ligações entre sector médio e defensivo. Ainda assim é visível a melhoria de jogo após jogo durante a pré-época, sinais do perfeccionista Conceição.

Rasgar com o passado

Sérgio Conceição marca um fim de uma era, a era do 1-4-3-3, sistema muito utilizado desde os anos 80 no Porto. Desde Pedroto, passando por Mourinho e acabando em Lopetegui. O sistema que fez escola, marcou décadas e que deu títulos, vê agora o seu fim, pelo menos para já. O 1-4-3-3 era como uma pele para os portistas. Quem se atrevia a chegar e mudar com o seu sistema era logo olhando com desconfiança.

Que o digo Paulo Fonseca que tentou de uma forma tímida implementar um 1-4-2-3-1, e acabou engolido pelo Tribunal do Dragão. Mourinho é o único caso de sucesso com títulos, o seu 1-4-4-2 usando nas competições europeias, nomeadamente na Liga dos Campeões em 2004, foi essencial para a conquista de Gelsenkirchen.

Nuno Espírito Santo plantou a semente e agora cabe a Sérgio Conceição dar as dinâmicas de acordo com o clube. O 1-4-4-2 desta época é diferente do ponto de partida da época passada, desde logo porque as dinâmicas de jogo são muito diferentes. O calculismo e pragmatismo, deu a lugar à verticalidade e ao risco.

Afinal como joga este Porto de Sérgio Conceição

Dispostos em campo em 1-4-4-2, como já referido, o FC Porto procura agora um tipo de jogo mais posicional e menos anárquico, usando a ordem para desordenar o adversário, elaborando sempre com posse de bola como um meio e não um fim. Procurando provocar o adversário, chamando-o para zonas interiores – onde há desde logo mais unidades – para libertar os corredores.

Laterais a garantir amplitude e profundidade, com Alex Telles e Ricardo, os vaivém nos corredores estão garantidos e desde logo com boa variabilidade na forma de atacar. Sobretudo com Ricardo quem evidencia uma boa capacidade de atacar a profundidade para cruzar, ou diagonais interiores para chegar a zonas de finalização. Os centrais terão também um papel fundamental na manobra ofensiva, sendo eles com Casillas, os primeiros construir com bola.

Dois médios-interiores, com papéis distintos mas de complementaridade. Um médio mais posicional, mas de construção e menos de destruição. Danilo será esse jogador, mas tem mostrado muitas dificuldades com bola, o que poderá obrigar a uma adaptação de André André à posição. À sua frente jogará um médio com maior raio de acção e que será o cérebro do jogo, o processador, Óliver Torres. Com os dois extremos – Brahimi e Corona – metidos bem por dentro para libertar os corredores para os laterais, mais entrelinhas para participarem em criação nas zonas de decisão.

Na frente dois homens de área – Aboubakar e Tiquinho – mas que têm a missão de à vez irem baixando para dar suporte aos médios, e assim existirem uma maior ligação entre todos. Com dois avançados “puros” o Porto terá mais força dentro da área e aumentado assim a percentagem de sucesso em zonas de finalização. Algo que na época passada foi muito debatido.

A defender haverá uma pressão imediata sobre o recuperador da bola, aumentado assim o sucesso de recuperação em zonas mais adiantadas. Pressionar logo que possível para roubar a bola ao adversário e voltar atacar. Sempre com 6 unidades no meio-campo alheio, formando muitas vezes um losango com os médios para dificultar as tarefas de construção ao adversário.

Em suma, teremos um Porto mais à sua imagem, onde irá imperar a sua força e vontade de querer muito vencer e dominar os jogos. Voltará o Porto de maior posse de bola, mas com a diferença de ser uma posse de mais qualidade e menos estéril. Havendo espaço ataca-se, não havendo provoca-se esse espaço. O futebol Rock N’Roll parece estar de volta ao Dragão depois de vários anos de ausência.

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Diogo AlvesAgosto 7, 20174min0

Produto da formação do Vélez Sarsfield, Gino Peruzzi é, actualmente, lateral direito do Boca Juniors e um dos bons valores actuar no mercado sul-americano. Não sendo um wonderkid, é um jogador de (apenas) 25 anos e num estado de maturação bom para voltar à Europa onde já actuou ao serviço o Catania Calcio. Acompanhe este artigo, feito em parceria com a Talent Spy, para conhecer este jogador que, em breve, poderá figurar no velho continente.

Gino Peruzzi fez parte das categorias base do Vélez Sarsfield, e foi lá onde nasceu para o mundo do futebol. O lateral-direito estreou-se na equipa principal na época de 2010/11 com apenas 18 anos de idade. O jovem jogador na altura realizou apenas 2 jogos e ambos vindo do banco de suplentes.

Uma subida ascendente e metódico até que afirmou-se com exactidão no onze titular do clube de Buenos Aires. Em 2012/13 foi quando deu o boom na sua performance e também a época onde o brilho na Primera División valeu-lhe o bilhete para jogar em Itália. Nomeadamente no Catania Calcio, onde esteve duas épocas. A descida à Serie B do clube italiano precipitou a sua saída e o regresso ao campeonato argentino, agora, para defender as cores amarelas e azuis do Boca. Onde já está há 3 épocas.

Somente com 25 anos é já um jogador que pode gabar-se de ter alguns títulos na sua vitrine. Foi campeão argentino por cinco ocasiões entre 2010/11 e 2016/17. Três das quais pelo Vélez e duas ao serviço do Boca. Ao serviço dos bosteros também já arrecadou uma Taça da Argentina.

[Foto: Soccerway.com]
 

Lateral com bastante propensão ofensiva e com bastante chegada ao último terço ofensivo. Sem bola (e em ataque) posiciona-se como fosse um extremo, garantindo amplitude e profundidade ao corredor direito, permitindo que o extremo pise terrenos interiores se assim o quiser. Estando o extremo mais perto de zonas exteriores, Peruzzi não se incorpora por dentro, opta por realizar um overlap sobre o extremo dando uma linha de passe vertical ao portador da bola. Com bola opta por um estilo mais pausado e de passe, ligando muitas vezes com os médios que estão em zonas interiores. Não é propriamente um jogador tecnicamente forte, e, tendo adversários pela frente, opta pelo passe e não pelo drible.

Defensivamente é um jogador que prime pela segurança e não pelo risco, realizando muita contenção em duelos defensivos. Garante cobertura ao lateral do seu lado quando bola está do lado contrário, fechando bem por dentro e optando por uma marcação zonal e não ao homem. Com bola no seu corredor, opta por uma maior contenção em 1×1. Por vezes exagera nessa contenção, o que permite que o portador da bola tenha tempo e espaço para decidir. Não sendo um jogador agressivo, opta pelo bom posicionamento para realizar os devidos desarmes. Revela uma boa colocação nos apoios defensivos.

Boa opção para…

Sporting CP: Sabendo-se da procura que o Sporting tem feito por um novo lateral direito, Peruzzi poderia ser uma boa opção para Jorge Jesus. Só Piccini não chega, e Schelotto já é carta fora do barulho. Os leões têm alguns argentinos no plantel e isso favoreceria a sua adaptação, além do mais, residualmente poderia formar a dupla de laterais da época passada do Boca. Peruzzi e Jonathan Silva.

SL Benfica: Os encarnados estão em busca do substituto perfeito (se é que o há) para colmatar a venda de Nélson Semedo. Sabendo que o antigo lateral dava uma enorme projecção ao corredor direito, com Peruzzi o Benfica também teria um jogador da mesma espécie, ainda que, com menos capacidade técnica para os duelos de 1×1 ou 1×2 no último terço ofensivo. Em suma, seria um bom reforço e não fica em nada a dever a Douglas que tem sido apontado às águias.

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Diogo AlvesJulho 28, 20174min0

O FC Porto tem de momento um plantel extenso e precisará de o emagrecer para conseguir uma melhor gestão dos seus activos. Actualmente estão 29 jogadores a trabalhar com Sérgio Conceição. O Fair-Play apresenta uma lista de três jogadores que os Dragões ainda poderão vender até final de Agosto.

Maxi Pereira

O experimentado lateral-direito chegou em 2015 ao FC Porto a custo zero, oriundo do eterno rival Sport Lisboa e Benfica. Deixou para trás 8 épocas nos encarnados para ingressar nos azuis e brancos com intuito de conseguir mais títulos e de começar uma nova etapa em Portugal.

Três épocas depois, Maxi está com 33 anos e é um jogador caro para o FC Porto – dos mais bem pagos do plantel depois de Iker Casillas – mediante aquilo que são as suas actuais capacidades físicas e técnicas. Cada vez mais limitado, face à sua idade, e com o aparecimento de novos laterais ao serviço dos Dragões, Maxi começa a perder terreno.

Posto isto, uma venda em definitivo de Maxi seria bom para ambas as partes. O FC Porto poderia apostar em definitivo em Ricardo Pereira como titular e promovia Diogo Dalot (ou Fernando Fonseca) à equipa principal para treinar entre e com os melhores e começar a ganhar o seu espaço, para que no futuro assuma a posição. Maxi certamente que via com bons olhos uma ida para um clube onde pudesse continuar a jogar e continuasse a ganhar um ordenado principesco.

[Foto: souportista.pt] A dupla Maxi Pereira e Héctor Herrera poderá ter os dias contados no Porto.

Héctor Herrera

Actual capitão do FC Porto, o mexicano parte para a sua 5ª época ao serviço dos dragões. É um dos jogadores mais carismáticos do plantel e dos mais antigos, já está na Invicta desde a época de Paulo Fonseca (2013/2014).

O azteca nunca foi dos mais amados pela tribuna do dragão, não raras vezes acabou assobiado (mesmo usando a braçadeira de capitão) após um mau passe ou uma má decisão. Tem sido dos jogadores mais contestados dos últimos anos e que os adeptos mais pedem a sua venda.

É um jogador que vai valorizando-se pelos bons desempenhos ao serviço da selecção, tendo feito uma Taça das Confederações de bom nível, e, com detalhes nunca vistos pelo Dragão. A valorização conseguida na competição pode ser uma ajuda para conseguir uma venda a rondar os 15/20M€ e permitir ao jogador iniciar uma nova etapa num novo clube, e assim também emagrecer os centrocampistas que há em excesso, de momento, no plantel de Sérgio Conceição.

Moussa Marega

Chegou em Janeiro de 2016, um pedido (o último) de Julen Lopetegui, que terá pedido a Jorge Nuno Pinto da Costa, este jogador que à data estava no Marítimo. Lopetegui não chegou a trabalhar com ele, mas sim José Peseiro. Uma metade de época onde pouco jogou, e o que jogou deixou a nu muito das suas dificuldades em jogar num grande da Liga NOS.

Esteve emprestado ao Vitória Sport Clube, e para surpresa das surpresas, Moussa Marega fez uma época acima do esperado tendo marcado 14 golos ao serviço dos vitorianos. Chegando mesmo a ser dos melhores marcadores do campeonato nos primeiros meses.

Regressou ao Dragão neste verão – pelo meio alguma polémica por chegar mais tarde -, mas é um jogador que está algo descontextualizado com o clube. Não tem grandes características para ser um jogador determinante no FC Porto, e, apesar da boa época em Guimarães, Marega não tem o plus necessário. Falta-lhe mais qualidade a nível decisional, técnico e táctico. Vive muito de um futebol de esticões. A sua realidade será clubes da metade superior da tabela, pelo que, uma venda agradaria a todas as partes.

[Foto: fcporto.pt]

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Diogo AlvesJulho 25, 20175min0

A nova direcção da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) está a operar uma autêntica renovação e mudança de paradigma dentro da selecção Argentina. Mudança que começou com a nomeação de Jorge Sampaoli como técnico principal, e, já estendeu-se às camadas jovens. Desde os Sub-13 até aos Sub-20.

Chiqui Tapia, o novo presidente da Afa – eleito em Março – tem trabalhado de forma empenhada para melhorar todo o “edifício” do futebol argentino. Desde as selecções maiores até as selecções de base.

Começou por rescindir com Edgardo Bauza (treinador contratado pela administração anterior) por maus resultados e por também entender que a Argentina necessitava de outro perfil para treinador principal. A escolha recaiu em Jorge Sampaoli. Treinador que ao serviço do Chile venceu uma Copa América em 2015, curiosamente contra a Argentina de Messi.

Deslocou-se a Sevilla para convencer o rosarino aceitar a sua proposta e a convencer os directores do clube andaluz abdicar dele. Não foi preciso muito para convencer o treinador, uma vez que o seu sonho era o de ser eleito seleccionador nacional. Foi preciso alguma paciência com os directores do Sevilla, mas as negociações chegaram a bom porto. No final do dia todos saíram contentes. O Sevilla contratou “Toto” Berizzo para novo treinador (um treinador argentino de grande qualidade) e a Afa tinha assim o seu eleito preferencial.

O início da Era Sampaoli

Sampaoli trouxe consigo todos os adjuntos e analistas – onde se inclui o mediático Matías Manna –, mas teve de abdicar do seu “irmão” do futebol, Juanma Lillo, que seguiu para outras paragens. Nomeadamente para o Atlético Nacional da Colômbia. Para suprimir essa ausência, Jorge Sampaoli voltou a chamar o jovem e ambicioso Sebastián Beccacece que era o seu braço direito há longos anos, excepto na aventura em Sevilla, porque esteve a treinar o Universida do Chile e o Defensa Y Justicia (onde se manteve até final da época).

Jorge Sampaoli começou logo pelas mudanças mais técnicas e tácticas na selecção. Chamou jogadores de um perfil mais adequado às suas ideias, onde destaca-se a convocatória de Guido Rodriguez, Leandro Paredes, Joaquin Correa, Lanzini e “Papu” Gómez. Recuperou o ostracizado Mauro Icardi e o ausente “Toto” Salvio. Além dos habituais como Messi, Dybala, Aguero, Higuain, Dí Maria, entre outros. Agora, há uma aposta em jogadores de um cariz mais criativo e ofensivo.

Uma mudança também verificada nas vitórias diante do Brasil (1-0) e da Singapura (6-0) onde viu-se uma selecção com traços diferentes e mais à imagem de Sampaoli. Conceptualmente ainda há um longo trabalho a fazer, mas já há princípios sampaolistas nesta nova era.

[Foto: Scoopnest.com] O primeiro “onze” de Jorge Sampaoli. Em cima: Maidana, Mercado, Otamendi e Romero; Em baixo: Messi, Dí Maria, Dybala, Higuain, Jorge Luís Gomez, Biglia e Banega.

Novo ciclo

A chegada de Jorge Sampaoli abriu um novo ciclo em toda a estrutura desportiva da Afa. Desde a selecção A até aos Sub-13 houve mudanças no corpo técnico das selecções.

A era de Carlos Úbeda à frente da selecção de Sub-20 chegou ao fim depois do fracasso que foi o último Mundial da categoria. Com uma selecção com bons nomes próprios, a selecção das pampas não conseguiu passar o seu grupo e só venceu na última jornada (5-0) a frágil Guiné Conacri. Para suceder a Carlos Úbeda, o elegido – por Jorge Sampaoli, em concordância com Chiqui Tapia – foi o próprio adjunto de Sampaoli, o também argentino, Sebastián Becaccece. Assim as ligações entre selecção A e Sub-20 ficarão mais limpas e com uma maior e melhor interacção entre os seleccionadores. Jorge Sampaoli, inclusive, marcou presença no mini-estágio dos Sub-20 que realizaram há poucos dias na Cidade Desportiva de Ezeiza.

Com a batuta das selecções jovens ficou Hermes Desio. Também rosarino como Sampaoli, é um ex-jogador de futebol e alinhou em clubes como o Independiente na Argentina e em Espanha teve passagens pelo Celta de Vigo, Salamanca e Deportivo Alavés. Desio actualmente era o coordenador das camadas jovens do Estudiantes La Plata, terá agora o mesmo cargo mas ao serviço do seu país coordenando todas as categorias base das selecções argentinas.

Nos Sub-17 a escolha recaiu sobre “Payaso” Aimar, o ex-jogador de River Plate e Benfica, foi o escolhido para orientar os Sub-17 que é o último patamar antes de incorporarem o futebol sénior. O ex-jogador há alguns meses que andava a formar-se para ser treinador, pensou-se até que seria adjunto de Eduardo Coudet no Xolos Tijuana por ter estagiado com ele nos últimos tempos. Aimar tem como inspirações Marcelo Bielsa (um histórico na Argentina) e o flamejante e nosso conhecido Jorge Jesus. Como adjunto terá Carlos Desio e Enrique Cesana.

Na categoria de Sub-15 o novo timoneiro é o ex-jogador Diego Placente, enquanto os Sub-13 terão Alejandro Sagesse. A escolha foi sobretudo em ex-jogadores como Aimar e Placente para seleccionadores e ter um coordenador também ele com experiência de campo. As bases estão montadas e os alicerces parecem ser seguros e com bons valores, futebolísticos e humanos, o trabalho para melhorar o futebol argentino começa agora e os frutos a serem colhidos têm de ser ainda amadurecidos e permitir que haja tempo para chegar a bom porto.

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Diogo AlvesJulho 17, 20173min0

Santiago Ascacíbar de apenas 20 anos é um dos nomes que mais se destacaram nas duas últimas épocas. O pequeno jovem subiu à equipa sénior do Estudiantes em 2016, somente com 18 anos, e, agarrou o lugar na equipa principal. Este médio-defensivo é apelidado como o novo Mascherano, mas de quem tem recebido muitas lições é do seu presiente, Brujita Verón. Sabe tudo sobre este jogador argentino com ajuda da Talent Spy.

Formado nas categorias base do Estudiantes La Plata, Ascacíbar é visto como uma das grandes referências por todos os escalões por onde passou. O argentino formou-se no clube Pincha e é tido como uma das grandes promessas do clube. Capitão em várias escalões jovens, a sua qualidade aliada a uma grande determinação e resiliência levaram a que, em 2016, com apenas 18 anos de idade, fosse lançado por Gabriel Milito na equipa principal.

Desde a sua estreia até aos dias de hoje, Ascacíbar não mais baixou de escalão. Manteve-se na equipa principal, e, ganhou o seu espaço entre os maiores. Assumiu a titularidade e aos poucos como líder num meio-campo que contava com a experiência do veterano Israel Damonte.

É já uma das peças fundamentais no meio-campo da selecção Argentina de Sub-20. Esteve presente no Sul-Americano (em Fevereiro) e mais recentemente no Mundial de Sub-20. A sua primeira grande competição internacional foi os Jogos Olímpicos de 2016, onde defrontou Portugal na fase de grupos.

[Foto: soccerway.com]
El Ruso apresenta-se como um médio de características defensivas, actuando como 6 num sistema táctico de apenas um médio de contenção, e pode também jogar com um companheiro ao lado num esquema de 4x2x3x1, por exemplo. Em duplo-pivô.

Agressivo com e sem bola, boa capacidade de desarme e de intercepção. Utiliza bastante a antecipação (como efeito surpresa) para roubar bola ao adversário, seja em terrenos do rival ou em meio-campo próprio. Muito intenso em todos os momentos de jogo, mesmo sendo um jogador de baixa estatura – apenas 1,70cm – não sai fragilizado nos duelos físicos. Capacidade de choque e de pressionar alto.

Nota-se ainda alguma falta de criatividade do ponto de vista ofensivo e posicionalmente ainda comete alguns erros de leitura. Terá de tornar-se num jogador mais fixo se quiser fazer carreira a 6 numa grande equipa europeia. Compensa com a velocidade de deslocamento e com a facilidade que tem em desarmar os adversários.

Boa opção para…

Atlético de Madrid – É um jogador muito à imagem de Diego Simeone, e, seguramente que encaixaria muito bem no meio-campo colchonero. A capacidade de desarme aliada à velocidade e grande intensidade no seu jogo, seriam muito empregues no jogo do Atlético de Madrid.

Sporting CP – Tem-se falado imenso na saída e William Carvalho e dúvidas há se Petrovic poderá ser, ou não ser, a opção de Jorge Jesus para 6 e suplantar a saída do internacional português. O Sporting mostra-se atento ao mercado argentino e Ascacíbar seria mais uma contratação com atestado de qualidade. Certamente que iria dar um salto qualitativo com Jorge Jesus. A única entrave, seria a sua baixa estatura de 1,70cm, Jorge Jesus gosta mais de jogadores fisicamente mais poderosos.

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Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final


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